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És a nossa Fé!

A ver o Mundial (8)

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ADIÓS, ARGENTINA

 

Chegámos ao verdadeiro Campeonato do Mundo - aquele em que cada jogo é de tudo ou nada. Aumenta a emoção, redobra o espectáculo, ressurge o genuíno futebol de acelerada rotação em busca da vitória.

Ingredientes bem notórios esta tarde, em Kazan, na partida que opôs a Argentina, finalista vencida do Mundial de 2014, à França, finalista vencida do Europeu de 2016. Talvez a melhor já disputada neste Mundial da Rússia. Com sete golos marcados e uma justa vitória dos franceses, com menos posse de bola mas melhor dispositivo táctico e muito melhor organização colectiva.

 

A selecção gaulesa adiantou-se no marcador logo aos 13', com um penálti convertido por Griezmann: a estrela do Atlético de Madrid não vacilou na linha dos 11 metros. Os argentinos, numa toada lenta e previsível, tardaram a reagir. Foi preciso um lance de inspiração individual para reacender a chama: iam decorridos 41' quando a turma alviceleste empatou, com um fortíssimo remate de Di María, fora da grande área.

Ao intervalo, 1-1: resultado lisonjeiro para os argentinos. Mais ainda contra a corrente do jogo foi o segundo golo da selecção treinada por Jorge Sampaoli, numa jogada de insistência de Messi com a bola a tabelar em Mercado: o lateral do Sevilha, sem saber bem como, viu-a encaminhar-se para o fundo das redes.

A Argentina parecia ter virado o jogo. Mas a partir daí desenrolou-se o espectáculo do futebol francês. Com três grandes golos em 11 minutos. O primeiro aos 57' pelo jovem lateral Pavard, em estreia absoluta na fase final de uma grande competição, com um petardo indefensável a mais de 20 metros de distância da baliza, apanhando a bola no ar,  após cruzamento perfeito de Lucas. O segundo aos 64', por Mbappé, numa movimentação rapidíssima dentro da área, libertando-se das marcações e fuzilando Lloris. O terceiro aos 68', também por Mbappé, coroando um fabuloso lance colectivo que envolveu seis jogadores com a bola ao primeiro toque - destaque para uma diagonal desenhada por Matuidi e para a primorosa assistência de Giroud.

Os argentinos ainda reduziram, no terceiro minuto do tempo de compensação, por Agüero - que ficou no banco, tal como Higuaín, e só entrou aos 66'. Demasiado tarde para discutir o resultado num desafio em que os gauleses se impuseram desde logo pelo seu magnífico trio do meio-campo (Matuidi, Kanté e Pogba).

 

Messi regressa a casa com apenas um golo marcado na Rússia - frente à Nigéria. Hoje ajudou a construir o segundo e assistiu Agüero no terceiro. Fez ainda um grande passe para Pavón, aos 38', no corredor direito. Pouco mais se viu. No confronto com Cristiano Ronaldo, fica desde já a perder.

A França, ao vencer pela primeira vez a Argentina na fase final de um Mundial, transita para os quartos. Os argentinos caíram, imitando os alemães, vencedores do Mundial em 2014 e agora excluídos na fase de grupos pela primeira vez na sua história.

O futebol continua a ser uma caixinha de surpresas. Daí o seu irresistível e perdurável fascínio: ainda permanece sem rival.

 

Argentina, 3 - França, 4

A ver o Mundial (3)

2018-Russia-World-Cup[1].jpg

 

O PENÁLTI QUE MESSI FALHOU

 

Se o Campeonato do Mundo é o palco decisivo para a atribuição da Bola de Ouro 2018, Cristiano Ronaldo leva já larga vantagem em relação ao rival de sempre. Lionel Messi teve ontem uma apagada prestação ao serviço da selecção do seu país: a Argentina não conseguiu melhor do que um frustrante empate (1-1) frente à Islândia, que foi uma das boas surpresas no Euro-2016 e já está a dar nas vistas neste Mundial.

O pior momento de Messi ocorreu num daqueles instantes decisivos em que Cristiano Ronaldo não costuma falhar: quando tinha apenas pela frente o guarda-redes, à distância de 11 metros. La Pulga partiu sem convicção para a bola e permitiu que o guarda-redes Halldorsson defendesse a grande penalidade. Estava conseguida a fotografia emblemática desta partida. E os islandeses carimbavam um precioso ponto que os faz sonhar com a fase seguinte da competição máxima do futebol.

Valeu aos argentinos o golo de Agüero para não saírem derrotados. Um golo marcado cedo, logo aos 19', e que lhes indiciava uma partida tranquila, com muita posse de bola e reduzido desgaste físico. Durou-lhes pouco, esta sensação de superioridade: quatro minutos depois Finnbogason empatava. O compacto reduto defensivo da Islândia permitiu aos herdeiros dos vikings aferrolhar os caminhos para a sua baliza.

Pela selecção argentina, Messi já dispôs de 21 penáltis. Falhou quatro - ou seja, 19%. Nada que deslumbre seja quem for.

 

Argentina, 1 - Islândia, 1

Um caso à parte

Estou rendido a Marcos Acuña.

Espalha classe pelo campo, enverga a camisola a 200% e pauta-se por uma grande disciplina e rigor durante os 90 minutos. 

Parece que já joga no nosso campeonato há uma boa série de anos, mas a verdade é que só chegou há pouco.

Normalmente, quando chega um sul-americano ao nosso clube, demora tempo a engatar. Adaptação, nova cultura, etc., etc., as justificações são variadas. Veja-se o caso de Alan Ruiz...

Mas, como toda a regra tem a sua excepção, em Alvalade esta dá pelo nome de Marcos Acuña. Parabéns à Direcção por esta contratação. Como diria um antigo presidente nosso, o jogador custou muita pasta, mas, acrescento eu, mais do que justificada.

Hoje giro eu - VAR(ias) omissões

Facto 1: Respondendo à cartilha posta a circular após as finais da Taça de Portugal (1 jogo) e Supertaça (1 jogo), ambas ganhas pelo Benfica (contra o Vitória SC), gostaria de lembrar que, após 4 jornadas de campeonato com VAR, o SPORTING é líder.

 

Facto 2: Eu sei que o jogo se disputou durante a noite, mas será embirrância minha ou não se deu o devido destaque ao facto de Marcus Acuña ter sido titular pela selecção argentina, ao lado de Messi, Di Maria, Dybala e Icardi, na difícil deslocação a Montevideu (Uruguai), numa partida onde começaram no banco jogadores como Kun Aguero, Pastore ou Correa (Gaitán nem se sentou)?

Em duas finais, só Portugal marcou

Alguns continuam a uivar por aí, clamando contra o futebol "defensivo" da selecção nacional. Não sei onde é que esta gente andou nos últimos anos e que espectáculos de futebol a nível de selecções pôde espreitar ultimamente.

Pois eu vi isto: Portugal foi a única selecção que marcou um golo nas duas mais recentes finais entre clubes no futebol de alta competição.

A 27 de Junho, na final da Copa América em que se defrontaram Argentina e Chile, a partida terminou empatada a zero ao fim de 120'. Teve de se recorrer ao desempate por penáltis, com vitória chilena.

A 10 de Julho, na final do Campeonato da Europa, também os franceses ficaram em branco após duas horas de jogo.

Destas quatro selecções, só Portugal marcou. A tal selecção "defensiva" foi capaz de concretizar aquilo que nem a Argentina de Messi nem o Chile de Vidal nem a França de Griezmann fizeram.

'La Pulga' também falha

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 Foto: David Fernández/EFE

 

Não sei se você viram. Eu dei-me ao incómodo de ficar acordado madrugada adiante para assistir à final da Copa América, disputada entre a Argentina e o Chile, apitada por um ridículo árbitro brasileiro que fez tudo para ser protagonista do encontro. Um jogo vibrante, de luta acesa, com as duas equipas a querer ganhá-lo - tanto que dois jogadores foram expulsos, um de cada lado (o argentino foi o nosso bem conhecido Rojo, galardoado com o cartão vermelho aos 41').

Apesar da intensidade e da velocidade, o nulo manteve-se no tempo regulamentar, forçando o prolongamento. Aqui uma defesa do outro mundo do guardião Claudio Bravo - uma das melhores que já vi até hoje em muitos anos como espectador de futebol - voando aos 99' para desviar um cabeceamento de Aguero manteve intactas as aspirações do Chile, com Arturo Vidal, Eduardo Vargas e Alexis Sánchez igualmente em grande nível.

 

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 Minuto 99: Bravo salva o Chile

 

Vieram então os penáltis. Vidal, primeiro chamado a converter, atira com insuficiente pontaria, permitindo a defesa de Romero. Segue-se Messi, com toda a Argentina suspensa do seu pé esquerdo. E o que sucedeu então? O astro do Barcelona dispara... por cima da baliza. Na hora da verdade, falhou.

O Chile conquistou assim com mérito o seu segundo troféu consecutivo. O mesmo troféu que escapa desde 1993 à selecção argentina, campeã desde então das finais perdidas. Já lá vão sete: quatro vezes na Copa América (2004, 2007, 2015, 2016), duas na Taça das Confederações (1995 e 2005) e uma no Campeonato do Mundo (2014).

Há quem lhe chame maldição. O facto é que Messi, o incomparável Messi, o "melhor do mundo" na opinião de muitos portugueses, falhou. E apressou-se a declarar que não voltará a vestir a camisola da equipa argentina: "A selecção acabou para mim."

Mero amuo momentâneo ou promessa para cumprir? O tempo dirá.

Enquanto a questão não se esclarece, aqui ficam os merecidos parabéns ao Chile. E fica também esta final como registo para todos os nossos compatriotas - e são demasiados, na minha perspectiva - que adoram menosprezar Cristiano Ronaldo, empolando cada pequeno falhanço do melhor jogador português de sempre enquanto se derramam em elogios a Messi, como se 'La Pulga' fosse infalível.

Mas não é.

A merecida estreia de Adrien Silva

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Ia decorrido o minuto 66 do Portugal-Argentina, esta noite disputado em Old Trafford, quando aconteceu aquilo que Adrien Silva há muito merecia e há muito esperava: entrou finalmente em campo, estreando-se pela selecção nacional de futebol. Aconteceu só agora, com Fernando Santos a liderar a equipa das quinas, mas já devia ter acontecido antes, sob o comando de Paulo Bento: Adrien fez uma excelente época 2013/14 ao serviço do Sporting e justificou plenamente a viagem ao Mundial do Brasil que o ex-seleccionador lhe negou.

De qualquer modo, valeu a pena esperar. Bastaram pouco mais de 20 minutos em campo para Adrien ter intervenção directa no golo solitário da vitória portuguesa contra os vice-campeões do mundo. Um jogada ocorrida no último minuto do desafio, iniciada com uma recuperação de bola do médio leonino e culminada num cabeceamento vitorioso de Raphael Guerreiro após cruzamento de Quaresma, que assim se confirma como o rei das assistências da selecção. Por coincidência, trata-se de outro jogador proscrito pelo antecessor de Fernando Santos, que lhe negou o passaporte para o Campeonato do Mundo.

 

Dir-se-á que o jogo interessava pouco por ser a feijões. Dir-se-á que o único motivo de interesse era assistir ao confronto Messi-Cristiano Ronaldo, que durou apenas 45 minutos pois ambos foram substituídos ao intervalo, para frustração dos 40 mil espectadores presentes no estádio do Manchester United. Eu direi que todos os desafios contam. E este, para nós, acabou por ser bastante mais do que um jogo-treino.

Em primeiro lugar pelo resultado: há 42 anos - desde a Mini-Copa de 1972 - que Portugal não vencia a Argentina.

Em segundo lugar por se comprovar que é possível vencermos sem Cristiano Ronaldo em campo.

Em terceiro lugar por esta ter sido mais uma oportunidade para renovar a selecção. Contrariando algumas vozes agourentas que já se escutavam por aí.

 

Há dias, na vitória contra a Arménia, estreara-se o jovem Raphael, com apenas 20 anos: desta vez, no seu segundo jogo ao serviço da turma nacional, confirmou a excelente impressão que causara nessa partida. Hoje houve mais três estreias: Adrien, com 25 anos; o lateral-esquerdo Tiago Gomes (do Sp. Braga), com 28 anos; e o central José Fonte (capitão do Southampton), com 30 anos.

Todos confirmaram as expectativas. Fernando Santos poderá contar com eles.

E parece contar também com algo importante em futebol: a estrelinha da sorte. Venceu hoje o terceiro jogo consecutivo. Sem ver Portugal sofrer qualquer golo nestes 270 minutos, o que merece destaque.

O resultado foi superior à exibição? Pois foi. Antes isso do que o contrário. Não sei o que vocês pensam: eu prefiro assim.

E no fim, ganhou a Alemanha

O jogo já foi bem analisado por Pedro Correia ali em baixo, daí não haver necessidade de vos chatear com mais prosa sobre o tema.

O que quero enfatizar é que o ceptro ficou bem entregue!

A Alemanha, apesar do percalço com o "ingénuo" Gana e até de um jogo menos conseguido com a super Argélia, demonstrou ser, a par da Holanda, uma equipa na verdadeira acepção da palavra. As suas vedetas, suplentes incluídos, souberam fazer da sua genialidade um colectivo.

E depois, há os pormenores: Higuaín, na cara de Neuer, fez o disparate da sua carreira e o Super-Mário, num gesto técnico irrepreensível, marcou um golaço!

Neste jogo em particular a Argentina até nem esteve mal. Deixem-me ser um pouco exagerado, e dizer que me parece que jogou com dez. Alguém deu por Messi, o coroado melhor do torneio, durante o jogo? Eu vi duas arrancadas sem consequência de maior para a defesa germânica, dois livres directos por cima da baliza, bem por cima, três tentativas de passe bem interceptados pela defesa alemã e uma dúzia de perdas de bola. Estivesse lá Di María e provavelmente outro galo cantaria...

 

E já agora, a talhe de foice, os "portugueses" estiveram bastante bem (Garay ainda conta e no golo alemão é batido, mas tem a "desculpa" de estar a lutar aos 116 minutos com dois homens bem mais frescos), com destaque para o nosso Rojo, que fez três assistências, duas delas meio golo. Ouvi dizer que andamos à procura dum defesa esquerdo... porquê?

A ver o Mundial (31)

Foi a vitória da equipa que melhor soube interpretar em campo a versão de um coral primorosamente afinado, para pedir emprestada a feliz imagem ao jornalista Orfeo Suárez, um dos melhores cronistas contemporâneos de futebol, na antevisão que ontem fez da final da Copa no jornal El Mundo.

A Alemanha mereceu, sob vários prismas, a conquista deste seu quarto Campeonato do Mundo (após as vitórias em 1954, 1974 e 1990). Teve a melhor organização, o melhor guarda-redes (Neuer), um lateral adaptado que suplantou toda a concorrência (Lahm), um meio-campo de sonho (com Khadira, Schweinsteiger, Kroos e Özil), um avançado à moda antiga que põe em sentido qualquer reduto defensivo adversário (Müller) e ainda o melhor marcador de sempre nas fases finais de campeonatos do mundo (Klose, com 16 golos).

Um colectivo em futebol de alta competição é isto: funciona com a perfeita articulação entre as suas peças.

 

Götze: entrar e marcar 

 

Mais: a Alemanha confirmou ontem ter um banco de suplentes de luxo. Schürrle e Götze entraram - o primeiro aos 31', por lesão de Kramer, e o segundo à beira do prolongamento, rendendo Klose - para desatarem o aparente nó cego em que se transformara o empate a zero e cumpriram da melhor maneira a missão. Foi dos pés deles que saiu o belíssimo lance do golo alemão que sepultou o sonho de Messi de imitar Maradona com a conquista do troféu de campeão mundial.

Iam decorridos 112’, faltavam apenas oito minutos para uma eventual ronda de grandes penalidades que nenhuma selecção pretendia. Os argentinos para não abusarem da sorte: já se haviam apurado frente à Holanda, na meia-final, com este processo. Os alemães - que pouco antes tinham visto uma bola embater no poste após cabeçada de Höwedes - para evitarem ser vítimas de uma injustiça histórica: foram, de longe, a melhor selecção do Campeonato do Mundo. Com seis vitórias e só um empate nesta fase final, 18 golos marcados (sete dos quais ao Brasil e quatro a Portugal) e apenas quatro sofridos.

 

 

A história deste jogo que de algum modo reeditou a vitória espanhola no Mundial de 2010 (1-0 na final contra a Holanda, no prolongamento, com golo de Iniesta aos 117’) poderia, no entanto, ter conhecido um desfecho bem diferente. Bastaria Higuaín, isolado logo aos 20’ perante Neuer devido a um passe à retaguarda mal medido de Kroos (talvez o único erro do excelente médio alemão cometido neste mês de competição em relvados brasileiros), não fez o que lhe competia. Tinha todo o tempo do mundo para atirar a bola à velocidade pretendida e para o melhor ângulo da baliza germânica.

Nada disso aconteceu: o remate saiu-lhe frouxo e sem pontaria. Naquele instante Neuer sagrava-se como novíssimo gigante do histórico Maracanã, palco da final. Higuaín ficava reduzido ao estatuto de pigmeu.

Mas tudo poderia ter saído ao contrário, com o argentino a elevar-se à condição de herói do Mundial-2014. O sortilégio do futebol passa por estes instantes em que se decide o destino de um jogador - a humilhação perpétua ou a glória eterna.

 

Alemanha, 1 – Argentina, 0

Uma questão de nervos?

No futebol, quase nada é previsível, as surpresas são constantes, tornando, muitas vezes, o impossível possível. Mesmo assim, arrisco-me a prever uma seleção argentina barricada na sua defesa para a final deste Mundial. Será essa a estratégia, «não arriscar» a palavra de ordem, principalmente numa Argentina que ainda não mostrou futebol ofensivo. E principalmente depois da derrota histórica dos brasileiros. Como diz o Pedro Correia, ao referir-se ao jogo monótono entre a Argentina e a Holanda: tanto argentinos como holandeses ficaram a tal ponto apavorados com os erros tácticos cometidos pelos brasileiros na meia-final frente à Alemanha que procuraram evitá-los a todo o custo, não arriscando um milímetro em soluções de ataque.

Na final, o pavor dos sul-americanos será ainda maior. E também me parece que se poderá prever que a Alemanha atacará desde o primeiro minuto. Os germânicos estão cheios de confiança e tentarão concretizar a exigência bem conhecida de Joachim Löw para todos os jogos da sua seleção: o primeiro golo tem de acontecer na primeira meia hora de jogo, de preferência, nos primeiros vinte minutos!

Esta prerrogativa tem, porém, um ponto fraco. E é esse que os argentinos deviam explorar (na verdade, a sua única hipótese de virarem o jogo a seu favor): não conseguindo cumprir a imposição de Löw, os jogadores alemães ficam nervosos, mais suscetíveis de cometerem erros, por vezes mesmo desorientados.

As goleadas alemãs começaram sempre cedo. No jogo contra Portugal, o primeiro golo aconteceu ao minuto 12 e contra o Brasil, o mesmo Thomas Müller marcou aos 11’. Comparemos com o que aconteceu nos jogos em que a Alemanha fraquejou: frente ao Gana, um empate a duas bolas, o primeiro golo veio só na segunda parte (aos 51’); o mesmo aconteceu com os EUA, surgindo o único golo da partida aos 55’; com a Argélia, jogo equilibrado que os germânicos venceram por 2:1, os golos surgiram apenas no prolongamento. A exceção verificou-se frente à seleção francesa, em que os alemães marcaram no minuto 13, mas não foram além do 1:0.

Barricando-se na sua defesa e aguentando os críticos primeiros 15 minutos e, depois, a primeira meia hora, os argentinos têm boas hipóteses de enervarem os alemães. Quando notassem, porém, os primeiros sinais de desgaste, teriam de pôr em prática um futebol ofensivo, procurando o golo, não apostando no prolongamento ou, ainda pior, nos penáltis. Porque, para o fim, verificando que o adversário está no limite das suas forças, os germânicos ganham novo alento.

El capitán

Não havendo mais Portugal no Mundial, não poderia desejar melhor final. Alemanha e Argentina são duas selecções de que sempre gostei, e fico contente pela possibilidade de qualquer uma delas poder voltar a levantar mais um "caneco" de uma colecção que já mora nos respectivos museus.

No entanto, confesso que no próximo domingo irei torcer mais um pouco pela Argentina. Por um lado, pelo especial gozo que é ver os argentinos conquistarem a "Copa" em pleno solo brasileiro. Por outro lado, porque reside no 11 da selecção das pampas um jogador titular do Sporting, e entre a gabarolice de ter 7 jogadores no Mundial e a gabarolice de ter um jogador campeão do mundo, prefiro a segunda.

Marcos Rojo. El capitano.

Quando no último Benfica x Sporting, para a taça de Portugal, as equipas se preparavam para começar o prolongamento, os jogadores, treinadores e dirigentes do Sporting fizeram uma roda à volta, bem abraçados uns aos outros, para um último grito de "força". Nesse momento, o nosso presidente via-se aflito para conseguir arranjar espaço para si dentro daquela roda. Apesar das tentativas, parecia que ninguém reparava nele, tal era a atenção com que escutavam alguém que falava com voz de comando. Seria Leonardo Jardim, o mister, a dar uma última táctica? Não. Seria Rui Patricío, o capitão da equipa, a incentivar os colegas? Também não. A pessoa sobre a qual todos os olhares e ouvidos se dirigiam era, nem mais, nem menos, do que Marcos Rojo. Com uma afirmação própria dos líderes de equipa, Rojo falava e esbracejava com “ganas”, com todos à sua volta a escutarem atentamente e a assimilarem o que ia dizendo.

Essa imagem de Rojo impressionou-me. São de momentos assim que se galvanizam equipas. E se me recordar da forma entusiasta com que Rojo festeja os golos que marca pelo Sporting (quem é que não se lembra da felicidade com que Rojo festejou o primeiro golo que marcou pelo Sporting?), a par da forma dura, compenetrada e decisiva como aborda os lances, eis que estão reunidos os condimentos para que Rojo se torne num verdadeiro capitão de equipa ou, como também se diz em futebolês, num “patrão”.

Depois de os sportinguistas não terem inicialmente (2012/2013) dado muito por Rojo, para mais tarde virem a engolir as suas próprias palavras, eis que também agora muitos argentinos se redimem publicamente do modo depreciativo como falavam do seu lateral-esquerdo. A vida tem destas ironias, e é sempre interessante quando um jogador tem uma transfiguração destas, quer no seu próprio futebol, quer junto dos adeptos.

Marcos Rojo ainda não é um central do naipe de um Hummels ou de um Thiago Silva. No entanto, se há algo que o torna num indiscutível para Sabella, como o era antes para Leonardo Jardim, é o prazer com que veste a camisola e se bate por ela até ao último suor. É essa marca de guerreiro que faz hoje de Rojo um jogador importante para o colectivo, e com que tantos adeptos se identifiquem com ele.

Está a ser um ano em cheio para Marcos Rojo, e a sua carreira promete. Infelizmente, as notícias que saiem diariamente nos jornais apontam para que Rojo vá prosseguir a sua carreira por outras paragens. Mas, se por alguma eventualidade, Marcos Rojo acabar por permanecer em Alvalade, fica a sugestão: subida ao grupo de capitães. O patrão da defesa a mostrar como é que se faz. 

A ver o Mundial (28)

Prometia ser um confronto entre Messi e Robben, uma espécie de tira-teimas para avaliar quem esteve melhor no Campeonato do Mundo - se o holandês com três golos, uma assistência e um recorde pessoal de jogador mais veloz (com o registo de 31,6km/hora), se o argentino com quatro golos e duas assistências.

Não foi nada disso, afinal. Acabámos de ver no Arena Corinthians, em São Paulo, um dos desafios mais monótonos e entediantes do Campeonato do Mundo. Quase a fazer lembrar aquela final aferrolhada e medrosa entre alemães e argentinos do Mundial de 1990 em que ambos abdicaram por completo de qualquer vestígio do futebol de ataque - a pior de que há memória entre os adeptos do desporto-rei.

Basta dizer que ao longo de toda a partida desta noite, incluindo a meia hora de prolongamento regulamentar após o empate a zero aos 90 minutos, houve apenas cinco remates à baliza contrária feitos pela Argentina e só três concretizados pela Holanda. E nenhum deles, em boa verdade, levando verdadeiramente um indiscutível sinal de perigo.

 

Supremacia das defesas sobre os ataques neste Argentina-Holanda em que o jogador mais em foco acabou por ser Mascherano, defesa sul-americano? Sim. Mas mais que isso: foi um autêntico anti-clímax após o desafio de ontem, constituindo de algum modo a sua antítese. Por outras palavras: tanto argentinos como holandeses ficaram a tal ponto apavorados com os erros tácticos cometidos pelos brasileiros na meia-final frente à Alemanha que procuraram evitá-los a todo o custo, não arriscando um milímetro em soluções de ataque. A partida decorreu quase todo o tempo empastelada no meio-campo, com pequenas oscilações territoriais que em nada afectaram o cômputo geral. E se não fossem os penáltis finais aposto que ainda estariam naquele bocejante jogo do empurra no miolo do terreno, como se nenhuma das duas selecções quisesse verdadeiramente ganhar.

 

Recorreu-se portanto às grandes penalidades. E também aqui o seleccionador holandês, Van Gaal, se deixou de ousadias: enquanto no desafio anterior, frente à Costa Rica, fez avançar o terceiro guarda-redes do banco só para defender os penáltis (meta coroada de êxito, pois Krul travou dois, tornando-se uma das figuras do jogo), desta vez manteve em campo o titular, Cillessen, talvez para não ofender as bempensâncias do comentário ludopédico, que se haviam escandalizado com a fuga à pauta no embate do passado domingo.

Fez mal: os argentinos agradeceram. E lá irão eles à final do Campeonato do Mundo, frente aos alemães, depois de terem feito muito pouco para tanto destaque. Desta vez nem Messi, jogando em posições muito recuadas, deu um ar da sua graça.

Ocorrerá no próximo domingo a desforra argentina para vingar a derrota na final de 1990? Sinceramente, não creio. Há uma distância enorme entre esta mediana Argentina e a fulgurante Alemanha que acaba de golear o Brasil por números inéditos.

O melhor do jogo acabou por ser a evocação inicial da memória de Alfredo di Stéfano, um dos maiores génios de sempre dos relvados, falecido no fim de semana aos 88 anos. Lá no assento etéreo onde subiu, como versejou o nosso Camões, o grande campeão ficou certamente satisfeito com este resultado: há um quarto de século que a sua Argentina natal não chegava tão longe.

Como homenagem fúnebre não esteve mal.

 

Argentina, 0 - Holanda, 0 (4-2 nas grandes penalidades)

Que ganhe… o futebol!

Aproximam-se as meias-finais de um Mundial de futebol que colocou quatro das melhores equipas nesta fase (quase) final. Alemanha, Argentina, Brasil e Holanda vão digladiar-se entre hoje e amanhã para discutirem os dois lugares no Maracana. Um par de jogos que se prevêem muito emotivos e de resultado claramente incerto.

Neste Mundial não tive preferência por qualquer selecção (nem a portuguesa!!!) e nem agora penso nisso. Quem ganhar que o faça apenas com mérito e sem casos.

Curiosamente estas meias-finais resultaram em embates entre selecções europeias contra sul-americanas. Dois estilos de futebol assaz diferente, mas deveras atractivo.

O Brasil apresenta-se hoje sem Neymar nem Thiago Silva, mas nem mesmo estas condicionantes serão suficientes para retirar à equipa da casa algum favoritismo. Só que a Alemanha parece ser uma selecção imune aos estad(i)os de espírito. O treinador alemão conhece bem os seus recursos e sabe com o que pode contar. Disciplinada e assertiva, a selecção germânica tem jogadores com qualidade suficiente para num segundo resolverem qualquer partida.

Amanhã teremos então na outra meia-final duas equipas com percursos bem semelhantes, pois ambas ganharam todos os jogos dos seus respectivos grupos. No entanto a Holanda pareceu bem melhor tanto a nível futebolístico como a nível físico. A Argentina, por sua vez, tarda em convencer os adeptos do futebol da sua qualidade e não fosse Lionel Messi, provavelmente a equipa das Pampas já estaria de férias. E das duas uma: ou a Holanda ressente-se da última jornada com prolongamento e penalidades e a Argentina tem hipótese (mesmo sem Di Maria) de seguir em frente ou muito provavelmente os alvi-celestes vão discutir o terceiro e quarto lugares.

Seja como for perspectivam-se dois jogos de alta qualidade e com emoção a rodos.

Para mim só espero e desejo que o maior vencedor seja o apenas e só… o futebol!

 

 

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A ver o Mundial (24)

O Argentina-Bélgica, disputado esta tarde em Brasília, pareceu sempre um jogo entre duas equipas pertencentes a campeonatos diferentes. Talvez por isso, nunca foi uma partida empolgante. Os argentinos, muito calculistas e em permanente gestão de esforço, voltaram a contar com Lionel Messi em boa forma. Em três ou quatro jogadas, o astro do Barcelona fez novamente a diferença. Na jogada de construção do golo solitário da vitória, por exemplo. Messi ganha a bola no meio-campo, rodopia três vezes sobre si mesmo baralhando por completo as marcações belgas, desfaz o nó com um passe bem medido para Di María e este coloca a bola na melhor posição para Higuaín marcar.

Iam decorridos apenas oito minutos. Foi quanto bastou para a Argentina tirar o pé do acelerador e gerir a vantagem. Magra, mas suficiente para atingir as meias-finais. Como diz o outro, quem quer espectáculo que vá à ópera. Aqui houve maturidade táctica, bom entendimento colectivo e pouco tempo efectivo de jogo: as interrupções foram sucessivas e fizeram-nos sentir saudades dos desafios da fase de grupos, emocionantes e com a melhor média de golos registada desde o Mundial de 1970.

Mesmo poupando esforço, os alvicelestes viram-se privados de Di María, por lesão: o madridista não voltará a jogar no Campeonato do Mundo. Péssima notícia para os apreciadores do genuíno talento futebolístico sem olhar a cores de clubes. Oportunidade para Enzo Pérez, que hoje finalmente saiu do banco para mostrar o que vale na selecção.

A Bélgica prometia muito mas ofereceu pouco. Foi bem batida pelos ex-campeões mundiais, que se limitaram a cumprir os mínimos e tardam em mostrar o seu melhor futebol neste Campeonato do Mundo. Acontecerá isso na meia-final de quarta-feira? O melhor é esperarmos. Sentados.

 

Argentina, 1 - Bélgica, 0

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