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És a nossa Fé!

Balanço (10)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre BORJA:

 

-  José Navarro de Andrade: «Não sabe o que faz nem o que fazer com a bola.» (17 de Outubro)

Leonardo Ralha: «Foram dos pés de Borja que saíram os bons cruzamentos com que Plata assinou o 2-0 e Jovane descartou o 3-0. Eis um caso paradigmático de um jogador que honra o Sporting mesmo que, pelo menos idealmente, possa não ter sequer lugar no plantel.» (26 de Fevereiro)

Eu: «Vale a pena continuar a apostar nele? Catorze meses depois, são escassos os admiradores que mantém em Alvalade. E subsistem muitas incógnitas quanto à sua margem de progressão.» (14 de Março)

- Luís Lisboa: «Não passa daquilo que é: muito pouco e muitas vezes assusta.» (7 de Julho)

- Paulo Guilherme Figueiredo: «Um jogador demasiado trapalhão para uma linha de três defesas.» (7 de Julho)

- JPT: «Já mostrou que não chega. Pode ser bom jogador, até. Mas não há história de um maduro que tenha sido suplente duas épocas e que depois tenha vindo a adquirir qualquer relevância.» (12 de Julho)

Eduardo Hilário: «Útil em qualquer plantel, sendo que devia ter alguém forte para lhe fazer concorrência.» (5 de Agosto)

Os jogadores de Varandas (3)

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BORJA

O que dizer de Cristián Borja? Que é um jogador certinho, sem rasgo, sem fazer a diferença, que joga apenas pelo seguro e se limita a cumprir o mínimo que lhe é exigido. Não compromete, em regra, é certo. Mas também raras vezes consegue empolgar os espectadores.

Parecia ser um investimento seguro quando a SAD leonina o contratou, a 30 de Janeiro de 2019. Colombiano, actuava no Toluca, do Máxico, e vinha para competir com Acuña e Jefferson para a posição de lateral esquerdo.

Destronou o brasileiro, já na recta final da sua passagem por Alvalade, mas foi incapaz de vencer o duelo interno com o argentino, que se manteve titular dominante da posição. Na temporada 2019/2020 regista 15 actuações, correspondentes a 42% do número de jogos do Sporting. Mas só permaneceu em campo do princípio ao fim em sete desses desafios.

Golos marcados? Apenas um, frente ao Marítimo, a 27 de Janeiro. Assistências, nem uma. Números insuficientes, para quem custou ao Sporting 3,1 milhões de euros - por apenas 80% do seu passe. 

Borja veio para suprir uma eventual transferência de Acuña que acabou por não acontecer. E, naquela posição, tapa a ascensão de um jovem da nossa Academia. O promissor Nuno Mendes, por exemplo.

O colombiano, agora com 27 anos, é internacional pelo seu país. Integrou a turma olímpica em 2016, e chegou à selecção A em Setembro de 2018, embora com reduzida utilização. O principal jogo em que participou foi em Junho de 2019, contra o Paraguai, na fase de grupos da Copa América, já sob o comando de Carlos Queiroz.

Vale a pena continuar a apostar nele? Catorze meses depois, são escassos os admiradores que mantém em Alvalade. E subsistem muitas incógnitas quanto à sua margem de progressão.

 

Nota: 5

Armas e viscondes assinalados: O silêncio é de outros e a alegria é de Plata

Sporting 2 - Boavista 0

Liga NOS - 22.ª Jornada

23 de Fevereiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

Teve que esperar pelo tempo de compensação da segunda parte para ser verdadeiramente posto à prova, evitando o contacto da bola com as redes com a mesma determinação do irmão mais velho de uma adolescente afoita. A estirada que desviou para canto um remate de fora da área que levava carimbo de golo de honra boavisteira serviu para recordar os compradores de bilhetes e recebedores de convites que o jovem guarda-redes é o único dos supostos suplentes da linha defensiva leonina aquando do início da temporada – todos eles titulares neste jogo – que se tornou titular indiscutível. Só precisa mesmo de melhorar o jogo de pés, como mais uma vez demonstrou, num jogo em que pouco mais fez do que encaixar escassos remates saídos à figura, para superar o actual guarda-redes do Wolverhampton nesta fase da carreira e dar início à luta pela baliza de Portugal.

 

Rosier (3,0)

A primeira intervenção do lateral-direito francês foi inaceitável num profissional de futebol, mas a verdade é que não demorou a carburar, combinando de forma muito positiva com o endiabrado Gonzalo Plata. Regressado à titularidade após prolongada ausência, tirou proveito da oportunidade e até chegou a rematar. Mas ainda tem hesitações na hora de avançar para a grande área adversária e sofre com as limitações físicas (já conhecidas aquando da sua contratação, e que conduziram à precoce titularidade e posterior entrada no carrossel de Thierry Correia) que aconselharam a sua substituição.

 

Neto (3,0)

Patrões fora, dia santo na loja? Acabou por assim ser, com a ausência de Coates e Mathieu a passar despercebida. Ainda que a ineficácia do ataque boavisteiro tenha dado uma ajuda, a experiência do central português contribuiu para o desfecho. Neto antecipou-se ao perigo, executou sem adornos e até procurou contribuir para a construção de jogo. Fossem todos os jogos assim.

 

Ilori (3,0)

Ainda teve uma hesitação e um atraso de bola arriscado, mas Luís Maximiano resolveu as duas situações sem problemas de maior. Posto isso... digamos que o central resgatado do esquecimento pela infinita generosidade de Frederico Varandas e Hugo Viana sossegou todos quantos temiam vê-lo lançar sete palmos de terra sobre a equipa. Intervenções certas e desassombradas, aqui e acolá merecedoras daquele tipo de aplausos que são reservados a quem supera (baixas) expectativas, contribuíram para manter o lado correcto do marcador a zeros. Se conseguir repetir o feito na Turquia é possível que lhe façam uma estátua equestre.

 

Borja (3,0)

Raras coisas são tão comoventes quanto o esforço do lateral-esquerdo colombiano para transcender as suas capacidades. Neste caso, ainda que se tenha remetido sobretudo a funções defensivas, prejudicado pela ênfase dada a Gonzalo Plata no lado contrário e pela tendência de Jovane Cabral flectir para o centro do meio-campo adversário, foram dos pés de Borja que saíram os bons cruzamentos com que Plata assinou o 2-0 e Jovane descartou o 3-0. Eis um caso paradigmático de um jogador que honra o Sporting mesmo que, pelo menos idealmente, possa não ter sequer lugar no plantel.

 

Battaglia (3,0)

Mais uma exibição positiva do médio argentino, mexido o bastante para fornecer linhas de passe aos colegas mais atrás e inteligente o suficiente para arranjar soluções aos colegas mais à frente. Acabou por não ser poupado para a segunda mão dos dezasseis-avos de final da Liga Europa, numa decisão que só pode ser aplaudida: além de melhorar o coeficiente na UEFA, já de olhos postos no regresso à Champions em 2021/2022, o Sporting tem de assegurar que para o ano poderá competir na Liga Europa. E alcançar o Sporting de Braga ou manter à distância Rio Ave, Vitória de Guimarães e Famalicão está longe de ser uma mera formalidade para este Sporting de pé descalço.

 

Wendel (3,0)

Terá feito um dos seus melhores jogos nos últimos meses, demonstrando sabedoria na condução de bola, ausência da recorrente e irritante displicência na movimentação e no posicionamento e vontade de conduzir os colegas ao “só mais um” que erros alheios mantiveram no registo “dois é bom, três é de mais”. Só não merece melhor nota pela forma infantil como viu o cartão amarelo que o afasta da deslocação a Famalicão, onde o Sporting tem demasiado em jogo para não contar com todos os melhores.

 

Gonzalo Plata (4,0)

No final do jogo, recomposto da tentativa perpetrada pelo central boavisteiro Ricardo Costa de lhe desatarraxar a perna (sem que o infame Nuno “Ferrari Vermelho” Almeida, um dos maiores escroques apitadores nacionais, discernisse mais do que um pontapé de canto apesar da insistência do videoárbitro), o jovem extremo equatoriano ouviu o mesmo treinador que lhe nega oportunidades de afirmação dizer que poderá encontrar-se em Alvalade um futuro caso sério do futebol mundial. Inequívoco homem do jogo, Gonzalo Plata fez mais do que cobrar de forma irrepreensível o livre que permitiu a Sporar inaugurar o marcador e do que rubricar o 2-0 num lance em que a execução do remate ficou em segundo plano perante a rapidez e inteligência com que se dirigiu para as “sobras” do cruzamento de Borja. Mais do que isso, devolveu alegria ao Estádio de Alvalade, que pela primeira vez em muito tempo teve momentos de comunhão nas bancadas, juntando “escumalha”, “croquetes” e milhares de convidados que ali estavam para a média de ocupação do estádio parecer menos desoladora. Quando Plata for o jogador que já acredita ser, apesar da taxa de sucesso nas iniciativas individuais ainda ter considerável margem de progresso, é possível que seja um dos pilares de um Sporting que conte para o Totoloto. Mas mesmo nestes dias sombrios pode e deve contribuir para a obtenção dos poucos objectivos que restam à equipa, o que passa necessariamente por mais do que 10 ou 20 minutinhos em campo, quase sempre numa fase em que o resto dos colegas já desmobilizaram.

 

Jovane Cabral (3,0)

Repetiu a titularidade sem repetir os resultados virtuosos obtidos no jogo com o Basaksehir. Voltou a mostrar-se mexido e a pôr os outros em movimento, mas pouco lhe saiu bem ao longo do jogo. O momento mais paradigmático da exibição foi o falhanço dentro da grande área, em posição frontal, após um bom cruzamento de Borja. Ainda assim, poderia ter mantido a série consecutiva de contribuições para o placard, isolando de forma perfeita Gonzalo Plata frente a frente com o guarda-redes do Boavista. Mas calhou ser o momento do jogo em que o equatoriano não esteve à altura.

 

Vietto (3,5)

Promovido a força tranquila da manobra ofensiva leonina, muito ele fez jogar, ainda que não tenha concretizado uma oportunidade flagrante de golo, servido com requinte pelo rompante Plata. Tem muito em si de futura referência leonina e cabe-lhe escrever um melhor futuro em que deixe de passar pela vida futebolística como uma esperança adiada.

 

Sporar (3,5)

Estreou-se a marcar na Liga NOS, dias após marcar na Liga Europa, com um toque oportuno que desviou da melhor forma o livre marcado por um equatoriano de que já talvez tenham ouvido falar. Mas também garantiu espaços para os colegas e continua a aumentar os níveis de confiança, o que vem mesmo a calhar numa altura em que se descobre que os bónus previstos na sua transferência podem fazer de si a contratação mais cara de sempre do Sporting. Lá seria mais um recorde batido pela presidência de Frederico Varandas...

 

Pedro Mendes (2,0)

Teve direito a 20 minutos pelo segundo jogo consecutivo, e pelo segundo jogo consecutivo padeceu de ter entrado numa fase em que o Sporting abandonara a nobre arte do ataque continuado. Voltou a fazer o possível por deixar boa impressão ao estádio, ainda que pouco mais tenha feito além de pressionar o início da construção de jogo dos adversários.

 

Ristovski (2,0)

Saltou do banco de suplentes para fazer face aos problemas físicos de Rosier e ajudou a manter uma rara ausência de golos concedidos. Segue-se a viagem à Turquia, onde viria a calhar repetir a proeza.

 

Francisco Geraldes (2,0)

A ovação que recebeu quando entrou para o descanso de Vietto é o tipo de fenómeno sportinguista que carece de estudo académico. Além de ser um futebolista com talento inato, “Chico” não se limita a ser o leão aspiracional, capaz de conciliar a bola com os estudos, mais dado a leituras do que a vídeos , como também simboliza na perfeição o Sporting dos nossos dias, com o seu potencial (ainda) por concretizar, em grande parte por culpas alheias (treinadores avessos à aposta na formação, péssima gestão de activos do clube) mas decerto também por culpa própria. Nos dez minutos que lhe couberam em sorte procurou e conseguiu mostrar serviço, lamentando-se apenas que num lance de contra-ataque não tenha sentido a confiança suficiente para rematar ou tentar irromper na grande área boavisteira, optando por assistir um colega que não entendeu o passe. Fica de fora na Liga Europa, mas pode ser que o castigo de Wendel leve a que Silas lhe dê uma hipótese de provar valor na deslocação a Famalicão. Embora seja mais provável que regresse a um daqueles meios-campos a tresandar de medo da própria sombra que juntam Battaglia a Idrissa Doumbia e Eduardo.

 

Silas (3,5)

Teve a inteligência de apostar numa táctica alicerçada no célebre princípio de jogo “metam a bola no miúdo e logo se vê”, retirando faustosos dividendos da aposta em Gonzalo Plata. Vendo-se a ganhar desde cedo, e a dominar as manobras no meio-campo, respirou de alívio e nem o facto de apresentar uma linha defensiva composta quase exclusivamente por suplentes trouxe um décimo das preocupações que esperaria. Numa semana em que exibiu dotes de comunicação quase tão fracos quanto os do responsável pela sua contratação, pondo em causa o empenho de um dos melhores jogadores de sempre do futebol leonino, Silas ganhou algum oxigénio. Para encher a botija terá de selar o apuramento para os oitavos-de-final da Liga Europa em Istambul e regressar de Famalicão com mais três pontos de vantagem em relação a um dos adversários directos na luta pelo terceiro, quarto ou quinto lugares. Mas para tal seria aconselhável que resolvesse a recorrente quebra que faz das segundas partes do Sporting o equivalente táctico de uma pessoa remediada que (sobre)vive de rendimentos.

Armas e viscondes assinalados: Herói inesperado na noite fria de adeus a um imenso

Sporting 1 - Marítimo 0

Liga NOS - 18.ª Jornada

27 de Janeiro de 2020

 

Luís Maximiano (3,0)

O Marítimo revelou-se a equipa ideal para o arranque de uma primeira volta em que o Sporting corre atrás de todos os recordes negativos, a começar pela pior assistência do estádio em jogos para a Liga NOS, com 12.798 espectadores, ao ponto de por uns instantes se conseguir ouvir uns tímidos gritos de “mar’itmo!”, mas poderia muito bem ter sido o tipo de equipa dominada do primeiro ao último minuto e que sai de Alvalade com um ou três pontos graças ao aproveitamento de uma ou duas ocasiões de golo. E se tal não aconteceu muito se deve ao jovem guarda-redes, que fez uma defesa extraordinária depois de um adversário enganar os centrais e rematar na grande área. Apesar de continuar sofrível nas reposições de bola, Maximiano esteve para as encomendas.

 

Ristovski (3,0)

Embora tenha falhado uma ocasião de golo magnífica, desaproveitando o cruzamento de Bruno Fernandes com um remate para a bancada sul tão silenciosa e desprovida de claques quanto as outras bancadas estiveram quase sempre silenciosas e quase sempre desprovidas de adeptos, continua a ser um dos raros resquícios de melhores tempos do que estes. Viu-se mesmo forçado a enfiar-se dentro da baliza para evitar que o Marítimo marcasse na segunda parte e, perante a debandada em curso, parece estar a um passo de subir ao grupo dos capitães.

 

Coates (3,0)

O magnífico golo que marcou, dominando de peito o cruzamento teleguiado de Bruno Fernandes antes de desferir um remate acrobático com a elegância de um hipopótamo do “Fantasia”, foi o primeiro dos golos (surpreendentemente) bem anulados ao Sporting. Lá atrás, naquilo que é pago para fazer, nem sempre demonstrou acerto, ainda que bem mais do que o parceiro que lhe coube em sorte, mas o certo é que desta vez não houve quem marcasse à equipa da casa.

 

Neto (2,5)

Substituir Mathieu, não raras vezes o maior responsável pela condução de bola criteriosa para o ataque leonino, pesou toneladas ao central português, não mais do que esforçado nessa missão. Também algo permissivo face aos pouco inspirados visitantes, teve um resultado melhor do que a exibição. Mas que atire a primeira pedra aquele que não tiver sentido vontade de correr para o Marquês ao saber que Mathieu estará disponível para a visita a Braga.

 

Borja (3,5)

O remate certeiro e de ângulo difícil do lateral-esquerdo valeu os três pontos, apesar de o inefável Rui Costa ainda ter alimentado a esperança de que o videoárbitro encontrasse irregularidade no início da jogada. Foi um momento particularmente comovente, pois basta assistir a duas ou três intervenções do colombiano para desconfiar que não terá tido muito contacto com bolas de futebol nos anos formativos. Só que mais uma vez Borja compensou a falta de domínio de bola com muita vontade de ajudar, sendo tão eficaz a defender o seu flanco como a dar o apoio possível ao ataque. Sobretudo na segunda parte, a partir do momento que ficou sem uma má companhia que por ali andou, fazendo além do golo um excelente cruzamento que resultou no tento anulado a Rafael Camacho.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Titular vá-se lá saber porquê apesar de Battaglia estar disponível e sentado no banco de suplentes, não teve problemas suficientes para ver emergirem as suas piores insuficiências. Mesmo assim escapou ao amarelo em duas ocasiões, o que se torna ainda mais espantoso pela conhecida vontade de amarelar sportinguistas que o árbitro Rui Costa não cessa de demonstrar.

 

Wendel (3,0)

A falta de Mathieu e a incapacidade de Idrissa fizeram com que fosse o criador de jogadas substituto, esforçando-se por fazer “slalons” por entre os adversários que permitiram um domínio das operações muito superior do que a real qualidade do Sporting. Pena é que não esteja com confiança para ensaiar o remate de longa distância que já provou fazer parte do seu repertório, ainda mais necessário quando o especialista das últimas duas temporadas e meia está de malas aviadas para o seu “Alvaladexit”. Razão mais do que suficiente para que Wendel perceba que chegou a hora de assumir o comando.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Mais triste do que o último jogo de um dos melhores de sempre do Sporting coincidir com um novo recorde negativo de assistência em jogos da Liga? Mais triste do que apenas uma fracção dos poucos que foram a Alvalade terem ficado mais uns minutos para aplaudirem o capitão claramente de partida? Mais triste do que qualquer encaixe financeiro obtido com o seu passe, que à hora de escrita destas linhas ameaça constituir um dos raros recordes positivos da actual gerência? Só mesmo o facto de Bruno Fernandes não se ter conseguido despedir com um grande golo ou uma grande assistência. E não foi por falta de tentativa, pois os cruzamentos com que serviu Ristovski e Coates na grande área mereciam melhor aproveitamento ou posicionamento face à linha de fora de jogo, e o remate estrondoso que fez na segunda parte continuará a ser sentido pelo poste da baliza norte muito depois de ter partido para outras paragens. No resto, foi igual a si próprio, quer a comandar os colegas no terreno (quem raio é que o fará doravante?), quer a questionar a abantesma da arbitragem que ali foi parar, quer a inventar aquilo que os restantes não conseguem. Parte sem glória e com o amargo de boca de deixar ainda mais à deriva aquilo que teve tudo para ser um espada cravada nos interesses instalados do futebol português. E se muitos são culpados do estado a que o Sporting chegou, de Bruno de Carvalho a Jorge Jesus, de Sousa Cintra a José Peseiro, de Frederico Varandas a todos os desgraçados que aceitam ser profetas do perdedorismo transformado em religião oficial, a Bruno Fernandes nada há a apontar e muito a agradecer.

 

Rafael Camacho (2,5)

Ainda marcou, fuzilando a baliza escancarada, mas o videoárbitro encontrou uma falta alheia que adiou o alívio aos poucos que combateram a chuva, o frio, o adiantado da hora e sobretudo o desânimo. Teria sido um bom incentivo para o jovem resgatado de Liverpool que muito promete, sem que no entanto grande coisa cumpra por enquanto.

 

Jesé Rodríguez (1,5)

Elevado à titularidade por entre uma chuva de ausências (Bolasie e Vietto) e uma hesitação em apostar no futuro (Gonzalo Plata e Jovane Cabral), o espanhol voltou a exibir a sua pesada e milionária mediocridade no relvado. Todos os minutos que passou em campo foram um desperdício de recursos e um espelho de tudo o que está errado neste Sporting que começa a segunda volta com os mesmos 19 pontos de desvantagem com que terminou a primeira.

 

Luiz Phellype (1,5)

Estava mais uma vez a passar ao lado do jogo quando um dos muitos sarrafeiros do Marítimo lhe desferiu um golpe junto à linha lateral que não chegou para que Rui Costa assinalasse falta mas culminou numa rotura dos ligamentos cruzados do joelho. Terminou a época para o avançado brasileiro, o que é uma tragédia pessoal e mais um problema para um plantel que parece um viveiro de dificuldades.

 

Sporar (2,5)

Claramente abaixo de forma e debilitado, o esloveno teve de entrar ao quarto de hora para o lugar de Luiz Phellype e quase se manifestou de forma precoce, pois o seu primeiro toque na bola foi um remate perigoso que o guarda-redes do Marítimo conseguiu suster. Refreou o entusiasmo a partir daí, ainda que numa jogada da segunda parte tenha dado indicações de estar familiarizado com o funcionamento das bolas de futebol, e além de ser o responsável pela anulação do golo de Rafael Camacho, visto que terá empurrado um defesa, chegou atrasado ao cruzamento de Jovane Cabral que Borja se encarregou de dirigir para a baliza.

 

Gonzalo Plata (2,5)

Entrou para agitar o jogo e cumpriu razoavelmente, ainda que não raras vezes fosse mais trapalhão do que uma jovem esperança do futebol sul-americano deveria ser. Seja como for, tem a vantagem de fazer parte do futuro.

 

Jovane Cabral (3,0)

Sem ser o marcador do golo, como nos tempos em que se tornou o salvador de José Peseiro, o regressado de lesão ligou o Sporting à corrente e assinou o tal cruzamento que conta como assistência. Poderia ter marcado, mas não conseguiu desviar o cabeceamento de Coates para dentro da baliza, tendo ficado perto de marcar num livre directo em que Bruno Fernandes lhe passou o testemunho,

 

Silas (2,5)

Condicionado por lesões e castigos, montou uma equipa titular em que as titularidades de Idrissa Doumbia e Jesé Rodríguez não são fáceis de explicar e contribuíram para que um jogo fácil tivesse alguma incerteza. Mais acertado na hora de fazer substituições, conseguiu os três pontos que devolvem o Sporting ao terceiro lugar da Liga. Manter a equipa no pódio será, no entanto, um desafio que nada indica ser fácil de superar por um treinador que tarda em encontrar um fio de jogo e perde agora a grande referência. Conviria que conseguisse integrar a juventude leonina de Alcochete, mas a verdade é que Rodrigo Fernandes, Matheus Nunes e Pedro Mendes têm sido tratados como escumalha na ordem de prioridades de Silas.

Rescaldo do jogo de ontem

Gostei

 

Do regresso às vitórias. O Sporting superou esta noite a turma do Marítimo, vencendo-a em Alvalade, embora por margem mínima: 1-0. Melhor do que o confronto da primeira volta, em que nos ficámos por um empate no Funchal, ainda com a equipa sob o comando de Marcel Keizer. Agora não só vencemos como dominámos sem discussão a partida - ao ponto de o Marítimo apenas ter feito um remate à nossa baliza na etapa complementar. E só por manifesto azar o nosso triunfo não foi mais dilatado: aos 70', com o seu pontapé-canhão, Bruno Fernandes levou a bola a embater com estrondo na barra.

 

De Borja. O lateral colombiano regressou à titularidade, aproveitando a ausência de Acuña, afastado por acumulação de cartões. Cumpriu com distinção a incumbência, não apenas no plano defensivo, com boas acções de cobertura, mas sobretudo nas movimentações ofensivas que culminaram com a sua estreia a marcar esta época ao serviço do Sporting, correspondendo da melhor maneira a um cruzamento de Jovane. Foi também dos pés dele que saiu o excelente centro para o golo de Rafael Camacho que viria a ser anulado por alegada falta anterior do estreante Sporar. Voto nele como o melhor em campo.

 

De Wendel. Muito influente na ligação entre linhas, destacou-se pela mobilidade e pela capacidade de luta a meio-campo, ganhando diversos confrontos individuais. Sempre muito activo, vai dando sinais de crescente robustez física e disciplina táctica.

 

De Jovane. Foi a arma secreta de Silas, bem utilizada após quatro meses exactos de afastamento por lesão: o último jogo em que tinha sido utilizado na equipa principal fora o Sporting-Rio Ave para a Taça da Liga, a 27 de Setembro. Entrou aos 71' e cinco minutos depois estava a fazer a assistência para o golo leonino. A sua entrada, para o lugar de Idrissa Doumbia, permitiu alargar a frente ofensiva. Aos 90'+1 esteve quase a marcar o segundo, num remate cruzado fortíssimo, do lado direito, desviado in extremis pelo guardião Amir para canto.

 

Da estreia de Sporar. O internacional esloveno - até agora único reforço do Sporting neste mercado de Inverno - esteve fora do onze inicial devido a uma indisposição intestinal. Mas acabou mesmo por entrar devido à lesão de Luiz Phellype, logo aos 15'. Só teve possibilidade de fazer três treinos pelo Sporting, vê-se que não tem rotinas com os colegas, mas deu alguns sinais interessantes: sabe desmarcar-se, arrastando os defesas, e utilizar a velocidade. Esteve a centímetros de marcar aos 76', correspondendo ao cruzamento de Jovane que viria a sobrar para Borja marcar o golo. Funcionou como talismã para a equipa: o nosso regresso às vitórias ocorreu com ele de verde e branco.

 

Da aposta na juventude. Terminamos este jogo com cinco jogadores muito jovens no onze, todos promissores e alguns com melhor desempenho global do que os colegas mais velhos: Max (21 anos), Wendel (22), Plata (19), Jovane (21) e Camacho (19). E três deles com formação na Academia leonina. Este tem de ser o caminho para reforçar a identidade do Sporting.

 

De não termos sofrido qualquer golo. Terminamos com a nossa baliza inviolada, o que só tinha acontecido em quatro ocasiões nesta Liga 2019/2020.

 

Da subida do Sporting ao terceiro lugar. Recuperámos o lugar no pódio do campeonato a que temos direito, beneficiando da derrota do Famalicão em casa frente ao Santa Clara, e vendo mais à distância o V. Guimarães, que perdeu também em casa contra o Rio Ave. Aguardemos agora pelo resultado do confronto de logo à noite entre o FC Porto e o Gil Vicente.

 

 

Não gostei

 
 

Do inútil Jesé. Silas insistiu em dar-lhe outra oportunidade como titular - algo que não acontecia desde 12 de Dezembro. Mas o espanhol voltou a ser incapaz de aproveitar a benevolência do técnico leonino, desperdiçando (pela última vez?) a hipótese de jogar pelo Sporting. Esteve 62 minutos em campo, confirmando ter sido um dos maiores barretes enfiados pelo duo Frederico Varandas-Hugo Viana, a par do brasileiro Fernando, já devolvido à procedência. A equipa melhorou muito quando o técnico decidiu enfim - com 62 minutos de atraso - remetê-lo ao balneário, trocando-o por Plata com inegável vantagem para a dinâmica ofensiva leonina.

 

Da lesão de Luiz Phellype. Titular na frente de ataque, o brasileiro foi azarado: saiu aos 11' lesionado, após um choque com um adversário que o árbitro Rui Costa nem assinalou com a falta que se impunha contra o Marítimo. A lesão parece ser complicada, acelerando a promoção do recém-chegado Sporar ao onze inicial já a partir do próximo confronto, com o Braga, na Cidade dos Arcebispos.

 

De três ausências. Acuña e Mathieu (a cumprir castigos) e Vietto (por lesão) estiveram fora dos convocados para esta partida. Num plantel tão desequilibrado como o nosso, é quanto basta para causar abalo. Felizmente dois deles estarão de volta já na próxima jornada. Espero que Pedro Mendes, face à lesão de Luiz Phellype, possa ao menos sentar-se no banco de suplentes, algo que desta vez não aconteceu, pois foi remetido para a bancada.

 

Do 0-0 ao intervalo. Resultado que não traduzia o domínio do Sporting na meia hora inicial e acentuava o receio de muitos adeptos para os 45 minutos seguintes. Felizmente os cenários pessimistas não se confirmaram.

 

De ver dois golos anulados ao Sporting. O primeiro, marcado aos 16' por Coates, num pontapé acrobático à meia-volta, foi invalidado por deslocação do central uruguaio. O segundo, marcado por Camacho aos 53', acabou por ficar sem efeito por suposto empurrão de Sporar a um defesa adversário que Rui Costa e o vídeo-árbitro demoraram três minutos a analisar.

 

Dos assobios à equipa. Estávamos no minuto 8 do jogo quando soaram nas bancadas as primeiras vaias - bem sonoras - aos nossos jogadores. Os imbecis do assobio imaginarão que assim conseguirão motivar alguém ou fazem isto só para incutir mais moral aos adversários que nos defrontam em Alvalade?

 

De ver as bancadas tão despidas. Apenas 12.788 espectadores em Alvalade numa noite fria e chuvosa de Inverno para assistirem a um jogo iniciado às 21.03. Muitos destes resistentes só chegaram a casa após a meia-noite. É um delito de lesa-futebol permitir jogos a esta hora tão tardia na véspera de um dia de trabalho, em ambiente de manifesto desconforto, sem a menor garantia de assistir a um bom espectáculo de futebol e perante a iminência de testemunhar "festivais de pirotecnia" dos javardos da curva sul. Enquanto a administração da SAD não se impuser perante a Liga para a alteração dos horários e continuar a permitir a entrada de artefactos pirotécnicos, verá clareiras tão grandes ou ainda maiores no nosso estádio. Que lhe faça bom proveito.

Um golaço com bênção papal

A gente não joga nada, isso creio ser ponto assente.

Quem começa um jogo com Jesé e deixa Pedro Mendes na bancada, não merece ser feliz e joga nitidamente com um a menos. Hoje no entanto a felicidade bateu-nos à porta e cedo deixámos de jogar com nove, já que o Luis das consoantes dobradas levou uma arrochada que o mandou, literalmente, para fora de campo. Fez um insular aquilo que Silas não tem coragem para fazer: Jogar sem aquele pau de sebo na frente de ataque. Pela minha parte, os meus agradecimentos ao rapaz da Madeira.

Bom, a gente não joga nada, mas os madeirenses jogam um bocadinho menos ainda e o Rui Costa a apitar é ainda muito pior. É confrangedor ver aquele senhor de apito na boca, ele não é apenas incompetente, ele é a própria incompetência!

Apesar de tudo, no jogo talvez com pior assistência para a Liga desde que este estádio está de pé,  houve alguns lances de relevo neste jogo insonso, mais um, da nossa equipa: Uma excelente defesa de Max, um belo remate de Bruno Fernandes à trave e um golo de um ângulo muito apertado de "Rodrigo" Borja; um golo abençoado que nos dá por agora o terceiro lugar e descansa Silas, que há três semanas havia garantido que à frente do Famalicão ficaremos (até aposta com quem quiser). "Alexandre VI" hoje ouviu-o e lá fez o milagre, mas a continuar assim,  suspeito que nem com a ajuda de todos os santinhos lá iremos.

Valeu pelo resultado, justo, mas lá que é muito mau, isso é!

Uma palavra final para Jovane. Um regresso que se saúda e em grande. Oxalá seja aposta.

Quente & frio

Gostei muito da nossa vitória de hoje na Noruega, frente ao Rosenborg, tetracampeão desse país nórdico. Terceiro triunfo consecutivo do Sporting na Liga Europa, desta vez por 2-0, com golos obtidos por Coates, de cabeça, na sequência de um centro de Neto (aos 16'), e por Bruno Fernandes, num tiro de pé esquerdo (aos 38'), dando a melhor sequência a um surpreendente passe de ruptura de Idrissa Doumbia, que julgo estrear-se em assistências para golo de Leão ao peito. Um resultado que nos coloca no primeiro lugar do Grupo D desta competição da UEFA, com mais dois pontos do que o PSV, hoje derrotado pelo Lask Linz (1-4). Acredito que este bom desempenho europeu do Sporting elevará os índices anímicos e motivacionais dos nossos jogadores. E contribuirá decerto para uma reaproximação entre a equipa e os adeptos.

 

Gostei da exibição de Coates, para mim o melhor em campo. Não apenas por ter marcado o golo inaugural do Sporting, incutindo assim confiança à equipa, mas por ter liderado a nossa organização defensiva, que se portou em bom nível global apesar da ausência de Mathieu e com a excepção que anotarei abaixo. Gostei da exibição de Vietto na segunda parte, quando conduziu vários lances ofensivos e se revelou o melhor no passe longo. Gostei ainda de ter visto o Sporting concluir este jogo com quatro jogadores da formação: Tiago Ilori, Rafael Camacho, Rodrigo Fernandes e Pedro Mendes. Este é o caminho mais correcto e Silas está a singrá-lo.

 

Gostei pouco das aves agoirentas que poisaram nas pantalhas minutos antes do início de jogo, traçando negros vaticínios para o desfecho desta partida disputada na cidade de Trondheim. Felizmente o Sporting demonstrou em campo ser uma equipa claramente superior ao onze adversário. A vitória foi categórica. E poderia ter sido mais dilatada: ficou um penálti claríssimo por marcar quando Vietto foi derrubado à margem das leis, aos 62', na grande área do Rosenberg.

 

Não gostei  dos dez minutos iniciais, em que se sucederam os passinhos curtos no nosso reduto defensivo, com o Sporting a revelar receio na progressão com bola. Apesar de Silas ter formado uma muralha defensiva constituída por três centrais (Coates, Ilori e Neto) e dois laterais (Rosier e Borja), acrescida de um duplo pivô no meio-campo (Idrissa e Eduardo), abdicando de um ponta-de-lança (Luiz Phellype ficou no banco e Pedro Mendes só entrou aos 90'). Parecia a repetição do jogo medíocre com o Tondela, mas felizmente não durou muito. Também não gostei de ver a nossa equipa recuar em excesso as linhas a meio da segunda parte, num período em que o perigo rondou a nossa baliza e só não originou golo do Rosenborg devido a uma defesa excepcional de Renan, aos 85'.

 

Não gostei nada da exibição de Borja, hoje titular por lesão de Acuña, que nem viajou para a Noruega. Se há posição que necessita de ser reforçada no plantel leonino é a de lateral esquerdo. O colombiano foi incapaz de fechar o corredor em momentos cruciais, raras vezes conseguiu entender-se com Ilori (o central que jogava mais perto da sua ala), provocou uma falta desnecessária que originou um livre muito perigoso aos 68' e entregou a bola aos 65' e aos 85'. Nesta última circunstância, só Renan - muito atento e de reflexos rápidos - foi capaz de corrigir a asneira. Apetece perguntar como é que Borja conseguiu tornar-se internacional pela Colômbia.

Balanço (10)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre BORJA:

 

Eu: «Gostei pouco da prestação do colombiano Borja, reforço de Inverno para a nossa lateral esquerda, em estreia absoluta de verde e branco no onze titular escalado por Keizer para este desafio. Naturalmente sem rotinas defensivas, teve responsabilidades directas nos dois golos encarnados.» (7 de Fevereiro)

Edmundo Gonçalves: «Deixou bons apontamentos.» (7 de Fevereiro)

Francisco Vasconcelos: «Borja, que achei que poderia ter problemas de adaptação ao ritmo e posicionamento, tem sido uma bela surpresa.» (8 de Março)

Leonardo Ralha: «Não conseguiu oferecer uma ocasião de golo a um adversário logo no primeiro minuto de jogo. Limitou-se a perder a bola pela linha lateral, permitindo aos adeptos um alívio que mostrou ser exagerado. Andou pelo relvado a manietar jogadas prometedoras, a atrapalhar Acuña e a demonstrar aos mais novos como não se cabeceia.» (19 de Maio)

José Navarro de Andrade: «Bruno Gaspar, Borja e André Pinto (este depois da atitude miserável no jogo contra o benfas): a porta da rua é serventia da casa - são maus demais.» (28 de Maio)

Luís Lisboa: «Tem andado muito limitado por lesões e descontinuidades de titularidade. Vamos ver como se comporta na selecção da Colômbia. Nesse acredito.» (6 de Junho)

Armas e viscondes assinalados: O futebol é um jogo de onze contra dez e no final perde o Sporting

FC Porto 2 - Sporting 1

Liga NOS - 34.ª Jornada

18 de Maio de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Fez por garantir os três pontos, depois tentou salvar um ponto, e no final só conseguiu juntar-se à fila interminável de pessoas que co-protagonizam incidentes com Sérgio Conceição. Foi um desfecho pesado para o guarda-redes brasileiro, deixado indefeso pelos colegas de ocasião que formavam a linha defensiva nos lances dos dois golos. Começou no primeiro tempo a defender um livre perigoso de Herrera e na segunda parte, com o Sporting cada vez mais empurrado para as cordas pela inferioridade numérica, sofreu uma agressão de Marega encarada com benevolência no Dragão e na Cidade do Futebol, viu a sua equipa adiantar-se no marcador no único lance de perigo de que dispôs e adiou o que ia parecendo cada vez mais inevitável. Na retina ficaram grandes defesas, sobretudo o desvio de um cabeceamento de Danilo num dos muitos pontapés de canto em que os verdes e brancos pouco fizeram por afastar o esférico da zona de perigo, e uma saída perfeita quando Aboubakar aparecia isolado. Espera-se que daqui a uma semana repita tudo menos a parte dos confrontos com o treinador do FC Porto e a retirada de bolas dentro da baliza.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Forçado a ser titular devido ao olho de abutre que discerniu a sanguinária pisadela de Ristovski, entrou no relvado com as cautelas de quem conhece os seus limites – ao contrário do mais optimista Bruno Fernandes, que lhe ofereceu uma daquelas aberturas a que talvez só o saudoso Puccini chegasse a tempo – e esforçou-se por fazer esquecer que entregar a direita a Bruno Gaspar e Diaby ultrapassava as piores sondagens que o PSD e CDS-PP têm registado. Ficou ligado ao lance que destruiu qualquer hipótese de gestão científica de esforço no jogo-que-nada-contava-antes-da-final-da-Taça-de-Portugal ao fazer um atraso de bola singelo e honesto que provocou um erro sistémico a Borja. Desde que o Sporting ficou com menos um em campo, como tantas vezes sucede, fez das tripas coração por não fazer com a subida do seu peso, de nove para dez por cento, no conjunto da equipa tivesse um impacto muito negativo. Conseguiu-o, no limiar mais baixo do intervalo de competência, até que Marcel Keizer resolveu testar novas oportunidades que não surtiram o efeito desejado.

 

André Pinto (2,5)

Foi uma das surpresas no onze titular, fazendo dupla com o central francês a quem costuma substituir aquando das lesões decorrentes da idade avançada do homem que parece ser o gémeo louro de Francis Obikwelu. Começou por distinguir-se pela precisão com que atrasava a bola para Renan, gabando-se-lhe a sabedoria de nunca ter destinado tais passes a Borja. Na hora do aperto fez por tapar os caminhos para a baliza, mas nada pôde para obstar ao descalabro defensivo dos minutos finais. É provável que tenha sido a sua despedida, e não se pode dizer que não tenha dado o que estava ao seu alcance.

 

Mathieu (3,0)

Foi o único titular ideal no quarteto defensivo e marcou a diferença que torna essencial que, por entre negócios maravilhosos que valorizam excedentários crónicos do Atlético de Madrid em 15 milhões de euros, os responsáveis leoninos gastem uns minutos a acciomar o direito de opção do francês. Tentou salvar a equipa de si própria, roubando um golo ao FC Porto com um desvio de cabeça providencial, mas não chegou. Cabe-lhe melhorar o palmarés pessoal com algo mais substancial do que um par de vitórias na Taça da Liga.

 

Borja (0,0)

Desta vez não conseguiu oferecer uma ocasião de golo a um adversário logo no primeiro minuto de jogo. Limitou-se a perder a bola pela linha lateral, permitindo aos adeptos um alívio que mostoru ser exagerado. Andou pelo relvado a manietar jogadas prometedoras, a atrapalhar Acuña e a demonstrar aos mais novos como não se cabeceia. Assim foi até que, numa jogada inócua, vendo a bola a vir na sua direcção, resolveu fugir dela e desacelerar, acordando para a realidade quando viu Coroña a encaminhar-se para a grande área. Agarrou-o uma primeira vez, sem derrubar o portista, e numa segunda tentativa fez um corte limpo. Viu o amarelo primeiro, mas o videoárbitro fez notar a Fábio Veríssimo que o colombiano fez falta sobre um atacante que se iria isolar. E foi assim que deixou os colegas em inferioridade numérica com mais de 70 minutos para jogar, sendo a única boa notícia decorrente disto a garantia de que não poderá repetir esta, e outras proezas,  no Jamor.

 

Petrovic (2,5)

De todos os elementos sem qualidade suficiente para integrar o plantel do Sporting foi sempre o que demonstrou ter maior coração, fosse ao ficar em campo com o nariz partido ou ao fingir não reparar quando desempenha funções muito acima das suas reais capacidades. Encarregue de conter o meio-campo portista, e de assegurar repouso a Wendel, o sérvio ter-se-á despedido com mais uma exibição esforçada, alguns bons cortes e uma intervenção assaz balcânica no sururu ocorrido perto do final do jogo. Mas não poderá chegar para um Sporting que queira ser campeão mesmo ficando muitas vezes com menos um no relvado.

 

Gudelj (2,5)

A maior mancha na sua exibição foi o posicionamento que deixou Danilo em posição legal no lance do golo do empate. Até então distinguiu-se na difícil tarefa de tapar o acesso à baliza do Sporting, sem abusar demasiado das faltas que o poderiam afastar do clássico que tinha verdadeira importância para os leões – e também para os dragões, à medida que a goleada doa Benfica sobre o Santa Clara se avolumava na Luz.

 

Bruno Fernandes (2,5)

Melhor forma de anular o melhor futebolista desta edição da Liga NOS? Expulsar um dos seus colegas, o que leva invariavelmente a que o treinador lhe peça para descair para o flanco, afastando-o da zona do campo em que é decisivo. Muito castigado pelas chuteiras adversarias, com o beneplácito da equipa de arbitragem, fez um passe longo que pedia a presença do ausente Raphinha e sofreu uma falta junto à grande área portista que não teve a oportunidade de cobrar, pois estava a receber assistência fora das quatro linhas. Só provocou perigo logo no início do jogo, na cobrança de um livre que Marega desviou de forma arriscada. Sendo provável que tenha feito o último jogo na Liga NOS por muitos e bons anos, sonharia decerto com melhor desfecho para a época de todos os recordes pessoais. Felizmente ainda tem a final da Taça, da qual poderia ter sido afastado devido a encontros imediatos do segundo grau com elementos do banco de suplentes do FC Porto.

 

Diaby (2,0)

Teve participação no golo do Sporting e é bem possível que tenha sofrido pénalti num lance em que foi projectado por Felipe contra os painéis publicitários, deixando a equipa com nove durante uns minutos. Isto poderia fazer esquecer profundas debilidades intrínsecas caso os adeptos sofressem de amnésia e tivessem ido à casa de banho em momentos como aquele em que o maliano tentou driblar dois adversários na grande área do FC Porto e acabou por fintar-se a si próprio. Dizer que esteve ao seu nível é uma constatação pouco lisonjeira.

 

Acuña (3,0)

Bem o tentam posicionar a extremo, mas o destino empurra-o para lateral, mesmo que para isso seja preciso que o Sporting fique a jogar com dez. Seja como for, o argentino sem medo voltou a dar mostras que é ele e mais nove, sabendo gerir a impetuosidade – ainda que não tenha acabado o jogo sem ver um amarelo numa jogada em que foi agredido... – e tratando a bola por alcunhas belas e secretas, como no passe com que assistiu Luiz Phellype para o golo que permitiu sonhar com um triunfo que desafiaria as estatísticas. Deus livre Alvalade de o ver partir no próximo sábado.

 

Luiz Phellype (3,0)

Pôs fim à interminável seca de um jogo inteiro sem marcar na única verdadeira oportunidade de que dispôs, primando pela calma e colocação na hora de enfrentar Vaná. Antes disso fora o homem da luta, não raras vezes ensanduichado pelos centrais portistas, valendo-se do físico para reter a bola o máximo de tempo possível. Saiu para recuperar forças para o Jamor, com maus resultados para a equipa.

 

Tiago Ilori (2,0)

Entrou a meio da segunda parte, tendo tempo suficiente para contemplar o remate acrobático com que Herrera, literalmente nas suas costas, fuzilou a baliza do Sporting e fez o resultado final. Resta-lhe a compensação de que Borja elevou muito a fasquia na competição para pior reforço de Inverno desta temporada.

 

Bas Dost (2,0)

Menos de meia hora esteve o holandês em campo. Aproveitou para tentar ganhar duelos aéreos e chegou a fazer um bom passe a lançar um contra-ataque diligentemente desperdiçado por um colega. Pode ser que recupere influência, mas dificilmente a tempo de fazer a diferença no derradeiro compromisso da temporada.

 

Wendel (-)

Entrou já com o tempo regulamentar esgotado e o resultado final definido.

 

Marcel Keizer (2,5)

Só ele saberá os motivos para fazer descansar Wendel e Raphinha, após ficar sem Ristovski e Coates, mas qualquer gestão lógica do esforço caiu por terra quando Borja fez um dos maiores inconseguimentos da época. Também infeliz na forma como refrescou a equipa na segunda parte, há que admirar a coerência do holandês. Toda a gente devia ter alguém na sua vida que visse em si aquilo que Keizer vê em Diaby, provável titular na final da Taça de Portugal a não ser que Acuña possa ficar mais à frente, promovendo a titularidade de Jefferson na esperança de que no seu presumível último jogo de verde e branco possa soltar o Rodrigo Tiuí que há em si.

Quente & frio

Gostei muito do golo marcado por Bruno Fernandes na primeira mão da meia-final da Taça de Portugal, ontem à noite, frente ao Benfica no estádio da Luz. Foi o melhor golo do desafio, que perdemos por 1-2. Marcado de livre directo, a 30 metros das redes. Um tiraço do nosso capitão, sem defesa possível para o guarda-redes Svilar, dirigido ao canto superior mais distante da baliza. Um livre que nasceu de uma falta sobre o próprio jogador, que foi o nosso melhor em campo neste clássico em que saímos novamente derrotados: segundo desaire consecutivo perante o nosso mais velho e histórico rival.

 

Gostei de ver o Sporting em cima da baliza benfiquista no quarto de hora final, quando o treinador Marcel Keizer apostou sem complexos num 4-4-2, reforçando o ataque com a entrada de Bas Dost, que a partir dos 76' fez parceria com Luiz Phellype (e quando este saiu, aos 90', com Raphinha), completada por Diaby numa espécie de tridente. Foi nesse período que nasceu o nosso golo, marcado aos 82'. E poderia ter ocorrido outro, empatando-se a partida, se o árbitro não anulasse, mesmo à beira do fim, um lance ofensivo leonino por uma pretensa carga de Dost sobre Svilar que nunca existiu. Isto num jogo em que alinhámos sem Mathieu, Nani e Ristovski.

 

Gostei pouco da prestação do colombiano Borja, reforço de Inverno para a nossa lateral esquerda, em estreia absoluta de verde e branco no onze titular escalado por Keizer para este desafio. Naturalmente sem rotinas defensivas, teve responsabilidades directas nos dois golos encarnados: no primeiro, aos 16', foi incapaz de fechar o corredor por onde penetrou Salvio; no segundo, aos 63', estava muito mal posicionado e deixou João Félix centrar como quis. Apesar destes lapsos com indiscutível gravidade, revelou bons pormenores de ordem técnica, mostrando vocação atacante e capacidade de criar desequilíbrios. Merece o benefício da dúvida.

 

Não gostei de saber que a segunda mão desta meia-final, a disputar no nosso estádio, só vai realizar-se a 3 de Abril. Um absurdo, estes dois meses de intervalo: é uma decisão ridícula da Federação Portuguesa de Futebol, organizadora da Taça de Portugal. De qualquer modo, o Sporting mantém em aberto todas as possibilidades de passar à final da competição. Bastará vencermos o Benfica por 1-0 em Alvalade. Será que nessa altura ainda contaremos com Acuña? Actuando como médio-ala, o argentino foi um dos nossos melhores nesta primeira mão.

 

Não gostei nada da nossa primeira parte. Com desempenhos desastrosos no reduto defensivo, sobretudo de Bruno Gaspar, que voltou a ser ultrapassado várias vezes no seu flanco, nomeadamente no golo inaugural dos encarnados, em que escancarou ma avenida para o golo de Gabriel, e do regressado Ilori, que fez parceria com Coates no eixo da defesa e revelou uma arrepiante fragilidade, culminada num autogolo que ditou a nossa derrota. No meio-campo voltou a imperar a mediocridade de Gudelj na posição de médio defensivo, incapaz de travar o ímpeto encarnado e de contribuir para o início de lances ofensivos: o primeiro golo do SLB nasce de uma bola perdida por ele. Nestes primeiros 45 minutos revelámos fragilidades colectivas, concedemos demasiado espaço aos adversários nas alas, fomos incapazes de ganhar segundas bolas e sair em construção organizada, não dispusemos de um único canto e só conseguimos um remate enquadrado (por Bruno Fernandes). Também não gostei nada de um golo desperdiçado por Wendel que, isolado por Acuña e tendo apenas Svilar pela frente, rematou frouxo e muito ao lado no minuto 57. Nem da passividade do treinador, que a perder por 0-2 - frente a um adversário banal, sem Vlachodimos, Fejsa nem Jonas e um puto estreante no eixo da defesa - só aos 71' começou a mexer na equipa. Menos ainda gostei de ter perdido pela segunda vez em quatro dias com o Benfica, com um saldo muito negativo: três golos marcados e seis sofridos. E de só termos vencido, no tempo regulamentar, um jogo dos últimos oito que disputámos.

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