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És a nossa Fé!

Agressões a polícias e jornalistas

O IPDJ - tutelado pelo secretário de Estado do Desporto - continua a fazer orelhas moucas à lei da selva que vigora na Luz. Desta vez foram "só" seis polícias feridos pelo bando de grunhos que conta com o apoio da firma Vieira, Gonçalves & Guerra, Lda. Essas bestas recorreram aos vidrões das redondezas para agredirem os agentes da autoridade com garrafas de todos os tamanhos e feitios.

Furiosos com a  derrota em campo, sem conseguirem intimidar a equipa de arbitragem, os lampiões "sem nome" viraram-se também contra os repórteres ali presentes. Do mal, o menos: o Sindicato dos Jornalistas emitiu um vigoroso comunicado de  condenação das inadmissíveis agressões de que foram alvo os profissionais da informação que faziam o seu trabalho no local onde se desenrolou o Benfica-Porto.

Pelo menos desta vez a culpa não foi das "declarações antidemocráticas" de Bruno de Carvalho...

Hoje giro eu - Sporting, o mais indisciplinado (!?)

Analisando os 27 jogos disputados até agora dos 3 grandes concluimos que o Sporting é o clube cujos jogadores mais vezes foram contemplados com a cartolina amarela. Assim, a equipa leonina já viu 55 amarelos, contra 49 do Porto e 43 do Benfica. Ao contrário dos seus concorrentes, o factor casa não parece ser decisivo nas admoestações, pois os leões viram 25 amarelos e 2 vermelhos em Alvalade, enquanto o Benfica, na Luz, tem 17 amarelos e nenhum vermelho e o Porto, no Dragão, foi contemplado com apenas 15 amarelos (sem vermelhos).

 

Outro pormenor que não deixará de causar algum espanto tem a ver com os jogos disputados fora de casa. Nos jogos fora, o Sporting é o único dos grandes que teve mais cartões amarelos atribuidos aos seus jogadores do que aqueles que os seus adversários averbaram. Assim, nas 13 partidas disputadas, os sportinguistas foram admoestados com o cartão amarelo por 30 vezes contra apenas 28 vezes dos seus adversários conjunturais (1-1 em vermelhos), ao passo que o "score" benfiquista é de 26-29 (1-4 em vermelhos) e o do Porto é de 34-39 (3-2 em vermelhos).

 

Os números globais dos jogos de cada um dos 3 grandes, no que respeita aos "amarelos", são estes: Sporting 55-66 (3-2 em vermelhos), Benfica 43-59 (1-7 em vermelhos), Porto 49-70 (3-4 em vermelhos). Não deixa de ser curioso que uma equipa que vem sendo acusada de ser pouco intensa sofra tantas infrações disciplinares. Por comparação, os jogos do Benfica parecem amigáveis, sendo a equipa encarnada a que menos cartões sofre e os seus adversários aqueles que menos vezes são admoestados (com excepção dos cartões vermelhos). Os adversários do Sporting têm um rácio de vermelhos/total de cartões de 2,9%, ao passo que o rácio dos adversários do Porto é de 5,4% e o dos adversários do Benfica é de 10,6%. O Porto é o clube com maior diferença favorável entre cartões amarelos e a maior diferença favorável no total de cartões (nesta última, empatado com o Benfica, com 22). O Sporting tem só mais 10 cartões atribuidos aos seus adversários do que aos seus jogadores.

 

Haverá alguma razão para a equipa leonina ser, destacada, aquela que viu mais cartões lhe serem atribuidos? E que justificação existirá para a disparidade face aos seus concorrentes no que diz respeito à diferença entre os cartões vistos e aqueles atribuidos aos seus adversários?

O que é que os nossos Leitores/Comentadores pensam disto?

A paródia

O que é constrangedor, é muitas vezes revelador. Constatámo-lo, mais uma vez, no fim-de-semana passado. Foi ao som dos murros na mesa, na gramática e na defesa do Benfica desferidos pelo presidente da dita agremiação. Porque aquilo de discursar sem discurso escrito revelou que a toupeira fez mesmo uns buracos naquela terra, prometida, para tantos, infernal, para muitos. 

Mesmo sem "Red Pass" tivemos acesso aos bastidores da máquina que ao longo dos anos se tem escondido por detrás de uma fachada de betão armado, embelazada por cartilha orquestrada, apuradamente especializada em marcar a agenda mediática. Foi assim até se lhe descobrirem mais rachas e mais fissuras, como estas, tão grosseiramente abertas por toupeiras.

O destemperamento de Luís Filipe Vieira na manifestação do indignado é, mais que tudo, revelador. Distribuindo ameaças, o chefe benfiquista revelou-se encostado à parede. Na situação em que LFV se encontra nada valerá fazer que não seja responder cabalmente às gravíssimas suspeitas que recaem sobre ele e sobre o clube que dirige. Se a coisa tivesse sido escrita, talvez, talvez possa admitir a possibilidade de alguns terem visto no líder, apenas e só, o perseguido, o inocente, a vítima de perseguição injusta e injustificável. Mas falando de improviso, a espaços descontrolado, só lhe vimos o desconforto e a encapotada fuga para frente na forma de alegada pro-actividade.   

O Gabinete de crise, além do rídiculo do nome, não é mais que uma arma de arremesso. Uma ameaça contra todos aqueles que ousem falar do Benfica, nos termos em que o Benfica considere ofensivo e atentatório da "marca". Em rigor, o que Luís Filipe Vieira fez foi a tentativa de nos amordaçar a todos, incutindo -nos medo, acenando com a represália que sobre nós cairá se ousarmos dizer, uns, que o estádio da Luz se parece com um cesto das molas, outros, que a construção está cheia de falhas no revestimento, fachada, afinal, repleta de enormes buracos.

"Acabou a paródia à conta do Benfica", disse, a dada alutra, o parodiante, todo ele empenhado na imitação burlesca de obra séria. É esta a definição de paródia e paródia foi o que ali assistimos.

Com presidente e vice-presidente arguidos em processos a correr na justiça, ver o Benfica apostado, na pessoa do seu líder máximo, em silenciar, controlar, ditar o que se pode dizer ou não pode dizer sobre o Benfica, a fazer ameaças a quem não lhe faça a vontade; é de uma gravidade sem precedentes. LFV ditou regras para cidadãos e, claro, para órgãos de comunicação social e para todos aqueles que os povoam com as cores que não sejam as que ele, hoje, veste.

Comparado com isto, é quase inócuo o pedido do presidente do Sporting Clube de Portugal aos sócios e adeptos para que só leiam o jornal do clube e vejam apenas a SportingTV - e quem aqui vem com regularidade sabe o quanto critiquei e repudiei as palavras de Bruno de Carvalho.

É insuportável e indefensável que o SLB, oficialmente, assobie para o lado como se nada tivesse a ver com o escândalo que ensombra a verdade desportiva nacional, e na qual entroncam ramificações que, preocupantemente, podem inquinar de forma profunda todo o edifício judicial português.

Ouvir do vice-presidente Fernando Tavares, arguido no processo Lex, que o Benfica está a funcionar em "completa normalidade" é ofensivo, de tão ilusório e enganador que é. Faz pouco de nós. Falta-nos ao respeito porque falta ao respeito à coisa pública.

Ver o presidente do Benfica, mergulhado em gravíssimas suspeições, falar ao público sem dar uma única explicação sobre os emails que alegadamente o incriminam, de maneira muito mais grave do que a denunciada violação da correspência privada, assistir a isto tudo sem o condenar, rejeitar e denunciar como muitísimo grave, seria alarmante e, a mim, na parte que me toca, não me deixaria de consciência tranquila como cidadão.

Nas circunstâncias em que o SLB se encontra, dos seus órgãos máximos, sócios e simpatizantes esperava-se pudor. Exige-se-lhes pudor.

Se o Benfica quer ser respeitado, tem de se dar ao respeito. Se o benfiquistas querem ser respeitados, dêem-se ao respeito. Chega de serem parodiantes de uma paródia de péssimo gosto.

Crise no Benfica com direito a gabinete

Luis Filipe Vieira[1].jpg

 

A comunicação do Benfica é tão "eficiente" que, enquanto procura desmentir a existência de uma crise, põe em cena o presidente do clube dando a conhecer ao País a entrada em funções de um "gabinete de crise" no estádio da Luz.

Com este preciso nome.

A imaginação não lhes chegará, ao menos, para escolherem outra designação para o tal gabinete?

 

Entretanto Vieira, arguido na Operação Lex, continua sem responder a uma só pergunta de um jornalista não-avençado pela agremiação com sede em São Domingos de Benfica.

Desde que o seu braço direito para os assuntos jurídicos e contratuais foi detido, o ainda presidente encarnado apareceu duas vezes em público. Uma para fugir dos repórteres, limitando-se a dizer que só sabe o que se vai passando "pelos jornais". Outra para falar sem contraditório, com um nervosismo sem precedentes, ameaçando tudo e todos.

 

O que é outra forma de confirmar que a crise existe.

Com uma gravidade sem precedentes.

E talvez o pior esteja para chegar.

Liberdade de informação?

vieira.jpg

Face às sucessivas investigações judiciais que têm por objecto o Benfica, em particular a acusação que colocou como arguido o responsável pelo sector jurídico do Sport Lisboa e Benfica, acusado, entre outros crimes, de corrupção activa, o presidente daquele clube veio a público, atacando com veemência a comunicação social, jornalistas e colaboradores, que têm noticiado e comentado estes acontecimentos, dotados de óbvio interesse público. E ameaçando com represálias aqueles que continuarem a referir o assunto

Estou na expectativa de ver a reacção do Sindicato dos Jornalistas e de tantos dos colaboradores da imprensa (políticos, no activo, retirados ou auto-propostos; académicos; etc.) que tão ofendidos se mostram quando há críticas à comunicação social por parte de agentes desportivos. Como foi tão notório há bem pouco aquando das declarações de Bruno de Carvalho, então estuporadamente acusado de afrontar a liberdade de informação e a própria sociedade democrática, por apenas ter desincentivado o universo leonino de consumir imprensa, algo muitíssimo menos acintoso e desprovido de explícitos e de implícitos agressivos, ao invés destas inaceitáveis declarações de Luís Vieira. .

Também, ainda que menos importante, seria interessante ver os comentadores sportinguistas (e mesmo bloguistas afectos ao clube), que tão incomodados fica(ra)m com as declarações do presidente do clube, dizer agora algo, murmúrio que seja.

Por mim vou sorrindo. Mais que não seja, para além da hipocrisia generalizada na sociedade (sim, também estou a falar de sportinguistas), por esta deliciosa tirada do presidente do clube vizinho, agora reduzido a "marca". Ao que isto chegou.

Sustentabilidade - as Contas dos 3 Grandes

Infelizmente, só ontem consegui analisar os Relatórios&Contas, referentes ao semestre terminado a 31 de Dezembro de 2017, dos 3 Grandes, publicados no pretérito 28 de Fevereiro. Aqui ficam algumas notas, bem como uma tabela comparativa de rúbricas relevantes:

 

No combinado entre investimento e custos com o pessoal, o Sporting foi o clube que mais "despendeu" no período compreendido entre 30 de Junho de 2017 e 31 de Dezembro de 2017. No entanto, e antes que soem as trombetas, é preciso explicar esse(s) valor(es). Assim, o Sporting parece estar apenas a tentar recuperar a "décalage" que tem para os seus competidores. Nesse sentido, analisando as Contas dos 3 clubes, verificamos que o valor bruto do plantel do Benfica é de 222M€ - a que corresponde uma amortização acumulada de 114M€ e uma amortização+imparidades no exercício de 19,6M€ - , o do FC Porto é de 179,7M€ - a que corresponde uma amortização acumulada de 86,4M€ e uma amortização+imparidades no exercício de 17,6M€ - e o do Sporting Clube de Portugal é de 97,7M€, a que corresponde uma amortização acumulada de 31,8M€ e uma amortização+imparidades de 11,4M€ no exercício semestral findo a 31/12/2017, este último um valor consideravelmente mais baixo do que o dos seus concorrentes, o que na comparação melhora a sua Demonstração de Resultados. Importa explicar que a compra de um jogador é considerada um investimento. Como tal, afecta apenas a Demonstração de Resultados através da rúbrica de amortizações, sendo este um valor anual que corresponde ao valor de aquisição dividido pelo número de anos de contrato de cada jogador.

 

Um ponto que tem sido de alguma discórdia, relacionado com o Factoring a que o Sporting tem recorrido, como forma de antecipação de futuras receitas de DireitosTV (acordo NOS), mostra que este número reduziu-se para 22M€. Como comparação, o FC Porto tem uma dívida com o Factoring de 66,3M€. O Benfica não tem Factoring(*), mas tem um programa de Papel Comercial (financiamento de curto-prazo), em vigor, no valor de 56,9M€.

 

Expurgando dos Resultados, as vendas de jogadores (Proveitos Extraordinários), verificamos que o Sporting seria o clube com o melhor Resultado antes de impostos, no valor de -15,8M€. O Benfica perderia 20,8M€ e o FC Porto teria um resultado negativo de 28,7M€. Em resumo, todos os clubes são deficitários na sua exploração e necessitam de vender activos intangíveis (jogadores) para equilibrarem as suas contas. 

 

O investimento global do Sporting nesta época desportiva de 17/18 foi até agora de 63,7M€, dos quais 26,8M€ (aquisições de Bruno Fernandes, Doumbia, Battaglia, Piccini e Mattheus) entraram ainda nas contas semestrais referentes a 30 de Junho de 2017. No período a que se refere o R&C em análise, houve um investimento de 21M€, em jogadores (Acuña, Mathieu, Ristovski e outros). Já posteriormente a este período, os números correspondentes às aquisições do mercado de Inverno (entrarão no R&C semestral a 30/6/2018)- envolvendo os jogadores Ruben Ribeiro, Wendel, Misic, Montero e Lumor - foram de 15,9M€ (informação privilegiada enviada à CMVM em 12 Fev 2018 - mais um bom exemplo de transparência e boas práticas de gestão), colocando o investimento total efectuado na época desportiva de 17/18 nos 63,7M€ (inclui comissões e encargos), o valor mais elevado de sempre do clube.

 

Vale a pena, também, abordar o tema da liquidez, algo tantas vezes apontado como o "calcanhar de Aquiles" do Sporting: olhando para os números inscritos no Activo, na rúbrica de Caixa, verificamos que o Sporting tem um valor de 12,8M€ (dos quais 5,1M€ numa conta restrita para pagamento de VMOCs), o Benfica de 4,7M€ e o Porto de 12,1M€.

 

Em termos de Passivo, todos os clubes reduziram o seu endividamento, sendo que o Benfica, na medida do desinvestimento que fez esta época desportiva, foi o que abateu mais dívida, no caso 52,9M€. Segue-se o Sporting, com uma redução de 40,4M€ e o Porto, que cortou apenas 7,3M€. No entanto, o Sporting foi o que reduziu mais a dívida bancária, no montante de 16,8M€ (adicionalmente, as provisões cairam 9,6M€ e a dívida a Fornecedores desceu 12,9M€) . O Benfica apenas reduziu este item em 7,9M€ e o Porto em apenas 1,6M€.

 

Em termos do Activo, este diminuiu em todos os clubes. No Sporting, 29,5M€; no Benfica, 33M€ e no Porto, 31,3M€. No Sporting, destacam-se os abatimentos na rúbrica Clientes - dívidas de outros clubes - , essencialmente devido aos pagamentos de 20M€, pelo Inter de Milão (João Mário), e de 8,5M€, pelo Villareal (Ruben Semedo). Na rúbrica "outros Activos correntes", onde constavam os 17,1M€ retidos pela Uefa, 11M€ foram pagos à Doyen, sendo os restantes 6,1M€ restituidos ao clube.

 

O Volume de Negócios (PO+PE) do Sporting foi de 81,6M€, enquanto o do Benfica foi de 109,6M€ e o do Porto foi de 70,8M€. Por outro lado, em termos de Fornecimentos e Serviços Externos (FSE), o Sporting gasta sensivelmente metade do que Benfica e Porto despendem, o que tem consequências positivas, comparativamente falando, nos Resultados Liquidos da Sociedade e, em termos gerais, nos seus Resultados Operacionais.

 

Será de prever, dado o afastamento dos 3 clubes da Champions, que os resultados de todos piorem substancialmente no 2º Semestre (os Resultados Operacionais descerão por certo), devendo tal ser colmatado com mais vendas de jogadores. Sublinhe-se, no entanto, que o Sporting ainda terá os proveitos inerentes a estar na Liga Europa, pese embora essas receitas sejam bastante inferiores às da Champions a não ser que o clube chegue à final da competição, facto que lhe garantiria mais cerca de 10M€.

 

Em resumo, não me parece que o Sporting fique a perder na comparação com qualquer dos seus concorrentes, antes pelo contrário, não justificando de todo o apodo de ter "descoberto um poço de petróleo", que me parece ter sido dado por quem não soube (ou não quis) fazer o trabalho de casa. A operação de conversão de dívida bancária em VMOCs, no valor de 127,9M€ e as melhorias substanciais do Volume de Negócios criaram condições que viabilizaram um maior investimento. No entanto, uma eventual não presença do clube na Champions do próximo ano obrigará certamente a refrear futuros investimentos e aconselhará alguma redução nos Custos com Pessoal, apesar de entrar em vigor o novo contrato com a NOS, que nos fará crescer na rúbrica de Proveitos Ordinários. Relembro que, nas duas primeiras épocas de Bruno de Carvalho, este valor (Custos com Pessoal) estava em 25M€ e, projectando o valor semestral para o ano, agora triplica. Por outro lado, não deixa de ser extraordinário que o clube em 3/4 anos tenha criado este tipo de condições. 

 

Uma última nota para, uma vez mais, enaltecer a elaboração do R&C do Sporting, o qual na minha opinião continua a ter um nível de detalhe superior aos do Benfica e Porto, constituindo uma muito boa prática que merece aqui ser destacada.

  contas.png

 Legenda: (valores em milhões de euros-M€) 

PO=Proveitos Operacionais; VPS=Vendas de Produtos e Serviços; OPO=Outros Proveitos Operacionais; FSE=Fornecimentos e Serviços Externos; CP=Custos com Pessoal; RO=Resultados Operacionais; PE-COM=Proveitos Operacionais menos Comissões e encargos; RL=Resultados Liquidos; Div Banc.=Dívida Bancária; Div Obrig=Dívida Obrigacionista; Inv=Investimento; K próprio=Capitais Próprios

 

O começo

A primeira reacção conhecida da federação diz-nos muito sobre o estado das instituições que gerem o futebol. Quando um clube com a dimensão do Benfica é envolvido num processo sem precedentes, desde o apito dourado que envolveu o FC Porto, e a única declaração da federação portuguesa de futebol é uma espécie de sacudir a água do capote, afirmando que este caso nada tem a ver com a parte desportiva, ficamos conversados sobre qual a verdadeira intenção dos actuais e ainda dirigentes da federação.

Que não haja qualquer dúvida: os actuais dirigentes desportivos vão fazer o possível e o impossível para que este mundo podre onde vivem se mantenha.

A história diz-nos que o mais certo é conseguirem. Mas a história também nos ensina que mesmo podendo haver constantes, nada nunca se repete. E hoje temos um dado novo. O nosso Sporting - o Sporting de hoje - nada tem a ver com o Sporting da era do apito dourado, com dirigentes a sair abraçados e contentes a Pinto da Costa depois de uma (mais uma) derrota. O papel do actual Sporting no descobrir deste impressionante escândalo, foi e será fundamental. Podemos tentar imaginar qual seria a opção de anteriores direcções quando confrontadas com dados concretos como foi a actual.

A cobardia da maioria dos dirigentes desportivos não vai ser fácil de derrotar. A maioria dos jornais desportivos estão dominados pela cartilha que permitiu ao Benfica sair durante todos estes anos impune a todos os rumores que circulavam. Nada era investigado, a informação era, e ainda é, distorcida e manipulada. Os vários canais de informação foram colonizados por cartilheiros descarados, que de dedo em riste afirmam sem vergonha que são isentos, quando hoje sabemos que se venderam por menos de 30 moedas. São burocratas, funcionários que cumprem o que lhes dizem, sem questionar, de fidelidade canina, na ânsia de agradar, sempre de cabeça baixa e sem espinha. Serão os últimos a deixar cair este Benfica.

Custa mais ver adeptos desse clube, que tenho por sérios, continuarem a defender o que hoje sabemos ser verdade, com o argumento que se o Porto o fez nós também o podemos fazer.

Estamos em Portugal, vai ser uma luta longa e desgastante. Quem pensa que estamos no final da história, desengane-se. Começou agora, vai durar anos e todos vão ser precisos para derrotar quem não permitiu a nós, aos nossos filhos, festejar as conquistas que tínhamos direito e pelas quais lutámos de forma honesta, ao contrário de outros.

Descubra as diferenças

«[Paulo Gonçalves e outro arguido foram detidos] pela presumível prática dos crimes de corrupção activa e passiva, acesso ilegítimo, violação de segredo de justiça, falsidade informática e favorecimento pessoal.»

Comunicado da Polícia Judiciária, a propósito da Operação E-Toupeira, concretizada através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (6 de Março)

 

«A Sport Lisboa e Benfica SAD confirma a realização de buscas às suas instalações no âmbito de um processo de investigação sobre eventual violação do segredo de justiça e reitera a sua total disponibilidade em colaborar com as autoridades no integral apuramento da verdade. Manifesta a sua confiança e convicção de que o dr. Paulo Gonçalves terá oportunidade, no âmbito do processo judicial, de provar a legalidade dos seus procedimentos.»

Comunicado da SAD benfiquista a propósito do mesmo caso, omitindo a imputação aos arguidos dos crimes de corrupção activa e passiva, acesso ilegítimo, falsidade informática e favorecimento pessoal (6 de Março)

 

Casos de polícia

 

Paulo Gonçalves, director do departamento jurídico do Benfica, detido por suspeita de corrupção.

 

Inspectores da Polícia Judiciária fazem buscas pela terceira vez desde Outubro no estádio da Luz.

 

Benfica teve acesso a processos do FC Porto e Sporting através de contactos de Paulo Gonçalves.

 

Bilhetes para vários jogos e produtos de marketing do Benfica são as contrapartidas sob suspeita.

 

Benfica manifesta confiança no braço direito de Luís Filipe Vieira, representante do SLB na Liga.

 

Um dos suspeitos, observador de árbitros, foi decisivo na despromoção de Marco Ferreira.

 

Hoje giro eu - LEXotan

Tem vindo hoje a ser abundantemente difundida por um conjunto de comentadores a ideia de que a Operação LEX não envolve o Benfica. Na minha opinião, envolve o Benfica (ou este vê-se envolvido) e importa, e muito, aos benfiquistas. Em que medida? A confirmar-se a veracidade das escutas citadas pelo CM, Luis Filipe Vieira teria alegadamente pedido ao Juiz Rui Rangel para mover influências junto de outros juízes, no sentido da obtenção de uma decisão favorável quanto a uma dívida fiscal de um filho seu, dando como contrapartida - e é aqui que LFV, alegadamente, envolve directamente o Universo Benfica (e indirectamente o Benfica) - um cargo remunerado na Fundação Benfica (fundada pelo Sport Lisboa e Benfica) e/ou na futura Universidade Benfica. Por isso, este caso, mais do que importar aos concorrentes do Benfica, é de toda a relevância ser do conhecimento dos sócios e adeptos do clube da Luz (e dos accionistas da sua SAD?), porque o Benfica ou, mais concretamente, empresas do seu universo - uma delas penso que ainda a constituir - estariam a ser, alegadamente, usados como contrapartida de resolução de questões que importam apenas ao cidadão Luis Filipe Vieira. Para além de um eventual ilícito - e até qualquer decisão tramitar em julgado deve ser seguido o princípio da presunção da inocência dos arguidos - é essa contrapartida, a ser verdadeira, que deverá preocupar os benfiquistas. Alguns deles, eventualmente menos preocupados com questões de ética, poderão menosprezar os alegados emails, vouchers ou suspeitas de viciação de resultados, talvez por considerarem que, por hipótese, mesmo vindo a ser provadas práticas ilegais, isso destinava-se a ajudar o Benfica a ganhar, mas neste caso, provavelmente, não perceberão qual a vantagem que poderia advir do consumo de recursos financeiros do Universo Benfica com o ordenado de Rui Rangel.

Com base nisto, talvez se compreenda o "spin" comunicacional e a razão pela qual alguns "opinion-makers" - em sentido contrário destaco a posição lúcida de Ricardo Araújo Pereira - tentam adormecer a nação benfiquista. 

"O que passou-se?"

Oiço a Rádio, sou bombardeado com as notificações noticiosas no telemóvel, leio os vários "Última Hora" nos rodapés das televisões e só me me lembro do Robert Duvall a dizer-nos: "Adoro o cheiro a napalm pela manhã".

Primeiro a manchete do Expresso deste fim-de-semana, agora as notícias das buscas à casa do juiz Rangel, à residência do Luís Filipe Vieira, à SAD do Benfica. Ainda o ministro das Finanças a dizer que sai do Governo se for constituído arguido num processo de alegado favorecimento fiscal aos filhos do presidente do Benfica. Mais os emails da cúpula encarnada e demais cartilheiros do clube da Luz. Os alimentícios vouchers. As suspeitas sobre jogadores comprados para facilitar a vitória da equipa de Rui Vitória. 

Uma soma que culmina agora na notícia: Luís Filipe Vieira constituído arguido.

É verdade, não se pode especular, há que presumir inocências até trânsitos em julgado, claro que sim, mas e parafraseando outro momento do cinema "It´s beyond my control" e por isso não escapo à frase do imortal Apocalypse Now do Coppola: "Adoro o cheiro a napalm pela manhã". 

É muito fumo para não haver fogo.

 

P. S.: Um aplauso ainda para o nosso edifício judicial. Ex-primeiro-ministro investigado e a caminho de julgamento, destino igual para o mais poderoso banqueiro do regime e, agora, o Presidente do Benfica a braços com a Justiça. Tudo coisas do campo da ficção há uns anos apenas, hoje tão reais como muitas das vitórias encarnadas foram marteladas e que desembocaram na percepção de uma grandeza que, afinal, pode não ser mais do que mera ficção.

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