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És a nossa Fé!

Afinal

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22/11/22, para os numerologistas esta data deve ter um significado oculto qualquer, para mim, é o dia da Argentina vs. Arábia Saudita, pela primeira vez, uma das selecções que Roger disse que estariam na final, vai pisar o estádio icónico, quatro dias depois será a vez da selecção portuguesa, fazer o mesmo, frente ao Uruguai.

Arábia Saudita e Uruguai serão os primeiros adversários de Messi e Cristiano Ronaldo no Lusail Iconic Stadium, quem se defrontará no último encontro?

"Estamos no último minuto, dos oito que foram dados de prolongamento, portugueses e argentinos, arrastam-se pelo campo, mais que o calor, é a humidade que os sufoca.

O guarda-redes argentino tenta sair a jogar, coloca a bola em Enzo, à entrada da área, o passe sai frouxo, Enzo atrapalha--se e deixa-se pressionar por Bruno Fernandes, a bola sai dos pés do benfiquista para os de Cristiano Ronaldo, este usa muito bem o corpo, ganha a posição e embora atrapalhado por Otamendi remata certeiro na direcção da baliza.

Último minuto, último jogo do Mundial, último remate, provavelmente, o último golo do Ronaldo num mundial, aquele que fará de Portugal, campeão do mundo, surge, no entanto, rápido e oportuno, Paulinho* a empurrar a bola (que entraria de qualquer modo) para dentro da baliza.

Foi golo, golo, golo!

Portugal é campeão Mundial e Paulinho é o novo Éder" **

* Paulinho foi chamado ao Mundial para substituir Gonçalo Ramos que se lesionou numa disputa de bola com Pepe.

** A parte entre aspas foi um sonho que tive. A jogada como repararam era igual à do golo do Sporting, em vez de ser Trincão a roubar o golo a Paulinho foi Paulinho a roubar o golo a Ronaldo. Será que este segundo roubo seria encarado da forma que foi o primeiro?

Quem não viu, veja agora

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O célebre golo fraudulento de Maradona, que foi validado no Mundial de 1986

 

O canal 11 - com uma programação cada vez mais criteriosa e digna de elogio - exibiu ontem à noite, na íntegra, o quase mítico Argentina-Inglaterra, dos quartos-de-final do Campeonato do Mundo de 1986. Jogo que vi à época, a torcer pelos argentinos, até porque Portugal vencera os ingleses na fase de grupos antes da balbúrdia de Saltillo - e de uma impensável derrota contra Marrocos - ter afastado a equipa das quinas desse Mundial, disputado no México.

Vale a pena revisitar este jogo, que o canal 11 recordou com boa narração contemporânea de Pedro Sousa e comentários apropriados de Nuno Presume. Não apenas pela presença inigualável de Maradona, que marca um golo fraudulento e batoteiro - um hino à fraude no futebol - mas para comparar o futebol desse tempo com o actual. Em 1986 vigoravam várias regras entretanto alteradas: só eram permitidas duas substituições, por exemplo. E os guarda-redes podiam agarrar a bola sempre que fosse atrasada deliberadamente, o que favorecia o antijogo. A tecnologia digital aplicada ao futebol era mero sonho e o vídeo-árbitro não passava de utopia, o que muito penalizou o guarda-redes inglês, Peter Shilton, batido naquele lance.

 

Curiosamente, a Argentina estreou neste desafio o sistema de três centrais hoje adoptado pelo Sporting - inédito à época.

Jogou em 3-5-2 e graças a essa inovação vulgarizou a selecção inglesa, que mal conseguiu passar do meio-campo na primeira hora da partida, condenando o seu astro, Gary Lineker, à irrelevância lá na frente. Tudo fruto do engenho de Carlos Bilardo, o seleccionador que sucedeu a César Menotti e também viria a sagrar-se campeão mundial.

 

Este foi o jogo da vida de Maradona. Pela batota, primeiro; e pela magia, logo a seguir, quando correu 60 metros com a bola, deixou cinco adversários pelo caminho e a meteu lá dentro após 12 toques sucessivos com o pé esquerdo em 12 segundos.

Maradona (chamado simplesmente assim, e não Diego Armando Maradona, como os complicadinhos insistem em designá-lo nos ditirambos fúnebres) atingiu ali, naquele péssimo relvado do Estádio Azteca, na Cidade do México, o cume da carreira. Com apenas 25 anos. Mas é injusto omitir os nomes de outros craques daquela selecção alviceleste: Burruchaga, Valdano, Ruggeri, Batista, Enrique.

 

Quem viu, viu. Quem não viu, pode ver agora.

Nem pensar em tal coisa

Foi uma vergonha, a arbitragem do Argentina-Brasil, jogo da meia-final da Copa América. O árbitro (do Equador) e o vídeo-árbitro (do Uruguai) tudo fizeram para desequilibrar o campo a favor da selecção canarinha, que disputará a final este domingo, frente ao Peru - que derrotou o Chile por 3-0.

Na partida disputada em Belo Horizonte, o Brasil venceu por 2-0. Acontece que os dois golos brasileiros foram precedidos de faltas (uma das quais na grande área defensiva da canarinha) a que o homem do apito e o seu comparsa dos monitores televisivos fizeram vista grossa. Dani Alves distribuiu sarrafada como quis e quando quis sem ter visto o cartão vermelho que fez por merecer. E na recta final da partida registou-se um derrube claríssimo de Otamendi dentro da grande área brasileira, por Arthur - outra falta que ficou impune.

Não escrevo estas linhas por torcer pela Argentina, longe disso, apesar de o nosso Acuña ser titular do onze alviceleste. Quando Portugal não joga, sinto-me sempre "brasileiro". Assinalo o que ocorreu no Mineirão como nova advertência contra aqueles que insistem em ter árbitros estrangeiros a apitar jogos nacionais. 

Por mim, nem pensar em tal coisa.

A ver o Mundial (8)

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ADIÓS, ARGENTINA

 

Chegámos ao verdadeiro Campeonato do Mundo - aquele em que cada jogo é de tudo ou nada. Aumenta a emoção, redobra o espectáculo, ressurge o genuíno futebol de acelerada rotação em busca da vitória.

Ingredientes bem notórios esta tarde, em Kazan, na partida que opôs a Argentina, finalista vencida do Mundial de 2014, à França, finalista vencida do Europeu de 2016. Talvez a melhor já disputada neste Mundial da Rússia. Com sete golos marcados e uma justa vitória dos franceses, com menos posse de bola mas melhor dispositivo táctico e muito melhor organização colectiva.

 

A selecção gaulesa adiantou-se no marcador logo aos 13', com um penálti convertido por Griezmann: a estrela do Atlético de Madrid não vacilou na linha dos 11 metros. Os argentinos, numa toada lenta e previsível, tardaram a reagir. Foi preciso um lance de inspiração individual para reacender a chama: iam decorridos 41' quando a turma alviceleste empatou, com um fortíssimo remate de Di María, fora da grande área.

Ao intervalo, 1-1: resultado lisonjeiro para os argentinos. Mais ainda contra a corrente do jogo foi o segundo golo da selecção treinada por Jorge Sampaoli, numa jogada de insistência de Messi com a bola a tabelar em Mercado: o lateral do Sevilha, sem saber bem como, viu-a encaminhar-se para o fundo das redes.

A Argentina parecia ter virado o jogo. Mas a partir daí desenrolou-se o espectáculo do futebol francês. Com três grandes golos em 11 minutos. O primeiro aos 57' pelo jovem lateral Pavard, em estreia absoluta na fase final de uma grande competição, com um petardo indefensável a mais de 20 metros de distância da baliza, apanhando a bola no ar,  após cruzamento perfeito de Lucas. O segundo aos 64', por Mbappé, numa movimentação rapidíssima dentro da área, libertando-se das marcações e fuzilando Lloris. O terceiro aos 68', também por Mbappé, coroando um fabuloso lance colectivo que envolveu seis jogadores com a bola ao primeiro toque - destaque para uma diagonal desenhada por Matuidi e para a primorosa assistência de Giroud.

Os argentinos ainda reduziram, no terceiro minuto do tempo de compensação, por Agüero - que ficou no banco, tal como Higuaín, e só entrou aos 66'. Demasiado tarde para discutir o resultado num desafio em que os gauleses se impuseram desde logo pelo seu magnífico trio do meio-campo (Matuidi, Kanté e Pogba).

 

Messi regressa a casa com apenas um golo marcado na Rússia - frente à Nigéria. Hoje ajudou a construir o segundo e assistiu Agüero no terceiro. Fez ainda um grande passe para Pavón, aos 38', no corredor direito. Pouco mais se viu. No confronto com Cristiano Ronaldo, fica desde já a perder.

A França, ao vencer pela primeira vez a Argentina na fase final de um Mundial, transita para os quartos. Os argentinos caíram, imitando os alemães, vencedores do Mundial em 2014 e agora excluídos na fase de grupos pela primeira vez na sua história.

O futebol continua a ser uma caixinha de surpresas. Daí o seu irresistível e perdurável fascínio: ainda permanece sem rival.

 

Argentina, 3 - França, 4

A ver o Mundial (3)

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O PENÁLTI QUE MESSI FALHOU

 

Se o Campeonato do Mundo é o palco decisivo para a atribuição da Bola de Ouro 2018, Cristiano Ronaldo leva já larga vantagem em relação ao rival de sempre. Lionel Messi teve ontem uma apagada prestação ao serviço da selecção do seu país: a Argentina não conseguiu melhor do que um frustrante empate (1-1) frente à Islândia, que foi uma das boas surpresas no Euro-2016 e já está a dar nas vistas neste Mundial.

O pior momento de Messi ocorreu num daqueles instantes decisivos em que Cristiano Ronaldo não costuma falhar: quando tinha apenas pela frente o guarda-redes, à distância de 11 metros. La Pulga partiu sem convicção para a bola e permitiu que o guarda-redes Halldorsson defendesse a grande penalidade. Estava conseguida a fotografia emblemática desta partida. E os islandeses carimbavam um precioso ponto que os faz sonhar com a fase seguinte da competição máxima do futebol.

Valeu aos argentinos o golo de Agüero para não saírem derrotados. Um golo marcado cedo, logo aos 19', e que lhes indiciava uma partida tranquila, com muita posse de bola e reduzido desgaste físico. Durou-lhes pouco, esta sensação de superioridade: quatro minutos depois Finnbogason empatava. O compacto reduto defensivo da Islândia permitiu aos herdeiros dos vikings aferrolhar os caminhos para a sua baliza.

Pela selecção argentina, Messi já dispôs de 21 penáltis. Falhou quatro - ou seja, 19%. Nada que deslumbre seja quem for.

 

Argentina, 1 - Islândia, 1

Um caso à parte

Estou rendido a Marcos Acuña.

Espalha classe pelo campo, enverga a camisola a 200% e pauta-se por uma grande disciplina e rigor durante os 90 minutos. 

Parece que já joga no nosso campeonato há uma boa série de anos, mas a verdade é que só chegou há pouco.

Normalmente, quando chega um sul-americano ao nosso clube, demora tempo a engatar. Adaptação, nova cultura, etc., etc., as justificações são variadas. Veja-se o caso de Alan Ruiz...

Mas, como toda a regra tem a sua excepção, em Alvalade esta dá pelo nome de Marcos Acuña. Parabéns à Direcção por esta contratação. Como diria um antigo presidente nosso, o jogador custou muita pasta, mas, acrescento eu, mais do que justificada.

Hoje giro eu - VAR(ias) omissões

Facto 1: Respondendo à cartilha posta a circular após as finais da Taça de Portugal (1 jogo) e Supertaça (1 jogo), ambas ganhas pelo Benfica (contra o Vitória SC), gostaria de lembrar que, após 4 jornadas de campeonato com VAR, o SPORTING é líder.

 

Facto 2: Eu sei que o jogo se disputou durante a noite, mas será embirrância minha ou não se deu o devido destaque ao facto de Marcus Acuña ter sido titular pela selecção argentina, ao lado de Messi, Di Maria, Dybala e Icardi, na difícil deslocação a Montevideu (Uruguai), numa partida onde começaram no banco jogadores como Kun Aguero, Pastore ou Correa (Gaitán nem se sentou)?

Em duas finais, só Portugal marcou

Alguns continuam a uivar por aí, clamando contra o futebol "defensivo" da selecção nacional. Não sei onde é que esta gente andou nos últimos anos e que espectáculos de futebol a nível de selecções pôde espreitar ultimamente.

Pois eu vi isto: Portugal foi a única selecção que marcou um golo nas duas mais recentes finais entre clubes no futebol de alta competição.

A 27 de Junho, na final da Copa América em que se defrontaram Argentina e Chile, a partida terminou empatada a zero ao fim de 120'. Teve de se recorrer ao desempate por penáltis, com vitória chilena.

A 10 de Julho, na final do Campeonato da Europa, também os franceses ficaram em branco após duas horas de jogo.

Destas quatro selecções, só Portugal marcou. A tal selecção "defensiva" foi capaz de concretizar aquilo que nem a Argentina de Messi nem o Chile de Vidal nem a França de Griezmann fizeram.

'La Pulga' também falha

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 Foto: David Fernández/EFE

 

Não sei se você viram. Eu dei-me ao incómodo de ficar acordado madrugada adiante para assistir à final da Copa América, disputada entre a Argentina e o Chile, apitada por um ridículo árbitro brasileiro que fez tudo para ser protagonista do encontro. Um jogo vibrante, de luta acesa, com as duas equipas a querer ganhá-lo - tanto que dois jogadores foram expulsos, um de cada lado (o argentino foi o nosso bem conhecido Rojo, galardoado com o cartão vermelho aos 41').

Apesar da intensidade e da velocidade, o nulo manteve-se no tempo regulamentar, forçando o prolongamento. Aqui uma defesa do outro mundo do guardião Claudio Bravo - uma das melhores que já vi até hoje em muitos anos como espectador de futebol - voando aos 99' para desviar um cabeceamento de Aguero manteve intactas as aspirações do Chile, com Arturo Vidal, Eduardo Vargas e Alexis Sánchez igualmente em grande nível.

 

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 Minuto 99: Bravo salva o Chile

 

Vieram então os penáltis. Vidal, primeiro chamado a converter, atira com insuficiente pontaria, permitindo a defesa de Romero. Segue-se Messi, com toda a Argentina suspensa do seu pé esquerdo. E o que sucedeu então? O astro do Barcelona dispara... por cima da baliza. Na hora da verdade, falhou.

O Chile conquistou assim com mérito o seu segundo troféu consecutivo. O mesmo troféu que escapa desde 1993 à selecção argentina, campeã desde então das finais perdidas. Já lá vão sete: quatro vezes na Copa América (2004, 2007, 2015, 2016), duas na Taça das Confederações (1995 e 2005) e uma no Campeonato do Mundo (2014).

Há quem lhe chame maldição. O facto é que Messi, o incomparável Messi, o "melhor do mundo" na opinião de muitos portugueses, falhou. E apressou-se a declarar que não voltará a vestir a camisola da equipa argentina: "A selecção acabou para mim."

Mero amuo momentâneo ou promessa para cumprir? O tempo dirá.

Enquanto a questão não se esclarece, aqui ficam os merecidos parabéns ao Chile. E fica também esta final como registo para todos os nossos compatriotas - e são demasiados, na minha perspectiva - que adoram menosprezar Cristiano Ronaldo, empolando cada pequeno falhanço do melhor jogador português de sempre enquanto se derramam em elogios a Messi, como se 'La Pulga' fosse infalível.

Mas não é.

A merecida estreia de Adrien Silva

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Ia decorrido o minuto 66 do Portugal-Argentina, esta noite disputado em Old Trafford, quando aconteceu aquilo que Adrien Silva há muito merecia e há muito esperava: entrou finalmente em campo, estreando-se pela selecção nacional de futebol. Aconteceu só agora, com Fernando Santos a liderar a equipa das quinas, mas já devia ter acontecido antes, sob o comando de Paulo Bento: Adrien fez uma excelente época 2013/14 ao serviço do Sporting e justificou plenamente a viagem ao Mundial do Brasil que o ex-seleccionador lhe negou.

De qualquer modo, valeu a pena esperar. Bastaram pouco mais de 20 minutos em campo para Adrien ter intervenção directa no golo solitário da vitória portuguesa contra os vice-campeões do mundo. Um jogada ocorrida no último minuto do desafio, iniciada com uma recuperação de bola do médio leonino e culminada num cabeceamento vitorioso de Raphael Guerreiro após cruzamento de Quaresma, que assim se confirma como o rei das assistências da selecção. Por coincidência, trata-se de outro jogador proscrito pelo antecessor de Fernando Santos, que lhe negou o passaporte para o Campeonato do Mundo.

 

Dir-se-á que o jogo interessava pouco por ser a feijões. Dir-se-á que o único motivo de interesse era assistir ao confronto Messi-Cristiano Ronaldo, que durou apenas 45 minutos pois ambos foram substituídos ao intervalo, para frustração dos 40 mil espectadores presentes no estádio do Manchester United. Eu direi que todos os desafios contam. E este, para nós, acabou por ser bastante mais do que um jogo-treino.

Em primeiro lugar pelo resultado: há 42 anos - desde a Mini-Copa de 1972 - que Portugal não vencia a Argentina.

Em segundo lugar por se comprovar que é possível vencermos sem Cristiano Ronaldo em campo.

Em terceiro lugar por esta ter sido mais uma oportunidade para renovar a selecção. Contrariando algumas vozes agourentas que já se escutavam por aí.

 

Há dias, na vitória contra a Arménia, estreara-se o jovem Raphael, com apenas 20 anos: desta vez, no seu segundo jogo ao serviço da turma nacional, confirmou a excelente impressão que causara nessa partida. Hoje houve mais três estreias: Adrien, com 25 anos; o lateral-esquerdo Tiago Gomes (do Sp. Braga), com 28 anos; e o central José Fonte (capitão do Southampton), com 30 anos.

Todos confirmaram as expectativas. Fernando Santos poderá contar com eles.

E parece contar também com algo importante em futebol: a estrelinha da sorte. Venceu hoje o terceiro jogo consecutivo. Sem ver Portugal sofrer qualquer golo nestes 270 minutos, o que merece destaque.

O resultado foi superior à exibição? Pois foi. Antes isso do que o contrário. Não sei o que vocês pensam: eu prefiro assim.

E no fim, ganhou a Alemanha

O jogo já foi bem analisado por Pedro Correia ali em baixo, daí não haver necessidade de vos chatear com mais prosa sobre o tema.

O que quero enfatizar é que o ceptro ficou bem entregue!

A Alemanha, apesar do percalço com o "ingénuo" Gana e até de um jogo menos conseguido com a super Argélia, demonstrou ser, a par da Holanda, uma equipa na verdadeira acepção da palavra. As suas vedetas, suplentes incluídos, souberam fazer da sua genialidade um colectivo.

E depois, há os pormenores: Higuaín, na cara de Neuer, fez o disparate da sua carreira e o Super-Mário, num gesto técnico irrepreensível, marcou um golaço!

Neste jogo em particular a Argentina até nem esteve mal. Deixem-me ser um pouco exagerado, e dizer que me parece que jogou com dez. Alguém deu por Messi, o coroado melhor do torneio, durante o jogo? Eu vi duas arrancadas sem consequência de maior para a defesa germânica, dois livres directos por cima da baliza, bem por cima, três tentativas de passe bem interceptados pela defesa alemã e uma dúzia de perdas de bola. Estivesse lá Di María e provavelmente outro galo cantaria...

 

E já agora, a talhe de foice, os "portugueses" estiveram bastante bem (Garay ainda conta e no golo alemão é batido, mas tem a "desculpa" de estar a lutar aos 116 minutos com dois homens bem mais frescos), com destaque para o nosso Rojo, que fez três assistências, duas delas meio golo. Ouvi dizer que andamos à procura dum defesa esquerdo... porquê?

A ver o Mundial (31)

Foi a vitória da equipa que melhor soube interpretar em campo a versão de um coral primorosamente afinado, para pedir emprestada a feliz imagem ao jornalista Orfeo Suárez, um dos melhores cronistas contemporâneos de futebol, na antevisão que ontem fez da final da Copa no jornal El Mundo.

A Alemanha mereceu, sob vários prismas, a conquista deste seu quarto Campeonato do Mundo (após as vitórias em 1954, 1974 e 1990). Teve a melhor organização, o melhor guarda-redes (Neuer), um lateral adaptado que suplantou toda a concorrência (Lahm), um meio-campo de sonho (com Khadira, Schweinsteiger, Kroos e Özil), um avançado à moda antiga que põe em sentido qualquer reduto defensivo adversário (Müller) e ainda o melhor marcador de sempre nas fases finais de campeonatos do mundo (Klose, com 16 golos).

Um colectivo em futebol de alta competição é isto: funciona com a perfeita articulação entre as suas peças.

 

Götze: entrar e marcar 

 

Mais: a Alemanha confirmou ontem ter um banco de suplentes de luxo. Schürrle e Götze entraram - o primeiro aos 31', por lesão de Kramer, e o segundo à beira do prolongamento, rendendo Klose - para desatarem o aparente nó cego em que se transformara o empate a zero e cumpriram da melhor maneira a missão. Foi dos pés deles que saiu o belíssimo lance do golo alemão que sepultou o sonho de Messi de imitar Maradona com a conquista do troféu de campeão mundial.

Iam decorridos 112’, faltavam apenas oito minutos para uma eventual ronda de grandes penalidades que nenhuma selecção pretendia. Os argentinos para não abusarem da sorte: já se haviam apurado frente à Holanda, na meia-final, com este processo. Os alemães - que pouco antes tinham visto uma bola embater no poste após cabeçada de Höwedes - para evitarem ser vítimas de uma injustiça histórica: foram, de longe, a melhor selecção do Campeonato do Mundo. Com seis vitórias e só um empate nesta fase final, 18 golos marcados (sete dos quais ao Brasil e quatro a Portugal) e apenas quatro sofridos.

 

 

A história deste jogo que de algum modo reeditou a vitória espanhola no Mundial de 2010 (1-0 na final contra a Holanda, no prolongamento, com golo de Iniesta aos 117’) poderia, no entanto, ter conhecido um desfecho bem diferente. Bastaria Higuaín, isolado logo aos 20’ perante Neuer devido a um passe à retaguarda mal medido de Kroos (talvez o único erro do excelente médio alemão cometido neste mês de competição em relvados brasileiros), não fez o que lhe competia. Tinha todo o tempo do mundo para atirar a bola à velocidade pretendida e para o melhor ângulo da baliza germânica.

Nada disso aconteceu: o remate saiu-lhe frouxo e sem pontaria. Naquele instante Neuer sagrava-se como novíssimo gigante do histórico Maracanã, palco da final. Higuaín ficava reduzido ao estatuto de pigmeu.

Mas tudo poderia ter saído ao contrário, com o argentino a elevar-se à condição de herói do Mundial-2014. O sortilégio do futebol passa por estes instantes em que se decide o destino de um jogador - a humilhação perpétua ou a glória eterna.

 

Alemanha, 1 – Argentina, 0

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