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És a nossa Fé!

O exemplo de Robson

Há muito, muito tempo atrás, o Sporting recebeu, em casa, o modesto Fátima (da então 2ª divisão B), em partida a contar para os oitavos-de-final da Taça de Portugal.

Esperava-se um jogo tranquilo, onde o maior poderio da equipa leonina, que se apresentava na sua máxima força, não deixaria de confirmar a larga diferença competitiva entre as duas equipas.

No entanto, os milhares de adeptos que se deslocaram a Alvalade naquela tarde de sábado, e se preparavam para assistir a uma partida de resolução fácil, acabaram por se deparar com um Sporting displicente e pouco aplicado, que venceu o jogo (3-2) mas não convenceu nada.

Bobby Robson, que treinava então o Sporting, não esteve de modas e no final da partida obrigou os jogadores a darem umas voltas ao campo. Não esperou pela conferência de imprensa para lamentar a exibição, ou pela palestra do treino seguinte para ralhar aos jogadores. No próprio estádio, e perante os seus adeptos, fez os jogadores suarem com umas corridas, já que os 90 minutos pareciam não ter sido suficientes.

Este raspanete de Robson, pela sua peculiaridade, marcou-me, e apesar de, para grande pena minha, nunca mais o ter visto ser replicado por outro treinador do Sporting, lembro-me amiúde dele quando o Sporting faz exibições que envergonham o seu nome.

Foi o caso de ontem, na partida que opôs as equipas B de Sporting e Porto. Estar a vencer por 3-0 na 2ª parte e permitir a recuperação do adversário não se admite. Bobby Robson não deixaria passar incólume um desfecho desses.

Cherba, 20 anos depois

 

Apesar do trauma que foi a temporada 2012/2013, por muitos considerada a pior época de sempre do Sporting, pessoalmente, houve uma época que me deixou ainda mais marcas. Falo da temporada de 1993/1994. 

Tinha 10 anos, e do meu grupo de amigos e colegas de escola, era o único que ainda não tinha visto o seu clube campeão. «O Sporting nunca chega ao Natal», era sentença que gostavam de me atirar à cara com frequência.

Até que, de repente, um senhor inglês com ar de avôzinho simpático, e que falava um português muito engraçado, pôs a "jogar à bola" aquela que, na opinião de muitos, e na minha também, foi a melhor equipa do Sporting dos últimos 20 anos: dos campeões mundiais sub-21 Nélson, Paulo Torres, Capucho, Luís Figo e Peixe, bem como o melhor marcador desse mundial Cherbakov, passando por Paulo Sousa, Cadete, Valckx, Balakov, Iordanov e Juskowiak. Que equipa!

O Sporting nessa temporada chegou ao 1.º lugar, a jogar o melhor futebol, e era uma equipa imbatível. O mito do Natal mostrava-se, manifestamente, exagerado. 

Pela primeira vez na vida, deparava-me com um Sporting que vencia e convencia, e que se revelava a equipa melhor preparada para conquistar o tão desejado título que lhe fugia para mais de 10 anos.

Até que um jogo mal conseguido na Áustria, onde de uma situação de 2-0 na 1ª mão, o Sporting vê-se eliminado da taça UEFA, origina o impensável: a demissão do treinador! José Eduardo Bettencourt não o poderia ter descrito melhor: foi uma precipitação à Sporting!

Com treinador despedido, que o rival nortenho, rapidamente, trataria de aproveitar a seu favor (com as consequências que se conhecem...), e ainda a digerir uma eliminatória perdida de forma incrível, eis que somos surpreendidos com mais um acto da tragédia que se apoderara de Alvalade: um brutal acidente de viação atira Cherbakov para uma cadeira de rodas!!!

“Cherba” era um dos meus jogadores favoritos da equipa. Não só jogava muito à bola, como tinha uma forma especial de marcar os golos: saíam sempre "golaços". Era um jogador que prometia muito na equipa do Sporting.

O trágico final da sua carreira, no espaço de poucos dias em que o Sporting é eliminado das competições europeias e o treinador despedido, constituiu um duro golpe para a equipa e para o trajecto que vinha fazendo, e que não mais voltou a ser o mesmo.

Ontem assinalaram-se 20 anos desde o horrível acidente que interrompeu, de forma definitiva, a promissora carreira de Cherbakov. Perdeu-se um grande talento, um grande jogador, e um campeonato. Salvou-se a sua vida, no que é o mais importante, afinal de contas.

Mas ninguém me tira da cabeça o que teria sido o Sporting nesse campeonato, e nas épocas seguintes também, se Bobby Robson não tivesse sido despedido precipitadamente, e Cherba não tivesse tido o acidente… 

{ Blog fundado em 2012. }

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