Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

És a nossa Fé!

Armas e viscondes assinalados: Aquele tipo de lotaria em que a cautela está sempre premiada

Sporting 2 - FC Porto 2 (5-4 no desempate por grandes penalidades)

Taça de Portugal - Final

25 de Maio de 2019

 

Renan Ribeiro (4,0)

Houve quem tivesse muitas dúvidas quanto ao valor do guarda-redes, incluindo este que vos escreve, mas o segundo troféu conquistado por sua intervenção directa começam a fazê-las dissipar. Mostrou-se decisivo logo no início, defendendo um forte remate de Soares que resultou de um alívio disfarçado de assistência para golo de Bruno Gaspar. Embalou para uma grande exibição, mesmo sem conseguir evitar os dois golos do FC Porto, destacando-se numa segunda parte de intenso domínio portista. Muitas e boas defesas contribuíram  para a vantagem leonina – uma das quais a resolver o enorme disparate que o próprio guarda-redes fez ao deixar a bola nos pés de Herrera –, desfeita no último lance do prolongamento, e quando chegou o desempate por grandes penalidades voltou a dar espectáculo, travando o remate de Fernando Alexandre para que o compatriota Luiz Phellype pudesse selar a conquista da Taça de Portugal. Sendo o sétimo desempate por grandes penalidades consecutivo a pender para o lado do Sporting, tendo os últimos a mão enluvada de Renan, só se pode falar de lotaria dos pénaltis se for o tipo de lotaria em que a cautela está sempre premiada.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Começou em ritmo de catástrofe, entregando a bola a Octávio em posição frontal. Atirado para o relvado do Jamor devido ao castigo de Ristovski, também ele foi amarelado muito cedo, algo que só contribuiu para hesitações no momento de abordar os adversários. Para a história desta final poderia ter ficado outra jogada em que se alheou olimpicamente de uma bola que sobrou na grande área do Sporting para o pé, felizmente desastrado, de Soares. Prova viva de que a sorte protege os limitados, nada de verdadeiramente irreversível fez antes de sair, aos 65 minutos, para a entrada de Tiago Ilori e a gradual transformação da equipa num 3-5-2.

 

Coates (3,5)

Poderia ter feito bem melhor no lance do primeiro golo do FC Porto, perdendo preciosas fracções de segundo a reclamar do controlo de bola com o braço de Herrera antes de o mexicano cruzar para a cabeça de Soares. No resto do jogo esteve ao seu elevado nível, mesmo quando arriscou a expulsão ao fazer um corte com a mão, cumprindo o seu dever sem excessiva angústia quando chegou a hora do desempate.

 

Mathieu (4,5)

O exercício do direito de opção por mais um ano de contrato é muito bonito, mas talvez seja altura de pensar numa estátua equestre do veterano francês. Marega ultrapassou-o em drible e velocidade uma única vez, pagando esse atrevimento com uma sucessão de cortes e desarmes que deverá ter feito com que o maliano tenha passado a noite acossado pelo francês nos seus pesadelos. Pior maldade só quando Mathieu ainda sacou um amarelo a Soares ao preparar-se para conduzir a bola na direcção-geral ao meio-campo contrário.

 

Acuña (3,5)

Teve menor influência no relvado do que é seu bom e costumeiro hábito, o que não invalidou que aparecesse na hora certa, fazendo assistências para os golos de Bruno Fernandes (com ajuda de Danilo Pereira) e de Bas Dost (com ajuda de Felipe). Digamos que para uma exibição tão pouco “à Acuña” acabou por ser mesmo muito frutífera. Com ou sem a saída do capitão torna-se imperioso manter o internacional argentino vestido de verde e branco.

 

Gudelj (3,0)

Num jogo muito difícil, perante um adversário que ao longo de quase toda a segunda parte encostou o Sporting às cordas, fez o possível para que, no mínimo, fosse possível chegar àquela fase da lotaria em que a cautela está sempre premiada. Lutou muito, mesmo que abusando do futebol para a frente, até atingir o limite físico que forçou a substituição. Num lance que poderia ter cancelado os festejos deixou-se antecipar por Herrera, mas o maior quota parte de responsabilidade seria do passe negligente de Renan, única mácula de uma exibição mesmo muito boa do guarda-redes.

 

Wendel (3,0)

Detido durante a semana por conduzir sem carta e em contramão, manobrou o melhor que conseguiu num meio-campo cheio de gente vestida de azul e branco que não estava nada interessada em sair dali com as mãos a abanar. Esta final não foi o seu momento de glória, mas poderia muito bem tê-lo sido, bastando para isso que o seu forte remate cruzado à entrada da área do FC Porto, raro momento ofensivo numa segunda parte de caça ao leão, preferisse rasar o poste do lado de dentro da baliza.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Na hora dos festejos foi um verdadeiro capitão, não se esquecendo de Nani, Montero, Marcelo, Viviano, Lumor, José Peseiro e Tiago Fernandes (Castaignos, lá onde estiver, compreenderá a omissão, tal como qualquer outro de quem o autor deste texto se esteja a esquecer...) ao mesmo tempo que pedia desculpa aos adeptos por não ter conseguido juntar o título de campeão às duas taças conquistadas. Antes, dentro do relvado, deu início às hostilidades com um remate de fora da área, aproveitando uma nesga de terreno e instantes de afrouxamento na vigilância que lhe foi sempre dispensada, com o qual testou a resistência das luvas de Vaná. Pior saiu a interacção entre chuteira e bola ao enfrentar um (bastante bom, fica bem reconhecer) cruzamento rasteiro de Diaby, mas no final da primeira parte compensou a falha com um remate forte e espadaúdo que tocou em Danilo e foi parar ao fundo das redes. Feito o 1-1, seguiu-se o dilúvio. Muito castigado pelos adversários, que contaram com um “laissez faire, laissez passer” em que o árbitro Jorge Sousa foi bastante coerente consigo, não conseguiu que lhe saíssem bem as raras tentativas de passes de 30 ou 40 metros para pôr os colegas na cara do golo. Terminou o prolongamento com as pilhas esgotadas, ao ponto de agarrar Wilson Manafá e receber o cartão amarelo, mas nos pénaltis voltou a demonstrar eficiência germânica, o que leva a temer que as mesmas pessoas que acharam boa ideia verter dezenas de milhões de euros por Renato Sanches voltem a atacar, como se não bastassem os dois clubes de Manchester e outros que tais... Daqui até ao fecho do mercado, ou até à mais do que provável comunicação de facto relevante à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o sonho lindo e impossível de todos os sportinguistas é ver o capitão manter a braçadeira e conduzir a equipa ao fim do jejum.

 

Raphinha (3,0)

Poderia ter sido um dos maiores heróis da final se o remate em posição frontal, mesmo à entrada da grande área, ao qual Vaná não tinha capacidade de reagir, tivesse saído enquadrado. Não quis o destino que assim fosse, o que terá lançado nuvens carregadas sobre a exibição do extremo brasileiro, como se constata pela fraquíssima taxa de sucesso nos duelos individuais quando havia possibilidade de apanhar o FC Porto em contrapé. A nota positiva deve-se, por incrível que pareça, a acções defensivas, sobretudo o corte arriscadíssimo que fez com mestria no instante antes de o completamente isolado Brahimi poder fuzilar a baliza de Renan.

 

Diaby (2,5)

Pouco há a acrescentar acerca do fosso entre as capacidades do maliano e as exigências de um plantel que permita ao Sporting suplantar os rivais mais directos na Liga. Mesmo assim é de inteira justiça reconhecer que, logo na primeira parte, Diaby fez dois cruzamentos de elevada qualidade – Pepe esticou-se todo para impedir que a bola sobrasse para Luiz Phellype no primeiro, e Bruno Fernandes meteu mal o pé no segundo –, fruto do inegável empenho com que tenta superar os seus vícios intrínsecos. Posto isso, como tantas vezes sucede, foi desaparecendo do relvado até Marcel Keizer decidir retirá-lo por entre uma profunda alteração táctica.

 

Luiz Phellype (3,0)

Mais um jogo de muita luta para o brasileiro que custou aos cofres leoninos 12 vezes menos do que o maliano. Colocado na zona de influências de fulanos como Pepe e Felipe, poucas oportunidades teve para ganhar bola de costas para a baliza e também lhe faltaram reflexos para aproveitar um falhanço do central que nasceu brasileiro e assim se mantém. Também poucos efeitos práticos teve a coabitação com Bas Dost, mas o certo é que lhe coube marcar, com toda a confiança, o pénalti que deu a Taça ao Sporting. Para quem começou a época no escalão inferior não se poderia pedir muito mais, levantando legítimas expectativas de que na época de 2019/2020 possa revelar-se o príncipe que foi prometido neste tipo muito particular de Guerra dos Tronos.

 

Tiago Ilori (2,0)

Partilha com a ex-“Morangos com Açúcar” Mariana Monteiro uma característica pouco habitual: não está melhor aos 26 anos do que era aos 19. Colocado em campo para a necessária saída de Bruno Gaspar, revelou-se tão ou mais permeável aos ataques portistas do que o colega, sendo ultrapassado com extrema facilidade quando lateral-direito e quando terceiro central. Perceber se é possível recuperar 0 tempo perdido é um dos desafios da sua carreira e também do clube que o resgatou em troca de uma quantidade de dinheiro equivalente à que recebeu no desastrado e inexplicável processo que levou ao empréstimo com opção de compra do ex-futuro titular indiscutível Demiral.

 

Bas Dost (3,5)

Entrou, viu e esticou a perna no momento certo, tirando partido do desvio de Felipe ao cruzamento de Acuña. Foi o melhor regresso a uma final da Taça de Portugal para o holandês, tendo em conta que na anterior tinha uma ligadura na cabeça e planos para rescindir contrato. Voltou a demonstrar uma taxa de eficácia ao nível que lhe deu fama, ganhando ainda diversos duelos aéreos, apesar de ter ficado perto de borrar a pintura ao atirar à barra no início do desempate por grandes penalidades. O que vale é que Pepe foi um cavalheiro, repetindo o seu gesto técnico, e Renan resolveu.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Substituiu Gudelj e atribuiu mais fôlego e velocidade ao meio-campo. Dir-se-ia que, acima de tudo, ganhou experiência e traquejo para novas conquistas.

 

Jefferson (3,0)

Foi a estranha aposta de Marcel Keizer para a quarta substituição que o prolongamento permitiu, posicionando-se no meio-campo enquanto Acuña permanecia falso lateral-esquerdo. Aproveitou a força que tinha nas pernas para ganhar bola e até chegou a rematar para as mãos de Vaná. Caso tenha sido o último jogo com a camisola do Sporting – cenário provável, ainda que falte um ano de contrato –, teve uma despedida em beleza.

 

Marcel Keizer (4,0)

Aprendeu bastante com a derrota no Estádio do Dragão, embora tenha voltado a lutar com armas desiguais, ao ponto de poder vangloriar-se que venceu a Taça de Portugal com Bruno Gaspar e Diaby no onze titular. Assoberbado pela vaga ofensiva do FC Porto na segunda parte, optou por uma transição suave para o sistema de três centrais, numa receita que foi resultando mesmo sem os melhores ingredientes, e a sorte parecia destinada a proteger o audaz até aquela última jogada do prolongamento em que o adversário fez ruir a muralha defensiva. Os pénaltis escreveram verde e branco por linhas tortas e obteve o segundo troféu na sua ainda curta estadia em Alvalade, começando desde já a tarefa hercúlea de preparar uma temporada na qual quase de certeza não poderá contar com o homem de todos os recordes.

Armas e viscondes assinalados: Muriel abriu a porta para a tarde histórica de Bruno

Belenenses SAD 1 - Sporting 8

Liga NOS - 32.ª Jornada

5 de Maio de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

As circunstâncias muito particulares de um jogo praticamente unidirecional levaram que, ultrapassado um ligeiro susto inicial, fosse chamado a fazer apenas duas defesas apertadas a remates rasteiros. Quis o azar que na segunda ocasião criada pela equipa forçada a chamar casa ao Jamor ninguém se lembrasse de chegar primeiro â bola do que Licá, que reduziu para 1-2 uma desvantagem a que ainda faltavam meia-dúzia de golos do Sporting.

 

Ristovski (3,0)

Seguro a conter os raros ataques do adversário, integrou-se bem melhor no ataque do que o colega na ala oposta. Embora nada perdesse em calibrar melhor os seus muitos cruzamentos.

 

Coates (3,0)

O sossego de ter passado quase todo o jogo com mais um em campo não o inspirou para as habituais cavalgadas pelo meio-campo contrário.

 

Mathieu (3,0)

Somou a dose habitual de bons cortes e saídas rápidas para o ataque, mas cabe-lhe parte da culpa do lance do único dos nove golos da tarde que não foi marcado por jogadores de leão ao peito.

 

Borja (2,0)

Além da participação directa no golo da Belenenses SAD, com uma perda de bola lamentável, voltou a demonstrar flagrantes limitações no domínio e condução de bola que fazem pensar que terá uma agência de comunicação melhor do que aquela que trata do esquecido Tiago Ilori.

 

Gudelj (3,5)

Pertenceu-lhe a primeira grande oportunidade do Sporting, com um remate de longe numa jogada de insistência nascida do primeiro e menos grave disparate cometido pelo guarda-redes Muriel. Calhou que um adversário estivesse atento à linha de golo, pelo que só na segunda parte pôde festejar, vendo a bola que chutou sem aviso prévio embater no rosto do ex-leão André Santos, enganar o guarda-redes também ex-leão Guilherme Oliveira, e alojar-se nas redes. Esse afortunado 1-3 foi a melhor resposta possível ao golo de Licá e ainda a melhor escrita direita por linhas tortas numa exibição segura, cheia de vitórias em duelos directos e que tem o inconveniente de poder levar a SAD a ponderar pagar o salário que o sérvio auferirá se continuar em Portugal após o final do empréstimo.

 

Wendel (2,0)

Um cartão amarelo exibido numa fase precoce do jogo pode ter condicionado em demasia o jovem brasileiro, capaz de pedir meças ao colombiano Borja pelo título de sportinguista mais infeliz na insuspeita tarde de glória em que a equipa igualou o recorde de maior diferença de golos num jogo para o campeonato disputado fora de casa. Sem saudades na lembrança disse adeus aos 67 minutos, cedendo o lugar a Idrissa Doumbia. Augura-se que tenha melhor desempenho aquando do regresso ao Jamor, mais para o final do mês.

 

Bruno Fernandes (5,0)

Começou por ter intervenção na jogada mais marcante do jogo, fazendo o passe genial a desmarcar Raphinha que levou Muriel a derrubar o extremo e a ver um cartão vermelho directo. Chegou a pensar-se que igualaria logo então o recorde de Alex, tornando-se o meio-campista a marcar mais golos numa só época em qualquer campeonato europeu, mas o livre directo saiu mal, tal como os restantes remates desferidos na primeira parte. Melhor esteve a assistir Luiz Phellype de calcanhar para o segundo golo leonino e temeu-se que a tarde não fosse de glória individual quando, já depois do intervalo, o avançado brasileiro retribuiu e o capitão do Sporting rematou na passada, vendo Guilherme Oliveira tirar-lhe um belíssimo golo. Não terá sido por acaso que pouco festejou o primeiro que marcou, na cobrança de um pénalti a punir falta sobre Luiz Phellype, mas já se permitiu ser efusivo quando o colega foi altruísta ao ponto de lhe passar a bola para fuzilar a baliza escancarada após conseguir desviar-se do atormentado guardião saído do banco. De igual forma, apadrinhou o regresso de Bas Dost com um passe de mestre para o primeiro remate que permitiu ao holandês fazer a recarga para golo. E ainda selou o “hat-trick” com um remate oportuno a corresponder a um daqueles centros que Acuña sabe fazer. Ao 50.° jogo da temporada estilhaçou um recorde europeu, fez pela primeira vez três golos de rajada e permitiu que o Sporting ainda sonhe com a pré-eliminatória da Liga dos Campeões tanto quanto ele sonhará ser o melhor marcador da Liga NOS. Próxima paragem: o Sporting-Tondela que os adeptos encaram como tremendamente agridoce por ser a mais do que provável despedida antes da dupla jornada no Dragão e no Jamor que todos esperam ser de ainda maior glória.

 

Raphinha (3,5)

Começou endiabrado, aproveitando um erro de Muriel para rematar contra Luiz Phellype, caído no relvado após chocar com o irmão do guarda-redes mais caro do Mundo. Ao segundo erro do guarda-redes não havia nenhum colega entre a sua chuteira e a baliza, pelo que o extremo pôde inaugurar o marcador com a mesma destreza com que se isolou e foi atropelado por Muriel numa jogada seguinte. A primeira parte fulgurante ter-se-á reflectido na quebra de rendimento no segundo tempo, acabando por ser substituído pelo igualmente fenomenal (ainda que não no mesmo sentido) Diaby.

 

Acuña (3,5)

A presença de um lateral-esquerdo assaz menos dotado de engenho e arte do que ele tem um efeito estranho no argentino. Claramente menos acutilante do que é seu bom costume, ainda deu nas vistas na primeira parte ao combinar com Luiz Phellype na grande área adversária numa tentativa de arranjar espaço para o remate. Sempre integrado nas movimentações ofensivas, fez um cruzamento perfeito para o terceiro golo da conta de Bruno Fernandes.

 

Luiz Phellype (4,0)

O sétimo golo numa série de seis jogos consecutivos a marcar na Liga NOS foi um remate oportuno e possante, à imagem do seu autor, que começou o jogo a acorrer a um disparate do tão massacrado Muriel, tentou pentear a bola num cruzamento de Bruno Fernandes e acabou por ser atrapalhado por Coates quando estava em posição frontal, já depois do intervalo. Nem a presença no banco de alguém no escalão de IRS de Bas Dost o perturbou, sofrendo um pénalti devido a uma antecipação rápida antes de contornar Guilherme Oliveira em jeito e velocidade para servir Bruno Fernandes. Saiu com a missão cumprida e não será fácil retirar-lhe a titularidade.

 

Idrissa Doumbia (3,5)

Nem a boa exibição no jogo anterior convenceu Marcel Keizer de que é a melhor opção para a posição mais recuada do meio-campo, devolvida a Gudelj após cumprir um jogo de suspensão. Ainda assim tirou partido da má tarde de Wendel e cimentou o estatuto de solução, dando boa conta de si a destruir e construir jogo até ao momento em que pôde estrear-se a marcar pelo Sporting, encerrando o pesado marcador após mais uma boa jogada do ataque leonino.

 

Bas Dost (3,5)

Esteve sorridente no banco, esteve sorridente no aquecimento e esteve sorridente no relvado. Sobretudo porque mal tinha entrado para o lugar de Luiz Phellype e já estava a receber um passe de Bruno Fernandes (ou “aquele que aparece tantas ou mais vezes neste texto quanto Muriel”) que o deixou cara a cara com o guarda-redes, regressando aos golos na recarga. Bem mais dinâmico do que andava antes dos quase dois meses de ausência, também enviou uma bola ao poste e fez uma excelente simulação que abriu literalmente caminho ao golo de Idrissa Doumbia.

 

Diaby (2,5)

É tecnicamente correcto atribuir-lhe uma assistência, mau grado divida a maior parte da responsabilidade pelo oitavo e último golo do Sporting com um cavalheiro holandês cujo passe custou quase tantos milhões de euros quanto o seu. Dar-lhe melhor nota do que a Borja e Wendel só por causa disso é um erro de sistema assumido.

 

Marcel Keizer (4,0)

Claro que o início do jogo pareceu uma cornucópia de facilidades, por entre oportunidades de golo oferecidas e uma expulsão precoce. Mas não deixa de haver muito mérito na forma como a equipa soube encarar o jogo, mau grado tenha entrado em campo na plena consciência de que o título de campeão se tornara matematicamente impossível na véspera (lutar pelo segundo lugar no Dragão será possível caso o aflito Nacional do aprumado Costinha vença o FC Porto na próxima jornada). Houve bom futebol, intensidade quase generalizada e substituições acertadas, culminando num resultado mais apropriado ao tempo dos Cinco Violinos.

Dá Deus nozes a quem não tem dentes...

Farto das baboseiras do destituído, que nem merecem resposta, andava a passear pelos canais quando oiço Tiago Fernandes na Sport TV a dizer o óbvio, que o Bas Dost com um modelo de jogo a privilegiar o jogo interior, extremos de pés contrários e laterais incapazes de centrar bolas em condições está condenado ao insucesso.

Só um cego é que não vê. Até pode ser holandês também mas, por amor da Santa, se tem um ponta de lança de eleição, ponha a equipa a funcionar em função dele.

Foi assim que Boloni fez com Jardel, com Quaresma dum lado e João Pinto do outro a centrar para o "cabecinha de ouro", mas se calhar com Keizer andava a fazer tabelinhas no meio campo... e haveria aqui quem se queixasse que o brasileiro era um cepo.

Se do lado esquerdo Borja e Acuña garantem profundidade e cruzamentos, mas é preciso insistir e rotinar os dois, do outro Raphinha não faz um centro e os dois laterais são mais que medíocres nesse domínio. Quando entra Diaby, pior um pouco. Nani jogava tambem de pé contrário. Que saudades Bas Dost deve ter de Gelson e Podence...

O desempenho extra de Bruno Fernandes tem tapado muita coisa...

SL

E não se pode naturalizar o Bas Dost ?

Mas que falta faz um verdadeiro ponta de lança à selecção portuguesa, um Benzema para o Ronaldo, um pinheiro que arraste a defesa e deixe espaços para o Ronaldo aproveitar.  André Silva e o faltoso e manhoso D. Sousa não dão conta do recado. Porque não naturalizar o Bas Dost, não este dos últimos tempos, post traumatismo craniano e pai recente, mas o outro, o letal ponta de lança que marcou dezenas de golos pelo Sporting ?

Portugal apresentou 14 jogadores, 5 made in Alcochete, um deles o melhor jogador português de todos os tempos, 3 made in Seixal, 2 made in Olival, mais Pepe (que até passou pelo Sporting), Rafa, R. Guerreiro, o tal faltoso e manhoso D. Sousa filho de algum filho de algum patrício. Dos 5 made in Alcochete, 3 saíram com o destituído. Os 2 últimos diz ele que já queria correr com eles há uns tempos mas o Jesus não deixou.

E assim, do Sporting ZERO.ZERO. É o que temos. Uma dor de alma.

SL

 

Ninguém resolve nada sozinho

transferir.jpg

 

 

Espero, ansioso, pelo dia em que Marcel Keizer diga enfim uma palavra em português. Após quatro meses em Portugal, vai sendo tempo. Não tenho a menor dúvida de que já diria frases em castelhano caso estivesse a treinar em Espanha ao fim do primeiro mês.

Admiti inicialmente que tenha sido originada numa falha de tradução uma frase sobre Bas Dost atribuída ao técnico holandês na conferência de imprensa de antevisão do mais recente jogo do Sporting para o campeonato. Mas os dias foram passando e, como não vi qualquer desmentido, assumo que a tradução seja correcta.

«Ele [Dost] é holandês, sim, mas já joga fora do país há muitos anos e já está aqui há algum tempo, por isso conhecem-no bem. Ele consegue resolver esta questão sozinho.» Assim falou Keizer sobre a falta de confiança do avançado leonino já traduzida em crise de golos e num visível abatimento do ponta-de-lança em campo.

Há vários erros nesta frase. E nenhum é de tradução. Keizer deixa pressupor que não existe acompanhamento psicológico dos jogadores na estrutura profissional do Sporting, abdica da sua própria intervenção no processo de recuperação de Dost e parece esquecer-se que o futebol é um desporto colectivo: "sozinho" devia ser palavra proibida neste contexto. É sempre em grupo que os problemas se resolvem.

Não são palavras dignas de um condutor de homens. É com assumida decepção que escrevo isto.

Achtung Baby

Na época da graça de 2013/2014, depois de uma entrada de leão, o artilheiro-mor leonino, Fredy Montero, iniciou uma agonizante travessia do deserto, isto é, uma prolongada seca de golos. O início desse período coincidiu com o nascimento da sua filha.

Colega de trabalho, leão dos sete costados, pai de 3 filhos, num dos nossos inúmeros concílios sobre o estado do leão, avançava o seu veredicto: a crise de confiança de Montero com os golos deve-se à falta de sono, própria de quem acaba de ser pai e que, inevitavelmente, acaba por ter reflexo no resto.

Na altura achei um tanto ou quanto estapafúrdia a tese, mas anos depois, tendo eu próprio estreado nessas lides da parentalidade, acabei por entender, e muito bem, o que queria dizer o meu colega.

Ora, tudo isto serve para chegar ao seguinte ponto: Bas Dost, nosso artilheiro-mor, também se estreou há poucos meses no papel de "pai" e, curiosamente, vive nesta altura a pior fase da sua carreira.

Não deixa de ser sintomático que as crises de golo de Montero e Bas Dost ocorram, precisamente, pouco tempo depois de terem sido pais.

Se acham que esta possível explicação para o divórcio de Bas Dost com os golos é absurda, sugiro-vos então reverem o Alta Definição que teve como convidado Jorge Jesus, em que o então ainda treinador do Sporting abordava essa questão, nomeadamente, dizendo que o jogador precisa de descansar muito bem para os treinos e que o cuidado dos filhos bebés ou ainda muito pequenos tem de ser deixado para a mulher ou família. 

Vale o que vale, mas esta tese não deixa de dar que pensar...

Armas e viscondes assinalados: “This shit is a joke” (tirando o resultado e os primeiros 15 minutos)

Sporting 3 - Portimonense 1

Liga NOS - 24.ª Jornada

3 de Março de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Reencontrou o adversário que lhe permitiu conquistar a titularidade, naquela terrível algarvia em que a cabeça de Salin embateu no poste e as bolas rematadas pelos adversários tendiam a embater no fundo das redes. Voltou a ter muito trabalho na primeira parte, apesar de o Portimonense já não contar com Nakajima, Manafá e (nesse caso por castigo) Jackson Martínez. Depois de um primeiro quarto de hora inicial magnífico, que deixou o Sporting a vencer por 2-0, coube ao brasileiro salvar a equipa de si mesma. Chegando a fazer duas grandes defesas na mesma jogada, só nada conseguiu fazer no lance do golo da equipa visitante, merecendo a sorte de ver a barra devolver a bola ao relvado do lado certo da linha de golo e a relativa acalmia ao longo da segunda parte.

 

Ristovski (2,5)

Aquele cruzamento que deu origem ao pénalti sobre Bruno Fernandes foi a melhor forma de terminar uma exibição pouco conseguida do macedónio, incapaz de fazer a diferença no ataque (para o que contribuiu a costumeira violência dos adversários, sob o contemplativo beneplácito do árbitro João Capela) e muitas vezes ultrapassado nas missões defensivas.

 

Tiago Ilori (2,0)

Mais do que aquilo que não conseguiu fazer no lance do golo do Portimonense, o que mais sobressai da exibição do ”made in Alcochete” é a quantidade de bolas que passou directamente para os pés dos avançados algarvios. Nenhum desses lances teve consequências gravosas, mas o filho pródigo tarda em justificar o regresso.

 

Mathieu (3,0)

Voltou em boa hora, recuperado de mais uma lesão, e substituiu o ausente Coates enquanto patrão da defesa leonina. Ao longo da sufocante primeira parte fez cortes preciosos e deu literalmente o corpo à bola para evitar um golo, embora não tenha sido imune ao disparate, permitindo um contra-ataque perigoso ao hesitar se deveria ser ele ou Acuña a afastar uma bola. Na segunda parte fez por acalmar a equipa e ainda se integrou no ataque, sendo avistado a fazer cruzamentos junto à bandeirola de canto, o que contrasta com a aparência física de quem já atingiu a idade da “retraite”.

 

Acuña (3,5)

Partes houve deste jogo em que muitos dos vinte e poucos mil que estavam nas bancadas de Alvalade se ofereceriam de bom grado como testemunhas do argentino se ele quisesse processar os colegas pela disparidade de empenho demonstrado. Relegado a lateral-esquerdo com o regresso do 4-3-3, trabalhou muito e bem no corredor, revelando-se um muro intransponível para os adversários e um artífice capaz de aproveitar meio metro quadrado de relvado para ganhar o espaço de que necessita para fazer cruzamentos como aquele Bruno Fernandes desperdiçou, adiando o sossego do Sporting até ao final do tempo regulamentar.

 

Gudelj (2,0)

Está ligado ao lance do golo do Portimonense, tanto pela perda de bola (que recebeu “à queima” e quis controlar, em vez de chutar com o pé que tinha mais à mão) como pelo mau posicionamento. E também voltou a emperrar a fase de construção do futebol leonino, sobrecarregando Wendel e Bruno Fernandes com uma ineficácia novamente premiada por Marcel Keizer com a permanência em campo até ao apito final.

 

Wendel (3,0)

Muito lutou o jovem brasileiro, incansável acelerador do meio-campo do Sporting, mas o maior impacto que teve na ficha de jogo foi o cartão amarelo mostrado por João Cajuda, numa dualidade montypythoniana de critério que nada fez por sossegar a equipa da casa. Saiu na segunda parte, exausto e claramente necessitado de descanso. 

 

Bruno Fernandes (3,5)

Fez duas assistências para golo, marcou o pénalti que fez o resultado final, punindo falta cometida sobre ele próprio, e ultrapassou António Oliveira como o meio-campista do Sporting que mais golos marcou numa só época. Será, por tudo isto, muito injusto escrever que não esteve na sua noite mais inspirada? Retraído em algumas fases do jogo, falhou um golo feito com um cabeceamento desastroso e nem tentou marcar de livre directo. Mas também é verdade que, além das assistências e do pénalti, pertenceu-lhe a melhor jogada do Sporting na segunda parte, defendida “in extremis”, pelo que o estatuto de “ele e mais dez” está cada vez mais consolidado.

 

Raphinha (3,0)

Começou muitíssimo bem e quando fez aquele imparável remate para o 2-0, tirando doce fruto de um passe extraordinário de Bruno Fernandes, já tinha ficado perto de inaugurar o marcador numa jogada semelhante. Ainda assistiu Bas Dost, que reencaminhou a assistência para Diaby, mas depois começou a perder protagonismo e desapareceu do jogo bem antes do embate que forçou a sua substituição.

 

Diaby (2,5)

Inaugurou o marcador com um excelente golo de cabeça que só o maliano poderá confirmar se nasceu de um cabeceamento deficiente. Certo é que esgotou nessa jogada o seu engenho e sorte, mostrando-se igualmente incapaz de tirar partido da velocidade para causar problemas aos adversários. Para a história da sua passagem por Alvalade fica o lance em que a simulação de Bas Dost o deixou com a bola controlada, dentro da grande área, mas conseguiu demorar tanto a decidir que permitiu o desvio num defesa. Menos escandalosa, mas ainda assim sintomática, foi a oportunidade desperdiçada na segunda parte, cabeceando mal e porcamente (e desta vez sem sorte) uma bola oferecida por Acuña.

 

Bas Dost (2,0)

Mesmo antes do intervalo isolou-se, a passe de Bruno Fernandes, e viu-se cara a cara com o guarda-redes. E o que fez o avançado holandês? Um passe curto para o lado, onde a olho nu ninguém se discernia, talvez destinado a fazer uma abnegada assistência para o golo que esperava ver concretizado pelo fantasma de Peyroteo. Ainda ficou em campo um quarto de hora na segunda parte, cada vez mais afastado das ocorrências, até que o compatriota decidiu poupá-lo a mais 30 minutos de demonstração de irrelevância. Na primeira parte fez uma única coisa certa, numa simulação destinada a permitir que Diaby fizesse o 3-1, o que teria sucedido em condições normais, e muitas tremendamente erradas. Um cabeceamento mais apropriado ao râguebi e a incapacidade de esticar a cabeça para um cruzamento de Raphinha foram as provas de vida. Má vida, neste caso.

 

Luiz Phellype (1,5)

Teve meia hora para demonstrar que é capaz de ser ainda mais irrelevante do que o actual Bas Dost. Membro do clube dos amarelados por Capela, deixou novamente a impressão de que se trata de um Castaignos lusófono com um passe mais barato e que recebe menos.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Muito mais mexido do que Gudelj, tirou o meio-campo do Sporting do ponto morto. Caso estivesse inspirado no passe poderia ter deixado marca.

 

Francisco Geraldes (2,0)

Entrou para os seis minutos de tempo de compensação, o que bastou para ser amarelado e fazer um ou dois toques do tipo de classe que merecia ser vista antes do minuto 90.

 

Marcel Keizer (2,5)

Ele próprio admite que o Sporting esteve mal a partir dos 15 minutos de jogo, faltando-lhe confessar que também a segunda parte não foi flor que se cheire. Expulso no jogo anterior devido ao desabafo “this shit is a joke”, levou a que os escassos adeptos que aceitaram deslocar-se a Alvalade saíssem a pensar o mesmo. Com o Sporting de Braga a três pontos, e um calendário razoavelmente simpático até à última jornada, urge que deixe de confiar tanto no génio de Bruno Fernandes e na raça de Acuña, melhorando os processos defensivos e encontrando solução (ou, vá lá, remendo) para o fraquíssimo desempenho dos recorrentes titulares nas posições 6 e 9. Curiosos números esses, como diria Mota Amaral...

Armas e viscondes assinalados: Em equipa que ganha expulsa-se o Jefferson

Villarreal 1 - Sporting 1

Liga Europa - 16 avos de final - 2.ª mão

21 de Fevereiro de 2018

 

Salin (3,5)

Entrou no relvado com vontade de ser herói e não andou longe de cumprir esse objectivo. Ainda mal o jogo começara e já estava a defender um remate perigoso, levando a missão tão a sério que ainda bloqueou o primeiro de dois remates de um adversário que estava um par de metros fora de jogo. Sendo essa primeira desfeita às suas redes anulada, o guarda-redes francês pôde celebrar o golo de Bruno Fernandes que igualou a eliminatória, regressando para uma segunda parte ainda mais atarefada devido à expulsão de Jefferson. Coube-lhe adiar o golo do Villarreal com toda a sua atenção e reflexos, e mesmo depois de se cumprir o fado leonino não desistiu de demonstrar valor, adivinhando para onde iria a bola num lance em que, com a defesa do Sporting desbaratada, outro adversário apareceu solto na grande área.

 

Tiago Ilori (2,5)

Diversos passes errados e maus posicionamentos, nomeadamente na compensação às subidas de Ristovski, impediram que o 3-4-1-2 surtisse em Espanha o mesmo efeito que paralisou o Sporting de Braga em Alvalade. Se o filho pródigo de Alcochete ainda chegará a justificar a recontratação é uma das poucas incógnitas que restam até ao final desta temporada.

 

Coates (3,5)

Patrão da linha defensiva do Sporting, seja qual for o número de futebolistas que a constituem, o uruguaio utilizou a presença física e mestria táctica para antecipar o que a equipa do Villarreal pretendia fazer. Pela terra e pelo ar voltou a demonstrar que se “mais um corte de Coates” fosse a frase destinada a accionar assassinos adormecidos, ao estilo do filme “The Manchurian Candidate”, já ninguém restaria vivo. Merecia como poucos que, contra todas as hipóteses, o Sporting tivesse podido continuar na Liga Europa.

 

Borja (3,0)

O lateral colombiano voltou a ser o central descaído para a esquerda e não foi por ele que a táctica de Marcel Keizer não surtiu o efeito desejado, pese embora uma ou outra distração sem consequências. Mal o jogo tinha arrancado e já estava a fazer um corte providencial, pelo que acaba por ser uma pena que a expulsão de Jefferson o tenha devolvido ao habitat natural.

 

Ristovski (2,5)

Tentou tirar proveito da velocidade para formar uma ala direita supersónica com Diaby, embora o entendimento com o colega tenha limitado o sucesso da empreitada. Na defesa sentiu-se grandes dificuldades na primeira parte, parecendo contaminado com o vírus Ilori, e na segunda parte, pese embora o esforço que fez até ser substituído, na hora do tudo ou nada, fica marcado ao golo que atirou o Sporting para fora da Europa.

 

Gudelj (3,0)

Rodeado de adversários tão duros e caceteiros que poderiam perfeitamente obter a nacionalidade sérvia, lutou melhor do que é habitual para manter o perigo distante da sua baliza, compensando as recorrentes arrancadas de Wendel. 

 

Wendel (3,0)

É uma pena que se tenha enrolado na grande área do Villarreal, desperdiçando um passe magnífico de Bruno Fernandes, pois a sua actuação no resto do jogo fica marcada por uma força de querer que vai rareando em Alvalade. Procurou sempre fazer slalons por entre os adversários, mesmo sabendo que o interesse dos espanhóis em descobrir tudo acerca das articulações do seu joelho tinha entusiástico apoio do árbitro, e mais uma vez acelerou jogadas que, sem a sua presença, corriam o risco de ficarem para mais tarde.

 

Jefferson (2,0)

Foi a única verdadeira novidade em relação ao onze que desbaratou o Sporting de Braga - Salin tomou o lugar de Renan, mas já tinha sido titular no jogo da primeira mão -, substituindo o castigado Acuña. Também o brasileiro foi expulso por acumulação de amarelos, logo aos 50 minutos, mas dificilmente pode ser responsabilizado pelo segundo amarelo justificado por ter pisado um adversário que fez um corte em carrinho quando o sportinguista se preparava para flectir para a grande área. Nem quis acreditar no que lhe estava a suceder, e por instantes pareceu que Jefferson iria demonstrar ao árbitro as consequências que a ejecção do Sporting teria para a sua integridade fisionómica. Acabou por ser afastado pelos colegas, a bem do “fair play” e da repetição de mais decisões deste género na época de 2019/2020. Quanto à sua actuação até este momento de viragem, quando a eliminatória ainda estava empatada, cabe dizer que nunca conseguiu fazer um cruzamento capaz de justificar a sua titularidade, vendo um cartão amarelo na primeira parte por motivos que só a consciência do enviado checo a Villarreal poderá explicar.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Dizer que os jogadores do Villarreal estavam avisados é pouco. Vigiado de perto por um ou dois adversários em permanência, teve o azar de ver a bola embater em Wendel no primeiro remate de longe que conseguiu fazer. Já estava tudo à espera do intervalo quando aproveitou um mau controlo de bola do central Funes Mori, e correu com níveis de adrenalina ao máximo desde a linha de meio campo à entrada da grande área contrária, fuzilando as redes com o 0-1 que deixavam tudo empatado. Não conseguiu repetir o golo na segunda parte, mas além de demonstrar uma solidariedade a toda a prova nas acções defensivas ainda fez um passe de morte para Wendel e, mesmo no final do tempo de compensação, um cruzamento perfeito para o segundo poste a que Bas Dost não deu valor acrescentado, impedindo o Sporting de, contra tudo, contra todos e contra si próprio, permanecer nas competições europeias. A maior das tragédias neste final de temporada é a firme convicção de que estamos a assistir aos últimos jogos de um dos melhores médios de sempre com o leão ao peito.

 

Diaby (3,0)

Todas as esperanças do Sporting recaíam na velocidade do maliano e este fez por retribuir a confiança depositada, irrompendo pelo meio-campo adversário em contra-ataques condenados à nulidade pela falta de rapidez de Bas Dost, pelo mau entendimento com Ristovski e pela ausência de Raphinha ou Jovane do lado esquerdo. Muito tentou, desafiando o ímpeto sarrafeiro do Villarreal, mas não era a sua tarde. Quando cedeu o lugar a Raphinha estava tão cansado como se costuma estar num dia de trabalho intenso que não teve bons resultados.

 

Bas Dost (2,0)

Quis o destino que a sua melhor acção em todo o jogo - o passe de calcanhar com que procurou isolar Jefferson no caminho para a grande área do Villarreal - tenha culminado na expulsão do colega. Incapaz de se entender com os sprints de Diaby e desprovido de cruzamentos de Jefferson e Ristovski, o holandês não raras vezes paralisou contra-ataques promissores e voltou a demonstrar que não se encontra em grande forma para tudo o que não envolva marcar pénaltis. Podendo ser o herói do jogo, assinando o golo da vitória tardia que qualificaria o Sporting para os oitavos de final da Liga Europa, preferiu rematar acima da baliza, com a canela, para alívio do guarda-redes do Villarreal.

 

Raphinha (2,5)

Entrou para agitar a ala direita e conseguiu fazê-lo, mesmo que à custa de um total balanceamento para o ataque que poderia ter resultado num segundo golo do Villarreal.

 

Luiz Phellype (1,5)

Nada de novo, tirando a capacidade de confundir ligeiramente os centrais do Villarreal, o que deu alguma liberdade ao titular do ataque leonino. Talvez numa próxima ocasião. Ou talvez não.

 

Marcel Keizer (3,0)

Repetiu o 3-4-1-2 e, mesmo sem conseguir surpreender o adversário numa escala de zero a Abel, não se deu totalmente mal com a aposta, ainda que a velocidade de Wendel e Diaby não chegasse para tudo. Vendo-se com a eliminatória empatada meteu três suplentes a aquecer na segunda parte, talvez para confundir o colega de profissão ou talvez por achar que estava muito fresquinho, mas a decisão tão previsível quanto inacreditável de expulsar Jefferson alterou-lhe os planos. Forçado a apostar no 4-4-1, terá acreditado que Salin, Coates & Cia chegariam para as encomendas, arriscando a entrada de Luiz Phellype após o golo do Villarreal. Mais uma vez deixou uma substituição por fazer, o que talvez conste de um manual de motivação de recursos humanos ainda não traduzido do neerlandês.

Consistência

Poder-se-ia falar da desilusão de Ilori, um bailarino que não sabe onde se pôr ou quem marcar, como tão bem demonstrou no golo do Villareal. Ou de Phylippe, ou lá como ele se chama, que ainda não deixou de ser um jogador de 2ª divisão. Ou de Bas Dost que fez de Bryan Ruiz mesmo no final do jogo. Mas a verdade é que há coisas que não mudam, como Jefferson por exemplo. Dele saberemos sempre que será infinita e consistentemente estúpido.

 

Armas e viscondes assinalados: Uma surpresa que já tardava em chegar

Sporting 3 - Sp. Braga 0

Liga NOS - 22.ª Jornada

17 de Fevereiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Conseguiu terminar um jogo sem sofrer golos, feito assinalável mesmo tendo em conta que os avançados bracarenses pouco ou nada fizeram ao longo de mais de 90 minutos, ficando de tal forma encadeados pela surpresa táctica de Marcel Keizer que pareciam estar a fazer um remake da goleada sofrida na última deslocação à capital. De tal forma assim foi que o guarda-redes brasileiro teve de inventar um momento de suspense, ao fintar um adversário na grande área, e fez a sua melhor defesa ao sair em voo para afastar um cruzamento quando o árbitro assistente já tinha assinalado fora de jogo.

 

Tiago Ilori (3,0)

Coube-lhe ser o central descaído para o flanco direito e cumpriu a missão com brio e sem excessivas dificuldades. A única excepção foi um alívio disparado contra um adversário que levou a bola a encaminhar-se para a sua grande área, felizmente a tempo de o problema ser resolvido pelo senhor do costume.

 

Coates (3,5)

Ministro da Defesa que se preze rende em qualquer sistema. E assim foi: o central uruguaio controlou todas as movimentações terrestres e aéreas, garantiu que nenhuma incursão pelo seu território surtiria efeito e chegou ao final do jogo com a rara recompensa de não ter sofrido qualquer golo. Algo que compensa perfeitamente que tenha estado menos afoito a integrar-se no ataque, ao ponto de nem sequer subir para a maioria dos lances de bola parada.

 

Borja (3,0)

Contratado para acautelar a saída de Acuña, eis que o lateral colombiano deu por si a tomar o lugar do indisponível Mathieu. Facto é que não comprometeu enquanto central descaído para a esquerda, combinando bastante bem com Acuña na hora de lançar contra-ataques.

 

 

Ristovski (3,5)

Grande beneficiário da nova táctica, o macedónio serviu-se da velocidade e rapidez de execução para fazer muitos estragos à ala esquerda dos visitantes. Tanto assim é que na primeira parte foi o principal fornecedor de Bas Dost, oferecendo-lhe aquele que deveria ter sido o primeiro golo do jogo. Depois do intervalo foi menos solicitado pelos colegas, destacando-se sobretudo nas missões defensivas.

 

Gudelj (2,5)

Começa a parecer que nenhum sistema de jogo se consegue adequar ao trinco que não é trinco sérvio. A companhia mais esclarecida de Wendel disfarçou os seus inconseguimentos na posse e distribuição de bola, tal como o poderio físico deu jeito perante adversários tão dados ao “full contact”, mas passa por ser o maior equívoco dos onze titulares do Sporting.

 

Wendel (3,5)

Foi o médio de transição por excelência, acelerando o jogo leonino de uma forma que há muito não se via. Pagou essa ousadia com inúmeras pancadas nas pernas, raramente punidas pelo árbitro Jorge Sousa, conivente com a experiência científica conduzida pelos visitantes em que procuravam apurar se os joelhos do médio brasileiro são capazes de dobrar ao contrário. Quando finalmente teve direito a descanso já estava o resultado feito e pela frente aparece o desafio de virar a eliminatória da Liga Europa em Espanha.

 

Acuña (3,0)

Já foi lateral, já foi extremo, já foi médio de transição e agora tornou-se qualquer coisa como um híbrido de interior e extremo-esquerdo. Serviu-se da sua técnica e domínio de bola para dar dores de cabeça à defesa contrária, mas o mais impressionante foi o modo calmo (ao ponto de parecer induzido por medicamentos) com que lidou com as decisões do árbitro e a cobertura dos adversários.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Tão grande é o seu grau de confiança que perto do final do jogo tentou repetir o golo com que gelou o Estádio da Luz, esquecendo-se de que Tiago Sá é bastante mais promissor do que Svilar. Teria sido magnífico bisar, algo que já tentara minutos antes, com um remate de longa distância que saiu pouco ao lado do poste, mas a missão do capitão cada vez menos interino do Sporting estava cumprida. Aproximado da baliza adversária pelo novo sistema, Bruno Fernandes inaugurou o marcador logo na primeira parte, com outro livre directo bem cobrado ao ponto de até meter impressão. E, fruto das combinações com Ristovski e Diaby na direita, ainda serviu Bas Dost no lance do 3-0.

 

Diaby (3,5)

Assentou-lhe como uma luva o papel de segundo avançado que tira partido da velocidade. Várias tentativas na primeira parte serviram de aquecimento para a jogada iniciada junto à linha de meio-campo em que suportou faltas de quatro adversários até ser derrubado na grande área do Sporting de Braga.

 

Bas Dost (3,5)

Ficou a dever a si próprio um hat trick que lhe devolveria a liderança isolada da lista de goleadores da Liga NOS, pois desperdiçou um passe para concretização de Ristovski e chegou atrasado a um bom cruzamento do macedónio. Nada disso apaga a forma gelidamente calma como marcou o pénalti e o posicionamento perfeito para desviar o cruzamento de Bruno Fernandes e fazer o 3-0. Teve direito a uns minutos de descanso e espera-se que na quinta-feira esteja cheio de força.

 

Luiz Phellype (2,0)

Ainda não foi nesta noite que justificou a contratação, preocupando-se mais com o contacto físico do que a bola.

 

Raphinha (2,0)

Mais um jogo pouco conseguido do extremo brasileiro, pouco eficaz no papel de avançado solto que interpretou durante um quarto de hora.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Entrou para que o departamento médico pudesse soldar as fissuras nas pernas de Wendel, o que não o impediu de ser o único suplente lançado por Marcel Keizer a deixar boa impressão, tanto nas missões defensivas como no lançamento de contra-ataques.

 

 

Marcel Keizer (4,0)

Única reclamação: não poderia ter antecipado a surpresa há alguns jogos, poupando-se a queda no abismo que levou decerto muitos dos 27 mil que se deslocaram ao Estádio de Alvalade a não saírem de casa sem levar um lenço branco? Certo é que o 3-4-1-2 cumpriu a missão de manietar o Braga e os destaques individuais encaminharam os leões para uma vitória contundente que no início da tarde de domingo ninguém adivinharia.

Armas e viscondes assinalados: Nem o VAR impediu um tremendo keizercídio

Sporting 2 - Benfica 4

Liga NOS - 20.ª Jornada

3 de Fevereiro de 2019

 

Renan Ribeiro (2,0)

Será que o brasileiro só carregou o jogador do Benfica pelo prazer de tentar defender uma grande penalidade, claramente o tema da sua dissertação na universidade pontifícia dos goleiros? Ficou a centímetros de voltar a  superiorizar-se ao marcador, mas lá foi buscar a bola ao fundo das redes. Algo que fez seis vezes em cerca de 100 minutos, valendo-lhe que um dos golos do Benfica foi anulado por fora de jogo e outro por uma falta no início da jogada que o videoárbitro forçou Artur Soares Dias a assinalar apesar de o árbitro portuense estar tão interessado nisso quanto a Rússia e a China estão interessadas em reconhecer Guaidó como presidente interino da Venezuela. (Diga-se, em abono da verdade, que Renan Ribeiro fez algumas defesas providenciais, contribuindo para que a goleada ficasse aquém do estatuto de humilhação histórica.)

 

Bruno Gaspar (1,5)

Esforça-se sempre muito, o que por vezes permite disfarçar a sua gritante falta de apresentação formal à arte do futebol. Não foi o caso deste jogo, pois abriu avenidas para o ataque benfiquista mais largas do que aquelas que Albert Speer iria construir em Berlim caso os nazis vencessem a II Guerra Mundial. Mas felizmente os boches acabaram da mesma forma que os lances de perigo do Sporting tendem a acabar sempre que passam pelos pés do lateral-direito a quem Hélder Malheiro, artista convidado do Vitória de Setúbal-Sporting, ofereceu a titularidade neste e no seguinte derby lisboeta – já na quarta-feira, no Estádio da Luz, e a contar para a primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal –, ao expulsar o macedónio Ristovski.

 

Coates (2,0)

A tarde de pesadelo voltou a terminar com o uruguaio enquanto único central leonino, numa variação dos tempos em que Jorge Jesus o forçava a tornar-se ponta de lança nos últimos minutos. Mais lento a reagir do que o habitual, o que indicia aquele cansaço físico que lhe é sempre negado, deu excessiva liberdade aos avançados adversários e contribuiu para o 0-1, melhorando à medida que o jogo avançava para o fim. Só que entretanto a equipa já tinha sofrido quatro golos.

 

André Pinto (1,0)

Entrou em campo com uma máscara a proteger-lhe o nariz, após ter feito uma cirurgia na sequência daquele banho de sangue que valeu a Taça da Liga ao Sporting. E é bem possível que a dita máscara lhe tenha prejudicado a percepção do tempo e do espaço, tendo em conta a forma como deixou Seferovic e Ruben Dias cabecearem para golo – sem falar na incapacidade de cortar a bola rasteira que isolou João Félix. Foi substituído quando Marcel Keizer acordou, tarde e a más horas, para a hipótese de ainda virar o resultado, e com um pouco de sorte ninguém o reconhecerá sem a máscara, como tantas vezes sucede nos livros de banda desenhada.

 

Jefferson (2,5)

Tinha Borja no banco e Acuña ainda longe da Rússia, mas foi de longe o único elemento da linha defensiva do Sporting que sabia minimamente o que estava a fazer. Sempre lutador, fez diversos cruzamentos de qualidade, um dos quais poderia perfeitamente resultar em golo se Diaby não tivesse desviado para a baliza, estando em fora de jogo, a bola que iria chegar a Bas Dost.

 

Gudelj (1,5)

A derrota leonina na batalha do meio-campo passou em grande parte pelo elemento que deveria ter maior capacidade de impor o físico a Samaris, Gabriel e Pizzi. Não só não conseguiu como voltou a demonstrar extrema debilidade na saída com bola, ao contrário de Idrissa Doumbia (aquele reforço que passou de titular a não-convocado em menos de uma semana), e fraquíssima eficácia nos remates de longa distância. Muito do que tem de mudar no futebol do Sporting passa por esta posição.

 

Wendel (2,5)

Bom de bola, e mexido ao ponto de compensar a falta de poder de choque, o jovem brasileiro procurou levar a equipa a melhor destino do que aquele que lhe estava reservado. Mas nada resultou como planeado, muitos passes foram interceptados e o cansaço acumulado nas pernas, sobretudo desde que Miguel Luís deixou de contar para as contas do Keizer, impediu-o de chegar mais longe.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Levou os sportinguistas a sonharem com uma improvável reviravolta quando fez o 1-2, através de um remate magnífico em força e colocação, mesmo no final da primeira parte. Antes e depois disso distinguiu-se sempre pela vontade indomável de enfrentar um adversário que muitos colegas encararam como um adamastor, lutando por cada bola como se fosse a última. Mas nem ele está imune à desconcentração. Perdido que está o título, tal como provavelmente o lugar de acesso à pré-eliminatória da Champions, talvez até o terceiro lugar, é hora de gerir melhor o seu talento. Indispensável nas meias-finais da Taça de Portugal e na Liga Europa, será que tem mesmo de aguentar todos os minutos de todos os jogos?

 

Nani (2,5)

Fez a excelente assistência para o golo de Bruno Fernandes e recebeu como recompensa... ser substituído no intervalo. Não estava a ser o pior de entre os verdes e brancos, combinando muito melhor com Jefferson na esquerda do que Raphinha com Bruno Gaspar na direita, mas Keizer optou por sacrificá-lo numa jogada estratégica que implodiu logo após o reatamento, com o terceiro golo do Benfica.

 

Raphinha (2,0)

Todo o seu inegável talento revelou-se infrutífero num jogo em que pareceu contaminado pelos desajustes estruturais do colega de ala. Manteve-se ainda assim no relvado quase até ao fim, tendo como melhor momento um livre directo que embateu no poste.

 

Bas Dost (2,5)

Teve de ser o videoárbitro a permitir-lhe cobrar com sucesso a grande penalidade a castigar o guarda-redes do Benfica que não tem cara de adolescente de género fluido, expulso (muito) “a posteriori” por derrubar o holandês. Traumatizado com a indiferença de Artur Soares Dias, sempre disposto a deixar que os adversários o carregassem pelas costas, o avançado começou a resguardar-se nos duelos aéreos, rubricando mais uma exibição que leva os adeptos a suspirarem pelos bons tempos de há um ou dois meses.

 

Diaby (2,5)

Lançado ao intervalo para mexer com o ataque leonino, cumpriu melhor a missão do que tem vindo a ser seu hábito. Na retina ficou um lance em que se embrenhou na grande área adversária, junto à linha de fundo – pena é que o árbitro já tivesse decidido marcar canto –, tal como uma diagonal em que o remate saiu torto e fraco. Ainda fez abanar as redes, reagindo ao cruzamento de Jefferson, mas estava (mesmo) em posição irregular.

 

Jovane Cabral (-)

Reapareceu na equipa perto do final do tempo regulamentar, jogando dez minutos que na era Peseiro bastariam para marcar golo, sofrer penálti ou assistir um colega. Mas a ausência prolongada secou-lhe a aura de salvador e pouco ou nenhum efeito teve a sua entrada.

 

Luiz Phellype (-)

Entrou depois da expulsão do guarda-redes do Benfica, sem nada conseguir demonstrar nos sete minutos de descontos.

 

Marcel Keizer (1,0)

Deve ao videoárbitro João Pinheiro, capaz de impedir Artur Soares Dias de se envergonhar tanto quanto a esmagadora maioria dos jogadores do Sporting, não ter ficado associado a um dos piores desaires caseiros frente ao Benfica. E não se pode dizer que tenha merecido a relativa salvação, pois o keizercídio começou logo na convocatória, na qual Petrovic era a única opção para o meio-campo, e continuou ao longo de toda a segunda parte, adiando a segunda e terceira substituição enquanto o adversário fazia o terceiro e o quarto golo da mesma forma que poderia perfeitamente ter feito o quinto e o sexto. Ultrapassada a fase da euforia, directamente para o Inverno do descontentamento dos sportinguistas, o treinador holandês vem de uma sucessão de jogos mal conseguidos, quase sem rotação de titulares cada vez mais exaustos, e precisa de procurar no espelho o principal responsável pelo adeus definitivo ao principal objectivo da temporada. Volta a encontrar o Benfica na quarta-feira, espetando-se que algo mude e que, já agora, não seja para tudo ficar igual.

Armas e viscondes assinalados: Quando a cabeça não tem juízo o Sporting é que paga

Vitória de Setúbal 1 - Sporting 1

Liga NOS - 19.ª Jornada

30 de Janeiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Salvou o ponto possível nos descontos, quando Nani fez um atraso de bola calamitoso e ofereceu um segundo golo dos setubalenses que o brasileiro não deixou acontecer. Teria sido o pior castigo imaginável para quem começara a tornar-se mero observador depois de uma primeira parte trabalhosa, e na qual foi deixado à mercê do adversário no lance do golo que ajudou as duas equipas que não chegaram à final da Taça da Liga a adiantarem-se na luta pelo outro lugar de acesso à Liga dos Campeões que não implica vencer o campeonato.

 

Ristovski (2,0)

Pareceu-lhe que era boa ideia gritar com um árbitro que aos dez minutos já tinha amarelado o colega que evitou ser expulso por acumulação e preferiu deixar escapar o autor do golo da equipa da casa. Tudo bem que o macedónio teve uma ligeira atenuante: Hélder Malheiro nem falta marcou ao adversário que lhe desferiu uma cotovelada capaz de fazer nascer de imediato um enorme galo na testa. Expulso quando a equipa tentava inverter o resultado negativo, ainda demonstrou dotes de ninja ao partir uma bandeira de canto com um pontapé, pelo que a suspensão que irá receber por ter sido agredido à cotovelada enquanto o videoárbitro metia sal nas pipocas é capaz de o afastar de mais jogos além da recepção ao Benfica. Diga-se, em abono da verdade, que não estava a fazer um jogo brilhante antes de perder a cabeça em mais do que um sentido.

 

Coates (4,0)

Terminou o jogo como único central leonino e, tendo em conta que toda a gente que joga ao seu lado acaba por sucumbir à fadiga muscular ou partir o nariz, talvez seja altura de apostar no 3-3-4 depois de o 3-2-4 ficar muito perto de valer três pontos. O uruguaio voltou a mostrar a razão para, se houver justiça antes do reino dos céus, acreditar que ainda conseguirá grandes conquistas ao serviço do Sporting. Incansável a defender, com uma única falha que teve de resolver com o agarrão que lhe valeu um cartão amarelo que ficou colado no bolso em intervenções homólogas de adversários, manteve a média de cortes providenciais e integrou-se com extrema raça e critério em jogadas de contra-ataque. Não conseguiu marcar, mas pode ser que se esteja a guardar para os principais beneficiários dos dois pontos deixados em Alvalade.

 

Petrovic (2,5)

Já habituado a estar em campo com o nariz fracturado, desta vez teve direito a uma máscara facial para o proteger após ter sido operado. Infelizmente faltou-lhe protecção contra quem lhe mostrou o amarelo aos dez minutos, o que o dissuadiu de derrubar o autor do golo do Vitória de Setúbal. Compensou a falta de velocidade, perigosa ao enfrentar avançados rápidos, com entrega e bom timing nos cortes, acabando por ver-se sacrificado na hora do tudo por tudo.

 

Jefferson (3,5)

Com Acuña de partida e Borja de chegada, ninguém mais havia para titular. Facto: no primeiro quarto de hora de jogo fez dois cruzamentos aos quais só faltava um lacinho, mas Bas Dost desperdiçou os presentes do brasileiro com duas cabeçadas muito aquém dos mínimos. Jefferson não esmoreceu e passou o jogo inteiro a cruzar bolas, quase sempre em boas condições, sem que ninguém quisesse corresponder ao esforço de quem terminou só com dois colegas na linha defensiva.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Os primeiros minutos ao serviço do Sporting mostraram que pode ser uma solução muito mais dinâmica do que Gudelj para a posição 6. Ainda que não tenha convencido completamente no que toca a poder de choque, o reforço de Inverno é capaz de acelerar jogadas, tem visão de jogo e poderá ser muito útil em jogos vindouros. No desafio em apreço acabou por ser substituído para que o 3-2-4 aparecesse em Setúbal, sem o efeito obtido aquando de outra aparição, cento e tal quilómetros mais a norte.

 

Wendel (3,0)

Tentou resolver o problema com remates de média distância, após desperdiçar uma ocasião dentro da grande área, e em posição frontal, devido a uma overdose de fintas. Terminou muito cansado, visto que o ónus de jogar com menos um recaiu em grande parte sobre o meio-campo, o que não o impediu de a poucos minutos do final embrenhar na área e servir Bruno Fernandes para uma das melhores oportunidades de consumar a reviravolta.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Conseguiu três grandes proezas - o remate oportuno que Bas Dost desviou para golo, resistir às recorrentes cacetadas dos adversários e chegar ao fim sem o segundo amarelo ao engolir palavras perante as artimanhas de um novo valor da arbitragem nacional -, e só lhe faltou um pouco de sorte para manter o Sporting próximo das duas equipas que não foram à final da Taça da Liga e lutam pelo lugar de acesso à Liga dos Campeões que não implica vencer o campeonato. Voltou a fazer passes emolduráveis e mesmo um cruzamento que só não foi perfeito porque Raphinha provou ser bastante mau a cabecear.

 

Raphinha (3,0)

Tirando aquela parte de ter recebido um cruzamento perfeito no coração da grande área e ter cabeceado sem nexo ao lado da baliza? O brasileiro voltou a agitar o ataque leonino, produzindo uma sucessão de jogadas que ninguém fez o favor de aproveitar. Na hora de desespero, sendo necessário Nani em campo, foi ele a sair em vez de Diaby, por razões que só Keizer conhece.

 

Diaby (2,0)

Bem tentou disputar bolas dentro da grande área adversária, mas Oliver Torres não foi emprestado ao Vitória de Setúbal, pelo que ninguém o chegou a carregar de forma tão flagrante que nem o ‘dream team’ para ali mobilizado pudesse ignorar. Particularmente penoso foi assistir à tentativa de pontapé de baliza em que se estatelou após falhar a bola.

 

Bas Dost (3,0)

Marcou um golo de elevada nota artística, com um toque com “a parte lateral do pé” e de costas para a baliza, mas passou o resto do tempo a recordar os adeptos e colegas de que anda de cabeça perdida no que respeita a utilizá-la para desviar bolas para o fundo das redes. Qualquer momento será apropriado para retomar aquela média de concretização que chegava a parecer demasiado boa para o rectângulo à beira-mar plantado.

 

Bruno Gaspar (3,0)

Chamado a jogo após a expulsão de Ristovski, combinou bem com Nani e fez um bom cruzamento que contribuiu o golo do empate. Também se aguentou bastante bem nas missões defensivas, ainda que uma linha de três com Coates no meio seja meio caminho andado para o sucesso.

 

Nani (3,0)

Tinha pouco mais de meia hora para ajudar a virar o resultado e livrar-se de ver o amarelo que o afastaria da recepção ao Benfica. Cumpriu o segundo objectivo e fez tudo o que estava ao seu alcance para atingir o primeiro, incluindo driblar um quarteto de adversários até ser derrubado. Pena é que tivesse ficado a um passo de oferecer a vitória ao Setúbal com um atraso incrivelmente disparatado.

 

Luiz Phellype (2,0)

Voltou a não conseguir fazer a diferença nos minutos que ficou em campo. Aguarda-se que isso suceda, mais cedo ou mais tarde, pois até ao presente momento não justificou a contratação.

 

Marcel Keizer (2,5)

Viu-se forçado a entregar a titularidade ao facialmente desafiado Petrovic, face à ausência de Mathieu e à falta de coragem para arriscar no corpulento Abdu Conté, apostou na estreia de Idrissa Doumbia face ao castigo de Gudelj, e deixou Nani no banco. Podia ter corrido bem, mas não era noite para isso, e se a desvantagem não levou o holandês a ser particularmente criativo, talvez por crer que o seu compatriota acabaria por cabecear decentemente , ficar com menos um jogador teve o condão de agitar a imaginação do pioneiro das tácticas 3-3-3 e 3-2-4, essa última prejudicada pela ineficácia do segundo avançado-centro. Mais difícil de explicar é o critério para prescindir de Raphinha em vez de Diaby.

A sorte protege os audazes

Ganhámos com sorte, sim. Mas haverá campeões sem estrelinha? Creio que não. Por vezes esquecemo-nos de que futebol também é jogo. E o jogo, seja qual for, envolve sempre um componente aleatória.

Uma palavra nos define, acima de outra, nesta final arrancada a ferros ontem à noite, em Braga, frente ao FC Porto: a palavra competência. Com um plantel inferior, em quantidade e qualidade, e um dia a menos de descanso do que a equipa adversária, soubemos fazer das fraquezas força e demonstrar a milhões de portugueses que o Leão, mesmo ferido e desgastado, continua a ser temível.

Repetiu-se o sucedido há um ano, nesta competição que também ganhámos, na altura sob o comando de Jorge Jesus: empate desfeito por penáltis tanto na meia-final como na final. A partida decisiva foi então com o V. Setúbal: os portistas haviam sido eliminados na etapa anterior. Desta vez enfrentámos o próprio campeão nacional, que só conseguiu fazer o primeiro remate à nossa baliza aos 42'. A segunda parte foi de claro domínio azul e branco, culminado no golo aos 79'. A partir daí, o Sporting caiu em cima do antagonista e criou várias oportunidades para empatar. No mais improvável desses lances, aos 89', Óliver derrubou Diaby dentro da grande área. Chamado a converter o penálti, Bas Dost não vacilou.

Na roleta que se seguiu, o holandês voltou a facturar. O mesmo fizeram Bruno Fernandes e Nani. Renan, sucessor de Rui Patrício, defendeu a grande penalidade apontada por Hernâni. E fazia-se a festa de verde e branco na rubra Cidade dos Arcebispos. Pelo segundo ano consecutivo, somos campeões de Inverno.

 

 

grüne-ampel-587274_original_R_K_B_by_Dominik-Pöp

 

SINAL VERDE

 

RENAN. Não há volta a dar: esta Taça da Liga é muito dele. Sem os três penáltis que defendeu na meia-final contra o aziado Braga, jamais teríamos reconquistado este troféu, ex-taça Lucílio. Ontem voltou a defender outro, revelando-se novamente decisivo. É certo que teve grande responsabilidade no golo que sofremos, aos 79'. Mas o balanço é largamente positivo.

RISTOVSKI. O macedónio não é um primor de técnica, está mais que visto. Ontem confirmou-se lá à frente, quando optou por atirar para a bancada quando tinha Dost e Nani isolados à sua esquerda. Mas bateu-se como um Leão contra Brahimi, um dos mais categorizados adversários. Fez um corte providencial aos 54'. Exibiu boa forma física do princípio ao fim.

COATES. Exibição irrepreensível do internacional uruguaio - e em circunstâncias muito difíceis pois viu-se privado do seu habitual parceiro no eixo da defesa, coabitando com três centrais em dois jogos decisivos. Foi o patrão do sector recuado, autor de cortes providenciais aos 17', 70', 76' e 77'. Só lhe faltou converter o penálti no fim: desperdiçou a oportunidade, como sucedera na meia-final.

ANDRÉ PINTO. Uma das melhores exibições de sempre do central ex-Braga vestido de verde e branco. Na primeira parte, vulgarizou e neutralizou Marega, sem nunca se atemorizar perante o avançado portista. O azar bateu-lhe à porta logo a abrir o segundo tempo, precisamente num choque com Marega: fracturou o nariz e ainda quis jogar em esforço, mas saiu aos 53'.

GUDELJ. Talvez a melhor actuação do sérvio desde que chegou a Alvalade. Competia-lhe aplicar um tampão às ofensivas portistas pelo corredor central. E assim fez, revelando também competência nas dobras aos laterais e na recuperação de bolas. Não está isento de culpas no golo adversário, mas merece nota positiva. Sacrificado aos 83' por motivos tácticos.

WENDEL. Chegou há um ano ao Sporting, mas permaneceu proscrito durante vários meses. Afinal é um jogador talentoso, que está a ganhar lugar cativo no onze titular do Sporting - uma das maiores conquistas de Keizer como técnico. Jogando como médio-ala, no corredor esquerdo, foi essencial na ligação dos sectores e na posse de bola, revelando disciplina táctica e bom domínio técnico.

BRUNO FERNANDES. Muito vigiado, com um raio de acção bastante mais limitado do que é habitual, levou a melhor em sucessivos duelos com Herrera. Quase marcou, de livre directo, no último lance da primeira parte. Passe prodigioso a isolar Raphinha à beira do apito final. Chamado a converter uma grande penalidade, na hora da verdade, cumpriu com brilhantismo. E sem surpresa para ninguém.

NANI. A "casa das máquinas" esteve a cargo do capitão leonino, que fez valer a sua experiência em campo quando era necessário estancar as torrentes de energia portista. Hábil leitor do jogo, sem se atemorizar perante Militão, ajudou a fechar o nosso corredor esquerdo, reforçando o bloco defensivo. Fez um centro fabuloso para Bas (81') e foi competente também a marcar o penálti final.

BAS DOST. Em dois momentos decisivos, cumpriu - tornando-se no improvável homem do jogo. Chamado a converter o penálti após os 90', foi frio e eficaz, metendo-a lá dentro. E redobrou a dose, atirando-a para as malhas da baliza a abrir a ronda final de grandes penalidades. Pressionou muito à frente, ganhou lances aéreos. Podia ter marcado aos 81', mas assim a final teria sido menos emocionante.

PETROVIC. Com Mathieu ausente e André Pinto lesionado logo a abrir a segunda parte, revelou-se uma das mais graves lacunas do nosso plantel: falta-nos um quarto central. Aos 53' o médio defensivo sérvio avançou do banco e fez parceria com Coates. Missão bem sucedida: foi intransponível, mesmo após ter fracturado o nariz num choque (também ele, tal como André). 

 

 

sinal[1].jpg

 

SINAL AMARELO

 

ACUÑA. Desta vez não brilhou, tendo pela frente as investidas de Corona, embora fosse o mesmo argentino combativo a que já habituou os adeptos. Por vezes é mesmo combativo em excesso: amarelado aos 35', e com a sua natural propensão para discutir com os árbitros, acabou por não regressar ao relvado após o intervalo. Keizer fez bem: o seguro morreu de velho.

RAPHINHA. Ainda não retomou o melhor nível desde que veio de lesão, revelando algum défice de eficácia nos metros finais do terreno: bem servido por Bruno, que o isolou aos 90'+5, desperdiçou essa soberana oportunidade de sentenciar a final antes do apito. Mas completou com eficácia a missão de Ristovski nas manobras defensivas do nosso corredor direito.

JEFFERSON. Esteve em campo durante toda a segunda parte - o período mais complicado para o Sporting, após o nosso notável desempenho colectivo nos 45 minutos iniciais. Foi comedido nas acções ofensivas, certamente por ordem do treinador, e ajudou a fechar o flanco. Ia estragando tudo com um recuo de bola disparatado aos 88', salvo in extremis por um companheiro.

DIABY. Com o Sporting a perder, a cerca de um quarto de hora do fim, Keizer arriscou - e fez muito bem. Saiu Gudelj, entrou Diaby para refrescar o nosso ataque, já muito desgastado. O maliano pouco mais fez do que correr sem bola, ampliando as linhas de passe. Mas teve sorte: numa dessas incursões, já dentro da área portista, foi derrubado à margem das regras. Tudo mudaria a partir daí.

Armas e viscondes assinalados: Onze de cada lado e no final ganha o Sporting nos pénaltis, mesmo que a sangrar do nariz

Sporting 1 - FC Porto 1 (3-1 no desempate por grandes penalidades)

Taça da Liga - Final

26 de Janeiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Desta vez só defendeu um pénalti, mas a sua aura de especialista contribuiu para que Éder Militão e Felipe falhassem o alvo, pelo que é justo chamar-lhe herói da revalidação do título de vencedor da Taça da Liga, nas pisadas de Rui Patrício, também sujeito a desempate por grandes penalidades na meias-finais e final da edição anterior. Foi a melhor forma de o brasileiro se redimir pelo golo do FC Porto, nascido de uma defesa incompleta e atrapalhada para a frente. Poucas vezes posto à prova, apesar do enorme domínio dos adversários na segunda parte, ainda fez uma defesa magnífica a um cabeceamento de Felipe.

 

Ristovski (3,0)

Encontrou o irrequieto Brahimi e o pendular Alex Telles pela frente, o que em nada contribuiu para a sua participação no esforço ofensivo. Numa das raras ocasiões em que o fez decidiu mal, optando por um remate torto à entrada da área quando poderia ter servido Bas Dost, que estava em posição frontal e livre de cobertura. Restou-lhe fazer um jogo de grande sacrifício, sempre incansável e sem medo do contacto físico, até à maior vitória de um macedónio desde os tempos de Alexandre.

 

Coates (4,0)

Quis o destino e a chuteira direita que fosse o único sportinguista a falhar no desempate por grandes penalidades. Como diria um ex-dirigente do clube, seria chato se o melhor jogador em campo ficasse ligado à derrota por causa disso. Felizmente não sucedeu essa gritante injustiça para o uruguaio, desta vez sem Mathieu ao lado, que foi vendo colegas de eixo defensivo caírem ao relvado com o nariz a sangrar enquanto fazia mais cortes nas jogadas prometedoras do FC Porto do que Mário Centeno tem feito nas despesas sociais.

 

André Pinto (3,5)

Mal o jogo tinha começado e já estava a fazer um excelente corte ao cruzamento de Corona, livre como um pássaro na ala direita. Serviu de mote para uma primeira parte de grande nível, na qual contribuiu para ultrapassar o sufoco inicial e lançar a equipa para o domínio improvável com que o Sporting chegou ao intervalo. Mas estava escrito que seria uma final azarada para o central português: antes do intervalo viu um amarelo (questionável) ao carregar Marega e depois da reentrada em campo fracturou o nariz numa disputa de bola com o mesmo avançado. Ainda tentou manter-se no relvado, com duas compressas ensopadas de sangue em cada uma das narinas, mas viu-se forçado a sair.

 

Acuña (2,0)

Tudo indica que a final da Taça da Liga foi o último jogo do internacional argentino pelo Sporting, e o mínimo que se poderá dizer é que terá sido uma despedida inglória. Tremendamente ineficaz a conter as incursões de Corona, também não muito mais eficaz a fazer cruzamentos para a grande área portista, e claramente no modo “rebelde sem causa” que atrai cartões amarelos, Acuña foi substituído ao intervalo. Se for mesmo para o Zenit deixará saudades por muitos outros jogos que não este.

 

Gudelj (3,0)

Depois de numerosas exibições a puxar para o fraco, eis que deu um ar da sua graça e lidou com os líderes da Liga NOS da mesma forma que um seu conterrâneo lida com donos de restaurantes manhosos noutro programa da grelha da TVI. Sem ter feito uma exibição isenta de erros - tanto deixou que Felipe cabeceasse para a melhor defesa de Renan como fez uma tentativa ridícula de remate à entrada da grande área -, empenhou-se em não deixar que os outros vencessem pela primeira vez a Taça da Liga com o tipo de determinação que os sérvios costumam reservar para os croatas, bósnios ou kosovares. Saiu após o golo de Fernando, quando Marcel Keizer apostou tudo no ataque, mas deixou a sua marca.

 

Wendel (3,0)

Destacou-se a sair com bola para o meio-campo adversário, sem qualquer medo de apostar no um contra um ou no um contra dois. A qualidade intrínseca do jovem brasileiro acabou por sair afectada do desgaste acumulado na segunda parte, ao ponto de controlar mal um belíssimo passe de Nani para dentro da área portista, e não fossem as circunstâncias particulares do jogo poderia muito bem ter dado lugar à entrada de Miguel Luís.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Merecia que Raphinha tivesse aproveitado melhor o passe de qualidade sobrenatural com que, pouco antes do apito final, fez algo à defesa portista que deveria tê-lo forçado a casar com ela. Apenas um dos toques de génio com que demonstrou estar a regressar à melhor forma, e que permitem ao Sporting viver acima das suas possibilidades. Já no último lance da primeira parte o deixara bem claro, na cobrança de um livre directo que saiu a centímetros do poste. Melhor esteve no desempate por grandes penalidades, demonstrando uma eficácia e frieza tais que o guarda-redes do FC Porto podia ter aproveitado para ler os clássicos naqueles segundos que passou a decidir para onde se lançaria.

 

Nani (3,5)

Ergueu o primeiro troféu desde o segundo regresso a Alvalade e contribuiu bastante para esse desfecho. Pertenceu-lhe o primeiro remate do Sporting, muito forte mas também bastante ao lado, aproveitando uma assistência de... Bas Dost, procurou sempre entregar a bola melhor do que a recebeu e voltou a procurar servir os colegas. Até redescobriu alguma velocidade nas pernas no lance em que respondeu ao golo portista com um cruzamento a que Bas Dost não conseguiu corresponder da melhor forma. 

 

Raphinha (3,0)

Apresentou a velocidade como cartão de visita, o que lhe poderia ter valido um golo caricato, visto que a bola embateu violentamente no seu corpo ao acercar-se de um alívio fora de tempo do guarda-redes portista. Também na segunda parte, servido por... Bas Dost, foi placado por Felipe quando tinha condições para isolar-se frente ao guarda-redes. Pena a falta de eficácia nos instantes decisivos, como aquele em que permitiu a defesa que impediu a consumação da reviravolta leonina sem necessidade da “lotaria dos pénaltis”, ainda que seja aquele tipo de lotaria em que são onze contra onze e no final o Sporting ganha.

 

Bas Dost (3,5)

Muito mais interventivo do que nos últimos jogos, o holandês aproveitou o mau momento de Pepe e Felipe para ganhar bolas no contra-ataque e assistir Nani e Raphinha em jogadas perigosas. Pouco solicitado pelos colegas no seu “core business”, não hesitou em ajudar a defesa nos momentos de maior domínio do FC Porto e também não ficou longe de conseguir empatar logo após o deslize de Renan. Redimiu-se com a calma glaciar com que cobrou o pénalti que caiu do céu, repetindo a proeza, com menos força, direcção e estilo, no arranque da série que valeu a Taça da Liga ao Sporting.

 

Jefferson (2,5)

Lançado após o intervalo para o lugar de Acuña, o lateral-esquerdo brasileiro não teve tarefa fácil no um contra um com Marega, com quem trocou empurrões e palavras nada meigas (naquela que foi a maior brecha da noite no “fair play” até Sérgio Conceição ordenar à equipa que recolhesse aos balneários antes da entrega da Taça ao Sporting, e um dos seus adjuntos ter recorrido à medalha de finalista como arma de arremesso contra um adepto leonino). Mas aguentou a pressão e quase merecia ser feliz num cruzamento que lhe saiu mal ao ponto de forçar Vaná a uma defesa apertada para canto.

 

Petrovic (4,0)

Entrou para o lugar de André Pinto quando o central fracturou o nariz e... fracturou também ele o nariz, apressando-se a pedir uma camisola nova para substituir aquela que ficara da cor das duas equipas que não chegaram à final da Taça da Liga. Assim se manteve em campo, adaptado a central e com o nariz adaptado a uma batata, tal como provavelmente se manteria caso lhe tivessem amputado um dedo ou uma mão. E a verdade é que se portou muito bem, sendo o menos culpado no golo do FC Porto e demonstrando absoluta coragem física nos muitos lances em que fez valer o físico para afastar o perigo da sua baliza. Ainda conseguiu ver um amarelo por uma falta que não cometeu.

 

Diaby (2,5)

Entrou na hora do desespero e teve o mérito de estar no sítio certo à hora certa, sendo carregado dentro da grande área por Oliver Torres sem que o árbitro João Pinheiro, a meia-dúzia de metros de distância, reparasse nisso até ser chamado à atenção pelos dois videoárbitros. O resto é história.

 

Marcel Keizer (4,0)

A sua equipa tinha menos 24 horas de descanso nas pernas e, por muito que isso custe, mais do que 24 milhões de euros de diferença de valor de mercado. Promoveu o regresso de Bas Dost, substituiu Mathieu por André Pinto e viu os seus jogadores darem a volta aos primeiros minutos de domínio do FC Porto. Pouco demorou até o Sporting controlar as operações, num daqueles jogos muito divididos e pouco espectaculares que costumam suceder quando as duas melhores equipas portuguesas se encontram, mas depois da bonança veio a tempestade da segunda parte. Tinha gasto a primeira substituição ao intervalo, impedindo Acuña de se despedir deixando a equipa com dez, e gastou a segunda logo a seguir, trocando o ensanguentado André Pinto por um Petrovic que logo deixou também de ser senhor do seu nariz. A única substituição táctica a que teve direito ocorreu no final do jogo, trocando Gudelj por Diaby, e bastou para escrever direito por linhas tortas. Um título ao serviço do Sporting já ninguém tira ao holandês.

Quente & frio

Gostei muito  de ver o Sporting entronizado como campeão de Inverno e o nosso grande capitão, Nani, erguer a Taça da Liga no estádio do Braga, mostrando aos adeptos - ali, em todo o País e nas comunidades portuguesas no estrangeiro - o primeiro troféu conquistado na era Varandas e na era Keizer, o primeiro troféu do futebol português em 2019. Um troféu alcançado em circunstâncias duríssimas (perante um forte FC Porto que dispôs de mais um dia de descanso) na sequência da vitoriosa meia-final frente ao Braga. Depois de afastarmos a equipa braguista, hoje batemo-nos com brio e galhardia perante um valoroso adversário, que vendeu cara a derrota e só foi derrubado nas grandes penalidades finais. Pela segunda vez na mesma semana, a grande força mental da nossa equipa veio à superfície: fomos superiores na hora do tira-teimas. E revalidámos o título: duas Taças da Liga em anos consecutivos.

 

Gostei  da emoção que marcou do princípio ao fim esta final. Um verdadeiro clássico, muito disputado no terreno, com dois fortes dispositivos tácticos enfrentados em campo e um inegável espírito colectivo que animou o onze leonino, apontado à partida como menos favorito por quase todos os especialistas do comentário futebolístico cá do burgo. No momento da verdade, contrariando estas pitonisas, fomos superiores. Bas Dost - homem do jogo - converteu com muita competência dois penáltis com poucos minutos de intervalo: um ao cair do pano, que nos transportou para a decisão após o apito final, e o outro a abrir a ronda das grandes penalidades que ditaram o vencedor do troféu. Renan, que defendera três penáltis na meia-final contra o Braga, bloqueou hoje mais uma, convertendo-se numa figura imprescindível do onze titular leonino. Bruno Fernandes e Nani, dois dos jogadores mais categorizados do actual futebol português, cumpriram também a sua obrigação na marca dos onze metros. Um prémio justo para eles - e também para os milhares de adeptos que compareceram na Pedreira em incentivo permanente aos profissionais deste nosso grande clube.

 

Gostei pouco  de ver, por estes dias, que alguns adeptos e simpatizantes do Sporting continuam a chamar "taça da carica" ou "Taça Lucílio" a esta competição, que nos dois últimos anos teve a nossa marca vitoriosa e nos merece novamente o título de campeões de Inverno, consagrado pela própria Liga de Clubes. Não faz o menor sentido, na era do vídeo-árbitro e numa altura em que a Taça da Liga passou enfim a mobilizar as atenções dos desportistas de todo o País, haver entre nós quem se apresse a desvalorizar este troféu.

 

Não gostei  da excessiva superioridade territorial que concedemos ao FC Porto durante 25 minutos da segunda parte em que permanecemos demasiado acantonados no nosso meio-campo defensivo. Foi nessa fase da partida que sofremos o golo solitário, aos 79', em consequência da forte pressão portista. Mas soubemos reagir muito bem à adversidade. E o treinador reagiu da melhor forma, não baixando os braços: mandou sair o médio defensivo, Gudelj, trocando-o pelo extremo Diaby. Seis minutos depois, a ousadia do técnico foi recompensada: o jovem maliano deu profundidade ao nosso ataque, acabando por ser derrubado em falta na grande área azul e branca: por indicação do vídeo-árbitro, João Pinheiro apontou para a marca de penálti. Era o momento decisivo da final, que nos abria o caminho do troféu com a grande penalidade convertida por Bas Dost aos 90'+2. Também não gostei da substituição forçada de André Pinto, por lesão, aos 53': o defesa, que estava a ser um dos nossos melhores em campo, lesionou-se num choque com Marega e acabou por ceder o lugar a Petrovic, que funcionou até ao fim como central improvisado, dando boa conta do recado.

 

Não gostei nada  da falta de desportivismo da equipa do FC Porto - incluindo aqui o técnico Sérgio Conceição - que abandonou o estádio antes da entrega do troféu ao Sporting, sem retribuir a "guarda de honra" que pouco antes os nossos jogadores haviam dedicado no relvado aos adversários, finalistas vencidos. Precisamente ao contrário do que o Sporting fez em Maio, no Jamor, ao perder a Taça de Portugal para o Aves: a desilusão era imensa, mas nenhum dos nossos então arredou pé. Como diria Nani, noutro contexto, quem não sabe perder também não sabe ganhar.

Armas e viscondes assinalados: Desperdício abatido com dois tiros disparados de longe

Feirense 0 - Sporting 2

Taça de Portugal - Quartos de final

16 de Janeiro de 2018

 

Salin (4,0)

Os adeptos do Feirense foram os primeiros a levar perigo à sua baliza, fazendo rebentar um petardo junto ao francês, mas logo os jogadores da equipa da casa seguiram o exemplo vindo das bancadas. Conseguir a rara proeza de chegar ao final do jogo sem golos sofridos implicou uma mão-cheia de excelentes intervenções, num festival de classe que arrancou na primeira parte, quando uma das habituais paragens colectivas da defesa leonina fez aparecer um adversário isolado à entrada da pequena área. Ainda melhor esteve nos últimos minutos de jogo, quando a vantagem de 0-2 poderia ter sido escassa para atingir as meias-finais caso o guarda-redes não tivesse desviado remates com selo de golo como se não houvesse amanhã.

 

Ristovski (3,0)

O macedónio não se deixou intimidar pelo cartão amarelo que viu cedo e vá-se lá saber porquê - ao ponto de ser reconhecido como dificilmente explicável pelo comentador da RTP antes de este lavrar a salomónica sentença “também se aceita” - e controlou as movimentações do Feirense sem deixar de dar precioso contributo nas jogadas de ataque. Pena que os cruzamentos nem sempre lhe tenham saído bem.

 

Coates (3,0)

Invejosos irão catalogar como inadvertida a assistência para o golo da relativa tranquilidade, desviando a bola de cabeça para a entrada da área, onde surgiu Bruno Fernandes. Mas foi apenas um dos momentos em que o central uruguaio se integrou bem no ataque, tal como esteve inspirado nos passes longos, oferecendo a Raphinha um golo que o brasileiro não soube marcar. Nos últimos minutos, já com Edinho empenhado em fazer aquilo que lhe valeu um cântico quando estava em Setúbal, acabou por cair também no desnorte que poderia ter causado dissabores ao Sporting.

 

Mathieu (3,5)

Com liberdade suficiente para actuar como lateral-esquerdo em boa parte do tempo, tirando partido da visão de jogo e da qualidade de passe longo, nem uma ou outra fífia lhe retirou mérito nas missões defensivas. Teve direito a alguns minutos de descanso após o segundo golo, e o mínimo que se pode dizer é que a sua ausência foi sentida.

 

Acuña (3,5)

A magnífica assistência para Bas Dost abrir o marcador que teimava em manter-se a zero, após fazer um ‘cabrito’ para ludibriar um adversário, não merecia ficar associada a um desperdício escandaloso. Extremamente lutador, mas desta vez só no bom sentido da palavra, recordou aos sportinguistas o quanto ficarão a perder se 20 milhões de euros chegarem para lhe pagar a viagem para a Rússia.

 

Gudelj (3,0)

Ainda não foi desta que marcou num pontapé de ressaca, mas talvez se possa inspirar naquele que Bruno Fernandes executou para estabelecer o resultado final. Já na posição mais recuada do meio-campo, para a qual acaba de ser contratado Idrissa Doumbia, foi útil no ataque à bola e dedicou-se melhor do que o habitual à ligação entre a defesa e o ataque. Subiu ligeiramente no campo aquando da entrada de Petrovic sem que daí adviesse nada de bom para a sua exibição e para o desempenho da equipa.

 

Wendel (4,0)

Mostrou estar pronto para tudo logo na primeira parte, sendo capaz de se desenvencilhar do árbitro Fábio Veríssimo quando este lhe tentou atrapalhar a progressão com bola. Ainda que não tenha conseguido aproveitar uma boa desmarcação saída dos pés de Nani, permitindo a defesa do guarda-redes, manteve-se sempre em elevada rotação e acelerou o jogo ofensivo do Sporting. Sobretudo quando avançou pela esquerda, tirou um adversário do caminho e rematou em arco para inaugurar o marcador. Recebeu como prémio merecidos 15 minutos de descanso, pois no sábado existe mais um compromisso daquela competição em que também se luta com o FC Porto, Benfica e Braga.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Cedeu protagonismo a Wendel e Nani na primeira parte, o que não o impediu de ficar perto do golo num remate muito forte e de muito longe. Depois do intervalo abriu o livro e encadernou-o a folha de ouro com passes magníficos para isolar colegas e, para não destoar, remates perigosos. O primeiro saiu perto do poste, mas o segundo, na consequência de um canto, alojou-se de forma tão decidida nas redes que talvez pudesse pôr em risco a integridade do guarda-redes caso saísse à figura.

 

Nani (3,0)

Entrou no jogo à patrão, assumindo o controlo tanto nos flancos como no miolo do relvado, para onde flectia com a intenção de servir os colegas. Destaca-se nesse período do jogo um passe para as costas da linha defensiva do Feirense que isolou Wendel. Só que à medida que o cronómetro avançava perdeu protagonismo e discernimento, falhando duas oportunidades de golo em posição frontal, num cabeceamento e num remate em arco. Ficou até ao apito final, pois Keizer preferiu poupar Wendel, mas mais uma vez nada se teria perdido se Jovane Cabral pudesse ter uns minutos para mostrar a sua arte.

 

Raphinha (3,0)

Especializou-se em passes impossíveis que aparenta fazer sem qualquer esforço e mostrou-se muito melhor do que nos minutos finais do Sporting-FC Porto, faltando-lhe o essencial: confiança no momento em que ganha espaço para rematar.

 

Bas Dost (2,0)

Também muito melhor nas trocas de bola com os colegas, teve o azar de Fábio Veríssimo estar mais atento à sua impulsão apoiado nos centrais do que aos agarrões desses mesmos centrais noutros lances, fora e dentro da grande área. O golo de cabeça que lhe foi anulado no primeiro tempo pode ter sido um factor de desestabilização, pois ainda antes do intervalo conseguiu rematar contra o guarda-redes na recarga a um grande remate de Bruno Fernandes, e na segunda parte abraçou a missão impossível de, sem cobertura e a poucos metros da baliza escancarada, desviar para o lado errado do poste a assistência perfeita de Acuña. Que o Sporting esteja a atingir uma fase decisiva da época com a principal referência atacante num tão baixo nível de inspiração não é nada que tranquilize os adeptos...

 

Luiz Phellype (2,5)

Teve direito ao seu primeiro quarto de hora de leão ao peito e fez por aproveitá-lo. Boas movimentações e velocidade na disputa de bola - tivessem os dois péssimos atrasos para o guarda-redes a que Bas Dost nem tentou chegar ocorrido com o brasileiro em campo... - foram o prenúncio de um remate forte, desferido de fora da grande área, que embateu no poste, impedindo uma estreia de sonho.

 

André Pinto (1,5)

Substituiu Mathieu em circunstâncias menos dramáticas do que as habituais, o que talvez tenha contribuído para que fosse muitíssimo menos capaz de desempenhar o papel de ‘understudy’ do francês. Lento e desorientado nas disputas de bola, contribuiu para o ascendente da equipa da casa nos últimos minutos do jogo.

 

Petrovic (2,0)

Costuma dar ordem ao meio-campo e tirar proveito do físico. Tende em regra a resultar, o que não impede que o jogo de Santa Maria da Feira tenha sido a excepção, pois a sua presença no relvado fica ligada a grandes atribulações que só não foram preocupantes porque Salin se preocupou em resolvê-las.

 

Marcel Keizer (3,0)

Começou bem na convocatória, deixando Diaby em Lisboa, e viu a equipa a gerir bem o jogo, não obstante o festival de desperdícios que poderia ter impedido o Sporting de disputar a Taça de Portugal com as mesmas três equipas com que disputa a Taça da Liga e a Liga NOS. Disse que a equipa esteve no melhor que já lhe viu, o que envolve um certo optimismo, mas desta vez até pôde descansar alguns dos mais desgastados (Mathieu e Wendel) ou desinspirados (Bas Dost), com o vírus resultadista a transformar Petrovic no 14.° jogador e a relegar Jovane Cabral para o estatuto de primeiro entre os que nem chegam a entrar no relvado.

Traumatismo craniano

Enquanto Bas Dost convalescia do traumatismo craniano do jogo contra o Belenenses, Keizer (e se calhar todos nós) apanhou um de características diferentes em Tondela, e hoje os dois Holandeses, com alguns compatriotas nas bancadas (um grupo de mais de 10 com uma bandeira no meu sector) estiveram um tanto ou quanto apáticos e fora do registo que nos habituaram. 

Bas Dost falhou duas ocasiões interessantes, escorregou várias vezes estragando jogadas promissoras e quase sempre apareceu murcho e distante.

Keizer, com Alvalade quase cheio, holandeses na bancada (no meu sector eram uma dezena com uma bandeira e tudo)  e a equipa a ser apoiada do princípio ao fim, baixou linhas, compactou o meio campo (o B.Fernandes podia ter ido tomar banho mais cedo), pôs o Renan a colocar a bola na frente (mais uma vez não comprometeu e evitou a possível derrota numa grande defesa), e deixou o ataque quase até ao fim entregue a 3 tristes avançados, alem do Bas Dost em dia não, um Nani em deficit físico e um Diaby a conseguir estragar tudo aquilo que procurava construir. 

No final de tudo um empate que não deixa de ser o mal menor, e resultado melhor tambem seria difícil porque o Porto está realmente noutro patamar de plantel e de rotinas de jogo, e o empate chegava-lhe para manter uma liderança folgada da Liga. 

Importa agora terminar a reestruturação do plantel e não desgastar ainda mais os 6 magníficos (Coates, Mathieu, Acuna, Nani, B.Fernandes e Bas Dost) na taça da Liga, aproveitando a Fase Final da mesma para dar minutos aos jovens do plantel e integrar as aquisições.

SL

 

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D