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És a nossa Fé!

Fechou-se o círculo

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Começámos a época goleados pelo Benfica, a 4 de Agosto de 2019. Trezentos e cinquenta e seis penosos dias depois, encerramos a época também derrotados pelo nosso mais velho rival: esta noite, por 1-2, no estádio da Luz.

Fechou-se o círculo: foi uma das piores temporadas de que há memória. Goleados na Supertaça, eliminados da Taça de Portugal por uma turma do terceiro escalão, eliminados da Taça da Liga pela equipa antes orientada pelo actual técnico do Sporting e hoje afastados do pódio por essa mesma equipa, agora entregue ao adjunto do adjunto.

Dizemos adeus à entrada directa na Liga Europa e aos três milhões de euros a ela associados. Humilhante afastamento em dois tempos: começou terça-feira, no miserável empate a zero em Alvalade com o V. Setúbal. Que já indiciava o naufrágio de hoje.

 

Como aqui escrevi há dois dias: não queremos mais disto, nunca mais.

Prognósticos antes do jogo

Chega ao fim mais um campeonato nacional - para nós, já de triste memória. Começámos a época com Bruno Fernandes, Bas Dost, Mathieu e Raphinha. Terminamos hoje sem nenhum deles. Faltou-nos em talento o que nos sobrou em número de treinadores (Marcel Keizer, Leonel Pontes, Silas e Rúben Amorim).

Conseguiremos uma despedida em grande na Luz, logo à noite, a partir das 21.15?

Faremos melhor do que a triste e lamentável derrota por 0-2, em Alvalade, na partida da primeira volta desta Liga 2019/2020?

Aguardo pelos vossos palpites a partir de agora.

Da absoluta falta de vergonha

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Foto: Manuel de Almeida / Lusa

 

Há cinco anos, Jorge Jesus chegou ao termo da relação contratual que mantinha com o Benfica: a entidade patronal decidiu não lhe renovar o vínculo apesar de se ter sagrado campeão nacional de futebol. Em articulação estreita com Jorge Mendes, empresário do treinador, "ofereceu-lhe" um longínquo desterro no emirado do Catar que culminaria numa hipotética transferência para o PSG - tudo à revelia do técnico, apanhado de surpresa neste fim de linha quando pretendia permanecer na Luz.

Sabe-se o que aconteceu depois. Jesus recusou o emirado e atravessou a Segunda Circular, convidado por Bruno de Carvalho para treinar o Sporting. Vieira, furioso, declarou guerra ao seu "melhor amigo". O treinador e a sua equipa técnica foram impedidos de entrar nas instalações do Seixal para esvaziarem os cacifos com os seus pertences, a fotografia de Jesus no bicampeonato foi de imediato retirada da "megaloja" benfiquista e logo os papagaios tarefeiros (incluindo um fulano que é agora deputado) começaram a denegri-lo serão após serão nas pantalhas onde lhes dão tempo de antena.

Valeu de tudo. Acusaram-no de roubar software do clube em benefício do Sporting, negaram-lhe o pagamento do último salário na Luz e moveram-lhe até um processo-crime exigindo uma inédita indemnização de 14 milhões de euros por supostos prejuízos jamais confirmados, sempre com o incentivo nada desinteressado dos cartilheiros de turno, especialistas em danos reputacionais.

A 7 de Setembro de 2016, em entrevista à TVI, Vieira foi peremptório: «Jorge Jesus não serve para este Benfica.»

 

Pois o indivíduo que há cinco anos colocou os patins a Jorge Jesus e atiçou a matilha contra ele é o mesmo que agora, acossado por uma sucessão de escândalos judiciais e vergado a uma humilhante derrota em recente assembleia geral, vai buscar o treinador ao Rio de Janeiro, como se fosse mordomo dele, e lhe oferece boleia em jacto privado, prontificando-se a pagar pelo menos 25 milhões de euros só para o trazer de volta e prometendo-lhe «o maior investimento da história do Benfica». Ridicularizando o administrador financeiro da SAD benfiquista, que em recentes declarações avisara: «Provavelmente haverá uma travagem em termos de investimento, admito que haja uma redução, este ano investimos cerca de €60 milhões.»

O motivo é só um: daqui a três meses haverá eleições no clube. Vieira, presidente desde 2003 e tendo visto fugir para o FC Porto o segundo campeonato em três anos, está apavorado com a hipótese de ser chumbado nas urnas.

Até onde chega o desespero. E, sobretudo, até onde chega a absoluta falta de vergonha.

Jorge Jesus no Benfica

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Como com quase todos acontecerá, sigo com vários familiares e amigos, além de inúmeros conhecidos, que são adeptos do Benfica. Têm eles agora, no âmbito destas nossas paixões clubísticas, toda a minha solidariedade e carinho. Bem lembro a raiva com que vituperaram o treinador de futebol, sentindo-o e sabendo-o desonrado traidor dos seus elevados sentimentos, no desprezo pelo Benfica que adoram, mas também como incompetente, incapaz de valorizar os recursos do clube, decerto também porque até homem e profissional de comportamentos desviantes, bem como imoral agente  ... Bem lembro a ânsia, ao que me diziam totalmente justificada, de ver o tribunal fazê-lo pagar bem caro as aleivosias que praticara contra o popular clube do qual são adeptos.

E agora, passado nem tanto tempo assim, encontram tal homem a regressar ao clube que é deles, a que tanto se dedicam e amam. E regressa pela "porta grande", como que se em triunfo. O futebol é assunto de rivalidades mas não pode ser estufa de inimizades. Por isso neste estranho e injusto momento os benfiquistas, meus amigos reais, meus familiares, meus conhecidos, e todos os outros, têm a minha sentida, profunda, humanitária, solidariedade ...

Vale tudo

Uma oportuna "fífia" do guarda-redes Helton Leite, ao precioso minuto 13 do jogo que opunha ontem o SLB ao Boavista, quando a equipa visitante dominava a partida na Luz, funcionou como abre-latas para uma folgada vitória encarnada, escancarando uma avenida para as papoilinhas saltitantes.

Acontece que, segundo notícias que não vi desmentidas, este guarda-redes está prestes a assinar pelo Benfica. Neste caso, na linha dos policiais clássicos, já se percebeu quem é o mordomo.

A "chama imensa" por Jesus

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Bruno Lage, que alguns pândegos de fanática militância encarnada há uns meses proclamavam como «novo Mourinho», foi de queixo ao chão no Funchal: duas derrotas consecutivas no campeonato, em casa contra Santa Clara e fora contra o periclitante Marítimo, afastaram o antigo menino prodígio do comando técnico do SLB.

Aliás o malogrado treinador começou por ser afastado da conferência de imprensa posterior ao jogo, dando lugar ao presidente do clube, que com suprema hipocrisia fez de porta-voz do técnico, proclamando que este assalariado é que tomara a iniciativa de cessar funções. Assim, em vez de «Vieira demite Lage», como de facto aconteceu, o título noticioso passou a ser «Vieira aceita demissão de Lage». Não concebo forma mais cobarde de gerir um clube: eis o futebol a imitar o pior da política.

É caso para dizer que foi literalmente corrido a pontapé: negam-lhe, por esta via, o direito à indemnização a que tinha direito por contrato renovado apenas há sete meses e chegam ao ponto de lhe negarem até o direito à palavra. Mais uma página vergonhosa no futebol do Benfica, que acaba de correr com o segundo treinador em ano e meio: espero que mereça o repúdio da associação profissional do sector.

 

Jorge Jesus - garante a imprensa da especialidade - é o preferido do ainda presidente benfiquista, que lhe terá dito de Lisboa para o Rio de Janeiro: «Anda-te embora e depois falamos».

É conhecido o carinho que ambos dedicam um ao outro, ao ponto de Jesus, há cerca de um ano, ter chamado «meu presidente» a Vieira numa sessão pública. Para que ficasse devidamente registado.

Longínquos são já os tempos em que ele e a sua equipa técnica custaram 25 milhões de euros em três épocas no Sporting que se saldaram pela conquista de uma Taça da Liga - a mais cara do futebol português. Aliás ele nunca escondeu por que motivo trocou a Luz por Alvalade, em 2015: «Mudei, porque fui obrigado.»

 

E se ele acabar mesmo por regressar ao SLB? Devemos ter receio de enfrentá-lo como adversário? São questões que deixo à consideração dos leitores. Responda quem quiser.

O caluniador

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Na noite passada, após ter visto a sua equipa perder pela primeira vez desde sempre contra o Santa Clara no estádio da Luz com quatro golos sofridos, algo que não acontecia desde 1997, o treinador do Benfica procurou virar o foco da derrota para os jornalistas, usando palavras inaceitáveis. Por serem lesivas da honra e da consideração devidas aos profissionais da informação.

«Às vezes fico a pensar quem é que vocês andam a tentar promover para ficar no meu lugar ou quem é que lhes anda a pagar alguns almoços ou alguns jantares ou algumas viagens para entrar aqui no meu lugar», declarou Bruno Lage numa conferência de imprensa realizada naquele estádio e transmitida em directo para o país inteiro ver, ouvir e fixar.

Para meu espanto, nenhum repórter ali presente contestou de imediato o conteúdo calunioso desta declaração. E nem um só abandonou a sala em protesto contra a grosseria do treinador, como se impunha. Passividade e resignação, comer e calar: eis um exemplo inequívoco de uma classe profissional incapaz de se dar ao respeito. E que não pode queixar-se, portanto, de ser tratada desta forma por um indivíduo que saltou do anonimato para a fama em poucos meses precisamente devido aos jornalistas que agora insulta só porque um jogo lhe correu mal.

 

ADENDA: A reacção, há minutos, do Sindicato dos Jornalistas. E a da Associação dos Jornalistas de Desporto

A voz do leitor

«Sejamos muito claros: em Portugal só não se decidiu este tema porque o Benfica não está em primeiro. Se a decisão fosse pela classificação actual, o Benfica não queria, porque está em 2.º lugar. Se a decisão fosse não haver campeão, e a qualificação para as competições europeias ser com base na classificação actual, o Benfica também não queria, porque assim não teria acesso directo à Liga dos Campeões, uma vez que teria de disputar uma pré-eliminatória. E assim vamos andando: toda a 1.ª Liga, e por arrasto toda a 2.ª Liga, ao sabor dos interesses de um clube.»

 

Vítor Hugo Vieira, neste meu texto

Guerreiros da treta

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Vejo por aí alguns comentadores inebriados nas pantalhas com aquele clube minhoto que, intitulando-se Sporting, equipa de vermelho.

Dizem os fulanos, nos canais onde peroram, que o tal clube «já é um grande». Apesar de nunca haver ganho um campeonato nacional, ter conquistado apenas duas Taças de Portugal separadas por meio século e não contar com um só adepto nesses mesmos painéis televisivos. O que é sintomático: se fossem grandes, proliferavam nos ecrãs como cogumelos. Afinal, nem um para amostra.

Mas a melhor forma de comprovar que o Braga não passa de uma agremiação sem o estofo nem a dimensão que alguns apregoam por aí está na vassalagem que esse clube continua a prestar ao Benfica. Bem reflectida na súbita frouxidão que se apodera dos seus jogadores quando defrontam a equipa-mãe, tanto na pedreira como no alguidar.

Intitulam-se "guerreiros", mas nesses jogos mais parecem pacifistas de bandeira branca desfraldada.

 

Os números falam por si.

2015/2016:
Braga, 0 - Benfica, 2
Benfica, 5 - Braga, 1

2016/2017:
Braga, 0 - Benfica, 1
Benfica, 3 - Braga, 1

2017/2018:
Braga, 1 - Benfica, 3
Benfica, 3 - Braga, 1

2018/2019:
Braga, 1 - Benfica, 4
Benfica, 6 - Braga, 2

2019/2020:
Braga, 0 - Benfica, 4

 

Balanço dos "guerreiros" nestas cinco temporadas do campeonato nos amigáveis disputados com a casa-mãe:
- Nove jogos, nove derrotas;
- 7 golos marcados, 31 golos sofridos.

Não me admiro com nada disto. Só me espanta ver alguns a bater palminhas perante números tão vergonhosos.

Rescaldo do jogo de ontem

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Foto minha, ontem, durante o jogo

 

 

Não gostei

 
 

De perder com o Benfica.  Segunda derrota em cinco meses frente ao nosso mais velho rival. Depois da goleada na Supertaça, no estádio do Algarve, ontem perdemos por 0-2 em Alvalade. Sete golos sofridos, nenhum marcado. Com dois treinadores. O da primeira derrota, Marcel Keizer, despediu-se praticamente com aquele péssimo resultado. Resta agora ver quanto tempo Silas irá aguentar.

 

Do onze inicial. Ter Battaglia (enfim recuperado) no banco e preferir Idrissa. Ter Neto já disponível e preferir Ilori. Ter Pedro Mendes enfim inscrito e preferir Luiz Phellype. Incompreensíveis opções do treinador para os titulares deste clássico. Nenhuma resultou.

 

Das péssimas construções ofensivas. Durante quase toda a primeira parte, a nossa saída com bola viu-se gorada em cerca de dois terços das situações devido à pressão alta exercida pelos jogadores do Benfica, obedecendo às instruções do seu treinador, Bruno Lage. Destaque pela negativa, neste capítulo, para Ilori, Wendel e Idrissa Doumbia.

 

Das substituições falhadas. Com o resultado em branco, aos 74', Lage apostou na vitória ao trocar Chiquinho por Rafa - arma secreta que saiu do banco e apontou os dois golos encarnados, aos 80' e aos 90'+9. Silas esperou demasiado para mexer na equipa, limitou-se a ser reactivo nas substituições e esteve mal nas trocas - Bolasie por Plata (79'), Idrissa por Pedro Mendes (86') e Camacho por Borja (90'+2).

 

De Ilori. Definitivamente, este jogador não tem categoria para integrar o plantel do Sporting. Os dois golos que sofremos nascem de erros dele - o primeiro ao propiciar que Rafa se apoderasse da bola numa série de ressaltos em zona proibida, o segundo ao entregá-la com um corte defeituoso. Há sete anos, fez questão de abandonar o Sporting, mostrando extrema ingratidão pelo clube que o formou. Agora somos nós que fazemos questão de que ele saia. Quanto mais cedo melhor.

 

De Idrissa Doumbia. Andou errante no primeiro tempo, parecendo sempre fora de posição, e demonstrou muita dificuldade em receber a bola e distribuí-la com critério. Impressiona, a sua debilidade no capítulo técnico - sobretudo num jogo desta dimensão, contribuindo para a intranquilidade da equipa. Tentou o golo, aos 63', mas sem pontaria.

 

De Wendel. Terá sido ontem o campeão dos passes falhados, em zonas cruciais do terreno. Silas mandou-o posicionar-se em linha com Idrissa na posição de médio defensivo - missão que não parece agradar ao brasileiro. Logo aos 2', numa perda de bola, permitiu que Gabriel se infiltrasse na nossa área. Aos 30', ao desinteressar-se de um lance junto à ala esquerda, foi ele a forçar Acuña a fazer falta para cartão amarelo. Revela défice de combatividade, sobretudo nas situações de bola disputada, em que parece fugir do contacto físico.

 

De Luiz Phellype. Voltou a ser uma nulidade, como já tinha acontecido frente ao FC Porto e ao V. Setúbal. Parece esconder-se do jogo: está sempre onde não é necessário e falha nos momentos cruciais. O cúmulo da sua ineficácia aconteceu aos 34', quando estava em claríssimo fora-de-jogo: procurou desviar a trajectória da bola disparada por Acuña, que foi certeira para o fundo das redes, sem conseguir tocá-la, mas interferindo no lance ao ponto de tornar ilegal o golo. Aos 57', viu um cartão amarelo (que bem podia ter sido vermelho) por uma falta absolutamente desnecessária muito longe de uma zona de perigo. Lento, apático, pesado, é sem dúvida um dos protagonistas deste fracassado Sporting 2019/2020 no terreno de jogo.

 

Do pavor que se apodera da equipa em cada lance de bola parada defensiva. Quase todos os jogadores do Sporting tremem nestas ocasiões, algo absolutamente incompreensível. Apetece perguntar o que fazem nas sessões de treino. E onde estão os especialistas em motivação competitiva e apoio psicológico prometidos pelo presidente da SAD no início da época.

 

Do árbitro Hugo Miguel. Deixou sem punir dois jogadores encarnados em faltas muito duras sobre Bruno Fernandes: primeiro o inimputável Pizzi, aos 38', que travou à margem das leis de jogo uma arrancada do nosso capitão que prometia terminar em golo; depois Gabriel, que agrediu Bruno com a mão no baixo ventre. A impunidade do costume: em termos disciplinares, o Benfica continua a ser um caso à parte, eternamente protegido pela arbitragem portuguesa. O caso só muda de figura quando joga nas competições da UEFA.

 

Da insegurança no Estádio José Alvalade. É inadmissível que os agentes policiais proíbam os espectadores que pagam os seus bilhetes de entrarem com bolos e sandes enquanto fazem vista grossa à entrada de material pirotécnico, como ontem sucedeu, levando à interrupção do jogo durante quase seis minutos e à debandada de muita gente que se encontrava nas bancadas, sobretudo com filhos menores, enquanto o relvado ardia e milhares de pessoas eram forçadas a inalar fumos tóxicos.

 

Da segunda derrota consecutiva em casa. Após termos cedido os três pontos frente ao FCP, aconteceu agora o mesmo contra o SLB. E ainda só estamos na primeira volta. Na segunda, teremos de ir a Braga, a Guimarães, a Vila do Conde, a Famalicão, ao Dragão e à Luz. De momento temos mais derrotas do que Benfica, Porto, V. Guimarães, Famalicão, Gil Vicente, Boavista, Marítimo e V. Setúbal.

 

 

Gostei

 

De Rafael Camacho. Exibição muito positiva do jovem extremo de 19 anos que veio do Liverpool no Verão passado. Desta vez actuou como titular e fez jus à prova de confiança que o técnico nele manifestou. Imperou no corredor direito, sobretudo na primeira parte, destacando-se igualmente em tarefas defensivas. Foi protagonista das duas únicas ocasiões de golo do Sporting: aos 13', levou a melhor no duelo com Ferro e rematou com força, levando a bola a embater no poste; aos 33', cabecou como mandam as regras à boca da baliza, forçando Vlachodimos a uma grande defesa. No segundo tempo, aos 65' e 66', protagonizou excelentes jogadas de ataque do Sporting.

 

De Acuña. Mesmo condicionado por um cartão amarelo quando ainda faltava mais de uma hora de jogo, não esmoreceu nem deixou de se entregar à luta. Foi sempre um dos elementos mais desequilibradores da nossa equipa e um dos raros que se mantiveram em bom nível do princípio ao fim. Merecem destaque uma recuperação de bola aos 6', um cruzamento perfeito para a cabeça de Camacho aos 33' e o golo que chegou a marcar no minuto seguinte, também num centro a partir da esquerda, invalidado por fora de jogo posicional de Luiz Phellype. Infelizmente, o cartão amarelo que o argentino viu nesta partida deixa-o fora da meia-final com o Braga para a Taça da Liga, já na próxima quarta-feira.

 

De Mathieu. Persiste em ser uma das escassas referências de qualidade no onze titular leonino. Destacou-se numa sucessão de cortes providenciais - aos 8', 29', 37', 56', 62' e 79'. Mesmo ao cair do pano, já aos 90'+8, tentou o golo com um remate acrobático que saiu ao lado. O internacional francês bem o teria merecido.

 

De Max. Sem responsabilidade nos golos sofridos, esteve em bom nível ao travar um tiro de Pizzi aos 12' e ao desviar para cima da baliza um cabeceamento de Gabriel, à queima-roupa, na sequência de um canto, aos 21'.

 

De Bruno Fernandes. Terá sido o seu último jogo de verde e branco em Alvalade? Se foi, merecia seguramente outro cenário. Sem tochas arremessadas para o relvado nem incêndios nas bancadas, sem greve aos aplausos promovida pelas duas claques leoninas durante o primeiro tempo, sem as faltas impunes que foi sofrendo ao longo da partida e sobretudo sem este triste resultado, que em nada se coaduna com o seu valor.

Não me venham com as claques!

Não são as claques que escolhem os jogadores.

Não são as claques que os compram.

Não são as claques que contraram os treinadores.

Não são as claques que escalam quem vai a jogo.

Não são as claques quem determina a táctica.

Não são as claques que encomendam arbitragens "inteligentes".

Não são as claques que têm falta de qualidade, empenho e raça.

Apesar de as claques serem uma bela e valente merda!

E hoje mais uma vez fizeram merda (não terão gostado do testemunho do Max, digo eu...).

Mas foram as claques que perderam o jogo?

Foram as claques?

Não, não foram!

Quem perdeu o jogo foi a falta de qualidade de quase todos os que estavam lá dentro, desde Ilori  ao "ponta de lança" que tem um cu que pesa uma tonelada. E o Wendel, que é exímio no "para trás e para o lado", tão característico do nosso futebol, há anos... e do Ristovsky, que não sabe parar uma bola em condições e do Doumbia que parece que tem molas quando tem a bola nos pés e invariavelmente a perde e do Bolasie que em quarenta oportunidades de golo não marca uma. E quando assim é, não colhe o "número" das claques. Ainda que as claques sejam efectivamente uma valente merda. E que eu me envergonhe de ter umas claques de merda no meu clube e de se ter que entregar os cabecilhas daquilo às autoridades e impedi-los de entrar em recintos desportivos, sob pena de nunca mais termos paz em Alvalade.

O assunto claques é um caso de polícia (que aliás não entendo como não actuou naquela bancada como actuou nas outras), sendo um problema que tem que ser resolvido, mas não é, longe disso, o maior problema do Sporting.

Temos ainda que ir ao Dragão, à Luz, a Braga e a... Famalicão.

Ou se resolve o grave problema que afecta o Sporting, ou nem à Liga Europa vamos.

O nome da doença? Tem nome de médico: Frederico Varandas!

E só há um remédio para ela. Tenhamos coragem para aplicar o tratamento!

 

Indignação?

Aquele grupo organizado de adeptos travestido de claque, ou aquela claque travestida de grupo organizado de adeptos, nunca percebi bem, voltou a fazer merda. Desta vez o visado foi o autocarro do Sporting, como já outras vezes o alvo foram instalações do clube ou gente conhecida ou anónima, que pelas mais tristes circunstâncias se tornou conhecida. Dois deles pós-mortem.

E desta vez, como em outras anteriormente, quem tem responsabilidades nisto assobia para o lado. O secretário de estado, que faz o frete ao ministro e que se está cagando para o Sporting; O ministro que se está cagando para o Sporting e que faz o frete ao lampião do primeiro-ministro, que por sua vez caga no Sporting e nos seus adeptos e sócios e no seu património. E as polícias, todas! E o ministério público e os juízes, com muitos poucos exemplos que contrariem este clima de ditadura lampiónica.

O "outro" era maluco. Fez "tilt", queimou os fusíveis, o que quiserem, mas porra, enquanto lá esteve era o primeiro, de dentes arreganhados, na defesa do Sporting e exigindo medidas a todos e a mais alguns. Há uma enorme diferença entre um post no facebook, goste-se ou não, barafustando contra os "bois" e dando-lhe nomes e um comunicado a dizer, de mansinho, de forma polida para não sujar os colarinhos que "nós já tratamos dos nossos arruaceiros, os outros que tratem dos deles também". Como se os outros fossem algum grupo que se pautasse pelo cumprimento básico da Lei, ou como se os que agora foram ilegalizados não se venham a comportar como travestis de claques, tal como os outros. Tanto amadorismo, tanta desgraça, tanta incompetência. Tanta falta de tomates!

Vasco Pulido Valente, benfiquista de gema

«Comecei logo por ser do Benfica (aos cinco anos?). Lá em casa havia a opinião, altamente absurda, que o Benfica estava "ligado" à "esquerda" e o Sporting ao regime. Nada disto fazia sentido. Os clubes populares de Lisboa eram o Oriental, o Atlético e até certo ponto o Belenenses. Não era o Benfica.»

«O Benfica do salazarismo também era uma organização autoritária. Os jogadores (que os dirigentes tratavam por "tu") dependiam inteiramente do clube, que regulava ao pormenor toda a sua vida. Com o "marcelismo" e o "25 de Abril", isto passou e o Benfica não se deu tão bem com a liberdade. A liberdade trouxe uma certa indisciplina e uma certa confusão, que pouco a pouco lhe reduziram a estatura e o domínio do futebol português.»

 

Vasco Pulido Valente

(Público, 10 de Maio de 2008)

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