Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

A voz do leitor

«Biel é mesmo um mistério... O que viram nele para dar 6 milhões de euros? Nota-se logo a falta de capacidade de jogar no Sporting. Tanto que falam em ir rodar para a B para ganhar músculo e habituar-se ao futebol europeu... Seis milhões de euros para ser tratado como um sub-17 de qualidade duvidosa?»

 

Ângelo, neste meu texto

Quente & frio

 

Gostei muito de ver o Sporting carimbar a presença no Jamor como finalista da Taça verdadeira. Segunda participação consecutiva da nossa equipa na final de uma competição que conquistámos pela última vez em 2019, com Marcel Keizer ao comando do onze leonino. Garantimos agora a presença nesse decisivo desafio, a disputar no dia 25 de Maio, ao derrotarmos o Rio Ave na segunda mão da meia-final. Metade da tarefa estava feita, no encontro da primeira mão em Alvalade (vencemos por 2-0). Faltava a confirmação, concretizada anteontem, ao alcançarmos novo triunfo - desta feita por 2-1.

 

Gostei de ver Viktor Gyökeres continuar em excelente forma. Voltou a marcar: foi dele o segundo, aos 51', em oportuna recarga após Geny ter falhado o remate inicial. Este foi o seu 48.º golo da temporada - e o 57.º, se incluirmos na lista os que apontou ao serviço da selecção sueca: de verde-e-branco, nestas duas épocas, tem no seu registo 91 golos em 97 partidas. Também gostei de Gonçalo Inácio, que abriu o marcador aos 12', cabeceando na direcção certa após canto apontado por Debast - e desvio subtil de Gyökeres. Sexto da temporada para o brioso central canhoto, formado na Academia de Alcochete: protagonizou um dos momentos altos da partida. Outro protagonista, inevitável, foi Pedro Gonçalves: regressou à titularidade mais de cinco meses depois, comprovando que podemos enfim contar de novo com ele. Actuou só na primeira parte, o que se entende pois ainda recupera o melhor ritmo competitivo, já vencíamos por 1-0 ao intervalo e havia que dosear o esforço colectivo a pensar no desafio do Bessa.

 

Gostei pouco do egoísmo de Harder, jogador que aqui elogiei em fresca data. Lançado por Rui Borges aos 67', claramente para gerir o esforço de Gyökeres antes do confronto de domingo com o Boavista, o jovem dinamarquês protagonizou dois ou três momentos de ataque inconsequente, em que só pensou nele próprio e na baliza, como se jogasse sozinho. Erro maior aos 90'+1: deixou-se interceptar em posição frontal, perdendo a bola, quando tinha colegas em excelente posição para marcar - tanto à esquerda como à direita. Precisa de ganhar maturidade e responsabilidade táctica para evitar dar razão ao técnico, que já lhe chamou «muito trapalhão» em público. Melhor esteve Biel, que também saltou do banco aos 67' (substituindo Trincão). Bons apontamentos do extremo esquerdo brasileiro, nomeadamente quando revelou qualidade técnica num slalom com bola aos 86', queimando linhas e oferecendo um golo a Maxi Araújo, que desperdiçou.

 

Não gostei que o Rio Ave jogasse em terreno emprestado, no Estádio Capital do Móvel. Mas a transferência de Vila do Conde para Paços de Ferreira foi plenamente justificada: a equipa rioavista viu parte das suas instalações danificadas na recente tempestade que assolou quase todo o país. Compreensível motivo de força maior.

 

Não gostei nada de ver o Sporting desperdiçar várias oportunidades de golo, repetindo-se o que já sucedera no desafio da primeira mão. Trincão rematou duas vezes: pontapés fracos e à figura, para defesas muito fáceis. Maxi Araújo falhou golo cantado aos 86'. De Harder já falei. E o próprio Gyökeres, isolado, teve o golo nos pés logo aos 9': não falhou mas permitiu uma grande defesa do excelente guardião rioavista, o polaco Miszta. Que não ficaria mal de leão ao peito.

Quente & frio

 

Gostei muito da sexta vitória consecutiva do Sporting, anteontem em Alvalade, na primeira mão da meia-final contra o Rio Ave. Triunfo tranquilo, por 2-0 - resultado que já se registava ao intervalo, construído quase a abrir e mesmo a fechar a primeira parte. Domínio completo do onze leonino: Rui Silva fez a única defesa com dificuldade média no canto do cisne da partida, aos 90'+6, neste seu segundo jogo seguido sem sofrer golos. Rui Borges alcança nesta sequência de desafios sempre a vencer o seu melhor registo como treinador do Sporting, potenciado por ter adoptado o anterior sistema táctico, popularizado por Ruben Amorim: 3-4-3. Aquele que nos levou duas vezes ao título de campeão nacional de futebol, em 2021 e 2024.

 

Gostei da excelente forma de Viktor Gyökeres. O artilheiro sueco voltou a ser o melhor em campo, empurrando a equipa para a frente, pondo a defesa adversária sempre em sobressalto. Foi dele o segundo golo, aos 45'+1: penálti convertido "à Panenka", com paradinha - algo inédito nele, pelo menos de leão ao peito. Números impressionantes na época em curso: 43 jogos, 43 golos (além de 11 passes para golo). Dezoito foram marcados de grande penalidade, sem falhar uma - 12 na Liga. Também gostei do golaço de Geny, aos 12', em espectacular recarga após um canto. Sexto golo da temporada do moçambicano, que viu outro anulado, por 18 cm, e conquistou o penálti que confirmou a vitória e nos deixa mais tranquilos para o desafio da segunda mão, em Paços de Ferreira, onde o Rio Ave joga por empréstimo. Já de olhos postos no Jamor.

 

Gostei pouco que Harder só tivesse entrado aos 79', substituindo Trincão. O jovem internacional dinamarquês merece mais tempo de jogo. Mal entrou, agitou o ataque leonino, que estava demasiado previsível e mecanizado. Aos 81', desferiu um tiro que roçou a baliza rioavista. Aos 84', ganhou a bola junto à linha final, do lado direito, e centrou atrasado, com precisão, para Maxi Araújo desperdiçar no centro da área em excelente posição para o remate. Revela alegria a jogar e nota-se nele uma insaciável fome de golos. Merece mais minutos, muitos mais.

 

Não gostei do desperdício. Faz pouco sentido concretizar apenas dois golos com tanto fluxo ofensivo. Fresneda (aos 56') foi incapaz de aproveitar à boca da baliza uma oferta de Gyökeres, chutando escandalosamente para a bancada. Maxi Araújo conseguiu também o mais difícil -- falhar - depois de Harder a ter colocado redondinha e bem tratada aos seus pés. Aos 62'', Gyökeres disparou um tiro fortíssimo, fazendo a bola embater no ferro: teria sido um golo de antologia. Merecemos vitória mais dilatada: ficou sem efeito por falta ou excesso de pontaria, conforme os casos.

 

Não gostei nada de confirmar que a contratação de Biel foi um fiasco. Caro, ainda por cima: custou 6 milhões no chamado "mercado de Inverno". Dois meses depois de ter chegado, não restam dúvidas: o ala (?) brasileiro não conta para Rui Borges. Quase sempre fica no banco. Quando entra, como foi o caso há dois dias, mal toca na bola: substituiu Geny aos 88', voltou a dissipar outra oportunidade de mostrar aos adeptos o que vale - se é que vale alguma coisa. Outro Vladan, outro Marsà, outro Sotiris, outro Tanlongo, outro Rochinha, outro Bellerín, outro Koba, outro Pontelo? Parece. 

O tiro ao Biel

O passatempo mais estúpido que pode existir para um Sportinguista é andar ao tiro aos jogadores acabados de contratar ou aos jovens de Alcochete acabados de promover. Só mesmo para tascas de ressabiados.

Quer uns quer outros precisam de tempo, de se sentir confortáveis, de ganhar confiança, treinando e jogando.

Uns conseguem, outros não. Com Rúben Amorim, com Rui Borges, com Jorge Jesus, ou com outro qualquer.

Debast e Maxi Araújo chegaram esta época, tiveram os seus problemas e situações, demoraram o seu tempo, adaptaram-se a outras posições, foram os melhores em campo em Barcelos.

Fresneda é um caso de toda uma primeira época em Portugal mais ou menos perdida para agora ser o melhor lateral direito da Liga.

Catamo é outro caso de duas épocas mais ou menos perdidas em empréstimos para voltar, ser aposta e ter sido herói em vitórias épicas.

Da equipa B chegaram ou estão a chegar jovens de imenso potencial mas que precisam de tempo também. Da equipa nacional vice-campeã da Europa em sub17, Quenda é titular absoluto, João Simões também o estava a ser aquando da lesão, Felícissimo já teve minutos. Além deles, também Alexandre Brito já entra no onze inicial, Kauã Oliveira vai supreender muita gente. Mauro Couto, Afonso Moreira e Lucas Anjos também já tiveram minutos.

 

Daquilo que vi no YouTube e ao vivo, parece-me que Biel é aquele extremo rápido que tanto vai à linha como centra na diagonal ou remata ao golo, que não existe na equipa B, mas que também não tem a consciência táctica dos jovens de Alcochete. Veio doutro campeonato, precisa de tempo.  

Como precisaram muitos extremos sul-americanos que chegaram ao futebol português mas que depois brilharam e saíram rumo a grandes clubes europeus, nos rivais existem muitos exemplos que confirmam isso. No Sporting o último extremo sul-americano vindo directamente do campeonato local terá sido Acuña. Raphinha veio já com a passagem pelo V. Guimarães. Acuña, quando começou no Sporting, parecia um cepo, um pouco como Slimani. E depois foi o que se viu.

Vamos com calma com o Biel. Teve o mesmo treinador que o Maxi Araújo, acabado de contratar pelo Botafogo. Alguma coisa terá dito a seu favor.

 

PS: Ainda alguém vai aparecer por aqui a dizer que o Maxi não presta, o Piccini é que era o máximo. Ou o Schelotto, ou o Lumor. Alguém se lembra do Lumor? Espectáculo!

SL

{ Blogue fundado em 2012. }

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2024
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2023
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2022
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2021
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2020
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2019
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2018
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2017
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2016
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2015
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2014
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2013
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2012
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D