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És a nossa Fé!

Estes três

Três jogadores do Sporting figuram na "equipa da semana" da Liga da Europa: Coates, Montero e Rui Patrício. O colombiano, porque marcou o golo da nossa vitória em Alvalade frente ao Atlético de Madrid. O uruguaio, porque cortou tudo quanto havia para cortar e ainda proporcionou a Oblak a defesa da noite, na sequência de um cabeceamento forte e muito bem colocado. O nosso guardião, porque tornou Griezmann num anão enquanto ele se agigantava ainda mais na baliza leonina.

Precisamos de mais jogos como este. Muitos mais.

Que sei eu disto, e no entanto...

Muitas horas depois, ainda não decidi se gostei ou se não gostei da exibição de ontem. O jogo, em especial a primeira parte, demonstra que todos – jogadores e equipa técnica – têm em si a capacidade de fazer incrivelmente melhor do que fizeram em Braga e noutros campos onde acabamos por perder pontos. Também demonstra que quando somos o underdog (o não favorito), nos superamos. Ora uma equipa que quer ser campeã, nunca é por definição o underdog.  
Muito orgulho na nossa equipa e nos nossos adeptos e na comunhão entre todos, mas gostaria de ver estas exibições de vontade em todos os jogos e não apenas quando o adversário motiva, dá visibilidade noutros mercados e estímulo extra.

Entre o Atlético e o Belenenses

A dolorosa eliminação face ao Atlético  (entregou-se o ouro ao bandido, lá no primeiro jogo) deixa algumas dúvidas e outras tantas certezas. Dúvidas? O título nacional é quase impossível. Há sempre, todos os anos, o lamento com derrotas diante de alguns dos últimos (este ano o colapso no Estoril) e empates caseiros (com equipas fechadinhas). Mas isso "faz parte". O que não consigo perceber é como a equipa que joga desta forma com a Juventus e o Atlético de Madrid (neste segundo jogo) se amarfanha diante dos tão mais acessíveis Porto, Benfica (assim, com maiúscula) e Braga. Que lhes dá? E foi esse défice que custou (custará) o campeonato deste ano. A segunda dúvida é simples: muito provavelmente não haverá Liga dos Campeões para o ano. Vão sair jogadores cruciais (William?, Bruno Fernandes?). Haverá dinheiro para os substituir? E tem havido olheiros para reencontrar Acuñas ou Piccinis? Ou irá o clube atafulhar-se, ainda para mais sob crise directiva, de Ruben Ribeiros ou Ruizes? Certezas para o ano há-as, ao invés do que muitos dizem há anos: Jesus (fique ou não) liga (à) Europa; as "invenções" tácticas de Jesus (fique ou não) nem sempre são borregadas; o plantel deste ano não é mau de todo (Ruben Ribeiro à parte, insisto).

 

E uma certeza  mais ampla: as vitórias morais (e as estéticas, agora mais na moda) já fedem.

El José Alvalade se sentía Roma, se sentía Madrid.

Autora desta expressão? Patrícia Cazón, a espanhola que na semana passada decidiu olhar nos olhos os jogadores ainda no túnel, em Madrid. Muitos sportinguistas ficaram impressionados com o que então leram (ver foto abaixo), sobretudo porque estavam frustrados com os falhanços que deram origem aos golos, e outro que não deu golo ao cair do pano. 

A curiosidade fez-me pesquisar a mesma autora, hoje, após o jogo de Alvalade. E o que escreveu no As. Vale a pena ler. Fica o link:

https://as.com/futbol/2018/04/12/uefa/1523557708_787319.html?autoplay=1 

e a transcrição parcial:

La esencia rojiblanca quedó sobre la hierba del José Alvalade. Porque nadie sufrir como el Atleti, sobrevivir en el alambre. Es semifinalista pero tembló, tembló mucho en Lisboa, ante un gran Sporting. Estaba en el aire, en la semana europea, en esos tres minutos finales en los que el Sporting sólo era balones colgados sobrevolando a Oblak. Buscaba ese gol, el de la prórroga, ante un Atleti tembloroso. Lo intentaba Petrovic, Doumbia o Fernandes. Pero una vez el balón se fue fuera. Y otras, se topó con Saúl, con Savic, con Godín, hasta que el árbitro pitó y lo tres pudieron volver a respirar. Eran semifinalistas. Cuánto había costado.

Desde el túnel salieron los dos equipos formados como ejércitos. El Sporting sobre todo. Rui Patricio iba primero. Nada de bromas, pensando sólo en el balón. Jorge Jesús reforzó su equipo desde la alineación. Quería control, un tercer central, Pinto, por si a Coates y a Mathieu les daba por el show, como en el Metropolitano. Sólo había una manera de espantar la tormenta, no la que caía del cielo la otra, la del palco, desde el fútbol, con una remontada.

Desde el primer balón, buscó el gol rápido. Agarrado a la bota de Gelson Martins, cada uno de sus eslalon era un latigazo, un miedo, un agujero. Avisó el Sporting, con un remate de Acuña que buscaba la escuadra y respondió Costa con un cabezazo en plancha que se fue a un palmo del palo y resultó estrella fugaz: tardaría el Atleti en volver por allí. El José Alvalade se sentía Roma, se sentía Madrid. Golpe a golpe, contra a contra, con autoridad, el Sporting fue encerrando a los rojiblancos. Coates quiso ser Manolas con un cabezazo que buscaba red, el miedo en cuerpo rojiblanco, pero esa la salvó Oblak. Se suspendió en el aire para sacarla con la yema de los dedos. Su mano milagrosa de cada partido. Ante sus ojos, su equipo se había deshecho bajo la lluvia. Sin chispa ni contras. Sin asistencias de Koke, sin control de Gabi, sin remates de Costa, sin juego de Grizi, fiado sólo a la guarida de sus guantes.

Esos mismos a los que Fredy Montero les encontró un resquicio. Fue después de que Jorge Jesús perdiera a Mathieu, y Lucas un golpe en el pómulo que en el descanso le dejaría bajo la ducha. Fue después de que Acuña se hiciera el enésimo llavero con Juanfran: Oblak falló por alto y Montero cabeceó en el segundo palo mientras Saúl y Savic se miraban. El marcador confirmaba el juego. El Atleti era un equipo atemorizado, miedoso y pobre, ante un Sporting agigantado sobre las recuperaciones de Bruno Fernandes y los pasillos que Acuña encontraba a la espalda de Juanfran. Nueve veces le disparó a Oblak sólo en la primera parte. Nueve.

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 Quem diria, apenas uma semana depois...

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Os notáveis

O Sporting fez um grande jogo contra uma equipa que disputou duas finais da Champions nos últimos 3 anos. Sem sete opções disponíveis - Fábio Coentrão, Bas Dost, Bruno César, Podence, Rafael Leão, Piccini e William -, a que durante o jogo se juntou um oitavo (Mathieu), o Sporting mostrou em campo o notável investimento que foi feito pela direcção no plantel desta temporada. O treinador desenhou um esquema táctico notável, com 3 centrais, nas laterais Acuña mais profundo que Ristovski, 3 médios centro com Bruno Fernandes mais descaído numa ala e Gelson, partindo do meio, a apoiar Montero. Os jogadores, também eles, estiveram notáveis, bem como os entusiásticos adeptos expostos à intempérie que não se cansaram de apoiar a equipa. 

 

A primeira parte então foi fantástica. Uma pena que não tenhamos chegado ao intervalo a vencer por 2-0. Teria sido justo face às oportunidades que a equipa criou. Fosse por escassos centímetros (Acuña), por deficiente finalização (Gelson) ou pela categoria extra de Oblak, a verdade é que chegámos ao intervalo a vencer por apenas 1-0, cortesia do oportuno golo de Fredy Montero, o seu quarto desde que chegou em Janeiro. O segredo esteve na recuperação da bola. Rodrigo ´Batman` foi o justiceiro de Alvalade, policiando todas as movimentações na sua área de jurisdição, bem apoiado pela classe e generosidade de Bruno Fernandes, aquele jogador que ´Cholo` Simeone não hesitou em identificar como o melhor do Sporting. Depois, Montero, não se dando à marcação, obrigou a defesa colchonera a andar à roda, abrindo brechas para as penetrações de Gelson e de Acuña nas alas.

 

O desgaste acumulado no primeiro tempo notou-se na segunda parte. Com tantos jogadores lesionados, Jorge Jesus não tinha soluções no banco capazes de serem efectivas mais-valias no jogo. Ainda tentou, substituindo Bryan Ruiz, pouco certeiro no passe, por Ruben Ribeiro (recuando Bruno para a posição do costa-riquenho), mas o ex-vilacondense mostrou uma vez mais ser um jogador de espaços curtos, ideal para o futsal. A quebra física foi mais notória a partir dos 70 minutos, valendo aí São Patrício com duas manchas excelentes, uma desviando a bola, outra reduzindo ao máximo o ângulo para Griezmann rematar.

 

Exibição muito digna de uma equipa que prestigiou um grande clube. A meu ver Battaglia, Bruno Fernandes, Acuña, Petrovic - sim, eu sei, o que querem que vos diga(?), o homem entrou a frio e esteve em grande plano - e Montero foram os melhores em campo, mas globalmente os onze que entraram de início estiveram todos bem. 

 

Acabou por vencer a eliminatória a equipa que menos erros cometeu, mas o Sporting Clube de Portugal honrou o futebol português e foi o clube que deu mais pontos para o ranking de Portugal na UEFA esta temporada.

 

Até ao final da época, estes notáveis que estiveram ontem nas bancadas e os outros que "falaram" no campo precisavam que os deixassem em paz. Temo, no entanto, que dentro de momentos se retome o desfilar de outro tipo de "notáveis" numa televisão à beira de si. Para alguns, é preciso não deixar esfriar...  

 

Tenor "Tudo ao molho...": Rodrigo Battaglia

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Quente & frio

Gostei muito da vitória desta noite em Alvalade frente ao Atlético de Madrid, um dos colossos do futebol europeu: o Sporting impôs à equipa adversária a primeira derrota na Liga Europa nesta temporada. Vencemos por 1-0, com golo de Montero logo aos 28' correspondendo muito bem a um cruzamento de Bruno Fernandes: o colombiano redimiu-se assim do falhanço à boca da baliza na capital espanhola, faz hoje oito dias. Também gostei muito de ver a dinâmica colectiva e o espírito solidário dos nossos jogadores, que dominaram toda a partida, condicionando e vulgarizando os colchoneros. Tudo isto na sequência de dias muito complicados para a agremiação leonina.

 

Gostei dos aplausos vibrantes aos nossos jogadores no final do encontro, realizado quase sempre sob chuva intensa. Aplausos mais que merecidos ao colectivo leonino, em que se destacaram as exibições de Acuña, Gelson, Bruno e o marcador do nosso golo solitário, com o argentino a evidenciar-se como o melhor Leão, num desempenho quase perfeito: foi dele o primeiro disparo com muito perigo, rasando o poste aos 4', fez os melhores cruzamentos e assegurou o controlo de todo o nosso corredor esquerdo, tanto na manobra defensiva como na construção ofensiva, ludibriando Juanfran à frente e neutralizando Torres atrás. Jorge Jesus montou muito bem a equipa, com uma linha de três centrais e dois falsos laterais adiantados no terreno em reforço da muralha do meio-campo, ganhando sucessivas segundas bolas em movimentações constantes. Os aplausos finais confirmam: os adeptos estão definitivamente reconciliados com os jogadores, que deram o máximo em campo e bem mereceram este tributo.

 

Gostei pouco que esta vitória tivesse sido insuficiente para nos fazer transportar às meias-finais da Liga Europa. Ficámos por aqui, mas fomos de longe a melhor equipa portuguesa nas competições europeias desta temporada, em que chegámos a defrontar Juventus e Real Madrid. Se Montero não tivesse falhado aquele golo mesmo ao terminar o desafio no estádio do Atlético, ganharíamos sem favor o passaporte para a fase seguinte. Também merece elogio o guarda-redes Oblak, que hoje fez duas monumentais defesas, travando os disparos para golo de Coates (aos 10') e Bryan Ruiz (aos 45').

 

Não gostei que o Sporting tivesse jogado tão desfalcado. Sem quatro titulares habituais, por castigo ou lesão: Bas Dost, Coentrão, Piccini e William Carvalho ficaram de fora. O holandês, que tem marcado cerca de metade dos golos leoninos, foi talvez o que mais fez falta no relvado de Alvalade. Como se isto não bastasse, também Mathieu viria a lesionar-se, abandonando o campo aos 25': felizmente o seu substituto, Petrovic, deu boa conta do recado. E desta vez o bloco defensivo comportou-se muito bem, cumprindo os 90 minutos de forma quase irrepreensível. Destaque negativo apenas para Rúben Ribeiro, lá mais à frente: entrou aos 70', substituindo Bryan Ruiz, e voltou a demonstrar que não tem categoria para integrar o plantel do Sporting. Daí ter sido o único jogador a ouvir assobios nas bancadas.

 

Não gostei nada que a primeira mão destes quartos-de-final tivesse suscitado tanta polémica - como se o Atlético de Madrid fosse um Videoton ou um Skënderbeu. Não havia necessidade, como esta segunda mão bem demonstrou. Agora há que olhar em frente e tentar recuperar os jogadores que estão lesionados ou acusam extrema fadiga física e mental, cumpridos que estão 53 jogos oficiais nesta época - uma das nossas mais desgastantes de sempre.

O meu lugar hoje fica vazio

Não, não tirem conclusões precipitadas.

Esta é mais uma razão para o Sporting ter que jogar sempre na Liga dos Campeões, que se joga ora às Terças, ora à Quartas-feiras.

É que aqui, onde trabalho, as Assembleias Municipais realizam-se sempre às Quintas-feiras (regra geral) e hoje é uma dessas Quintas-feiras.

Por conseguinte, por obrigação profissional estou impedido de estar presente a apoiar a equipa in loco

No entanto podem crer que assistirei no telefone e estarei a torcer para que a baliza adversária seja muito maior do que aquilo que o ecran deixa ver.

Sendo que a esperança é verde e será a última a morrer, não deixo de ser realista e considerar uma missão quase impossível eliminar o Atlético, mas como tínhamos como facto quase adquirido que o Sporting marca sempre fora e não marcou, pode ser que a bola beije por três vezes o véu da noiva (Duda Guennes? Wilson Brasil? Outro?) e deixe os espanhóis para trás. Confesso, estou céptico, mas com um enorme desejo de vitória e de espantar o monte de fantasmas que decidiram rodear-nos nos últimos dias.

Força Sporting!

Favas Contadas

No futebol, não há favas contadas. Os dramáticos quartos-de-final da Champions provaram-no mais uma vez. Sorte, azar, injustiça… O futebol é assim: explosão de alegria de um lado; lágrimas e raiva do outro.

 

No meio dos acontecimentos surreais dos últimos dias, ficou esquecido o mais importante: que o nosso Sporting é a única equipa portuguesa que ainda joga nas taças europeias. E que perder por 2:0 no Estádio do Atlético de Madrid não é vergonha nenhuma!

 

Entrem no Estádio de cabeça levantada, rapazes! E boa sorte!

“May the force be with you tonight”!

O mais absurdo no meio de tudo

é que de todos os jogos que faltam, de todos os jogos que definem esta época, o de Madrid era o que menos me surpreendia perder. Já em Braga tinhamos obrigação e não deu este banzé (no pós, no pré nem quero lembrar o pouco que acompanhei). 

É claro que houve dois golos oferecidos e o resultado seria outro. Mas entre jogar em Madrid, receber o Porto para a Taça, e fazer condignamente o resto de campeonato, este era o que menos esperava que ganhassemos. Seria óptimo, mas não deu. No entanto, foi depois deste jogo que chegámos aqui.

Absurdo.

Da sanidade. Ou da ausência dela.

Vamos por partes:

É tudo verdade o que o presidente escreveu no facebook logo a seguir ao jogo que perdemos em Madrid? Indubitavelmente, é!

Eu, que quem aqui vem regularmente sabe o que penso da presidência de Bruno de Carvalho, como adepto e sócio, para além de ter a obrigação de defender sempre os interesses do Sporting, tenho o direito, mais não seja por qualquer desresponsabilização directiva e nulas intenções de as vir a ter nalguma ocasião no futuro, tenho o direito, dizia, de criticar o que acho que não está indo bem, sem outra preocupação que não seja a de defender a minha opinião.

E aqui vou chamando atenção para algumas coisas que, na minha opinião, não correm da melhor forma e concorrem para que os objectivos não sejam atingidos.

Há no entanto uma enorme diferença entre mim e o cidadão que ora exerce, com o meu voto para que não haja quaisquer dúvidas, a presidência do Sporting: Eu posso ser desbocado, posso escrever aqui a maior idiotice do Mundo, que a consequência para a vida do clube serão "peanuts". Já o que sai das publicações no facebook do presidente, fia mais fino e tem enormes repercussões.

Nada contra um presidente adepto. Aliás, um presidente que não é adepto, que raio de presidente será? Há no entanto um pequeno pormenor, passe a redundância: O adepto que há no presidente durante o seu mandato presidencial está, para utilizar linguagem que se entenda, com os seus direitos suspensos. Com tudo o que isso implica. E tenho para mim que Bruno de Carvalho nunca perceberá isto, com muita pena minha e com enorme prejuízo para o clube.

A importância de ter memória

«Em 2010, com o Carlos Carvalhal, empatámos com o Atlético de Madrid a zero, acabando a jogar com nove jogadores e jogando com dez mais de uma hora. A equipa tinha esta constituição: Patrício, Abel, Tonel, Polga, Grimi, Pedro Mendes, Miguel Veloso, Pereirinha, Moutinho, Izmailov e Liedson. Nessa altura, tínhamos a mania que a culpa era sempre do treinador.»

 

Rui Monteiro, n' A Insustentável Leveza de Liedson

O que Bruno escreveu sobre os jogadores

No rescaldo imediato do Atlético de Madrid-Sporting, cada vez mais agarrado ao facebook, Bruno de Carvalho - um dos principais fãs portugueses do inenarrável senhor Zuckerberg - escreveu as seguintes considerações sobre os profissionais leoninos nesta rede social:

 

Coates e Mathieu: «A fazerem o que os avançados do Atlético não conseguiam.»

Gelson Martins: «Aos 32m isolado frente a Oblak, em vez de "fuzilar" para a esquerda, tenta colocar em jeito, mas sem força, para o lado direito perdendo um golo que já quase se gritava.»

Bas Dost e Coentrão: «"Não quiseram jogar" em Alvalade, com faltas para amarelo que nunca poderiam ter feito.»

Coates, de novo: «Fica isolado e, sem foco e não estando concentrado, em vez de rematar faz um passe para Oblak.»

Montero: «Aos 92m desperdiçou um golo feito com um remate para o céu quando só se pedia um simples encosto.»

 

Sobre a equipa:

«Uma defesa que não esteve concentrada.»

«De 11, em vez de 22 como queria, fomos 9, muitas vezes, e isso paga-se caro...»

«Viver um jogo de longe custa muito mais, mas ver erros grosseiros de jogadores internacionais e experientes ainda acrescenta mais ao sofrimento.»

 

Enfim: temos o presidente armado em comentador de futebol, candidatando-se talvez a paineleiro num daqueles programas de TV que ele nunca perde. Desvalorizando alguns dos principais activos leoninos como se fosse adversário do próprio clube a que preside.

Verdadeiramente inacreditável.

Quente & frio

Gostei muito da exibição de Rui Patrício no jogo desta noite. Único jogador do Sporting que destoou claramente numa exibição global sofrível e até medíocre, com erros defensivos inadmissíveis e sem eficácia na finalização. Aos 22 segundos já estávamos a perder por 0-1. Saímos derrotados da capital espanhola, frente ao Atlético de Madrid, por 0-2, numa partida que torna ainda mais escassas as nossas perspectivas de seguir em frente na Liga Europa. O resultado é lisonjeiro para a turma leonina: só o melhor guarda-redes português impediu um triunfo mais dilatado. Com grandes defesas aos 3', 48' (saindo muito bem aos pés de Diego Costa), 51' e 81' (fazendo a mancha a Juanfran). "São Patrício" foi o melhor em campo.

 

Gostei do apoio vibrante de uma ruidosa claque leonina que compareceu em força no novo estádio da equipa madrilena: foram cerca de 3.600 adeptos ali presentes, numa demonstração clara de que nunca ninguém - presidente, treinador ou jogadores - pode queixar-se da falta de incentivo do público sportinguista, mesmo nas situações mais adversas.

 

Gostei pouco que o Sporting tivesse maior posse de bola: 58%. Uma posse inconsequente, com apenas duas inequívocas oportunidades de golo. A primeira, desperdiçada por Gelson Martins aos 32' quando se isolou frente a Oblak e permitiu a defesa do guardião colchonero. A segunda, aos 90'+2, quando o recém-entrado Montero, à boca da baliza, rematou para a bancada. Lances emblemáticos deste Sporting cordato e macio, fisicamente desgastado e em nítida quebra psicológica, que se atemorizou frente ao Atlético. Na verdade, durante parte do tempo tivemos de facto muita bola. Mas para quê? Para ser chutada para trás e para o lado.

 

Não gostei da exibição de vários jogadores leoninos. Desde logo Coates, que teve a pior prestação de sempre ao serviço do Sporting, oferecendo o golo inaugural a Diego Costa e Koke logo aos 22 segundos e voltou a ser protagonista de arrepiantes deslizes defensivos aos 48' e aos 51'. Mathieu não esteve muito melhor: o segundo golo do Atlético nasceu de um erro dele aos 40', com uma perda de bola que foi um brinde ao goleador Griezmann. Também não gostei de Bryan Ruiz, que se movimentou sempre a passo e andou escondido do jogo: o costarriquenho não merece, de forma alguma, ser titular do Sporting. Jorge Jesus nunca o devia ter incluído no onze que iniciou a partida.

 

Não gostei nada da saída forçada de William Carvalho, ainda antes de soar o apito para o intervalo, por aparente agravamento da sua condição física. Estava a ser um dos melhores jogadores em campo e a sua retirada abrupta fez cair a pique a exibição leonina. Provavelmente não contaremos com ele para a segunda mão, que vai disputar-se de hoje a oito dias em Alvalade. Ausentes estarão também Fábio Coentrão e Bas Dost, que se fizeram amarelar estupidamente em lances sem qualquer perigo para a nossa equipa. O primeiro ao pontapear Griezmann por trás junto à linha do meio campo da equipa espanhola, o segundo ao fazer uma falta totalmente desnecessária, entrando de carrinho, à saída da grande área colchonera. Pareciam ambos de cabeça perdida, como se não soubessem que estavam à bica para ficarem de fora por acumulação de cartões.

Hoje giro eu - Um Leão nunca parte derrotado

Quis a conjugação dos astros, perdão, das bolinhas, que o Sporting vá defrontar o todo-poderoso Atlético de Madrid nos Quartos-de-final da Liga Europa. Primeira mão na capital espanhola, no dia 5 de Abril, segunda mão em Alvalade, a 12 do mesmo mês.

 

Era o adversário por mim mais temido do lote, mas um Leão nunca parte derrotado e há até algumas razões para não temer uma catástrofe. Desde logo porque Jorge Jesus geralmente não inventa nos jogos contra equipas grandes. Pelo contrário, as suas equipas costumam demonstrar uma boa organização nessas partidas. Eis alguns dos pontos fortes do Sporting a esse nível:

 

  • Estudo do opositor e boa organização: a equipa leonina costuma jogar as partidas mais difíceis com 3 jogadores no miolo. Dado o plantel actual, esses jogadores deverão ser William, Battaglia e Bruno Fernandes. Com 3 homens no meio e a capacidade de pressionar o(s) adversário(s) de Battaglia, os espaços dos colchoneros ficarão mais reduzidos. O argentino deve ter especial atenção às movimentações de fora para dentro de Antoine Griezmann (à semelhança do ocorrido com Messi, aquando da deslocação do Barça), tentando condicioná-lo com o apoio de um dos centrais. Provavelmente, Bruno César será o eleito, em detrimento de Acuña, para ala esquerdo, trocando por vezes, ofensivamente, com Bruno Fernandes, a fim de explorar a melhor leitura táctica de jogo do brasileiro, figura sempre em evidência neste tipo de jogos.
  • Capacidade de marcar fora: o Sporting parece dar-se melhor com espaço, algo aliás comum ao seu opositor. A equipa leonina conseguiu marcar e ter mais oportunidades em Madrid, contra o Real, ou em Turim, face à Juventus, falhando golos fáceis em Barcelona e Dortmund. Em Bucareste e na primeira parte em Atenas, aproveitando o espaço nas costas das defesas contrárias, teremos tido os melhores momentos desta época desportiva.
  • Retirar a bola da zona de pressão: no centro do campo, Saul e o ganês Partey, com o apoio de Koke (ou Gabi), vão tentar asfixiar os nossos médios. A solução passa por conseguir levar o jogo até Bruno Fernandes ou lançar a moto Gelson, na ala. Geralmente, o Sporting consegue ultrapassar a jogar a pressão alta dos adversários, o que se pode revelar como muito positivo em partidas a este nível.
  • Explorar a pressão estar toda do lado do Atlético: a equipa madrilena estabeleceu-se como um dos grandes europeus durante a última década. Nesse período, os "rojiblancos" ganharam duas Ligas Europa e duas Supertaças europeias e estiveram presentes em duas finais da Champions, ambas com o Real, uma delas perdida ingloriamente em Lisboa, nos últimos instantes. Por tudo isto, a pressão estará toda do lado deles.
  • Rui Patrício, William, Bruno Fernandes, Gelson e Dost: quem tem dois campeões da Europa, mais dois jogadores que também estarão nos planos de Fernando Santos para o Mundial da Rússia não tem de ter complexos de inferioridade. Acrescente-se o "bomber" Dost e uma defesa muito experiente, com Coates (ex-Liverpool), Mathieu (ex-Barcelona) e Coentrão (ex-Real Madrid), e as razões para algum contido optimismo crescem.

 

Não se pense, no entanto, que o futebol do Sporting é feito só de virtudes. Existem alguns problemas que tardam em ser solucionados e situações conjunturais que podem desequilibrar a balança a favor dos colchoneros. A meu ver, para estes encontros, estes são os nossos pontos fracos:

 

  • Incapacidade de gerir o jogo sem bola: o Sporting sofre muito quando não tem bola. A partir do momento em que deixa de pressionar o último reduto adversário, a equipa como que se desliga, permitindo aos adversários encontrar espaços no seu meio campo defensivo e lançar bolas perigosas para a área, sem o portador da bola ser devidamente pressionado. Daí têm resultado inúmeros golos que, de outra forma, poderiam ter sido evitados. A equipa não mostra habilidade ou inteligência em levar o adversário ao engodo, condicionando-o e indicando-lhe zonas de ataque onde mais facilmente poderia ser armadilhado com contra-golpes.
  • Substituições: a boa organização das equipas de Jesus neste tipo de jogos tem sido frequentemente traída por substituições pouco inspiradas. Foi assim em Madrid, na época passada, quando, a ganhar por 1-0, JJ retirou Gelson e Adrien, substituindo-os por Markovic e Elias, deixando de ter saída de bola e permitindo ao Real asfixiar-nos. Também em Turim ou Barcelona não fomos particularmente felizes nesse capítulo. 
  • Gestão dos cartões amarelos: havendo tantos jogadores à bica de exclusão - prevendo-se um jogo particularmente intenso no Wanda Metropolitano - a probabilidade de muitos dos nossos jogadores mais influentes não poderem estar presentes no encontro da segunda mão é muito grande. Entre outros, estão neste lote Bruno Fernandes e Bas Dost. Esta situação deriva de não se ter aproveitado o jogo de Astana para limpar os registos disciplinares e poderá ser potenciada por um jogo de contenção e expectativa da nossa parte.
  • Poder e experiência do Atlético: a um enorme guarda-redes (Oblak, um dos melhores do mundo) e a um defesa goleador (Godin), junta-se um par de atacantes demolidor (Diego Costa e Griezmann), servido por dois médios com muita "chegada" (Saul e Koke) e dois laterais bons tecnicamente e muita propensão ofensiva (Juanfran e Filipe Luis). As várias finais europeias a que o clube chegou nos últimos anos deu a estes jogadores uma rodagem competitiva e uma experiência a este nível que faz com que o favoritismo, nos momentos de decisão, recaia sobre si.
  • Griezmann e Diego Costa: a "finesse", mobilidade e velocidade com e sem bola de Griezmann e a impetuosidade, por vezes para além dos limites da agressividade, de Diego Costa constituirão um problema adicional para o Sporting. Aliás, do ponto-de-vista da intensidade competitiva, toda a equipa do Atlético é muito superior à do Sporting.

 

Enfim, muita expectativa para o que aí vem, sendo certo que o Atlético de Madrid é o óbvio favorito. Mas, relembro-me da campanha europeia na Champions, do Porto de Mourinho, onde encontrou a sua grande dificuldade (Manchester United) precisamente nos Quartos-de-final. Eu bem gostaria de disputar a final contra o Salzburg, aquela equipa com que temos tantas contas a saldar. É que aqueles golos esquisitos que Costinha deixou entrar custaram bem mais do que uma eliminação europeia. Custaram-nos o despedimento de Bobby Robson, o acidente que deixou um dos nossos mais promissores futebolistas de sempre (Cherbakov) paraplégico - ocorrido pós jantar de despedida do técnico inglês - e uma época que acabou em ruina. Por isso, agora que já não "jogam" no Casino e são detidos pela Red Bull, gostaria de ver os nossos ganharem asas, vencê-los e "limparem" a Liga Europa.Eu bem sei que é um "wishful thinking", mas deixem-me sonhar...

A fava

No prosseguimento da inclusão de um novo jogador na partida de ontem na República Checa (um tal de Peter, inventor de algo designado de "princípio"), onde o que podia correr mal fatalmente correu mal (uma distracção de Peter permitiu o golo de Bataglia), aparece-nos agora pela frente o Atlético de Madrid.

A minha esperança é de que se cumpra a premonição do José Navarro de Andrade e de que joguemos ao mesmo nível dos espanhóis.

E que no final ganhemos por um.

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