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És a nossa Fé!

Derby de futsal

O fim do mundo em cuecas

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"Bomba em dia de derby, Luís Filipe Vieira bate com a porta"

Faltam cerca de dez minutos, no canal 11.

Sporting vs. Benfica.

Vieira, o presidente que comemorou, em cuecas, um título de campeão  nacional de futsal vs. Varandas, o presidente que foi campeão europeu de futsal e não apareceu nas fotografias.

Faltam cerca de cinco minutos...

A vingança de Iuri Medeiros

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Quando era treinador do Sporting, Jorge Jesus fez aquilo que agora volta a fazer no Benfica: desprezou por completo a formação. Trabalhar com jovens jogadores - desde que não sejam sérvios ou brasileiros - não é com ele.

Em Alvalade foi cortando as pernas - em sentido metafórico, claro - a uma impressionante série de jogadores talentosos: João Palhinha, Ricardo Esgaio, Carlos Mané, Matheus Pereira, Ryan Gauld, Domingos Duarte, Francisco Geraldes, Merih Demiral e Gelson Dala. 

Outro desses jovens oriundos da Academia de Alcochete a quem o "mestre da táctica" nunca ligou pevide é Iuri Medeiros. Por ironia, foi ele o marcador do primeiro dos três golos encaixados pelo Benfica na recente derrota da equipa encarnada frente ao Braga. Terceiro jogo consecutivo com Jesus a sofrer três - algo que nunca tinha acontecido ao SLB - apesar dos 120 milhões de euros gastos em reforços para a Luz, incluindo a equipa técnica. 

A vingança serve-se fria: este golo, pelo seu simbolismo, funcionou como justiça poética para Iuri. Enquanto a chuva de milhões não evita que esta seja a equipa do Benfica com mais golos sofridos, em 59 anos, nos primeiros 11 jogos da temporada

Nada que belisque, no entanto, a boa imprensa de que Jesus continua a beneficiar: mesmo quando perde, recebe tratamento de vencedor. Acaba até de ser eleito "melhor técnico da Liga" - alusão eventualmente irónica ao facto de o SLB seguir em terceiro no campeonato 2020/2021 e ter, à sétima jornada, menos três pontos do que na época anterior. É apenas a terceira equipa mais goleadora, havendo nove equipas com menos golos sofridos

Aposto que a bola nas redes que mais doeu ao idolatrado "mestre" foi mesmo a do Iuri.

Vieira

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«Segundo um email trocado entre Ana Paula Godinho [responsável pelo departamento de relações públicas do Benfica] e Luís Filipe Vieira (em Novembro de 2016, apenas dois anos antes do aparecimento das primeiras investigações judiciais), de uma assentada, o camarote presidencial [do estádio da Luz] chegou a ter 11 magistrados (dez juízes e um procurador) sentados para assistirem ao jogo entre Benfica e Moreirense. Celso Manata (procurador, na altura, director-geral dos serviços prisionais), os juízes conselheiros António Grandão e José Nunes Lopes; os juízes desembargadores Rui Rangel, António Ramos, Frederico Cebola, Calvário Antunes, Carlos Benido e o juiz de primeira instância António Gaspar.»

 

«Luís Filipe Vieira diz que apenas falou uma vez com os juízes que iam a um pavilhão no Estádio da Luz para "dar uns chutos na bola", como refere um email do juiz Pedro Mourão para o presidente do Benfica, em Março de 2014, pedindo-lhe que autorizasse a utilização de um pavilhão para a futebolada judicial de um grupo de magistrados do Supremo Tribunal de Justiça. Porém, o email de Ana Paula Godinho para o presidente termina afirmando que o juiz desembargador Pedro Mourão "ficou de lhe apresentar os magistrados que, eventualmente, não conhece pessoalmente".»

 

«Outro juiz cujo trajecto profissional se tem cruzado com o Benfica é Antero Luís, actual secretário de Estado adjunto da Administração Interna. Em 2014, vestindo o fato de secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, o juiz assistiu a vários jogos do SLB, ora na qualidade de convidado, ora a "fazer-se" ao bilhete: o primeiro registo refere-se a 2012 e a um jogo Benfica-Barcelona, quando Antero Luís integrou uma task force entre segurança e espionagem: a acompanhar o então secretário-geral estiveram os directores do Serviço de Informações e Segurança (SIS), o também juiz Horácio Pinto e o adjunto Luciano Oliveira.»

 

«Antero Luís regressou ao Estádio da Luz em 2014, juntamente com Horácio Pinto e Neiva da Cruz, este último actual director do SIS, para assistir ao Benfica-PAOK. Uma vez mais, o clube tinha-o convidado, mas o secretário-geral da segurança interna ainda pediu mais um bilhete para o seu chefe de gabinete, Alexandre Coimbra, intendente da PSP. (...) Em Abril de 2014, novo pedido: Benfica-AZ Alkmaar. Desta vez, Antero Luís não levou o chefe de gabinete, mas pediu credenciais de acesso para o segurança pessoal e para o motorista.»

 

«É nos ficheiros apreendidos na Operação Lex (...) que se encontra o nome do antigo vice-procurador-geral da República, Agostinho Homem, como um dos convidados frequentes do SLB, seja para jogos em casa seja para integrar a comitiva oficial do Benfica em disputas europeias. Agostinho Homem integrou, por exemplo, a comitiva oficial dos encarnados a Moscovo para o jogo com o CSKA, uma viagem com um custo-pessoa superior a mil euros.»

 

«No que diz respeito às forças de segurança/justiça, a distribuição de bilhetes arrastou-se ainda, durante vários anos, à PSP, GNR, SEF e Polícia Judiciária. Nesta última, o contacto permanente dos encarnados estava identificado como Carlos Elias, um inspector que, segundo informações recolhidas pela Sábado, já está reformado, tendo trabalhado durante vários anos na investigação de crimes económicos.»

 

«O charme benfiquista alastrou ao mundo empresarial e financeiro. Os antigos administradores executivos da PT e da Central de Cervejas, Zeinal Bava e Alberto da Ponte, respectivamente, foram convidados para a final da Liga Europa, em 2014, que opôs o Benfica ao Sevilha. Mas era com Amílcar Morais Pires, que integrou a comitiva de convidados às finais da Liga Europa em 2013 e 2014, antigo administrador do Banco Espírito Santo, que Luís Filipe Vieira mantinha uma relação de maior proximidade, como documentam vários emails apreendidos no processo da Operação Marquês. Uma das mensagens, aliás, revela a paixão de Frederico Morais Pires, um dos filhos do antigo banqueiro, pelo Benfica.»

 

«A área das figuras públicas/celebridades também não foi descurada pelo departamento de Relações Públicas do Benfica. Uma extensa base de dados com contactos de actores, cantores, bloggers, instragramers, etc, foi criada para alimentar uma estratégia de convites para jogos. Ricardo Araújo Pereira, hoje apoiante da candidatura de João Noronha Lopes, foi um dos contemplados com uma "carta-mistério" enviada a várias figuras públicas. (...) Esta estratégia foi utilizada também, por exemplo, com Teresa Guilherme, Isabel Angelino, Ricardo Pereira, Jorge Corrula, etc.»

 

Excertos de uma investigação do jornalista Carlos Rodrigues Lima, publicada na Sábado a 29 de Outubro

A ver se nos entendemos

As buscas feitas hoje pela Polícia Judiciária e pelo Ministério Público (e finanças e PGR e o diabo a sete) às SAD's de Benfica e Sporting é em tudo semelhante: Um número elevado de inspectores e operacionais "invadiu" as instalações daquelas SAD's ( e também do Santa Clara e soube-se mais tarde, Académica ) em busca de indícios, provas, para acusações já formalizadas anteriormente.

Bom em tudo, em tudo... não! Passo a tentar explicar: A "Judite" foi a Alvalade em busca de provas do suposto branqueamento de 20 milhões de Euros por parte de Álvaro Sobrinho, um dos accionistas de referência da SAD do Sporting, através da sua empresa Holdimo, quando esta comprou grande parte da sua posição. Sporting a ver com isto? Nada, ou pouco mais, pelo menos pela informação prestada pelas autoridades. Já a entrada retumbante pela porta 18 do batalhão de polícias, teve como fito "negócios no futebol". E que "negócios no futebol" serão então esses? Ora bem, "durante a manhã de hoje, a Procuradoria Geral da República (PGR) confirmou a realização de 29 buscas: "oito domiciliárias; uma, a uma fundação; seis, a instalações de três sociedades desportivas; nove, a outros tipos de sociedade; três, a dois clubes desportivos; e duas, a dois escritórios de advogados"." Segundo o Sapo, esta plataforma onde estamos alojados, que consegue misturar o comunicado da Sporting SAD no  meio da notícia sobre o Benfica e Santa Clara. Querem saber o que querem dizer esses "negócios do futebol" que levaram um autocarro de autoridades de polícia criminal e alguns magistrados do MP e inspectores de finanças ao Estádio da Luz e aos Açores e a mais um ror de sítios e locais? Pois bem, lá vai o rol: Participação económica em negócio ou recebimento indevido de vantagem, corrupção ativa e passiva no fenómeno desportivo, fraude fiscal qualificada e branqueamento; Negócios de diversa natureza, todos relacionados com o futebol profissional; Aquisição dos direitos desportivos e económicos de jogadores por parte de clubes nacionais de futebol, empréstimos concedidos a um destes clubes e a uma sociedade desportiva por um cidadão de Singapura com interesses em sociedades sediadas nas Ilhas Virgens Britânicas e a utilização das contas do mesmo clube e de outro, para a circulação de dinheiro; Pagamento em dinheiro de prémios de jogo, a satisfação de dívidas pessoais de dirigentes, a utilização por estes de valores dos clubes e a omissão declarativa de operações fiscalmente relevantes; A falsificação, através dos meios atrás descritos, da verdade desportiva, concretamente o campeonato 2015/2016 o qual pode ter sido (segundo a acusação) conseguido com recurso a corrupção de jogadores adversários, tudo consubstanciado nos processos e-toupeira e mala ciao.

Como vemos, um pouco diferente, até porque Godinho Lopes (ao tempo dos factos buscados hoje, presidente do Sporting) ao lado de Vieira é um moço de coro e até Bruno de Carvalho, que lhe sucedeu e ainda é "apanhado" por um ano neste assunto, era ao lado de Luís Filipe, um aprendiz de feiticeiro.

O que as notícias não referem e não acredito que por ignorância, é que a provarem-se ambas as acusações, na primeira Álvaro Sobrinho poderá acabar preso (tenho sérias dúvidas que mesmo provando-se, isso venha a acontecer); Na segunda, a provarem-se as acusações, o Benfica e o Santa Clara serão punidos com a despromoção e a consequente descida aos campeonatos amadores. Juro que se isso viesse a acontecer, começaria a acreditar no Pai Natal.

O novo normal

A acreditar na imprensa de hoje o que aconteceu ontem no Bessa, Boavista 3 vs. Benfica 0, foi normal.

Não foi.

Antes deste jogo, o Boavista tinha dois jogos em casa, duas derrotas, seis golos sofridos, zero marcados.

Parece que palavras como: humilhação, descalabro, vergonha, desgraça e assim, estão reservadas para as goleadas sofridas pelo Sporting.

Vejamos alguns títulos, A Bola opta pelo título fofinho de: "Lição de xadrez"; Record: "A águia cai do pedestal"; O Jogo: "Boavistão tira águia do poleiro"; JN: "Pantera crava as garras"; CM: "Pantera trava voo da águia". 

Nenhum destes jornais puxa para manchete o resultado, lendo alguns dos títulos até poderíamos pensar num empate.

Os do costume virão dizer que me preocupo mais com o Benfica que com o Sporting, a questão não é essa, às vezes, faz falta olharmos para além do óbvio, como dizia Sophia: "vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar" ou num outro registo, Zeca Afonso: "o faz falta é avisar a malta".

Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira

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«O presidente do Benfica juntou uma lista de 22 juízes que convidou para ver um jogo da Champions, na maior parte desembargadores nos Tribunais da Relação, à sua defesa no processo judicial Lex. Esta iniciativa de Luís Filipe Vieira procura demonstrar que convidar magistrados para os camarotes do estádio da Luz não é mais do que uma prática corrente.»

 

«Pinto da Costa foi sempre o mais inteligente. Sempre teve a seu lado meia Relação do Porto ou de Guimarães. Sempre utilizou as viagens ao estrangeiro, em competições da Champions ou da antiga Taça dos Campeões Europeus, para comprar cumplicidades selectivas. E teve-as sempre que precisou, nos tribunais, na polícia, na política.»

 

«Vieira fez, afinal, o que é uma evidência no futebol. Os 22 juízes do Benfica têm apenas a força metafórica de simbolizar a enorme atracção do futebol na classe mas, também, a enorme vulnerabilidade que isso gera em profissões que têm a sua matriz na independência e no distanciamento social.»

 

Eduardo Dâmaso, ontem, no Record

O alívio

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Andavam a ser dias de pesadelo na Travessa da Queimada.

Com o Benfica a perder, banido do acesso à Liga dos Campeões pelo PAOK, clube com um orçamento oito vezes inferior. Pelo menos 40 milhões de euros atirados janela fora quando a equipa agora orientada por Jorge Jesus foi ao tapete em Salónica, vergada pelo onze de Abel Ferreira, ex-treinador da equipa B do Sporting. 

Com Luís Filipe Vieira - de longe o dirigente desportivo favorito do jornal A Bola - indiciado e já acusado em dois processos-crime, enquanto continua a ser investigado noutras frentes judiciárias. De tal maneira desprestigiado que até levou o Presidente da República a «forçar» o primeiro-ministro a retirar o apoio à recandidatura do ainda líder benfiquista, como hoje revela o semanário Expresso.

Eis que, de repente, o Benfica vence em Famalicão. E logo A Bola transborda de júbilo, com uma manchete bem reveladora da linha editorial deste diário: «Agora sim!» Com ponto de exclamação pintado de vermelho, para que não restem dúvidas. 

Um verdadeiro alívio. É nestes momentos que se percebe tudo.

Chamar o quê a isto?

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«Assisti ao sorteio da terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões e confesso que quando saiu o nome do PAOK, comentei para os meus botões - coitados dos gregos.

Estou muito confiante acerca do nosso desempenho europeu. Por três razões. A primeira, foi a contratação de Jorge Jesus. Quem tem o privilégio de ter um treinador desta qualidade só pode sonhar com altos voos em todas as competições. A segunda razão é óbvia - a SAD mantém a aposta muito forte no regresso do Benfica europeu. (...) A terceira razão é uma questão de justiça - o presidente Luís Filipe Vieira sonha com a conquista da Liga dos Campeões. Os mais pessimistas dirão que é um sonho.»

Pedro Guerra, O Benfica (4 de Setembro)

O paradoxo do futebol a triplicar

Dia triste para o futebol nacional. O Benfica foi afastado do acesso à pré-eliminatória que lhe daria o acesso à fase de grupos, que lhe daria o acesso à fase a eliminar, que lhe daria acesso à final da Liga dos Campeões e a ter acesso a conquistar um troféu que por mor de uma maldição (dizem) lançada por um húngaro que os treinou há cerca de setenta anos, tem visto por um canudo (ufff, que quase tive um acesso de falta de ar).

A propósito de canudo, de Braga saiu o treinador da equipa que confirmou que Béla Guttmann ainda tem os orixás em alta. Tão em alta que os três golos da desgraçada derrota (2-1 para o adversário numa eliminatória de um só jogo) foram marcados por jogadores do... Benfica! Bom, um deles já não é do Benfica, foi dispensado para se poupar dinheiro. Saiu no jornal oficial do clube, A Bola, que com a saída do marcador do segundo golo dos gregos (com gregos a tarefa é sempre árdua, a malta vê-se grega para lhes ganhar, desculpem a piada fácil) o Benfica poupou pouco mais de um milhão de Euros (1,3M€), demonstrando uma capacidade de gestão extraordinária ao rescindir com o sérvio Zivkovic. Ora, fazendo aqui umas contas rápidas de merceeiro, aquela rescisão custou à volta de 40 milhões aos cofres da lampionagem. Não faz mal, eles vão ali ao Novo Banco outra vez e resolvem!

 Ontem o Benfica arrasou na primeira parte, falhou até pelo menos dois golos feitos, mas o galo deixado atrás da baliza (agora dava jeito que o homem tivesse nascido em Barcelos e não em Penafiel) por Abel Ferreira com o intuito claro, todos percebemos, de se vingar das humilhações que por cá foi obrigado a sofrer sempre que defrontou os encarnados enquanto treinador do Braga, não deixou que o futebol avassalador dos portugueses fosse abrilhantado pelo sal do jogo. 

E como quem não marca sofre, na segunda parte primeiro por Verthongen na própria baliza (não evitaria o golo, já que havia um grego a quem se antecipou que o faria) e depois pelo tal sérvio da poupança, o Benfica encaixou dois no bornal e se desorientados andavam com o primeiro golo sofrido, com o segundo o rolo compressor, o futebol tríplice do Benfica (olá Jorge Jesus, bem vindo à realidade do futebol sem favores e colinho), transformou-se num grupo de casados, alguns barrigudos como eu e cheios de mazelas nos joelhos, que não mais se encontraram e o golo apontado por Rafa já nos descontos não veio acrescentar nada, o jogo estava mais que controlado pelos do PAOK de Salónica.

Eu não tenho dúvidas que a nível interno, se entretanto Vieira ganhar as eleições como está cozinhado, o investimento de 100 milhões (calma, as contas estão certas, o novo Guttmann ainda quer que lhe comprem mais gente para a defesa, portanto não andará longe disso no final do dia) dará frutos, perdão, fruta limpinha pronta a comer e só uma pandemia lhes retirará o primeiro lugar. Mas o que fazer então àquele rapaz Uruguaio e ao outro brasileiro que vieram para ser campeões europeus pelo Benfica? Olha, se calhar atrevo-me aqui a dar um conselho a Vieira: Que rescinda com eles para poupar uns cobres, ou que os venda ao PAOK. Assim pelo menos sempre têm uma vaga hipótese...

Espera-os a Liga Europa, onde corremos o risco de não chegar, porque temos uma pré-eliminatória para disputar e porque temos mais de meia equipa infectada com Covid, havendo a possibilidade de sermos eliminados sem sequer jogar, mas se tudo correr como desejamos, seria interessante disputar a final com o Benfica. É que temos umas continhas a ajustar com Jorge Jesus...

Um dia mau

Só ontem:

- 400 quilos de cocaína apreendidos no Porto de Leixões

- GNR apreende cerca de 23 mil pés de cannabis, a “maior” apreensão em Portugal e “uma das maiores da Europa”

- Benfica eliminado da Liga dos Campeões na pré-eliminatória

 

Há dias de azar!

 

O fracasso de Jesus

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1

O Benfica foi atirado borda fora do acesso à Liga dos Campeões pelo PAOK treinado por Abel Ferreira, apesar de a equipa grega custar oito vezes menos do que a de Lisboa. Derrotado em campo, o neobenfiquista Jorge Jesus apressou-se a fazer aquilo em que é exímio: exigir mais jogadores. Aproveitou a conferência de imprensa em Salónica para reivindicar mais um defesa e mais um avançado: sabe que Luís Filipe Vieira, em desespero perante o cenário de perder as próximas eleições no Benfica e de ser constituído arguido noutro processo-crime, lhe fará todas as vontades. Isto apesar de o SLB já ter contratado "reforços", com ou sem aspas, avaliados em 83 milhões de euros, sem ter vendido um só jogador. O que o torna no segundo clube europeu mais gastador neste primeiro mercado de transferências da era Covid, só ultrapassado pelo milionário Chelsea.

A fama deste treinador deve-se, acima de tudo, à sua capacidade reivindicativa: é incapaz de treinar um plantel barato - como fizeram, por exemplo, Leonardo Jardim e Marco Silva, que o antecederam no comando técnico do Sporting. Espreme ao máximo os recursos financeiros dos emblemas por onde vai passando, cada vez mais ao estilo toca-e-foge. Detesta a expressão "formar jogadores" e é-lhe indiferente qualquer perspectiva de lançar alicerces sólidos num clube, seja ele qual for.

Vendo os que ele ontem colocou em campo contra o PAOK confirma-se que em poucas semanas mandou às urtigas o "projecto formador" de que falava até há pouco o seu neopatrão Luís Filipe Vieira: os tais miúdos-maravilha saídos da incubadora seixalense ficaram no banco ou na bancada ou nem tiveram lugar no avião para a Grécia. De caminho, mandou às malvas o "projecto europeu" de Vieira, que ontem viu voar pelo menos 38 milhões de euros a que teria acesso só por disputar a Champions.

 

2

Para nós, sportinguistas, nada disto é novidade. Jesus passou três anos no Sporting a torrar dinheiro e queimar jogadores. Para vencer apenas um título: a Taça da Liga 2018, logo revalidada no ano seguinte por Marcel Keizer, técnico incomparavelmente mais barato.

Não há volta a dar: o balanço de Jorge Jesus no Sporting é negativo. Sobretudo no menosprezo que revelou por jovens jogadores. Em três anos, lançou com regularidade na equipa principal apenas dois: Gelson Martins e Rúben Semedo. Daniel Podence estava em vias de se tornar no terceiro nas vésperas do assalto a Alcochete. Muito pouco, para honrar a matriz formadora do nosso clube. 

A verdade é que Jesus deixou pelo caminho ou empurrou para a borda do prato jogadores como Ricardo Esgaio, João Palhinha, Matheus Pereira, Iuri Medeiros, Francisco Geraldes, Gelson Dala, Domingos Duarte, Ryan Gauld, Carlos Mané e Merih Demiral. Quase toda uma geração da formação leonina desprezada pelo "mestre da táctica". Vários deles não tiveram sequer oportunidade de jogar um só minuto sob a sua orientação na equipa principal. Teriam talvez de nascer "dez vezes", como o neobenfiquista chegou a dizer noutro contexto.


3
Agrada-me saber que esta aversão pelos miúdos oriundos da Academia parece ser coisa do passado. Confio em jovens como Luís Maximiano, Jovane Cabral, Eduardo Quaresma, Nuno Mendes e Joelson Fernandes como futuras figuras da selecção nacional. Aliás já com reflexos na mais recente convocatória para a selecção sub-21, em que o Sporting foi de longe o clube mais representado.

Quero ver estes - e outros, como Daniel Bragança, Matheus Nunes, Tiago Tomás e Gonçalo Inácio - com oportunidades reais, sabendo-se que o futuro começa a ser construído hoje e estes anos são decisivos para lançar carreiras. Faço votos para que esta geração de jovens jogadores consiga singrar de verde e branco, ao contrário da geração precedente.

Basta encontrarem o treinador certo, que aposte neles. Ou seja: que proceda exactamente ao contrário do que fez Jesus.

Uma treta

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A crise aperta? Afinal parece que não. Pelo menos para alguns. 

 

O Benfica saca por 24 milhões de euros um jogador uruguaio da segunda liga espanhola, com um arrepiante historial de lesões e apenas 20 golos marcados em competições oficiais seniores. Uma espécie de Cavani dos pequeninos. É quanto basta para se tornar de imediato o jogador mais caro do futebol português e a quantia envolvida constituir recorde absoluto na segunda divisão do país vizinho.

 

Entretanto um jogador de segunda linha do Porto acaba de rumar ao Wolverhampton. Currículo do rapaz? Anotem estes números impressionantes: jogou uma vez como titular na Liga, tem um golo marcado no campeonato e menos de 800 minutos ao serviço da equipa principal. "Argumentos" que bastaram para que "o clube mais português de Inglaterra" abrisse generosamente os cordões à bolsa, libertando 40 milhões de euros para os depauperados cofres do FC Porto. O que torna o rapaz no terceiro sub-18 mais caro do futebol mundial, ultrapassado apenas por duas contratações do Real Madrid.

 

Verbas astronómicas como estas, em tempos de severa contracção das receitas financeiras a nível mundial devido às incertezas da pandemia, deviam ser rastreadas como o novo coronavírus. Investigadas até ao último cêntimo.

Mas sou capaz de apostar que isso não vai acontecer. Conclusão: o chamado fair play financeiro no futebol continua a ser uma treta.

O Benfica pode ajoelhar

Texto de Rautha

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1

Percebo o alarido à volta do Benfica, de Jesus e dos milhões que se falam há dois meses.

Mas continuo a ver a mesma equipa que fez "meia dúzia de pontos" pós-paragem Covid-19, salvo um defesa central de qualidade e uma Cebolinha.

Cavanis, milhões para gastar, mas, objectivamente, estão na mesma. Com um treinador que conhece os cantos à casa mas a quem ainda não deram os "mundos e fundos" que pede sempre.

Agora é um Suárez, mas não é o Suárez. É um uruguaio mas não é um Cavani, embora pareça que vem a peso de ouro da segunda divisão espanhola.

O tal nome sonante tarda em aparecer. E Jesus pouco demora a ficar enervado. E quando Jesus se enerva... David Luiz acaba a lateral esquerdo.

Mas Jesus sabe "como o Benfica ganha", dizia ele no primeiro mês no Sporting. Acredito que saiba. E LFV também.

Acredito que o Benfica continue forte. Poderá até vir a ser a melhor equipa do campeonato. Mas também pode "ajoelhar" em alguns campos. E perder tudo ao "otxenta y otxo".

Porque Pizzi, Gabriel e André Almeida, os supostos "carrascos" de Vitória e Lage, continuam lá. E o campeonato português parece, para já, mais equilibrado. Pelo menos em contratações de qualidade.

 

2

Quanto ao pior inimigo do Sporting:

- O Sporting. Autofágico. A direcção que teima em vender Acuña em saldo. Entre outras pérolas deste mercado;

- Os árbitros (se não vem Cavani, sobra dinheiro... vêm João Pinheiro, Fábio Veríssimo e afins, "limpinho limpinho");

- A ausência de público (inimigo do Sporting e da sustentabilidade do futebol português).

 

O maior amigo do Sporting:

- A ausência de público (menor cobrança durante os jogos, menos apupos, ausência de tochas em cima do guarda-redes).


Acho que é isto.

 

Texto do leitor Rautha, publicado originalmente aqui.

Fechou-se o círculo

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Começámos a época goleados pelo Benfica, a 4 de Agosto de 2019. Trezentos e cinquenta e seis penosos dias depois, encerramos a época também derrotados pelo nosso mais velho rival: esta noite, por 1-2, no estádio da Luz.

Fechou-se o círculo: foi uma das piores temporadas de que há memória. Goleados na Supertaça, eliminados da Taça de Portugal por uma turma do terceiro escalão, eliminados da Taça da Liga pela equipa antes orientada pelo actual técnico do Sporting e hoje afastados do pódio por essa mesma equipa, agora entregue ao adjunto do adjunto.

Dizemos adeus à entrada directa na Liga Europa e aos três milhões de euros a ela associados. Humilhante afastamento em dois tempos: começou terça-feira, no miserável empate a zero em Alvalade com o V. Setúbal. Que já indiciava o naufrágio de hoje.

 

Como aqui escrevi há dois dias: não queremos mais disto, nunca mais.

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