Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Vasco Pulido Valente, benfiquista de gema

«Comecei logo por ser do Benfica (aos cinco anos?). Lá em casa havia a opinião, altamente absurda, que o Benfica estava "ligado" à "esquerda" e o Sporting ao regime. Nada disto fazia sentido. Os clubes populares de Lisboa eram o Oriental, o Atlético e até certo ponto o Belenenses. Não era o Benfica.»

«O Benfica do salazarismo também era uma organização autoritária. Os jogadores (que os dirigentes tratavam por "tu") dependiam inteiramente do clube, que regulava ao pormenor toda a sua vida. Com o "marcelismo" e o "25 de Abril", isto passou e o Benfica não se deu tão bem com a liberdade. A liberdade trouxe uma certa indisciplina e uma certa confusão, que pouco a pouco lhe reduziram a estatura e o domínio do futebol português.»

 

Vasco Pulido Valente

(Público, 10 de Maio de 2008)

O futebol português e os heróis do sofá

AlvaladeXXI1[1].jpg

 

1

Eis o futebol que temos, formatado e condicionado para a vitória sistemática do mesmo clube que envergonha o nome de Portugal nas competições internacionais: o Benfica, vencedor de seis campeonatos internos nos últimos sete anos, perdeu 12 dos últimos 15 jogos que disputou na Liga dos Campeões e sofre golos há 14 desafios consecutivos nas competições da UEFA. Explicação lógica: lá fora não beneficia dos favores da arbitragem nem de generosos autogolos concedidos por equipas adversárias.

Lá fora também as autoridades desportivas não permitem que um clube contrate jogadores só para os distribuir por equipas supostamente adversárias. Nem há televisões oficiais de clubes a transmitir em exclusivo as provas em que esses clubes participam - outra originalidade portuguesa, o escandaloso privilégio concedido à BTV.

Isto já para não falar do tratamento editorial totalmente diferenciado de que o SLB beneficia face aos clubes rivais. Basta apontar um exemplo: na mais recente assembleia geral benfiquista, 19 sócios subiram ao palanque para criticar o presidente dessa agremiação, mas nenhum deles foi procurado pelos canais de televisão cá do burgo para serem entrevistados. Se fosse no Sporting, alguns deles acampavam nos estúdios serão após serão e tornavam-se até "comentadores residentes". Dois pesos, duas medidas.

 

2

Este dirigismo domesticado, esta arbitragem vesga, este jornalismo que perdeu a virtude da isenção: eis factores fundamentais que contribuem para explicar o jejum de títulos leoninos neste século em que só por uma vez festejámos o campeonato nacional. Tirando a inesquecível Liga 2001/2002, o melhor que conseguimos foram seis segundos lugares - quatro com Paulo Bento, um com Leonardo Jardim e outro com Jorge Jesus.

Estivemos, é certo, à beira de novos festejos por três vezes: em 2004/2005 (com Dias da Cunha e José Peseiro), em 2006/2007 (com Soares Franco e Paulo Bento) e em 2015/2016 (com Bruno de Carvalho e Jorge Jesus). Mas erros clamorosos de arbitragem - tolerados por dirigentes inaptos e silenciados por uma comunicação social medrosa e cúmplice - impediram-nos de concretizar esse sonho ainda adiado.

 

3

Eis o pano de fundo. Não faz o menor sentido haver agora no Sporting quem se apresse a "exigir títulos", sobretudo no rescaldo do traumático ataque à Academia de Alcochete, que provocou um rombo desportivo, financeiro e reputacional à instituição leonina.

Tal como uma casa começa a ser erguida pelos alicerces e uma equipa começa a ser construída a partir da defesa, nenhum projecto com solidez, ambição e perspectiva de longo prazo pode ser edificado em Alvalade sem considerar o conjunto de circunstâncias que enumerei e lutar para superá-las, uma a uma.

Haverá, naturalmente, quem diga o contrário - são os heróis do teclado, instalados no conforto anónimo de um sofá doméstico. Infelizmente, as questões reais são muito mais vastas e complexas do que estes indignados das redes sociais imaginam na sua visão simplista. As forças estão há muito desequilibradas. Ao Sporting não basta superar os adversários em campo - é também preciso derrotá-los fora das quatro linhas.

ontem vi o jogo, hoje ouvi o spin

Ontem vi o Benfica perder um jogo que nunca (nunca!) esteve perto de ganhar. Os alemães, a jogar fora, com o mesmo 11 que defrontou o Bayern dias antes, foram superiores fisica, tecnica e tacticamente a uma equipa com vários jogadores novos e frescos que jogou, em casa, com o Gil Vicente. Tiveram várias oportunidades, com o GR do Benfica a ser (de longe) o melhor da sua equipa. 

Hoje fiquei a saber que:

- O Benfica lançou mais jovens que estiveram até acima das expectativas

- Tem de se compreender que o futebol alemão é mais competitivo.

- Poupar faz sentido que vem aí o Moreirense.

- O plantel do Benfica tem várias, inúmeras soluções, como ficou demonstrado. 

- O grupo é altamente competitivo



Espero que acreditem que lamento a derrota do Benfica. São menos pontos para os clubes portugueses, onde se inclui um Sporting infelizmente não tão forte como se gostaria nesta altura.  



p.s. a não "filmagem" de Lage nos adeptos (ou lá onde andou) só porque este pediu aos jornalistas é incompreensível. É objetivamente de interesse para o público em geral as reações e a fisicalidade do treinador do SLB na sua estreia na Champions. Com o seu tom simpaticão, cúmplice e metafórico, Lage consegue meter os jornalistas todos no bolso

13 Reasons why este mercado foi bom e há todos os motivos para se estar otimista

  1. Ontem, no canal 11, o presidente do Marítimo disse com ar simpático que acertara tudo com Vieira para que João Félix e Ferro fossem para a Madeira no mercado deste janeiro que passou. Só a troca de treinador na Luz fez abortar o negócio. Para dizer o quê? Que há muito, mas mesmo muito, de oportunidade, sorte e azar no mundo da bola.

  2. O Sporting foi objetivamente prejudicado no último jogo. Há um penalty sobre Raphinha não assinalado (árbitro e VARs coniventes) e pelo menos um dos que foram marcados a Coates é de gargalhada. O Porto foi beneficiado objetivamente por uma das expulsões mais abstrusas de que me lembro. O Benfica foi a Braga receber vários presentes de Natal, não tendo a equipa sido sequer testada, depois do baile que levou do Porto. Para dizer o quê? Que Deus e o demónio estão nos detalhes e que na bola é igual.  

  3. O mercado do Sporting foi dos melhores que me lembro. Falo desta fase, do fecho. Só no fim da época saberemos, mas eu sou do tempo de César Prates, Mpenza e André Cruz, que não excitaram ninguém quando apareceram. Sobre Acosta é melhor nem falar. Não houve videirinho do comentário da altura que não se risse da ciática.

  4. Porque é que foi dos melhores? Porque se faturou e imagino que seja necessário para fazer face aos encargos. Eu, para poder comprar a minha casa atual, também vendi a que tinha. E era uma casa do caraças.

  5. E foi dos melhores porque muita “tralha” se foi embora. Jogadores decentes, boa gente, mas cuja qualidade futebolística foi mais do que posta à prova, ficando claro que com eles jamais o SCP seria campeão. Acontece em todos os clubes ter “tralha” e o nosso não é exceção.

  6. Também foi dos melhores, porque os wild cards (sobretudo o playboy Jese) vieram emprestados, o que permite ao clube ganhar mais um ano para que haja produto da formação à altura e/ou scouting eficiente. Ou seja, não se gastou uma pipa de massa em Jese (como se gastou em Diaby, por exemplo) e vieram alguns jogadores “maduros” que podem ajudar. Podem ser flops? Podem. Mas também podem não ser.

  7. Foi dos melhores, porque se chegou a acordo sobre mais um jogador do caso Alcochete. É provável que Podence valha mais do que 7 milhões, mas é sempre melhor encaixar agora do que talvez mais daqui a uns anos valentes, mais as custas judiciais e o diabo a sete. Além disso, houve o bónus de Bruno Gaspar ter sido emprestado à boleia deste deal.

  8. Sobre “estratégias de comunicação” é difícil falar. Muitas vezes, na vida, as pessoas não estão dispostas para ouvir a chamada verdade. Nós, portugueses, somos especialistas nisso, basta ver o que dizem as sondagens eleitorais. Somos adeptos de quimeras, cenários idílicos, achamos que se acreditarmos muito no Pai Natal este passa a existir. Mas chega sempre um tempo em que a mensagem e quem a quer ouvir estão compatíveis. 

  9. A equipa de Varandas foi às compras com um saco de caramelos. O lateral francês talvez seja bom, Rafael Camacho talvez dê num negócio Raphinha, Eduardo talvez permita que se possa vender Wendel mais cedo. Mas fazer compras com saco de caramelos implica isto mesmo: apostar que talvez aquele restaurante com aspeto assim assim nos vá servir uma bela refeição. 

  10. Entretanto, a ideia que dá é que os sub-23 representam os “good old days” da formação a voltar devagarinho. Cada mês, cada seis meses, cada ano que passam, os garotos estarão mais próximos da equipa. 

  11. Há razões para otimismo? Fifty, fifty. Por exemplo, a jornada passada foi uma azia de todo o tamanho, mas Guimarães e Braga também perderam. Não ir à Champions é mau, mas não ir à Liga Europa seria uma tragédia. Thierry, que parecia verde como um abacate, acabou por render uns milhões. Vietto às tantas é craque. Bruno Fernandes ficou. 

  12. O que estou para aqui a dizer? Que o Sporting ainda está a ressacar a gestão Bruno de Carvalho. Essa gestão esticou a corda, foi ao limite, contratou dezenas de jogadores, pagando-lhes bem, teve um dos treinadores mais caros do mundo, com a obsessão do título que, é preciso dizer, quase vencemos. Eu, se vou de férias e gasto mais dinheiro, nos meses seguintes tenho de andar mais regrado.

  13. É uma perda de tempo acreditar na “união”. Os meus amigos do Benfica, mal empatam dois jogos seguidos, começam a dizer que o Vieira tem de dar lugar a outro. Mas também é inútil estar pessimista. A vida é feita de fases. O Sporting é o Sporting. Milhares de miúdos e miúdas são do Sporting e choram pelo clube, independentemente do número de campeonatos. Os seus filhos farão a mesma coisa.

Freak show

Aterro em Lisboa por volta das 18 horas de sábado, vindo de umas retemperadoras férias, e preparo-me para ver confortavelmente em casa o jogo da consolidação da liderança do Sporting no campeonato. Afinal, não foi bem assim. Em contrapartida, tive o privilégio de assistir a mais um momento de pioneirismo sportinguista: parece que o Sporting é o primeiro clube na história da Primeira Liga a sofrer três golos de penálti marcados por um visitante e o primeiro dos grandes a sofrer três golos de penálti, em casa ou fora. Parabéns Sporting! Chupem Benfica e Porto! Este é um recorde que nunca baterão.

Enfim, uma pessoa sente-se logo em casa. Mas faltava ainda mais qualquer coisa para completar o quadro: no dia seguinte, começo a ver o Porto-Guimarães. Felizmente, pude ir fazer outra coisa qualquer ao fim de 50 segundos, quando o árbitro decidiu expulsar um jogador do Guimarães. Se não é outro lance pioneiro, para lá caminha. Quase no fim do jogo, volto a ligar a televisão e vejo o Guimarães com dois jogadores expulsos e o Porto a ganhar apenas por 1-0. Pois, o Sporting não joga nada, mas pelos vistos o Porto também não parece grande coisa. A diferença talvez não esteja na qualidade de jogo.

Para terminar o agradável regresso ao lar, logo a seguir dizem-me que o Benfica aplicou mais uma das habituais cabazadas ao proclamado "quarto Grande" do futebol português. Bem-vindo a casa, Luciano! Deleita-te com o freak show do futebol pátrio.

Nós e os laços

Minuto 22, ontem, na Luz: Passe errado de De Tomas obriga Samaris a travar Tanque em falta. Livre para o Paços (do Record).

Aquilo que não nos dizem é que foi a segunda jogada cortada em falta por Samaris com os jogadores do Paços bem lançados para a baliza vermelha; o resultado estava em zero a zero e Samaris tinha de ser expulso neste lance. O jogo podia terminar na mesma 5-0 mas se os árbitros começam já a fazer vista grossa na primeira jornada, estamos mal, muito mal.

Dois jogos, dois jogadores expulsos nas equipas que defrontam o "Glorioso", ontem um penalty desbloqueou o 1-0 e uma expulsão desbloqueou o 2-0 e nós lá vamos, cantando e rindo, atirando pedras ao Keizer, levados, levados, sim.

"Preocupa-te mas é com nós" dir-me-ão. Estou preocupado (e chateado, também) mas não nos embrulhem logo na primeira jornada, com um lindo papel de lustro vermelho brillhante e um laço branco a condizer.

As derrotas que mais custam

1.. O Benfica utilizou na Supertaça dois reforços adquiridos este Verão: Chiquinho e Raúl de Tomás. O Sporting, apenas um: Neto, na defesa - por sinal, o único que chegou a "custo zero". Apesar de a SAD leonina ter gasto mais de 25 milhões de euros em aquisições.

2. O Benfica utilizou cinco jogadores da sua formação neste jogo: Ferro, Rúben Dias, Nuno Tavares, Florentino e Jota. O Sporting só usou um: Thierry Correia. E - não vale a pena alimentar dúvidas - apenas porque tem dois estrangeiros lesionados para a posição de lateral direito.

 

Isto confirma uma realidade bem amarga: também no capítulo do aproveitamento da formação e dos reforços saímos derrotados do Algarve.

 

Estas, para mim, são as derrotas que mais custam.

 

........................................................................

 

Leitura complementar:

Precisamos de um novo Leonardo Jardim (publicado a 23 de Março)

Super ou Normal? Meta Normal.

  1. Venceu o Benfica. Com justiça e, convém dizer o óbvio, como era esperado.
  2. Pessoalmente até temia um desnível como este. Como o Sporting é um “grande” não entra em finais com a predisposição dos clubes pequenos, em que os jogadores dão 20% ou 30% a mais em busca de fazer História e de serem vistos pelos olheiros certos.
  3. A época desportiva é do Benfica. Um dos pontos interessantes (digamos assim) é verificar quantas vezes vão perder, empatar ou até sofrer golos, tal é a sua superioridade individual, coletiva, técnica e física.
  4. Ou seja, embora possa dar jeito para descarregar alguma frustração, Keizer ou Varandas não são culpados de nada. Não foi Keizer que tentou driblar na área, mas sim Matthieu (grande jogador), nem foi Keizer quem disse a Thierry (grande personalidade e bom jogo) que se atrasasse no lance do primeiro golo.
  5. Se trocássemos Vieira ou Lage para o SCP, acho que tudo ficaria mais ou menos na mesma.
  6. Também não foi por falta de macumba de Keizer ou de Varandas que os presentes do lateral do Benfica no primeiro tempo não deram golo. Por vezes o futebol (ou a vida) é assim: o nosso Thierry demonstrou muito mais que Nuno Tavares, mas quem levou a taça, os encómios e a moral foi o benfiquista.
  7. Claro que Lage demonstrou ser mais sagaz que Keizer na segunda parte e Rafa e Pizzi (que não só jogam juntos há 150 anos como beneficiam de um curioso silêncio mediático) meteram o turbo. Mas é por estas e por outras que o Benfica está melhor, francamente melhor, que o Sporting.
  8. A questão física do futebol é para mim um mistério. Como é que equipas que até viajaram para a América, jogaram com equipas europeias decentes, etc, têm mais cinco ou seis pulmões que outras, escapa-me por completo.
  9. Embora compreenda o estilo de Varandas – que fala para a costela irracional do adepto, fingindo que fala para o seu cérebro – não tenho a certeza que seja o modo mais eficaz de encurtar o enorme abismo entre SCP e SLB.
  10. Se bem conheço a cabeça dos holandeses (e até conheço um pouco) eles não creem em salvadores ou homens providenciais, mas sim em sistemático hardwork.
    Achar que Bruno Fernandes funcionará por osmose e transformará a equipa numa espécie de super equipa de onze Brunos é tolo, mas dá a ideia que todos (exceto o treinador holandês) têm fezada numa coisa dessas. Note-se que o Sporting não vence em jogo jogado há mesmo muito tempo e muitos jogos (perdemos no Porto, empatámos na final Taça, a pré-época foi o que foi, ontem foi o que foi).
  11. Temos todos os motivos para um certo otimismo. Fazer uma época com bom futebol, potenciar jovens, bravos e valiosos jogadores, ir longe na Europa League e tentar ganhar as taças (que no ano passado, não o esqueçamos, nos caíram mais ou menos do céu, porque ganhar em penáltis não é bem a mesma coisa que ganhar lá dentro).

TKO

O Sporting foi ontem goleado. É importante que não se esconda nada do que aconteceu pois só com memória do hoje se melhora o amanhã. E aconteceu tanta coisa...

Marcel Keizer saiu do jogo totalmente derrotado. Domado, vergado. Esta tareia vergou completamente o espírito do nosso treinador. Até mais do que jogadores. Azar? Sim, algum.  Incompetência? Tudo o resto.

O Sporting contratou Plata e Camacho para as alas. Ainda tem no seu plantel Joelson Fernandes e Jovane Cabral. Como se escolhe Diaby? Alguém que, quando está a perder 3-0, mete o Diaby não pode saber o que está a fazer. Qual é o propósito? Uma remontada por 3-4? Não sofrer mais golos? Nem uma coisa nem outra. Ainda sofremos mais dois golos. Diaby não recuou UMA vez para ajudar a defender e foi, mais uma vez, inócuo na frente.

O esquema de três centrais também não funcionou. E percebe-se o motivo. Seis jogos na pré-época e não se ensaiou o mesmo. Quando é a doer, é normal que se cometam erros como quando Mathieu tentou ser uma rotunda que Coates não conseguiu contornar. Resultado? Outra bola lá dentro.

Bas Dost, um jogador com características únicas, não é rentabilizado. Não jogamos um futebol onde se mete a bola para um tipo que fez setenta golos nas últimas épocas poder finalizar.

Ao menos a noite não foi amarga para todos. Há sempre os do "eu bem avisei", todos contentes a bailar nas redes sociais. Desde anónimos a advogados. Esses ganham sempre. Todos felizes porque isto foi um prego no caixão do Varandas. Se eu ficasse feliz por o Sporting perder, ainda por cima por cinco, preferia borrar a cara com estrume.

Creio que perdi qualquer tipo de esperança em Marcel Keizer, tal como ele tão perdido pareceu ontem. Perdemos e perdemos bem. O Ferrari Vermelho nem precisou de recorrer a nenhum truque do apito. Perdemos por TKO. 

Segunda e última

image_content_1917866_20181215143520[1].jpg

 

Sofremos ontem a segunda humilhação frente ao Benfica em seis meses. No início de Fevereiro, fomos derrotados em Alvalade por 2-4 para o campeonato. Eu estava lá e senti-me envergonhado, como tantos outros adeptos.

Ontem foi ainda pior: saímos do estádio do Algarve goleados por 0-5 - resultado inédito, para nós, num clássico disputado em campo neutro e 33 anos após o último desfecho por esta marca, numa partida desenrolada na Luz. Como equipa pequena, temerosa, inofensiva, irrelevante, adoptando um esquema táctico que não fora testado e um índice de aproveitamento ofensivo miserável, em comparação com o SLB. Num jogo em que podíamos ter sofrido mais dois ou três. Coroando uma desastrosa pré-temporada - a pior de que me lembro desde sempre, sem uma vitória sequer para amostra em seis jogos, com sucessivos (e inaceitáveis) colapsos defensivos e uma chocante apatia da equipa técnica, incapaz de reagir ao infortúnio. Aqueles que desvalorizam as pré-temporadas deviam ter estado atentos logo aos primeiros sinais negativos - quando fomos derrotados por uma equipa amadora, da terceira divisão suíça.

Para mim, com este treinador, esta segunda humilhação seria a última. Por muito menos Frederico Varandas correu com José Peseiro em Outubro do ano passado.

 

P. S. -- Dezasseis golos sofridos nos mais recentes sete jogos.

A César o que é de César

Já aqui zurzi em Ana Gomes, ex-eurodeputada do Partido Socialista, não tenho dúvida de que com razão.

Ora não sendo este um local de discussão política, mas estando e fazendo a política parte do nosso quotidiano, não posso, na sequência do post do José Cruz, deixar de publicar a resposta daquela militante socialista, ao e-mail/resposta de Carlos César, enquanto presidente do PS e nessa qualidade, a Luis Filipe Vieira. Cá vai:

"Agradeço ao presidente Carlos César o afã de esclarecer o óbvio: Ñ(ão) represento o PS e o q(ue) digo e escrevo só me vincula. Sendo socialista, e ñ(ão) apparatchik, não abdico de dar uso à minha cabeça... Já César, usa o q(ue) pode face a Vieira: a César, o q(ue) é de César."

Esclarecedor...


Socialismo Lisboa e Benfica

"O PS já respondeu à carta que o Benfica escreveu e na qual solicitava um esclarecimento sobre se o partido se revia nas opiniões da ex-eurodeputada Ana Gomes.

Na resposta ao clube da Luz, o presidente do partido, Carlos César, explica que «as opiniões da Dra. Ana Gomes refletem apenas uma posição própria e pessoal que, tal como em muitos outros casos, não vincula o Partido Socialista».

Aliás, o PS escreve ainda que «não tomou qualquer posição institucional sobre o assunto».

A 11 de julho, o Benfica solicitou ao Partido Socialista que este esclarecesse «de forma a não subsistirem publicamente quaisquer potenciais equívocos, se as declarações proferidas por Ana Gomes refletem a opinião do partido ou se, ao invés, tais declarações não merecem senão rejeição e repúdio» do PS.

Refira-se que os encarnados anunciaram que iriam processar Ana Gomes devido a uma resposta no Twitter a uma publicação sobre a transferência de João Félix do Benfica para o At. Madrid. Ana Gomes questionou se não seria «um negócio de lavandaria». O clube da Luz considerou, então, que a ex-eurodeputada estava a insinuar tratar-se de uma operação de lavagem de dinheiro/branqueamento de capitais.", retirado do MaisFutebol

Caladinhos e rabinho entre as pernas que é ano de eleições.

Políticas

É indispensável ler este texto d'O Artista do Dia. Nele se mostra que o Sporting foi a equipa mais indisciplinada da Liga 2018-19: foi a oitava equipa mais faltosa, a que mais cartões amarelos teve e a segunda que mais cartões vermelhos teve. Neste último caso, a par com o Benfica, é verdade, mas com consequências muito diversas, dependendo da altura do jogo em que as expulsões ocorreram: o Benfica jogou apenas 25 minutos em inferioridade numérica durante todo o campeonato, o Sporting jogou quase quatro vezes mais, 95 minutos, mais do que o tempo de um jogo inteiro. Este ano, a coisa chegou a estes extremos, mas há vários anos que vem sendo mais ou menos assim. E parece-me que é deliberado. Num campenonato em que grande parte da táctica dos pequenos contra os grandes é a sarrafada, o Sporting só pode aparecer em conjunto com eles por um esforço propositado para que assim seja.

Eu não acredito em teorias da conspiração, mas acredito em políticas. Não acho que exista uma cabala contra o Sporting, mas acho que existe uma política deliberada para criar um ou dois superclubes portugueses, como já existem por essa Europa fora, excepto em Inglaterra ( entre os cinco grandes): o Barcelona domina o campeonato espanhol (com o Real Madrid muito próximo), o PSG domina o francês, a Juventus o italiano, o Bayern o alemão (praticamente sem oposição em nenhum destes casos). Cá em Portugal, parece-me que há uma política de promoção do Benfica a este estatuto (com o Porto muito próximo). Mas para isso é preciso afastar o incómodo Sporting e pô-lo a competir numa espécie de segunda linha, onde estaria também o Braga (outro dos grandes beneficiados dos últimos tempos). Esta política não nasce propriamente da maldade de ninguém, mas dos planos cada vez mais insistentes para criar uma superliga europeia, eventualmente fechada, i.e. sempre com os mesmos clubes. É verdade que alguns desses planos não incluem muitas vezes sequer qualquer clube português. Mas haverá aqui uma tentativa de não perder o barco e dizer que há pelo menos dois que merecem lá estar (um exemplo desta conversa pode ser visto aqui). Não se julgue que isto é assim tão exótico: já existe pelo menos no basquetebol, com a Euroliga, onde jogam sempre os mesmos e entram depois uns quantos numa pequena janela de oportunidade; estes acabam invariavelmente de regresso ao seu nível secundário, por incapacidade para mobilizarem meios que os ponham a competir ao nível mais elevado.

O anterior presidente do Sporting tinha demasiados defeitos para ser presidente do Sporting, mas tinha, pelo menos, uma ideia certa, expressa na célebre "teoria das nádegas". Eu acho que essa teoria é verdadeira e que o desafio mais decisivo do Sporting nos próximos anos será resistir a estas pressões para a sua secundarização. Só espero que a direcção do Sporting tenha identificado o problema e concebido uma boa estratégia para o vencer.

Manobras de diversão

O crucial não é discutir se houve ou não penálti a favor do Rio Ave. O crucial seria discutir o evidente fora-de-jogo de João Félix no segundo golo do Benfica.

 

O vídeo-árbitro funcionou como manobra de diversão. Ora vejamos a sequência: há uma jogada polémica na grande área do Benfica, o árbitro deixa seguir e, logo depois, o Benfica marca um golo em fora-de-jogo. Aí, o árbitro manda interromper o jogo para que se possa consultar o vídeo-árbitro. Pensei que ele queria examinar o lance do golo. Mas não! Ele quis clarificar a jogada anterior!

 

Na verdade, a jogada é dúbia. Mesmo com a repetição das imagens, é difícil de dizer se realmente o penálti se justificaria, por isso, não se pode verdadeiramente censurar o árbitro por não o ter assinalado. Mas não era isso que importava a Hugo Miguel. Importou, sim, desviar as atenções de um golo marcado de forma irregular.

 

A discussão à volta da existência, ou não, da grande penalidade é outra manobra de diversão, alimentada pelos media, a desviar do essencial.

Onde está o Benfica? (2)

claque.jpg

image.jpg

 

Mais uma vez a turba benfiquista surge a provocar - agora vandalizando os veículos que transportaram os adeptos do Sporting para um jogo de andebol. Nessa provocação glorificando o assassínio: o de um adepto sportinguista, perpetrado num estádio de futebol, acontecido há já 23 anos; e outro, mais recente, de um adepto sportinguista, atropelado intencionalmente nas imediações do estádio da Luz. Como há já algum tempo aqui referi (e não vou agora repetir argumentos ...) esta já tradição benfiquista, um verdadeiro culto da morte, não provoca nenhum repúdio da direcção daquele clube. E convém lembrar que o presidente do Benfica, no momento mais baixo dos seus quinze anos de presidência, chegou ao cúmulo de comentar, aquando do mais recente assassinato (cujo autor está em liberdade, ao que julgo saber), sobre a pertinência do assassinado estar nas redondezas do estádio benfiquista.

Há silêncios que são tonitruantes. E há silêncios que são abjectos. Este silêncio da direcção benfiquista é tonitruante e desprezível, denotando explicitamente de que matéria (i)moral é feita a gente que a integra. O silêncio do Estado diante disto é também inaceitável. E denota a incompetência ensonada dos seus governantes.

 

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D