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És a nossa Fé!

A decência como desafio vital

Sporting_CML.jpg

A vitória do Sporting na final da Taça no passado sábado, outros já o terão dito, representa além de tudo o mais o enterro definitivo da peste brunista que num passado recente se apoderou e ia liquidando de vez o nosso amado Clube. De caminho também representou a afirmação de valores como o Fair play e da boa educação no futebol – até por contraste com a atitude do treinador adversário - um distintivo que sempre esteve no ADN do Sporting. Agora podemos envergar as nossas cores com a cabeça erguida.

Mas não será fácil fazê-lo sozinhos no ambiente doentio que grassa à volta do futebol. Tenho para mim que a sobrevivência desta indústria depende de uma inversão radical na forma como os clubes têm gerido a sua comunicação (e a sua conduta), transformando esta salutar paixão numa guerra sem quartel, com uma batalha verbal em que vale tudo, no total desprezo pela ética e civilidade, no demente propósito de amesquinhar os adversários. Basta escutar cinco minutos os protagonistas de alguns programas televisivos a dizerem disparates impróprios para crianças e pessoas decentes que gostariam de continuar a frequentar os estádios com as suas mulheres e os seus filhos em vez de os entregar às hordas alienados. Por isso não me surpreenderam os comentários hostis dos sequazes portistas a um tweet do escritor e comentador Francisco José Viegas, quando no rescaldo do campeonato apelava a que os adeptos dessem os parabéns ao Benfica, deixassem de comentar os árbitros e se concentrassem no jogo do Jamor.  Eu também acredito que o desporto, mesmo sendo espectáculo, tem de permanecer uma actividade nobre e pedagógica, caso contrário, não vale a pena.

Repito o que atrás afirmei: é urgente que se coloque um travão à grosseria que vem sendo transposta das antigas tabernas insalubres para os painéis das televisões e para as salas de imprensa dos clubes, criando um ruído insuportável que tanto mau nome dá à modalidade. Pela minha parte ficarei muito orgulhoso que o Sporting se torne exemplo de integridade e fair-play, remetendo para dentro do campo toda a virilidade e arrebatamento, e que eu jamais venha a envergonhar-me de frequentar um estádio de futebol.

 

Fotografia daqui

Sob Suspeita

Na série Sob Suspeita (talvez a minha preferida de sempre) existia uma Machine que prevenia crimes violentos. Nalguns momentos de apuro, a Máquina simulava os diversos cenários de saída, graduando a probabilidade de êxito de cada um, para melhor aconselhar os passos a seguir do protagonista em causa.

No passado sábado, houve uma Máquina que terá feito o mesmo trabalho a Marcel Keizer quando o encontro se aproximava para o fim.

Os cenários eram vários, incluindo:

- arriscar tudo e acabar o jogo a 5 pontos;

- arriscar tudo e acabar o jogo a 8 pontos;

- arriscar qb e acabar o jogo a 8 pontos;

- arriscar tudo e acabar o jogo a 11 pontos;

- etc.

Desde logo, pelo sentido do jogo e, sobretudo, pela qualidade do oponente, parece-me que o primeiro cenário era o menos provável de todos.

Seja como for, a posição do treinador não era fácil. Fosse qual fosse a opção, dificilmente se livraria de críticas.

Todos gostaríamos de ver o Sporting arriscar com tudo, mas a atitude de peito cheio não pode, nem deve ser a mesma a 17 jornadas do fim, como é quando faltam 5 ou menos jornadas para o termo do campeonato.

A verdade é que ficar a 11 pontos do Porto seria demolidor para a moral das tropas. Por muito que queiramos apontar o 2º lugar como objectivo, temos de entrar jornada a jornada com o 1º lugar na ambição, senão então aí é que nunca chegaremos ao 2º lugar.

Não quero com isto dizer que 8 pontos de distância do Porto seja animador, porque não é, mas permite, em todo o caso, acalentar alguma esperança no arranque da 2ª volta.

Atitude e competência

Sempre que o Sporting perde ou tem algum resultado menos bom lá vem a ladainha da falta de atitude, que varia desde a versão soft, "não correm, não se empenham", até à versão hard/ultra, "palhaços joguem à bola, que a camisola é para suar". Ainda no último jogo em casa, tive que gramar com alguém nas costas que invectivava tudo e todos pela falta de atitude,  especialmente o Bas Dost, aquele que pelos vistos estava a jogar com um traumatismo craniano.

Ora, se atitude só por si ganhasse jogos, não valia a pena formar jogadores, ou contratá-los a peso de ouro, bastava jogar com a equipa dos Comandos da Amadora, ou então com a do Canelas, essa até com atitude dentro e fora do campo. E com tanta conversa de atitude, queixam-se depois que alguns alucinados assumam a questão e invadam a academia para ensinar os jogadores a ter atitude à cacetada. 

O que efectivamente ganha jogos é a competência, desde logo a do treinador em montar, treinar e liderar a equipa e depois a dos jogadores em campo.

E contra o Tondela o que não houve mesmo foi essa competência. Desde logo em Marcel Keizer e na sua equipa técnica porque mandou para o terreno uma equipa às cegas das características do adversário, e dos jogadores, todos eles, uns mais que outros, a acumular erros dificeis de aceitar. Competência a concluir jogadas de golo, competência a rematar de longe, competência a marcar cantos, competência nos duelos individuais. Foi por falta de atitude que Diaby falhou dois ou três golos feitos ? Que B. Fernandes não acertou na baliza de livre quando o do Tondela obrigou o Renan a uma grande defesa ? Ou que B. Gaspar abriu a porta ao avançado do Tondela no primeiro golo ?  Aliás esse golo, que foi mesmo à minha frente, estava na terceira fila da bancada a uns 5 metros do B. Gaspar, devia ser passado 50 vezes por Marcel Keizer para mostrar tudo aquilo que não se deve fazer, desde a perda de bola a meio campo, à passagem tranquila pelo Gaspar, ao posicionamento da defesa e à cobertura ao avançado que marcou o golo.

Mas voltando a Marcel Keizer, a verdade é que como já tinha dito anteriormente o seu estado de graça acabou, foi o tempo em que pode trabalhar tranquilamente e colocar a equipa a jogar num modelo de jogo diferente, obter rendimentos inesperados dos jogadores, enfim, ser inovador para a realidade da nossa liga. Passados dois meses, os outros treinadores já estudaram, analisaram e perceberam os pontos fortes e fracos, e cada um deles vai montar um esquema para combater os fortes e explorar os fracos. 

E onde estão os principais pontos fracos do Sporting para este modelo 4-3-3 ofensivo que Keizer veio implantar ?

Estão aos olhos de qualquer um:

1. Não temos um trinco digno desse nome, ninguém com envergadura física que possa constituir um tampão efectivo da defesa e que tenha capacidade de passe a curta e longa distância, para lançar a equipa desde trás e obstar aos bloqueios do meio campo contrário. Tínhamos William, os rivais têm Fejsa ou Danilo, nós temos um 8 adaptado que deixa muito a desejar. Aliás os adversários já nem se incomodam em marcá-lo, poupam recursos para usar noutro lado. 

2. Não temos defesas laterais em condições. Temos um extremo adaptado que enche o corredor mas que tem falhas de posicionamento, o resto são jogadores medianos, que atacam mal e defendem pior. 

3. Não temos substituto para o Bas Dost. Como também não temos substituto à altura dos dois centrais titulares. Mas com Bas Dost é bem pior. Não há Bas Dost, os centros são invariavelmente condenados ao insucesso, não há penaltis causados pelo nervosismo dos defesas contrários, não há Sporting a lutar pelos primeiros lugares.

Concluindo, "quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita", o Sporting não conseguiu organizar a temporada em condições, o plantel é muito curto em quantidade e qualidade e com os pontos fracos atrás referidos. Precisam-se reforços que sejam reforços, ao nível dos melhores do plantel actual e para as posições carenciadas. E de alguém que explique a Keizer o futebol português também. 

Dito isto, vem aí o líder, vem aí o Porto, se calhar o melhor que poderia acontecer para os nossos pontos fortes, que também os temos, terem ocasião de vir ao de cima e embalarmos para um resto de temporada compensador.

SL

Medo de ganhar

Medo de ganhar. Foi assim que Jorge Jesus resumiu a segunda parte do Sporting. Este medo é algo que nos acompanha há décadas. Falta aquela fibra, aquele nervo de aço, aquela esperteza para segurar, aquele instinto para matar o jogo. Falta a garra de leão. É este o principal desafio que enfrentamos no Sporting. Um clube que estava acantonado na arte de desistir, na arte de ficar com as migalhas e ficar resignado. É por isso que é urgente a injecção de adrenalina que o clube tem sofrido nos últimos quatro anos. Mas é preciso mais. Não dá para ficar de braços cruzados. É preciso mais. Estou certo de que teremos mais. Não há volta a dar. É preciso mudar mesmo a mentalidade.

Não se pode ser só meio Leão

Empatar sofrivelmente com o Estoril, uma das equipas mais medíocres deste campeonato, é um péssimo cartão de visita para os últimos desafios da temporada.
Não basta jogar bem às vezes. É preciso jogar bem sempre.
Não basta haver esforço de vez em quando. É preciso esforço permanente.
Não basta haver dois remates perigosos à baliza e ficar meia hora a dormir em campo depois disso. Se esses remates não se concretizam, surgem mais dois. E outros dois, se for preciso.

Ou se é Leão ou não é. Meio Leão é ão.

É do cu, ou é das calças?

Desculpem o vernáculo do título, mas isto não vai lá com palmas!

No limite, eu até aceito que se entre com algum receio num jogo decisivo, em que estão em jogo classificação, acesso a competições internacionais, finais, etc. Não posso aceitar, não devo (não devemos) aceitar que uma equipa que não tem nada a perder (mas terá muito a ganhar e já lá vamos), se apresente desgarrada, sem ligação, com os seus elementos com a cabeça provavelmente na praia e o seu treinador, qual Mitch Buchannon, do alto da sua cadeira (ao que parece não a de sonho) a preocupar-se apenas com o físico das banhistas.

Ou seja, num jogo onde não estava nada em jogo que não apenas o importante prestígio, coisa pouca pelos vistos, do Sporting Clube de Portugal, entidade que por mero acaso lhes paga os chorudos ordenados, suas excelências jogaram quinze minutos à bola e o seu treinador, à cautela, contra a defesa mais batida do campeonato, vá de meter a equipa num 4x3x3, não fossem eles entusiasmar-se e marcar mais que um golo.

E não satisfeito com a coisa, decide jogar com dez lá para o fim, não fosse o mau enredo descambar e eles enganarem-se. Sim, falo dum espanhol canhoto que ele insiste em colocar em campo. Provavelmente para desvalorizar, só pode!

E então lá vai mais um empate, em casa do 12.º classificado.

Pois é precisamente por aqui que é chamado o cu à colacção: Andamos todos, ou quase, por aqui com toda a razão, a zurzir nos Capelas e quejandos que proporcionaram ao mais que provável campeão um colinho aconchegante na primeira fase do campeonato, deixando algum fedor em mais um ano de competição, mas esquecemos, ou pelo menos desvalorizamos, a "camionete" de empates que cedemos com equipes do quarto lugar para baixo e, pior, alguns deles em casa! E ainda pior, grande parte deles, senão a totalidade, nitidamente por falta de empenho, por desleixo, por "meias-partes" de avanço. Assim não há calça que resista, e inevitavelmente a manchazita acastanhada aparecerá, subrepticiamente...

Ontem, sem nada a perder, sem qualquer pressão, qualquer amador daria o cu e cinco tostões para jogar este jogo e romperia o equipamento se necessário fosse, para arrancar uma vitória. Os principescamente pagos profissionais do SCP foram ao Estoril como quem sai em excursão, de máquina fotográfica de cinco litros como o bom tuga de antigamente, e empanturraram-se de mediocridade, num banquete miserável onde até o motorista da camionete encheu o bandulho.

Vá que o Clube também decide fazer género e lhes deixa de pagar a tempo e horas. Ah! que assim não vale, ah! que somos profissionais e queremos o nosso ordenado, ah! que assim vamos fazer queixinha ao sindicato e à federação... E nós, o Clube, os sócios e os adeptos, fazemos queixa de vós e da vossa falta de profissionalismo a quem????

Confesso que de psicologia sou um completo ignorante, mas os caros leitores serão da minha opinião que com uma final importante para disputar, será de todo o interesse e bastante motivador, que se chegue lá com vitórias e com exibições robustas e convincentes. A psicologia da vitória, que até o JJ entende, parece não fazer parte do léxico de alguns dos nossos jogadores e da equipa técnica, infelizmente. E é aqui que a equipa teria muito a ganhar: potenciar os jogos "a feijões" para criar o elan necessário para chegar à final do Jamor de peito feito, com a robustez que vitórias inequívocas lhe proporcionariam. Por exemplo, embrulhar o Braga num banho de bola e numa vitória inequívoca no próximo jogo daria jeito, digo eu, mas cheira-me que, para compor o ramalhete, só falta fazer um jogo miserável com os bracarenses...

Oxalá me engane!

Como vencer o Benfica sem William e apesar da seca de Montero

O Sporting chega ao próximo jogo contra o Benfica com 4 partidas feitas esta época contra Porto (2) e Benfica (2).

Na 1ª volta, apontou-se à equipa de Leonardo Jardim a falta de rodagem frente a adversários mais fortes como um dos principais factores para não ter conseguido levar de vencida Porto ou Benfica.

15 jogos depois, o Sporting prepara-se para defrontar o Benfica com outro capital de experiência acumulada.

É verdade que o Sporting ainda não derrotou esta temporada Porto e Benfica. É verdade também que Leonardo Jardim, na sua jovem carreira de treinador, ainda não sabe o que é vencer Porto ou Benfica. Porém, não deixa de ser verdade que o Sporting já demonstrou esta época que tem futebol para derrotar qualquer um desses adversários.

É certo que, para além de dever jogar aquilo que sabe, convém à equipa, no próximo domingo, ter a sorte do jogo consigo. E é certo também que os jogadores têm de demonstrar em campo, e não pode ser de outro modo, aquela vontade ainda maior do que a do adversário em querer vencer o jogo.

Sobre este último aspecto – vontade extra –  cabe dizer que se houve algo especialmente revelador nestas últimas duas partidas frente a Arouca e Académica, por contraponto com os respectivos jogos da 1ª volta, foi o facto de que nos espera uma 2ª volta bem mais exigente do que a 1ª. Seja porque há adversários que estão com outras cautelas frente à nossa equipa, seja porque, e não há que desmentir, alguns jogadores importantes estão num momento de forma menos inspirado.

Ora, apesar dessas contingências, considero que é possível vencer o Benfica, ou qualquer outro adversário que jogue com o autocarro na sua área, desde que se queira deixar, realmente, tudo em campo.

Nos últimos dois jogos em Alvalade para o campeonato, contra Nacional e Académica, em que a equipa empatou 0-0, ficou a sensação, em várias partes de cada um desses jogos, de um certo conformismo da equipa. Uma atitude bem oposta à da equipa que, por exemplo, contra o Arouca ou o Alba, em que já vencendo por vários golos de vantagem, continuava a querer marcar mais, o que mereceu o elogio de todos.

É essa ambição que não pode desaparecer e que os jogadores não podem desleixar por um segundo. Apesar das bolas que não entram, ou da muralha instransponível que têm pela frente, os jogadores não podem desanimar, nem deixar para os instantes finais das partidas o sobressalto em querer marcar.

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