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És a nossa Fé!

Os prognósticos passaram ao lado

Houve muitos prognósticos, onde não faltou optimismo. De verdadeiros adeptos do Sporting, não dos letais, que são incapazes de vaticinar vitórias leoninas e ficam até a torcer por derrotas para evitarem insuportáveis noites de insónia lá no orfanato.

Optimismo, sim. Mas não tanto. Ninguém aqui foi capaz de antecipar a nossa goleada no Bessa, por 5-0. Foi pena. Para a próxima ronda talvez a pontaria ande mais certeira.

Craque sueco vale cada cêntimo do passe

Boavista, 0 - Sporting, 5

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Viktor Gyökeres, melhor marcador da Liga desde 2002: filme de terror para as defesas adversárias

Foto: Manuel Fernando Araújo / Lusa

 

Nesta altura do campeonato, confesso, chego a ter pena dos letais. Por mais que inventem, por mais que rasguem as vestes, por mais ódio que alimentem há sete anos ao presidente do Sporting, o que dirão eles contra esta equipa que ainda não perdeu em competições nacionais sob o comando de Rui Borges e persiste em manter-se no comando da Liga 2024/2025, a três jornadas do fim? É chato.

Anteontem fizemos um jogo quase perfeito, do princípio ao fim. Vedámos a saída de bola do Boavista, vencemos quase todos os confrontos individuais, assegurámos a supremacia nos corredores, bem confiados à arte e engenho de Maxi Araújo e Geny, alas projectados que funcionavam como extremos.

Pedro Gonçalves como avançado interior esquerdo, Trincão à direita. Viktor todo-o-terreno no seu apego apaixonado à bola: não pode passar sem ela.

 

O treinador da turma axadrezada, cujo nome ainda não fixei, havia jurado dar luta ao Sporting. Numa daquelas bravatas que técnicos inaptos costumam proferir antes das partidas, aproveitando os fugazes minutos de ilusória fama, o senhor assegurou que iria assumir-se como força de bloqueio às aspirações leoninas de renovar o título. 

Afinal, coitado, só deu mais um passo - talvez decisivo - rumo ao trambolhão na Liga 2. É a vida...

 

Aqueles adeptos que adoram sofrer com os jogos, em vez de desfrutarem deles, assistiram a uma partida imprópria para masoquistas.

Porquê?

Porque o Sporting fez o primeiro remate com perigo à baliza aos 2', com Trincão a protagonizar o disparo, e meteu-a lá dentro logo depois, aos 6'. Pelo suspeito do costume: Viktor Gyökeres. Bastou-lhe encostar, porque o trabalho mais digno de aplauso ficou a cargo de Maxi, em brilhante parceria com Pedro Gonçalves na meia esquerda da área: recuperou, venceu duelo com o lateral direito e cruzou com selo de perfeição. 

Seguiu-se vendaval leonino em desafio de sentido único. O Boavista era incapaz de transpor a linha do meio-campo e nunca incomodou Rui Silva neste primeiro tempo.

 

Do lado deles destacou-se o guardião Vaclik, negando três golos ao sueco. Primeiro aos 12', num vistoso pontapé de bicicleta que entusiasmou os mais de dez mil adeptos do Sporting nas bancadas do Bessa. Depois, aos 18', também por Gyökeres. Faria o mesmo aos 73'. E ainda viu um cabeceamento do nosso craque sair ligeiramente ao lado, no minuto 33.

Mas aos 45'+1 não houve hipótese de o travar. Viktor recebeu a bola num soberbo passe vertical de Trincão e correu cerca de 40 metros com ela, imparável, até a bombardear com sucesso até ao fundo das malhas boavisteiras.

Golaço made in Suécia com tempero minhoto. 

 

Ao intervalo, 2-0. Dava alegria, mas sabia a pouco: pouco antes, na Luz, o Benfica goleara o AVS por 6-0, colocara-se em igualdade pontual connosco e ameaçava superar-nos em golos marcados, um dos critérios de desempate.

Era imperioso ampliarmos a vantagem, goleando também.

Assim sucedeu.

 

Este segundo tempo foi um festival de futebol ofensivo. 

Aos 50', o terceiro. Repetiu-se a dose: Trincão a assistir, isolando o colega lá da frente desta vez a partir do corredor central, e Gyökeres a rematar cruzado, com êxito, libertando-se da marcação. Tê-lo pela frente é uma espécie de filme de terror em sessões contínuas para as defesas adversárias.

Aos 57', o quarto. Nova parceria Maxi-Viktor, com o primeiro a conduzi-la, bem dominada, e servindo o colega de bandeja. Houve disparo, com Vaclik a bloquear à primeira, mas já sem conseguir impedir a recarga, feita pelo uruguaio de cabeça. Prémio bem merecido para Araújo neste que foi talvez o seu melhor jogo até agora de leão ao peito.

Aos 90'+2, o quinto que encerrou a conta e confirmou a goleada. Excelente lance colectivo com a bola ao primeiro toque entre Quenda, Trincão, Harder e... ele de novo, o inevitável Viktor. Vitorioso.

As nossas redes permaneceram intactas. A equipa anfitriã não conseguiu um remate enquadrado em todo o jogo.

 

Contas feitas, quando faltam 270 minutos para cair o pano, continuamos em primeiro. Com tantos pontos como o Benfica, mas em vantagem no desempate. Porque ganhámos o embate em Alvalade e temos mais três golos marcados. Graças a Gyökeres, a melhor contratação das últimas duas décadas no Sporting. 

Palmarés provisório do sueco: 38 apontados em 31 jornadas - faltam-lhe quatro para igualar a marca do século, estabelecida por Jardel em 2001/2002. E já marcou 52 golos no conjunto da temporada.

Vale cada cêntimo do seu passe, avaliado em cem milhões de euros.

 

Breve análise dos jogadores:

 

Rui Silva (5) - Sem trabalho. Limitou-se a controlar a profundidade, sempre bem articulado com os colegas.

Eduardo Quaresma (7). Muito combativo, sem dar hipótese de progressão ao adversário na sua ala.

Diomande (6) - Atento, tranquilo, concentrado. Viu amarelo aos 88' para limpar cartões. Saiu logo a seguir.

Gonçalo Inácio (7) -  Em boa forma. Momento alto: o magnífico passe longo que inicia o quarto golo. 

Geny (6) - Protagonizou alguns desequiíbrios à direita, mas sem envolvimento em nenhum dos golos.

Debast (7) - Poucos já se lembram que chegou para central. Médio-centro muito eficaz. Agarrou o lugar.

Morten (6) - Contribuiu para o nosso domínio do corredor central. Viu um amarelo escusado aos 45'+3.

Maxi Araújo (8) - Muito activo, influente, desequilibrador. Ofereceu o primeiro golo, iniciou e concluiu o quarto. 

Trincão (8) - Pura classe. Participa em três golos: assistiu no segundo e no terceiro, pré-assistência no último.

Pedro Gonçalves (5) - Intervém no primeiro golo, tentou marcar em remate que sai por cima (29'). Ainda só dura 45'.

Gyökeres (10) - Melhor em campo, novamente. Mais quatro para o seu pecúlio. Lidera Bota de Ouro europeia.

Quenda (6) - Fez toda a segunda parte, rendendo Pedro Gonçalves. Duas pré-assistências - no terceiro e no quinto.

Morita (5) - Substituiu Morten aos 69'. Regresso após mês e meio de ausência. Temporizou e pausou o jogo.

Matheus Reis (5) - Entrou aos 69', rendendo Maxi Araújo. Aos 79', sacou amarelo a Bozenik, melhor jogador de campo boavisteiro.

Harder (6) - Substituiu Geny aos 79'. Chegou a tempo de protagonizar o decisivo passe para Viktor fechar a conta.

St. Juste (-) - Preencheu lugar de Diomande aos 90'. Exercitou-se nos três minutos de tempo extra.

Rescaldo do jogo de ontem

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Foto: Manuel Fernando Araújo / Lusa

 

Gostei

 

Da nossa goleada no Bessa. Exibição modelar de futebol colectivo que deitou por terra o Boavista liderado por um técnico que havia prometido fazer vida difícil ao Sporting. Coitado do sujeito: só conseguiu fazer vida difícil aos seus próprios jogadores, incapazes de formar uma equipa realmente digna desse nome. Levaram uma cabazada: 0-5. A maior goleada que já impusemos neste campeonato. A nossa maior goleada de sempre naquele estádio.

 

De Gyökeres. Um dos nossos melhores jogadores de sempre. Exibiu talento no relvado do Bessa, onde se agigantou ainda mais. Com um póquer que o projecta para a liderança da Bota de Ouro europeia, em disputa directa com Salah. Não precisou de muito tempo para tranquilizar os adeptos: abriu o activo logo aos 6'. Prosseguiu a contagem aos 45'+1, ao correr meio campo com a bola dominada e fuzilando as redes axadrezadas. Depois facturou aos 50' e aos 90'+2. E ainda intervém no único que não marcou, o quarto leonino: é dele o remate inicial, para defesa incompleta e golo de Maxi. Tem agora 38 marcados na Liga: ninguém havia chegado a esta marca desde 2002 no campeonato português. Vale cada cêntimo da sua cláusula de cem milhões.

 

De Trincão. Um jornal titula, com argúcia e notável capacidade de síntese: «Trincão disse "mata", Gyökeres disse "esfola"». Excelente resumo deste jogo. O craque sueco é genial, mas não actua sozinho: precisa de colegas com talento a colocar-lhe bem a bola. Trincão - o jogador do Sporting mais odiado pela matilha letal - foi um precioso municiador do futebol ofensivo que Viktor tão bem traduziu em golos. Dois excelentes passes para golo - o segundo e o terceiro - confirmam-no como rei das assistências: já tem 16 na temporada. Ofereceu dois outros, não concretizados: aos 33' novamente a Gyökeres, com um centro de inegável virtuosismo técnico a fazer a bola sobrevoar a defesa para a cabeça do sueco, e aos 48', soltando-a para Quenda. Exibição de luxo.

 

De Maxi Araújo. Talvez a melhor actuação do jovem internacional uruguaio de leão ao peito. Começou por assistir no primeiro golo: quase todo o trabalho foi dele junto à lateral esquerda, culminando num excelente cruzamento. E foi ele a marcar o quarto, aos 57', numa oportuníssima recarga de cabeça completando a tarefa que Viktor deixara incompleta. Dominou o flanco esquerdo, sem dar hipótese a investidas adversárias.

 

Do regresso de Morita. Após mês e meio de afastamento por lesão, o internacional japonês saltou do banco aos 69', substituindo o amarelado Morten. Esteve em campo tempo suficiente para demonstrar que podemos mesmo contar com ele nesta recta final do campeonato. Faltam 270 minutos decisivos.

 

De ver as nossas redes intactas. Em boa verdade, Rui Silva não necessitou de fazer qualquer defesa. O Boavista foi uma perfeita nulidade, tanto no plano ofensivo como defensivo.

 

Do apoio incessante dos adeptos. Cerca de 10 mil sportinguistas pintaram de verde as bancadas do Bessa. Parecia que jogávamos em casa. Isto ajuda a explicar o motivo de ainda só termos perdido uma vez (com João Pereira) fora de Alvalade neste campeonato.

 

De Miguel Nogueira. Boa arbitragem, pondo em prática o chamado critério largo, à inglesa. Fossem todas assim em Portugal e teríamos certamente pelo menos uma equipa de arbitragem no próximo mundial de clubes. 

 

De mantermos a liderança. Temos agora 75 pontos, quando faltam três rondas para o fecho do campeonato - correspondentes a 23 vitórias em 31 desafios. Ainda não perdemos com Rui Borges ao leme da equipa. O Benfica segue com os mesmos pontos, mas atrás de nós segundo os critérios de desempate: perdeu no clássico de Alvalade e tem menos três golos marcados (nós 83, eles 80). Pormenor relevante: o Sporting acumula agora mais 26 golos do que o FC Porto. Alguém ainda se lembra quando um tal Samu era apontado como suposto "rival" do nosso Viktor Gyökeres?

 

 

Não gostei

 

Do amarelo a Morten. Peça muito influente do onze leonino, o meiocampista fica agora à bica por acumulação de cartões, ao contrário do colega Diomande, que nesta partida "limpou o cadastro" quando viu o quinto que o deixa de fora na recepção ao Gil Vicente mas o torna disponível na ida à Luz, uma semana depois. Dilema para Rui Borges: excluir o internacional dinamarquês da próxima ronda para podermos contar com ele contra o Benfica? Por mim, nem hesito: diria já que sim.

 

Do resultado exíguo ao intervalo. Apenas vencíamos por 2-0 num jogo de sentido único. Gyökeres merecia ter marcado pelo menos mais um: aconteceu aos 12', num espectacular pontapé de bicicleta ainda algo distante da baliza mas pleno de colocação, para defesa muito apertada do guarda-redes boavisteiro.

 

Do reencontro com Diaby. Alinha agora pela turma do Bessa. Mal se deu por ele. Não deixou saudades em Alvalade.

 

Do Boavista. O tal sujeito mencionado no parágrafo inicial, numa bravata para consumo da imprensa, anunciou que a turma que ainda comanda seria «uma ameaça» em campo ao Sporting. A afirmação, à partida já ridícula, tornou-se caricata no fim do jogo: os do Bessa não conseguiram fazer um remate enquadrado até ao apito final.

Embrulhem

 

Acabamos de golear o Boavista no Bessa por 5-0. Cada vez mais embalados para o título, hoje com um póquer do fantástico Viktor Gyökeres. 

Quando faltam três rondas para o fim, continuamos em primeiro. Com 75 pontos, 83 marcados e só 25 sofridos. Melhores números do que o Benfica. Do miserável FC Porto nem é bom falar: foi ontem pela sétima vez ao tapete no campeonato, derrotado por 0-2 na Amadora, onde não perdia desde 2006.

Embrulhem, morcões e lampiões.

Desempregados do Sindicato de Jogadores 0 - Sporting 5

O Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol costuma organizar um estágio de pré-época para jogadores desempregados, onde estes podem treinar e fazer alguns jogos-treino, com o intuito de arranjar colocação para estes atletas. O treinador destes estágios também costuma ser ele mesmo um que esteja desempregado.

Este Boavista parece isso mesmo, uma versão de competição do estágio dos desempregados. O treinador que arranjaram é que não lembra ao diabo, em vez de recorrerem aos desempregados, procuraram-no na comunidade de Britânicos reformados a viver no Algarve.

Aconselho o Boavista Clube, por quem tenho simpatia, a inscrever desde já uma equipa nos Distritais da AF do Porto, sempre são uns anos que adiantam para irem subindo de Divisão, porque este Boavista SAD não vai muito mais longe do que um ano ou dois até dar o peido-mestre.

Prognósticos antes do jogo

O jogo é só daqui a três dias, domingo à noite (estádio do Bessa, 20.30). Mas peço já os vossos prognósticos para este nosso desafio da jornada n.º 31 da Liga 2024/2025. Que resultado antevêem para o Boavista-Sporting?

Na partida da primeira volta vencemos muito dificilmente a turma axadrezada em nossa casa, por 3-2 (golos de Trincão, que bisou, e Gyökeres). Ainda com João Pereira no frágil comando técnico da nossa equipa. 

Escrevi na altura: «Continuo sem compreender como é que um técnico da terceira divisão, sem nunca ter feito um minuto como treinador da Liga 1, foi convidado para substituir Amorim. Também inexplicável foi ele aceitar este encargo para o qual não estava preparado. Tinha obrigação de saber isto muito bem.»

Falta acrescentar: estes prognósticos destinam-se em exclusivo a verdadeiros adeptos leoninos.

Letais ao Sporting, nem pensar. Nenhum deles entra aqui.

Muita tremideira contra a equipa mais fraca

Sporting, 3 - Boavista, 2

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Trincão ouviu merecidos aplausos em Alvalade: ao bisar, garantiu três pontos ao Sporting

Foto: José Sena Goulão / Lusa

 

Este Boavista que nos visitou há três dias nem devia estar a competir no campeonato nacional. Clube falido, penhorado, proibido de fazer contratações, quase só pode recorrer a miúdos da formação. É a equipa mais fraca da Liga.

Mesmo assim fez tremer o Sporting. Em nossa casa. Ao intervalo, havia empate: 1-1.

Tal como a alegada equipa técnica, sempre a tremer no banco. De olhos tristes a contemplar a pantalha. À espera que os minutos se escoassem e a vantagem que tivemos duas vezes e duas vezes desperdiçámos aguentasse até ao apito final. E aguentou. Mas com imensos calafrios no relvado e enorme intranquilidade na bancada, onde se sentavam 34 mil adeptos.

A partida terminou com o Boavista a pressionar mais para chegar ao 3-3 do que o Sporting para ampliar a magra vantagem. 

Enquanto João Pereira, sentado no banco por imperativo regulamentar, mantinha o olhar temeroso que já lhe conhecemos. Mesmo podendo respirar fundo por ter evitado sofrer a quinta derrota consecutiva - algo jamais ocorrido na história do nosso clube.

 

A turma axadrezada foi a Alvalade fazer os seus dois primeiros golos de bola corrida da temporada. Perante uma defesa de papel onde Debast teve actuação calamitosa e o tenrinho Israel mais parecia o Zé Frango.

Passividade total do reduto recuado. Que nas mais recentes três jornadas da Liga sofreu cinco golos - tantos como nas onze rondas iniciais, sob o comando de Ruben Amorim.

No primeiro, dois boavisteiros resolveram tudo sem qualquer pressão nossa. Matheus Reis abriu a porta e fez vénia à esquerda; Debast marcava com os olhos, ficando nas covas.

No segundo, falha colectiva: o Sporting parecia turma dos campeonatos distritais. Geny falhou a abordagem junto à linha direita, Quaresma mediu mal o tempo de intervenção, Debast manteve-se incapaz de controlar o espaço. O pior foi Israel. Inseguro, recebeu o remate de Bruno, colocado mas não muito forte, com a bola encaminhada na sua direcção: estendeu as mãos, mas deixou-a escapar, saltitando para o fundo das redes.

Candidato a Frango do Mês. Por demérito próprio.

 

Felizmente os nossos avançados estiveram em melhor nível.

Geny pressionando pela direita, forçando os duelos individuais que foi ganhando. Maxi Araújo objectivo nas suas intervenções pelo flanco esquerdo. Procuraram ambos servir Gyökeres, mas o sueco só acertou uma vez, aproveitando brinde defensivo do Boavista. Falhou três golos cantados, algo absolutamente anormal nele.

Melhor esteve Trincão, que não fazia o gosto ao pé desde Setembro. Marcou não um, mas dois. E desatou o nó. Oportuno no primeiro, virtuoso no segundo. Sem ele, a vitória teria sido empate.

 

Dizem que João Pereira estava a ser "trabalhado" desde o final da época passada para suceder a Amorim.

Mas que "trabalho" é este se o técnico se tem revelado um zero em comunicação, garantiu ser incapaz de «replicar» o antecessor (algo que facilmente se confirma em campo) e repôs a famigerada cultura da derrota no SCP com a frase-chave «temos de levantar a cabeça»?

Sinto que nos venderam gato por lebre.

E continuo sem compreender como é que um técnico da terceira divisão, sem nunca ter feito um minuto como treinador da Liga 1, foi convidado para substituir Amorim. Também inexplicável foi ele aceitar este encargo para o qual não estava preparado. Tinha obrigação de saber isto muito bem.

 

Breve análise dos jogadores:

Israel (3) - Mostrou-se sempre intranquilo. Péssima intervenção entre os postes, permitindo o segundo golo, perfeitamente defensável.

Eduardo Quaresma (5) - Missão de sacrifício após ter aberto o sobrolho no jogo anterior. Actuou condicionado, mas sem virar a cara à luta.

Debast (4) - Central ao meio, nada habitual. Chumbou no teste. Tem responsabilidade nos dois golos sofridos. Melhor com bola do que sem ela.

Matheus Reis (4) - Incapaz de travar Salvador Agra, que teve todo o tempo para cruzar, assistindo no primeiro do Boavista. Viu um amarelo disparatado aos 39'.

Geny (6) - Foi remando contra a maré com bons cruzamentos (5', 8', 17') a partir da direita, onde joga melhor. Falhou intercepção inicial no primeiro do Boavista.

Morten (6) - O mais pendular dos nossos jogadores. Combinou bem com João Simões. É uma das raras vozes de comando em campo.

João Simões (6) - No segundo jogo a titular, consolida imagem positiva. Serviu bem Gyökeres aos 31' e rematou ele próprio com perigo aos 33'. 

Maxi Araújo (6) - Melhor a atacar do que a defender. Momento alto: o soberbo passe para o golo inicial de Trincão. A sua primeira assistência no Sporting.

Trincão (7) - Melhor em campo. Marcou dois (49' e 66') e já tinha oferecido outro a Gyökeres (15'), infelizmente desperdiçado.

Quenda (6) - Voltou a ser interior esquerdo, posição que não lhe é familiar. Mesmo assim isolou muito bem Geny (16') e iniciou o terceiro golo.

Gyökeres (6) - Golo fácil, após oferta (23'). Assistiu no terceiro. Podia ter feito muito melhor aos 8', 15' e 31'. Quase marcou de livre aos 62'.

Harder (4) - Substituiu Geny aos 67'. Actuou bastante encostado à linha, onde acaba por ser desperdiçado. Não é ali que mais rende.

Diomande (5) - Substituiu Eduardo Quaresma aos 72'. Tentou transmitir serenidade à linha defensiva quando o jogo já estava partido.

Arreiol (-) - Entrou aos 80', substituindo João Simões. Duas recuperações: pouco mais fez.

Rescaldo do jogo de anteontem

 

Gostei

 

Da vitória contra o Boavista, mesmo tangencial (3-2). Após quatro derrotas consecutivas, duas das quais para o campeonato, João Pereira conseguiu enfim os seus primeiros pontos na Liga 2024/2025. Triunfo arrancado a ferros, em casa, contra o antepenúltimo. Que, afogado em dívidas, está há dois anos proibido de fazer novas contratações. Equipa débil, que mesmo assim conseguiu marcar-nos dois golos nos dois únicos remates enquadrados de que dispôs.

 

De Trincão. De longe o melhor em campo. Grande obreiro destes três pontos tão penosamente alcançados. Bisou a passe de Maxi Araújo (minuto 49) e de Gyökeres (minuto 66). Rematando de primeira para fora do alcance do guarda-redes, no primeiro; protagonizando brilhante rotação que deixou a baliza à mercê do seu pé esquerdo, no segundo. Soma agora seis golos e dez assistências na temporada. Mereceu todos os aplausos que escutou.

 

De Gyökeres. Está ainda longe da excelente forma a que nos habituou, mas um mês depois voltou a marcar um golo em lance corrido (aproveitando brinde do defesa boavisteiro Pedro Gomes, que fez a formação em Alcochete) e fez precioso passe para o remate de Trincão que nos valeu os três pontos. Num jogo em que desperdiçou três oportunidades flagrantes de a meter lá dentro - aos 9', 15' e 31'.

 

De João Simões. Nesta sua segunda partida como titular, consolida-se a impressão de que é mesmo reforço para o depauperado meio-campo leonino. Com apenas 17 anos, revela maturidade precoce, bom sentido posicional e inegável cultura táctica. Melhor do que o emprestado Dário Essugo na mesma posição.

 

De ver Coates assistir ao jogo no camarote da equipa. Deu para sentir saudades. A falta que ele faz na actual defesa caótica do Sporting, em que cada um anda para seu lado, sem voz de comando...

 

Da arbitragem. Bom desempenho de Fábio Veríssimo, bem auxiliado pelo vídeo-árbitro Bruno Esteves.

 

De continuar a ver o Sporting no comando. Estamos com 36 pontos à 14.ª jornada. Agora com mais quatro pontos do que o Benfica e mais cinco do que o FC Porto.

 

 

Não gostei

 

Do nosso descalabro defensivo. Bastou ao Boavista subir duas vezes à nossa área para a meter lá dentro, aos 43' e aos 58'. Com responsabilidades individuais (que começam em Matheus Reis no primeiro golo e Geny no segundo) em ambos os casos, mas também devido à inoperância do nosso sector mais recuado, incapaz de se manter alinhado e de segurar as situações de vantagem até Trincão fixar o 3-2 final. O facto de actuarmos com um inédito trio de centrais (Quaresma, Debast, Matheus) terá contribuído para isto. Por que motivo Diomande ficou no banco e só entrou aos 72'? Mistério. Talvez nem o próprio João Pereira saiba.

 

Dos dois golos sofridos em casa. Há mais de nove meses que não nos acontecia em desafios da Liga. Desde o campeonato anterior, a 3 de Março, contra o Farense. E desde 2006 não víamos o Boavista bisar contra nós num jogo.

 

De Israel. Dilema grave: nenhum dos nossos dois guarda-redes principais é recomendável. Vladan foi incapaz até hoje de fazer uma exibição digna de elogio. O jovem internacional uruguaio tem sérios problemas técnicos e anímicos. Inacreditável, como deixa escapar a bola entre os braços a um remate que Bruno, do Boavista, lhe fez à figura. Será o momento de chamar Callai para finalmente mostrar o que vale no primeiro escalão?

 

De St. Juste. Voltámos a não contar com ele. Uma "síndrome gripal" levou à sua remoção do onze titular: nem no banco se sentou. Está mais que visto: é jogador que passa muito mais tempo fora do que dentro. Candidato inevitável a transferência, talvez já no mercado de Inverno. Não deixará saudades.

 

Do quarto de hora final. Pressão constante do Boavista, com o Sporting encostado às cordas e os nossos jogadores a aliviarem a bola de qualquer maneira, como podiam, à maneira das equipas do fundo da tabela. Neste período até parecia que a turma axadrezada era a grande e o Sporting era a pequenina. 

 

Da equipa técnica. A mesma inoperância, a mesma incapacidade de reacção, a mesma deficiente leitura de jogo, a mesma ausência de ousadia, a mesma incompreensível gestão do esforço dos futebolistas. João Pereira queixa-se de jogar a cada três dias, mas voltou a não esgotar as substituições pelo segundo desafio consecutivo.

 

Do progressivo desinteresse dos adeptos. À 14.ª jornada, registámos o mais baixo número de assistentes no José Alvalade em jogos da Liga da presente temporada: cerca de 34 mil. Quem pode admirar-se?

O dia seguinte

Afinal os resultados são o mais importante do futebol. A vitória sofrida de ontem em Alvalade significou 3 pontos na classificação, confiança dos jogadores e nas bancadas, o desarmar da enorme "mina" que estava montada na A14, uma oportunidade para reverter o ciclo negativo e chegar a 2025 no topo da Liga.

Mas os resultados não fazem esquecer as competências ou falta delas de treinador e jogadores no jogo, e muita coisa ocorreu que faz duvidar que João Pereira esteja ao nível do plantel do Sporting e dos objectivos a alcançar.

De qualquer forma ele pode capitalizar em seu proveito não só a vitória mas uns primeiros 30 minutos exemplares naquilo que tem de ser a abordagem ao jogo do Sporting em casa perante equipas inferiores. E também de ter feito isso utilizando um onze com apenas quatro ou cinco titulares indiscutíveis e dois miúdos de 17 anos da formação.

 

O pior do jogo foi o desempenho do tridente defensivo. No primeiro golo Quaresma mais uma vez sai "à maluca" no encalço a um adversário e perde-se na recuperação, no segundo golo  mais uma vez Quaresma completamente desalinhado do eixo Debast-Catamo e a não perceber o que estava a acontecer. Poderão dizer que no primeiro Matheus Reis deixa centrar e no segundo Catamo perde na disputa aérea, mas isso tem de ser acautelado por quem está atrás.

Rúben Amorim demorou muito tempo até encontrar o melhor compromisso entre controlo do jogo e intensidade ofensiva, e muitas vezes perdeu um em benefício doutro. Mas nesta época tinha a questão resolvida. João Pereira ainda está bem atrás. Quando quer dominar sujeita-se ao contra-golpe, quando quer controlar torna-se estéril no ataque. Também se pode dizer que o desgaste da Champions se fez sentir na fase final do jogo.

 

Melhor em campo? Trincão pelos golos, mas Debast esteve muito bem na saída de bola no primeiro tempo, os dois míudos, Quenda e João Simões, estiveram muito bem também. Gyokeres marcou um, falhou três ou quatro, mas assistiu para o golo que decidiu o encontro.

Arbitragem? Fábio Veríssimo "superstar" com decisões muito discutíveis, mas a verdade é que os jogadores do Boavista não lhe facilitaram  a vida com simulações constantes.

E agora? Seria o momento ideal para apresentar o novo treinador e devolver João Pereira à equipa B, com agradecimento pela sua competência e empenho numa missão muito difícil. Em vez  de o deixar voltar às derrotas, comprometer a época do Sporting  e com isso deixar de ter interesse aos olhos de muitos para treinador.

SL

Desastre defensivo

Vencemos enfim, mas sem convencer ninguém. Em apenas três jornadas da Liga com João Pereira, o Sporting sofreu cinco golos. Tantos como tinha sofrido com Ruben Amorim nas primeiras onze rondas. Um desastre defensivo.

Hoje, em Alvalade, encaixámos mais dois. Agora do fraquíssimo (e falido) Boavista - que em 15 jogos, nesta temporada, ainda só registou um par de vitórias.

Nesta partida estivemos duas vezes em vantagem, aos 23' e aos 49', mas escancarámos literalmente a baliza nas primeiras oportunidades da turma adversária, aos 43' e aos 58'.

Tremideira geral do onze leonino. Insegurança gritante dos nossos defensores, começando por Franco Israel, protagonista pelo pior motivo: monumental frango no segundo sofrido.

Vendo o jogo, desenrolado perante a mais fraca casa da temporada, ia pensando que já não nos bastava a ausência gritante de uma equipa técnica digna dessa nome: parece que andamos a ficar também sem guarda-redes.

Graças a Gyökeres e Trincão, este a bisar aos 66', conseguimos um triunfo tangencial (3-2), em casa, frente ao 15.° classificado. Mas certamente os adeptos não ficaram mais tranquilos depois disto.

Eu, pelo menos, não fiquei 

A festa do golo e o sonho do campeonato

Sporting, 6 - Boavista, 1

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Gyökeres e Paulinho marcaram cinco dos nossos seis golos: foi a quinta goleada leonina nesta Liga

Foto: José Sena Goulão / EPA

 

Alguns diziam que esta seria uma das nossas partidas mais difíceis. Em primeiro lugar porque o Boavista tem bons jogadores - impuseram empate ao FC Porto no Bessa. Em segundo lugar, o Sporting trazia de Bérgamo uma desmoralizante derrota, embora tangencial (1-2), contra a Atalanta que nos pôs fora da Liga Europa. Além disso não chegámos a cumprir o descanso mínimo de 72 horas recomendado entre duas partidas do calendário oficial de futebol. Como se tudo isto não bastasse, o melhor jogador português do plantel leonino, Pedro Gonçalves, lesionou-se no embate em Itália.

Motivos de preocupação. Mas afinal não havia razão para isso. O Sporting exibiu classe, categoria, inegável superioridade perante a segunda melhor equipa da cidade do Porto. Ao ponto de termos arrancado a nossa segunda maior goleada da Liga 2023/2024 - apenas superada pelos oito golos sem resposta que impusemos ao Casa Pia. E assim chegámos aos 75 já marcados nesta prova. Completando uma média sem casas decimais: três golos por cada um dos 25 desafios que até agora disputámos.

O que desmente a teoria, propalada pelos do costume, de que o futebol de Rúben Amorim é cauteloso e defensivo, pouco vocacionado para a dinâmica ofensiva. Coitados desses tais: continuam a ser desmentidos pelos factos.

 

E no entanto este jogo ocorrido anteontem, domingo, até nem começou da melhor maneira para nós. Quando ainda vários adeptos nem estavam sentados nos seus lugares, já o Boavista se adiantava no marcador com uma bomba disparada sem preparação por Makouta. Grande golo, que gelou o estádio em noite quase primaveril.

Pior foi ter decorrido um longo período sem conseguirmos o empate - dos 3' aos 45', quando o suspeito habitual desatou o nó: Gyökeres, numa espécie de carrinho que quase o fez entrar na baliza, deu a melhor sequência ao centro que Paulinho desenhou com nitidez geométrica. Muito antes, aos 6', Trincão vira anulado um vistoso disparo muito bem colocado: Paulinho estava 26 cm deslocado nesse lance.

Assim se chegou ao intervalo: 1-1.

 

No segundo tempo só deu Sporting. Pressão intensa, ataque vertiginoso, impecável trabalho dos nossos jogadores com bola e sem ela, todas as alas a executar movimentos de ruptura de olhos fitos na baliza à guarda de João Gonçalves.

Queriam ainda mais golos no Sporting? Tiveram meia-dúzia. Para que a tal média acima mencionada resultasse perfeita, sem necessidade de baralhar aqueles que percebem pouco de aritmética.

O segundo surgiu aos 54'. Marcado por Paulinho, com Geny a dar espectáculo na assistência a partir da meia-direita.

O terceiro, aos 68', resultou de outra primorosa acção do craque sueco, lançado por Nuno Santos num passe vertical que queimou linhas.

Era o sexto bis de Gyökeres na Liga, mas a conta dele ainda não estava fechada. Viria a marcar outro, aos 79' - de penálti, a castigar falta cometida sobre Gonçalo Inácio. E foi ele a assistir Nuno Santos no quinto golo, aos 88'.

A conta só encerrou no último minuto do tempo extra, aos 90'+5, quando de um canto apontado por Nuno para a cabeça de Paulinho resultou o sexto. Mais de 38 mil espectadores abandonaram Alvalade de barriga cheia.

As claques ovacionavam a equipa. Mantínhamos o comando do campeonato. Isolados. O Benfica segue um ponto abaixo, o FC Porto vai sete pontos atrás. Tendo nós um jogo a menos.

 

Desta vez houve apenas assobios a António Nobre. Mas é irrelevante falar do árbitro num jogo em que goleámos por 6-1. Não nos foi anulado qualquer golo limpo, não foi validado qualquer golo irregular da equipa adversária, beneficiámos de um grande penalidade indiscutível, nenhum jogador nosso foi expulso.

Portanto, jogo sem história em matéria de arbitragem. Como deviam ser todos. Claro que nenhum árbitro é perfeito, tal como nenhum treinador é perfeito e nenhum jogador é perfeito. Nem sequer o Cristiano Ronaldo.

Deixemos os recorrentes protestos sobre arbitragem para aqueles embates muito específicos em que realmente temos queixas sérias de quem apita - não para a nossa segunda maior goleada da Liga 2023/2024.

 

Breve análise dos jogadores:

Israel - Podia ter feito melhor no lance do golo sofrido: socou a bola para o espaço à sua frente, entregando-a a Makouta. Mas não voltou a cometer erros. Aliás, não necessitou de fazer qualquer defesa.

Diomande - Faltou-lhe acorrer com eficácia à dobra, após Geny ter sido ultrapassado pelo extremo adversário no lance do golo. Arriscou algumas incursões ofensivas. Numa delas, aos 49', falhou recarga fácil.

Coates - É bom ver o capitão de regresso ao onze. Desta vez para durar o jogo inteiro. Único deslize: perda comprometedora de bola aos 71'. Aos 74', meteu-a lá dentro, mas o jogo já estava interrompido.

Matheus Reis - Missão cumprida, com a segurança habitual, na noite em que foi distinguido com galardão especial por ter cumprido 150 jogos de leão ao peito. Teve intervenção preciosa no nosso primeiro golo.

Geny - Confirma-se: tem mais vocação para atacar do que para defender. Primeira parte titubeante, ultrapassado aos 3' no lance do golo deles. Redimiu-se ao assistir no golo 2: cruzamento a rasgar, com nota artística.

Morten - Mostrou algum desgaste anímico pela derrota em Bérgamo. Entregou a bola aos 16', algo inabitual nele. Corte in extremis logo a seguir. Amarelado aos 32', já não regressou após o intervalo.

Morita - Recuperado da indisposição que o impediu de ir a Itália, esteve envolvido no 1-1. Aos 43' fez brilhante passe para um quase-golo de Trincão. Sempre em jogo, revelando qualidade técnica superior. Imprescindivel.

Nuno Santos - Novamente titular. A paragem fez-lhe bem: regressou com energia e arte futebolística. Magnífico passe de letra aos 38'. Assistiu Viktor no golo 3. Marcou o golo 5. E bateu o canto que originou o último.

Trincão - Meteu-a lá dentro aos 6', mas não valeu: Paulinho estava deslocado. Só o guarda-redes o impediu de marcar um excelente golo (43'). Foi dele a pré-assistência no golo 2. Saiu com queixas físicas. 

Paulinho - Como segundo avançado, fez parceria perfeita com Gyökeres. Matador por duas vezes: aos 54', com o pé, e aos 90'+5, de cabeça. Também num cabeceamento, esteve prestes a marcar também aos 73'.

Gyökeres - Inútil esbanjar mais adjectivos com ele: poupemos nas palavras e observemos a sua acção em campo. Mais três golos para a sua conta. Tem já 36 na temporada, mais 14 assistências. Um espectáculo.

Daniel Bragança - Fez toda a segunda parte, subtituindo Morten. Com brilhantismo. Venceu quase todos os duelos, posicionou-se de modo exemplar entre linhas. Excelentes recuperações aos 62' e 72'.

Gonçalo Inácio - Entrou aos 55', permitindo assim poupar Matheus Reis a maior desgaste físico. Pareceu longe da melhor forma nas suas primeiras acções em campo. Mas sacou um penálti aos 74'.

Eduardo Quaresma - Entrou aos 73', rendendo Diomande. Assegurou a circulação tranquila da bola, sem sobressaltos.

Esgaio - Refrescou a equipa aos 84' ao substituir Trincão, que saiu a coxear. Quando a partida estava ganha, já com 4-1 no marcador.

Koba - Entrou aos 84', rendendo Morita, só para cumprir mais uns minutos de leão ao peito. Poucas vezes tocou na bola. Nem era necessário.

O dia seguinte

Grande dia de Sporting. Pela tarde a equipa B ganhou mais uma vez, agora em casa do Oliveira do Hospital e com um golo da nova paixão de Rúben Amorim, o Giovani Quenda, e logo depois as senhoras do voleibol feminino conseguiram o acesso à final four do campeonato à custa do Benfica.

À noite foi tempo de rumar a Alvalade. Cerca de 40 mil nas bancadas, pelos motivos conhecidos dificilmente se chega a mais, uma das melhores exibições da época. Mais uma goleada, agora a uma equipa que ainda recentemente tinha feito o Porto perder dois pontos no Bessa.

O Boavista entrou a todo o gás, com a lição bem estudada. Duma má intervenção de Israel conseguiu, com um remate acrobático, colocar-se em vantagem. Foi uma faca de dois gumes. Por um lado ganhou confiança para o que ali vinha, por outro foi abdicando de atacar e deixando o Sporting fazer o seu jogo e causar estragos.

Demorou demasiado a concretização desses estragos, quase todos criados por Paulinho, que deambulando entre a zona central e o lado esquerdo, sempre disponível para tabelinhas com Morita, muito baralhava a organização defensiva adversária, um 5-4-1 estacionado atrás. Da primeira vez, o golo a que assistiu foi anulado por 26 cms, mas pela segunda já não foi: cruzamento de luxo para o golo do sueco. Entretanto a lesão dum defesa central tinha fragilizado a defesa boavisteira.

 

Com o jogo empatado ao intervalo, Amorim puxou da cabeça, interrogou-se como é que o Sporting podia perder pontos num jogo destes e logo descobriu a solução. Só mesmo o medíocre apitador conseguir amarelar Hjulmand. E o treinador fez aquilo que tinha de ser feito com esta "nobreza" da APAF. Trocar o melhor de Bérgamo por Bragança.

O Sporting voltou a não entrar bem na segunda parte. O jogo tornou-se confuso até que dum grande centro tenso de Catamo com "o pé trocado", Paulinho marcou um grande golo, mesmo "à ponta de lança". Ouviu-se em Alvalade mais uma vez e bem forte o cântico do Paulinho, acho que desta vez até o ressabiado tasqueiro mais surdo terá ouvido.

Aproveitou Amorim para dar descanso a Matheus Reis metendo Inácio. Estava a ganhar, estabilizou a defesa, o Boavista tinha de fazer pela vida. O espaço atrás começou a existir e então foi o festival Gyökeres. Bem servido, com um super-Bragança de cadeirinha 10 a comandar as operações, com espaço e já com a defesa adversária desgastada, o sueco foi como um tubarão atacar um cardume de sardinha. Morcona, de preferência. Um festim.

Foram 6-1, podiam até ter sido mais. O sueco fez "hat trick", Paulinho marcou o último. O estádio todo cantou o cântico dum e doutro no final do jogo.

 

Melhor em campo ? Gyökeres obviamente, mas Paulinho foi o "abre-latas" do jogo. Não admira que o sueco já tenha dito que é com ele que se entende bem. Visto do outro lado, é como segundo ponta de lança que Paulinho se sente melho: foi assim com Slimani e é assim com o sueco. Bragança também esteve excelente na segunda parte.

Arbitragem? Manhosa, para dizer o mínimo, a fazer recordar "padres" e "missas". Valeu o VAR no lance do penálti para o impedir de inventar uma regra nova. Não interessa ver? Repete.

No final mais uma óptima conferência de imprensa de Amorim, a explicar muito bem as suas opções em termos de jogo e de banco. Ou ele é realmente duma inteligência extraordinária ou então muita gente que se diz Sportinguista de futebol não percebe porra nenhuma. Algures no meio estará a verdade.

 

Assim fechou com chave de ouro o ciclo infernal. Foram 12 jogos em 40 dias, 8V3E1D, 32-10 em golos.

07/02 - U.Leiria 0 - Sporting 3 (TP)

11/02 - Sporting 5 - Sp. Braga 0

15/02 - Young Boys 1 - Sporting 3

19/02 - Moreirense 0 - Sporting 2

22/02 - Sporting 1 - Young Boys 1

25/02 - Rio Ave 2 - Sporting 2

29/02 - Sporting 2 - Benfica 1 (TP)

03/03 - Sporting 3 - Farense 2

06/03 - Sporting 1 - Atalanta 1 (LE) 

10/03 - Arouca 0 - Sporting 3

14/03 - Atalanta 2 - Sporting 1 (LE)

17/03 - Sporting 6 - Boavista 1

 

E agora? Descansar, recuperar o Pedro Gonçalves, treinar sem a dezena que vai às selecções e logo se verá. Morita regressará mais uma vez de rastos, Diomande vai fazer férias em pleno Ramadão, Trincão se calhar vai dar mais cabo do pé na selecção.

Muita coisa pode acontecer. Depois virá um ciclo menos intenso mas quase definitivo em termos de objectivos da época.

SL

Rescaldo do jogo de ontem

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Apoio inequívoco das claques em Alvalade após derrota em Bérgamo: assim é que é

 

Gostei

 

Da goleada ao Boavista. Cilindrámos a equipa portuense em Alvalade. Foi o segundo resultado mais volumoso do Sporting até agora no campeonato em curso: 6-1. Valeu não apenas pela avalanche de golos, cinco dos quais no segundo tempo, mas por toda a exibição da equipa tão bem orientada por Rúben Amorim. Demonstrando a reacção mais adequada após o nosso recente afastamento da Liga Europa.

 

De Gyökeres. O melhor em campo, para não variar. Verdadeiro motor da equipa: joga e faz jogar, sempre de pé no acelerador. Reforçou o comando da lista dos artilheiros do campeonato com mais três golos. Aos 45' (o golo da reviravolta, que já tardava), aos 68' e aos 79', este de penálti - convertido de modo exemplar. Quarto jogo consecutivo da Liga a marcar: já a meteu lá dentro 36 vezes no conjunto da temporada, 22 no campeonato. E também já protagonizou 14 assistências - ontem mais uma, com inegável classe, para o golo de Nuno Santos. Números extraordinários: o nosso jogador mais caro de sempre vale cada cêntimo que custou ao Sporting.

 

De Paulinho. Uma das suas melhores exibições de verde e branco. Desta vez bisou. Aos 54', marcando o segundo golo - correspondendo de forma exemplar a um cruzamento perfeito de Geny. E a poucos segundos do apito final, aos 90'+5, num cabeceamento sem mácula após a conversão de um canto. E ainda é dele, num centro muito bem medido, a assistência para o golo inicial.

 

De Nuno Santos. Ressurgiu após um período de relativo apagamento. Em boa hora Amorim apostou nele como titular na recepção ao Boavista. Sai deste embate que alguns consideravam difícil com saldo muito positivo: um golo, apontado aos 88', e duas assistências. Notável o passe vertical aos 68' a que Gyökeres deu a melhor sequência. E foi ele a bater o canto que proporcionou o golo final de Paulinho, selando o resultado.

 

De Daniel Bragança. Cumpre, sem dúvida, a sua melhor época ao serviço do Sporting. Ontem actuou durante toda a segunda parte - por troca com Morten, talvez o único que pareceu ressentir-se da derrota contra a Atalanta - e mostrou-se em excelente forma. Oportuníssimas recuperações aos 62' e aos 72' que logo originaram ataques perigosos. Exímio tecnicista, muito eficaz a movimentar-se entre linhas.

 

Do regresso de Morita. Ausente em Bérgamo, devido a uma indisposição que o reteve em Lisboa, voltou ao onze. E foi pedra fundamental deste dilatado triunfo leonino. Na visão de jogo, na capacidade de recuperar bolas, no perfeito domínio técnico demonstrado em cada lance. Consegue estar em acção em diversas zonas do terreno. É dos jogadores que mais procuram e mais merecem o título de campeão em Portugal.

 

Da nossa reviravolta. Tendo sofrido um golo a frio, logo aos 3', soubemos reagir com firmeza e determinação: quase não voltámos a deixar o Boavista aproximar-se da nossa baliza, Israel não chegou a fazer uma defesa digna desse nome e eles só conseguiram um canto aos 90'+3. Protagonizámos uma reacção quase asfixiante à turma boavisteira, que só pecou pela conversão tardia do nosso primeiro golo. Na segunda parte, sobretudo, chegámos a ser brilhantes. Com uma entrada fortíssima, sempre a carregar no acelerador. Deu gosto ver este Sporting imparável, nada fragilizado pelo desfecho da partida anterior, em solo italiano. 

 

Do apoio inequívoco das claques. Com aplausos, cânticos, incentivos de todo o género. E dísticos que não deixam lugar a dúvidas: estão cem por cento com os jogadores, estão cem por cento com a equipa técnica. É para isto que servem as claques. Assim merecem também elas o nosso aplauso.

 

De ver o Sporting marcar há 34 jornadas seguidas. Sempre a fazer golos, desde o campeonato anterior. Reforçamos a nossa posição no topo das equipas goleadoras. Basta comparar: temos mais 15 marcados do que o Benfica e mais 25 do que o FC Porto.

 

Do nosso desempenho global em casa para a Liga 2023/2024. Treze jogos, treze vitórias. Invictos em Alvalade.

 

De mantermos a liderança isolada. Agora com 65 pontos. Mesmo com um jogo em atraso - que, caso seja vencido, deixará o principal rival quatro pontos abaixo de nós. Prossegue a contagem decrescente para a conquista do troféu máximo do futebol português. Vamos lá chegar.

 

 

Não gostei

 

De sofrer tão cedo. Foi um banho de água fria em Alvalade, aquele disparo indefensável de Makouta. Desde 2015 que o Boavista não marcava no nosso estádio.

 

De outro golo na nossa baliza. Temos agora mais sete sofridos do que o FCP, mais quatro do que o SLB. Nada de grave, mas é um aspecto a melhorar.

 

De termos esperado 42 minutos para empatar. Só aconteceu aos 45': tardou em excesso. O 1-1 registado ao intervalo era muito lisonjeiro para o Boavista, que já merecia então estar a perder, até por mais de uma bola de diferença. Acabaríamos por acertar contas na segunda parte.

 

Da ausência de Pedro Gonçalves. Os colegas cumpriram bem a missão em campo, mas o melhor jogador português do Sporting faz sempre falta. Infelizmente ainda não sabemos quando poderá estar de volta: continua afastado devido à lesão muscular contraída em Itália.

 

Do horário do jogo. Voltamos ao mesmo: partida iniciada às 20.30, numa noite de domingo. Só dá jeito a quem não precisa de trabalhar e a quem nunca vai ao estádio - alguns nem sequer se dão ao incómodo de assistir às partidas pela televisão, espreitam os resumos mais tarde e já lhes basta. Para esses pode ser em qualquer dia e a qualquer hora.

Amanhã à noite em Alvalade

Depois da eliminação merecida mas que até esteve perto de ter sido evitada na Liga Europa, é tempo de "mudar o chip" e voltar às competições internas para defrontar o Boavista e encerrar o "ciclo infernal".

Com Adán, Pedro Gonçalves e Edwards caídos em combate (Edwards não merece de todo o que muitos dizem dele, basta olhar para a "ordem de mérito" que habitualmente publico), Trincão a contas com uma lesão que o limita, Diomande com o Ramadão, não há muitos jogadores para escolher para o onze inicial, mas há várias formas de o montar.

Na conferência de imprensa de hoje Rúben Amorim deixou algumas pistas, falou em Nuno Santos mais avançado no campo e Paulinho na ajuda a Gyökeres. Imagino que sejam essas as ideias dele. Nesse caso o onze podia ser:

Israel; Diomande, Coates e Inácio; Catamo, Hjulmand, Bragança e Matheus Reis; Paulinho, Gyökeres e Nuno Santos.

Com Quaresma, St. Juste, Morita e Trincão no banco.

Outra ideia seria colocar Quaresma a fazer a ala direita e adiantar Catamo, nesse caso com Nuno Santos a fazer a ala esquerda para manter a ideia de dois alas com características diferentes.

Também pode acontecer que ele resolva tirar "um coelho da cartola" e lançar Fresneda ou Koindredi.

É então uma boa oportunidade para vos voltar a fazer a pergunta:

Qual pensam que vai ser o onze inicial do Sporting amanhã em Alvalade?

SL

Prognósticos antes do jogo

Um jogo terminou há tão pouco tempo e já vem outro a caminho. Amanhã, a partir das 20.30, recebemos o Boavista. Outro embate determinante nesta caminhada que vamos fazendo a caminho do título. 

Na primeira volta fomos ao Bessa vencer por 2-0. Com golos de Geny e Pedro Gonçalves. Mais robusto foi o nosso triunfo em casa na época passada: três golos sem resposta

Agora como será? Aguardo os vossos prognósticos.

{ Blogue fundado em 2012. }

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