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És a nossa Fé!

A ver o Mundial (11)

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MODRIC, SIM

 

A malfadada crise no Sporting e as constantes erupções noticiosas provocadas por Bruno de Carvalho fizeram-me prestar muito menos atenção a este Campeonato do Mundo do que eu desejaria. E a ter quase tempo nenhum para escrever sobre os desafios que pude ver.

Acontece que as "minhas" equipas foram ficando pelo caminho. Primeiro, a selecção nacional: tombou nos oitavos-de-final, muito aquém dos pergaminhos que tinha a obrigação de defender enquanto campeã europeia em título.

Depois, a selecção que fez tombar a nossa - o Uruguai de Cavani, Godín, Betancur e Luis Suárez. Infelizmente sucumbiu nos quartos-de-final, frente à matreira França.

Optei então pela Bélgica, cujo futebol tanto me seduziu no Mundial - sobretudo nas partidas contra o Japão (3-2) e o Brasil (2-1), duas das melhores deste certame, onde não faltaram jogos cheios de emoção. Courtois, Chadli, Fellaini, Lukaku, De Bruyne e o sagaz capitão Hazard, entre outros, deslumbraram-me com o seu talento em estado puro, não subjugado ao colete-de-forças dos "imperativos tácticos". Azar: também eles caíram aos pés da manhosa França, na fatídica meia-final em que perderam por 0-1. Valeu-lhes, como consolação, a subida ao pódio após vencerem a sobreavaliada selecção inglesa, no desafio para o apuramento do terceiro lugar (triunfo indiscutível por 2-0).

Hoje, ao cair do pano deste Mundial 2018, torci abertamente pela Croácia - que, a par da Bélgica, apresentou o mais belo futebol exibido nos relvados russos. Com merecidas vitórias sobre a selecção anfitriã (após desempate por grandes penalidades) e a Inglaterra (2-1)

 

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 Luka Modric: aos 32 anos, o melhor jogador do Mundial 2018

 

Na final, os croatas apresentaram-se perante os franceses com menos 24 horas de descanso e um desgaste suplementar causado pelo facto de terem disputado prolongamentos nas três partidas anteriores - o equivalente a 90 minutos extra de jogo.

Com a ajuda de um árbitro sem categoria, que ofereceu à França um livre mais que duvidoso do qual nasceu o primeiro golo, seguido de um penálti que suscita dúvidas, a segunda maior potência económica da eurozona, com 67 milhões de habitantes, venceu a selecção da Croácia, país cuja população pouco ultrapassa os 4 milhões.

Venceu por 4-2, mas não (me) convenceu. O forte desta França - que assim se redime da derrota com Portugal, há dois anos, na final do Europeu - é a organização colectiva. Mas sem nunca ter praticado um futebol digno de incondicional aplauso. É verdade que Griezmann esteve impecável nas bolas paradas, Umtiti e Varane foram sólidos no bloco defensivo, Kanté destacou-se como o melhor médio defensivo do torneio e Pavard foi uma revelação como lateral direito. Mas só Mbappé, a espaços, soube exibir a fantasia criativa de que é feita a verdadeira história dos melhores Mundiais.

 

A Croácia, pelo contrário, perdeu mas convenceu. Como a Holanda de 1974, finalista derrotada. Como o Brasil de 1982, que não passou dos quartos. Como a Holanda de há quatro anos, que se ficou pelo terceiro posto.

Desde logo porque tem nas suas fileiras aquele que foi justamente designado o melhor jogador deste Campeonato do Mundo: Luka Modric.

Capitão, médio criativo, incansável cérebro e pulmão da equipa, inequívoco maestro da combativa selecção croata, que atingiu o melhor resultado de sempre: só por ele, já teria valido a pena ver o Mundial.

 

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Mbappé, melhor jogador sub-20: uma estrela em ascensão

 

Com as grandes estrelas prematuramente afastadas (Cristiano Ronaldo, Messi, Neymar, Lewandowski, Salah, Kroos, James Rodríguez, Iniesta), o croata do Real Madrid emergiu como a grande figura, apesar de ter marcado apenas dois golos (mais dois nas rondas dos desempates por penáltis, frente à Dinamarca e à Rússia).

Tão cedo não nos esqueceremos dele. Tal como de Ratikic, Vida, Perisic, Kovacic e Mandzukic, entre outros.

Quanto a Mbappé, eleito melhor jogador jovem do Mundial 2018, considero que se trata também de um justo galardão. Tem apenas 19 anos, é um futebolista ainda em formação. Merece este incentivo, na expectativa de que no Campeonato da Europa de 2020 possa confirmar os atributos que agora deixou antever. Por mim, aposto nele.

A torcer pelos vermelhos

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Acontece-me, nisto do Mundial estou a torcer pelos vermelhos - e já imagino os mais abrasivos dos comentadores brunófilos aqui a resmungarem: "bem me parecia, é lampião!".

É que nem mais, não é só influência filial (pós-Uruguai, claro), não é só isto de estar de malas feitas para emigrar para lá. Nem a paixão pela pátria (enfim, aquilo não é bem uma pátria, mas vamos aceitar por ora) de Hergé, Claus e Brel (que tanto a resmungaram), Jacobs ou Merckx ... São mesmo estes "Diabos Vermelhos". Jogadores de classe extra não lhes faltam, e quantos: De Bruyne, Hazard, ambos magos, Kompany e Lukaku monstruosos, mais um punhado de peões espantosos, para além do claro que malvado Witsel. E Courtois, um génio da baliza. Para além de que táctica e fibra não lhes faltam, como o mostra(ra)m as lágrimas nipónicas.

Na minha meninice o Benelux perdeu os dois mundiais que mereceu, verdadeiras "derrotas imorais". Que os vizinhos vão lá buscar o caneco - e que bom seria para um país estuporadamente fracturado. Allez, Diables Rouges!

Ricardo Sá Pinto na Bélgica

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(Dubruy)

Anteontem, feriado, nas Ardenas as pessoas juntaram-se diantes dos ecrãs para torcerem pelo Standard de Liege na sua visita ao Anderlecht, um dos clássicos aqui, este para a fase final (os pirosos dizem plaiófe, sabe-se lá porquê) do campeonato. O Standard foi ganhar 3-1 a casa do adversário, subiu ao segundo lugar, tem estado a galgar posicões, uma magnífica recuperacão - isto depois de já ter ganho a Taca da Bélgica - e já está em segundo lugar. Apenas atrás do Brugge, e há esperancas. O nosso Ricardo Sá Pinto está a ser feliz por aqui e a causar felicidade em seu torno.

(Procurei novidades disso nos jornais aí mas o homem não deve ter boa imprensa, não encontrei referências).

 

 

A ver o Europeu (8)

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Está encontrado o adversário de Portugal nas meias-finais do Campeonato da Europa, a disputar na quarta-feira em Lyon: será o País de Gales, selecção que no início do torneio raros imaginavam a chegar tão longe.

Foi uma vitória justíssima dos galeses num encontro em que a Bélgica se adiantou cedo no marcador, iam decorridos 13', mas que quase nunca fez por merecer o triunfo. Mais compacta, mais solidária, mais acutilante, mais veloz, a selecção de Gales nunca esmoreceu nem virou cara à luta numa partida intensa e emotiva, digna de uma fase final de uma grande competição de futebol.

Os belgas pareceram demasiado confiantes logo após a marcação do seu golo, apontado pelo Naingolan. Um golaço disparado à distância de 35 metros que fez levantar o estádio, sem hipóteses para o guardião Hennessey.

Outros teriam ficado abalados, mas os galeses não. A desvantagem pontual parece ter-lhes dado ânimo suplementar: foram crescendo rumo à baliza defendida por Courtois. E não se limitaram a ameaçar: passaram das intenções aos actos. Aos 31' empataram num lance de bola parada muito bem finalizado pelo capitão Ashley Williams - defesa central que também gosta de marcar golos. E assim se chegou ao intervalo.

 

Percebia-se a intranquilidade belga no início da segunda parte, em que Ferreira-Carrasco já não regressou ao relvado, substituído por Fellaini - sem notória vantagem para a equipa. Hazard limitava-se a rematar ao lado. E De Bruyne procurou remar contra a maré, mas também ele ficou à porta, incapaz de penetrar no reduto defensivo galês, que lançava o contra-ataque mal recuperava a bola.

Numa dessas manobras ofensivas, iniciada por Gareth Bale, Robson-Kanu desequilibrou o marcador a favor de Gales com um belíssimo golo: recebeu a bola de costas para a baliza, fez a rotação afastando três belgas do caminho com uma finta de corpo e fuzilou as redes adversárias aos 55'. Um golo que deve ser visto e revisto pela selecção portuguesa: eis aqui um artilheiro que merece ser levado a sério apesar de jogar na segunda divisão do futebol inglês.

A Bélgica procurou o empate, mas com lances demasiado denunciados que mal perturbaram a muralha galesa. E o contra-ataque voltou a funcionar, desta vez aos 86', com um cabeceamento de Vokes, acabado de saltar do banco. Estava arrumada a partida.

 

Portugal que se cuide: Gales é muito mais do que o campeoníssimo Bale, colega de Ronaldo no Real Madrid - um desequilibrador nato. A defesa, onde pontificam Williams e Chester, é fortíssima. O meio-campo, organizado e comandado por Joe Allen, merece respeito. E a movimentação atacante da equipa, capaz de conduzir a bola em três toques para zonas letais, não pode ser menosprezada.

Que o digam os belgas. Que o digam os russos, que levaram 3-0 desta selecção, caloira no Europeu. A anterior participação de Gales numa fase final de uma grande competição remontava a 1958, quando atingiu os quartos-de-final, saindo derrotada frente ao Brasil de Pelé.

A única boa notícia para nós propiciada por este jogo é o cartão amarelo exibido a Aaron Ramsey, figura fundamental do meio-campo galês e autor da assistência para o segundo golo: vai ficar fora do confronto com Portugal.

Mas mesmo sem ele convém ficarmos muito atentos. Que ninguém se iluda: frente ao País de Gales não serão favas contadas.

 

Bélgica, 1 - País de Gales, 3

Foi bonita a festa, pá

Foi bonita a festa, pá.

Selecções irmanadas em Leiria naquilo que foi muito mais do que um jogo de futebol: foi um exemplar gesto de civismo. Com jogadores portugueses alternados com os da Bélgica enquanto se escutavam os hinos nacionais, momentos antes deste amigável que devia ter ocorrido em Bruxelas mas acabou por ser transferido para cá devido ao brutal atentado da passada terça-feira.

O resultado é o que menos importa. Mas foi bom vencermos a selecção que figura em primeiro lugar no ranking da FIFA, com Cédric Soares e Raphael Guerreiro agarrando a titularidade face às boas exibições que ambos fizeram nas alas. E não nos limitámos a vencer: também convencemos. Com golos de Nani (a passe de André Gomes) e Cristiano Ronaldo (com assistência de João Mário).

Também gostei que Fernando Santos tivesse escalado um onze titular com sete jogadores formados na nossa academia. Uma das melhores do mundo, como ninguém ignora.

A ver o Mundial (24)

O Argentina-Bélgica, disputado esta tarde em Brasília, pareceu sempre um jogo entre duas equipas pertencentes a campeonatos diferentes. Talvez por isso, nunca foi uma partida empolgante. Os argentinos, muito calculistas e em permanente gestão de esforço, voltaram a contar com Lionel Messi em boa forma. Em três ou quatro jogadas, o astro do Barcelona fez novamente a diferença. Na jogada de construção do golo solitário da vitória, por exemplo. Messi ganha a bola no meio-campo, rodopia três vezes sobre si mesmo baralhando por completo as marcações belgas, desfaz o nó com um passe bem medido para Di María e este coloca a bola na melhor posição para Higuaín marcar.

Iam decorridos apenas oito minutos. Foi quanto bastou para a Argentina tirar o pé do acelerador e gerir a vantagem. Magra, mas suficiente para atingir as meias-finais. Como diz o outro, quem quer espectáculo que vá à ópera. Aqui houve maturidade táctica, bom entendimento colectivo e pouco tempo efectivo de jogo: as interrupções foram sucessivas e fizeram-nos sentir saudades dos desafios da fase de grupos, emocionantes e com a melhor média de golos registada desde o Mundial de 1970.

Mesmo poupando esforço, os alvicelestes viram-se privados de Di María, por lesão: o madridista não voltará a jogar no Campeonato do Mundo. Péssima notícia para os apreciadores do genuíno talento futebolístico sem olhar a cores de clubes. Oportunidade para Enzo Pérez, que hoje finalmente saiu do banco para mostrar o que vale na selecção.

A Bélgica prometia muito mas ofereceu pouco. Foi bem batida pelos ex-campeões mundiais, que se limitaram a cumprir os mínimos e tardam em mostrar o seu melhor futebol neste Campeonato do Mundo. Acontecerá isso na meia-final de quarta-feira? O melhor é esperarmos. Sentados.

 

Argentina, 1 - Bélgica, 0

A ver o Mundial (21)

Este está a ser o campeonato do mundo dos guarda-redes. Ochoa, do México. Bravo, do Chile. Navas, da Costa Rica (virá mesmo para o Porto?). Buffon, de Itália. M'Bolhi, da Argélia. Neuer, da Alemanha. Até Júlio César, do Brasil (quando um guarda-redes brasileiro é considerado o melhor do jogo numa fase final de um Campeonato do Mundo isso não é nada lisonjeiro para o escrete canarinho).

Mas nenhum tão bom como Tim Howard, um herói de carne e osso no desafio que esta noite opôs a Bélgica aos Estados Unidos. Uma exibição histórica em que foi batido o recorde de defesas por parte de um guarda-redes em meio século de mundiais: aos 90 minutos regulamentares já tinham sido doze. Com as redes norte-americanas mantidas intactas.

No final, foram registadas dezasseis.

 

A Bélgica pressionou muito - no primeiro tempo sobretudo pelos pés da sua estrela, o extremo-esquerdo Hazard - mas esbarrou por sistema na barreira defensiva dos EUA, de que o guardião titular do Everton foi expoente máximo. Como se os 35 anos não pesassem já nas pernas de Howard. E pelos vistos não pesam mesmo.

Um exemplo de tenacidade e resistência que deve ser mencionado a todos quantos se apressaram a ridicularizar o empate conseguido pela selecção portuguesa perante esta equipa adversária, como se fosse o obstáculo mais fácil de superar. Não era, como bem confirmámos hoje frente à Bélgica, tantas vezes apontada como uma das favoritas à conquista do Campeonato do Mundo. Foram precisos noventa e tantos minutos para os belgas marcarem o primeiro golo, graças ao inegável cansaço físico dos norte-americanos.

Ao golo seguiu-se logo outro, mas os EUA ainda reduziram - tudo no prolongamento, um dos mais emocionantes de que há memória em torneios deste género, confirmando a excelência deste Mundial do Brasil.

 

Os belgas suaram imenso para levar os americanos de vencida. Foi justa, a recompensa da selecção mais jovem do Campeonato do Mundo que agora terá de bater-se nos quartos-de-final com a Argentina, também hoje com motivos para sorrir após uma vitória arrancada a ferros à Suíça, perto do fim do jogo, graças a um golo marcado por Di María. Messi desta vez ficou em branco. Com Cristiano Ronaldo já ausente, talvez tenha perdido alguma motivação para jogar.

 

Bélgica, 2 - EUA, 1

Argentina, 1 - Suíça, 0

 

Tim Howard, uma exibição para a história deste Mundial

A primeira

Saiu do campeonato a primeira das minhas equipas favoritas (tenho mais duas, ou três, vá: a Bélgica e a Argentina; normalmente gosto da Holanda, mas este ano jogam de uma maneira esquisita). Quando digo favoritas, não é que aposte que vão ganhar. É que gosto especialmente de as ver jogar. A primeira a sair foi a Croácia. Não vamos voltar a ver neste campeonato jogadores de meio-campo como Modric e Rakitic. Mesmo Pirlo, sendo parecido, é diferente. Na realidade, já não se vêem muitos jogadores assim. As marcações à zona e a pressão alta que toda a gente agora pratica de uma forma ou outra tornaram a sua vida muito difícil, sobretudo quando as equipas são muito dependentes deles. Era o caso da Croácia. Mesmo assim, no final, fiquei com a impressão de que com outro treinador teriam ido mais longe.

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