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És a nossa Fé!

Ponham os olhos no Lask Linz

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Lask Linz. 

Nunca tinha ouvido falar de tal equipa. Calculo que a maioria dos leitores d´És a Nossa Fé também não. 

Absolutamente risível, com aquele equipamento cor-de-rosa. Um clube que é uma nulidade de títulos: https://www.transfermarkt.co.uk/lask-linz/erfolge/verein/413

Li algures que o Lask esteve para fechar há poucos anos.

E que banho de bola nos deram, ontem, em nossa casa, perante 31 mil espectadores.

Equipa compacta, organizada, subida, atacante. Fisicamente forte, concentrada, a disputar cada lance com agressividade. Rapidamente capaz de colocar quatro ou cinco jogadores na área adversária. Numa das últimas jogadas da partida, contei oito jogadores na nossa área (talvez até demais, porque é um camisola rosa a bloquear o remate do companheiro de equipa). Sem grandes individualidades, mas com um colectivo fortíssimo, destemida a jogar em casa do adversário. 

Parabéns ao Lask Linz e ao seu jovem treinador, Valerien Ismael, pelo excelente futebol que trouxeram ontem a Alvalade. 

Não sei qual é o orçamento do clube, mas calculo que nem a metade do nosso chegue. Os vencimentos dos jogadores também devem ser ao nível de um Braga ou abaixo disso. 

Vice-campeões austríacos. Um campeonato que há alguns anos era insignificante e hoje produz um campeão (Red Bull Salzburg) que bate o pé ao Liverpool (fora) na Champions (3-4).

E o que é que podemos levar (além dos três pontos) do banho de bola que o Lask deu ontem em Alvalade? 

Primeiro, que os jogos não se ganham pelas camisolas. O Sporting pode estar cheio de títulos nacionais (o Lask tem um campeonato na Áustria...) e ter um título europeu (mais recentemente, finalista), mas não é uma equipa de nível europeu, neste momento. O nosso Sporting tem um grande passado, mas, sejamos honestos, é uma fraca equipa no presente. E hoje, a Liga Europa está cheia de equipas austríacas, suíças ou de países de Leste muito competitivas, para aquilo que é o padrão da Liga portuguesa. 

Segundo, que podemos ter boas unidades individuais (Bruno Fernandes, Acuña), mas o nosso colectivo é, neste momento, zero ou próximo disso. Será possível construir uma defesa competitiva com Mathieu e Coates? Cada vez menos acredito. Um ataque com Luiz Phellype e Bolasie? São remendos. 

Terceiro, a componente física. Ontem fomos mais lentos, mais fracos, mais trapalhões do que o vice-campeão da Áustria. E de uma maneira assustadora.

Quarto, os adeptos. Os nossos assobiavam (Wendel, ao ser substituído....). Os do Lask, mesmo a perder, puxavam pela equipa. 

Quinto, o futebol joga-se dentro do campo. Nós, em Portugal - e no Sporting se calhar mais até do que noutros clubes - perdemos dias, horas, semanas a falar mal do presidente, da SAD, do diabo a quatro. Queremos destituição, queremos eleições, etc e tal. Política e mais política. E depois perdemos pouco tempo a pensar em questões mais práticas, que têm a ver com o rendimento da equipa.

Finalmente, há algo de que pouco se tem falado, mas talvez seja a principal explicação para a queda a pique de uma equipa que ainda há dois anos estava a bater o pé ao Real Madrid no Bernabéu: não o treinador, mas os "managers" da equipa. Beto é e será sempre uma das minhas referências no Sporting. Hugo Viana merece o meu apreço. Mas será que estão nas funções certas? Não seria melhor contratar um team manager de excelência, com experiência em clubes de topo, para trabalhar com o treinador na (re)construção (URGENTE!) do nosso paupérrimo plantel? Começar já a subir jovens com alto potencial (Nuno Mendes, João Silva, Quaresma, Tomás Silva, Pedro Mendes, etc etc) para a equipa principal? 

E, já agora, não seria melhor investido num grande team manager o dinheiro gasto em aumentos para a direcção? 

 

PS - Bela homenagem ao grande Jordão, ontem. Que recupere rápido e suba em breve ao relvado que será sempre dele, para mais uma merecida ovação.

PS2 - Já desistimos de cantar "O Mundo Sabe Que"?

Desorientação geral

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Nesta desorientação geral que reina no Sporting, a começar por quem foi eleito para nos orientar, proponho fazermos o que faz quem se perde numa floresta qualquer e tentar regressar ao último ponto conhecido e a partir daí determinar o rumo correcto.

E o último ponto conhecido de sucesso no futebol do Sporting foi a final da Taça em Maio no Jamor, onde derrotámos um adversário mais poderoso do que nós, e levantámos a Taça para grande azia dos adversários, em particular do seu (grande atitude, grandes tomates, grande malcriado) treinador.

Pois, com Varandas a presidente, Hugo Viana a director do futebol, Beto a secretário técnico, Keizer a treinador, Bruno Fernandes a capitão, Mathieu, Coates e Raphinha a concorrer nos melhores em campo, Bas Dost a marcar o golo que nos podia ter evitado os penáltis, Renan a defender os penáltis e Luiz Phellyppe a marcar o decisivo, ganhámos mais uma Taça de Portugal, numa época em que também conquistámos a Taça da Liga e o 3.º lugar na Liga, ganhando o acesso directo à Liga Europa.

O facto é que, quatro meses depois, Keizer, Bas Dost e Raphinha já cá não estão, como outros que estiveram nos festejos no relvado do Jamor, como Salin, Gudelj, Petrovic, Bruno Gaspar, Geraldes e outros de que não me recordo.  Ou seja, duma forma ou de outra, a equipa que ganhou há quatro meses já não existe, no relvado e no balneário, e a primeira pessoa a denunciar a destruição dessa equipa foi... Bruno Fernandes. 

Não estou a dizer que tudo estava bem no futebol do Sporting no dia da vitória do Jamor. O que digo é que em vez de aproveitar o momento para dar um salto em frente rumo aos rivais, o que aconteceu em seguida, qualquer que seja a justificação que se queira arranjar, foi uma ziguezagueante destruição do que se tinha alcançado. 

Chegados aqui, temos Varandas, Hugo Viana, Beto, um treinador interino que não é melhor que Keizer (Leonel Pontes reconstruiu eficazmente os sub-23 e faz o melhor que pode e sabe), um plantel que não tem muitos daqueles que ganharam no Jamor e não entraram iguais ou melhores que eles, um plantel sem preparador físico credenciado e que mais parece uma manta de retalhos (faltam pontas de lança e trincos e sobram extremos) com ex-lesionados de longa duração e/ou ex-encostados e/ou emprestados, e um capitão que falhou a transferência dos seus sonhos e que mais que à beira dum ataque de nervos está mesmo com um ataque (que o digam as portas do Bessa). 

Vamos então voltar a Maio e ao Jamor e pensar no que falta para voltarmos a uma vitória daquele calibre:

  • Encontre-se uma solução para a situação financeira da SAD que lhe permita ter um orçamento aproximado com os rivais, emagrecendo na gordura e não no musculo.
  • Encontre-se um director desportivo credenciado que preste contas aos Sócios pelas decisões que toma em termos de contratações e dispensas e que promova um balneário de cabeça limpa, focalizado e solidário.
    • Encontre-se uma nova equipa técnica, com um preparador físico de excelência e um treinador experiente e qualificado que consiga estabelecer uma relação de confiança com os pesos pesados do plantel, com a garantia de que o clube irá segurá-los. E que aproveite da melhor forma os jovens dos sub-23 e do plantel principal.
    • Encontre-se uma forma de defender o clube em todas as instâncias de poder, a começar pela arbitragem. 
    • Encontre-se uma forma de manter os Sportinguistas unidos e vibrantes no apoio à equipa. Falo dos Sportinguistas, falo dos Sócios, falo daqueles que colocam o Sporting em primeiro lugar, e não das seitas corruptas que parasitam o clube e que só o prejudicam.

     

    Enquanto isso não acontece, lá estarei amanhã em Alvalade a apoiar Leonel Pontes e a nossa equipa e convido todos os Sócios que puderem a fazer o mesmo, porque só com vitórias em campo vamos sair deste buraco.

    SL

13 Reasons why este mercado foi bom e há todos os motivos para se estar otimista

  1. Ontem, no canal 11, o presidente do Marítimo disse com ar simpático que acertara tudo com Vieira para que João Félix e Ferro fossem para a Madeira no mercado deste janeiro que passou. Só a troca de treinador na Luz fez abortar o negócio. Para dizer o quê? Que há muito, mas mesmo muito, de oportunidade, sorte e azar no mundo da bola.

  2. O Sporting foi objetivamente prejudicado no último jogo. Há um penalty sobre Raphinha não assinalado (árbitro e VARs coniventes) e pelo menos um dos que foram marcados a Coates é de gargalhada. O Porto foi beneficiado objetivamente por uma das expulsões mais abstrusas de que me lembro. O Benfica foi a Braga receber vários presentes de Natal, não tendo a equipa sido sequer testada, depois do baile que levou do Porto. Para dizer o quê? Que Deus e o demónio estão nos detalhes e que na bola é igual.  

  3. O mercado do Sporting foi dos melhores que me lembro. Falo desta fase, do fecho. Só no fim da época saberemos, mas eu sou do tempo de César Prates, Mpenza e André Cruz, que não excitaram ninguém quando apareceram. Sobre Acosta é melhor nem falar. Não houve videirinho do comentário da altura que não se risse da ciática.

  4. Porque é que foi dos melhores? Porque se faturou e imagino que seja necessário para fazer face aos encargos. Eu, para poder comprar a minha casa atual, também vendi a que tinha. E era uma casa do caraças.

  5. E foi dos melhores porque muita “tralha” se foi embora. Jogadores decentes, boa gente, mas cuja qualidade futebolística foi mais do que posta à prova, ficando claro que com eles jamais o SCP seria campeão. Acontece em todos os clubes ter “tralha” e o nosso não é exceção.

  6. Também foi dos melhores, porque os wild cards (sobretudo o playboy Jese) vieram emprestados, o que permite ao clube ganhar mais um ano para que haja produto da formação à altura e/ou scouting eficiente. Ou seja, não se gastou uma pipa de massa em Jese (como se gastou em Diaby, por exemplo) e vieram alguns jogadores “maduros” que podem ajudar. Podem ser flops? Podem. Mas também podem não ser.

  7. Foi dos melhores, porque se chegou a acordo sobre mais um jogador do caso Alcochete. É provável que Podence valha mais do que 7 milhões, mas é sempre melhor encaixar agora do que talvez mais daqui a uns anos valentes, mais as custas judiciais e o diabo a sete. Além disso, houve o bónus de Bruno Gaspar ter sido emprestado à boleia deste deal.

  8. Sobre “estratégias de comunicação” é difícil falar. Muitas vezes, na vida, as pessoas não estão dispostas para ouvir a chamada verdade. Nós, portugueses, somos especialistas nisso, basta ver o que dizem as sondagens eleitorais. Somos adeptos de quimeras, cenários idílicos, achamos que se acreditarmos muito no Pai Natal este passa a existir. Mas chega sempre um tempo em que a mensagem e quem a quer ouvir estão compatíveis. 

  9. A equipa de Varandas foi às compras com um saco de caramelos. O lateral francês talvez seja bom, Rafael Camacho talvez dê num negócio Raphinha, Eduardo talvez permita que se possa vender Wendel mais cedo. Mas fazer compras com saco de caramelos implica isto mesmo: apostar que talvez aquele restaurante com aspeto assim assim nos vá servir uma bela refeição. 

  10. Entretanto, a ideia que dá é que os sub-23 representam os “good old days” da formação a voltar devagarinho. Cada mês, cada seis meses, cada ano que passam, os garotos estarão mais próximos da equipa. 

  11. Há razões para otimismo? Fifty, fifty. Por exemplo, a jornada passada foi uma azia de todo o tamanho, mas Guimarães e Braga também perderam. Não ir à Champions é mau, mas não ir à Liga Europa seria uma tragédia. Thierry, que parecia verde como um abacate, acabou por render uns milhões. Vietto às tantas é craque. Bruno Fernandes ficou. 

  12. O que estou para aqui a dizer? Que o Sporting ainda está a ressacar a gestão Bruno de Carvalho. Essa gestão esticou a corda, foi ao limite, contratou dezenas de jogadores, pagando-lhes bem, teve um dos treinadores mais caros do mundo, com a obsessão do título que, é preciso dizer, quase vencemos. Eu, se vou de férias e gasto mais dinheiro, nos meses seguintes tenho de andar mais regrado.

  13. É uma perda de tempo acreditar na “união”. Os meus amigos do Benfica, mal empatam dois jogos seguidos, começam a dizer que o Vieira tem de dar lugar a outro. Mas também é inútil estar pessimista. A vida é feita de fases. O Sporting é o Sporting. Milhares de miúdos e miúdas são do Sporting e choram pelo clube, independentemente do número de campeonatos. Os seus filhos farão a mesma coisa.

Passas no Algarve

 

  1. Portimonense tem uma bela equipa e está muito bem armada. Tem ótimos jogadores (bom scouting!) e joga ao ataque, sem manhas, simulações e demais tretas.
  2. Sporting teve a “sorte do jogo” (como não teve na final da Supertaça).
  3. Não acabamos de rastos no final, como com o Braga. Mas eu fiquei com a sensação que ainda não controlamos o ritmo do jogo como uma equipa “grande” deve ser capaz de conseguir. Se estivéssemos na Champions, e seguindo o que disse Pinto da Costa, teríamos levado uma tareia.
  4. Vietto e Bruno fizeram uma bela dupla. Dois craques, também a exibirem-se um contra o outro, mas a vida é mesmo assim e quem ganhou foi o espectador.
  5. O nosso Doumbia não é nenhum William, talvez o jogador que mais falta nos faz.
  6. Wendel parece um velhote de 35 anos. Ou um molengão que se deitou às 5 da manhã.
  7. Nossos centrais, quase sempre desprotegidos, viram-se em apuros. Se Jackson estivesse afinado, não teria acabado 1-3.
  8. Talvez como despedida, muitas bolas cruzadas para o fantasma de Bas Dost que obviamente não estava em campo (porque os fantasmas não existem).
  9. Luiz Phellype é outro tipo de avançado, mais de encostar ou de moer defesas só por moer. Mas já marcou e já sacou uma penalidade.
  10. Depois do jogo de ontem, nunca mais Vietto voltará a ter o espaço que teve ontem. Mas quero crer que em modo contra-ataque e/ou contra equipas de bloco alto será um excelente abre latas e um passador acima de Bruno.
  11. Por falar em Bruno, tenho de ser eu, que nunca o vi na vida, a dizer-lhe que não pode reagir assim às decisões de arbitragem, seja um fora mal ajuizado, seja um cartão por mostrar? Sem querer chocar ninguém, vocês davam 70 milhões por um jogador que se arrisca a ser expulso por protestos? Ou lá fora ele seria mais calmo?
  12. Nosso Thierry está a subir imenso de produção, mas convinha a Raphinha ajudar mais.
  13. Eduardo entra desconcentrado em jogo e já não é a primeira vez. Passa curto, com a bola a queimar o colega, ou passa mal. Também posso falar com ele.
  14. Bas Dost teve sempre a seu desfavor não ser um jogador pintoso, bonitão, tatuado e musculado. Como sabemos, essa impressão que se tem ou não se tem é muito mais importante que parece. Fora isso, foi muito mais sportinguista que muitos dos nossos. E um goleador que ficará na nossa história. Obrigado por tudo!

Incapacidades

Penso que é o termo certo para definir o estado actual do futebol do Sporting, uma incapacidade física, uma incapacidade anímica, uma incapacidade de marcar golos, uma incapacidade de chegar ao fim e não ter um jogador expulso ou um jogador precocemente substituído por receio de ser expulso.

Não acho que Keizer, especialmente reconhecendo as conquistas da época passada e o desempenho da equipa na altura, seja o principal ou único responsável pela situação, a novela da saída de Bruno Fernandes e a chegada tardia dos jogadores das selecções são questões bem difíceis de gerir, mas a verdade é que Keizer tem falhado em aspectos críticos, como sejam a questão física (a equipa acabou mais uma vez de rastos), a organização defensiva que teima em não ter um trinco assumido e assentar numa pressão alta que conduz a faltas e a cartões, a de encontrar um modelo de jogo que valorize o artilheiro do plantel, a de ter uma equipa eficaz nas bolas paradas ofensivas e defensivas.

Mas há coisas que não dependem de Keizer. A formação tem a qualidade que tem, e hoje Thierry Correia mostrou as suas limitações, os reforços têm a qualidade que têm, e hoje Eduardo e Vietto demonstraram isso mesmo. O plantel continua a ter um deficit pronunciado de quantidade de qualidade, e precisava de 2-3 reforços a sério (nada que ver com Viettos) para poder ter ambições ao título. 

A começar por um n.º 6 de topo. Custa a entender como começamos a época sem um jogador no plantel com essas características. Jogamos com um ou dois médios de construção que recuam quando necessário. Não tem nada a ver, que o digam Coates e Mathieu.

Reconhecendo esta incapacidade traduzida num péssimo arranque de época, Keizer está do lado do problema ou da solução? 

Sinceramente vejo um Keizer cansado e desiludido, muito contido para não falar claro e dizer tudo o que lhe vai na alma, e parece cada vez mais um problema dentro do problema que é o futebol do Sporting.

Bas Dost tem de jogar e marcar golos. Ponto. Com Keizer ou sem ele.

SL

Uma curva belíssima, uma equipa fantástica, ÉS A NOSSA FÉ, força Sporting allez

O Sporting Clube de Portugal é demasiado grande para se deixar abater por uma derrota com o seu grande rival de sempre, embora copiosa, mas numa taça menor e em princípio de época. Deixemo-nos de lamúrias e vamos ao que interessa. 

Muita coisa para melhorar no futebol do Sporting. Mesmo muita e mais ainda se Bruno Fernandes sair. E não vou falar de tácticas e de opções a partir do banco, saindo Keizer e entrando seja quem for estas coisas mantém-se. Mas também há coisas bem feitas, convém dizer, e outras coisas que demoram tempo a ser feitas.

 

Coisas para melhorar:

1. O apoio à equipa por alguns sócios e pelas claques. Uma vergonha o que se passou em Faro no sector das claques. São subsidiados para quê afinal ? Paguem o mesmo do que eu, que apoio incondicionalmente a equipa. É assim que vão resolver alguma coisa? É no momento da derrota que temos que apoiar e moralizar a equipa. O choro de Thierry não vos comoveu? É assim que querem ser campeões? Campeões de quê? Ou querem invadir Alcochete de novo?

2. Comunicação. Um tema já muito abordado neste blogue, a verdade é que tarda em ser resolvido, e começa-se a pensar que estamos no domínio da teimosia. E a teimosia pode ter más consequências. Primeiro lugar, não se dá ou não se permite a publicação de entrevistas presidenciais antes de jogos importantes. Desvia-se a atenção do essencial e perde-se completamente a mensagem em caso de derrota. Segundo lugar, na hora da derrota há que falar para os sócios, dar uma mensagem de conforto, de estabilidade e de determinação, não de desorientação, não para o espelho. Terceiro lugar, apenas sócios informados e acarinhados se podem sentir verdadeiramente comprometidos e suportar incondicionalmente na hora da derrota. Mais uma vez, que porra anda a fazer a nomeada responsável pela pasta? 

3. Capacidade física. Em meados da época passada já vimos a equipa sem pedalada para os seus compromissos, situação que se foi resolvendo com a saída da Liga Europa e a passagem a um desafio por semana. O que vimos ontem no Algarve foi mau demais, uma equipa que apenas aguenta meia parte e mesmo assim alguns jogadores nem isso. Dito doutra forma, ou o Benfica de Bruno Lage estava aditivado (nada que o Porto já não tenha aventado) ou a preparação física da responsabilidade de Keizer é absolutamente medíocre, qualquer que seja o nível da prestação do ex-fisioterapeuta Gonçalo Álvaro e do Gabinete de Performance.  Se juntarmos à falta de capacidade física um modelo de jogo que privilegia o pressing e a saída a jogar por zonas interiores é meio caminho andado para o desastre. Não falando dos lesionados na pré-época, Jovane, Camacho e Ristovski.

4. Arbitragem. A arbitragem portuguesa é regra geral medíocre e comprometida com interesses e influências. E ontem foi assim mesmo. Mas uma coisa é jogar com eles e outra coisa é jogar contra eles. O Benfica jogou com eles, cada toque caíam por terra, pareciam que iam morrer ali mesmo, nas transições sacavam amarelos, cavavam faltas em zonas frontais, nas transições do Sporting evitavam a falta. O Sporting jogou contra eles, deixavam-se ultrapassar nas transições e faziam "faltas tácticas" que custavam amarelos, levavam toques e não caíam, o Mathieu ficou de pé a olhar para o adversário depois duma sarrafada com cara de mau como se isso resolvesse alguma coisa.  De que adianta a badalada regra de Keizer dos 5 segundos para recuperar a bola, se isso significa uma falta e um cartão amarelo?

5. Bolas paradas. Cada vez mais as bolas paradas são importantes e para ter resultados é preciso treinar intensivamente. Como é que é possível que no Sporting, um canto a favor seja equivalente a coisa nenhuma, e um canto contra seja equivalente a um grande susto? Que nem o Bruno Fernandes consiga marcar um canto em condições?

6. Reforços. Com a saída de Bruno Fernandes, a falta de qualidade torna-se  gritante em comparação com os dois rivais. Impõe-se segurar os 4 "magníficos" que restam e conseguir dois ou três reforços que se juntem a eles, a começar por um médio centro. Chega de adaptações. E Vietto não é um bom exemplo, aliás compará-lo com o Raúl de Tomás, enfim... E com esses encontrar uma (nova) equipa e um modelo de jogo para que o Bas Dost seja o artilheiro do campeonato e não uma alma penada em campo.

 

Algumas coisas que começam e bem a ser feitas:

1. Aposta na formação, com uma selecção começada a fazer por Keizer na época passada, que prosseguiu na pré-epoca, que teve como resultados um plantel com uma quota importante da formação de Alcochete e mais ainda de sub-23. Ontem o melhor em campo foi Thierry Correia. Amanhã poderão ser outros. Nuno Mendes e Eduardo Quaresma são valores seguros a médio prazo. Plata e Camacho poderão surpreender esta época. Max e Bragança poderão ter uma ou outra oportunidade. Miguel Luís e Jovane afirmarem-se.  

2. Libertação de excendentários. Muitos já colocados, outros por colocar, o processo leva tempo, mas há que libertar espaço no plantel para a ascensão dos jovens. Thierry já demonstrou que Bruno Gaspar nunca mais. Continuam a existir jogadores no plantel sem condições para ajudar o Sporting. O Diaby é um caso gritante. Quem quer o Viviano, tão bom de que ele é, um super grande extra guarda-redes e agora mais magro e nada coxo? Ninguém?

E é assim, vamos lá fazer a nossa parte, recuperarmos ânimo e energias, e apoiar a equipa, porque no domingo vão ter que entrar na Liga com o pé direito. E obviamente exigir que presidente, treinador e jogadores façam a parte deles.

Eu vou fazer a minha, muitos quilómetros na estrada para chegar antes das 18h a algum sítio de Portugal e ver o desafio na TV,  a torcer pela vitória, e se calhar muito bem acompanhado pelos indomáveis Leões locais.

Viva o Sporting !!!

SL

Notas sobre o jogo e o pós-jogo

 

  1. Impressionante a arbitragem a tratar o Sporting como “equipa pequena”, amarelando logo, depressa e muito os nossos jogadores como se os do Porto fossem “artistas” que é necessário proteger.
  2. Bizarro e inexplicável como o lance de Herrera (bola dominada com braço) não foi a VAR ou o VAR não zumbiu ao ouvido do árbitro. Não percebo nada de VAR, mas se não é usado num lance explícito e claro como este então é para quê?
  3. Substituições e armação de jogo final de Conceição (com muito melhor banco que o nosso) foi de amador e perdeu a final com isso. E no entanto, todos os tudólogos bem pagos da bola e “escribas” dos desportivos que ouvi e li passaram à margem, temendo certamente represália do nervosinho treinador perdedor e do sistema que o envolve.
  4. Próprio de uma criança mimada, o anti-desportivismo do treinador do Porto. Podemos dar as voltas que quisermos, mas há crianças e jovens a ver aqueles momentos em direto nas televisões, cuja personalidade, comportamentos e sistema de valores se está a formar. Vão achar legítimo que numa circunstância oficial e solene, de cumprimentos entre vencedores e vencidos, se possa ser birrento e infantil. Ora não se pode, não se deve,
  5. O tuguismo ainda mais infantil e degradante de justificar o ato do mau perdedor dá-me vontade de vomitar e confirma-me que Portugal nunca irá a lado nenhum. Um país onde a decência é relativa é um país mesquinho, pequenino, que pretende continuar assim.
  6. Continuamos a ser uma nação feita de regras arbitrárias que ora são para aplicar, ora não são, protegida pela sorte, pela posição geográfica, pelo ouro do Brasil e agora pela Óropa, para quem um comportamento adulto, responsável, assente em conceitos como a honra, a hombridade, o respeito e o fairplay são somente denotadores de ingenuidade.
  7. O assobiar para o lado do nosso football system, de dirigentes, assessores, comentadeiros, jornaleiros, exércitos de funcionários e apensos da FPF e da Liga, políticos e demais basbaques que vivem à custa da bola, demonstra que as unanimidades oportunistas e sonsas dos corporativos que viviam na esplanada da União Nacional do Estado Novo persistem.
  8. É evidente que o fulano que treina o Porto deveria ser censurado publicamente e castigado ou multado severamente.
  9. Também me é evidente que jamais acontecerá.

ADN de Campeão (parte 2)

Dizia eu em 07/03/2019:

"Já dizia Jorge Jesus que esta coisa do ADN de Campeão não surge do nada, constrói-se, é preciso muito tempo e muito esforço para ele surgir e demostrar o que vale. Já dizia também alguém que construir demora muito, destruir quase nada, e o destituido encarregou-se do assunto no que ao futebol diz respeito a partir do sofá.

Vem isto a propósito de ter ido ao Pavilhão João Rocha ver a nossa brilhante equipa de andebol estar quase todo o tempo a perder e acabar a ganhar ao concorrente directo ao título, o Porto, e chegar a casa e ver o mesmo Porto a ganhar a 3 minutos do fim ao Roma e ganhar quase tantos milhões quantos nós vamos ter com um fundo qualquer, é a triste situação em que nos deixou o dito cujo. E nessa magnífica jornada de andebol até estava um jogador de futebol na bancada, o Acuña, lá com o seu chazinho de mate e acompanhado daquela senhora que indispôs a mana do tal destituído, suspenso e em breve expulso.

E fiquei a pensar se haveria algum ponto comum ou semelhança entre esta nossa brilhante/fantástica, o que quiserem, equipa de andebol, a equipa do Porto que conseguiu a passagem à eliminatória seguinte no prolongamento e a nossa actual tristonha e deprimente equipa de futebol profissional. ... "

Bom, pois ontem vi em campo o tal ADN de campeão, uma grande equipa, solidária, coesa, que entrou com tudo, não conseguiu marcar, insistiu sempre sofrendo um ou outro susto pelo caminho, marcou a 15mn do fim e fechou o jogo, não permitindo veleidades ao adversário. Desta vez com um treinador que soube ler o jogo e colocar jogadores frescos nos momentos chave. E com um jogador de classe extra que espalhou classe e determinação em campo. Estamos no Jamor, para vingar o desastre do ano passado e ganhar. 

Para além disso entre Chaves e Alvalade esclareceram-se algumas questões sobre o futuro próximo do futebol do Sporting:

1. Keizer. Com estas duas vitórias Keizer assegurou o seu lugar para a próxima época. Insistindo sempre nos mesmos, com uma ou outra nuance de posicionamento e de modelo estratégico de jogo, conseguiu encontrar uma formula consistente para conseguir resultados. Nani e Montero sairam, Bas Dost encostou às boxes, e mesmo assim os resultados apareceram. Ontem e ao contrário de Chaves vimos os centrais descansados de sair a jogar, com Renan a colocar a bola na frente com critério e o PH9 a fazer de poste ao melhor estilo de Bas Dost. Vimos B.Fernandes a vagabundear confundindo marcações e Wendell a acelerar pelo centro do campo. Vimos Raphinha a fazer diagonais que desestabilizavam a equipa adversária (embora continuando a desperdiçar conclusões por jogar de pé trocado). Tudo coisas com dedo do treinador.

2. Formação. Mais uma vez não houve jovens da Academia em campo, Geraldes e Jovane no banco, M.Luis na bancada. Teriamos ganho com eles ? Não faço ideia. É mesmo teimosia do Keizer, ou falta algo no seu desempenho nos treinos ? Ou é apenas questão de estamos no final da época, sem a pressão competitiva doutras alturas da época, sendo mais fácil ter os titulares em boas condições para o jogo seguinte ? E para a próxima época como será ?

3. Plantel. Mal ou bem, ganhou ao Benfica uma equipa de retornados e adquiridos post assalto a Alcochete (apenas vinham de trás e passaram pelo assalto sem questões contratuais conhecidas Coates, Mathieu e Wendell):

Bruno de Carvalho: Bruno Gaspar, Raphinha (ingresso posterior)

Sousa Cintra : Renan, Gudelj, Diaby mais os retornados/mantidos B.Fernandes e Acuna

Varandas : Ilori, Borja, Doumbia e Luiz Phellype

Se calhar devemos alguma coisa a Sousa Cintra ou não ? O que seria desta época do Sporting sem B.Fernandes e Acuna ? Ou sem Renan, um guarda-redes que conseguiu colmatar muito bem a perda do grande Rui Patrício ? Relativamente às aquisições de Inverno é tudo gente sem grandes rasgos nem tiques de vedeta, mas esforçada e útil. Todos eles ainda muito podem melhorar.

Relativamente ao B.Gaspar começou bem com um remate ao lado e depois foi mais uma vez o pior em campo do lado do Sporting, perdendo-se a conta aos lances de progressão pelo seu lado que falhou, e às indecisões entre fechar o lado e encostar aos centrais... até sair. O pior defesa direito do Sporting desde o Quim Berto ? E também o mais caro de sempre ?

Pelo contrário, do lado do Benfica era tudo gente com mais ou menos anos de casa e que já lá estava no ano passado, a excepção era o médio brasileiro que saiu lesionado, e o próprio treinador também.  E mesmo assim conseguimos ganhar, se calhar porque tinhamos do nosso lado o melhor jogador da Liga. Do outro estava um rapazinho talentoso encandeado pelos holofotes da fama.

Concluindo, fazer uma grande equipa demora muito tempo, dar cabo dela é num dia, basta criar um ambiente hostil aos jogadores, arranjar umas dezenas de arruaceiros, invadir o balneário e dar cabo deles fisica e animicamente. Esta equipa precisa de tempo e estabilidade a começar pelo treinador (e só se muda de treinador em caso extremo), de confiança, do apoio de todos, de reforços e de manter os poucos jogadores de classe extra de que dispõe, a começar pelo grande Bruno Fernandes e a acabar no Bas Dost. Pode não ser possível, mas há que fazer tudo para isso.

SL

Sporting Clube de Portugal ou Sporting Clube de Lisboa?

Durante muitos anos foi possível ao Sporting manter o estatuto de Grande Clube Português, mesmo ganhando muito menos no futebol do que os outros dois rivais, e até tivemos um presidente, João Rocha, que apostou no ecletismo para complementar os feitos pontuais do futebol (que por algum motivo fazia gala em logo estragar) e assim manter esse estatuto. 

Com o anterior presidente foi feita uma aposta séria no sentido de o recuperar, investindo forte no futebol e nas modalidades, enfrentando e abrindo guerras com tudo e todos, por último com os próprios sócios e acabou destituído e suspenso, sem ganhar qualquer título relevante no futebol excepto um final de taça e não sem antes de sair ter dinamitado a própria SAD e estrutura profissional do futebol, com rescisões, dívidas, questões reputacionais e judiciais, corrupção das claques e divisionismo na massa adepta e sócios pagantes. 

No dia de hoje, e já com uma nova administração legitimamente eleita nas mais concorridas eleições de sempre, estamos em luta com o Sporting Clube de Braga para o 3º lugar da Liga, feito só possível pela recuperação (mérito de Sousa Cintra) de alguns dos que rescindiram ou que estavam com vontade de rescindir depois do assalto de membros da maior claque à academia do próprio clube. Sem esses, mais Renan e Nani (que entretanto encontrou um belo final de carreira nos States), estariamos a lutar para que lugar?

E, podendo realmente conquistar esse 3º lugar e até chegar ao final da taça, o que se ouve é a necessidade de baixar orçamento, de vender o pouco bom que temos, os tais que estão a segurar a fasquia no campo de jogo, Bruno Fernandes, Bas Dost, Acuña, Coates, Mathieu e até Renan, para ir arranjar tipos com muita atitude e vontade de ganhar, como se isso servisse para alguma coisa sem haver competência para o efeito. Como se com uma mão cheia de amendoins não aparecessem apenas macacos.

Ou seja, enquanto Benfica e Porto lutariam pelos milhões da Champions, e sabemos que existe uma grande pressão para que o clube dos Grandes de Portugal se reduza a dois nomes, ficariamos então nós a lutar com Braga e Guimarães pelos tostões da Liga Europa. Porque o que contaria seria o orgulho, a atitude, as modalidades, a maioria absoluta na SAD, bilhetes à borla, substâncias à farta, ladrar bem alto nas tvs, cantos ordinários e porrada no estádio e fora dele, tudo muito Ultra e Mustaphakiano, e já nos chegaria. O Sporting Clube de Lisboa.

Para mim o essencial é relançar o Sporting Clube de Portugal, na visão dos seus fundadores  e na luta com os seus rivais Benfica e Porto. E para isso é preciso por um lado o saneamento financeiro da SAD que parece estar a ser tratado com um fundo investidor e por outro a associação a parceiros que tragam dimensão e ambição (controlada) que permita atrair e reter talento e obter resultados. No curto prazo, que permita reter B. Fernandes e companhia e juntar-lhes meia dúzia de jogadores à sua dimensão, expurgando o entulho que ainda subsiste no plantel e abrindo vagas para os melhores da formação. Com um treinador à altura da empreitada. E com ética, competência e determinação na Administração do Clube e da SAD.

Esforço, Dedicação, Devoção e Glória.

O que sempre deve ser e devia ter sido o Sporting.

SL

Eu vi um sapo e engoli-o



1. A melhor forma de começar a ganhar é perceber que se está a perder.

O push imenso dos anos Bruno de Carvalho, incluindo a sua associação ao milionário Jota Jota, custou anos preciosos de R&D em Alcochete. Enquanto isso, Vieira vinha dizendo que o XêXál era o futuro e muitos gozavam ou pelos menos não acreditavam (incluindo eu).

2. O que se verifica é que o Benfica mudou o tabuleiro a seu favor e conseguiu (aparentemente) resolver um dos grandes enigmas da bola lusitana que é o da capacidade física do atleta à altura do talento. Os “putos” do Benfica (alguns pelo menos) jogam sempre a 180 km/h, com os nossos a terem entorses, lesões, períodos de passagem pelo banco, cansaços ao fim de dez minutos de jogo, blackouts, apagamentos, empresários e papás muito vocais e etc.

3. Os “putos” do Porto, tirando o Dalot, nem se sabe quem são.

4. Além do talento e das qualidades técnicas e visão de jogo de Félix (que, suponho são um misto de treino e ADN), o que vemos é um mustang que faz piscinas como se estivesse a jogar na praia com amigos. Como sportinguista, é isso que me custa mais, aquela desenvoltura física dos miúdos do Benfica. 

5. Talvez a venda de Renato, de um Seixal mais antigo, faça cada vez mais sentido. Era um jogador que agitava cá dentro, é um jogador que lá fora coiso. Cancelo e Bernardo são só duas razões para os adeptos do Benfica quererem é que Jota Jota coiso. 

6. Apostaria que há sorte no que se passa na formação do Benfica, mas é inegável que quem lá trabalha e quem manda neles (Vieira) estão vários passos à frente de toda a gente.

7. Há uma frase que uso bastante: o trabalhador mais preguiçoso com uma retroescavadora fará sempre mais buracos que o Ronaldo dos operários com uma pá. Vieira demonstrou visão ao dar meios ao staff do Seixal para que estes gerassem craques para a primeira equipa, em vez de conversas de merda sobre "fazer mais com menos".

8. Não tenho nenhuma simpatia pelo Benfica, mas tenho toda a simpatia por líderes que dão meios aos seus liderados para que estes demonstrem o que valem.

9. Vou mais longe. Esta nossa mania portuguesa de sermos bons a improvisar, bons a fazer a pouco, bons a fazer omeletes sem ovos, é uma mania própria de quem tem vistas curtas.

10. Qualquer omelete com ovos é uma melhor omelete que a melhor omelete sem ovos.  


11. Imagino que Varandas esteja a mexer em Alcochete. Vai durar tempo, mas era necessário e Keizer é parte dessa equação.

Quinta-feira em Albufeira e em todo o lado

  1. Lage prossegue na sua fase holandês voador como Keizer quando chegou. No ar condicionado do Golfo, Rui Vitória deve andar a dizer “deixa-os poisar” ao seu intérprete, depois de ter visto o resumo e ter confirmado que o golo de Gabriel é 75% de Renan e o de Ilori é 100% de Ilori, que foi queimado um golo limpo ao Sporting e que enfim, coiso.

  2. Na única vez que perdeu, Lage atirou-se à jugular de um pobre mil eurista do CM TV que lhe perguntou se Jonas ia jogar ou algo parecido. Como acontece sempre que há benfiquismos radicais,  assobiou-se para o ar.

  3. Ganhar é fixe e ontem qualquer das equipas podia ter ganho, incluindo o Benfica.

  4. Nos resumos de hoje, nenhuma menção ao “lance” em que Svilar faz asneira e Bas Dost mete golo. Nem o fleumático Lage reparou, entretido que estava a dizer platitudes. Keizer e a estrutura do Sporting também não repararam. Num futebol como deve ser, assim estaria bem. Num futebol que consegue colocar ALEGADAMENTE, TALVEZ, CONSTA, DIZEM, toupeiras num dos alicerces do Estado de Direito, todas as oportunidades de clamar justiça são poucas.

    5. O Benfica chega a empolgar (não estou a ser irónico), tem alma até Almeida, mas abre vias, alas e espaços que uma equipa com bons jogadores e bem organizada saberá aproveitar. Sei lá... tipo um Braga….

    6. Tanta coisa para falar não ter de falar do nosso Sporting, que anda demasiado amador. Por exemplo, até a minha vizinha do 2A, uma senhora nigeriana que nem sabe falar português e só vê críquete, se lembraria de avisar o Ilori para não entrar à Liga Inglesa, que aqui é Liga controlada e se ganha aos cartões (nota: o amarelo aos 10 segundos de jogo foi justo).

    7. Ou a dona Francisca, quase 70 anos e ainda limpa o prédio, também acha que já devia ter sido contratado alguém para controlar a raiva e frustração de Bruno Fernandes, que está feito um autêntico refilador por tudo e por nada.

    8. E este filme de fim de tarde de ninguém ter avisado o Keizer que o Ristovski estava free to go. Ou algo parecido. Quéstamerda, como vi numa t-shirt na Zambujeira. Se não foi nabice interna, atirem-se à Liga ou à FPF ou até à ASAE ou à Fundação Champalimaud, que são tantas organizações que já me perdi.

    9. Ou alguém arranjar narrativas para explicar porque o pendular Miguel Luís não joga. Inventem o que quiserem, atirem-nos areia para os olhos, se bem que a verdade também está bem.

    10. Esta coisa das Xtruturas são importantes, mas fundamental são mesmo os sócios e os adeptos.

A manta é curta... e quando tapa a cabeça, destapa os pés. (Parte 2)

Em 18/12/2018 dizia eu o seguinte:

 

"Quantidade de qualidade é o que falta ao plantel do Sporting esta época, e que está na raiz dos altos e baixos a que vimos assistindo. Problema esse agravado pelas lesões, se calhar muitas delas derivadas da indigente pré-época que tivemos. Peseiro pagou a factura, Keizer já veio de mansinho deixar o aviso à navegação.

 

Dividindo o plantel em quatro grupos, os "Bons", aqueles que fazem quase sempre a diferença, os craques, os "Suficientes", que justificam plenamente o lugar que ocupam e que fazem a diferença de vez em quando, os "Insuficientes", que por muito esforçados que sejam estão aquém das necessidades, e os "Maus", que estão a fazer número e que nunca se percebeu porque ali foram parar, se por miopia ou comixão, temos o seguinte:

Bons (21%): Acuña, Coates, Mathieu, Nani, Bas Dost, B. Fernandes

Suficientes (36%): Renan, Salin, M.Luís, Jovane, Montero, Raphinha, Gudelj, Diaby, Battaglia, Wendel

Insuficientes (25%): B. Gaspar, Ristkovski, Jefferson, B. César, A. Pinto, Petrovic, Mané

Maus (18%): Viviano, Marcelo, Lumor, Misic, Castaignos

Ora facilmente se constata que pouco mais de metade do plantel reúne condições para ajudar o Sporting a conquistar títulos, todo o restante muito precisa de melhorar ou então ser substituído.

 

Por outro lado, e quanto à origem temos o seguinte:

Da formação:  4

Portugueses contratados: 3

Europeus: 9

Africanos: 2

Sul-americanos: 10

Ou seja, o plantel é dominado por uma verdadeira legião estrangeira (75%), sendo a parcela da formação diminuta. Também aqui o desequilíbrio é gritante.

 

Sendo assim, parece realmente que as expectativas criadas na cabeça de alguns pelos últimos resultados são exageradas, o próprio modelo de jogo desgasta e cria condições para lesões e baixas de forma, e o plantel tem de levar uma volta importante em Janeiro para que possa corresponder às necessidades do Sporting.

Alguns pontos que acho essenciais para essa volta:

1. Despachar pelo menos meia dúzia de estrangeiros que nada acrescentam.  

2. Aumentar a quota dos craques, indo buscar dois ou três jogadores de eleição, altos e pesados, que levezinhos já temos muitos, um defesa direito tipo Mathieu, um trinco tipo William/Danilo e um ponta de lança móvel tipo Slimani.

3. Aumentar a quota da formação, do ADN do Sporting, fazendo regressar jogadores como Adrien e/ou F.Geraldes e/ou Matheus e promovendo jogadores como B.Paz e/ou Thierry.

4. Aumentar a quota dos portugueses contratados, contratando um ou outro rapaz com talento e raça que se tenha destacado nas selecções, como Eustáquio.

 

Até lá temos que ter alguma calma, acho eu, e sempre e em todas as situações, apoiar a equipa e deixar o assobio em casa.

SL "

 

Este post, em que sublinhei algumas frases, foi amplamente debatido no blog, várias pessoas criticaram a classificação, uns pelas designações utilizadas, outros entendendo que tinha sido injusto com um ou outro, A.Pinto à cabeça.

 

Passados quase 2 meses, muitos jogos incluindo Porto, Braga e Benfica (2), uma Taça da Liga ganha (convém não esquecer, por pouco importante que seja a competição) que dizer da classificação e da reestruturação do plantel efectuada ?

 

1. Os Bons (6) continuam bons e continuam lá, mas Mathieu e Nani andam presos por arames e Acuna estará de saida.

2. Os Suficientes (10) continuam suficientes e continuam lá, pese as lesões, uma ou outra exibição menos conseguida ou estarem a jogar claramente fora do seu lugar (Gudelj).

3. Dos Insuficientes (7), 2 sairam e os outros se calhar deviam ter saído também, muitos directamente associados aos golos sofridos e às derrotas do clube. B.Gaspar e A.Pinto no topo. 

4. Os Maus (5)  sairam todos, um para os sub-23.

 

Quanto aos pontos que elencava para a volta necessária no plantel:

 

1. Despachar pelo menos meia dúzia de estrangeiros que nada acrescentam. Foram despachados exactamente 6, 1 para os sub-23.

2. Aumentar a quota dos craques, indo buscar dois ou três jogadores de eleição, altos e pesados, que levezinhos já temos muitos, um defesa direito tipo Mathieu, um trinco tipo William/Danilo e um ponta de lança móvel tipo Slimani. Nada de nada e estamos na iminência de perder Acuña.

3. Aumentar a quota da formação, do ADN do Sporting, fazendo regressar jogadores como Adrien e/ou F.Geraldes e/ou Matheus e promovendo jogadores como B.Paz e/ou Thierry. Vieram Ilori e Geraldes, mas M.Luis deixou de jogar.

4. Aumentar a quota dos portugueses contratados, contratando um ou outro rapaz com talento e raça que se tenha destacado nas selecções, como Eustáquio. Nada de nada.

 

E vieram Doumbia, Luiz Phellipe, Borja e Plata, se calhar para a classe dos Suficientes, ainda é muito cedo para dizer alguma coisa.

 

Resumindo e concluindo, saindo Acuña a manta corre o risco ficar ainda mais curta e vai ser difícil escapar ao 4º lugar na Liga, eliminação na Taça e eliminação numa das eliminatórias seguintes da Liga Europa. E Keizer corre o risco de ter uma passagem "à Vercauteren" pelo Sporting Clube de Portugal. Obviamente espero que esteja redondamente enganado.

 

Não estou com isto a desancar Varandas e as contratações de inverno, parte do trabalho ficou feito. Como dizia o Luís Duque "tragam-me o livro de cheques e a vassoura e eu resolvo o problema", e o livro de cheques ficou perdido algures no assalto terrorista de Alcochete e na actuação alucinada do destituido até ao último dia em que se manteve entricheirado em Alvalade. 

 

SL

Reforços ou nem tanto

Já toda a gente mais ou menos percebeu o que fomos dizendo por aqui, que a "manta é curta", o plantel é pobre para os objectivos do clube, a começar pelo 2º lugar na Liga que pode conduzir aos milhões da Champions.

Mas se a manta é curta, o cofre aparentemente ainda está mais curto e não há dinheiro para médias ou grandes aventuras enquanto não existirem encaixes com vendas ou com os processos das rescisões. 

Para já libertou-se algum do entulho do plantel, apostas falhadas e fins de ciclo, e que só dificultava treinos e integração dos sub-23, Viviano, Marcelo, Misic, Lumor, Bruno César (com Castaignos na calha), ajustaram-se alguns empréstimos, Ryan Gauld, Bragança, Elves Baldé, A.Ruiz, e veio alguma gente nova que pode ajudar, nem que seja como suplentes: Geraldes, Doumbia e Luiz Phellype. Mas ninguém para chegar e pegar de estaca na equipa titular. Equipa titular essa baseada em apenas seis jogadores sobreutilizados de classe extra, um dos quais pode ainda sair agora em Janeiro.

Se para o imediato a coisa está escura, para o médio prazo também não está melhor,  um ou outro jovem de valor vai saindo ou por descuido ou desleixo das administrações anteriores, como Tiago Djaló e Demiral, ou simplesmente por estar farto de esperar oportunidades que não surgem. Talvez um ou outro emprestado nos surpreenda, por exemplo Mamé Baldé, e possa ser um bom reforço para o próximo ano.

Resumindo: passado o estado de graça de Keizer, no fundo foi o efeito da chamada chicotada psicológica, que costuma ser elevado no imediato mas decai rapidamente, está a faltar qualquer coisa para que consigamos ganhar qualquer coisa que se veja esta época, correndo até o risco de sermos ultrapassados por um não-grande, libertado prematuramente das competições europeias, como é o Braga.

Obviamente pôr em causa o terceiro treinador da época não é a solução.

SL

Pós-Tondela

Little Nemo.jpg

 

Tocou o despertador e caí da cama, coisas de Tondela. Sei que passo do 80 para o 8 (vá lá, do 40 para o 8, que também não estava assim tão entusiasmado). Há tempos aqui mesmo anunciei que ia comer (e comi) o meu gorro para me penitenciar da desconfiança que tivera quanto a este projecto-Varandas. Pois gostei da abordagem de Keizer, futebol de ataque, golos, descompressão dos jogadores - e tão necessária era, depois do stress provocado pela tacticose de Jesus e do tétrico 2018 - e, talvez acima de tudo, da confiança nos miúdos, nos ex-júniores como gosto de continuar a dizer.

Agora acordei do sonho. Algumas fragilidades, como o jogo do Nacional, onde me foi óbvio que "o meio-campo do Sporting parece os júniores do Alfeizerão, saboroso será mas é puro pão-de-ló.", e a derrota em Guimarães, mas ali sabe-se que é sempre difícil passar, tinham-me despertado, mas em registo de sonâmbula visita à casa-de-banho, quais pressões da próstata envelhecida de que (por enquanto) ouço falar. Mas agora não, caí mesmo da cama. Fim do sono, fim do sonho. Duche, e "bom dia", um café. E um bagacito, ali na tasca da esquina, pretexto para trocar umas palavritas em português.

Para dizer o quê, aos patrícios ali ao balcão? O que repeti antes: que neste campeonato os velhos "lobos do campo", sabidos e rijos, como Vidigal ou Castro por exemplo, trituram o futebol "romântico" de Keizer. Portugal tem, porventura, a melhor escola de treinadores do mundo. Ou, pelo menos, ombreia com a italiana. E se nunca fomos terra de futebol aberto muito menos o somos agora, no predomínio da táctica, no seguir dos grandes mestres desta geração, como Mourinho, Fernando Santos, Jorge Jesus, bem seguidos pelos actuais expoentes, Fonseca, Jardim, Pereira, e mais alguns, todos já muito galardoados. 

Aqui no blog muitos percebem bem mais de futebol do que eu, e bem melhor escrevem. E vão aos jogos, o que lhes dá uma muito melhor percepção do que a mera tele-visão permite. Por isso pouco posso adiantar que outros não digam, e bem mais ajuizadamente: o guarda-redes é elástico mas não é um grande guarda-redes (e não é grande); os laterais-direitos são fracos (um vindo no mercado de Inverno, do qual é sempre de desconfiar, o outro das contratações de última hora de BdC, para mostrar trabalho). Coates é um Polga, minha tese lacrimejante, ainda que haja (até aqui) quem muito dele goste. Jefferson é melhor do que o que o pintam mas desgosta-se no Sporting. Acuña é deficiente intelectual - já agora, e sem alijar a perfídia da ralé claqueira e as responsabilidades advindas da degenerência catastrófica de Bdc, conviria lembrar que a desgraça de Alcochete foi provocada por este jogador. Veja-se que Ribéry insultou na sua página pessoal os que o criticaram por comer um bife pelo preço de mil euros e o Bayern foi implacável. Acuña mandou os gajos das claques para as putas que os pariram e o clube aceitou. Isto mostra a dimensão do profissionalismo de um clube. Enfim, e por aí adiante, poderia continuar a resmungar sobre os jogadores, uns melhores, outros piores. Mas a questão não é essa, o plantel é o que é, constituído da difícil forma como o foi. Mas dá para ver uma coisa: a defesa é fraca. E talvez por isso um tal de Peseiro tenha trancado o dizimado meio-campo, para desespero dos intelectuais da bola. Deixando a equipa relativamente perto da liderança do campeonato, ainda assim.

O problema é o treinador. Se dúvidas houvesse sobre isso (e eu tinha-as, em formato de esperança) ontem dissiparam-se. Maus jogos sempre acontecem, derrotas inesperadas em campos de equipas menos sonantes também. Por exemplo, o tal de Peseiro perdeu em Portimão, uma coisa inadmissível (como o sabe Rui Vitória). Por causa da táctica, ineficaz, disseram (até aqui). Ora o Sporting ontem jogou meio jogo contra 10. Ainda assim a perder o meio-campo. Nos últimos vinte minutos a jogar em "chuveirinho", coisa que eu não via há anos. Onde é que ainda há "chuveirinho"? Em Inglaterra nem na II Divisão. Talvez na Escócia, talvez na Escócia, nas Irlandas. E em Tondela, onde se joga em chuveirinho para o jogo de cabeça e o porte físico de Diaby e Montero. Pungente. Não o mau jogo, que acontece (já vos disse que Peseiro perdeu em Portimonense? Uma coisa inadmissível ...). Mas a inexistência de programas de jogo ("planos"). 

Para a semana muito provavelmente o Porto ganhará em Alvalade. Não é uma equipa excepcional. Mas está consistente e eficaz. Se isso acontecer e o Moreirense ganhar o Sporting acabará a primeira volta a 3 pontos do quinto lugar. E com o Guimarães de Luís Castro, um muito bom treinador, logo a seguir. Depois?, com os jogadores menos crentes neste novo modelo, com os adeptos mais nervosos e menos presentes, com a imprensa mais caústica? Moreirense (o tal neo-rival) em casa, Vitória de Setúbal (de Lito Vidigal, um dos "velhos lobos dos campos") fora, Benfica (com Lage já em cruzeiro ou com o tal grande treinador que o vieirismo estrebuchante promete) em casa, Feirense fora (outro daqueles jogos rasgadinhos, quais Tondelas), Braga em casa, um Braga em que o Abel Ferreira não virá com sorrisos, por amarelos que sejam. 

E nisso julgo saber que actualmente o quinto lugar não dará acesso automático às competições europeias - depende da final da Taça. E este descalabro bem possível, que não está no horizonte porque está muito mais perto, levanta essa questão. Pois de derrota destas em derrota destas é bem possível que isso venha a acontecer. E no estado financeiro e moral em que o clube está não se apurar a equipa para as competições europeias, ainda por cima no âmbito de um projecto excêntrico, por mais bonito e esperançoso que seja, do presidente, isso terá efeitos. Pesadíssimos. Por outras palavras? Eleições.

Em suma: Keizer canta bem, declama bem, é galã, dança bem. Mas isto é um filme de acção, porra. Mudem já, pois daqui a uns breves meses será já tarde demais.

A manta é curta... e quando tapa a cabeça, destapa os pés.

Quantidade de qualidade é o que falta ao plantel do Sporting esta época, e que está na raiz dos altos e baixos a que vimos assistindo. Problema esse agravado pelas lesões, se calhar muitas delas derivadas da indigente pré-época que tivemos. Peseiro pagou a factura, Keizer já veio de mansinho deixar o aviso à navegação.

 

Dividindo o plantel em quatro grupos, os "Bons", aqueles que fazem quase sempre a diferença, os craques, os "Suficientes", que justificam plenamente o lugar que ocupam e que fazem a diferença de vez em quando, os "Insuficientes", que por muito esforçados que sejam estão aquém das necessidades, e os "Maus", que estão a fazer número e que nunca se percebeu porque ali foram parar, se por miopia ou comixão, temos o seguinte:

Bons (21%): Acuña, Coates, Mathieu, Nani, Bas Dost, B. Fernandes

Suficientes (36%): Renan, Salin, M.Luís, Jovane, Montero, Raphinha, Gudelj, Diaby, Battaglia, Wendel

Insuficientes (25%): B. Gaspar, Ristkovski, Jefferson, B. César, A. Pinto, Petrovic, Mané

Maus (18%): Viviano, Marcelo, Lumor, Misic, Castaignos

Ora facilmente se constata que pouco mais de metade do plantel reúne condições para ajudar o Sporting a conquistar títulos, todo o restante muito precisa de melhorar ou então ser substituído.

 

Por outro lado, e quanto à origem temos o seguinte:

Da formação:  4

Portugueses contratados: 3

Europeus: 9

Africanos: 2

Sul-americanos: 10

Ou seja, o plantel é dominado por uma verdadeira legião estrangeira (75%), sendo a parcela da formação diminuta. Também aqui o desequilíbrio é gritante.

 

Sendo assim, parece realmente que as expectativas criadas na cabeça de alguns pelos últimos resultados são exageradas, o próprio modelo de jogo desgasta e cria condições para lesões e baixas de forma, e o plantel tem de levar uma volta importante em Janeiro para que possa corresponder às necessidades do Sporting.

Alguns pontos que acho essenciais para essa volta:

1. Despachar pelo menos meia dúzia de estrangeiros que nada acrescentam.

2. Aumentar a quota dos craques, indo buscar dois ou três jogadores de eleição, altos e pesados, que levezinhos já temos muitos, um defesa direito tipo Mathieu, um trinco tipo William/Danilo e um ponta de lança móvel tipo Slimani.

3. Aumentar a quota da formação, do ADN do Sporting, fazendo regressar jogadores como Adrien e/ou F.Geraldes e/ou Matheus e promovendo jogadores como B.Paz e/ou Thierry.

4. Aumentar a quota dos portugueses contratados, contratando um ou outro rapaz com talento e raça que se tenha destacado nas selecções, como Eustáquio.

 

Até lá temos que ter alguma calma, acho eu, e sempre e em todas as situações, apoiar a equipa e deixar o assobio em casa.

SL 

22 coisas que já podemos dizer acerca do Sporting

 

  1. O clube não vai acabar
  2. Mas é quase impossível sermos campeões de futebol no ano que vem
  3. Bruno de Carvalho jogou as fichas todas – e mesmo algumas que não tinha – e já perdeu em toda a linha. A sua entrada na Enciclopédia do Sporting está escrita.
  4. Jorge Gonçalves deixou de o presidente mais pícaro do Sporting
  5. Os jogadores jovens não são “sportinguistas” como os adeptos acreditavam: quatro jogadores que rescindiram passaram a vida toda no clube e a suar a camisola, mas não hesitaram em sair, prejudicando objetivamente o clube
  6. Não obstante, ninguém está em posição de os julgar. Terão feito o que julgavam ser a coisa mais correta
  7. Tudo indica que Pinto da Costa continua a ser o mais sábio e arguto dos homens do futebol
  8. Tudo indica que LFV não nos desiludirá
  9. A “crise” do Sporting gera mais interesse noticioso que o Mundial, a nossa seleção, a cimeira Trump/Kim e demais assuntos da ordem do dia. Talvez Portugal não seja assim de tão brandos costumes. De certeza, que a Educação é o maior fracasso das gerações que fizeram o 25 de abril um problema que, acredito, persiste.
  10. Sportinguismo dos sportinguistas mantém-se, mas a esmagadora maioria está desorientada com a sucessão de acontecimentos e não se vislumbra quem os possa agregar
  11. Se as eleições fossem hoje, Bruno perderia.
  12. Se fossem daqui a um mês, não se pode afirmar com tanta certeza que perdesse.
  13. Onde Bruno de Carvalho mais falhou foi no reforço das fundações do clube e da instituição: os jogadores sentiram-se seguros (ou alguém por eles) para rescindirem, sem temerem, portanto, as consequências.
  14. Este tipo de assimetrias só costuma acontecer por insanidade individual. Quando são em grupo e concertadas, é porque se pressente que um dos lados é frágil o suficiente.
  15. Em rigor, só Deus saberá (e não diz) se foi Bruno quem falhou ou se foram os sportinguistas que tinham uma ideia errada da força e do poder da sua instituição e não o escutaram
  16. De todo o modo, se foi isso, se Bruno tinha razão e ninguém o escutou, falhou porque a mensagem não passou, muito menos aos jogadores
  17. Bruno de Carvalho revelou uma estranhíssima falta de cuidado numa indústria altamente madura: no seu modo com os jogadores (mensagens por SMS, posts no Facebook etc) agiu como se fosse invulnerável e tivesse superpoderes.
  18. O futebol é demasiado profissional, frio e industrial para se comover com um dirigente heterodoxo durante muito tempo (salvo se este for um sheik das Arábias que mete dinheiro do seu próprio bolso)
  19. Alguns adeptos, bastantes mesmo, também pensaram mais com o coração do que com a cabeça
  20. Claramente os adeptos desconheciam a verdadeira Juve Leo. Eu pelo menos desconhecia.
  21. Na última vez, Sporting foi campeão com um plantel reforçado à última hora (com Jardel)
  22. Na penúltima vez, Sporting foi campeão despedindo o treinador antes da décima jornada, e indo buscar um brasileiro já velhote (A Cruz), um brasileiro veloz (C Prates) e um belga caído do céu (MPenza) na reabertura do mercado.

 

Ganda bronze

Interessante o ponto de vista ontem do Pedro Sousa (TVI24), que um clube português não deve jogar em função de um pinheiro (como Dost), se bem que o nosso tenha excelente pés.

A verdade é que Dost (dois terceiros lugares) com os seus golos, tem escondido a paupérrima qualidade do nosso jogo de ataque nestas duas temporadas. Mais do que picardias presidenciais, mais do que casos extra-relvado, isso é que deve ser sublinhado.

Acredito que a nossa época fica marcada pelo fracasso Doumbia. Nunca houve e nunca conseguimos ter Plano B. Miseráveis e dando direito a “justa causa” (ironizo mas não por muito), os nossos resultados contra FCP, SLB e Braga.

O endeusamento de Gelson pelos comentadores também não ajuda o jogador. O nosso extremo é um excelente jogador, mas parece estar a regredir na chamada decisão, no último passe. Devia estar confiante e de cabeça levantada, mas fica a impressão que chega sempre estoirado àquele instante em que deveria ser fatal. Sim, teve 500 assistências e fez imensos golos, mas nota-se que lhe falta (faltou?) killer instict e aquela vaidade que um Neymar exibe ou aquela alegria que Bernardo parece ter sempre. Qual será o motivo? Excesso de responsabilidade? Cansaço físico? Alguma questão emocional?

Ficamos em terceiro e não me parece que devamos discutir o bronze. Desde que vejo bola que nunca vi o Sporting com a sorte que teve esta season e um clube nunca pode ser campeão quando o seu melhor jogador em muitos jogos é o keeper.  

Há mau trabalho técnico? Sim, parece haver. A equipa pode ter feito 8 mil jogos, mas não é para isso que serve? Não é propriamente o mesmo que ir para a guerra ou coser sapatos 12 horas por dia. 

Que fazer?

O Sporting tem inimigos poderosos, tenebrosos e dissimulados. Durante anos (décadas?) o Sporting comportou-se como um clube de cavalheiros, tentando que os jogos se decidissem nas 4 linhas e não em tráficos de influências, jogadas de bastidores, subornos e corrupções. Mas o mundilho do futebol é povoado por Al Capones, que aparentam colarinho branco, fazem-se de beneméritos, mas não hesitam na selvajaria, quando acham caso disso. Bandidos que hoje bebem chá de mindinho esticado, fazem-se todos institucionais e que, estranhamente, são vistos como cívicos aos olhos de gente com mais de dois neurónios.

A crise económica que assolou o país teve um efeito devastador na obscura e cavilosa indústria do futebol, largamente dependente dos direitos televisivos cujas receitas caíram a pique. Como o bolo já não dava para todos e os mandantes não queriam diminuir a fatia que abichavam, a perseguição ao Sporting foi ainda mais contumaz.

O Sporting precisava de alguém que afrontasse o sistema com todas as armas possíveis, sem medo de parecer mal aos condes falidos, aos instalados que se fazem de finos e aos bandidos com ar de respeitáveis. O simulacro de decência desta gentalha indecente é poeira que entra nos olhos dos ingénuos e cortina de fumo para escamotear autênticos crimes.

Bruno de Carvalho arrostou com esta guerra com coragem e valor. A revolução não é um chá das 5, como disse uma vez quem percebia disso.

Mas o guerreiro não se pode desnortear. Tem sempre que saber quem é o inimigo e tem que saber escolher os inimigos. E se está na posição de desafiante contra incumbentes tão possantes quanto malévolos, tem que saber conquistar aliados e não alienar forças e acumular ainda mais inimigos. Sobretudo não pode disparar sobre as suas próprias forças.

Bruno de Carvalho cruzou uma linha que não podia cruzar. Tornou-se prejudicial ao Sporting ao desbaratar os recursos e os apoios que tinha consigo.

Ficámos agora a saber que algo ia muito mal. Uma revolta da Bounty como esta não nasce de um dia para o outro, tem certamente antecendentes que se foram acumulando. 

Estamos, assim, entre um Presidente errático e com sinais de paranóia, e um coro de saudosistas que quer regressar à petulante inércia de outrora. Tem que haver alternativa.

Serenidade

Sim, serenidade. Mais do que nunca, muita serenidade.

Estamos a atravessar um período no nosso clube díficil de defenir e de explicar. Sentimos um misto de revolta interior, ao mesmo tempo que  um conjunto de perguntas nos envolve, sobretudo quando gostamos e sentimos o clube como todos aqueles que dão voz às suas palavras aqui neste blog. Porquê isto nesta altura? Afinal o que levou o emocional a sobrepôr-se ao racional? Que clube é este, que abre as suas fraquezas a todos aqueles que opinam sobre estes assuntos?  Permitam-me nesta altura, levar estas palavras a todos aqueles sportinguistas que gostam verdadeiramente do seu clube, que fazem quilómetros e quilómetros durante uma época para ver e apoiar o seu clube, que transmitem aos seus filhos desde pequenos a mística  e o bom que significa dizer....ser do Sporting é ser diferente, que somos leões e leoas em todos os aspetos da nossa vida. Saibamos trazer a serenidade suficiente para dizer a todos aqueles que pertencem aos Orgãos Sociais do nosso clube, que olhem para os sócios e simpatizantes e pensem neles, pensem no  que lhes estão a fazer com os comportamentos que têm tido, com a falta de lucidez, de ponderação, de subtileza, de bom senso. Não se discutem aqui lideranças, pede-se somente, que olhem para aqueles que estão no dia dos jogos sentados nas mais diversas bancadas...e pensem e digam. - Estes sócios e simpatizantes não merecem isto !!!

Ponto de ordem

Não quero, neste concreto domingo, ver-nos dispersados e fragmentados em inúteis querelas intestinas nem ver levantada mais poeira inútil no bate-boca com outros clubes. E rejeito o empurrão real ou virtual de adeptos para a porta de saída, em inadmissíveis processos de purga interna semelhantes aos das seitas extremistas.
As batalhas travam-se em campo, não fora dele. E contra adversários, não contra companheiros de bancada.
Hoje, no Estoril, quero os três pontos. Simples e só.

{ Blog fundado em 2012. }

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