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És a nossa Fé!

Armas e viscondes assinalados: Nem o VAR impediu um tremendo keizercídio

Sporting 2 - Benfica 4

Liga NOS - 20.ª Jornada

3 de Fevereiro de 2019

 

Renan Ribeiro (2,0)

Será que o brasileiro só carregou o jogador do Benfica pelo prazer de tentar defender uma grande penalidade, claramente o tema da sua dissertação na universidade pontifícia dos goleiros? Ficou a centímetros de voltar a  superiorizar-se ao marcador, mas lá foi buscar a bola ao fundo das redes. Algo que fez seis vezes em cerca de 100 minutos, valendo-lhe que um dos golos do Benfica foi anulado por fora de jogo e outro por uma falta no início da jogada que o videoárbitro forçou Artur Soares Dias a assinalar apesar de o árbitro portuense estar tão interessado nisso quanto a Rússia e a China estão interessadas em reconhecer Guaidó como presidente interino da Venezuela. (Diga-se, em abono da verdade, que Renan Ribeiro fez algumas defesas providenciais, contribuindo para que a goleada ficasse aquém do estatuto de humilhação histórica.)

 

Bruno Gaspar (1,5)

Esforça-se sempre muito, o que por vezes permite disfarçar a sua gritante falta de apresentação formal à arte do futebol. Não foi o caso deste jogo, pois abriu avenidas para o ataque benfiquista mais largas do que aquelas que Albert Speer iria construir em Berlim caso os nazis vencessem a II Guerra Mundial. Mas felizmente os boches acabaram da mesma forma que os lances de perigo do Sporting tendem a acabar sempre que passam pelos pés do lateral-direito a quem Hélder Malheiro, artista convidado do Vitória de Setúbal-Sporting, ofereceu a titularidade neste e no seguinte derby lisboeta – já na quarta-feira, no Estádio da Luz, e a contar para a primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal –, ao expulsar o macedónio Ristovski.

 

Coates (2,0)

A tarde de pesadelo voltou a terminar com o uruguaio enquanto único central leonino, numa variação dos tempos em que Jorge Jesus o forçava a tornar-se ponta de lança nos últimos minutos. Mais lento a reagir do que o habitual, o que indicia aquele cansaço físico que lhe é sempre negado, deu excessiva liberdade aos avançados adversários e contribuiu para o 0-1, melhorando à medida que o jogo avançava para o fim. Só que entretanto a equipa já tinha sofrido quatro golos.

 

André Pinto (1,0)

Entrou em campo com uma máscara a proteger-lhe o nariz, após ter feito uma cirurgia na sequência daquele banho de sangue que valeu a Taça da Liga ao Sporting. E é bem possível que a dita máscara lhe tenha prejudicado a percepção do tempo e do espaço, tendo em conta a forma como deixou Seferovic e Ruben Dias cabecearem para golo – sem falar na incapacidade de cortar a bola rasteira que isolou João Félix. Foi substituído quando Marcel Keizer acordou, tarde e a más horas, para a hipótese de ainda virar o resultado, e com um pouco de sorte ninguém o reconhecerá sem a máscara, como tantas vezes sucede nos livros de banda desenhada.

 

Jefferson (2,5)

Tinha Borja no banco e Acuña ainda longe da Rússia, mas foi de longe o único elemento da linha defensiva do Sporting que sabia minimamente o que estava a fazer. Sempre lutador, fez diversos cruzamentos de qualidade, um dos quais poderia perfeitamente resultar em golo se Diaby não tivesse desviado para a baliza, estando em fora de jogo, a bola que iria chegar a Bas Dost.

 

Gudelj (1,5)

A derrota leonina na batalha do meio-campo passou em grande parte pelo elemento que deveria ter maior capacidade de impor o físico a Samaris, Gabriel e Pizzi. Não só não conseguiu como voltou a demonstrar extrema debilidade na saída com bola, ao contrário de Idrissa Doumbia (aquele reforço que passou de titular a não-convocado em menos de uma semana), e fraquíssima eficácia nos remates de longa distância. Muito do que tem de mudar no futebol do Sporting passa por esta posição.

 

Wendel (2,5)

Bom de bola, e mexido ao ponto de compensar a falta de poder de choque, o jovem brasileiro procurou levar a equipa a melhor destino do que aquele que lhe estava reservado. Mas nada resultou como planeado, muitos passes foram interceptados e o cansaço acumulado nas pernas, sobretudo desde que Miguel Luís deixou de contar para as contas do Keizer, impediu-o de chegar mais longe.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Levou os sportinguistas a sonharem com uma improvável reviravolta quando fez o 1-2, através de um remate magnífico em força e colocação, mesmo no final da primeira parte. Antes e depois disso distinguiu-se sempre pela vontade indomável de enfrentar um adversário que muitos colegas encararam como um adamastor, lutando por cada bola como se fosse a última. Mas nem ele está imune à desconcentração. Perdido que está o título, tal como provavelmente o lugar de acesso à pré-eliminatória da Champions, talvez até o terceiro lugar, é hora de gerir melhor o seu talento. Indispensável nas meias-finais da Taça de Portugal e na Liga Europa, será que tem mesmo de aguentar todos os minutos de todos os jogos?

 

Nani (2,5)

Fez a excelente assistência para o golo de Bruno Fernandes e recebeu como recompensa... ser substituído no intervalo. Não estava a ser o pior de entre os verdes e brancos, combinando muito melhor com Jefferson na esquerda do que Raphinha com Bruno Gaspar na direita, mas Keizer optou por sacrificá-lo numa jogada estratégica que implodiu logo após o reatamento, com o terceiro golo do Benfica.

 

Raphinha (2,0)

Todo o seu inegável talento revelou-se infrutífero num jogo em que pareceu contaminado pelos desajustes estruturais do colega de ala. Manteve-se ainda assim no relvado quase até ao fim, tendo como melhor momento um livre directo que embateu no poste.

 

Bas Dost (2,5)

Teve de ser o videoárbitro a permitir-lhe cobrar com sucesso a grande penalidade a castigar o guarda-redes do Benfica que não tem cara de adolescente de género fluido, expulso (muito) “a posteriori” por derrubar o holandês. Traumatizado com a indiferença de Artur Soares Dias, sempre disposto a deixar que os adversários o carregassem pelas costas, o avançado começou a resguardar-se nos duelos aéreos, rubricando mais uma exibição que leva os adeptos a suspirarem pelos bons tempos de há um ou dois meses.

 

Diaby (2,5)

Lançado ao intervalo para mexer com o ataque leonino, cumpriu melhor a missão do que tem vindo a ser seu hábito. Na retina ficou um lance em que se embrenhou na grande área adversária, junto à linha de fundo – pena é que o árbitro já tivesse decidido marcar canto –, tal como uma diagonal em que o remate saiu torto e fraco. Ainda fez abanar as redes, reagindo ao cruzamento de Jefferson, mas estava (mesmo) em posição irregular.

 

Jovane Cabral (-)

Reapareceu na equipa perto do final do tempo regulamentar, jogando dez minutos que na era Peseiro bastariam para marcar golo, sofrer penálti ou assistir um colega. Mas a ausência prolongada secou-lhe a aura de salvador e pouco ou nenhum efeito teve a sua entrada.

 

Luiz Phellype (-)

Entrou depois da expulsão do guarda-redes do Benfica, sem nada conseguir demonstrar nos sete minutos de descontos.

 

Marcel Keizer (1,0)

Deve ao videoárbitro João Pinheiro, capaz de impedir Artur Soares Dias de se envergonhar tanto quanto a esmagadora maioria dos jogadores do Sporting, não ter ficado associado a um dos piores desaires caseiros frente ao Benfica. E não se pode dizer que tenha merecido a relativa salvação, pois o keizercídio começou logo na convocatória, na qual Petrovic era a única opção para o meio-campo, e continuou ao longo de toda a segunda parte, adiando a segunda e terceira substituição enquanto o adversário fazia o terceiro e o quarto golo da mesma forma que poderia perfeitamente ter feito o quinto e o sexto. Ultrapassada a fase da euforia, directamente para o Inverno do descontentamento dos sportinguistas, o treinador holandês vem de uma sucessão de jogos mal conseguidos, quase sem rotação de titulares cada vez mais exaustos, e precisa de procurar no espelho o principal responsável pelo adeus definitivo ao principal objectivo da temporada. Volta a encontrar o Benfica na quarta-feira, espetando-se que algo mude e que, já agora, não seja para tudo ficar igual.

Armas e viscondes assinalados: Quando a cabeça não tem juízo o Sporting é que paga

Vitória de Setúbal 1 - Sporting 1

Liga NOS - 19.ª Jornada

30 de Janeiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Salvou o ponto possível nos descontos, quando Nani fez um atraso de bola calamitoso e ofereceu um segundo golo dos setubalenses que o brasileiro não deixou acontecer. Teria sido o pior castigo imaginável para quem começara a tornar-se mero observador depois de uma primeira parte trabalhosa, e na qual foi deixado à mercê do adversário no lance do golo que ajudou as duas equipas que não chegaram à final da Taça da Liga a adiantarem-se na luta pelo outro lugar de acesso à Liga dos Campeões que não implica vencer o campeonato.

 

Ristovski (2,0)

Pareceu-lhe que era boa ideia gritar com um árbitro que aos dez minutos já tinha amarelado o colega que evitou ser expulso por acumulação e preferiu deixar escapar o autor do golo da equipa da casa. Tudo bem que o macedónio teve uma ligeira atenuante: Hélder Malheiro nem falta marcou ao adversário que lhe desferiu uma cotovelada capaz de fazer nascer de imediato um enorme galo na testa. Expulso quando a equipa tentava inverter o resultado negativo, ainda demonstrou dotes de ninja ao partir uma bandeira de canto com um pontapé, pelo que a suspensão que irá receber por ter sido agredido à cotovelada enquanto o videoárbitro metia sal nas pipocas é capaz de o afastar de mais jogos além da recepção ao Benfica. Diga-se, em abono da verdade, que não estava a fazer um jogo brilhante antes de perder a cabeça em mais do que um sentido.

 

Coates (4,0)

Terminou o jogo como único central leonino e, tendo em conta que toda a gente que joga ao seu lado acaba por sucumbir à fadiga muscular ou partir o nariz, talvez seja altura de apostar no 3-3-4 depois de o 3-2-4 ficar muito perto de valer três pontos. O uruguaio voltou a mostrar a razão para, se houver justiça antes do reino dos céus, acreditar que ainda conseguirá grandes conquistas ao serviço do Sporting. Incansável a defender, com uma única falha que teve de resolver com o agarrão que lhe valeu um cartão amarelo que ficou colado no bolso em intervenções homólogas de adversários, manteve a média de cortes providenciais e integrou-se com extrema raça e critério em jogadas de contra-ataque. Não conseguiu marcar, mas pode ser que se esteja a guardar para os principais beneficiários dos dois pontos deixados em Alvalade.

 

Petrovic (2,5)

Já habituado a estar em campo com o nariz fracturado, desta vez teve direito a uma máscara facial para o proteger após ter sido operado. Infelizmente faltou-lhe protecção contra quem lhe mostrou o amarelo aos dez minutos, o que o dissuadiu de derrubar o autor do golo do Vitória de Setúbal. Compensou a falta de velocidade, perigosa ao enfrentar avançados rápidos, com entrega e bom timing nos cortes, acabando por ver-se sacrificado na hora do tudo por tudo.

 

Jefferson (3,5)

Com Acuña de partida e Borja de chegada, ninguém mais havia para titular. Facto: no primeiro quarto de hora de jogo fez dois cruzamentos aos quais só faltava um lacinho, mas Bas Dost desperdiçou os presentes do brasileiro com duas cabeçadas muito aquém dos mínimos. Jefferson não esmoreceu e passou o jogo inteiro a cruzar bolas, quase sempre em boas condições, sem que ninguém quisesse corresponder ao esforço de quem terminou só com dois colegas na linha defensiva.

 

Idrissa Doumbia (3,0)

Os primeiros minutos ao serviço do Sporting mostraram que pode ser uma solução muito mais dinâmica do que Gudelj para a posição 6. Ainda que não tenha convencido completamente no que toca a poder de choque, o reforço de Inverno é capaz de acelerar jogadas, tem visão de jogo e poderá ser muito útil em jogos vindouros. No desafio em apreço acabou por ser substituído para que o 3-2-4 aparecesse em Setúbal, sem o efeito obtido aquando de outra aparição, cento e tal quilómetros mais a norte.

 

Wendel (3,0)

Tentou resolver o problema com remates de média distância, após desperdiçar uma ocasião dentro da grande área, e em posição frontal, devido a uma overdose de fintas. Terminou muito cansado, visto que o ónus de jogar com menos um recaiu em grande parte sobre o meio-campo, o que não o impediu de a poucos minutos do final embrenhar na área e servir Bruno Fernandes para uma das melhores oportunidades de consumar a reviravolta.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Conseguiu três grandes proezas - o remate oportuno que Bas Dost desviou para golo, resistir às recorrentes cacetadas dos adversários e chegar ao fim sem o segundo amarelo ao engolir palavras perante as artimanhas de um novo valor da arbitragem nacional -, e só lhe faltou um pouco de sorte para manter o Sporting próximo das duas equipas que não foram à final da Taça da Liga e lutam pelo lugar de acesso à Liga dos Campeões que não implica vencer o campeonato. Voltou a fazer passes emolduráveis e mesmo um cruzamento que só não foi perfeito porque Raphinha provou ser bastante mau a cabecear.

 

Raphinha (3,0)

Tirando aquela parte de ter recebido um cruzamento perfeito no coração da grande área e ter cabeceado sem nexo ao lado da baliza? O brasileiro voltou a agitar o ataque leonino, produzindo uma sucessão de jogadas que ninguém fez o favor de aproveitar. Na hora de desespero, sendo necessário Nani em campo, foi ele a sair em vez de Diaby, por razões que só Keizer conhece.

 

Diaby (2,0)

Bem tentou disputar bolas dentro da grande área adversária, mas Oliver Torres não foi emprestado ao Vitória de Setúbal, pelo que ninguém o chegou a carregar de forma tão flagrante que nem o ‘dream team’ para ali mobilizado pudesse ignorar. Particularmente penoso foi assistir à tentativa de pontapé de baliza em que se estatelou após falhar a bola.

 

Bas Dost (3,0)

Marcou um golo de elevada nota artística, com um toque com “a parte lateral do pé” e de costas para a baliza, mas passou o resto do tempo a recordar os adeptos e colegas de que anda de cabeça perdida no que respeita a utilizá-la para desviar bolas para o fundo das redes. Qualquer momento será apropriado para retomar aquela média de concretização que chegava a parecer demasiado boa para o rectângulo à beira-mar plantado.

 

Bruno Gaspar (3,0)

Chamado a jogo após a expulsão de Ristovski, combinou bem com Nani e fez um bom cruzamento que contribuiu o golo do empate. Também se aguentou bastante bem nas missões defensivas, ainda que uma linha de três com Coates no meio seja meio caminho andado para o sucesso.

 

Nani (3,0)

Tinha pouco mais de meia hora para ajudar a virar o resultado e livrar-se de ver o amarelo que o afastaria da recepção ao Benfica. Cumpriu o segundo objectivo e fez tudo o que estava ao seu alcance para atingir o primeiro, incluindo driblar um quarteto de adversários até ser derrubado. Pena é que tivesse ficado a um passo de oferecer a vitória ao Setúbal com um atraso incrivelmente disparatado.

 

Luiz Phellype (2,0)

Voltou a não conseguir fazer a diferença nos minutos que ficou em campo. Aguarda-se que isso suceda, mais cedo ou mais tarde, pois até ao presente momento não justificou a contratação.

 

Marcel Keizer (2,5)

Viu-se forçado a entregar a titularidade ao facialmente desafiado Petrovic, face à ausência de Mathieu e à falta de coragem para arriscar no corpulento Abdu Conté, apostou na estreia de Idrissa Doumbia face ao castigo de Gudelj, e deixou Nani no banco. Podia ter corrido bem, mas não era noite para isso, e se a desvantagem não levou o holandês a ser particularmente criativo, talvez por crer que o seu compatriota acabaria por cabecear decentemente , ficar com menos um jogador teve o condão de agitar a imaginação do pioneiro das tácticas 3-3-3 e 3-2-4, essa última prejudicada pela ineficácia do segundo avançado-centro. Mais difícil de explicar é o critério para prescindir de Raphinha em vez de Diaby.

A sorte protege os audazes

Ganhámos com sorte, sim. Mas haverá campeões sem estrelinha? Creio que não. Por vezes esquecemo-nos de que futebol também é jogo. E o jogo, seja qual for, envolve sempre um componente aleatória.

Uma palavra nos define, acima de outra, nesta final arrancada a ferros ontem à noite, em Braga, frente ao FC Porto: a palavra competência. Com um plantel inferior, em quantidade e qualidade, e um dia a menos de descanso do que a equipa adversária, soubemos fazer das fraquezas força e demonstrar a milhões de portugueses que o Leão, mesmo ferido e desgastado, continua a ser temível.

Repetiu-se o sucedido há um ano, nesta competição que também ganhámos, na altura sob o comando de Jorge Jesus: empate desfeito por penáltis tanto na meia-final como na final. A partida decisiva foi então com o V. Setúbal: os portistas haviam sido eliminados na etapa anterior. Desta vez enfrentámos o próprio campeão nacional, que só conseguiu fazer o primeiro remate à nossa baliza aos 42'. A segunda parte foi de claro domínio azul e branco, culminado no golo aos 79'. A partir daí, o Sporting caiu em cima do antagonista e criou várias oportunidades para empatar. No mais improvável desses lances, aos 89', Óliver derrubou Diaby dentro da grande área. Chamado a converter o penálti, Bas Dost não vacilou.

Na roleta que se seguiu, o holandês voltou a facturar. O mesmo fizeram Bruno Fernandes e Nani. Renan, sucessor de Rui Patrício, defendeu a grande penalidade apontada por Hernâni. E fazia-se a festa de verde e branco na rubra Cidade dos Arcebispos. Pelo segundo ano consecutivo, somos campeões de Inverno.

 

 

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SINAL VERDE

 

RENAN. Não há volta a dar: esta Taça da Liga é muito dele. Sem os três penáltis que defendeu na meia-final contra o aziado Braga, jamais teríamos reconquistado este troféu, ex-taça Lucílio. Ontem voltou a defender outro, revelando-se novamente decisivo. É certo que teve grande responsabilidade no golo que sofremos, aos 79'. Mas o balanço é largamente positivo.

RISTOVSKI. O macedónio não é um primor de técnica, está mais que visto. Ontem confirmou-se lá à frente, quando optou por atirar para a bancada quando tinha Dost e Nani isolados à sua esquerda. Mas bateu-se como um Leão contra Brahimi, um dos mais categorizados adversários. Fez um corte providencial aos 54'. Exibiu boa forma física do princípio ao fim.

COATES. Exibição irrepreensível do internacional uruguaio - e em circunstâncias muito difíceis pois viu-se privado do seu habitual parceiro no eixo da defesa, coabitando com três centrais em dois jogos decisivos. Foi o patrão do sector recuado, autor de cortes providenciais aos 17', 70', 76' e 77'. Só lhe faltou converter o penálti no fim: desperdiçou a oportunidade, como sucedera na meia-final.

ANDRÉ PINTO. Uma das melhores exibições de sempre do central ex-Braga vestido de verde e branco. Na primeira parte, vulgarizou e neutralizou Marega, sem nunca se atemorizar perante o avançado portista. O azar bateu-lhe à porta logo a abrir o segundo tempo, precisamente num choque com Marega: fracturou o nariz e ainda quis jogar em esforço, mas saiu aos 53'.

GUDELJ. Talvez a melhor actuação do sérvio desde que chegou a Alvalade. Competia-lhe aplicar um tampão às ofensivas portistas pelo corredor central. E assim fez, revelando também competência nas dobras aos laterais e na recuperação de bolas. Não está isento de culpas no golo adversário, mas merece nota positiva. Sacrificado aos 83' por motivos tácticos.

WENDEL. Chegou há um ano ao Sporting, mas permaneceu proscrito durante vários meses. Afinal é um jogador talentoso, que está a ganhar lugar cativo no onze titular do Sporting - uma das maiores conquistas de Keizer como técnico. Jogando como médio-ala, no corredor esquerdo, foi essencial na ligação dos sectores e na posse de bola, revelando disciplina táctica e bom domínio técnico.

BRUNO FERNANDES. Muito vigiado, com um raio de acção bastante mais limitado do que é habitual, levou a melhor em sucessivos duelos com Herrera. Quase marcou, de livre directo, no último lance da primeira parte. Passe prodigioso a isolar Raphinha à beira do apito final. Chamado a converter uma grande penalidade, na hora da verdade, cumpriu com brilhantismo. E sem surpresa para ninguém.

NANI. A "casa das máquinas" esteve a cargo do capitão leonino, que fez valer a sua experiência em campo quando era necessário estancar as torrentes de energia portista. Hábil leitor do jogo, sem se atemorizar perante Militão, ajudou a fechar o nosso corredor esquerdo, reforçando o bloco defensivo. Fez um centro fabuloso para Bas (81') e foi competente também a marcar o penálti final.

BAS DOST. Em dois momentos decisivos, cumpriu - tornando-se no improvável homem do jogo. Chamado a converter o penálti após os 90', foi frio e eficaz, metendo-a lá dentro. E redobrou a dose, atirando-a para as malhas da baliza a abrir a ronda final de grandes penalidades. Pressionou muito à frente, ganhou lances aéreos. Podia ter marcado aos 81', mas assim a final teria sido menos emocionante.

PETROVIC. Com Mathieu ausente e André Pinto lesionado logo a abrir a segunda parte, revelou-se uma das mais graves lacunas do nosso plantel: falta-nos um quarto central. Aos 53' o médio defensivo sérvio avançou do banco e fez parceria com Coates. Missão bem sucedida: foi intransponível, mesmo após ter fracturado o nariz num choque (também ele, tal como André). 

 

 

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SINAL AMARELO

 

ACUÑA. Desta vez não brilhou, tendo pela frente as investidas de Corona, embora fosse o mesmo argentino combativo a que já habituou os adeptos. Por vezes é mesmo combativo em excesso: amarelado aos 35', e com a sua natural propensão para discutir com os árbitros, acabou por não regressar ao relvado após o intervalo. Keizer fez bem: o seguro morreu de velho.

RAPHINHA. Ainda não retomou o melhor nível desde que veio de lesão, revelando algum défice de eficácia nos metros finais do terreno: bem servido por Bruno, que o isolou aos 90'+5, desperdiçou essa soberana oportunidade de sentenciar a final antes do apito. Mas completou com eficácia a missão de Ristovski nas manobras defensivas do nosso corredor direito.

JEFFERSON. Esteve em campo durante toda a segunda parte - o período mais complicado para o Sporting, após o nosso notável desempenho colectivo nos 45 minutos iniciais. Foi comedido nas acções ofensivas, certamente por ordem do treinador, e ajudou a fechar o flanco. Ia estragando tudo com um recuo de bola disparatado aos 88', salvo in extremis por um companheiro.

DIABY. Com o Sporting a perder, a cerca de um quarto de hora do fim, Keizer arriscou - e fez muito bem. Saiu Gudelj, entrou Diaby para refrescar o nosso ataque, já muito desgastado. O maliano pouco mais fez do que correr sem bola, ampliando as linhas de passe. Mas teve sorte: numa dessas incursões, já dentro da área portista, foi derrubado à margem das regras. Tudo mudaria a partir daí.

Armas e viscondes assinalados: Onze de cada lado e no final ganha o Sporting nos pénaltis, mesmo que a sangrar do nariz

Sporting 1 - FC Porto 1 (3-1 no desempate por grandes penalidades)

Taça da Liga - Final

26 de Janeiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,5)

Desta vez só defendeu um pénalti, mas a sua aura de especialista contribuiu para que Éder Militão e Felipe falhassem o alvo, pelo que é justo chamar-lhe herói da revalidação do título de vencedor da Taça da Liga, nas pisadas de Rui Patrício, também sujeito a desempate por grandes penalidades na meias-finais e final da edição anterior. Foi a melhor forma de o brasileiro se redimir pelo golo do FC Porto, nascido de uma defesa incompleta e atrapalhada para a frente. Poucas vezes posto à prova, apesar do enorme domínio dos adversários na segunda parte, ainda fez uma defesa magnífica a um cabeceamento de Felipe.

 

Ristovski (3,0)

Encontrou o irrequieto Brahimi e o pendular Alex Telles pela frente, o que em nada contribuiu para a sua participação no esforço ofensivo. Numa das raras ocasiões em que o fez decidiu mal, optando por um remate torto à entrada da área quando poderia ter servido Bas Dost, que estava em posição frontal e livre de cobertura. Restou-lhe fazer um jogo de grande sacrifício, sempre incansável e sem medo do contacto físico, até à maior vitória de um macedónio desde os tempos de Alexandre.

 

Coates (4,0)

Quis o destino e a chuteira direita que fosse o único sportinguista a falhar no desempate por grandes penalidades. Como diria um ex-dirigente do clube, seria chato se o melhor jogador em campo ficasse ligado à derrota por causa disso. Felizmente não sucedeu essa gritante injustiça para o uruguaio, desta vez sem Mathieu ao lado, que foi vendo colegas de eixo defensivo caírem ao relvado com o nariz a sangrar enquanto fazia mais cortes nas jogadas prometedoras do FC Porto do que Mário Centeno tem feito nas despesas sociais.

 

André Pinto (3,5)

Mal o jogo tinha começado e já estava a fazer um excelente corte ao cruzamento de Corona, livre como um pássaro na ala direita. Serviu de mote para uma primeira parte de grande nível, na qual contribuiu para ultrapassar o sufoco inicial e lançar a equipa para o domínio improvável com que o Sporting chegou ao intervalo. Mas estava escrito que seria uma final azarada para o central português: antes do intervalo viu um amarelo (questionável) ao carregar Marega e depois da reentrada em campo fracturou o nariz numa disputa de bola com o mesmo avançado. Ainda tentou manter-se no relvado, com duas compressas ensopadas de sangue em cada uma das narinas, mas viu-se forçado a sair.

 

Acuña (2,0)

Tudo indica que a final da Taça da Liga foi o último jogo do internacional argentino pelo Sporting, e o mínimo que se poderá dizer é que terá sido uma despedida inglória. Tremendamente ineficaz a conter as incursões de Corona, também não muito mais eficaz a fazer cruzamentos para a grande área portista, e claramente no modo “rebelde sem causa” que atrai cartões amarelos, Acuña foi substituído ao intervalo. Se for mesmo para o Zenit deixará saudades por muitos outros jogos que não este.

 

Gudelj (3,0)

Depois de numerosas exibições a puxar para o fraco, eis que deu um ar da sua graça e lidou com os líderes da Liga NOS da mesma forma que um seu conterrâneo lida com donos de restaurantes manhosos noutro programa da grelha da TVI. Sem ter feito uma exibição isenta de erros - tanto deixou que Felipe cabeceasse para a melhor defesa de Renan como fez uma tentativa ridícula de remate à entrada da grande área -, empenhou-se em não deixar que os outros vencessem pela primeira vez a Taça da Liga com o tipo de determinação que os sérvios costumam reservar para os croatas, bósnios ou kosovares. Saiu após o golo de Fernando, quando Marcel Keizer apostou tudo no ataque, mas deixou a sua marca.

 

Wendel (3,0)

Destacou-se a sair com bola para o meio-campo adversário, sem qualquer medo de apostar no um contra um ou no um contra dois. A qualidade intrínseca do jovem brasileiro acabou por sair afectada do desgaste acumulado na segunda parte, ao ponto de controlar mal um belíssimo passe de Nani para dentro da área portista, e não fossem as circunstâncias particulares do jogo poderia muito bem ter dado lugar à entrada de Miguel Luís.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Merecia que Raphinha tivesse aproveitado melhor o passe de qualidade sobrenatural com que, pouco antes do apito final, fez algo à defesa portista que deveria tê-lo forçado a casar com ela. Apenas um dos toques de génio com que demonstrou estar a regressar à melhor forma, e que permitem ao Sporting viver acima das suas possibilidades. Já no último lance da primeira parte o deixara bem claro, na cobrança de um livre directo que saiu a centímetros do poste. Melhor esteve no desempate por grandes penalidades, demonstrando uma eficácia e frieza tais que o guarda-redes do FC Porto podia ter aproveitado para ler os clássicos naqueles segundos que passou a decidir para onde se lançaria.

 

Nani (3,5)

Ergueu o primeiro troféu desde o segundo regresso a Alvalade e contribuiu bastante para esse desfecho. Pertenceu-lhe o primeiro remate do Sporting, muito forte mas também bastante ao lado, aproveitando uma assistência de... Bas Dost, procurou sempre entregar a bola melhor do que a recebeu e voltou a procurar servir os colegas. Até redescobriu alguma velocidade nas pernas no lance em que respondeu ao golo portista com um cruzamento a que Bas Dost não conseguiu corresponder da melhor forma. 

 

Raphinha (3,0)

Apresentou a velocidade como cartão de visita, o que lhe poderia ter valido um golo caricato, visto que a bola embateu violentamente no seu corpo ao acercar-se de um alívio fora de tempo do guarda-redes portista. Também na segunda parte, servido por... Bas Dost, foi placado por Felipe quando tinha condições para isolar-se frente ao guarda-redes. Pena a falta de eficácia nos instantes decisivos, como aquele em que permitiu a defesa que impediu a consumação da reviravolta leonina sem necessidade da “lotaria dos pénaltis”, ainda que seja aquele tipo de lotaria em que são onze contra onze e no final o Sporting ganha.

 

Bas Dost (3,5)

Muito mais interventivo do que nos últimos jogos, o holandês aproveitou o mau momento de Pepe e Felipe para ganhar bolas no contra-ataque e assistir Nani e Raphinha em jogadas perigosas. Pouco solicitado pelos colegas no seu “core business”, não hesitou em ajudar a defesa nos momentos de maior domínio do FC Porto e também não ficou longe de conseguir empatar logo após o deslize de Renan. Redimiu-se com a calma glaciar com que cobrou o pénalti que caiu do céu, repetindo a proeza, com menos força, direcção e estilo, no arranque da série que valeu a Taça da Liga ao Sporting.

 

Jefferson (2,5)

Lançado após o intervalo para o lugar de Acuña, o lateral-esquerdo brasileiro não teve tarefa fácil no um contra um com Marega, com quem trocou empurrões e palavras nada meigas (naquela que foi a maior brecha da noite no “fair play” até Sérgio Conceição ordenar à equipa que recolhesse aos balneários antes da entrega da Taça ao Sporting, e um dos seus adjuntos ter recorrido à medalha de finalista como arma de arremesso contra um adepto leonino). Mas aguentou a pressão e quase merecia ser feliz num cruzamento que lhe saiu mal ao ponto de forçar Vaná a uma defesa apertada para canto.

 

Petrovic (4,0)

Entrou para o lugar de André Pinto quando o central fracturou o nariz e... fracturou também ele o nariz, apressando-se a pedir uma camisola nova para substituir aquela que ficara da cor das duas equipas que não chegaram à final da Taça da Liga. Assim se manteve em campo, adaptado a central e com o nariz adaptado a uma batata, tal como provavelmente se manteria caso lhe tivessem amputado um dedo ou uma mão. E a verdade é que se portou muito bem, sendo o menos culpado no golo do FC Porto e demonstrando absoluta coragem física nos muitos lances em que fez valer o físico para afastar o perigo da sua baliza. Ainda conseguiu ver um amarelo por uma falta que não cometeu.

 

Diaby (2,5)

Entrou na hora do desespero e teve o mérito de estar no sítio certo à hora certa, sendo carregado dentro da grande área por Oliver Torres sem que o árbitro João Pinheiro, a meia-dúzia de metros de distância, reparasse nisso até ser chamado à atenção pelos dois videoárbitros. O resto é história.

 

Marcel Keizer (4,0)

A sua equipa tinha menos 24 horas de descanso nas pernas e, por muito que isso custe, mais do que 24 milhões de euros de diferença de valor de mercado. Promoveu o regresso de Bas Dost, substituiu Mathieu por André Pinto e viu os seus jogadores darem a volta aos primeiros minutos de domínio do FC Porto. Pouco demorou até o Sporting controlar as operações, num daqueles jogos muito divididos e pouco espectaculares que costumam suceder quando as duas melhores equipas portuguesas se encontram, mas depois da bonança veio a tempestade da segunda parte. Tinha gasto a primeira substituição ao intervalo, impedindo Acuña de se despedir deixando a equipa com dez, e gastou a segunda logo a seguir, trocando o ensanguentado André Pinto por um Petrovic que logo deixou também de ser senhor do seu nariz. A única substituição táctica a que teve direito ocorreu no final do jogo, trocando Gudelj por Diaby, e bastou para escrever direito por linhas tortas. Um título ao serviço do Sporting já ninguém tira ao holandês.

Quente & frio

Gostei muito  de ver o Sporting entronizado como campeão de Inverno e o nosso grande capitão, Nani, erguer a Taça da Liga no estádio do Braga, mostrando aos adeptos - ali, em todo o País e nas comunidades portuguesas no estrangeiro - o primeiro troféu conquistado na era Varandas e na era Keizer, o primeiro troféu do futebol português em 2019. Um troféu alcançado em circunstâncias duríssimas (perante um forte FC Porto que dispôs de mais um dia de descanso) na sequência da vitoriosa meia-final frente ao Braga. Depois de afastarmos a equipa braguista, hoje batemo-nos com brio e galhardia perante um valoroso adversário, que vendeu cara a derrota e só foi derrubado nas grandes penalidades finais. Pela segunda vez na mesma semana, a grande força mental da nossa equipa veio à superfície: fomos superiores na hora do tira-teimas. E revalidámos o título: duas Taças da Liga em anos consecutivos.

 

Gostei  da emoção que marcou do princípio ao fim esta final. Um verdadeiro clássico, muito disputado no terreno, com dois fortes dispositivos tácticos enfrentados em campo e um inegável espírito colectivo que animou o onze leonino, apontado à partida como menos favorito por quase todos os especialistas do comentário futebolístico cá do burgo. No momento da verdade, contrariando estas pitonisas, fomos superiores. Bas Dost - homem do jogo - converteu com muita competência dois penáltis com poucos minutos de intervalo: um ao cair do pano, que nos transportou para a decisão após o apito final, e o outro a abrir a ronda das grandes penalidades que ditaram o vencedor do troféu. Renan, que defendera três penáltis na meia-final contra o Braga, bloqueou hoje mais uma, convertendo-se numa figura imprescindível do onze titular leonino. Bruno Fernandes e Nani, dois dos jogadores mais categorizados do actual futebol português, cumpriram também a sua obrigação na marca dos onze metros. Um prémio justo para eles - e também para os milhares de adeptos que compareceram na Pedreira em incentivo permanente aos profissionais deste nosso grande clube.

 

Gostei pouco  de ver, por estes dias, que alguns adeptos e simpatizantes do Sporting continuam a chamar "taça da carica" ou "Taça Lucílio" a esta competição, que nos dois últimos anos teve a nossa marca vitoriosa e nos merece novamente o título de campeões de Inverno, consagrado pela própria Liga de Clubes. Não faz o menor sentido, na era do vídeo-árbitro e numa altura em que a Taça da Liga passou enfim a mobilizar as atenções dos desportistas de todo o País, haver entre nós quem se apresse a desvalorizar este troféu.

 

Não gostei  da excessiva superioridade territorial que concedemos ao FC Porto durante 25 minutos da segunda parte em que permanecemos demasiado acantonados no nosso meio-campo defensivo. Foi nessa fase da partida que sofremos o golo solitário, aos 79', em consequência da forte pressão portista. Mas soubemos reagir muito bem à adversidade. E o treinador reagiu da melhor forma, não baixando os braços: mandou sair o médio defensivo, Gudelj, trocando-o pelo extremo Diaby. Seis minutos depois, a ousadia do técnico foi recompensada: o jovem maliano deu profundidade ao nosso ataque, acabando por ser derrubado em falta na grande área azul e branca: por indicação do vídeo-árbitro, João Pinheiro apontou para a marca de penálti. Era o momento decisivo da final, que nos abria o caminho do troféu com a grande penalidade convertida por Bas Dost aos 90'+2. Também não gostei da substituição forçada de André Pinto, por lesão, aos 53': o defesa, que estava a ser um dos nossos melhores em campo, lesionou-se num choque com Marega e acabou por ceder o lugar a Petrovic, que funcionou até ao fim como central improvisado, dando boa conta do recado.

 

Não gostei nada  da falta de desportivismo da equipa do FC Porto - incluindo aqui o técnico Sérgio Conceição - que abandonou o estádio antes da entrega do troféu ao Sporting, sem retribuir a "guarda de honra" que pouco antes os nossos jogadores haviam dedicado no relvado aos adversários, finalistas vencidos. Precisamente ao contrário do que o Sporting fez em Maio, no Jamor, ao perder a Taça de Portugal para o Aves: a desilusão era imensa, mas nenhum dos nossos então arredou pé. Como diria Nani, noutro contexto, quem não sabe perder também não sabe ganhar.

Armas e viscondes assinalados: Desperdício abatido com dois tiros disparados de longe

Feirense 0 - Sporting 2

Taça de Portugal - Quartos de final

16 de Janeiro de 2018

 

Salin (4,0)

Os adeptos do Feirense foram os primeiros a levar perigo à sua baliza, fazendo rebentar um petardo junto ao francês, mas logo os jogadores da equipa da casa seguiram o exemplo vindo das bancadas. Conseguir a rara proeza de chegar ao final do jogo sem golos sofridos implicou uma mão-cheia de excelentes intervenções, num festival de classe que arrancou na primeira parte, quando uma das habituais paragens colectivas da defesa leonina fez aparecer um adversário isolado à entrada da pequena área. Ainda melhor esteve nos últimos minutos de jogo, quando a vantagem de 0-2 poderia ter sido escassa para atingir as meias-finais caso o guarda-redes não tivesse desviado remates com selo de golo como se não houvesse amanhã.

 

Ristovski (3,0)

O macedónio não se deixou intimidar pelo cartão amarelo que viu cedo e vá-se lá saber porquê - ao ponto de ser reconhecido como dificilmente explicável pelo comentador da RTP antes de este lavrar a salomónica sentença “também se aceita” - e controlou as movimentações do Feirense sem deixar de dar precioso contributo nas jogadas de ataque. Pena que os cruzamentos nem sempre lhe tenham saído bem.

 

Coates (3,0)

Invejosos irão catalogar como inadvertida a assistência para o golo da relativa tranquilidade, desviando a bola de cabeça para a entrada da área, onde surgiu Bruno Fernandes. Mas foi apenas um dos momentos em que o central uruguaio se integrou bem no ataque, tal como esteve inspirado nos passes longos, oferecendo a Raphinha um golo que o brasileiro não soube marcar. Nos últimos minutos, já com Edinho empenhado em fazer aquilo que lhe valeu um cântico quando estava em Setúbal, acabou por cair também no desnorte que poderia ter causado dissabores ao Sporting.

 

Mathieu (3,5)

Com liberdade suficiente para actuar como lateral-esquerdo em boa parte do tempo, tirando partido da visão de jogo e da qualidade de passe longo, nem uma ou outra fífia lhe retirou mérito nas missões defensivas. Teve direito a alguns minutos de descanso após o segundo golo, e o mínimo que se pode dizer é que a sua ausência foi sentida.

 

Acuña (3,5)

A magnífica assistência para Bas Dost abrir o marcador que teimava em manter-se a zero, após fazer um ‘cabrito’ para ludibriar um adversário, não merecia ficar associada a um desperdício escandaloso. Extremamente lutador, mas desta vez só no bom sentido da palavra, recordou aos sportinguistas o quanto ficarão a perder se 20 milhões de euros chegarem para lhe pagar a viagem para a Rússia.

 

Gudelj (3,0)

Ainda não foi desta que marcou num pontapé de ressaca, mas talvez se possa inspirar naquele que Bruno Fernandes executou para estabelecer o resultado final. Já na posição mais recuada do meio-campo, para a qual acaba de ser contratado Idrissa Doumbia, foi útil no ataque à bola e dedicou-se melhor do que o habitual à ligação entre a defesa e o ataque. Subiu ligeiramente no campo aquando da entrada de Petrovic sem que daí adviesse nada de bom para a sua exibição e para o desempenho da equipa.

 

Wendel (4,0)

Mostrou estar pronto para tudo logo na primeira parte, sendo capaz de se desenvencilhar do árbitro Fábio Veríssimo quando este lhe tentou atrapalhar a progressão com bola. Ainda que não tenha conseguido aproveitar uma boa desmarcação saída dos pés de Nani, permitindo a defesa do guarda-redes, manteve-se sempre em elevada rotação e acelerou o jogo ofensivo do Sporting. Sobretudo quando avançou pela esquerda, tirou um adversário do caminho e rematou em arco para inaugurar o marcador. Recebeu como prémio merecidos 15 minutos de descanso, pois no sábado existe mais um compromisso daquela competição em que também se luta com o FC Porto, Benfica e Braga.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Cedeu protagonismo a Wendel e Nani na primeira parte, o que não o impediu de ficar perto do golo num remate muito forte e de muito longe. Depois do intervalo abriu o livro e encadernou-o a folha de ouro com passes magníficos para isolar colegas e, para não destoar, remates perigosos. O primeiro saiu perto do poste, mas o segundo, na consequência de um canto, alojou-se de forma tão decidida nas redes que talvez pudesse pôr em risco a integridade do guarda-redes caso saísse à figura.

 

Nani (3,0)

Entrou no jogo à patrão, assumindo o controlo tanto nos flancos como no miolo do relvado, para onde flectia com a intenção de servir os colegas. Destaca-se nesse período do jogo um passe para as costas da linha defensiva do Feirense que isolou Wendel. Só que à medida que o cronómetro avançava perdeu protagonismo e discernimento, falhando duas oportunidades de golo em posição frontal, num cabeceamento e num remate em arco. Ficou até ao apito final, pois Keizer preferiu poupar Wendel, mas mais uma vez nada se teria perdido se Jovane Cabral pudesse ter uns minutos para mostrar a sua arte.

 

Raphinha (3,0)

Especializou-se em passes impossíveis que aparenta fazer sem qualquer esforço e mostrou-se muito melhor do que nos minutos finais do Sporting-FC Porto, faltando-lhe o essencial: confiança no momento em que ganha espaço para rematar.

 

Bas Dost (2,0)

Também muito melhor nas trocas de bola com os colegas, teve o azar de Fábio Veríssimo estar mais atento à sua impulsão apoiado nos centrais do que aos agarrões desses mesmos centrais noutros lances, fora e dentro da grande área. O golo de cabeça que lhe foi anulado no primeiro tempo pode ter sido um factor de desestabilização, pois ainda antes do intervalo conseguiu rematar contra o guarda-redes na recarga a um grande remate de Bruno Fernandes, e na segunda parte abraçou a missão impossível de, sem cobertura e a poucos metros da baliza escancarada, desviar para o lado errado do poste a assistência perfeita de Acuña. Que o Sporting esteja a atingir uma fase decisiva da época com a principal referência atacante num tão baixo nível de inspiração não é nada que tranquilize os adeptos...

 

Luiz Phellype (2,5)

Teve direito ao seu primeiro quarto de hora de leão ao peito e fez por aproveitá-lo. Boas movimentações e velocidade na disputa de bola - tivessem os dois péssimos atrasos para o guarda-redes a que Bas Dost nem tentou chegar ocorrido com o brasileiro em campo... - foram o prenúncio de um remate forte, desferido de fora da grande área, que embateu no poste, impedindo uma estreia de sonho.

 

André Pinto (1,5)

Substituiu Mathieu em circunstâncias menos dramáticas do que as habituais, o que talvez tenha contribuído para que fosse muitíssimo menos capaz de desempenhar o papel de ‘understudy’ do francês. Lento e desorientado nas disputas de bola, contribuiu para o ascendente da equipa da casa nos últimos minutos do jogo.

 

Petrovic (2,0)

Costuma dar ordem ao meio-campo e tirar proveito do físico. Tende em regra a resultar, o que não impede que o jogo de Santa Maria da Feira tenha sido a excepção, pois a sua presença no relvado fica ligada a grandes atribulações que só não foram preocupantes porque Salin se preocupou em resolvê-las.

 

Marcel Keizer (3,0)

Começou bem na convocatória, deixando Diaby em Lisboa, e viu a equipa a gerir bem o jogo, não obstante o festival de desperdícios que poderia ter impedido o Sporting de disputar a Taça de Portugal com as mesmas três equipas com que disputa a Taça da Liga e a Liga NOS. Disse que a equipa esteve no melhor que já lhe viu, o que envolve um certo optimismo, mas desta vez até pôde descansar alguns dos mais desgastados (Mathieu e Wendel) ou desinspirados (Bas Dost), com o vírus resultadista a transformar Petrovic no 14.° jogador e a relegar Jovane Cabral para o estatuto de primeiro entre os que nem chegam a entrar no relvado.

Armas e viscondes assinalados: E assim se desfez o nó Peseiro

Feirense 1 - Sporting 4

Taça da Liga: Fase de Grupos - 3.ª Jornada

29 de Dezembro de 2018

 

Salin (3,5)

Só duas saídas em falso a cruzamentos, uma na primeira parte e a outra no último lance do jogo, retiraram brilho ao regresso do francês à baliza leonina. Muito atento às movimentações do adversário, avançando no terreno para adiantar-se a desmarcações, defendeu tudo o que havia para defender. Tirando o pénalti, claro está, mas não por falta de esforço.

 

Ristovski (2,5)

O melhor da sua exibição poderá muito bem ter sido a movimentação que distraiu a defesa e ajudou Raphinha a inaugurar o marcador. Com a bola nos pés sentiu maiores dificuldades, pelo que a posição de lateral-direito parece cada vez mais a principal lacuna do Sporting,

 

Coates (3,5)

A assistência magnífica que fez para Bruno Fernandes representou metade de um grande golo. No resto do jogo foi o central virtuoso que demonstra ser em praticamente todos os jogos.

 

Mathieu (3,5)

Viu reconhecida pelo treinador a importância do corte providencial que fez no início da segunda parte, impedindo que um contra-ataque chegasse a dois adversários bem posicionados para empatar o jogo. Voltou a marcar um livre directo que levou perigo à baliza do Feirense.

 

Acuña (3,0)

Combativo como só ele sabe ser, distinguiu-se nas missões defensivas, mas na hora de atacar viu-se prejudicado pela má noite de Diaby. Saliente-se a relativa contenção com que lidou com uma entrada assassina que o árbitro puniu com um cartão mais desbotado do que se exigia.

 

Petrovic (3,0)

Teria sido uma noite bastante positiva para o médio sérvio não fosse a grande penalidade escusada que cometeu quando o Sporting embalava para a goleada. Eficaz a destruir jogo, serviu-se da altura para aumentar o domínio aéreo e ficou bem perto de fazer o 1-5 num cabeceamento à entrada da área.

 

Miguel Luís (3,0)

Estava a ter uma noite de formiga incansável no meio-campo até que decidiu fazer de cigarra, entrou pela grande área e forçou um defesa a fazer autogolo para evitar que a bola chegasse a Bas Dost. Ainda tentou inscrever o nome na lista de marcadores com um remate de longe.

 

Bruno Fernandes (4,0)

A execução do chapéu ao guarda-redes e a sincronia com o passe feito de muito longe por Coates fazem do seu golo mais um marco na carreira de um dos melhores médios de sempre a ter o leão ao peito. Ficou perto de bisar num cabeceamento à ponta de lança e num livre directo, fez a equipa carburar num jogo em que poderia ser preciso marcar muitos golos para chegar à fase final da Taça da Liga e criou tantas oportunidades para os colegas que o seu nome do meio deveria ser “passe de ruptura”. 

 

Raphinha (3,5)

Inaugurou o marcador cedo e a boas horas com um remate notável e tentou sempre agitar a ala direita. Começa a ganhar o ritmo de que a equipa necessitará nas próximas semanas, mas ainda se nota o cansaço que levou à substituição.

 

Diaby (2,0)

Rendeu pouco à esquerda e foi particularmente perdulário nas oportunidades de golo que teve. Quando isolado frente ao guarda-redes permitiu a defesa e perante a baliza aberta, na recarga ao excelente remate do recém-entrado Jovane, rematou muito acima da barra. Quando Nani regressar fica sem espaço caso não consiga fazer melhor.

 

Bas Dost (3,0)

Tremendamente eficaz no lance do pénalti, tanto a ganhar posição como a sofrer a falta e a marcar o golo, o holandês falhou a emenda ao cruzamento de Jovane de forma tão inacreditável que se penitenciou de joelhos. Espera-se que guarde alguns golos para o difícil mês de Janeiro, assegurando um Inverno do contentamento para os sportinguistas.

 

Jovane Cabral (3,0)

Entrou muito mexido e merecia o golo numa jogada individual que fez a bola embater no poste. Não esmoreceu e procurou sempre o golo que procurou oferecer a Bas Dost.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Substituiu Ristovski com o jogo a caminho do fim e ainda ficou à beira de marcar graças a uma desmarcação com a assinatura de Bruno Fernandes.

 

Jefferson (-)

Cinco minutos em campo para dar prova de vida.

 

Marcel Keizer (3,0)

Cumpriu o objectivo de manter o Sporting na luta pela revalidação da Taça da Liga, desfazendo o nó que José Peseiro apertou em torno do seu pescoço ao perder em casa com o Estoril. Ultrapassado o embate do desaire em Guimarães pôs uma equipa em campo empenhada em jogar bom futebol e conseguiu-o, não obstante a incerteza decorrente do golo do Feirense e da boa entrada da equipa da casa após o intervalo. Mas o próprio Keizer sabe que os testes mais importantes ainda vêm a caminho.

2018 em balanço (1)

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JOGADOR DO ANO: BAS DOST

Não custa vaticinar que fará parte da história leonina como um dos nossos maiores artilheiros de sempre. Faz agora um ano, elegi-o como jogador de 2017 com as nossas cores e volto a mencioná-lo, merecidamente, pois Bas Dost fez por isso. Se deixámos fugir uma vez mais o título, numa época que começou muito bem e terminou da pior maneira, ele não tem a menor responsabilidade nisso pois cumpriu o seu papel.

Está na equipa para marcar golos e concretiza essa objectivo com uma regularidade impressionante. Na temporada 2017/2018, meteu 34 vezes a bola no fundo da baliza - somando 70 golos nas duas primeiras épocas de Leão ao peito. Nestes meses que levamos da temporada 2018/2019, continua de pé quente: já marcou dez para o campeonato nacional, quatro para a Taça de Portugal e um para a Liga Europa. No campeonato, os dez golos foram concretizados em apenas 683 minutos de jogo - o que dá uma pendular média de um golo praticamente a cada hora no relvado.

Não admira, assim, que o internacional holandês seja hoje o maior ídolo das exigentes bancadas de Alvalade. Mas não se pense que só passa no teste numérico: é também um dos jogadores que mais contribuem para um bom ambiente no balneário e nunca demonstra egoísmo em campo, sendo o primeiro a felicitar os colegas que o ajudam a construir os golos.

No ano prestes a terminar, Bas Dost esteve ainda em foco, por motivos totalmente alheios à sua vontade: tornou-se o rosto mais visível do bárbaro assalto de cerca de quatro dezenas de membros de uma claque ao centro de formação e estágio em Alcochete. Correu mundo uma fotografia dele com um ferimento na testa, após ter sido agredido com um cinto pelos energúmenos que violaram a nossa Academia. Na sequência deste acto de violência, e das ameaças de morte à sua mulher, na altura grávida, Dost rescindiu unilateralmente o contrato que o ligava ao Sporting. Mas foi resgatado dois meses depois, graças à decisiva acção de Sousa Cintra, que presidia interinamente à SAD. Partira de rosto fechado e triste, regressou com um sorriso de esperança.

Em boa hora voltou: andávamos com saudades dos golos dele.

 

 Jogador do ano em 2012:  Rui Patrício

Jogador do ano em 2013: Montero

Jogador do ano em 2014: Nani

Jogador do ano em 2015: Slimani

Jogador do ano em 2016: Adrien

Jogador do ano em 2017: Bas Dost

Pódio: Bas Dost, Acuña, Bruno Fernandes

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Rio Ave pelos três diários desportivos:

 

Bas Dost: 20

Acuña: 19

Bruno Fernandes: 19

Diaby: 19

Jovane: 17

Miguel Luís: 16

Mathieu: 15

Renan: 14

Petrovic: 13

Bruno Gaspar: 13

André Pinto: 12

Gudelj: 12

Coates: 12

Ristovski: 7

 

A Bola elegeu Acuña como melhor jogador em campo. O Record optou por Bruno Fernandes. O Jogo escolheu Bas Dost.

Armas e viscondes assinalados: Premissas diferentes para o mesmo resultado

Sporting 5 - Rio Ave 2

Taça de Portugal - Oitavos de final

19 de Dezembro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,0)

Voltou a sofrer dois golos sem culpa, pois um autogolo com nota artística e uma grande penalidade nunca seriam propriamente fáceis de defender. Talvez também não conseguisse chegar à bola no livre directo que embateu na barra, mas esteve bem nas manchas, uma das quais impediu Fábio Coentrão de ter um regresso a casa ainda mais feliz.

 

Bruno Gaspar (1,5)

O autogolo vistoso que cometeu pouco antes do intervalo, numa tentativa de corte que resultou num chapéu perfeito ao seu guarda-redes, foi a principal nota de destaque de uma exibição marcada, mais uma vez, pela incapacidade de ajudar o ataque leonino. Se a extinção do dodó foi consequência directa da incapacidade que essa ave demonstrava no momento de voar, o que poderá estar reservado a um lateral que não sabe fazer cruzamentos? 

 

Coates (3,0)

Mesmo a indignação com que reagiu ao pénalti marcado por João Pinheiro, após um ressalto ter levado a bola a embater na sua mão, serve para mostrar a classe do central uruguaio. Nada convencido da justiça da decisão, insistiu de forma insistente mas civilizada com o árbitro, e não deixou que o episódio abalasse a sua concentração. Ficou bem perto de marcar o tantas vezes adiado golo de cabeça, encaminhando a bola para o poste mais distante no lance em que a recarga de Bas Dost selou o 2-0. E manteve a média de cortes de jogadas perigosas que faz de si um ausência muito notada na deslocação a Guimarães.

 

Mathieu (3,0)

Uma desatenção que permitiu ao irrequieto Gelson Dala rematar para fora dentro da grande área foi o pior momento do francês, desta vez incapaz de marcar de livre directo. Acabou por ter direito a alguns minutos de descanso necessários a dar rotina de jogo ao homem com quem irá formar dupla de centrais no próximo jogo do Sporting.

 

Acuña (3,5)

Duas assistências para golo e o incansável contributo para o domínio sobre uma equipa tão perigosa e bem organizada quanto o Rio Ave mereceriam melhor nota não fosse a faceta patologicamente contestatária do argentino. Empenhado em tentativas de comunicação com o auxiliar que mereceram vaias dos poucos mais de 12 mil presentes no estádio, acabou por ver o amarelo devido a uma sucessão de faltas enumeradas pelo árbitro.

 

Gudelj (3,0)

Tinha pela frente adversários valiosos e deu boa conta de si na maior parte do tempo. Sem sorte a rematar de longe, ainda sofreu um toque e viu-se forçado a sair do relvado mais cedo.

 

Miguel Luís (3,5)

As mesmas chuteiras de lã com que ganhou lugar na equipa de Marcel Keizer serviram-lhe para pautar a ligação entre defesa e ataque no meio-campo leonino. Já lhe chamam o novo Adrien, o que é uma péssima notícia para o Adrien propriamente dito.

 

Bruno Fernandes (4,5)

Um golo e uma assistência não chegam para traduzir aquilo que o capitão na ausência de Nani fez neste jogo. Apesar de o 3-0 ter sido o melhor do jogo, num míssil teleguiado com força, efeito e precisão, e apesar de a assistência para Diaby ser uma obra de arte. Todos os seus toques de bola foram excelentes e a assistência que fez para o potencial hat-trick de Bas Dost deveria contar mesmo sem ter sido concretizada. A exibição só não foi perfeita pelas duas ou três ocasiões em que insistiu em passar a bola para a direita quando tinha Jovane Cabral a isolar-se na esquerda.

 

Diaby (4,0)

Mais dois golos plenos de oportunidade, daqueles que o revelam como um avançado capaz de estar no sítio certo à hora certa, fazem pensar onde é que o maliano terá andado durante os seus primeiros meses em Alvalade. 

 

Jovane Cabral (3,5)

Voltou a não estar isento de trapalhadas ao longo de um dos raros jogos que fez do primeiro ao último minuto, mas integrou-se bem na fábrica de fazer goleadas leonina e ainda fez um cruzamento tão perfeito para o segundo golo de Bas Dost que quase dispensou o holandês de tirar os pés do chão no momento de cabecear.

 

Bas Dost (4,0)

Desta vez não sofreu nem converteu pénaltis, dedicando-se à sua especialidade de marcar golos que, sem serem de m..., não são para emoldurar e pendurar na parede. Rápido a encaminhar a bola para as redes no 2-0 e a arrastar os defesas consigo no 3-0, bisou de cabeça e só não chegou ao hat-trick devido ao excesso de ética protestante que lhe mandou devolver a bola a Bruno Fernandes sem que o colega estivesse à espera.

 

Petrovic (3,0)

Entrou para o lugar de Gudelj e interpretou bem o papel de unidade menos criativa de uma equipa concebida para criar. Consciente das suas limitações técnicas, o sérvio contorna essas dificuldades de modo a poder ser útil e a justificar o seu lugar no plantel.

 

André Pinto (2,5)

Teve direito a alguns minutos no relvado como ensaio para a deslocação a Guimarães no próximo domingo. Podia ter corrido melhor, pois ficaram patentes as dificuldades na hora de lidar com avançados velozes.

 

Ristovski (3,0)

Outro que recebeu alguns minutos para ganhar ritmo de jogo. Aproveitou-os bastante bem, nomeadamente nas missões defensivas, ainda que o grau de comparação fosse uma das piores actuações de Bruno Gaspar.

 

Marcel Keizer (4,0)

Repetiu o mesmo resultado do último jogo, ainda que sem o susto dos dois golos iniciais sofridos com o Nacional, e empolgou os poucos sportinguistas que fizeram uma pausa nos afazeres natalícios. Totalmente ganha a aposta em Miguel Luís e as substituições destinadas a dar minutos a jogadores que precisa de ter como opções válidas para o que der e vier. Mas o mais importante é a liberdade que concede aos criativos da equipa e que torna menos relevante a fase em que se encontra o trabalho defensivo.

Soma e segue

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Bas Dost leva 83 golos de Leão ao peito.

Na primeira época ao serviço do Sporting, em 2016/2017, marcou 36. Na temporada seguinte, 34. Esta época já contabiliza 13. Dá sorte, não azar.

Um dos melhores avançados de sempre na história do nosso clube.

 

ADENDA: com mais dois golos marcados hoje, ao Rio Ave, já vai em 15 nesta época. 85 no total.

Armas e viscondes assinalados: Uma reviravolta de mão-cheia

Sporting 5 - Nacional 2

Liga NOS - 13.ª Jornada

16 de Dezembro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,0)

Deu por si a encaixar dois golos sem culpa nenhuma, mas por volta da meia-hora põs travão ao descalabro em curso. Fez uma excelente defesa a impedir que um livre directo levasse o Sporting a recolher ao balneário com uma desvantagem de 0-3 e não mais permitiu veleidades à ameaça do nacional-madeirismo. Voltou a destacar-se na segunda parte ao impedir aquilo que seria o 3-3 e deu boa conta de si, não obstante ocasionais imperfeições na reposição de bola.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Contam-se os minutos até que um dos youtubbers da moda faça um vídeo com as tentativas de cruzamento do lateral-direito contratado à Fiorentina por um ex-presidente leonino que continua suspenso. Voltou a atrapalhar-se quando tinha boas condições para fazer duas assistências para golo (na segunda parte, muito bem assistido dentro da área, até poderia inscrever o nome na lista de marcadores) e a bola começa a temer rumar à sua zona de influência tal qual os navios temem o triângulo das Bermudas. Bastante mais razoável a defender, diga-se de passagem.

 

Coates (3,0)

Uma das suas duas arrancadas pelo meio-campo adversário deu origem ao primeiro golo do Sporting, tal como na quinta-feira outra arrancada permitira o golo de Miguel Luís. Contrariada a estatística nesse ponto, segue-se o golo de cabeça que tarda em aparecer... Nas missões defensivas esteve tão bem quanto pode estar um central que vê a equipa sofrer dois golos, mesmo condicionado por um amarelo que o retira da difícil deslocação a Guimarães.

 

Mathieu (3,5)

Convém assinalar que o francês foi testemunha ocular do pontapé e do cabeceamento que deram vantagem à equipa visitante. Mas não só levou a equipa para a frente nos períodos de maior desorientação da primeira parte como consumou a reviravolta no resultado com um golo de livre directo que o ex-colega de equipa Lionel Messi decerto aplaudiria. 

 

Jefferson (2,0)

Voltou a provar que sabe fazer bons cruzamentos, e num deles permitiu que Bas Dost testasse os reflexos do guarda-redes adversário. Pena é que esteja cada vez mais apático, não raras vezes suicidário na abordagem aos lances de ataque do Nacional da Madeira. A boa notícia é que Acuña regressa na próxima jornada.

 

Gudelj (3,0)

Começou o jogo perdido no meio-campo e soterrado pela avalancha madeirense, melhorando numa segunda parte em que esteve perto de fazer estragos na baliza contrária. Ao contrário de Coates não viu o amarelo que o afastaria da próxima jornada, mas também há que reconhecer que para um natural da Sérvia Guimarães deve parecer a Disneylândia.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Aquela velha história de o futebol ser um jogo de onze contra onze em que a Alemanha vence no fim encontra paralelismo na série de exibições do melhor jogador da época passada. Nos períodos mais negros da noite chegou a ser avistado perto dos centrais, iniciando jogadas que outros que não queriam ou não podiam iniciar. Ainda ouviu gritos de Bas Dost por tentar o remate cruzado num lance em que poderia ter tentado cruzar para o encosto do holandês, mas na segunda parte aproveitou a boa companhia de Miguel Luís para iniciar um recital que incluiu um golo fácil ao “ir às sobras” de Bas Dost, um remate de muito longe que ficou perto de surpreender o guarda-redes, uma tentativa de marcar em jogada individual e o último tento da noite, assumindo a recarga à queima-roupa do seu próprio remate de cabeça. 

 

Bruno César (2,0)

Escolhido para a titularidade por Marcel Keizer, andou desfasado do resto da equipa e nunca conseguiu provar que tinha um papel a desempenhar neste jogo. Só poderia ter regressado ao relvado após o intervalo se Alvalade ainda vivesse no tempo do outro senhor.

 

Nani (2,5)

Esteve longe de ter a noite mais feliz da carreira, primando pela lentidão no ataque e pelo alheamento nas acções defensivas. Leva como maior influência no jogo o cabeceamento defeituoso na jogada do primeiro pénalti sobre Bas Dost, um remate de longe e um passe longo para a área que seria açucarado caso chegasse a outros pés que não os de Bruno Gaspar. Saiu com problemas físicos que, a manterem-se, podem abrir a porta ao regresso do ex-vimaranense Raphinha ao onze inicial na próxima jornada.

 

Diaby (3,0)

Fez da velocidade e da vontade de ajudar a equipa forças que compensam as ocasionais falhas técnicas difíceis de resolver numa fase tão adiantada da carreira. O melhor cartão de visita foi uma arrancada de um lado ao outro do campo e a assistência para o golo anulado a Bas Dost em que o fiscal de linha viu o maliano em posição irregular e o videoárbitro manteve a decisão por falta de imagens de uma câmara avariada.

 

Bas Dost (4,0)

Invejosos vão dizer que as faltas que deram origem aos dois pénaltis que converteu (três se contarmos com a primeira marcação do segundo, mandado repetir devido à entrada de outros jogadores na grande área) são extremamente parecidas com as sofridas pelo mítico avançado benfiquista conhecido por Vidoso, tantas vezes ocorre o “pénalti do Vidoso”, mas bisou e voltou a colocar-se no topo da lista dos melhores marcadores, ao lado do bracarense Dyego Sousa. E ainda teve tempo para um golo anulado e para servir Bruno Fernandes no lance do 2-2, compensando uma ocorrência na primeira parte em que se esqueceu da aura de “bom gigante” e berrou com o colega após desferir um pontapé num poste que fez abanar a baliza.

 

Miguel Luís (3,5)

Entrou no início da segunda parte e deixou a impressão de que chegava com atraso de 45 minutos mais descontos. Dotado para as trocas no meio-campo em que assenta o modelo de jogo keizeriano, o jovem habituado a festejar títulos europeus mostrou que por ele também se pode festejar títulos nacionais. Líder absoluto nos passes para finalização, selou nova boa exibição com o cruzamento que quase permitiu a Bruno Fernandes marcar de cabeça.

 

Jovane Cabral (3,0)

Voltou a dar cartas em poucos minutos, executando o excelente passe para Bas Dost que levou ao primeiro golo de Bruno Fernandes. E mexeu sempre com o jogo de uma forma que Nani não ousaria fazer.

 

Marcel Keizer (3,0)

Ele bem avisou que prefere vencer por 3-2 em vez de 1-0, mas não deveria estar à espera de começar com um 0-2 e de ver o Nacional a encostar o Sporting às cordas antes de passar a ter o melhor ataque da Liga. Errou ao escolher Bruno César para o onze, corrigindo o passo em falso ao intervalo, só que os 45 minutos da segunda parte duram mais quando toda a gente se diverte, o que se aplica tanto ao relvado quanto às bancadas. Voltou a prescindir da terceira substituição, a conseguir ser feliz sem demasiado esforço e a deixar para mais tarde o inevitável dia em que tudo correrá pior.

Match Point

Foi um filme de Woody Allen, tudo girava sobre aquele momento em que o futuro se determinava e o "e se" ficava a pairar, num eternos debate entre o que foi e o que poderia ter sido.

Hoje em Alvalade lembrei-me disso com Bas Dost e Bruno Fernandes. Como poderia ter sido se quando Sousa Cintra foi falar com eles e com os seus representantes, tivesse ouvido a resposta do tipo "Vai para Punta Cana". Ou como teria sido se nem sequer Sousa Cintra tivesse tido a coragem de ir falar com eles, e desse ouvidos à ladainha de "traidores", "mercenários" e tudo o mais que muitos pobres de espírito e alguns doutores sem vergonha foram dizendo. Muitos que nunca demoraram um minuto a pensar no que aconteceria às suas vidas se um conjunto de bandalhos entrasse de repente no seu local de trabalho e transformasse o que devia ter sido uma jornada normal de trabalho num filme de terror.

Pois hoje e depois de tudo o que podia ter corrido mal ter acontecido, com exibições deprimentes de alguns e mérito de outros, e com dois golos para recuperar, foram exactamente esses dois que deram a volta ao infortúnio e transformaram uma derrota expectável numa brilhante goleada. 

Se estamos hoje a viver o clube que temos, com o Brunismo mais uma vez reduzido a uma minoria mal educada e trauliteira, com corpos gerentes a desempenhar um papel a muito elogiar, e com um futebol profissional a conseguir, pelo que consegue fazer no campo, colocar o clube no lugar devido e unir a massa adepta, isso deve-se ao "homem dos tremoços", Sousa Cintra. 

Parece que a única coisa que resta ao Brunismo, depois das derrotas nas votações do Clube e na Justiça,  é lembrar aqueles tempos em que o megafone de Alvalade falava em grandes audiências, e se olhava para o lado e se via o estádio com muitas cadeiras vazias. O estádio está mais vazio nalguns sectores, isso é certo, desde logo no sector das claques, se calhar não lhes oferecem os bilhetes do tempo do Bruno, o lider da JuveLeo também não comparece se calhar a poupar para o pagamento da caução, mas também um pouco por todo o lado se vê cadeiras vazias, mas só faz falta quem está e quem não quer vir que não venha. Mas não chateie. 

Entretanto quem foi muito sofreu, mas só com muito "sangue, suor e lágrimas" ganharemos alguma coisa. 

SL

 

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

 

Da goleada desta noite em Alvalade. Vencemos o Nacional por 5-2. Marcel Keizer continua de vento em pôpa ao comando da equipa técnica do Sporting. Mesmo em jogos que não começam bem para nós, como sucedeu com este. Depois de meia-hora inicial de domínio da equipa forasteira, que surpreendeu o conjunto leonino com as suas linhas avançadas e dois golos marcados nos primeiros 25 minutos, soubemos dar a volta à adversidade e fazer uma segunda parte avassaladora, concluída com nova goleada. A quinta em seis jogos da era Keizer.

 

De Bruno Fernandes. Exibição discreta na primeira parte, como médio mais de contenção do que de construção. Mas soltou-se no segundo tempo e contribuiu muito para a remontada da equipa, projectando-a para diante com passes longos e bom domínio da bola. E apontou mais dois golos - o segundo (70') e o quinto do Sporting (90'+2), este último acabando por empolgar ainda mais as bancadas de Alvalade, onde o nervosismo imperou durante dois terços da partida.

 

De Bas Dost. Eficácia a toda a prova, uma vez mais. Com a equipa correndo o risco de se desorganizar, perdendo por 0-2, o holandês voltou a ser um elemento crucial no onze leonino. Ao conquistar uma grande penalidade e ao convertê-la ele mesmo, aos 36'. Repetiria a façanha aos 84', elevando a conta para 4-2 novamente de cabeça fria, sem dar hipóteses ao guardião adversário, Daniel Guimarães. Aliás, acabou por meter a bola três vezes na baliza, pois na segunda ocasião o árbitro deu-lhe ordem para repetir. O internacional holandês continua sem falhar: já leva dez marcados neste campeonato, ostentando um total de 71 golos marcados em 69 jogos da Liga portuguesa. E hoje ficou a sensação de ter visto invalidar um golo limpo, aos 18', pelo árbitro Fábio Veríssimo, além de ter proporcionado aos 67' a defesa da noite ao guarda-redes do Nacional com um remate de primeira em posição frontal e assistido Bruno Fernandes no segundo do Sporting. O melhor em campo.

 

De Mathieu. Grande exibição do central francês. Praticamente fez duas posições, pois acorreu sempre à dobra de Jefferson, hoje uma autêntica nulidade. E foi ainda ele a começar a construir diversas jogadas ofensivas, infiltrando-se no corredor central como se fosse um médio ofensivo e assim incutindo força e ânimo aos colegas. Coroou o seu desempenho com um livre directo marcado de forma exímia, aos 75': nasceu assim o nosso terceiro - e decisivo - golo. Uma obra-prima: assim se estreou a marcar neste campeonato.

 

De Jovane. Voltou a ser talismã: Keizer deu-lhe ordem para entrar aos 68', por troca com um exausto Nani, e dois minutos depois o jovem sub-21 formado em Alcochete contribuía para a reviravolta no resultado ao iniciar o lance de que resultou o nosso segundo golo com um passe longo para Bas Dost. Viria ainda a participar na construção do quinto, já no tempo extra.

 

Da emoção desta partida. Sete golos, reviravolta no marcador, jogo aberto por parte das duas equipas. Nós, os 31.408 espectadores que esta noite comparecemos em Alvalade, gostámos do que vimos: assim se faz a festa do futebol.

 

Do futebol ofensivo dos Leões. Este Sporting está longe da perfeição, mas afinou a pontaria. E de que maneira: em seis jogos, somamos 25 golos - quatro ao Lusitano Vildemoinhos, seis ao Qarabag, três ao Rio Ave, quatro ao Aves, três ao Vorskla e agora cinco ao Nacional. Honrando as melhores tradições leoninas, já somos a equipa mais goleadora na Liga 2018/2019.

 

De mantermos este registo nos jogos em casa. Não perdemos em Alvalade há um ano e sete meses. Merece destaque.

 

De ver o Sporting manter a posição na tabela classificativa. Continuamos no segundo posto do campeonato, a escassos dois pontos do FC Porto, e apenas dependemos de nós para ascendermos à liderança após já termos feito duas das três deslocações mais difíceis, a Braga e à Luz. Quem diria isto apenas há quatro meses?

 

 

 

Não gostei

 

De sofrer tanto com o 13.º classificado no campeonato. Tal como sucedeu na jornada anterior, frente ao Aves, a equipa pareceu surpreendida pelo posicionamento do adversário em campo e cedemos-lhe o comando das operações. O Nacional entrou com forte dinâmica, exercendo pressão alta sobre o portador da bola, com todas as linhas avançadas no terreno, condicionando a nossa construção ofensiva. Neste período sofremos dois golos, de bola corrida, e deixámos a equipa madeirense superiorizar-se.

 

Do resultado ao intervalo. Perdíamos 1-2. O desconforto e até a irritação começaram a instalar-se nas bancadas. Seria que a estrelinha de Keizer começava a empalidecer? Felizmente soubemos recuperar muito bem desse resultado desfavorável e transformar um resultado negativo em nova goleada.

 

De Jefferson. Péssima exibição do lateral brasileiro, que transformou a sua ala numa avenida onde os adversários circulavam livremente, deixando-o quase sempre para trás - como sucedeu no segundo do Nacional. Outra falha sua só não resultou em golo, aos 79', devido a uma enorme defesa de Renan. Os adeptos sentiram certamente saudades de Acuña, hoje ausente por castigo.

 

De Bruno César. Keizer apostou nele, após longo período de afastamento do onze titular leonino. Mas esta experiência destinada a colmatar a ausência do lesionado Wendel foi mal-sucedida: enquanto o brasileiro esteve em campo, jogámos sempre com menos um no centro do relvado. O treinador apercebeu-se a tempo de corrigir o erro: Bruno César já não voltou do intervalo, sendo rendido - com inegável vantagem pelo jovem Miguel Luís.

 

Dos amarelos exibidos a três jogadores nossos. Mathieu, Coates e Bruno Fernandes foram os alvos. Pior para o internacional uruguaio, titular absoluto no Sporting, que ficará ausente da próxima partida por acumulação de cartões.

 

Dos assobios aos nossos jogadores. O "tribunal de Alvalade" continua implacável: ao mínimo deslize, escutaram-se vaias a diversos profissionais leoninos. Incompreensíveis, de todo, os apupos dirigidos a Renan, durante grande parte da partida, por alegada demora em recolocar a bola em jogo. Não perceberão estes adeptos que esta atitude de profundo desagrado só transmite nervosismo para o relvado?

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Jogo da Glória

O jogo iniciou-se com o Sporting a jogar a passo e o Aves de Mota a voar baixinho. Com Wendel e Bruno Fernandes muitas vezes em linha, aos centrais e a Gudelj faltava um médio que se aproximasse da bola e ajudasse na construção, a sua ausência fazendo com que o jogo fosse constantemente lateralizado e longe dos princípios impostos pelo novo treinador leonino. O jogo a um/dois toques não aparecia - bitoque de menos e bife nervoso e muito mastigado de mais - e o Aves aproveitava para contra-atacar sempre com grande velocidade, explorando preferencialmente o lado direito da defesa leonina e as costas de Bruno Gaspar (em tempo natalício, um Rei Mago sempre pronto a distribuir presentes). É que Marcel Keizer tentara criar um “joker” no meio-campo com o adiantamento do lateral, mas a estratégia estava a ter um efeito “boomerang”. Não surpreendeu assim que os avenses se tivessem adiantado no marcador, seguindo a velha máxima futeboleira de que melhor Defendi é (n)o ataque. Valeu que, na hora H, a Amilton faltou a consoante para dilatar o marcador. Já Renan foi herói, resistindo a cair, evitando que lhe picassem a bola por cima do corpo.

 

O Sporting sentia muitas dificuldades em ligar o seu jogo, mas um penálti desnecessário cometido por Vitor Costa sobre Diaby permitiria a Dost equilibrar as contas. Nesse transe, Mota perdeu os travões e deixou a sua equipa apeada. Coates – já ficara mal no golo - não se conformou, e acometido de uma recorrente gripe das aves (ainda consequência de um anterior contacto com o "galo" Griezmann em Madrid) isolou um avançado adversário. Desta vez, o lance acabaria nas malhas…laterais da baliza à guarda de Renan. A partida caminhava para o fim da primeira parte, quando Nani tirou um coelho da cartola e aplicou uma folha seca muito indigesta e que trouxe água no bico ao guardião das Aves, adiantando o Sporting no marcador.

 

O reatamento viu o Sporting fazer o terceiro: Bruno Fernandes rodopiou entre dois adversários e junto à linha lateral do lado esquerdo do ataque leonino centrou de canhota para Dost (goleadores assim são espécies em via de extinção) bater as Aves no seu habitat natural. Logo de seguida, Acuña foi expulso por acumulação de amarelos, ele que no primeiro tempo tinha mostrado ainda precisar de algumas lições adicionais de controlo de raiva, certamente a serem leccionadas numa viagem mais longa do que aquela entre Vila do Conde e o José Alvalade.  Curiosamente, em inferioridade numérica o Sporting jogou melhor, com maior aproximação entre os sectores e mais trocas de bola rápidas. Num desses lances, Bruno Fernandes (médio completo, outra ave rara) isolou Diaby sobre a direita e este teve tempo para flectir para dentro e assinar uma obra de arte digna do Renascimento de um grande Sporting, o quarto dos leões e que sentenciou a partida.

 

O Sporting pareceu estar a disputar o Jogo da Glória: ontem caímos num poço e só começámos a jogar depois de sermos ultrapassados no marcador. Ainda assim, a morte esteve ali bem perto. Depois, empatámos e lá voltámos à casa de partida (1-1), pela quarta vez desde que Keizer é o nosso treinador (a primeira em que saímos atrás). Os dados estavam lançados e fomos bonificando e avançando mais ainda. Até que, ultrapassados o Inferno e o Purgatório, já era certo que atingiríamos a Glória. Por fim, já sem emoção, desligámos e limitámo-nos a aguardar pelo inevitável desfecho. Mas atenção: o nosso peão chegou à frente, mas não passou a ser um camPEÃO. Todavia, o que se pode dizer quando o pior Keizer da época se traduz num triunfo por 4-1 contra a equipa que, por via de um Jamor de perdição, há meses atrás sovou a prima do mestre-de-obras que andou lá por Alvalade a que era amante de arte românica? Uma palavra final para José Mota: utilizou bons ingredientes e o cozinhado teria sido de primeira se não lhe tivesse faltado a mão (de Ronny?) no tempero. É o que dá abusar da canela(da)...

 

Tenor “Tudo ao molho...”: Bas Dost

sportingaves1819.jpg

Pódio: Bas Dost, Bruno, Diaby

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Aves pelos três diários desportivos:

 

Bas Dost: 19

Bruno Fernandes: 19

Diaby: 16

Gudelj: 16

Nani: 16

Renan: 16

Mathieu: 15

Bruno Gaspar: 14

Wendel: 13

Bruno César: 12

Coates: 12

Jefferson: 11

Acuña: 10

 

O Jogo e o Record elegeram Bas Dost como melhor em campo. A Bola optou por Bruno Fernandes.

Armas e viscondes assinalados: Nem com um a menos se repetiu o Jamor

Sporting 4 - Desportivo das Aves 1

Liga NOS - 12.ª Jornada

9 de Dezembro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,5)

Sabia que o último guarda-redes do Sporting a sofrer dois golos do Desportivo das Aves num só jogo é agora titular de um clube da Premier League, mas nem assim o brasileiro consentiu que a bola voltasse a transpor a linha de golo após o tento que abriu o marcador em Alvalade. Sem nada poder fazer para desviar o cabeceamento de Defendi, Renan Ribeiro cobriu bem o ângulo para evitar que Amilton fizesse o 0-2 num contra-ataque muito rápido, e voltou a dificultar a missão de Elhouini, servido por um péssimo atraso de Coates, mesmo antes de o intervalo chegar e de Nani selar a reviravolta. Manteve-se atento na segunda parte, encaixando remates perigosos e controlando o tráfego aéreo na sua grande área de jurisdição.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Ficou a dever o 5-1 a Bas Dost, sendo incompreensível como conseguiu cruzar mal ao ponto de os metros de avanço do holandês em relação à linha defensiva de nada servirem. Por essa altura já era evidente que o lateral-direito assumira o papel de coveiro de jogadas prometedoras, tão manifesta a sua incapacidade de conseguir desequilíbrios ou de sequer fazer chegar a bola aos colegas de equipa. Melhor defensivamente, distinguiu-se por um alívio milagroso que evitou um segundo golo capaz de levar a que também Renan Ribeiro fosse para o Wolverhampton. Muito pouco, ainda assim, para justificar titularidade (até a presença) numa equipa que luta para ser campeã.

 

Coates (2,5)

Dizer que não foi a melhor noite da carreira do central uruguaio é pouco. O golo do Desportivo das Aves teve o seu aval, tamanha a liberdade que permitiu a Defendi, mas também abusou da sorte em contactos com adversários na grande área e fez um passe disparatado a Renan que poderia ter levado a um pesadelo semelhante àquele que viveu na final da Taça de Portugal. Claro que a isto pode contrapor uma sucessão de cortes providenciais e de outras resoluções de problemas, bem como uma incursão pelo meio-campo adversário (em trocas de bola com Bas Dost) menos  fútil do que é habitual, ainda que tão pouco frutífera quanto as anteriores. Mas a ele exige-se sempre mais. 

 

Mathieu (3,0)

Forçado a trabalhar muito na fase inicial de construção de jogadas, devido à apertada vigilância que os adversários impuseram ao meio-campo leonino, o francês deu o que tinha. E ainda lhe sobrou muito para fazer cortes e antecipações que evitaram maiores dissabores ao Sporting.

 

Acuña (2,0)

Viu dois amarelos, o segundo dos quais por derrubar um adversário que se iria isolar, e deixou os colegas com menos um em campo durante quase 40 minutos. Já não seria grande cartão de visitas, mas a parte pior é que a sua exibição ficou mais marcada pelos conflitos com a equipa de arbitragem (sobretudo o fiscal de linha a quem terá declamado alguns dos mais belos versos da poesia em língua castelhana), e pelas picardias que lhe valeram o primeiro amarelo, do que pelo futebol praticado. Tendo recolhido mais cedo ao balneário, talvez tenha podido assistir ao prolongamento da final da Taça Libertadores da América.

 

Gudelj (3,0)

Começou o jogo totalmente manietado pela táctica do Desportivo das Aves, demorando a ganhar espaço. Conseguiu-o sobretudo na segunda parte e revelou-se útil na missão de não se reparar tanto na inferioridade numérica dos jogadores verdes e brancos.

 

Wendel (3,0)

Vítima de uma entrada a puxar para o assassino, mesmo que nem sequer sancionada com falta, o jovem brasileiro regressou ao relvado com uma ligadura e com prioridade na ordem de substituições, sendo descansado por Marcel Keizer quando se tornou evidente que estaria tocado. Até então fizera o possível para assegurar circulação de bola no meio-campo. Mas não tão bem quanto nos jogos anteriores.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Chamar assistência ao passe que fez para Nani antes do 2-1 poderá ser uma tecnicalidade, mas o cruzamento perfeito, tirado da cartola mesmo junto à bandeirola de canto para Bas Dost cabecear para o 3-1, tal como o passe rápido e cheio de efeito que serviu Diaby no 4-1, são obras de arte só ao alcance de um grande jogador. Tão eficaz a construir como solidário a defender, voltou a provar que o melhor jogador da última temporada não se encontra num retiro espiritual tendo deixado um sósia no seu lugar.

 

Nani (3,0)

Marcou um golo magnífico, num remate de fora da área que não perde mérito por ter beneficiado do toque num adversário, daqueles golos que dá valor ao preço que se paga para ver um jogo. Foi o ponto mais alto de uma noite em que andou muitas vezes desaparecido, foi pouco influente na equipa e poderia ter saído mais cedo para permitir a entrada de Jovane Cabral.

 

Diaby (4,0)

Podia ter entrado na história do jogo mais cedo, pois dominou bem a bola dentro da grande área do Aves e rematou com muita força, só que a bola tentou furar as redes pela parte de fora. Precisou de esperar pelo lance em que foi abalroado quando procurava servir Bas Dost de cabeça, valendo o pénalti que permitiu o empate. E mais tarde selou o resultado final, pouco depois da expulsão de Acuña reavivar fantasmas de jogos passados, controlando muito bem a bola oferecida por Bruno Fernandes, flectindo rapidamente em direcção à baliza e fazendo um remate indefensável. Saiu do relvado com a sensação do dever cumprido.

 

Bas Dost (4,0)

O grau de confiança de Bas Dost ficou patente na firmeza com que agarrou a bola quando o árbitro ainda se dirigia para os monitores nos quais reviu várias vezes a falta sobre Diaby. A mesma confiança que lhe permitiu cobrar a grande penalidade de forma simples e eficaz, ou que serviu para cabecear como mandam as regras o cruzamento inesperado que Bruno Fernandes lhe endereçou. Sendo certo que talvez abuse do tempo que passa longe da baliza, nomeadamente em combinações com os colegas, não ficou longe de somar uma assistência para golo à contabilidade, descobrindo o recém-entrado Bruno César em boa posição para marcar.

 

Jefferson (2,5)

Foi chamado ao jogo na sequência da expulsão de Acuña, e foi útil sem deslumbrar, numa eficácia desprovida de brilhantismo que ajudou a assegurar tranquilidade à noite dos mais de 35 mil que foram a Alvalade. Chegou para ser o melhor lateral da equipa.

 

Bruno César (2,5)

Entrou para o lugar de Diaby, mas com a verdadeira missão de substituir Wendel, por sua vez sacrificado para a entrada de Jefferson. Devolveu critério na posse de bola e ficou a centímetros de fazer o 5-1, num remate à entrada da grande área, após uma assistência de Bas Dost.

 

Marcel Keizer (3,5)

Estreou-se no Estádio de Alvalade com uma exibição que não foi isenta dos sustos a que os sportinguistas se devem ir habituando. Desta vez não obteve resultados tão positivos do meio-campo, mas os violinos da orquestra estiveram afinados quanto baste para assegurar bons momentos de futebol e um caudal de golos que coloca o Sporting à beira de ter o melhor ataque da Liga. Bem a reagir à expulsão de Acuña, ainda que a dois tempos, só pecou por não refrescar a equipa com a terceira substituição. Tanto Jovane Cabral como Montero poderiam aproveitar o balanceamento dos adversários para o ataque nos últimos minutos de jogo.

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