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És a nossa Fé!

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Jogo da Glória

O jogo iniciou-se com o Sporting a jogar a passo e o Aves de Mota a voar baixinho. Com Wendel e Bruno Fernandes muitas vezes em linha, aos centrais e a Gudelj faltava um médio que se aproximasse da bola e ajudasse na construção, a sua ausência fazendo com que o jogo fosse constantemente lateralizado e longe dos princípios impostos pelo novo treinador leonino. O jogo a um/dois toques não aparecia - bitoque de menos e bife nervoso e muito mastigado de mais - e o Aves aproveitava para contra-atacar sempre com grande velocidade, explorando preferencialmente o lado direito da defesa leonina e as costas de Bruno Gaspar (em tempo natalício, um Rei Mago sempre pronto a distribuir presentes). É que Marcel Keizer tentara criar um “joker” no meio-campo com o adiantamento do lateral, mas a estratégia estava a ter um efeito “boomerang”. Não surpreendeu assim que os avenses se tivessem adiantado no marcador, seguindo a velha máxima futeboleira de que melhor Defendi é (n)o ataque. Valeu que, na hora H, a Amilton faltou a consoante para dilatar o marcador. Já Renan foi herói, resistindo a cair, evitando que lhe picassem a bola por cima do corpo.

 

O Sporting sentia muitas dificuldades em ligar o seu jogo, mas um penálti desnecessário cometido por Vitor Costa sobre Diaby permitiria a Dost equilibrar as contas. Nesse transe, Mota perdeu os travões e deixou a sua equipa apeada. Coates – já ficara mal no golo - não se conformou, e acometido de uma recorrente gripe das aves (ainda consequência de um anterior contacto com o "galo" Griezmann em Madrid) isolou um avançado adversário. Desta vez, o lance acabaria nas malhas…laterais da baliza à guarda de Renan. A partida caminhava para o fim da primeira parte, quando Nani tirou um coelho da cartola e aplicou uma folha seca muito indigesta e que trouxe água no bico ao guardião das Aves, adiantando o Sporting no marcador.

 

O reatamento viu o Sporting fazer o terceiro: Bruno Fernandes rodopiou entre dois adversários e junto à linha lateral do lado esquerdo do ataque leonino centrou de canhota para Dost (goleadores assim são espécies em via de extinção) bater as Aves no seu habitat natural. Logo de seguida, Acuña foi expulso por acumulação de amarelos, ele que no primeiro tempo tinha mostrado ainda precisar de algumas lições adicionais de controlo de raiva, certamente a serem leccionadas numa viagem mais longa do que aquela entre Vila do Conde e o José Alvalade.  Curiosamente, em inferioridade numérica o Sporting jogou melhor, com maior aproximação entre os sectores e mais trocas de bola rápidas. Num desses lances, Bruno Fernandes (médio completo, outra ave rara) isolou Diaby sobre a direita e este teve tempo para flectir para dentro e assinar uma obra de arte digna do Renascimento de um grande Sporting, o quarto dos leões e que sentenciou a partida.

 

O Sporting pareceu estar a disputar o Jogo da Glória: ontem caímos num poço e só começámos a jogar depois de sermos ultrapassados no marcador. Ainda assim, a morte esteve ali bem perto. Depois, empatámos e lá voltámos à casa de partida (1-1), pela quarta vez desde que Keizer é o nosso treinador (a primeira em que saímos atrás). Os dados estavam lançados e fomos bonificando e avançando mais ainda. Até que, ultrapassados o Inferno e o Purgatório, já era certo que atingiríamos a Glória. Por fim, já sem emoção, desligámos e limitámo-nos a aguardar pelo inevitável desfecho. Mas atenção: o nosso peão chegou à frente, mas não passou a ser um camPEÃO. Todavia, o que se pode dizer quando o pior Keizer da época se traduz num triunfo por 4-1 contra a equipa que, por via de um Jamor de perdição, há meses atrás sovou a prima do mestre-de-obras que andou lá por Alvalade a que era amante de arte românica? Uma palavra final para José Mota: utilizou bons ingredientes e o cozinhado teria sido de primeira se não lhe tivesse faltado a mão (de Ronny?) no tempero. É o que dá abusar da canela(da)...

 

Tenor “Tudo ao molho...”: Bas Dost

sportingaves1819.jpg

Pódio: Bas Dost, Bruno, Diaby

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Aves pelos três diários desportivos:

 

Bas Dost: 19

Bruno Fernandes: 19

Diaby: 16

Gudelj: 16

Nani: 16

Renan: 16

Mathieu: 15

Bruno Gaspar: 14

Wendel: 13

Bruno César: 12

Coates: 12

Jefferson: 11

Acuña: 10

 

O Jogo e o Record elegeram Bas Dost como melhor em campo. A Bola optou por Bruno Fernandes.

Armas e viscondes assinalados: Nem com um a menos se repetiu o Jamor

Sporting 4 - Desportivo das Aves 1

Liga NOS - 12.ª Jornada

9 de Dezembro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,5)

Sabia que o último guarda-redes do Sporting a sofrer dois golos do Desportivo das Aves num só jogo é agora titular de um clube da Premier League, mas nem assim o brasileiro consentiu que a bola voltasse a transpor a linha de golo após o tento que abriu o marcador em Alvalade. Sem nada poder fazer para desviar o cabeceamento de Defendi, Renan Ribeiro cobriu bem o ângulo para evitar que Amilton fizesse o 0-2 num contra-ataque muito rápido, e voltou a dificultar a missão de Elhouini, servido por um péssimo atraso de Coates, mesmo antes de o intervalo chegar e de Nani selar a reviravolta. Manteve-se atento na segunda parte, encaixando remates perigosos e controlando o tráfego aéreo na sua grande área de jurisdição.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Ficou a dever o 5-1 a Bas Dost, sendo incompreensível como conseguiu cruzar mal ao ponto de os metros de avanço do holandês em relação à linha defensiva de nada servirem. Por essa altura já era evidente que o lateral-direito assumira o papel de coveiro de jogadas prometedoras, tão manifesta a sua incapacidade de conseguir desequilíbrios ou de sequer fazer chegar a bola aos colegas de equipa. Melhor defensivamente, distinguiu-se por um alívio milagroso que evitou um segundo golo capaz de levar a que também Renan Ribeiro fosse para o Wolverhampton. Muito pouco, ainda assim, para justificar titularidade (até a presença) numa equipa que luta para ser campeã.

 

Coates (2,5)

Dizer que não foi a melhor noite da carreira do central uruguaio é pouco. O golo do Desportivo das Aves teve o seu aval, tamanha a liberdade que permitiu a Defendi, mas também abusou da sorte em contactos com adversários na grande área e fez um passe disparatado a Renan que poderia ter levado a um pesadelo semelhante àquele que viveu na final da Taça de Portugal. Claro que a isto pode contrapor uma sucessão de cortes providenciais e de outras resoluções de problemas, bem como uma incursão pelo meio-campo adversário (em trocas de bola com Bas Dost) menos  fútil do que é habitual, ainda que tão pouco frutífera quanto as anteriores. Mas a ele exige-se sempre mais. 

 

Mathieu (3,0)

Forçado a trabalhar muito na fase inicial de construção de jogadas, devido à apertada vigilância que os adversários impuseram ao meio-campo leonino, o francês deu o que tinha. E ainda lhe sobrou muito para fazer cortes e antecipações que evitaram maiores dissabores ao Sporting.

 

Acuña (2,0)

Viu dois amarelos, o segundo dos quais por derrubar um adversário que se iria isolar, e deixou os colegas com menos um em campo durante quase 40 minutos. Já não seria grande cartão de visitas, mas a parte pior é que a sua exibição ficou mais marcada pelos conflitos com a equipa de arbitragem (sobretudo o fiscal de linha a quem terá declamado alguns dos mais belos versos da poesia em língua castelhana), e pelas picardias que lhe valeram o primeiro amarelo, do que pelo futebol praticado. Tendo recolhido mais cedo ao balneário, talvez tenha podido assistir ao prolongamento da final da Taça Libertadores da América.

 

Gudelj (3,0)

Começou o jogo totalmente manietado pela táctica do Desportivo das Aves, demorando a ganhar espaço. Conseguiu-o sobretudo na segunda parte e revelou-se útil na missão de não se reparar tanto na inferioridade numérica dos jogadores verdes e brancos.

 

Wendel (3,0)

Vítima de uma entrada a puxar para o assassino, mesmo que nem sequer sancionada com falta, o jovem brasileiro regressou ao relvado com uma ligadura e com prioridade na ordem de substituições, sendo descansado por Marcel Keizer quando se tornou evidente que estaria tocado. Até então fizera o possível para assegurar circulação de bola no meio-campo. Mas não tão bem quanto nos jogos anteriores.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Chamar assistência ao passe que fez para Nani antes do 2-1 poderá ser uma tecnicalidade, mas o cruzamento perfeito, tirado da cartola mesmo junto à bandeirola de canto para Bas Dost cabecear para o 3-1, tal como o passe rápido e cheio de efeito que serviu Diaby no 4-1, são obras de arte só ao alcance de um grande jogador. Tão eficaz a construir como solidário a defender, voltou a provar que o melhor jogador da última temporada não se encontra num retiro espiritual tendo deixado um sósia no seu lugar.

 

Nani (3,0)

Marcou um golo magnífico, num remate de fora da área que não perde mérito por ter beneficiado do toque num adversário, daqueles golos que dá valor ao preço que se paga para ver um jogo. Foi o ponto mais alto de uma noite em que andou muitas vezes desaparecido, foi pouco influente na equipa e poderia ter saído mais cedo para permitir a entrada de Jovane Cabral.

 

Diaby (4,0)

Podia ter entrado na história do jogo mais cedo, pois dominou bem a bola dentro da grande área do Aves e rematou com muita força, só que a bola tentou furar as redes pela parte de fora. Precisou de esperar pelo lance em que foi abalroado quando procurava servir Bas Dost de cabeça, valendo o pénalti que permitiu o empate. E mais tarde selou o resultado final, pouco depois da expulsão de Acuña reavivar fantasmas de jogos passados, controlando muito bem a bola oferecida por Bruno Fernandes, flectindo rapidamente em direcção à baliza e fazendo um remate indefensável. Saiu do relvado com a sensação do dever cumprido.

 

Bas Dost (4,0)

O grau de confiança de Bas Dost ficou patente na firmeza com que agarrou a bola quando o árbitro ainda se dirigia para os monitores nos quais reviu várias vezes a falta sobre Diaby. A mesma confiança que lhe permitiu cobrar a grande penalidade de forma simples e eficaz, ou que serviu para cabecear como mandam as regras o cruzamento inesperado que Bruno Fernandes lhe endereçou. Sendo certo que talvez abuse do tempo que passa longe da baliza, nomeadamente em combinações com os colegas, não ficou longe de somar uma assistência para golo à contabilidade, descobrindo o recém-entrado Bruno César em boa posição para marcar.

 

Jefferson (2,5)

Foi chamado ao jogo na sequência da expulsão de Acuña, e foi útil sem deslumbrar, numa eficácia desprovida de brilhantismo que ajudou a assegurar tranquilidade à noite dos mais de 35 mil que foram a Alvalade. Chegou para ser o melhor lateral da equipa.

 

Bruno César (2,5)

Entrou para o lugar de Diaby, mas com a verdadeira missão de substituir Wendel, por sua vez sacrificado para a entrada de Jefferson. Devolveu critério na posse de bola e ficou a centímetros de fazer o 5-1, num remate à entrada da grande área, após uma assistência de Bas Dost.

 

Marcel Keizer (3,5)

Estreou-se no Estádio de Alvalade com uma exibição que não foi isenta dos sustos a que os sportinguistas se devem ir habituando. Desta vez não obteve resultados tão positivos do meio-campo, mas os violinos da orquestra estiveram afinados quanto baste para assegurar bons momentos de futebol e um caudal de golos que coloca o Sporting à beira de ter o melhor ataque da Liga. Bem a reagir à expulsão de Acuña, ainda que a dois tempos, só pecou por não refrescar a equipa com a terceira substituição. Tanto Jovane Cabral como Montero poderiam aproveitar o balanceamento dos adversários para o ataque nos últimos minutos de jogo.

Armas e viscondes assinalados: Seguro dos três pontos saiu do banco

Rio Ave 1 - Sporting 3

Liga NOS - 11.ª Jornada

3 de Dezembro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,0)

Duas defesas apertadas consecutivas (uma delas com a cara) que impediram o empate a 2-2 e uma estirada felina que roubou o 2-3 a Fábio Coentrão limparam uma noite de calafrios auto-infligidos. Mal o jogo tinha começado e já o guarda-redes emprestado pelo Estoril-Praia demorou tempo infinito a despachar uma bola, ficando perto de oferecer o golo ao Rio Ave. Embora pouco pudesse fazer no golo do empate, tão boa foi a execução do livre directo, não recolheu aos balneários sem antes sair dos postes de forma atabalhoada e hesitante, coroada com um alívio disparado contra o corpo de Acuña que só por sorte não foi aproveitado pelos adversários. Na segunda parte melhorou bastante, ao ponto de não fazer nada mais grave do que ceder um canto quando a bola se dirigia tranquilamente para a linha de fundo.

 

Bruno Gaspar (2,5)

O lateral-direito oriundo da Florentina difere de Winston Churchill no que toca a promessas de sangue e de lágrimas, embora os adeptos possam chorar ao recordarem-se de César Prates, de Abel, de Cédric Soares e mesmo de Schelotto e de Piccini. Uns poucos cruzamentos bem medidos, tristemente desaproveitados, são tudo o que de bom tem para mostrar em mais um jogo de muito suor, pois enfrentou adversários de grande talento a atacar e a defender, e em que deu o que tem. A mais não é obrigado, infelizmente.

 

Coates (3,5)

A forma acelerada como marcou o livre que permitiu inaugurar o marcador foi a expressão ofensiva das muitas antecipações que evitaram males maiores às balizas do Sporting. Juntou mais dois grandes cortes à colecção permanente do seu museu, esteve mais uma vez perto de marcar com a mesma cabeça com que serviu Diaby para uma ocasião que só não deu golo devido a uma grande defesa do guarda-redes adversário. E não se intimidou por ter sido um dos muitos sportinguistas contemplados com um amarelo por travar o irrequieto extremo Galeno.

 

Mathieu (3,5)

Mostrou o que é ter experiência e velocidade ao fazer um corte de carrinho na grande área tão arriscado que deveria ser antecedido por um aviso aos cardíacos. Também esteve perto de marcar de cabeça, mas teve mais pontaria com as mãos que deram o chega-para-lá ao adversário que cacarejava junto a Jefferson depois de o brasileiro ter sofrido uma entrada punida com um vermelho desbotado ao ponto de ficar amarelo.

 

Acuña (3,0)

Amarelado desde o primeiro quarto de hora de jogo, por culpa de José Peseiro e do amigo de Sousa Cintra que sabe tudo acerca de futebol, presumíveis culpados por Fábio Coentrão não poder terminar a carreira no clube do seu coração, o argentino teve um jogo atípico. Claro que somou mais uma assistência com um cruzamento perfeito para Bas Dost fazer o 1-2, mas nem sempre conseguiu expor o seu futebol e teve como segundo maior mérito o relativo controlo emocional que o impediu de juntar-se ao clube de amarelados por influência directa de Galeno. Após ficar a um xistrésimo de segundo de ser expulso por acumulação de amarelos foi substituído pelo cauteloso Marcel Keizer.

 

Gudelj (2,5)

Muitas vezes assoberbado pela avalancha ofensiva da equipa da casa, o sérvio ficou uns bons furos abaixo das exibições anteriores na contenção de danos e na construção de jogo. Já nos abundantes remates demonstrou coerência, mantendo o hábito de apontar para a baliza imaginária que só ele vê a pairar cinco metros acima do relvado.

 

Wendel (3,5)

Voltou a ser a formiga incansável do meio-campo leonino, batalhando em cada lance para ganhar posse de bola ou tecer a sucessão de passes rápidos em que assenta o regime keizeriano. Viu tanto esforço recompensado com uns minutos de descanso após a vitória ficar praticamente garantida.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Começou por marcar o primeiro golo do jogo, com um remate em diagonal perfeita após excelente desmarcação dentro da grande área. Só não bisou com um dos remates que são a sua marca registada, disparados de longe com muita força, direcção e efeito, porque Léo Jardim resolveu ser um desmancha-prazeres e desviou para canto. Quase sempre mais recuado do que Wendel, assumiu o transporte criterioso da bola e tentou ajudar Gudelj a ajudar-se, assim permanecendo até ao fim de um jogo facilitado pelo instante em que poderia rematar em posição frontal mas viu o recém-entrado Jovane Cabral à sua direita e permitiu que outros fizessem arte.

 

Nani (3,5)

Assistiu Bruno Fernandes no lance do 0-1 com a mesma mestria serena que lhe permitiu armar jogo, vigiar os adversários e até queimar tempo nos minutos que antecederam o apito final. Assenta-lhe mesmo bem aquela braçadeira.

 

Diaby (2,5)

Raphinha já treina e será uma questão de tempo até recuperar aquilo que é legitimamente seu. Enquanto esse dia não chega, cabe ao maliano ocupar-se de demonstrar que não cumpre os mínimos para seguir as pisadas de Figo, Quaresma e Cristiano Ronaldo. Melhor enquanto segundo avançado, ficou perto de marcar pelo terceiro jogo consecutivo, o que poderia ser encarado como um sinal de iminência do apocalipse.

 

Bas Dost (3,0)

Lutou com ninguém, demonstrou que deve ser o melhor colega que qualquer um pode desejar, mas a triste realidade é que não foi, nem por sombras, tão eficaz e letal quanto é seu bom hábito. Acumulou oportunidades desperdiçadas nos seus primeiros remates até que viu Acuña a preparar a mira, antecipou-se ao central e fez um magnífico cabeceamento que elevou para a meia-dúzia a sua contabilidade de golos na Liga NOS. Mais discreto na segunda parte, como quase toda a equipa, ‘limitou-se’ a ganhar duelos aéreos e a trocar cada vez melhor a bola com os colegas.

 

Jefferson (2,5)

Entrou para poupar o Sporting a jogar com menos um, numa noite em que Acuña não esteve tão inspirado e a comparação directa foi menos cruel. Resolveu alguns problemas na defesa, fez um cruzamento que Léo Jardim encaixou antes de Bas Dost lá chegar e sofreu o tipo de entrada que poderia tê-lo desconjuntado e daria à equipa médica leonina a hipótese de fazer aquilo que uma empresa sinistra fez ao polícia Murphy no clássico de ficção científica ‘Robocop’.

 

Jovane Cabral (3,5)

Recebeu com o pé a bola como se esta fosse colorida nas mãos de uma criança e fez o arco em ogiva que sossegou o espírito dos sportinguistas que tremiam com a desvantajosa vantagem do 1-2 que parecia eterno enquanto durasse. O golo que marcou fica como o melhor momento de um jogo movimentado e torna menos ridícula a ladainha do “para quem gosta verdadeiramente de futebol” que se ouvia na televisão. Ao seguro dos três pontos que saiu do banco só faltou bisar num contra-ataque em que permitiu o desvio para canto quando poderia flectir para o centro da grande área.

 

Bruno César (2,0)

Escassos minutos em campo serviram para fazer prova de vida, com bom toque de bola misturado com perdas de bola evitáveis. 

 

Marcel Keizer (3,5)

Teve uma boa estreia na Liga NOS e viu os seus jogadores interpretarem bem uma filosofia de aceleração do processo ofensivo e outras expressões utilizadas por quem gosta verdadeiramente de ganhar o sustento a falar de futebol. Compensou a entrada mais fraca na segunda parte com as substituições, tirando Acuña por cautela, Diaby por oportunidade e Wendel por cansaço, permitindo que Jefferson, Jovane Cabral e Bruno César assegurassem a conquista dos três pontos que mantêm o Sporting a dois pontos da liderança e com dois jogos teoricamente fáceis em Alvalade antes da deslocação a Guimarães.

Armas e viscondes assinalados: O azar dos azeris veio à meia-dúzia de Alvalade

Qarabag 1 - Sporting 6

Liga Europa - 5.ª Jornada

29 de Novembro de 2018

 

Renan Ribeiro (2,5)

Nem no Azerbaijão se livrou de sofrer um golo sem ter grande culpa disso. Depois de ter as redes arrombadas, com o Qarabag a repor a igualdade que pouco tempo durou, pôs trancas à porta da grande área, de onde saiu em duas ocasiões, e com grande estilo, para travar ataques da equipa da casa. Mesmo assim, e apesar de ser um espectador pouco participante na maior parte do jogo, quase sofreu um segundo golo que só não existiu devido à rapidez de raciocínio e de execução demonstrada por Bruno Fernandes. É possível que o brasileiro emprestado pelo Estoril-Praia seja um guarda-redes à altura do Sporting, mas raramente tem oportunidades para o provar.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Começou em grande, fazendo o cruzamento que Bas Dost transformou no lance do pénalti que abriu o marcador, mas ficou marcado pelo lance do golo do Qarabag, no qual nada pôde fazer contra dois adversários que apareceram sozinhos na grande área. Primou pela mediania esforçada e pela ausência de novos cruzamentos, voltando a mostrar que o Sporting tem um problema na direita tanto grande quanto as sondagens do PSD.

 

Coates (3,5)

Habituado a ser o patrão da defesa leonina, patrão continuou a milhares de quilómetros de Lisboa. Começou por resolver todos os problemas aéreos e terrestres na sua área de intervenção, mas com o passar do tempo integrou-se cada vez mais no ataque. Só lhe faltou o golo que deveras mereceria.

 

André Pinto (3,0)

Voltou a interpretar na perfeição o papel de suplente de Mathieu. O central português é o mais próximo de um bom ‘understudy’ da Broadway que se pode encontrar nos relvados, pois raramente ou nunca desilude quem nunca pagaria bilhete para o ver jogar. Assim voltou a fazer e os azeris foram postos em respeito.

 

Jefferson (2,0)

Todas as boas indicações deixadas no jogo anterior, aquele em que fez duas assistências para golos de Bas Dost, não chegaram a embarcar no avião que transportou a comitiva leonina. Inofensivo no ataque, e incapaz de fazer um cruzamento que fosse, o brasileiro só não foi pior porque não comprometeu por aí além nas missões defensivas. Felizmente haverá Acuña ao luar de Vila do Conde na segunda-feira.

 

Gudelj (3,5)

Começou o jogo algo manietado pelos jogadores do Qarabag, incapaz de participar na construção do ataque. Mas depressa se impôs na floresta do meio-campo e foi um dos intérpretes da nova filosofia de jogo que Marcel Keizer veio trazer ao Sporting. Outro ponto positivo: num festival de cartões amarelos, em que os azeris foram admoestados a torto e a direito, escapou incólume.

 

Wendel (4,0)

Outro que demorou alguns minutos a encontrar o seu lugar no relvado, até porque jogar ao primeiro toque é mais complicado do que o futebol mastigado e contemplativo dos tempos do outro senhor. Quando encontrou o lugar trouxe ilimitado azar aos azeris, acumulando assistências para golo e contribuindo de todas as formas para um resultado que poderia ser ainda mais impressionante se não tivesse cabeceado de olhos fechados, mesmo em frente da baliza, de uma forma equivalente à do célebre e infausto falhanço de Bryan Ruiz.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Tranquilizou as hostes com o remate de meia-distância que resultou no 1-2, contando com força, colocação, ressalto na relva e alguma ajuda do guarda-redes. Déspota iluminado do meio-campo ofensivo, combinou com os colegas de um modo que merece nota artística elevada, e bisou na segunda parte, numa desmarcação rápida e decidida ao passe de Wendel. É verdade que foi o único sportinguista amarelado, mas compensou-o ao chutar para longe a bola que ameaçava reduzir a desvantagem do Qarabag para 2-3.

 

Nani (4,0)

Venceu em drible e velocidade metade da equipa da casa para fazer um golo espantoso e claramente merecedor de ser comemorado com o salto mortal que deve provocar calafrios às seguradoras. Antes disso já se fazia notar pela forma como recuava no relvado para construir jogadas. Saiu alguns minutos antes para a ovação dos poucos adeptos leoninos sentados numas bancadas que também não tinham muito mais adeptos do Qarabag.

 

Diaby (3,5)

Encaminhava-se para mais um festival de inconseguimentos, embora tivesse participado na jogada que deu origem ao primeiro golo, oscilando entre perdas de bola e falhas de cobertura (a mais flagrante conduziu ao golo do empate), mas não só voltou a marcar um golo como, já depois de passar a referência atacante para o descanso de Bas Dost, ainda sucedeu que bisasse. 

 

Bas Dost (3,5)

Não muito distante do Azerbaijão, Jorge Jesus também decerto exclamou ter sido ele a ensinar o holandês a dominar a bola como dominou, forçando um adversário a derrubá-lo, e a marcar o penálti com uma perfeição maquinal. Não satisfeito com isso, o ponta de lança voltou a empenhar-se nas combinações com os colegas, compensando a falta de novas oportunidades de golo provocada pela ausência de cruzamentos dos desinspirados laterais. Teve direito a descanso antecipado, pois na segunda-feira há três pontos para amealhar frente ao Rio Ave.

 

Jovane Cabral (3,0)

Chegou, viu e assistiu para golo. Wendel desperdiçou um cruzamento perfeito, mas Diaby mostrou ser bem-agradecido e facturou. Pena que tenha entrado para o lugar de Bas Dost, pois o holandês teria finalmente quem lhe colocasse bolas na cabeça. Pena também que numa belíssima jogada individual não tenha rematado melhor.

 

Thierry Correia (2,0)

Teve direito à estreia na equipa principal e, sem nunca deslumbrar, esteve à altura da responsabilidade e não destoou do substituído Bruno Gaspar - o que também não é dizer assim tanto. Se o campeão europeu de sub-17 e sub-19 se consciencializar que é o elemento dos sub-23 para quem as circunstâncias do plantel do Sporting são mais favoráveis, tudo terá para ser um caso sério.

 

Carlos Mané (2,0)

Já passava dos 90 minutos quando fez uma arrancada pelo meio-campo adversário que fez recordar as esperanças que nele depositavam antes do advento de Jesus, do exílio alemão e das lesões recorrentes. Foi pena não ter um pouco mais de energia.

 

Marcel Keizer (4,5)

Disse que o Sporting não fez o jogo perfeito, ainda que a goleada à antiga, tão grande quanto as maiores da Europa, e a exibição muito bem conseguida tenham sido uma boa aproximação. Parece evidente que os jogadores estão a assimilar bem as suas ideias, algo que não deixa de ser verdadeiro só por soar ao pior tipo de futebolês. E se conseguir solucionar os problemas laterais do Sporting poderá ser um caso sério.

Pódio: Bas Dost, B. Fernandes, Jefferson

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Lusitano Vildemoinhos-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Bas Dost: 20

Bruno Fernandes: 18

Jefferson: 18

Wendel: 17

Diaby: 15

Nani: 15

Gudelj: 13

Bruno Gaspar: 13

Coates: 13

Mathieu: 13

Renan: 13

Jovane: 12

Bruno César: 6

Petrovic: 1

 

O Jogo e A Bola elegeram  Bas Dost  como melhor em campo. O Record optou por  Bruno Fernandes.

Notas aos jogadores

Nota 7

Jefferson - Tarde muito positiva do brasileiro, que regressou em boa forma à posição de lateral-esquerdo de que tinha sido arredado por José Peseiro e Tiago Fernandes em benefício de Acuña e até de Lumor. Fez talvez a melhor exibição da corrente época, muito dinâmico no seu corredor, de onde nasceram três dos quatro golos leoninos. Cruzou 19 vezes para a área - dois desses centros resultaram em golos.

Wendel - O novo técnico do Sporting apostou nele como titular, parecendo acreditar nos atributos do jovem médio contratado há dez meses ao Fluminense. Foi o elemento mais avançado do nosso meio-campo e teve influência decisiva no golo inaugural, com uma excelente movimentação no corredor central. Sempre muito activo, recebeu merecidos aplausos ao dar lugar a Bruno César, iam decorridos 79'.

Bas Dost - Sim, há um Sporting sem Bas Dost e um Sporting com Bas Dost. A equipa rende muito mais com ele em campo. O holandês - homem do jogo - voltou a mostrar-se decisivo nesta partida, marcando dois golos: o primeiro, aos 42', respondendo da melhor maneira a uma assistência de Jefferson, e o segundo, de irrepreensível execução técnica, aos 71', também com assistência do lateral brasileiro. Não contente com isto, fez ainda uma tabelinha decisiva com Bruno Fernandes de que viria a resultar o segundo do Sporting, aos 64'. Escutou uma calorosa e justíssima ovação ao sair de campo, substituído por Jovane aos 75'.

 

Nota 6

Renan - Sem responsabilidade no golo sofrido aos 44', foi decisivo em duas ocasiões, impedindo o golo da equipa anfitriã. Mostra-se seguro entre os postes e parece ter conquistado a titularidade na baliza leonina - pesada responsabilidade, pois procura-se ainda um digno herdeiro do inesquecível Rui Patrício.

Bruno Fernandes - Uma actuação com duas faces: desconcentrado e com défice competitivo nos primeiros 45 minutos, em que pecou por uma comprometedora perda de bola, originando o golo da turma adversária; e próximo da sua melhor forma no tempo complementar, cabendo-lhe a autoria do nosso segundo, com primoroso pormenor técnico coroado no remate vitorioso para as redes do Lusitano, aos 64'.

Nani - Não foi uma das melhores partidas do capitão leonino, que falhou mais passes do que nos tem habituado. Mas foi um exemplo de tenacidade, espírito competitivo e bom recorte técnico. Participou na construção do segundo golo, lançando Bruno Fernandes à entrada da área, e foi dele a assistência para o quarto, servindo Diaby de bandeja com um cruzamento que só pediu um ligeiro empurrão à bola.

Jovane - Marcel Keizer deixou-o no banco, optando por Diaby como titular na posição de extremo direito em que o maliano evidenciou lacunas. Jovane deu mais acutilância, velocidade e profundidade a esse sector da nossa equipa, confirmando-se como um suplente de luxo. Seria certamente ainda mais útil se não tivesse entrado em campo numa fase (aos 75') em que a vitória leonina já estava construída e quase só havia que defender o resultado.

 

Nota 5

Coates - Limitou-se a cumprir a tarefa posicional no eixo defensivo, sem fazer a diferença na fase de construção nem tentar vistosas incursões ofensivas, ao contrário daquilo a que nos tem habituado. Comportamento mediano, sem especial brilho. O golo adversário surgiu na sua zona de jurisdição, embora a maior responsabilidade, na sofrível cobertura, fosse de Bruno Gaspar.

Matthieu - Uma escorregadela sua, logo aos 8', abriu uma avenida ao extremo do Lusitano que poderia ter aberto o marcador nessa fase embrionária da partida. Alternou entre o bom, com lançamentos longos para o sector mais avançado, e o sofrível, falhando muitos passes. Pareceu longe do fulgor físico exibido noutros jogos.

Gudelj - Foi o nosso médio mais recuado, cabendo-lhe desta vez a missão que costumava ser confiada a Battaglia. Assegurou operações de patrulhamento do nosso corredor central, mas faltou-lhe ousadia para participar no processo ofensivo e continua a revelar défice de velocidade. Deu lugar a Petrovic, aos 85'.

Diaby - Keizer apostou nele, em detrimento de Jovane, como condutor do ataque leonino na ala direita. Mas o maliano parece preferir movimentar-se no eixo do terreno, onde pode ser alternativa enquanto segundo avançado. Foi nesta posição, entretanto improvisada, que deu a melhor sequência a um centro de Nani, oriundo do corredor esquerdo. Estávamos no minuto 73: após 13 jogos vestido de verde e branco, Diaby estreava-se a marcar. Mais vale tarde que nunca.

Petrovic - Entrou aos 85', numa fase de óbvia contenção, com o resultado já construído e quando havia necessidade de poupar forças com vista aos próximos desafios. Missão cumprida.

 

Nota 4

Bruno Gaspar - Continua a beneficiar de oportunidades, face à lesão de Ristovski. E continua a decepcionar os adeptos. Nova exibição frouxa, sem acutilância atacante, muito contrastada com a exuberância revelada por Jefferson na ala oposta. Centrou pouco e quase sempre sem perigo. Teve responsabilidades no golo sofrido ao ser batido em velocidade por Diogo Braz.

Bruno César - Constará da lista de jogadores a dispensar em Janeiro. Hoje fez pouco ou quase nada para contrariar este destino que parece traçado. Em campo desde o minuto 79, destacou-se por uma perda de bola em zona perigosa e comprometedora. Só não causou maior calafrio devido à confortável vantagem que o Sporting já tinha nessa fase do encontro.

Quente & frio

Gostei muito da estreia do técnico holandês Marcel Keizer, conduzindo o Sporting à primeira goleada da época: 4-1, contra o Lusitano Vildemoinhos, para a Taça de Portugal, em jogo disputado no estádio do Fontelo, em Viseu. Uma vitória mais que merecida perante uma plateia constituída em grande parte por adeptos leoninos, entoando o cântico "Eu quero o Sporting campeão". Começar com o pé direito é imprescindível: Keizer passou no teste.

 

Gostei  daqueles nove alucinantes minutos em que marcámos três golos, desbloqueando um jogo que permaneceu empatado até aos 71'. Havia que acelerar em busca da vitória e conseguimos concretizar esse objectivo. Sobretudo graças ao suspeito do costume: Bas Dost. O holandês saiu do Fontelo com folha exemplar: mais dois golos somados ao seu pecúlio (leva já sete nesta temporada) e ainda uma assistência para o segundo, marcado por Bruno Fernandes. Diaby, que se encarregou de fechar a contagem, estreou-se enfim a marcar. O melhor em campo foi Dost, único membro deste plantel que estabelece uma diferença digna de registo: há um Sporting com ele e outro sem ele. Destaco ainda Jefferson, que se exibiu em muito bom nível, na luta pela titularidade como lateral esquerdo: três dos nossos quatro golos surgem do flanco dele, com assistências directas do brasileiro para o primeiro e o terceiro.

 

Gostei pouco das exibições de alguns dos nossos jogadores. Bruno Gaspar voltou a demonstrar défice de penetração ofensiva e não sai isento de responsabilidade no golo consentido. Gudelj parece-me deslocado como médio defensivo, faltando-lhe acutilância e velocidade na primeira fase de construção de lances ofensivos. Diaby, apesar do golo marcado, continua a revelar défice posicional como extremo, onde Raphinha ou Jovane se destacam mais que ele.

 

Não gostei da ausência, por castigo ou lesão, de jogadores que são nucleares no onze titular leonino. Desde logo Acuña, que tem sido um dos elementos mais influentes neste surpreendente Sporting 2018/2019, a que nenhum dos especialistas do comentário futebolístico vaticinava futuro brilhante e afinal se vai destacando em todas as frentes internas e na Liga Europa. Também Raphinha faz falta ao núcleo central de jogadores leoninos. Isto sem esquecer Battaglia, afectado por uma lesão muito prolongada que o deverá deixar de fora durante o resto da temporada.

 

Não gostei nada da primeira parte do Sporting neste embate com o Lusitano Vildemoinhos, clube da terra natal do campeoníssimo Carlos Lopes - um dos heróis de sempre em Alvalade. A turma viseense, que alinha na série B do Campeonato de Portugal e é constituída por amadores, deu boa réplica à nossa equipa, que nos 45 minutos iniciais demorou imenso tempo a construir lances ofensivos, fazendo circular a bola com exasperante lentidão. Ao intervalo, registava-se um empate: 1-1. Nada digno dos pergaminhos do Sporting, como o novo técnico holandês certamente não deixou de lembrar aos jogadores no balneário. De alguma coisa terá servido esta pausa: a história do jogo foi bem diferente no segundo tempo.

Armas e viscondes assinalados: Nove minutos para as ambições do Keizer

Lusitano de Vildemoinhos 1 - Sporting 4

Taça de Portugal - 4.ª Eliminatória

24 de Novembro de 2018

 

Renan Ribeiro (2,5)

O Boavista e o Arsenal mantiveram-se isolados no que toca à capacidade de não marcarem golos ao guarda-redes brasileiro, último a ficar mal na fotografia (após Bruno Fernandes, Gudelj, Coates e Bruno Gaspar) na jogada em que o Lusitano de Vildemoinhos empatou. Antes disso fizera uma boa defesa e tornara-se observador pouco participante do desafio disputado no sempre deslumbrante estádio do Fontelo. Pior balanço da tarde só poderia ter ocorrido se a equipa dos arredores de Viseu tivesse feito o segundo golo, mesmo ao cair do pano (certamente molhado de levar com tanta chuva) num lance de insistência em que o remate saiu muito por alto e Renan aparentava estar batido.

 

Bruno Gaspar (2,5)

Muito em jogo na primeira parte, ao ponto de ter sofrido um toque dentro da grande área adversária que poderia ter levado à marcação de um pénalti, ganhou várias vezes a linha e cruzou para zonas lamentavelmente desprovidas de camisolas verdes e brancas. Do ponto de vista defensivo sobressaiu uma dobra em que afastou a bola na hora H, mas no instante I observou o cabeceamento de Diogo Braz para a baliza do Sporting. Para piorar, muitas foram as ocasiões durante a segunda parte em que se tornou evidente que não fazia a menor ideia do que deveria fazer à bola.

 

Mathieu (3,0)

Começou com uma perda de bola que teria sido assaz comprometedora não fosse o caso de o próprio ter recuperado terreno e impedido o golo que inauguraria o marcador. Foi esse o mote de uma actuação segura, mesmo quando recorria à classe para solucionar os seus próprios erros, ainda que no lance do golo do Vildemoinhos seja o menos culpado.

 

Coates (3,0)

Três vezes reincidiu nas incursões pelo meio-campo contrário, sem quaisquer consequências práticas, o que talvez deva levar a repensar essa prática perante adversários mais complicados. Mas no resto, tirando o posicionamento no lance do empate, foi de uma competência tão absoluta que quase se pode esquecer por um instante que os adversários eram de um escalão muito inferior.

 

Jefferson (3,5)

Na ausência de Acuña coube-lhe ser o cruzador-mor do Sporting, e o balanço final de duas assistências para golo mostra que não desaproveitou a oportunidade. Na primeira parte fez um cruzamento rasteiro e muito rápido para o encosto de Bas Dost e na segunda parte fez um cruzamento aéreo e em que a bola demorou a fazer o arco para o pontapé de Bas Dost. Ambos deram resultado e fizeram com que o brasileiro não ficasse à espera de uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão ao novo treinador.

 

Gudelj (3,0)

Entre as suas culpas no cartório estão o cartão amarelo algo escusado que o condicionou desde cedo e a displicência com que permitiu o cruzamento para o golo dos adversários. Mas voltou a provar que é um poço de força que utiliza para varrer o meio-campo de ameaças à integridade territorial da sua equipa.

 

Wendel (3,0)

Foi o melhor do Sporting na primeira parte, e não apenas por ter dado início à jogada que inaugurou o marcador. Muita luta, qualidade de passe e capacidade de ler o jogo só não surtiram melhores efeitos porque não afinou a pontaria na hora de rematar. Na segunda parte começou a decair, com a falta de ritmo e o cansaço nas pernas a virem ao de cima, pelo que foi substituído por um compatriota que entrou no relvado já mais cansado do que ele.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Estava a ser mais uma tarde mal-aventurada para o melhor jogador da Liga em 2017/2018, capaz de rematar para as bancadas, em posição frontal, após uma defesa incompleta do guarda-redes, para de seguida perder a bola que permitiu o golo que anulou a vantagem obtida por Bas Dost. Mais recuado do que Wendel, e com instruções para iniciar a construção das jogadas, andava perdido no jogo. Tudo mudou na segunda parte, mais concretamente no momento de pura magia em que recebeu a bola de costas para a baliza, fez um passe de calcanhar para Bas Dost, recebeu a tabelinha do holandês e num toque seco de primeira dirigiu a bola para o fundo das redes, dando início aos nove minutos que levaram o Sporting do sufoco do 1-1 à tranquilidade do 1-4. Mais influente ao longo dos últimos 45 minutos, deixou a esperança de que os bons tempos estejam para voltar.

 

Diaby (3,0)

Começou por fazer várias boas arrancadas pela direita, não raras vezes coroadas com cruzamentos bastante decentes, e desta vez não executou os inconseguimentos futebolísticos que borram habitualmente as suas pinturas. Tão especial era o dia que até marcou um golo à ponta de lança, servido por Nani, recebendo um voto de confiança de Marcel Keizer ao ser desviado para a posição de avançado centro quando Bas Dost teve direito a merecido repouso.

 

Nani (3,0)

Outro que andou à espera do comboio na paragem do autocarro numa primeira parte em que deixou como principal marca o desperdício de um dos melhores cruzamentos de Jefferson. Voltou do intervalo com mais garra, ainda que a velocidade que vai faltando dificulte boa parte daquilo que se espera de um extremo. Mas isso não o impediu de servir Diaby para o golo que selou o resultado final.

 

Bas Dost (3,5)

Agarrado pela camisola num lance em que o árbitro decidiu não marcar grande penalidade, o avançado holandês mostrou-se sempre muito dinâmico a trocar a bola com os colegas e não desperdiçou a ocasião que teve para fazer o primeiro golo num toque precioso junto ao relvado. Só precisou de metade da segunda parte para bisar, novamente com o pé, e para fazer um assistência primorosa. Se a cabeça tivesse mais juízo, o Vildemoinhos é que pagaria.

 

Jovane Cabral (2,0)

O elemento do plantel do Sporting que mais tem a agradecer a José Peseiro não aproveitou a quinzena de minutos no relvado para recuperar a aura de talismã. Mas ainda assim fez duas boas incursões pela direita, numa lógica de depressa e (mais ou menos) bem até existe quem.

 

Bruno César (1,5)

Entrou e logo começou a perder bolas e fazer passes errados. Se a ideia era provar que tem lugar no plantel, dir-se-ia que a resposta não foi a melhor.

 

Petrovic (1,5)

Deu descanso a Gudelj nos últimos minutos e dedicou-se a fazer um número de faltas desproporcional ao tempo passado no relvado. 

 

Marcel Keizer (3,0)

Tinha a estreia mais desejável, enfrentando um adversário de escalão inferior, mas não arriscou descansar titulares além de Acuña. Também mostrou o seu dedo ao apostar em Wendel para um 4-3-3 sem flúor de duplo pivot defensivo, mas a verdade é que também passou por um belo sufoco quando o Vildemoinhos empatou logo a seguir ao 1-1. Aos 60 minutos não tinha nenhum suplente a aquecer, pelo que os nove minutos de bom futebol que permitiram a maior goleada leonina dos tempos mais recentes caíram do céu e da qualidade individual de alguns jogadores daquele plantel que não escolheu. O sinal mais interessante foi a aposta em Diaby para terminar o jogo na posição para a qual terá sido contratado, em troca de meia-dúzia de milhões de euros. Mas os próximos embates, com Qarabag e Rio Ave, darão sinais mais claros quanto à evolução do futebol do Sporting do que a passagem em frente na Taça de Portugal.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Arte traiu Viriatos

Em terras de Viriato, os irredutíveis lusitanos lutaram para defender o seu território frente a um adversário mais poderoso e que estreava o Professor Marcel ao comando. De um lado, os lusitanos, ostentando a Cruz de Cristo ao peito, do outro, os leões na era depois de Jesus mas com um Diaby capaz de dar cabo da paciência a um santo adepto. Para infelicidade dos viriatos, habituados históricamente a bater o pé à influência da Roma antiga (agora deslocada para o Oriente), as tácticas italianas do seu opositor haviam sido abandonadas. Agora imperava a escola holandesa, (re)conhecida pelo fomento das suas artes - onde o mecenato a terceiros não vai além da oferta da sua parte da receita do jogo -, mas também dada a alguns excessos burgueses como se viu durante a primeira parte. Assim, depois de uma Primavera/Verão marcada literal e metaforicamente pelo triângulo das bermudas – dentro e fora do campo –, após o Black Friday o estilista Keizer estreava a tendência de moda guerreira para a estação Outono/Inverno: os losangos (os neerlandeses são vizinhos dos exóticos "diables rouges" e sua extravagante indumentária), um futebol jogado a 1/2 toques, preferencialmente pelo centro e de apoio frontal e lateral ao portador da bola. 

 

O Sporting iniciou o jogo com Renan na baliza e Coates e Mathieu como centrais. Nas laterais, Gaspar e Jefferson (um dos melhores em campo), este último o primeiro a beneficiar do período de Renascimento que se vive entre os leões. Meio-campo a 3 linhas, com Gudelj mais recuado e a novidade de Bruno Fernandes jogar nas costas de Wendel. Diaby e Nani dividiam as alas e Bas Dost era o ponta-de-lança. A primeira imagem deste novo Sporting surgiu quando Wendel, Bruno Fernandes e Jefferson combinaram e Dost empurrou para as redes desertas. A segunda imagem mostrou a má reacção à perda de bola característica das equipas de Keizer: Bruno Fernandes perdeu a bola e Nani e Jefferson ficaram a ver jogar até a bola chegar a Diogo Brás, que não perdoou. A segunda parte começou no tom lento da primeira. Estávamos nisto até que Bruno Fernandes deu duas pinceladas de Rembrandt e marcou o segundo para o Sporting. Logo de seguida, Jefferson, a passe de Bruno Fernandes, traçou o azimute para Dost e o holandês dostou como de costume. A catarse prosseguiu quando Bruno Fernandes primeiro tabelou com Dost, depois com Nani, e o ala serviu no centro, onde Diaby assinou o quarto. Entraram ainda Bruno César, Jovane e Petrovic, este último (mal entrou) capaz de protagonizar uma entrada a pés juntos enquanto o Diaby esfregava um olho. Pobre rapaz, que pode ter levado a mal(i)...

 

Parece um paradoxo, mas logo agora que se deslocaram à terra do campeoníssimo atleta Carlos Lopes, os jogadores leoninos não se limitaram a correr os 10 km do costume, também jogaram à bola. Afinal, parece que não é tão difícil, pois não?

 

Nada mal para estreia, Varandas e companhia (os Keizer Chiefs) devem ter ficado contentes.

 

Tenor "Tudo ao molho": Bruno Fernandes

 

P.S. Ao vencer o Besiktas por 34-28, o Sporting protagonizou um feito histórico do andebol português, por ser a primeira equipa lusa a apurar-se para a fase final da Liga dos Campeões (desde que esta tem este formato), quando ainda falta uma jornada para terminar a fase de grupos, facto só possível devido à expressiva derrota da equipa eslovaca (louca?) do Presov na Rússia, frente ao Chekhovskiye  (é mesmo verdade) Medvedi.

P.S.2: A Formação do Sporting aplicou um "correctivo" de 4-0 à Formação do Benfica, em jogo a contar para a segunda fase do campeonato nacional de iniciados. Lá se vai a teoria do caos. Pedro Pontes (infantis, Torneio da Pontinha), Pedro Coelho (campeão em título de iniciados), João Couto (multi-campeão nacional pelo Sporting) e José Lima (campeão de juniores pelo Sporting e pelo...Alverca) estão de parabéns pelo trabalho que diariamente realizam em prol do Sporting Clube de Portugal. Que se criem condições para que todo o talento gerado não se perca num fúnil demasiadamente apertado aquando da passagem para os seniores. As nossas finanças agradecerão.

lusitanosporting.jpg

 

Pódio: Bas Dost, Acuña, Bruno Fernandes

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Chaves pelos três diários desportivos:

 

Bas Dost: 20

Acuña: 17

Bruno Fernandes: 17

Coates: 15

Mathieu: 15

Bruno Gaspar: 14

Nani: 14

Gudelj: 14

Miguel Luís: 14

Jovane: 13

Renan: 13

Montero: 11

Diaby: 11

Misic: 1

 

O Jogo e A Bola elegeram Bas Dost como melhor em campo. O Record optou por Acuña.

Armas e viscondes assinalados: Chaves para as portas da vice-liderança

Sporting 2 - Desp. Chaves 1

Liga NOS - 10.ª Jornada

11 de Novembro de 2018

 

Renan Ribeiro (2,5)

Muito pouco teve para fazer ao longo de quase todo o jogo e muito pouco fez nas raras ocasiões em que era preciso. Além do lance do golo do Chaves, no qual foi impotente perante o arco do triunfo de Niltinho, o guarda-redes brasileiro distinguiu-se por algumas reposições de bola muito abaixo dos mínimos.

 

Bruno Gaspar (3,0)

Despertou para alguns dos melhores e mais intensos minutos que os sportinguistas lhe viram (não muitos ao vivo, pois pouco mais de 20 mil foram ao estádio) na segunda parte, depois de ficar estendido na grande área adversária ao fazer aquilo que se pede a um lateral de um clube grande: diagonais que aumentem as hipóteses de golo. Já na primeira parte tivera uma ocasião para marcar, permitindo o desvio para canto, mas na maioria parte do tempo parecera tão detido nas movimentações quanto o homónimo que o foi contratar à Fiorentina.

 

Coates (3,5)

Nem o golo do Chaves, longe da sua área de influência, retira brilho a mais uma grande exibição do uruguaio, impondo extremas restrições ao espaço aéreo como só ele sabe. No que toca às tradicionais incursões ofensivas destaca-se uma tentativa de triangulação prejudicada pela interpretação de Bruno Gaspar do que representa ser um vértice.

 

Mathieu (3,5)

Começou o jogo com um susto, pois um atraso levou a bola a deslizar demasiado na relva molhada. Teve muito tempo para se redimir e assim fez, não só nos cortes e na pressão sobre os adversários, mas também na capacidade de esticar o jogo ofensivo dos leões.

 

Acuña (3,5)

Foi o último a tocar na bola antes do apito final, o que constituiu uma certa justiça cósmica para o argentino, novamente posicionado como lateral-esquerdo de grande vocação atacante. Deve-se-lhe o cruzamento perfeito que permitiu a Bas Dost inaugurar o marcador, outros centros que ficaram por aproveitar, uma atitude de carraça que deve causar calafrios aos adversários e a disponibilidade para disputar a bola mesmo que lhe estejam a agarrar a camisola ou a fazerem entradas de sola que são punidas com vermelho directo. A destoar em mais uma grande exibição só mesmo a liberdade que concedeu a Niltinho no lance do golo do Chaves.

 

Gudelj (3,0)

Viu um cartão amarelo por uma obstrução que provavelmente seria considerada um cumprimento cordial na Sérvia. Novamente colocado na posição mais recuada do meio-campo leonino, onde parece ter encontrado o seu nicho, voltou a servir-se do físico e da experiência acumulada para levar a água ao seu moinho.

 

Miguel Luís (3,0)

Manteve a titularidade que lhe fora entregue perante o Arsenal pelo seu antigo treinador dos tempos de júnior. Distinguiu-se pelo muito que lutou no miolo do terreno, ainda que sem nunca deslumbrar tanto quanto deverá precisar para continuar a ser aposta do novo treinador.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Teve em omnipresença o que lhe faltou em omnipotência e omnisciência, pois o seu mapa de acção cobre todo o relvado. O pior foram os resultados práticos, pois a sua tentativa de míssil teleguiado saiu directa para as bancadas esvaziadas pelo boicote da Juve Leo, uma desmarcação feita por Jovane Cabral foi desperdiçada e um passe longo que isolaria Nani não chegou ao destino. Pode ser que a pausa na Liga e a mudança de treinador ilumine o melhor futebolista da última edição da Liga NOS.

 

Nani (3,0)

Passou o tempo a construir jogadas e à procura de oportunidades para se reaproximar da liderança da lista de melhores marcadores. Valeu a pena? Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena... Teve direito a aplausos das bancadas ao ser substituído, já em tempo de descontos.

 

Jovane Cabral (3,0)

Desta vez foi titular, o que não costuma combinar assim tão bem com ele. Mesmo assim, um cruzamento para Bas Dost cabecear à figura e um remate rasteiro desviado pelo guarda-redes compensam um pontapé sem qualquer nexo junto da linha de fundo.

 

Bas Dost (3,5)

Passou dois minutos com a bola nas mãos, enquanto à sua volta os jogadores do Chaves protestavam, o videoárbitro revia as imagens e o guarda-redes era assistido. Foi autorizado a marcar o pénalti, fez o resultado final. Logo no início da primeira parte inaugurara o marcador com um cabeceamento irrepreensível, demonstrando que quem sabe nunca esquece.

 

Montero (2,0)

Preparava-se para entrar com o jogo empatado, entrou com o 2-1 e a missão de agitar o ataque, mas ficou demasiado só e lutou mais do que conseguiu obter.

 

Diaby (2,0)

Entrou para o lugar de Jovane e também oscilou de ala, logrando um bom cruzamento da direita para Bas Dost, que não andou longe de ser a única coisa digna de registo que o maliano tem para oferecer.

 

Misic (-)

Voltou a pisar o relvado em tempo de descontos. Pode ser que o Keiser engrace com ele.

 

Tiago Fernandes (3,0)

Deixa o Sporting na segunda posição, a apenas dois pontos do FC Porto, e bem posicionado para a qualificação na Liga Europa. Não só isso como aqui e acolá surgem uns vislumbres do que é construir jogadas com pés e cabeça. O interino emocionou-se no final do jogo, mas não se deve esquecer que os leões voltaram a terminar um jogo com vontade de queimar tempo para assegurar os três pontos. Estando a jogar contra dez. 

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Notas do Professor Marcel

Mal o jogo se iniciou, ambas as equipas mostrarem tendências suicidas: um flaviense confundiu um colega com uma bola de futebol e Mathieu atrasou uma bola venenosa para o seu guarda-redes. O Sporting apresentou-se com 3 médios de perfil, em bloco médio-alto, procurando o "campo pequeno", a fim de chegar mais facilmente em defensores de Chaves. 

 

A meio da primeira parte, quando se sucediam os passes falhados, na intersecção entre a linhas lateral e divisória do meio-campo Bruno Fernandes encontrou Acuña isolado pela esquerda. O argentino fez uma recepção orientada, centrou com régua e esquadro para a cabeça de Bas Dost e o holandês voador não perdoou. O Sporting poderia ter resolvido o jogo ainda no primeiro tempo mas, tal como a bola, o último passe nunca entrou.

 

O segundo tempo seguia numa toada morna até que Daniel Ramos lançou Niltinho na partida. Com a entrada do brasileiro, os flavienses encontraram as Chaves do Areeiro que lhes permitiram arrombar a trave (fechadura) da baliza leonina. O jogo aproximava-se do fim, não sem que antes o árbitro marcasse um penalty favorável ao Sporting. Na conversão, o suspeito do costume dostou, garantindo assim uma vitória e a ultrapassagem ao Braga para o segundo lugar do campeonato nacional.

 

No Sporting, Bas Dost e Acuña foram os melhores. Miguel Luís voltou a ser titular e mostrou consistência no passe, embora não tenha arriscado passes de ruptura. Gudelj continua a crescer defensivamente, mas dá pouco ao jogo a nível ofensivo. Nani e Bruno Fernandes alternaram boas cantorias com momentos dignos de ópera bufa e Jovane mostrou bons pormenores, no que terá sido um dos seus melhores jogos partindo de títular. Diaby, entrado em "modo morto de sono" a substituir o cabo-verdiano, foi a nulidade a que já nos habituou.

 

Marcel Keizer assistiu de camarote a esta partida cinzenta e algumas notas terá tirado. Em noite de Tiagos, um despediu-se a chorar e o outro deve estar a chorar a esta hora para não ser despedido. É que, sem que o (Bruno) Gallo já pudesse cantar, Tiago Martins (e o VAR), hoje muito infeliz nas decisões, renegou a (boa) arbitragem por duas vezes. Mais uma e o homem do apito ainda teria de mudar o nome para Pedro... Enfim, alguma vez haveria de "tocar" a nós...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bas Dost (lapidar no fim do jogo: "agora mais futebol, depois o título")

 

P.S. Diálogo mantido com um amigo benfiquista que me telefonou após o jogo:

- "Então o que `passou-se`?" -, perguntou-me ele como quem não quer a coisa, esboçando umas lágrimas de crocodilo.

- "Não sei, vocês é que estão (mal) habituados a isto..." -, retorqui-lhe eu, sem ponta de emoção (já chegava de choradeira por uma noite...).

 

bas dost chaves.jpg

 

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

De mais uma vitória, que nos mantém na luta pelo título. Vencemos hoje o Chaves, por 2-1, em Alvalade, num jogo que dominámos do princípio ao fim e em que rematámos 17 vezes à baliza adversária, contra apenas três da turma transmontana.

 

De Bas Dost. O homem do jogo. Resolveu a partida, com dois golos. Aos 23', de cabeça, correspondendo da melhor maneira a um excelente cruzamento de Acuña na primeira oportunidade de que dispôs. E aos 86', concretizando uma grande penalidade que se seguiu ao golo do empate flaviense. Mas não teve uma actuação muito positiva só por isto: envolveu-se da melhor maneira nas movimentações colectivas, ganhou quase todos os lances de cabeça e arrastou a defesa adversária quando eram companheiros de equipa a transportar a bola. Em 66 jogos pelo Sporting no campeonato nacional, já marcou 66 golos. Excelente média deste grande profissional do futebol leonino que já se expressa bem em português (como ficou evidente ao falar à televisão depois do jogo).

 

De Nani. É um prazer vê-lo jogar futebol. O campeão europeu (que, estranhamente, Fernando Santos, não incluiu na mais recente convocatória contra Itália e Polónia) é o grande pensador da nossa equipa. Comanda os colegas com autoridade natural, comprovando a sua excelente visão de jogo. Saiu já no tempo extra, aos 91', e recebeu uma merecida ovação do público em Alvalade.

 

De Acuña. Hoje regressou à lateral esquerda e foi incansável a municiar as linhas ofensivas da equipa. Fez a assistência para o golo inaugural do Sporting. Em grande evidência, uma vez mais. Foi um dos melhores do onze leonino.

 

De Tiago Fernandes. O treinador interino passa o testemunho ao holandês Marcel Keizer, que amanhã inicia funções como técnico principal da equipa. E passa-o com um balanço muito positivo: duas vitórias na Liga e um empate fora, para a Liga Europa, em casa do Arsenal. Três jogos em oito dias. Mereceu os aplausos que os adeptos lhe tributaram no final do jogo enquanto gritavam pelo seu nome. Não custa vaticinar: vai ter futuro no futebol português.

 

Da estreia de Miguel Luís. O jovem médio ofensivo actuou na posição 8 nesta sua primeira partida como titular do Sporting no campeonato nacional. Contribuiu para a boa atitude competitiva da equipa com excelentes passes para Bruno Fernandes (44') e Bruno Gaspar (79'). Vai ganhando rodagem entre os maiores: só assim consegue crescer como profissional do futebol.

 

Do nosso dique defensivo. Bons desempenhos de Gudelj como médio mais recuado, alternando o apoio aos centrais com o natural protagonismo à saída de jogo na fase de construção, e sobretudo dos nossos centrais, provavelmente o melhor duo da Liga 2018/2019 nas respectivas posições. Merecidos elogios, não ensombrados pelo golo do Chaves, que resultou de um soberbo remate em arco de Niltinho, aos 81', disparado de fora da área sem defesa possível.

 

Do estado do nosso relvado. Ninguém diria que esteve toda a noite anterior e todo o dia a chover em Lisboa: o tapete verde do Estádio José Alvalade manteve-se em boas condições, servindo de palco muito apropriado a uma emocionante partida de futebol.

 

Da nossa classificação. Continuamos a progredir na tabela classificativa. Subimos ao segundo lugar, com 22 pontos, aproveitando a derrota de ontem do Braga no estádio do Dragão. Estamos apenas a dois pontos do FC Porto e vamos manter-nos isolados na segunda posição pelo menos até 2 de Dezembro, data do início da próxima ronda do campeonato. Há três meses quem vaticinaria uma posição destas face a tudo quanto tinha ficado para trás? 

 

 

Não gostei

 

Do público tão escasso nas bancadas do nosso estádio. Hoje havia apenas 20.359 espectadores em Alvalade, uma cifra nada habitual para os números a que estamos habituados em jogos do campeonato nacional de futebol. Explica-se, em boa parte, pelas péssimas condições atmosféricas que se abateram nas horas anteriores sobre o País em geral e sobre a zona de Lisboa em particular. Mas não custa vaticinar que a partir de agora a assistência vai aumentar - faça chuva ou faça sol.

 

Do golo do empate, sofrido aos 81'. Foi um golo de excelente execução técnica, provavelmente o melhor golo desta jornada. Mas funcionou como um duche de água gelada em Alvalade, totalmente contra a corrente do jogo. Felizmente Bas Dost desempatou, de penálti, seis minutos depois.

 

Dos remates desperdiçados da nossa meia-distância. Bruno Fernandes e Gudelj, como de costume, bem tentaram. Mas apenas conseguiram atirar a bola para a bancada. Pior para o sérvio, que ainda não se estreou a marcar pelo Sporting.

 

Do vazio registado no sector central do topo sul. Consequência da acção policial de hoje, que levou às buscas da GNR e à detenção do líder da Juventude Leonina, por mandado do Tribunal do Barreiro - o que fez debandar os elementos desta claque que costumam ter lugar nessa zona do estádio. Mas isso é tema para outros textos, não para este.

O princípio do fim do hooliganismo em Alvalade? - II

A detenção do líder da Juve Leo, acompanhada pela detenção do seu líder espiritual e antigo presidente do clube, no âmbito do processo de Alcochete, vêm reforçar a urgência em tomar medidas relativamente aos apoios às claques, como defendi há 2 dias em post anterior.

Fez bem Frederico Varandas em conseguir acordo pela transferência de Rui Patrício, tal como havia estado bem Sousa Cintra no acordo com William Carvalho e regressos de Bruno Fernandes, Bas Dost e Battaglia. Porque a verificar-se o que nenhum sportinguista quer acreditar, que tenha existido algum grau de envolvimento por parte de dirigentes, o clube correria o risco de ver alguns jogadores conseguirem justa causa.

É tempo de pararem com a conversa dos mansos, golpadas e outras teorias, cada dia que passa se torna mais evidente que em boa hora nos livrámos de quem nos prejudicou e resgatámos o clube para os seus legítimos donos, os sócios.

Armas e viscondes assinalados: Penálti duplo derrotou ciclone dos Açores no adeus ao duplo pivot defensivo

Renan Ribeiro (2,5) 

Ainda foi o menos culpado de todos no lance do golo do Santa Clara. Nada pôde fazer, tal como nada pôde fazer noutras ocasiões que puseram em causa três pontos que tanto trabalho deram a amealhar. Sucede que a pontaria de um dos melhores ataques da Liga não esteve nada calibrada e a defesa mais vistosa do brasileiro terá sido encaixar um livre desviado pela cabeça de Nani.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Conseguiu ser o elo mais fraco de uma defesa leonina em que outro elemento fez o primeiro jogo do princípio ao fim nesta temporada. Capaz de fazer arrancadas em que nem ele acredita, e úteis sobretudo para apressar os pontapés de baliza do Santa Clara, só não esteve pior porque teve muito boa companhia na maior parte do jogo. Thierry Correia, que foi aos Açores e viu o jogo da bancada, perdeu uma oportunidade para se candidatar ao lugar.

 

Coates (3,0)

Viu o amarelo aos 14 minutos, na primeira falta que fez, perto da linha de meio-campo. Talvez por ter a espada de Damocles (nome que não destoaria no onze multinacional do Santa Clara) suspensa sobre a cabeça mostrou alguma contenção, patente na ausência de dois dos seus traços habituais - mais precisamente, a ofensiva inconsequente no meio-campo contrário e o remate de cabeça ligeiramente acima ou ao lado. Mas nem assim deixou de fazer cortes decisivos e zelar pela superioridade aérea.

 

Mathieu (3,0)

Divide responsabilidades pelo golo do Santa Clara com Lumor, pois Zé Manuel recebeu a desmarcação perfeita de Osama Rachid no meio dos dois. Tirando esse pequeno detalhe fez um jogo à sua imagem, juntando à segurança defensiva o critério no passe longo. Quase todas as jogadas do Sporting começaram nele na segunda parte, até porque os fortes ventos contrários que fazem daquele estádio um fenómeno meteorológico exigiam a potência das pernas do francês.

 

Lumor (3,5)

Só as culpas no golo da equipa da casa impedem que concorra com Acuña pelo título de homem do jogo. Aproveitou a oportunidade que lhe foi dada pelo interino Tiago Fernandes, que fez da sua titularidade uma espécie de ‘signature dish’, demonstrando ter um pulmão inesgotável e vontade de fazer a diferença. Poderia tê-la feito logo na primeira parte, ao desferir um remate poucos passos à frente da meia-lua, mas a bola saiu ligeiramente ao lado. Teve participação directa nos dois golos do Sporting, combinando bem com Jovane Cabral.

 

Battaglia (2,5)

Tinha a responsabilidade de protagonizar a morte do duplo pivot defensivo perante um dos melhores ataques da Liga e não se estava a dar nada mal. Mas saiu lesionado ainda na primeira parte e quando um duro como o argentino exibe a dor que deveras sente há que temer uma longa ausência.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Aproveitou o vento ciclónico que foi o 23.° jogador em campo (passou a 22.° quando o Santa Clara passou a jogar com dez) para lançar um dos seus mísseis de longa distância. Estava em posição frontal, conseguiu que a bola subisse e descesse no momento certo, mas o guarda-redes dos açorianos não lhe permitiu ser herói. Num jogo em que lhe foram pedidos maiores cuidados defensivos, sobretudo após a entrada de Gudelj para o lugar de Battaglia, nunca deixou de ser muito rematador e de procurar servir os colegas, embora uma das suas tentativas de marcar pudesse ser convertida com grande benefício em assistência para o desmarcado Bas Dost.

 

Nani (3,0)

Bem pode agradecer aos sportinguistas minhotos que costumam partir as montras dos talhos do árbitro Manuel Mota, pois a sua entrada às pernas de Candé, vingando-se de uma falta não assinalada do lateral, dificilmente mereceria menos do que aquela cor mais rubra do que laranja. Nani viu apenas o cartão amarelo e, mesmo assim, pareceu-lhe boa ideia empurrar um defesa do Santa Clara pelas costas minutos depois. Afastado para a ala esquerda, onde evitou encontros imediatos com o seu nemesis, muito correu, literalmente atrás do prejuízo, devendo-se-lhe o cruzamento para Bas Dost que esteve na origem da grande penalidade capaz de virar o Totobola de 1 para 2.

 

Acuña (4,0)

Poupado à catástrofe da Taça da Liga que foi o canto do cisne do homem dos touros, o lateral-esquerdo da selecção argentina foi o homem do jogo. E como extremo-direito, naquela posição 7 que em tempos foi de Luís Figo e de Cristiano Ronaldo. Antes de fazer o 1-2 - e de ca-be-ça, meus amigos - esteve sempre um passo à frente do resto da equipa e mereceu os aplausos que recebeu ao sair minutos antes do apito final. Tivesse mais pontaria nos vários remates de média e longa-distância e até receberia as chaves do estádio.

 

Diaby (1,5)

Quem acredita que o comunismo é um belíssimo modelo político, social e económico que foi mal executado vezes sem conta retirará conforto da ideia de que o 4-4-2 é um belíssimo modelo táctico que apenas teve o azar de ser executado por Diaby. O maliano repetiu as más indicações do jogo anterior, as quais contrariavam a exibição frente ao Boavista, mas desta vez esteve ainda mais perdido no relvado. Foi outro dos co-autores do golo do Santa Clara, preferindo cobrir Osama Rashid com os olhos enquanto o iraquiano fazia o passe de morte para Zé Manuel. Já não voltou após o intervalo e ficou a leve impressão de que tinha ido tarde.

 

Bas Dost (3,5)

Voltou aos golos, e fez balançar as redes duas vezes, mas na ficha de jogo só se encontra uma referência. Sucede que o holandês não esperou por Manuel Mota e marcou uma primeira vez o pénalti que castigava uma falta cometida sobre ele próprio. Repetiu, depois de ouvir o apito, e rematou para o mesmo lado, iniciando uma reviravolta facilitada pela expulsão de Patrick Vieira, o qual resolveu aplaudir o árbitro minhoto. Para trás ficou uma bola cabeceada ao lado, mesmo antes do intervalo, e uma assistência desaproveitada por Nani. E, claro está, a capacidade de atrair atenções de defesas que facilitou o golo de Acuña.

 

Gudelj (3,0)

Entrou no jogo a frio, devido à lesão de Battaglia, conseguindo uma exibição uns bons furos acima das anteriores. Manteve o adversário em sentido na sua zona de acção, valendo-se do físico e da técnica, mas não foi desta que aproveitou as segundas bolas para marcar.

 

Jovane Cabral (3,5)

Entrou ao intervalo com o mesmo fulgor de quem tem 10 ou 15 minutos para dar a volta aos acontecimentos. Forte no drible e nas combinações com Lumor, o jovem esqueceu-se dos dois jogos sem sair do banco que encerraram o consulado de José Peseiro e cruzou para o golo de Acuña, que minutos antes lhe oferecera igual oportunidade de marcar, desperdiçada pelos fracos dotes de cabeceador de Jovane. Ficou mais perto do golo num remate à entrada da área, ao qual só faltou uma rajada de vento que o desviasse das mãos do guarda-redes.

 

Miguel Luís (-)

Teve direito a uma segunda oportunidade envenenada de jogar pela equipa principal depois do minuto 90. Entrou quando o Santa Clara pressionava com garra e desespero, sendo-lhe impossível fazer seja o que for.

 

Tiago Fernandes (3,0)

O treinador interino enterrou o duplo pivot defensivo de José Peseiro e correu riscos ao apostar na titularidade de Lumor (bem) e de Diaby (mal, pois a qualidade de Montero teria sido melhor complemento a Bas Dost). Salvou Nani de si próprio ao desviá-la para a esquerda e fez bem ao não perder tempo a pôr Jovane Cabral no relvado. Viu os seus escolhidos darem a volta ao resultado e somarem três pontos preciosos, mas o sufoco dos últimos minutos é a prova cabal de que os problemas do Sporting não desaparecem à primeira chicotada psicológica, por muita ambição e talento que Tiago Fernandes tenha. Se ainda estiver à frente da equipa na difícil deslocação a Londres será interessante perceber o que aprendeu nos Açores e como o aplicará frente ao Arsenal.

Armas e viscondes assinalados: O capitão afundou o navio à deriva e o comandante não resistiu

Sporting 1 - Estoril 2

Taça da Liga - 2.ª Jornada da Fase de Grupos

31 de Outubro de 2018

 

Salin (2,5)

Estava a ser uma noite agradável para o francês, regressado à baliza do Sporting após a ocorrência hospitalar de Portimão, até porque Renan Ribeiro foi emprestado pelo Estoril, Viviano não andará longe de ser obrigado a sair à rua com uma estrela verde, e Luís Maximiano ainda não convenceu ninguém a torná-lo o futuro guarda-redes do Wolverhampton. Até à meia-hora final de jogo resolveu praticamente todos os problemas, incluindo aquele enorme problema que arranjou ao demorar a despachar a bola para longe, acabando por ser obrigado a atirá-la pela linha lateral com um adversário à ilharga. Depois foi o dilúvio, sem grandes culpas para ele.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Evitou o que poderia ter sido o primeiro golo do Estoril, possibilitado pela sua lentidão a subir no terreno, deixando em jogo um avançado do Estoril. A melhor arrancada pela direita foi travada por um agarrão que, por razões que a razão desconhece, não foi devidamente premiado com o cartão amarelo. Numa noite em que foi o melhor da linha defensiva tem ainda a atenuante de o parceiro de ala não ter dado grande ajuda.

 

André Pinto (1,0)

Passou a ser o capitão de equipa aquando da saída de Bas Dost, pois Bruno Fernandes, Coates e Nani estavam no banco de suplentes, e o mínimo que se pode dizer é que a braçadeira estaria amaldiçoada. No golo do empate perdeu o duelo directo com o mais veloz e mais despachado Sandro Lima, permitindo-lhe desfeitear Salin, e logo de seguida estabeleceu o resultado final com um autogolo de cabeça, na sequência de um pontapé de canto. Gabe-se-lhe a coragem de ter permanecido no relvado até ao apito final.

 

Marcelo (2,0)

Terminou o jogo como avançado, pois quem não tem Coates (nem fio de jogo) caça com Marcelo, sem conseguir a segunda reviravolta da noite. Até então estava a ser o menos culpado por uma desgraça (in)felizmente testemunhada por poucos milhares no estádio, executando alguns cortes de bom nível.

 

Jefferson (1,5)

No último jogo que fizera, contra o Loures, distinguira-se pela qualidade dos cruzamentos, desperdiçados devido à ausência de Bas Dost. Desta vez o holandês do ataque não se chamava Castaignos, mas o lateral-esquerdo brasileiro dedicou-se a demonstrar que errar não só é humano como também é uma hora. Aquela hora que passou no relvado, mais precisamente. Logo no início alheou-se de um passe de morte feito por Carlos Mané, num presságio do que estaria para vir.

 

Petrovic (2,5)

Coube-lhe quase sempre o início da construção das jogadas do Sporting, o que se revelou menos catastrófico do que seria de esperar. O sérvio juntou muita entrega e algum critério à presença física que lhe é intrínseca, apenas quebrando o encantamento ao ensaiar um remate que nem ao País de Gales valeria três pontos. Recuou para central na hora do tudo ou nada, sem que a derrota caseira se avolumasse.

 

Gudelj (2,0)

Procurou assumir o jogo em todas as suas vertentes, incluindo os lances de bola parada. Sem grande sucesso, há que referi-lo, pois os adversários conseguiram quase sempre travá-lo, mas com inteiro compromisso até a um final extremamente infeliz.

 

Carlos Mané (2,0)

Como as opiniões são livres e os factos sagrados, é um facto que o único ‘made in Alcochete’ em campo falhou duas ocasiões soberanas de golo. Na primeira parte rodou mal o corpo ao aproveitar uma assistência de Bas Dost e mesmo no final permitiu a defesa do guarda-redes tendo todas as condições para fazer o mal menor chamado 2-2. No resto do jogo, tirando uma assistência primorosa a que Jefferson se fez desentendido, teve demasiadas movimentações para nada.

 

Diaby (2,0)

Repetiu a titularidade e, com ela, tudo o que fez no domingo anterior tirando detalhes como assistências para golo e cruzamentos bem medidos. Ter ficado até ao apito final acabou por ser um castigo. Para ele e para quem precisava de refrear o entusiasmo quanto ao maior velocista da Liga.

 

Wendel (3,0)

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. O refrão de ‘Pra Não Dizer que não Falei das Flores’, de Geraldo Vandré, veio à cabeça quando ganhou a bola à entrada da área, puxou o pé para trás e desferiu o remate indefensável, mesmo junto ao poste, que inaugurou o marcador e parecia anunciar uma noite sossegada. O jovem brasileiro fez por isso, manobrando no meio-campo e combatendo a tendência para viver sem razão de alguns colegas, e em alguns momentos, talvez devido ao bigode, deu ares de versão ‘levezinha’ de William Carvalho. Pena que tivesse de sair, por notórios problemas físicos, levando José Peseiro a esgotar as substituições quando havia muitos em campo que mereceriam ser ajudados a acabar o mandato com dignidade.

 

Bas Dost (3,0)

Ainda não foi o holandês voador que ouve o estádio a cantar o seu nome quando marca golos, mas o neotitular tem enorme quota de responsabilidade no golo do Sporting, visto que a sua pressão sobre o jogador do Estoril ajudou Wendel a ganhar a bola, e assistiu de cabeça para o que deveria ter sido o 2-0. Num jogo em que recuou muito para ajudar os colegas teve uma hora para ganhar ritmo para outras competições, pois repetir a conquista da Taça da Liga estará praticamente ao nível das miragens.

 

Lumor (2,0)

Teve direito aos primeiros minutos de jogo nesta época, beneficiando do estado de calamidade de Jefferson e da ausência de Acuña e Mathieu. Começou nervoso e trapalhão, mas serenou e ainda fez uma boa triangulação que Montero não conseguiu transformar em golo.

 

Montero (2,5)

Melhor a construir jogo para os colegas do que no cara-a-cara com o guarda-redes, o colombiano foi o homem que mais lutou quando o jogo começou a correr terrivelmente mal ao Sporting. Uma das suas jogadas de insistência, quase sempre no limite da falta ofensiva, poderia ter permitido o mal menor - e talvez evitasse um despedimento a altas horas da madrugada -, mas o Diaby estava nos detalhes e Mané não teve pontaria.

 

Bruno Fernandes (1,5)

Entrou para o lugar de Wendel e não conseguiu pegar na batuta do futebol leonino. Talvez lhe faltasse a braçadeira que ia queimando os braços de André Pinto, talvez estivesse escrito que era noite para redefinir o rumo.

 

José Peseiro (1,0)

As suas declarações na conferência de imprensa, a última deste consulado e ainda mais penosa do que as anteriores, levariam a pensar que José Peseiro andará a perder tempo precioso a definir o seu voto nas eleições intercalares dos Estados Unidos, pois é evidente que vive no estado da Negação. Ninguém o poderá acusar de repetir onzes, pois fez entrar em campo tão poucos titulares do jogo anterior (Bruno Gaspar, Gudelj e Diaby) que alguns terão temido que o jogo fosse perdido na secretaria, devido aos regulamentos criativos da Taça da Liga. A noite até parecia bem encaminhada, mais controlada do que segura, quando resolveu resguardar Bas Dost e salvar Jefferson de si mesmo. Só não percebeu que o Estoril, equipa do segundo escalão que tem mais e melhor capital humano do que o Loures, começava a tomar conta do jogo, e esgotou as substituições para retirar o tocado Wendel. Seguiram-se quase 30 minutos de Halloween em Alvalade, mais em versão Michael Myers do que no registo “trick or treat”, com o ‘talismã’ Jovane Cabral e o nervoso Nani a assistirem no banco aos sucessivos inconseguimentos dos colegas que ocupavam as suas posições no relvado. Peseiro foi despedido de madrugada, podendo espalhar aos quatro ventos que deixou o Sporting a dois pontos da liderança da Liga, no segundo lugar do grupo da Liga Europa e apurado para a eliminatória seguinte da Taça de Portugal. Mas é, no mínimo, duvidoso que Frederico Varandas venha a pensar nele como Sousa Cintra pensa em Bobby Robson...

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