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És a nossa Fé!

Terá alguma coisa a ver com a ausência de Battaglia?




A vida em geral tem esta coisa engraçada de irmos repetindo o que os outros dizem. Se há tanta gente a dizê-lo, é porque deve estar certo. Por exemplo, que Brahimi (que fará 29 anos daqui a dois meses) é um excelente, grande, enorme, magnífico jogador e não uma espécie de Carrillo, intermitente, aluado, que não defende lá muito bem, e que sim, em cinco a dez jogos por ano é capaz do melhor, mas nos outros, quem decide não é ele. Ou que André Almeida do Benfica é cepo, apesar de ser dos poucos que se vem mantendo titular desde o tempo em que os animais falavam, tendo passado por ele uns 400 laterais sem que nenhum lhe tenha roubado o lugar.
No nosso caso, ouvimos dizer que Battaglia é como ter o Obelix como guarda costas. Foi o mais utilizado no ano passado, é um esteio, uma força, um vulcão, um tornado, uma ogiva nuclear, do Real Madrid ao Al Alhi Baba, passando pelo ChinChin Zungundung ao Dínamo de Tirana, todas as equipas o querem.
Ou então é um jogador que não sabe ter a bola nos pés, que só destrói jogo parando o ritmo do jogo da equipa, faz faltas por tudo e por nada, passa mal, não tem uma ideia de jogo de ataque e que o Sporting de Kaizer só beneficia com a sua ausência.

O princípio do fim do hooliganismo em Alvalade? - II

A detenção do líder da Juve Leo, acompanhada pela detenção do seu líder espiritual e antigo presidente do clube, no âmbito do processo de Alcochete, vêm reforçar a urgência em tomar medidas relativamente aos apoios às claques, como defendi há 2 dias em post anterior.

Fez bem Frederico Varandas em conseguir acordo pela transferência de Rui Patrício, tal como havia estado bem Sousa Cintra no acordo com William Carvalho e regressos de Bruno Fernandes, Bas Dost e Battaglia. Porque a verificar-se o que nenhum sportinguista quer acreditar, que tenha existido algum grau de envolvimento por parte de dirigentes, o clube correria o risco de ver alguns jogadores conseguirem justa causa.

É tempo de pararem com a conversa dos mansos, golpadas e outras teorias, cada dia que passa se torna mais evidente que em boa hora nos livrámos de quem nos prejudicou e resgatámos o clube para os seus legítimos donos, os sócios.

Battaglia: quem poderá substituí-lo?

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Battaglia sofreu uma rotura de ligamentos no joelho direito e vai ser operado já amanhã. É uma zona muito sensível, que exige um pós-operatório prolongado. Provavelmente não devemos voltar a vê-lo em campo antes de Março ou Abril. Na prática, a época terminou para o internacional argentino.

Coloco-vos a pergunta: quem deve ser o titular no lugar dele?

Hoje giro eu - Bruno Fernandes

A propósito de vários comentários depreciativos que vou lendo na blogosfera (e não só) sobre Bruno Fernandes, gostaria também de emitir a minha opinião. Começo por fazer a minha declaração de interesses: para mim, Bruno Fernandes é o melhor jogador do Sporting. Para chegar a esta conclusão, deixei de fora qualquer sentimento de animosidade que pudesse ter contra o homem que rescindiu, alegando justa causa, o contrato inicial que tinha assinado pelo Sporting. Também não dei especial relevo ao facto de esta época estar a jogar menos, dadas as condicionantes físicas (pré-época sofrível) e a alteração do modelo de jogo. Apenas me baseei no seu valor intrínseco: superior visão de jogo, qualidade de remate, passe de ruptura, capacidade de liderança em campo e intensidade e comprometimento com o jogo, que o tornaram, na temporada 17/18, o jogador leonino mais influente (Ranking GAP) e o melhor jogador do campeonato para o Sindicato dos Jogadores de Futebol, para além de ter recebido a sua primeira internacionalização A e de ter sido integrado na selecção nacional que disputou o Mundial.  

 

Embora haja quem nunca tenha gostado do jogador, algo que devo respeitar, tenho para mim que a maioria dos Leitores dá como certo que Bruno Fernandes está muito abaixo dos parâmetros do ano anterior. Principalmente, é mencionado o facto de estar a falhar demasiados passes, o que não deixa de ser uma evidência. Assim sendo, seguidamente, vou tentar apresentar algumas razões do ponto-de-vista táctico que podem justificar esse abaixamento de forma.

 

O Sporting de 17/18 tinha William como pivot defensivo. Embora este fosse bem menos intenso defensivamente do que Battaglia, a sua qualidade de passe era bem superior. De entre o leque dos seus refinados recursos técnicos destacava-se o passe vertical rasteiro, que entrava entre linhas do adversário, deixando Bruno Fernandes, no meio, de frente para os defesas contrários. Ora, esta época, com Battaglia, as coisas são diferentes. Batta é um jogador de arrastamento de bola, não de passe, muitas vezes evoluindo na perpendicular à baliza contrária, e com isso Bruno acaba por ter de se deslocar para as linhas laterais, não tendo (ainda por cima) Bas Dost para responder aos seus cruzamentos. Apesar disso, se olharmos com atenção, verificaremos que continua a ser o jogador mais influente da equipa, tendo participado em 7 dos 12 golos do leão (Jovane é o segundo com 6). Vendo ainda mais cirurgicamente, concluimos que as melhores acções de Bruno ocorreram quando recebeu a bola na zona central do terreno. Foi daí que marcou e assistiu (Dost) em Moreira de Cónegos, lançou Jovane para uma assistência contra o Vitória de Setúbal, combinou com Montero e marcou contra o Marítimo ou serviu Nani para este centrar de forma geometricamente perfeita para Raphinha contra o Qarabag. Para além do golo de penalty contra a equipa insular. A excepção que confirma a regra ocorreu na Luz, quando sobre a direita assistiu Montero, em lance que terminaria com uma grande penalidade a nossa favor.

 

Considerando este pressuposto como correcto, resta perguntar-nos como pode Bruno Fernandes ser optimizado, recebendo mais bolas no corredor central. Ora, na minha modesta opinião, aqui existe um constrangimento, relacionado com aquilo que me parece ser  o grande calcanhar de aquiles táctico deste novo Sporting: o duplo-pivot não ajuda a mitigar as deficiências de qualidade de passe de Battaglia. Teorizando, a existência de um jogador mais perto de Bruno Fernandes ajudaria este a soltar-se mais, na medida em que Gudelj ou Wendel chamariam a si adversários e libertariam Bruno com esses movimentos, podendo este receber a bola, sem marcação, de frente para a baliza e com opção de passe ou remate. Actualmente, a Bruno é pedido que seja um dois-em-um, que tente ganhar também a segunda bola, ao contrário do que ocorre nos clubes rivais. Enquanto Gedson, Pizzi ou Gabriel, Herrera ou João Novais, tudo números "8", aparecem muitas vezes nas imediações da área contrária, no Sporting, Bruno coloca a bola e ainda tem de ir a correr tentar ganhar um ressalto. Até porque se olharmos para a disposição da nossa equipa em campo, ela parece adoptar a "Táctica do Pudim" (Molotof, na circunstância), que consiste em ter grande cobertura de jogadores à volta do campo, mas com um buraco no meio, concretamente o espaço deixado vazio entre o duplo-pivot e o "10" (Bruno).

 

Evidentemente, nem tudo obedece aos conceitos tácticos e é preciso entender que Bruno não tem estado feliz no passe, não obstante ajudar a equipa na pressão alta e recuperar algumas bolas. Igualmente importante será perceber onde perde a bola. Como jogador experiente que é, sabe onde pode e deve arriscar e, até hoje, de nenhuma das suas perdas de bola resultou algum golo contrário. (Em contraposição, em Braga, uma troca de passes entre Montero e Ristovski, veio a ocasionar o golo bracarense.) No entanto, e receando a menor certeza recente do seu passe, talvez seja pouco prudente apostar actualmente nele para "8". Mais tarde, e na medida em que a sua capacidade física e técnica volte ao normal, tal poderá ser uma boa solução, permitindo que Nani jogue mais interiormente (como "10") e que Jovane emparceire com Raphinha nas alas.

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Balanço (10)

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 O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre BATTAGLIA:

 

- Eu: «Mais: ganha intensidade e consistência quando avança no terreno. Menos: ineficaz como médio de contenção, desposicionando-se com facilidade.» (14 de Julho)

- Edmundo Gonçalves: «Battaglia fez um excelente jogo. Será ele o sucessor de William, quase de certeza.» (23 de Julho)

- Filipe Arede Nunes: «É grande reforço.» (11 de Agosto)

- Pedro Azevedo: «O que se pode dizer mais sobre Battaglia? O homem não parece humano, é assim uma versão argentina do Exterminador Implacável, enviado a Alvalade para alterar o curso da história leonina.» (28 de Agosto)

- Francisco Chaveiro Reis: «Battaglia nunca será um William.» (30 de Agosto)

- José da Xã: «O Sporting acaba de perder Adrien, mas pelo que temos observado está a ser bem substituído por Battaglia.» (2 de Setembro)

- JPT: «[Jorge Jesus desprezou] a formação do clube, muito devido à sua fixação no mercado futebolístico sul-americano, sempre uma lotaria na adaptação dos jogadores ao difícil futebol europeu. Exemplos disso são a contratação absurda de Battaglia, pelo qual se pagou uma fortuna, em dinheiro, passe de Esgaio e empréstimo de Jefferson, um jogador que o próprio Braga emprestara épocas a fio a clubes secundários.» (27 de Setembro)

- José Navarro de Andrade: «Na Battaglia do meio-campo tivemos um problema do Carvalho.» (4 de Janeiro)

- Francisco Vasconcelos: «Foi provavelmente o pior jogador em campo e ainda foi fazer um penalty desnecessário.» (4 de Janeiro)

- Pedro Bello Moraes: «O Battaglia não mostrou já o valoroso que é a defender e a carregar jogo?» (2 de Março)

- Duarte Fonseca: «Sei que no Sporting somos todos de modas e pródigos a criar jogadores fetiche e patinhos feios, e Bryan é claramente um patinho feio. Eu também nunca vou conseguir perdoar os falhanços de 15/16, mas isso não me tolda a capacidade de analisar a qualidade que empresta semanalmente à equipa. Do lado dos fetiches temos jogadores como Battaglia e Bruno Fernandes. Por razões diferentes, mas com denominadores comuns: as correrias desalmadas, a luta, a garra. Como se essas características, por si, significassem alguma coisa num jogador de futebol.» (13 de Abril)

Tudo ao molho e FÉ em Deus - O jardim

O Conselho de Disciplina reunir num Sábado e despenalizar Ruben Dias é natural. O que não é natural é Bruno de Carvalho escrever um Post e dar uma entrevista ao Expresso. Ainda se tivesse feito um Powerpoint… Na ordem do futebol português, cada coisa tem de ter a sua “cor” natural. Por isso, para muitos, mais do que um revolucionário ou um reformista, Bruno deveria ser um Restaurador. Olex, de preferência.

Nada do que é dito em cima invalida que, curiosamente, até haja semelhanças entre Bruno de Carvalho e Ruben Dias. Por exemplo, ambos falam pelos cotovelos...

  

Confesso que tinha um mau pressentimento para este jogo. Aquela ideia de a Madeira ser um jardim (ou será um Jardim?) fez-me lembrar o Festival da Eurovisão e zero pontos garantidos.  Também, quem é que se lembrou de deixar de fora o talento de Júlio Resende e a magnífica interpretação de Catarina Miranda em “Para sorrir eu não preciso de nada”? Júlio, aliás, que protagonizaria o momento (o único?) da noite festivaleira, ao piano, lado-a-lado com o fabuloso Salvador e o intemporal Caetano, numa gala onde os espectadores finalmente se sentiram vingados quando um rapper tirou o microfone das mãos de um(a) intérprete. Da Altice Arena para o José Alvalade, veio a dica: porque não te calas? – dirão alguns…Eu, cá, só queria que o Sporting tivesse ganho. É que, para sorrir, não preciso de (mais) nada (que uma vitória).

 

O jogo arrastou-se, num ritmo pastelão, mastigado, tipo a chiclete de Jesus, com vários jogadores "fora dela". Nesse sentido, Coentrão e Piccini foram os mais exasperantes. Por volta da meia-hora, Joel marcou para o Marítimo, após duplo erro de Coentrão que primeiro fez uma falta estúpida e de seguida deixou o avançado insular marcar nas suas costas. Dost igualou instantaneamente. De seguida, lançado por Battaglia, Bruno Fernandes desperdiçou na cara de Abedzadeh. Pensava-se que o Sporting iria embalar, mas foi o canto do cisne.

 

A segunda parte foi um deserto de ideias. Jorge Jesus foi lançando avançados ao monte, mas com cruzamentos efectuados de frente, os defensores maritimistas jogaram de "cadeirinha" (de "cadeirinha" deveríamos estar a jogar nós, agora que não temos partidas a meio da semana, mas desde que isso aconteceu nunca mais ganhámos). Entretanto, Battaglia, provavelmente o nosso jogador que mostrou mais querer em campo, foi substituido, de forma a que William pudesse continuar a perder a bola e, quando não a tivesse nos pés, acompanhá-la com os olhos - é que o "Sir", na sua forma actual, parece mais um controlador aéreo que um jogador de futebol. Para o fim estava reservado o pior bocado. O que começou numa luta de galos - entre presidente e jogadores - terminou num frango (de Patrício, o habitual salvador). Faz sentido! O "milho" da Champions é que voou...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Rodrigo Battaglia

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 #savingprivateryan

Tudo ao molho e FÉ em Deus - O Comunicado

As equipas entram no relvado e Jorge Jesus já está no banco, de calculadora na mão. Ao seu lado, Bruno Carvalho sabe que está proibido de emitir sinais de fumo (pois não está na Tribuna). Os jogadores do Sporting iniciam a redacção de um Comunicado, com o fogo de artifício lançado pelas claques como pano de fundo.

 

O Benfica toma a iniciativa e Rui Patrício mostra que comunica bem com os postes. A vítima desta vez é Rafa. Bryan Ruiz escreve um bom primeiro parágrafo, Mathieu tenta complementá-lo e Ruben Dias impede-o, agarrando-o, mas Carlos Xistra acaba por rasurar tudo. Jesus diz que foi uma "chave, um termo de luta técnica(!)", ficando o público sem entender se estaria a falar grego, romano ou mesmo greco-romano. O que o público também não vai percebendo é quem é o trinco e quem é o "box-to-box" da equipa leonina. Aparentemente, JJ tentou confundir Rui Vitória, mas acaba por estar a confundir só os adeptos do Sporting com as suas ideias "fora da caixa"...

 

Piccini anda às aranhas com Rafa, Grimaldo e o "Zokovic", ou lá o que é, a entrarem pelo seu corredor e o ex-bracarense volta a testar a confiança de São Patrício nos ferros. Rui, que ainda toca na bola, agora fala com o direito, antes tinha sido com o esquerdo. O Sporting reage, numa ideia de Bruno Fernandes que Coentrão não consegue finalizar eficazmente. Depois, é Bas Dost que tem aquela que o treinador leonino diz que é a melhor oportunidade de golo. Sai-lhe a roleta e, quase a alinhavar os 3 pontos do Comunicado, pára e pede a Gelson para o terminar. Um jogador do Benfica, com mais "canetas", intromete-se e não lho permite. Pelo meio, Patrício (sempre ele) impede, por duas vezes, os benfiquistas de saírem à frente no marcador.

 

Intervalo para café ("Coffee-Break") e os atletas abandonam a "sala de espectáculos" por momentos. Ansiosos, os espectadores aguardam por novidades, divididos entre os que verificam o funcionamento do seu pacemaker e os que se fazem munir de um desfibrilador, o equipamento electrónico que substituiu o telemóvel no reino do leão. É que não há Facebook ou Instagram que (não) valham uma boa descarga...

 

Recomeça a segunda parte. Há fumo negro e cabos soltos no relvado ou cabos negros e fumos soltos no relvado, tanto faz, pormenores que por alguns minutos atrapalham a comunicação. Mormente após a substituição de William por Acuña, e consequente passagem de Ruiz para o meio, finalmente o Sporting estabiliza as posições no meio campo. Batman emerge como o médio mais recuado e começa a dominar as investidas adversárias. O vigilante de Alvalade City recupera inúmeras bolas e a equipa parece readquirir a sua confiança. O Benfica ainda lança Sálvio e este dá a Jimenez a oportunidade de decidir o jogo, mas o mexicano não a remata da melhor maneira. Bruno Fernandes tem uma boa ideia e transmite-a a Dost, mas Ruben Dias, uma vez mais, põe-lhe a mão em cima e não o deixa escrever. Xistra nada diz e o vídeo-árbitro já deverá estar a jantar. Bryan Ruiz ainda propõe redigir algo, mas infelizmente da cabeça do costa-riquenho não saem melhores ideias do que aquelas que já conhecíamos que produz com os pés. Pelo menos nos jogos com o Benfica.

 

O jogo termina e o Comunicado é uma folha em branco. À saída, um amigo diz-me que o Benfica tem melhores jogadores. Confronto-o, pedindo-lhe para enumerar qual é o jogador dos 5 de trás que joga numa selecção (para além daqueles, do meio campo para a frente que jogam nas "potências" Sérvia, Grécia e México e dos portugueses que são suplentes do suplente da "equipa de todos nós"...). Acrescento que no Sporting, agora que Battaglia está nos planos de Sanpaoli, só Piccini não é chamado às selecções. O meu amigo acaba por anuir.

Jorge Jesus e Ruben Dias são as grandes figuras da época, conseguindo passar entre os "pingos da chuva": o treinador leonino, porque está há sete jogos para o campeonato sem vencer um "grande" e mantém a sua áurea - é o que se chama "comunicar bem"; o benfiquista, porque consegue fazer toda uma panóplia de faltas sem que os árbitros o sancionem. Deve ser a isto que a Comunicação encarnada se refere quando fala de "campeonato sujo"...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Rui Patrício

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - O (J)amor nos tempos de cólera

De um lado estava uma Altice equipa, do outro uma equipa a precisar de desatar alguns NOS, mas o destino do jogo teve dois momentos reveladores logo no seu início. Primeiro, Battaglia perseguiu uma bola ombro-a-ombro com Brahimi e abafou-o. De seguida, Acuña rodou como um discóbolo sobre Maxi Pereira, ganhou a bola e viu o seu adversário sair projectado uns bons 3 metros. Dois argentinos do Sporting, dois dos vários sul-americanos em evidência na equipa leonina. 

 

Presságios à parte, o primeiro tempo foi um joguinho. O Porto sufocou de pressão o coração (meio campo) da construção leonina. Com todas as artérias por onde se poderia escoar o futebol do Sporting bloqueadas, o cérebro (Bruno Fernandes) não teve oxigénio para pensar o jogo, o que afectou a motricidade colectiva. Ainda assim, coube aos leões a melhor oportunidade: mesmo com o ar rarefeito, Gelson conseguiu conjugar um pique com a ginga que tem naquele corpo de dançarino e deixou Alex Telles a pedir multa por excesso de velocidade; de seguida, o ala leonino decidiu bem, colocando a bola no sítio certo, na pequena área, mas o lance perder-se-ia perante a complacência de um insolitamente amorfo Dost.

 

A segunda parte já foi um jogo. O Sporting agarrou a partida pelos colarinhos e foi pressionando a equipa portista. Tal intensificar-se-ia após Jorge Jesus ter mexido na equipa, primeiro acidentalmente - fazendo entrar Ristovski por lesão de Piccini - , depois decisivamente, trocando Fábio Coentrão por Montero. Pressentindo a fraqueza do adversário, vendo a presa ali à mercê, o treinador leonino colocou novos desafios à defesa portista. Entretanto, o nosso Exterminador Implacável desparasitava os vírus e bactérias com que outrora a equipa do Dragão contaminara o nosso meio campo, arranjando ainda tempo para combinar com Gelson dentro da área portista ou subir mais alto, após um canto, possibilitando o remate vitorioso, com o pé direito, a Coates. E só não foi ainda mais longe, porque Jorge Sousa lembrou-se de vêr uma falta - após uma recuperação de bola no último terço portista - onde só houve o ímpeto de um homem empenhado em trazer justiça ao povo de Alvalade. Exterminador Implacável, Homem do Bombo ou, simplesmente, Batman, ele é nosso, ele é Rodrigo Battaglia.

 

A partida foi para prolongamento e este foi um jogão. Na primeira metade, o Sporting desperdiçou 3 boas oportunidades, por Gelson, Montero e Bruno Fernandes. Na segunda, Doumbia - acabado de ser lançado em campo, por troca com Dost - foi à procura da fortuna, mas o MÁXImo que conseguiu foi encontrar um mealheiro na cabeça do defesa uruguaio do FC Porto. Entrámos então na "lotaria" das grandes penalidades e os nossos jogadores mostraram uma concentração e pontaria fantásticas, qualificando-se assim para a final do Jamor.

 

No Sporting, destaque para as excelentes exibições de Sebastián Coates - decisivo no desarme sobre Soares, oportuno no golo que empatou a eliminatória e exemplar no penálti marcado (ai Jesus, que sofrimento quando o vi partir para a bola...) - , Marcus Acuña (incontáveis as vezes que percorreu, acima e abaixo o seu corredor) e Rodrigo Battaglia (o melhor que se pode dizer dele é que na sua área de acção a relva não cresce). Muito bem, também, Mathieu, o super intenso Ristovski (que pulmão!!) e Gelson. "Monteiro" (marcou o penálti decisivo com a frieza de um cirurgião, noutro lance, deixou Alex Telles nas urgências de nefrologia e ameaça tornar-se no maior carrasco de Sérgio Conceição em Taças de Portugal), Bryan Ruiz (bom jogo) e Bruno Fernandes (com o corpo a pedir cama e os pulmões uma máscara de oxigénio, foi melhorando durante a partida) também foram decisivos, marcando de forma irrepreensível os seus castigos máximos. Num jogo para homens de barba rija, a nossa equipa nunca se desorientou perante o ímpeto contrário e, tal como Cassius Clay, soube ir dançando com o adversário, desgastando-o até lhe aplicar a estocada fatal. Não deu para k.o., mas ganhámos na decisão por pontos. Está de parabéns, Jorge Jesus.

 

Num tempo de cólera no futebol português, esta vitória do Sporting é o triunfo do enorme amor que os seus adeptos têm pelo jogo e pelo clube, que vai passando de geração para geração, enchendo bancadas ao longo dos anos, independentemente da escassez de títulos e das razões que todos sabemos a justificam. Ontem, jogámos como SEMPRE e ganhámos como NUNCA. Uma força bem viva e indestrutível! Vivó SPORTING !!! 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Sebastián Coates, Rodrigo Battaglia e Marcus Acuña(*)

 

#savingprivateryan

 

(*) após muita ponderação, hesitação e sono, não consegui desatar o nó, pelo que excepcionalmente atribuí o título de melhor em campo a este trio de sul-americanos.

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Ver ver

Foi só a mim que me pareceu que entre os dois melhores em campo do Sporting no jogo de ontem esteve o Bryan Ruiz? (o outro foi o Acuña)

 

Será que o bloqueio mental dos adeptos com chavões como: está velho e lento, não tem intensidade, falhou os golos que teriam dado o título em 15/16; não permitem ter o distanciamento suficiente para apreciar o que os jogadores verdadeiramente jogam?

 

Já em Madrid foi claramente o melhor em campo do Sporting e ontem, apesar do grandíssimo jogo de Acuña, voltou a sê-lo. Terá sido um puro acaso que a partir do momento em que foi susbtituído o Sporting nunca mais chegou à baliza do Atlético?

 

Sei que no Sporting somos todos de modas e pródigos a criar jogadores fetiche e patinhos feios, e Bryan é claramente um patinho feio. Eu também nunca vou conseguir perdoar os falhanços de 15/16, mas isso não me tolda a capacidade de analisar a qualidade que empresta semanalmente à equipa.

 

Do lado dos fetiches temos jogadores como Battaglia e Bruno Fernandes. Por razões diferentes, mas com denominadores comuns: as correrias desalmadas, a luta, a garra. Como se essas características, por si, significassem alguma coisa num jogador de futebol...

 

Neste momento, já me irrita solenemente que o Bruno Fernandes seja sempre considerado no lote dos melhores em campo. Não entendo porquê... Ontem, por exemplo, e para quem queira rever o jogo com atenção, sempre que recebeu a bola nos últimos 30 metros quantas vezes decidiu bem? Quantas vezes aproximou mais a equipa do sucesso com as suas acções? Quantas vezes perdeu a bola? Quantos contra-ataques do Atlético proporcionou?

 

Considero-o um bom jogador, não ao nível do que a maioria dos adeptos considera, mas não percebo a falta de sentido crítico com as suas exibições quando comparado com a crítica fácil e imediata quando se analisa, por exemplo, Bryan Ruiz.

Tudo ao molho e Fé em Deus - Checo-mate

Olho para a nossa equipa e não vejo organização ofensiva. Nesse aspecto, se calhar, o dedo do treinador é sobrestimado no futebol moderno até porque se fosse assim tão decisivo, então Álvaro Magalhães ainda hoje seria reconhecido como o melhor treinador português, ele que durante muitos anos teve meia-dúzia de argumentos ali à mão que superavam a concorrência. E não me refiro à capacidade de produzir vernáculo captado pelos microfones da televisão…

 

Corroborando, na antecâmara do jogo, quando instado a comentar o estado da relva, Jorge Jesus afirmou que isso não seria um problema dado que o Viktoria iria jogar a bola pelo ar (!?), pelo que iria ajudar o metro e noventa e quatro de André Pinto, visto que “não temos outro”. (assim a modos que a confirmar que a convocação de 4 jogadores da equipa B era para “inglês ver”).  Ah? Ok! Estranhamente, ninguém lhe perguntou como seria quando o Sporting tivesse a bola. Porque um clube como o Sporting tem de ter bola, certo?

 

O nosso time vive essencialmente da capacidade individual de dois jogadores: Gelson e Bruno Fernandes. Se, por acaso, não jogarem ou as musas que os inspiram estiverem a dormir, o nosso jogo transforma-se num faz-que-vai-mas-não-vai, de objectividade nula no campo e sofrimento infinito na bancada ou à frente do ecrã de televisão.

 

Depois há Bas Dost: o holandês é o jogador que simplifica o jogo. Com ele em campo, o nosso futebol torna-se muito mais linear, os laterais encontram espaço para subir, os alas vão à linha e centram e, de repente, todos se (re)lembram de que o objectivo no futebol é o golo. Sem Dost, o nosso jogo assemelha-se ao andebol de 11, com muita basculação e nenhuma profundidade.

 

A partida começou com o metro e noventa e quatro de André Pinto a não comunicar com o metro e noventa de Rui Patrício e daí a resultar um canto contra, de onde resultou que o metro e oitenta e nove de Mathieu se encostou ao metro e noventa e quatro de André Pinto e, juntos, deixaram um checo (em ligeiro fora-de-jogo), sozinho na área cabecear para golo. Um golo de Bakos na capital da cerveja Pilsener, o que fez todo o sentido dada a ebriedade táctica com que a equipa leonina se apresentou.

 

A excepção à regra, no primeiro tempo, foi uma oportunidade perdida aos 38 minutos. Bruno Fernandes abriu magistralmente para o interior da área, Dost amorteceu e Bryan Ruiz, sempre a "melhorar", esmerou-se e conseguiu falhar da forma mais incrível até para um Ruiz. O resto da primeira parte viu um Sporting intranquilo, inesperadamente sem confiança.

 

A segunda-parte iniciou-se com mais uma perdida flagrante do Sporting: Bruno Fernandes serpenteou entre 2 adversários, passou um terceiro e rematou. Hruska defendeu para a frente e Acuña falhou dois golos num. A partir daí, o Viktoria tomou conta do jogo e, após algumas tentativas, chegou ao golo: Mathieu chegou tarde à dobra e o metro e noventa e quatro de André Pinto foi ultrapassado pela antecipação de Bakos, que bisou.

 

Boa nova: aos 66 minutos, passámos FINALMENTE a jogar com 11. Petrovic saiu, Piccini entrou para lateral direito e Battaglia pôde jogar na sua posição natural ao centro. Battaglia e o metro e noventa e quatro de André Pinto (com os pés) atirarem por cima. O jogo caminhava para o fim e do Céu caiu um "penalty". Montero serviu Bas Dost, que chocou lateralmente com um adversário. O árbitro, forçadamente, apontou para a marca de grande penalidade. Parecia que o (desnecessário) sofrimento iria terminar, mas Dost falhou (!) e Bruno também não recargou com êxito. Já aos 90+5 tivemos o primeiro canto a nosso favor contra o "poderoso" Viktoria...

 

Entramos no prolongamento e a equipa pareceu revigorada. Aos 97 minutos, mais um capítulo do Best-seller "Mil e uma maneira de falhar golos", by Bryan Ruiz, sozinho na pequena área. Até que, já em período de compensação da primeira parte do prolongamento, uma bola enviada por Bruno Fernandes - após canto - viajou até à cabeça de Battaglia, que marcou o golo da passagem da eliminatória.

 

A segunda parte do prolongamento não foi isenta de erros e os checos poderiam ter marcado por 3 vezes. Numa delas, Patrício brilhou com uma defesa do outro mundo. Uff, o árbitro apitou e acabaram os calafrios.

 

No Sporting, destaque para Bruno Fernandes, Rui Patrício e Battaglia, o salvador. Montero entrou bem e foi mais combativo do que o costume.

 

Jorge Jesus foi o grande responsável pela exibição paupérrima, miserável mesmo da equipa. Não há relva, frio ou pitons que justifique o sofrimento imposto a todos os adeptos leoninos. A equipa joga muito pouco e as individualidades, eventualmente, acabam por concretizar aquilo que deveria ser o colectivo a resolver. Onde está o futebol deslumbrante da primeira época de Jesus em Alvalade?

 

Mas ganhámos ! Saia uma Pilsener! Estamos nos quartos-de-final da Liga Europa - somos a única equipa portuguesa ainda nas competições europeias - e não temos jogadores impedidos de jogar por acumulação de amarelos.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

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Hoje giro eu - a família do meio

Com a equipa a jogar permanentemente só com 2 médios, Bruno Fernandes aparenta mais cansaço que uma mãe com um filho mais velho, nas semanas seguintes a ter gerado já tardiamente trigémeos. Mas, Jesus apostou em que a solução para o problema seria cansá-la(o) mais, quiçá porque se já se torna cada vez mais difícil chegar à frente para acasalar (com o pai Dost), impossível é voltar atrás (na decisão de gerar).

 

A solução seria empregar mais alguém para ajudar na lida da casa. William tira algumas folgas ao longo do mês e está mais envolvido como motor(ista), distribuindo os alimentos essenciais à sobrevivência da familia, conduzindo-a nas visitas ao médico e ajudando em todas as questões burocráticas que há para arbitrar, mas depois é preciso alguém que elimine os germes da loiça, desparasite de ácaros os tapetes e alcatifas, combata as bactérias e fungos que se acumulam nas esponjas de banho e que ajude a que os bebés cresçam saudáveis. Esse alguém poderia ser Battaglia (ou Palhinha ou Wendel).

 

Com o argentino ao serviço, haveria um xeque-mate* aos micróbios e a casa estaria sempre num maior aprumo, o que permitiria à "mãe" não entrar em depressão, ter alguma vida social e dar azo a alguma da sua criatividade, actividade essencial ao bem-estar do agregado familiar. 

 

Com 3 frentes sempre a solicitarem a presença da mãe, resta o consolo de que o filho mais velho já concluiu com aproveitamento os seus estudos. Uma ocorrência desta natureza na vida de uma familia deve suscitar o carinho, o apoio e o reconhecimento por parte dos amigos, sempre seus incondicionais adeptos, e de todos os conhecidos, que simpatizam com a sua "causa". O sucesso global desta empreitada familiar será a alegria de todos eles e de todos os que lhes se associem, que ficarão a torcer no sentido de que a gestão caseira corra pelo melhor.

 

*mate=chá, bebida mais popular da Argentina 

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Tudo ao molho e FÉ em Deus - Na Mata Real, Sporting deu dois "Paços" a caminho da coroação

Um jogo do Sporting não seria a mesma coisa se Jorge Jesus não realizasse uma substituição, a equipa caísse vertiginosamente e, em consequência, os adeptos fizessem fila para uma visita ao psicólogo. Menos mal, porque na capital do móvel os divãs devem ser mais em conta...

A partida até começou bem para a equipa leonina e, com 17 minutos jogados, já o Sporting perdera duas soberanas oportunidades de golo, através de Gelson e de Bas Dost. Em sequência, num lance de carambola que envolveu Bruno Fernandes, William, Battaglia, Mário Felgueiras, Dost e, outra vez, o guardião pacense, "Batman" daria a tacada final, colocando de cabeça a bola na rede.

O golo, mais do que tranquilizante, serviu de soporífero e o Sporting começou a jogar demasiadamente cedo para o lado e para trás, até que se chegou ao intervalo. No reatamento, algumas arrancadas de Battaglia ameaçaram abanar o jogo. Uma delas seria concluída por Bruno Fernandes com um remate ao poste. Até que Gelson - que tinha perdido um saco cheio de bolas por más decisões - decidiu desligar o complicómetro e com uma rotação surpreendente e tiro rápido apontou o segundo da noite.

Antes desse golo, JJ já tirara Acuña (substituído por Bruno César) e Battaglia saíra, aparentemente lesionado, embora a sua expressão corporal indicasse descontentamento, no que pareceu a repetição do episódio de Coentrão em Turim. Para substituir o box-to-box, Jesus realizaria o seu habitual número de suspense, colocando o ressuscitado Lázaro, perdão, Ruiz, dando nova vida a Bryan. A ideia inerente à entrada do costa-riquenho era controlar a bola, mas para tal seria necessário tê-la e nos últimos 15 minutos, de bola, o Sporting teve "bola". Assim, o treinador leonino adicionaria um jogador sem ritmo (estreou-se nesta época) e sem vocação defensiva a um desgastado e pouco intenso William e cedo se viu que iríamos sofrer. Pedrinho, aos 76 e 77 minutos, e Whelton, aos 81 e 84, ameaçaram as nossas redes - sempre sem qualquer oposição dos nossos médios - até que, finalmente, após enorme defesa de Patrício, sem grande alarido, o Paços falou Baixinho e marcou.

Os últimos 3 minutos terão sido pródigos em AVCs em muitos lares portugueses, com toda a gente, menos Jorge Jesus, a ver que a vitória poderia fugir, especialmente de cada vez que Mabil, o aditivado - ou o seu nome não se assemelhasse ao de uma conhecida gasolineira - jogador proveniente do Sudão do Sul, pegava na bola e avançava em velocidade.

No final, recuperámos dois pontos ao Porto e temos a possibilidade de passar a liderar caso ganhemos ao Belenenses e os dragões não vençam o Benfica, na próxima jornada. Essa esperança acabou por ser o melhor desta noite. 

 

 

 

Hoje giro eu - Eu show Battaglia

Battaglia sobre o Sporting:

  • "Quando soube do Sporting disse ao meu empresário para esquecer todos os outros clubes"
  • "Jogar em Alvalade era um sonho"
  • "Vim para o Sporting pelo projecto do clube e pelo meu próprio projecto de carreira"
  • "Jogar no Sporting, na Champions, ouvir o hino (arrepios)..."

 

Battaglia, filósofo existencialista:

  • "Quantos pessoas pensam diáriamente num homem normal? 20? Em Messi e Ronaldo pensam uns 10 milhões.    Não deve ser fácil ser Messi ou Ronaldo"
  • "Valorizo muito o sacrifício das pessoas normais porque eu sei que sendo também normal, não vivo uma vida normal"
  • "Às vezes tenho vergonha de ser quem sou. Os ordenados no futebol são uma loucura"
  • "Por ser jogador de futebol não sou mais do que ninguém. Quando morrermos, seremos todos iguais"
  • "A vida não é dinheiro. Os jogadores não vivem uma vida real"

 

Battaglia sobre Jorge Jesus:

  • "Quando vemos os adversários reparamos que têm movimentos que são uma clara cópia das ideias de JJ"
  • "Jesus é um treinador muito exigente no aspecto físico, táctico e técnico"
  • "Sou muito mais jogador desde que aqui cheguei"

 

Battaglia sobre Bruno de Carvalho:

  • "Bruno de Carvalho foi o maior responsável por o clube ter atingido este nível de exigência"
  • "O presidente no banco é mais um a torcer por nós, não nos aumenta a pressão e dá-nos força e incentivo"

 

Battaglia sobre o grupo de trabalho:

  • "Estamos todos juntos: argentinos, brasileiros, portugueses..."
  • "Formamos um grupo unido"
  • "Todos remam para o mesmo lado"

 

Ora, digam lá se não é um privilégio ter entre nós, além do jogador, o homem Rodrigo Battaglia? O pacote completo!

 

battaglia.jpg

 

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 

 

Do empate que o Braga veio impor em Alvalade. Novo tropeção do Sporting no campeonato num jogo em que estávamos a perder a um minuto do apito final contra uma equipa que teve menos dois dias de descanso após a jornada europeia. Valeu-nos um penálti mesmo ao cair do pano para conseguirmos um pontinho. O jogo terminou 2-2 e já vemos o FC Porto quatro pontos à nossa frente.

 

Do nosso meio-campo. Bruno Fernandes e Bruno César, em constantes trocas posicionais, não conseguiram pressionar a saída do Braga para o ataque nem conter o caudal ofensivo da equipa adversária. Battaglia esteve sempre muito desacompanhado como médio de contenção.

 

Da ausência de William Carvalho. Este jogo deixou bem evidente a falta que nos faz o capitão para recuperar bolas, ligar a defesa ao ataque, abrir linhas de passe, temporizar e distribuir jogo.

 

Dos sucessivos falhanços em zona de finalização. Não podemos desperdiçar tantas ocasiões de golo como aconteceu neste Sporting-Braga. Pelo menos três. A primeira, logo aos 5', por Bruno Fernandes. Depois, aos 63, por Bas Dost: o holandês desperdiçou um excelente cruzamento de Bruno César. Finalmente aos 87, quando Doumbia, bem colocado, cabeceou muito por cima da baliza.

 

Da síndrome dos minutos finais. Uma vez mais, tombamos à beira do fim. Vencíamos por 1-0 aos 85' e até ao fim do tempo regulamentar, em quatro minutos, sofremos dois golos. A história repete-se: é algo inaceitável numa equipa ainda com aspirações ao título.

 

De Jonathan Silva. Fábio Coentrão, como aqui se alertou em devido tempo, está com sérios problemas físicos que o deixam mais tempo fora do que dentro da equipa. O argentino, que em regra o substitui, voltou a mostrar que está longe de ter o mesmo talento. É impressionante sobretudo a quantidade de passes que falha ao longo de um jogo, como hoje voltou a acontecer.

 

Da onda de lesões. Já tínhamos quatro jogadores titulares no estaleiro: William Carvalho, Fábio Coentrão, Matthieu e Piccini. Hoje mais dois ficaram incapacitados, em pleno jogo, devido a lesões musculares: Acuña aos 41', Bas Dost aos 78'. Consequências evidentes da baixa rotação da equipa: Jorge Jesus aposta por sistema nos mesmos jogadores, mesmo quando o calendário de partidas aperta.

 

Da reacção tardia de Jesus. O treinador errou ao lançar em campo os mesmos titulares que enfrentara a Juventus: faltava frescura física à equipa. Errou novamente ao demorar a mexer no onze: viu-se forçado a trocar Acuña por Podence aos 44' e esperou que Bas Dost quebrasse para fazer enfim entrar Doumbia, iam decorridos 80'. Mais incompreensível ainda a última substituição, aos 89', trocando Bruno César por Alan Ruiz,

 

De ver jogar Esgaio com a camisola errada. O lateral formado na Academia de Alcochete regressou a Alvalade, mas com a camisola errada. Fez uma boa partida pelo Braga e deixou a sensação de que tinha condições para integrar o nosso plantel.

 

De termos deixado de depender só de nós. Mesmo que consigamos vencer no Dragão, naquele que promete ser o jogo mais complicado da segunda volta, teremos de aguardar novo desaire da equipa treinada por Sérgio Conceição. Já vimos este filme em qualquer lado.

 

 

Gostei

 

Do golo de Bas Dost. Bem assistido por Bruno Fernandes, o nosso artilheiro concluiu da melhor maneira um bom lance de ataque aos 66'. Já leva nove marcados neste campeonato.

 

Do penálti bem marcado por Bruno Fernandes. Mesmo ao cair do pano, no último fôlego da partida, o nosso médio ofensivo não claudicou na linha da grande penalidade, empatando a partida.

 

De Battaglia. Num jogo em que poucos jogadores do Sporting se destacaram pela positiva, o mais regular foi o médio argentino, que nunca virou a cara à luta e travou parte do ímpeto ofensivo dos bracarenses. Merecia ter sido mais acompanhado nesta batalha desigual.

 

Da comparação com o ano passado. O Braga de Abel Ferreira venceu-nos na época passada por 1-0. Do mal, o menos: desta vez não perdemos. Só empatámos.

 

Do apoio do público. Éramos 42.844 em Alvalade. Merecíamos ter visto melhor espectáculo. E sobretudo merecíamos que a equipa nos tivesse dado uma alegria, o que não aconteceu.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Faltou a varinha mágica em noite de Halloween

Em noite de Halloween, Rui Patrício viu-se rodeado das habituais caras conhecidas na linha defensiva. Assim, para esse efeito, Ristovski surgiu mascarado de Piccini, André Pinto vestiu o disfarce de Mathieu e Jonathan...bem, Jonathan foi "Jonathan ao Cuadrado", tantas foram as vezes em que se teve de deparar com o extremo colombiano, o qual foi ala e, mais tarde, lateral direito na equipa da Juventus. Nada de anormal, pois à mesma hora, em Manchester, Svilar vestiu a carapaça de Mitroglou, marcando pelo segundo jogo consecutivo naquilo que foi a antecipação do Dia de Finados lá para as bandas da Luz. É caso para dizer que em noite de bruxas, nem (S)vilar das Perdizes os safou. E nem se pode referir, tendo tão boa imprensa, que Svilar tenha as costas largas...

Como curiosidade, o Sporting marcou o seu golo no quarto de hora em que tocou mais vezes na bola (15-30 minutos, 176 toques) e sofreu o tento da Juve nos últimos 15 minutos, período em que teve menos bola (apenas 78 toques). Globalmente, a equipa tocou 450 vezes na bola durante a primeira parte e 275 vezes, na segunda parte (61,1% do registo do primeiro tempo). Assim se conclui que, mesmo em noite de Halloween, não houve actividade paranormal, apenas consequências que decorreram das estatísticas.

Destaque global para Gelson Martins que esteve em todos os lances de perigo da equipa leonina. Aos 19 minutos, brincou com os apoios de Chiellini, torcendo-lhe a espinal medula de tal forma que já terá consulta marcada num quiroprático, no regresso a Turim. Do lance resultaria o golo do Sporting, após defesa incompleta (e para a frente) de Buffon, o qual perdeu o duelo de "Monstros" com o nosso São Patrício, o exorcista do "mal" transalpino. Na segunda parte, o ala arrancou por entre Alex Sandro e Barzagli e, mesmo carregado pelo brasileiro, percorreu 50 metros e conseguiu chegar à área para depois acabar a decidir pessimamente, não rematando à baliza do desamparado guarda-redes "bianconeri". Ainda participaria na jogada concluida com remate ao lado de Bruno César e naquela em que Bas Dost teria marcado se não tivesse cortado as unhas dos pés durante o fim-de-semana. Em suma, Gelson foi um constante pesadelo para a defesa italiana, tranformando o estádio de Alvalade numa casa assombrada para os "piemontesi".

Outro jogador em evidência foi Battaglia. Começou (primeiro quarto de hora) com uns modestos 6,4% de participação na posse de bola leonina, mas já terminaria a primeira parte com uns imponentes 12,4%, concluindo o encontro com uns notáveis - para um trinco, sendo que ainda foi box-to-box e lateral direito - 13,1%. Também acima da média estiveram Patrício, Ristovski (confirmação das boas indicações deixadas na Taça da Liga) e Acuña, o Muro de Alvalade. Bas Dost, em jogo de grande disponibilidade, conseguiu ganhar importantes bolas nos ares e Bruno César voltou a marcar um golo na Champions. Uma nota final para Bruno Fernandes: as coisas podem até não lhe sair bem, mas é indiscutível que tem um extra de qualidade face a qualquer outro jogador do plantel do Sporting, como se tornou bem evidente no lance que marcaria o último suspiro de ataque leonino. 

 

Junto apresento quadro da posse de bola leonina e comparação com os números de Battaglia, a quem pela função específica em campo muitos destes toques correspondem a desarmes efectivos. Eis a tabela:

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Hoje giro eu - Bremen "quer" Battaglia

Não sabia que uma viagem "relâmpago" é algo que se possa fazer nas "próximas semanas" - conceito que certamente teria alterado o rumo da história para os polacos na Segunda Grande Guerra, assemelhando a Blitzkrieg às cassetes do Raul Solnado -, mas o Record ensina-nos numa crónica assinada por Bruno Fernandes. Fui vêr ao dicionário e há duas possibilidades para significado de relâmpago: luz intensa de curta duração ou, em sentido figurado, que se passa rapidamente. 

Eu penso que a (não) noticia em si é que é um "relâmpago", pois deu a manchete "Bremen vem a Lisboa tentar Battaglia", criando a ilusão de que se trata de um interesse firme e a ser tratado brevemente. Lá dentro, na página 6, é que nos explicam que o Werder Bremen pode concretizar este interesse mais tarde, nas tais "próximas semanas", só isto, sem referência a montantes que os alemães estariam dispostos a pagar (o argentino tem uma cláusula de rescisão de 60 milhões de euros). Nesta aparente contradição ficamos com a convicção de que, afinal, nada mais se tratou do que de uma luz intensa, mas de curta duração. O suficiente para "dar à luz" uma manchete. Assim vai o jornalismo desportivo português... 

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