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És a nossa Fé!

Sporting Clube de Portugal ou Sporting Clube de Lisboa?

Durante muitos anos foi possível ao Sporting manter o estatuto de Grande Clube Português, mesmo ganhando muito menos no futebol do que os outros dois rivais, e até tivemos um presidente, João Rocha, que apostou no ecletismo para complementar os feitos pontuais do futebol (que por algum motivo fazia gala em logo estragar) e assim manter esse estatuto. 

Com o anterior presidente foi feita uma aposta séria no sentido de o recuperar, investindo forte no futebol e nas modalidades, enfrentando e abrindo guerras com tudo e todos, por último com os próprios sócios e acabou destituído e suspenso, sem ganhar qualquer título relevante no futebol excepto um final de taça e não sem antes de sair ter dinamitado a própria SAD e estrutura profissional do futebol, com rescisões, dívidas, questões reputacionais e judiciais, corrupção das claques e divisionismo na massa adepta e sócios pagantes. 

No dia de hoje, e já com uma nova administração legitimamente eleita nas mais concorridas eleições de sempre, estamos em luta com o Sporting Clube de Braga para o 3º lugar da Liga, feito só possível pela recuperação (mérito de Sousa Cintra) de alguns dos que rescindiram ou que estavam com vontade de rescindir depois do assalto de membros da maior claque à academia do próprio clube. Sem esses, mais Renan e Nani (que entretanto encontrou um belo final de carreira nos States), estariamos a lutar para que lugar?

E, podendo realmente conquistar esse 3º lugar e até chegar ao final da taça, o que se ouve é a necessidade de baixar orçamento, de vender o pouco bom que temos, os tais que estão a segurar a fasquia no campo de jogo, Bruno Fernandes, Bas Dost, Acuña, Coates, Mathieu e até Renan, para ir arranjar tipos com muita atitude e vontade de ganhar, como se isso servisse para alguma coisa sem haver competência para o efeito. Como se com uma mão cheia de amendoins não aparecessem apenas macacos.

Ou seja, enquanto Benfica e Porto lutariam pelos milhões da Champions, e sabemos que existe uma grande pressão para que o clube dos Grandes de Portugal se reduza a dois nomes, ficariamos então nós a lutar com Braga e Guimarães pelos tostões da Liga Europa. Porque o que contaria seria o orgulho, a atitude, as modalidades, a maioria absoluta na SAD, bilhetes à borla, substâncias à farta, ladrar bem alto nas tvs, cantos ordinários e porrada no estádio e fora dele, tudo muito Ultra e Mustaphakiano, e já nos chegaria. O Sporting Clube de Lisboa.

Para mim o essencial é relançar o Sporting Clube de Portugal, na visão dos seus fundadores  e na luta com os seus rivais Benfica e Porto. E para isso é preciso por um lado o saneamento financeiro da SAD que parece estar a ser tratado com um fundo investidor e por outro a associação a parceiros que tragam dimensão e ambição (controlada) que permita atrair e reter talento e obter resultados. No curto prazo, que permita reter B. Fernandes e companhia e juntar-lhes meia dúzia de jogadores à sua dimensão, expurgando o entulho que ainda subsiste no plantel e abrindo vagas para os melhores da formação. Com um treinador à altura da empreitada. E com ética, competência e determinação na Administração do Clube e da SAD.

Esforço, Dedicação, Devoção e Glória.

O que sempre deve ser e devia ter sido o Sporting.

SL

Eu vi um sapo e engoli-o



1. A melhor forma de começar a ganhar é perceber que se está a perder.

O push imenso dos anos Bruno de Carvalho, incluindo a sua associação ao milionário Jota Jota, custou anos preciosos de R&D em Alcochete. Enquanto isso, Vieira vinha dizendo que o XêXál era o futuro e muitos gozavam ou pelos menos não acreditavam (incluindo eu).

2. O que se verifica é que o Benfica mudou o tabuleiro a seu favor e conseguiu (aparentemente) resolver um dos grandes enigmas da bola lusitana que é o da capacidade física do atleta à altura do talento. Os “putos” do Benfica (alguns pelo menos) jogam sempre a 180 km/h, com os nossos a terem entorses, lesões, períodos de passagem pelo banco, cansaços ao fim de dez minutos de jogo, blackouts, apagamentos, empresários e papás muito vocais e etc.

3. Os “putos” do Porto, tirando o Dalot, nem se sabe quem são.

4. Além do talento e das qualidades técnicas e visão de jogo de Félix (que, suponho são um misto de treino e ADN), o que vemos é um mustang que faz piscinas como se estivesse a jogar na praia com amigos. Como sportinguista, é isso que me custa mais, aquela desenvoltura física dos miúdos do Benfica. 

5. Talvez a venda de Renato, de um Seixal mais antigo, faça cada vez mais sentido. Era um jogador que agitava cá dentro, é um jogador que lá fora coiso. Cancelo e Bernardo são só duas razões para os adeptos do Benfica quererem é que Jota Jota coiso. 

6. Apostaria que há sorte no que se passa na formação do Benfica, mas é inegável que quem lá trabalha e quem manda neles (Vieira) estão vários passos à frente de toda a gente.

7. Há uma frase que uso bastante: o trabalhador mais preguiçoso com uma retroescavadora fará sempre mais buracos que o Ronaldo dos operários com uma pá. Vieira demonstrou visão ao dar meios ao staff do Seixal para que estes gerassem craques para a primeira equipa, em vez de conversas de merda sobre "fazer mais com menos".

8. Não tenho nenhuma simpatia pelo Benfica, mas tenho toda a simpatia por líderes que dão meios aos seus liderados para que estes demonstrem o que valem.

9. Vou mais longe. Esta nossa mania portuguesa de sermos bons a improvisar, bons a fazer a pouco, bons a fazer omeletes sem ovos, é uma mania própria de quem tem vistas curtas.

10. Qualquer omelete com ovos é uma melhor omelete que a melhor omelete sem ovos.  


11. Imagino que Varandas esteja a mexer em Alcochete. Vai durar tempo, mas era necessário e Keizer é parte dessa equação.

Quinta-feira em Albufeira e em todo o lado

  1. Lage prossegue na sua fase holandês voador como Keizer quando chegou. No ar condicionado do Golfo, Rui Vitória deve andar a dizer “deixa-os poisar” ao seu intérprete, depois de ter visto o resumo e ter confirmado que o golo de Gabriel é 75% de Renan e o de Ilori é 100% de Ilori, que foi queimado um golo limpo ao Sporting e que enfim, coiso.

  2. Na única vez que perdeu, Lage atirou-se à jugular de um pobre mil eurista do CM TV que lhe perguntou se Jonas ia jogar ou algo parecido. Como acontece sempre que há benfiquismos radicais,  assobiou-se para o ar.

  3. Ganhar é fixe e ontem qualquer das equipas podia ter ganho, incluindo o Benfica.

  4. Nos resumos de hoje, nenhuma menção ao “lance” em que Svilar faz asneira e Bas Dost mete golo. Nem o fleumático Lage reparou, entretido que estava a dizer platitudes. Keizer e a estrutura do Sporting também não repararam. Num futebol como deve ser, assim estaria bem. Num futebol que consegue colocar ALEGADAMENTE, TALVEZ, CONSTA, DIZEM, toupeiras num dos alicerces do Estado de Direito, todas as oportunidades de clamar justiça são poucas.

    5. O Benfica chega a empolgar (não estou a ser irónico), tem alma até Almeida, mas abre vias, alas e espaços que uma equipa com bons jogadores e bem organizada saberá aproveitar. Sei lá... tipo um Braga….

    6. Tanta coisa para falar não ter de falar do nosso Sporting, que anda demasiado amador. Por exemplo, até a minha vizinha do 2A, uma senhora nigeriana que nem sabe falar português e só vê críquete, se lembraria de avisar o Ilori para não entrar à Liga Inglesa, que aqui é Liga controlada e se ganha aos cartões (nota: o amarelo aos 10 segundos de jogo foi justo).

    7. Ou a dona Francisca, quase 70 anos e ainda limpa o prédio, também acha que já devia ter sido contratado alguém para controlar a raiva e frustração de Bruno Fernandes, que está feito um autêntico refilador por tudo e por nada.

    8. E este filme de fim de tarde de ninguém ter avisado o Keizer que o Ristovski estava free to go. Ou algo parecido. Quéstamerda, como vi numa t-shirt na Zambujeira. Se não foi nabice interna, atirem-se à Liga ou à FPF ou até à ASAE ou à Fundação Champalimaud, que são tantas organizações que já me perdi.

    9. Ou alguém arranjar narrativas para explicar porque o pendular Miguel Luís não joga. Inventem o que quiserem, atirem-nos areia para os olhos, se bem que a verdade também está bem.

    10. Esta coisa das Xtruturas são importantes, mas fundamental são mesmo os sócios e os adeptos.

A manta é curta... e quando tapa a cabeça, destapa os pés. (Parte 2)

Em 18/12/2018 dizia eu o seguinte:

 

"Quantidade de qualidade é o que falta ao plantel do Sporting esta época, e que está na raiz dos altos e baixos a que vimos assistindo. Problema esse agravado pelas lesões, se calhar muitas delas derivadas da indigente pré-época que tivemos. Peseiro pagou a factura, Keizer já veio de mansinho deixar o aviso à navegação.

 

Dividindo o plantel em quatro grupos, os "Bons", aqueles que fazem quase sempre a diferença, os craques, os "Suficientes", que justificam plenamente o lugar que ocupam e que fazem a diferença de vez em quando, os "Insuficientes", que por muito esforçados que sejam estão aquém das necessidades, e os "Maus", que estão a fazer número e que nunca se percebeu porque ali foram parar, se por miopia ou comixão, temos o seguinte:

Bons (21%): Acuña, Coates, Mathieu, Nani, Bas Dost, B. Fernandes

Suficientes (36%): Renan, Salin, M.Luís, Jovane, Montero, Raphinha, Gudelj, Diaby, Battaglia, Wendel

Insuficientes (25%): B. Gaspar, Ristkovski, Jefferson, B. César, A. Pinto, Petrovic, Mané

Maus (18%): Viviano, Marcelo, Lumor, Misic, Castaignos

Ora facilmente se constata que pouco mais de metade do plantel reúne condições para ajudar o Sporting a conquistar títulos, todo o restante muito precisa de melhorar ou então ser substituído.

 

Por outro lado, e quanto à origem temos o seguinte:

Da formação:  4

Portugueses contratados: 3

Europeus: 9

Africanos: 2

Sul-americanos: 10

Ou seja, o plantel é dominado por uma verdadeira legião estrangeira (75%), sendo a parcela da formação diminuta. Também aqui o desequilíbrio é gritante.

 

Sendo assim, parece realmente que as expectativas criadas na cabeça de alguns pelos últimos resultados são exageradas, o próprio modelo de jogo desgasta e cria condições para lesões e baixas de forma, e o plantel tem de levar uma volta importante em Janeiro para que possa corresponder às necessidades do Sporting.

Alguns pontos que acho essenciais para essa volta:

1. Despachar pelo menos meia dúzia de estrangeiros que nada acrescentam.  

2. Aumentar a quota dos craques, indo buscar dois ou três jogadores de eleição, altos e pesados, que levezinhos já temos muitos, um defesa direito tipo Mathieu, um trinco tipo William/Danilo e um ponta de lança móvel tipo Slimani.

3. Aumentar a quota da formação, do ADN do Sporting, fazendo regressar jogadores como Adrien e/ou F.Geraldes e/ou Matheus e promovendo jogadores como B.Paz e/ou Thierry.

4. Aumentar a quota dos portugueses contratados, contratando um ou outro rapaz com talento e raça que se tenha destacado nas selecções, como Eustáquio.

 

Até lá temos que ter alguma calma, acho eu, e sempre e em todas as situações, apoiar a equipa e deixar o assobio em casa.

SL "

 

Este post, em que sublinhei algumas frases, foi amplamente debatido no blog, várias pessoas criticaram a classificação, uns pelas designações utilizadas, outros entendendo que tinha sido injusto com um ou outro, A.Pinto à cabeça.

 

Passados quase 2 meses, muitos jogos incluindo Porto, Braga e Benfica (2), uma Taça da Liga ganha (convém não esquecer, por pouco importante que seja a competição) que dizer da classificação e da reestruturação do plantel efectuada ?

 

1. Os Bons (6) continuam bons e continuam lá, mas Mathieu e Nani andam presos por arames e Acuna estará de saida.

2. Os Suficientes (10) continuam suficientes e continuam lá, pese as lesões, uma ou outra exibição menos conseguida ou estarem a jogar claramente fora do seu lugar (Gudelj).

3. Dos Insuficientes (7), 2 sairam e os outros se calhar deviam ter saído também, muitos directamente associados aos golos sofridos e às derrotas do clube. B.Gaspar e A.Pinto no topo. 

4. Os Maus (5)  sairam todos, um para os sub-23.

 

Quanto aos pontos que elencava para a volta necessária no plantel:

 

1. Despachar pelo menos meia dúzia de estrangeiros que nada acrescentam. Foram despachados exactamente 6, 1 para os sub-23.

2. Aumentar a quota dos craques, indo buscar dois ou três jogadores de eleição, altos e pesados, que levezinhos já temos muitos, um defesa direito tipo Mathieu, um trinco tipo William/Danilo e um ponta de lança móvel tipo Slimani. Nada de nada e estamos na iminência de perder Acuña.

3. Aumentar a quota da formação, do ADN do Sporting, fazendo regressar jogadores como Adrien e/ou F.Geraldes e/ou Matheus e promovendo jogadores como B.Paz e/ou Thierry. Vieram Ilori e Geraldes, mas M.Luis deixou de jogar.

4. Aumentar a quota dos portugueses contratados, contratando um ou outro rapaz com talento e raça que se tenha destacado nas selecções, como Eustáquio. Nada de nada.

 

E vieram Doumbia, Luiz Phellipe, Borja e Plata, se calhar para a classe dos Suficientes, ainda é muito cedo para dizer alguma coisa.

 

Resumindo e concluindo, saindo Acuña a manta corre o risco ficar ainda mais curta e vai ser difícil escapar ao 4º lugar na Liga, eliminação na Taça e eliminação numa das eliminatórias seguintes da Liga Europa. E Keizer corre o risco de ter uma passagem "à Vercauteren" pelo Sporting Clube de Portugal. Obviamente espero que esteja redondamente enganado.

 

Não estou com isto a desancar Varandas e as contratações de inverno, parte do trabalho ficou feito. Como dizia o Luís Duque "tragam-me o livro de cheques e a vassoura e eu resolvo o problema", e o livro de cheques ficou perdido algures no assalto terrorista de Alcochete e na actuação alucinada do destituido até ao último dia em que se manteve entricheirado em Alvalade. 

 

SL

Reforços ou nem tanto

Já toda a gente mais ou menos percebeu o que fomos dizendo por aqui, que a "manta é curta", o plantel é pobre para os objectivos do clube, a começar pelo 2º lugar na Liga que pode conduzir aos milhões da Champions.

Mas se a manta é curta, o cofre aparentemente ainda está mais curto e não há dinheiro para médias ou grandes aventuras enquanto não existirem encaixes com vendas ou com os processos das rescisões. 

Para já libertou-se algum do entulho do plantel, apostas falhadas e fins de ciclo, e que só dificultava treinos e integração dos sub-23, Viviano, Marcelo, Misic, Lumor, Bruno César (com Castaignos na calha), ajustaram-se alguns empréstimos, Ryan Gauld, Bragança, Elves Baldé, A.Ruiz, e veio alguma gente nova que pode ajudar, nem que seja como suplentes: Geraldes, Doumbia e Luiz Phellype. Mas ninguém para chegar e pegar de estaca na equipa titular. Equipa titular essa baseada em apenas seis jogadores sobreutilizados de classe extra, um dos quais pode ainda sair agora em Janeiro.

Se para o imediato a coisa está escura, para o médio prazo também não está melhor,  um ou outro jovem de valor vai saindo ou por descuido ou desleixo das administrações anteriores, como Tiago Djaló e Demiral, ou simplesmente por estar farto de esperar oportunidades que não surgem. Talvez um ou outro emprestado nos surpreenda, por exemplo Mamé Baldé, e possa ser um bom reforço para o próximo ano.

Resumindo: passado o estado de graça de Keizer, no fundo foi o efeito da chamada chicotada psicológica, que costuma ser elevado no imediato mas decai rapidamente, está a faltar qualquer coisa para que consigamos ganhar qualquer coisa que se veja esta época, correndo até o risco de sermos ultrapassados por um não-grande, libertado prematuramente das competições europeias, como é o Braga.

Obviamente pôr em causa o terceiro treinador da época não é a solução.

SL

Pós-Tondela

Little Nemo.jpg

 

Tocou o despertador e caí da cama, coisas de Tondela. Sei que passo do 80 para o 8 (vá lá, do 40 para o 8, que também não estava assim tão entusiasmado). Há tempos aqui mesmo anunciei que ia comer (e comi) o meu gorro para me penitenciar da desconfiança que tivera quanto a este projecto-Varandas. Pois gostei da abordagem de Keizer, futebol de ataque, golos, descompressão dos jogadores - e tão necessária era, depois do stress provocado pela tacticose de Jesus e do tétrico 2018 - e, talvez acima de tudo, da confiança nos miúdos, nos ex-júniores como gosto de continuar a dizer.

Agora acordei do sonho. Algumas fragilidades, como o jogo do Nacional, onde me foi óbvio que "o meio-campo do Sporting parece os júniores do Alfeizerão, saboroso será mas é puro pão-de-ló.", e a derrota em Guimarães, mas ali sabe-se que é sempre difícil passar, tinham-me despertado, mas em registo de sonâmbula visita à casa-de-banho, quais pressões da próstata envelhecida de que (por enquanto) ouço falar. Mas agora não, caí mesmo da cama. Fim do sono, fim do sonho. Duche, e "bom dia", um café. E um bagacito, ali na tasca da esquina, pretexto para trocar umas palavritas em português.

Para dizer o quê, aos patrícios ali ao balcão? O que repeti antes: que neste campeonato os velhos "lobos do campo", sabidos e rijos, como Vidigal ou Castro por exemplo, trituram o futebol "romântico" de Keizer. Portugal tem, porventura, a melhor escola de treinadores do mundo. Ou, pelo menos, ombreia com a italiana. E se nunca fomos terra de futebol aberto muito menos o somos agora, no predomínio da táctica, no seguir dos grandes mestres desta geração, como Mourinho, Fernando Santos, Jorge Jesus, bem seguidos pelos actuais expoentes, Fonseca, Jardim, Pereira, e mais alguns, todos já muito galardoados. 

Aqui no blog muitos percebem bem mais de futebol do que eu, e bem melhor escrevem. E vão aos jogos, o que lhes dá uma muito melhor percepção do que a mera tele-visão permite. Por isso pouco posso adiantar que outros não digam, e bem mais ajuizadamente: o guarda-redes é elástico mas não é um grande guarda-redes (e não é grande); os laterais-direitos são fracos (um vindo no mercado de Inverno, do qual é sempre de desconfiar, o outro das contratações de última hora de BdC, para mostrar trabalho). Coates é um Polga, minha tese lacrimejante, ainda que haja (até aqui) quem muito dele goste. Jefferson é melhor do que o que o pintam mas desgosta-se no Sporting. Acuña é deficiente intelectual - já agora, e sem alijar a perfídia da ralé claqueira e as responsabilidades advindas da degenerência catastrófica de Bdc, conviria lembrar que a desgraça de Alcochete foi provocada por este jogador. Veja-se que Ribéry insultou na sua página pessoal os que o criticaram por comer um bife pelo preço de mil euros e o Bayern foi implacável. Acuña mandou os gajos das claques para as putas que os pariram e o clube aceitou. Isto mostra a dimensão do profissionalismo de um clube. Enfim, e por aí adiante, poderia continuar a resmungar sobre os jogadores, uns melhores, outros piores. Mas a questão não é essa, o plantel é o que é, constituído da difícil forma como o foi. Mas dá para ver uma coisa: a defesa é fraca. E talvez por isso um tal de Peseiro tenha trancado o dizimado meio-campo, para desespero dos intelectuais da bola. Deixando a equipa relativamente perto da liderança do campeonato, ainda assim.

O problema é o treinador. Se dúvidas houvesse sobre isso (e eu tinha-as, em formato de esperança) ontem dissiparam-se. Maus jogos sempre acontecem, derrotas inesperadas em campos de equipas menos sonantes também. Por exemplo, o tal de Peseiro perdeu em Portimão, uma coisa inadmissível (como o sabe Rui Vitória). Por causa da táctica, ineficaz, disseram (até aqui). Ora o Sporting ontem jogou meio jogo contra 10. Ainda assim a perder o meio-campo. Nos últimos vinte minutos a jogar em "chuveirinho", coisa que eu não via há anos. Onde é que ainda há "chuveirinho"? Em Inglaterra nem na II Divisão. Talvez na Escócia, talvez na Escócia, nas Irlandas. E em Tondela, onde se joga em chuveirinho para o jogo de cabeça e o porte físico de Diaby e Montero. Pungente. Não o mau jogo, que acontece (já vos disse que Peseiro perdeu em Portimonense? Uma coisa inadmissível ...). Mas a inexistência de programas de jogo ("planos"). 

Para a semana muito provavelmente o Porto ganhará em Alvalade. Não é uma equipa excepcional. Mas está consistente e eficaz. Se isso acontecer e o Moreirense ganhar o Sporting acabará a primeira volta a 3 pontos do quinto lugar. E com o Guimarães de Luís Castro, um muito bom treinador, logo a seguir. Depois?, com os jogadores menos crentes neste novo modelo, com os adeptos mais nervosos e menos presentes, com a imprensa mais caústica? Moreirense (o tal neo-rival) em casa, Vitória de Setúbal (de Lito Vidigal, um dos "velhos lobos dos campos") fora, Benfica (com Lage já em cruzeiro ou com o tal grande treinador que o vieirismo estrebuchante promete) em casa, Feirense fora (outro daqueles jogos rasgadinhos, quais Tondelas), Braga em casa, um Braga em que o Abel Ferreira não virá com sorrisos, por amarelos que sejam. 

E nisso julgo saber que actualmente o quinto lugar não dará acesso automático às competições europeias - depende da final da Taça. E este descalabro bem possível, que não está no horizonte porque está muito mais perto, levanta essa questão. Pois de derrota destas em derrota destas é bem possível que isso venha a acontecer. E no estado financeiro e moral em que o clube está não se apurar a equipa para as competições europeias, ainda por cima no âmbito de um projecto excêntrico, por mais bonito e esperançoso que seja, do presidente, isso terá efeitos. Pesadíssimos. Por outras palavras? Eleições.

Em suma: Keizer canta bem, declama bem, é galã, dança bem. Mas isto é um filme de acção, porra. Mudem já, pois daqui a uns breves meses será já tarde demais.

A manta é curta... e quando tapa a cabeça, destapa os pés.

Quantidade de qualidade é o que falta ao plantel do Sporting esta época, e que está na raiz dos altos e baixos a que vimos assistindo. Problema esse agravado pelas lesões, se calhar muitas delas derivadas da indigente pré-época que tivemos. Peseiro pagou a factura, Keizer já veio de mansinho deixar o aviso à navegação.

 

Dividindo o plantel em quatro grupos, os "Bons", aqueles que fazem quase sempre a diferença, os craques, os "Suficientes", que justificam plenamente o lugar que ocupam e que fazem a diferença de vez em quando, os "Insuficientes", que por muito esforçados que sejam estão aquém das necessidades, e os "Maus", que estão a fazer número e que nunca se percebeu porque ali foram parar, se por miopia ou comixão, temos o seguinte:

Bons (21%): Acuña, Coates, Mathieu, Nani, Bas Dost, B. Fernandes

Suficientes (36%): Renan, Salin, M.Luís, Jovane, Montero, Raphinha, Gudelj, Diaby, Battaglia, Wendel

Insuficientes (25%): B. Gaspar, Ristkovski, Jefferson, B. César, A. Pinto, Petrovic, Mané

Maus (18%): Viviano, Marcelo, Lumor, Misic, Castaignos

Ora facilmente se constata que pouco mais de metade do plantel reúne condições para ajudar o Sporting a conquistar títulos, todo o restante muito precisa de melhorar ou então ser substituído.

 

Por outro lado, e quanto à origem temos o seguinte:

Da formação:  4

Portugueses contratados: 3

Europeus: 9

Africanos: 2

Sul-americanos: 10

Ou seja, o plantel é dominado por uma verdadeira legião estrangeira (75%), sendo a parcela da formação diminuta. Também aqui o desequilíbrio é gritante.

 

Sendo assim, parece realmente que as expectativas criadas na cabeça de alguns pelos últimos resultados são exageradas, o próprio modelo de jogo desgasta e cria condições para lesões e baixas de forma, e o plantel tem de levar uma volta importante em Janeiro para que possa corresponder às necessidades do Sporting.

Alguns pontos que acho essenciais para essa volta:

1. Despachar pelo menos meia dúzia de estrangeiros que nada acrescentam.

2. Aumentar a quota dos craques, indo buscar dois ou três jogadores de eleição, altos e pesados, que levezinhos já temos muitos, um defesa direito tipo Mathieu, um trinco tipo William/Danilo e um ponta de lança móvel tipo Slimani.

3. Aumentar a quota da formação, do ADN do Sporting, fazendo regressar jogadores como Adrien e/ou F.Geraldes e/ou Matheus e promovendo jogadores como B.Paz e/ou Thierry.

4. Aumentar a quota dos portugueses contratados, contratando um ou outro rapaz com talento e raça que se tenha destacado nas selecções, como Eustáquio.

 

Até lá temos que ter alguma calma, acho eu, e sempre e em todas as situações, apoiar a equipa e deixar o assobio em casa.

SL 

22 coisas que já podemos dizer acerca do Sporting

 

  1. O clube não vai acabar
  2. Mas é quase impossível sermos campeões de futebol no ano que vem
  3. Bruno de Carvalho jogou as fichas todas – e mesmo algumas que não tinha – e já perdeu em toda a linha. A sua entrada na Enciclopédia do Sporting está escrita.
  4. Jorge Gonçalves deixou de o presidente mais pícaro do Sporting
  5. Os jogadores jovens não são “sportinguistas” como os adeptos acreditavam: quatro jogadores que rescindiram passaram a vida toda no clube e a suar a camisola, mas não hesitaram em sair, prejudicando objetivamente o clube
  6. Não obstante, ninguém está em posição de os julgar. Terão feito o que julgavam ser a coisa mais correta
  7. Tudo indica que Pinto da Costa continua a ser o mais sábio e arguto dos homens do futebol
  8. Tudo indica que LFV não nos desiludirá
  9. A “crise” do Sporting gera mais interesse noticioso que o Mundial, a nossa seleção, a cimeira Trump/Kim e demais assuntos da ordem do dia. Talvez Portugal não seja assim de tão brandos costumes. De certeza, que a Educação é o maior fracasso das gerações que fizeram o 25 de abril um problema que, acredito, persiste.
  10. Sportinguismo dos sportinguistas mantém-se, mas a esmagadora maioria está desorientada com a sucessão de acontecimentos e não se vislumbra quem os possa agregar
  11. Se as eleições fossem hoje, Bruno perderia.
  12. Se fossem daqui a um mês, não se pode afirmar com tanta certeza que perdesse.
  13. Onde Bruno de Carvalho mais falhou foi no reforço das fundações do clube e da instituição: os jogadores sentiram-se seguros (ou alguém por eles) para rescindirem, sem temerem, portanto, as consequências.
  14. Este tipo de assimetrias só costuma acontecer por insanidade individual. Quando são em grupo e concertadas, é porque se pressente que um dos lados é frágil o suficiente.
  15. Em rigor, só Deus saberá (e não diz) se foi Bruno quem falhou ou se foram os sportinguistas que tinham uma ideia errada da força e do poder da sua instituição e não o escutaram
  16. De todo o modo, se foi isso, se Bruno tinha razão e ninguém o escutou, falhou porque a mensagem não passou, muito menos aos jogadores
  17. Bruno de Carvalho revelou uma estranhíssima falta de cuidado numa indústria altamente madura: no seu modo com os jogadores (mensagens por SMS, posts no Facebook etc) agiu como se fosse invulnerável e tivesse superpoderes.
  18. O futebol é demasiado profissional, frio e industrial para se comover com um dirigente heterodoxo durante muito tempo (salvo se este for um sheik das Arábias que mete dinheiro do seu próprio bolso)
  19. Alguns adeptos, bastantes mesmo, também pensaram mais com o coração do que com a cabeça
  20. Claramente os adeptos desconheciam a verdadeira Juve Leo. Eu pelo menos desconhecia.
  21. Na última vez, Sporting foi campeão com um plantel reforçado à última hora (com Jardel)
  22. Na penúltima vez, Sporting foi campeão despedindo o treinador antes da décima jornada, e indo buscar um brasileiro já velhote (A Cruz), um brasileiro veloz (C Prates) e um belga caído do céu (MPenza) na reabertura do mercado.

 

Ganda bronze

Interessante o ponto de vista ontem do Pedro Sousa (TVI24), que um clube português não deve jogar em função de um pinheiro (como Dost), se bem que o nosso tenha excelente pés.

A verdade é que Dost (dois terceiros lugares) com os seus golos, tem escondido a paupérrima qualidade do nosso jogo de ataque nestas duas temporadas. Mais do que picardias presidenciais, mais do que casos extra-relvado, isso é que deve ser sublinhado.

Acredito que a nossa época fica marcada pelo fracasso Doumbia. Nunca houve e nunca conseguimos ter Plano B. Miseráveis e dando direito a “justa causa” (ironizo mas não por muito), os nossos resultados contra FCP, SLB e Braga.

O endeusamento de Gelson pelos comentadores também não ajuda o jogador. O nosso extremo é um excelente jogador, mas parece estar a regredir na chamada decisão, no último passe. Devia estar confiante e de cabeça levantada, mas fica a impressão que chega sempre estoirado àquele instante em que deveria ser fatal. Sim, teve 500 assistências e fez imensos golos, mas nota-se que lhe falta (faltou?) killer instict e aquela vaidade que um Neymar exibe ou aquela alegria que Bernardo parece ter sempre. Qual será o motivo? Excesso de responsabilidade? Cansaço físico? Alguma questão emocional?

Ficamos em terceiro e não me parece que devamos discutir o bronze. Desde que vejo bola que nunca vi o Sporting com a sorte que teve esta season e um clube nunca pode ser campeão quando o seu melhor jogador em muitos jogos é o keeper.  

Há mau trabalho técnico? Sim, parece haver. A equipa pode ter feito 8 mil jogos, mas não é para isso que serve? Não é propriamente o mesmo que ir para a guerra ou coser sapatos 12 horas por dia. 

Que fazer?

O Sporting tem inimigos poderosos, tenebrosos e dissimulados. Durante anos (décadas?) o Sporting comportou-se como um clube de cavalheiros, tentando que os jogos se decidissem nas 4 linhas e não em tráficos de influências, jogadas de bastidores, subornos e corrupções. Mas o mundilho do futebol é povoado por Al Capones, que aparentam colarinho branco, fazem-se de beneméritos, mas não hesitam na selvajaria, quando acham caso disso. Bandidos que hoje bebem chá de mindinho esticado, fazem-se todos institucionais e que, estranhamente, são vistos como cívicos aos olhos de gente com mais de dois neurónios.

A crise económica que assolou o país teve um efeito devastador na obscura e cavilosa indústria do futebol, largamente dependente dos direitos televisivos cujas receitas caíram a pique. Como o bolo já não dava para todos e os mandantes não queriam diminuir a fatia que abichavam, a perseguição ao Sporting foi ainda mais contumaz.

O Sporting precisava de alguém que afrontasse o sistema com todas as armas possíveis, sem medo de parecer mal aos condes falidos, aos instalados que se fazem de finos e aos bandidos com ar de respeitáveis. O simulacro de decência desta gentalha indecente é poeira que entra nos olhos dos ingénuos e cortina de fumo para escamotear autênticos crimes.

Bruno de Carvalho arrostou com esta guerra com coragem e valor. A revolução não é um chá das 5, como disse uma vez quem percebia disso.

Mas o guerreiro não se pode desnortear. Tem sempre que saber quem é o inimigo e tem que saber escolher os inimigos. E se está na posição de desafiante contra incumbentes tão possantes quanto malévolos, tem que saber conquistar aliados e não alienar forças e acumular ainda mais inimigos. Sobretudo não pode disparar sobre as suas próprias forças.

Bruno de Carvalho cruzou uma linha que não podia cruzar. Tornou-se prejudicial ao Sporting ao desbaratar os recursos e os apoios que tinha consigo.

Ficámos agora a saber que algo ia muito mal. Uma revolta da Bounty como esta não nasce de um dia para o outro, tem certamente antecendentes que se foram acumulando. 

Estamos, assim, entre um Presidente errático e com sinais de paranóia, e um coro de saudosistas que quer regressar à petulante inércia de outrora. Tem que haver alternativa.

Serenidade

Sim, serenidade. Mais do que nunca, muita serenidade.

Estamos a atravessar um período no nosso clube díficil de defenir e de explicar. Sentimos um misto de revolta interior, ao mesmo tempo que  um conjunto de perguntas nos envolve, sobretudo quando gostamos e sentimos o clube como todos aqueles que dão voz às suas palavras aqui neste blog. Porquê isto nesta altura? Afinal o que levou o emocional a sobrepôr-se ao racional? Que clube é este, que abre as suas fraquezas a todos aqueles que opinam sobre estes assuntos?  Permitam-me nesta altura, levar estas palavras a todos aqueles sportinguistas que gostam verdadeiramente do seu clube, que fazem quilómetros e quilómetros durante uma época para ver e apoiar o seu clube, que transmitem aos seus filhos desde pequenos a mística  e o bom que significa dizer....ser do Sporting é ser diferente, que somos leões e leoas em todos os aspetos da nossa vida. Saibamos trazer a serenidade suficiente para dizer a todos aqueles que pertencem aos Orgãos Sociais do nosso clube, que olhem para os sócios e simpatizantes e pensem neles, pensem no  que lhes estão a fazer com os comportamentos que têm tido, com a falta de lucidez, de ponderação, de subtileza, de bom senso. Não se discutem aqui lideranças, pede-se somente, que olhem para aqueles que estão no dia dos jogos sentados nas mais diversas bancadas...e pensem e digam. - Estes sócios e simpatizantes não merecem isto !!!

Ponto de ordem

Não quero, neste concreto domingo, ver-nos dispersados e fragmentados em inúteis querelas intestinas nem ver levantada mais poeira inútil no bate-boca com outros clubes. E rejeito o empurrão real ou virtual de adeptos para a porta de saída, em inadmissíveis processos de purga interna semelhantes aos das seitas extremistas.
As batalhas travam-se em campo, não fora dele. E contra adversários, não contra companheiros de bancada.
Hoje, no Estoril, quero os três pontos. Simples e só.

Autoflagelação

O Sporting mantém-se em todas as competições.
Estamos nas meias-finais da Taça de Portugal e da Taça da Liga.
Lideramos provisoriamente o campeonato no início da segunda volta. Dependendo só de nós e com a segunda melhor pontuação de sempre.
Nos últimos cinco jogos disputados em Alvalade, marcámos 19 golos e não sofremos nenhum.


Temos um ponta-de-lança que figurou no pódio dos melhores marcadores europeus na última época e já leva 24 golos marcados nesta temporada.
No domingo, com quatro oportunidades, Dost concretizou três. Aproveitamento: 75%.


Apesar destes dados factuais indiscutíveis, verifico com espanto que na "análise de  jogo" de vários adeptos, no rescaldo do desafio frente ao Aves, as apreciações positivas recaem na equipa visitante e as palavras depreciativas dirigem-se ao Sporting.

Isto apesar de termos vencido por 3-0.

Antes, em Alvalade, tínhamos ganho ao Marítimo (5-0), ao U. Madeira (6-0), ao Portimonense (2-0) e ao Vilaverdense (4-0).

 

Enfim, cada um vê o jogo à sua maneira.

No jogo que eu vi, o Sporting controlou a partida do princípio ao fim, foi paciente quando o Aves estacionou o autocarro, marcou dois belíssimos golos e teve a tal "estrela de campeão" quando viu a única real oportunidade de golo adversário embater na barra.

O jogo que a imprensa desportiva viu não foi diferente.

«O primeiro golo deu tranquilidade, o segundo 'matou' o jogo e o terceiro compôs uma segunda parte de sentido único, ou quase", escreveu António Magalhães no Record. Enquanto Fernando Urbano, no diário A Bola, assinalava que o Sporting "deixou a ideia de que tinha conseguido ganhar sem se cansar muito".


Não houve exibição de gala no domingo.

Mas prefiro sempre amealhar os três pontos: nada mais me interessa. E saudei efusivamente a grande estreia do Rúben Ribeiro com as nossas cores.

Até este reforço leonino, no entanto, mereceu críticas de alguns adeptos. Tivesse ele ido para o FC Porto, que quis contratá-lo, e andavam agora esses mesmos sportinguistas em sessões de autoflagelação entoando loas à "capacidade contratual" de Pinto da Costa...

 

Vá lá alguém entendê-los. Eu não consigo.

Eu quero ser campeão mais do que tu

Há falta de desequilíbrios significativos nos planteis - veremos, veremos - o que se tem visto a separar o FC Porto do Sporting são diferenças milimétricas que, justificam a atual diferença de pontuação no campeonato. Ambas as equipas partilham o raro facto de dependerem estritamente de si para serem campeãs nacionais de futebol masculino ao mesmo tempo que se mantém em todas as frentes possíveis.

O FC Porto tem feito esquecer as fraquezas quantitativas do seu plantel por via de uma vontade de querer ganhar que há muito não se lhe via ou reconhecia. O Sporting, ligeiramente menos histriónico nas demonstrações de querer, tem conseguido potenciar o maior conforto quantitativo e razoável equilíbrio qualitativo entre primeiras e segundas linhas do seu plantel para se manter em todas as competições neste início de 2018.

Ambas as equipas estão bem encaminhadas para ganhar o campeonto ainda que com estratégias diferentes. A do Sporting Clube de Portugal parece-me mais sustentável mas nem assim oferece garantias absolutas de sair vencedora. Afinal de contas, isto é futebol, mesmo sendo um campeonato.

 

O que fazer para melhorar as probabilidades de sucesso no final das contas?

No essencial (o detalhe vê-se mais abaixo), devemos manter o caminho sem grandes agitações e estar especialmente atentos  - como até aqui - à necessidade de manter o foco: no Sporting os jogadores têm que querer ganhar mais o campeonato do que os jogadores do FC Porto.

No Porto tudo é usado para galvanizar as hostes, desde as más arbitragens desfavoráveis, aos vaticínios de patinho feio que ia rebentar a meio da época que tantos fizeram no início do ano futebolístico. E depois há a campanha de denúncia do maior escândalo no futebol nacional desde o último protagonizado pelo próprio FP Porto há alguns anos. Um desígnio em que o Sporting também vai participando de forma razoavelmente competente.

Por cá temos conseguido manter maior serenidade - apenas ligeiramente ensombrada pela pálida imagem que demos na Luz - e temos conseguido ter sucesso onde antes falhávamos mais do que os nossos rivais, muito à conta de um plantel de melhor qualidade do que no passado e de um treinador que tem estado mais certeiro nas suas opções e leituras do que no passado.

 

Janeiro e o plantel

Entretanto, talvez janeiro traga algum reforço efetivo ao plantel numa área onde, de facto, não melhorámos tanto quanto desejável face ao ano anterior: o meio campo. O simpático filho de Bebeto não calou os críticos como sucedeu com Mathieu ou Piccini e tem servido com irrepreensível esforço para descansar outros artistas nas taças da cerveja e quejandas.  Bataglia é um jogador valioso em muitos jogos do nosso campeonato mas a quem falta o extra para nos garantir uma desenvoltura de destreza da transição que tantas vezes nos beneficiaria se aquele passe adicional se pudesse evitar e se fosse ele a protagonizá-lo. Em suma, veremos daqui a algumas semanas se Wendel é jogador para 2017/2018 ou apenas para 2018/2019, mas não contemos com isso como decisivo. Que seja um bónus, se possível.

Para a linha da frente, falta-nos uma maior eficácia e arrogância dos nossos goleadores, além de Bas Dost. Doumbia cumpriu exemplarmente na champions e na generalidade dos jogos em que tem participado, mas como disse JJ, não encaixa com Dost e é como se não existisse no campeonato. É talvez da zonas mais decisivas e na qual estamos atrás claramente atrás do FC Porto. É por aqui que justifico que não me choca a atual pontuação no campeonato. Como resolver isto?

No ano passado por esta altura fomos resgatar Podence para o plantel e ajudou de facto mas a história era outra. O da época do Sporting e a do jogador. Este ano, dificilmente teremos retornos a meio da época da prata da casa com entrada direta como titular.

 

O que falta do campeonato

O momento das três equipas que estão no topo de compeonato faz-me acreditar que se vão perder mais pontos na segunda volta do que na primeira, o que, teoricamente, favorece quem está a correr atrás do prejuízo e só tem o campeonato por objetivo.

Muito sinceramente, neste preciso momento em que escrevo, a classificação do campeonato parece-me justa. E sendo necessário introduzir algumas melhorias para conseguirmos ser campeões (admitindo que os adversários não fraquejam) com igual franqueza acredito que, apesar do que ainda nos falta, temos pela frente a melhor oportunidade de sermos campeões em muitos, muitos anos, ou seja, desde que fomos campeões pela última vez, provavelmente no longínquo ano de 2015/2016.

Força Sporting!

 

ADENDA: Entretanto, um dos melhores a jogar à bola no nosso campeonato passou a ser jogador do Sporting e este sim, pode perfeitamente disputar desde já a titularidade: Ruben Ribeiro.

Análise dos suplentes

O Sporting alinhou ontem de início com nove dos habituais suplentes. Aproveitaram ou desperdiçaram a oportunidade?

Aqui fica uma análise sucinta de cada um.

 

Aproveitaram

André Pinto. Seguro a defender, eficaz nas dobras e nos cortes. Ainda foi à frente cabecear com perigo nas bolas paradas.

Ristovski. Já tinha causado boa impressão em jogos anteriores. Confirmou isso no desafio de Alvalade frente ao Vilaverdense. Dinâmico e com capacidade de cruzamento na ala direita.

Doumbia. Não é preciso trazer novo ponta-de-lança em Janeiro. Já temos um no banco. Ontem marcou três golos e fez assistência para o quarto.

 

Desperdiçaram

Petrovic. Não justifica estar no plantel leonino. Na primeira parte foi incapaz de conter o contra-ataque adversário. E é pouco vocacionado para a construção ofensiva.

Iuri Medeiros. Muito aquém do que se esperava dele: é uma promessa que tarda em materializar-se. Raros pormenores de boa técnica não fazem um bom jogador.

Alan Ruiz. Péssimo. Não tem atitude competitiva, incapaz de interagir com os colegas, dá sempre a ideia de estar a fazer um frete em campo.

 

Incógnitas

Salin. Pouco solicitado, pareceu atento nos lances em que foi chamado a intervir. Precisa de testes mais exigentes para mostrar o que vale.

Tobias Figueiredo. Ontem foi capitão. E, à frente, até cabeceou à barra. Mas atrapalhou-se aos 44', sem necessidade, num lance que poderia ter gerado penálti. Ou golo.

Bryan Ruiz. Muito longe do fulgor demonstrado na época 2015/16. Procura acertar e tem inegável capacidade técnica. Falta-lhe um suplemento de ânimo.

Complicado mas possível.

Depois do que se passou neste fim de semana, considero o Benfica o principal candidato ao título. Está na corrida a 100%, tem mais soluções, está fora da Europa, vai reforçar-se e tem o revestimento de tetra campeão que lhe dá uma ponderação que aos outros foge. Rui Vitória parece uma espécie de Captain Obvious que caiu no caldeirão da sorte quando era garoto, mas por vezes é mesmo isso que se precisa. Dominou o jogo durante meia hora e depois limitou-se a levar baile. Mas para perder é preciso sofrer golos e isso não aconteceu. Obvious? Pois, Captain Obvious…
O Porto teve azar, também teve azar em ser prejudicado pelo árbitro, mas deve lembrar-se que quando foi campeão anos a fio também era assim para o lado deles. Em caso de dúvida apitavam ou fechavam os olhos em seu favor. Mas Conceição não esteve feliz nas substituições e ainda não conseguiu explicar a Felipe que entrar assim ao homem não é futebol.
O nosso jogo com o Belenenses foi um teste ao meu batimento cardíaco. Não acho que se deva dramatizar, mas Adrien faz mais falta no meio campo do que julgava e Bas Dost precisa de companhia mais sólida (à la Teo “irritante” Gutierrez). Temos grande GR e uma muito boa defesa, mas estamos demasiado dependentes de Gelson e vulneráveis à fragilidade do banco. Entendo, subscrevo e assino por baixo as palavras do nosso presidente. É bater a bola baixa e ver se chegamos ao final em primeiro, nem que seja ganhando meio a zero. Vai ser ser muito muito complicado, mas é possível.

Hoje giro eu - Hora H

Jorge Jesus é o líder da equipa de futebol do Sporting. Um líder é, primeiramente, um gestor de recursos humanos. No Sporting, estes significam um custo anual superior a 60 milhões de euros.

Hesitei em escrever esta peça hoje. Amo o meu Sporting, quero o melhor para o meu clube, acredito que os sócios, adeptos e simpatizantes do Sporting são os melhores do mundo, mas, por um lado, tenho receio da jornada dupla que se inicia amanhã, por outro que as minhas palavras sejam mal interpretadas.

Já disse inúmeras vezes que seria incapaz de escrever com uma agenda secreta - considero isso profundamente desonesto intelectualmente -, que apoiei anonimamente, como tantos, Bruno de Carvalho desde a primeira hora, quando nenhum dos meus amigos estava com ele, e que não conheço nem pessoalmente, nem institucionalmente (nem tinha de conhecer) qualquer membro da direcção/administração do clube/SAD.

Não tenho, por isso, qualquer informação privilegiada pelo que aceito o risco de as minhas reflexões, que convosco partilharei, poderem vir a ser consideradas especulativas. Ainda assim, farei uma interpretação baseada naquilo que resulta de informações que, aqui e ali, vão saindo na imprensa e que são do conhecimento geral.

Depois de uma extraordinária época de 15/16, o que é que correu mal no ano passado e quais os meus receios para esta temporada? 

Antes do fecho do mercado de Agosto, foi noticiado, até pelo próprio, o interesse de Adrien em aceitar o convite do Leicester. Sendo o 1º capitão, julgo que este episódio teve algum impacto na equipa. Mas, o pior estava para vir: no rescaldo da infeliz derrota em Madrid, epíteto que só pode ser atribuido devido à surpreendente e superior exibição conseguida (mérito de Jesus), o treinador, que no decorrer do jogo havia sido expulso, produziu a afirmação de que "com ele na zona técnica, a equipa não teria perdido". 

Um líder deve estabelecer uma linha de comando e deve descentralizar poderes. Assim, na sua ausência e mesmo na sua presença, deve dar "empowerment", em primeiro lugar, aos seus adjuntos. Ao transmitir que com ele não teríamos perdido transmitiu um sinal muito negativo sobre a competência da sua equipa técnica, a sua primeira linha de condução do grupo de trabalho.

A segunda linha de comando é a do balneário. Os capitães e os jogadores com mais protagonismo na equipa são os naturais líderes, os quais tanto podem ser uma grande ajuda para o treinador como constituir-se como uma enorme dor de cabeça. A dado momento e referindo-se a Slimani, o treinador afirmaria que a sua opinião (dele, argelino) valeria "bola", a dele (Jesus) é que seria importante. Estes excessos de Jesus merecem aqui um aparte: ser autoconfiante é ter a convicção de que, com mais ou menos trabalho, com dispêndio de mais ou menos massa cinzenta, eu, perante um problema, vou conseguir encontrar a solução. Outra coisa completamente diferente é ser arrogante, prepotente ou autoritário e tratar assim um dos jogadores mais importantes. É evidente que os jogadores não gostam de ver isso, como certamente não gostarão e, admito, não perceberão porque é que três jogadores titulares da época passada se encontram a treinar à parte. Refiro-me concretamente aos casos de Bryan Ruiz, Schelotto e Zeegelaar.

Quando a imprensa nos diz que todos os capitães de equipa pediram para saír ficamos sem saber se isso obedece a legitimas (desde que respeitem o clube) aspirações de darem mais um passo na carreira (afirmação que a mim me faz confusão estando eles no melhor clube do mundo) ou se existe um ambiente de crispação com Jesus, o que por vezes transparece nos jornais, embora não saibamos se essas noticias não são encomendas dos nossos concorrentes.

De uma maneira ou de outra, aqui, julgo eu, reside o maior problema. Se os restantes jogadores da equipa se apercebem que os colegas com maior autoridade querem saír, quem controla a exigência para com o clube e quem garante a integração dos novos recrutas e o saudável ambiente no balneário?

Jesus esteve quase a ganhar o campeonato. Se o tivesse conseguido seria hoje, provavelmente, um deus em Alvalade e estas situações seriam relativizadas, até porque os jogadores trocariam na sua cabeça o autoritarismo do técnico pela autoridade de lhe reconhecerem mérito e competência no "título"- porque Jesus pode ter poder, que lhe é conferido pela administração, mas autoridade é outra coisa, é quando os que lideramos nos reconhecem e eu não estou certo que isso, neste momento, seja real - mas, como tantas vezes no meu querido Sporting, a sorte foi-nos madrasta e Jesus não soube adaptar-se à má fortuna. mantendo o seu estilo habitual de quero, posso e mando.

Está tudo perdido? Não. Então, o que é que eu penso que deve ser urgentemente feito?

Jesus tem de começar por reestabelecer o elo emocional da equipa. A gestão é feita de erros, não há mal nenhum, nem constitui perda de autoridade, reconhecer algumas más decisões no seio do grupo. Jesus já terá percebido que, sem os jogadores, não vai lá. Bem pode trazer 11 ou 12 todas as épocas que os jogadores passam a palavra, trocam informações, pelo que o sentimento se manterá. Além disso, sempre que Jesus adia o que deve ser feito, apertando os laços do grupo, e pede mais um jogador ganha mais um "inimigo", o jogador que sente que o "newcomer" lhe vai tirar o lugar.

Assim, Jesus deveria terminar de pedinchar mais jogadores e concentrar-se, isso sim, naquilo que tem de melhor: o desenvolvimento unipessoal de cada uma das individualidades do plantel. Só o "upgrade" destes jogadores ajudará o clube a ser sustentável. Sem resolver os problemas atrás descritos, bem pode trazer uma legião de craques que alguns problemas graves continuarão por resolver.

Dirijo-me agora a si, Jesus. Por favor, mude. O Sporting este ano não pode falhar. Tem o plantel mais caro da sua história, mas precisa de formar uma equipa coesa, em que todos sejam vencedores, todos sejam importantes. A ausência do título aumentará para três anos o seu insucesso em Alvalade e para 16 anos a nossa infelicidade. Mais, a nossa (eventual) não presença na fase de grupos da Champions terá como consequência quase inevitável a necessidade de promover receitas extraordinárias, ou seja, a perda das nossas pérolas da formação, independentemente da boa gestão desta direcção/administração que já terá receitas mais substanciais na próxima temporada devido ao acordo (óptimo) conseguido com a NOS.

Jesus, está tudo nas suas mãos. Abrande um pouco a sua soberba (os nossos pontos fracos nunca conseguimos de todo irradicá-los, mas podemos disfarçá-los), toque a reunir, (re)afirme a sua humanidade, restaure a cultura táctica que me mostrou a equipa (de 15/16) que jogou o melhor futebol que me recordo nos 43 anos que tenho de idas ao estádio e faça cumprir o seu sonho, o sonho de seu pai, o meu sonho enquanto pai que quer que os seus filhos vivam um título, o sonho do meu amigo António Miguel que há pelo menos 30 anos me acompanha nestas lides e que comigo chorou "baba e ranho" quando um golo fortuito de Roberto nos eliminou injustamente perante o Barcelona, o sonho de todos NÓS, os melhores adeptos do mundo, o de fazer este clube, mais que um clube, uma grei, uma nação, um clã, finalmente CAMPEÕES. 

Eu vou estar lá!!!

Aos vossos lugares

Acredito que venha a ser um campeonato terrível. Pela primeira vez em muito tempo, diria que os três grandes têm 33,3% de favoritismo. Só que este é o primeiro campeonato com vídeo-árbitro e ao mesmo tempo uma sede imensa por parte de alguns canais de toda a polémica e mais alguma (pelo simples facto de essa polémica ter retorno em audiências).
De uma coisa tenho a certeza, seja quem vença em Maio, os outros não lhe reconhecerão mérito por isto ou por aquilo.
O Benfica parece mais fraco, em especial porque vendeu o extraordinário Ederson. O Porto mais forte, porque o efeito Conceição é visível e pode ter o efeito de voltar a criar aquela alquimia do “à Porto” que lhes valeu em muitos momentos nas décadas passadas. Sobretudo, digo eu, o Porto tem laterais muito fortes, o que num campeonato de jogo de ataque em 90% dos jogos como o português é vital.
No nosso caso, acredito que Podence, se tiver uma pontinhazinha muito pequenina de sorte, se pode transformar na coqueluche. Aquela sua rapidez de execução ainda não é completamente entendida pelos colegas e há muitas bolas tipo passe de olhos fechados que se perdem. Ou então, caro Daniel, esquece isso do último passe e foca-te na baliza. Em paralelo, Gelson precisa de ser libertado do estatuto de estrela da equipa. Tem futebol para tal, mas não me parece ter feitio para isso, o que está a prejudicar a sua decisão no último passe, só camuflada por colinho geral dos adeptos e da imprensa. O nosso gigante Bas Dost é mesmo um holandês, sem estados de alma e vai metendo-a lá dentro. Acuña é reforço e finalmente temos um sul-americano que come a relva e não é obcecado por fintinhas e adornos. Gosto de Bruno Sampdoria, mas acredito renderá ainda mais quando se aperceber da especificidade do futebol lusitano. Doumbia vai meter mais de dez golos e algo me diz que Gelson Dala terá mais minutos do que pensava. Iuri é homem para nos resolver jogos mas para chegar ao patamar em que o deixam em paz para ele fazer as coisas à sua maneira, também precisa de sorte e (talvez) de pedalar mais nos treinos. Para já o seu objectivo número um deve ser não ser emprestado em Dezembro. Espero que Coentrão segure o corredor e que do outro lado se passe a mesma coisa e consigamos evoluir para lá do drama Jefferson/Marvin/Esgaio/Schelotto, tudo rapazes fantásticos, mas sem potência para uma equipa que pretende ser campeã.
É pena William ir embora. Vê-lo a passear classe como central contra a Fiorentina, a jogar com aquele ar enganador de quem está de férias, foi um regalo.  

O ano que vem

 

Na próxima época, Sporting e Porto estarão unidos num objectivo importante: impedir que o Benfica seja penta. A questão é meramente simbólica mas sabemos como essas são sempre as mais importantes. Para o Porto o desafio é maior e mais grave, o que poderá funcionar como motivação na medida em que cada jogo (do campeonato) poderá ser jogado como uma final. No Sporting, acredito, estaremos mais concentrados em ser campeão. 

O vídeo árbitro (VD) será o principal destaque da próxima Liga dê lá por onde der. A polémica vai ser imensa, com os programas das televisões a terem aqui um novo inimigo porque, como se calcula, o VD é bom quando beneficia a nossa equipa e mau quando nos falha.
Acredito que seja sobretudo o Benfica o clube a ser mais condicionado pelo VD. O segredo dos últimos títulos (pelos menos dos últimos dois) está (também) na generosidade arbitral para com a raça de Luisão, Fejsa e Samaris em campo. Agora que sabem que podem ser expulsos por vídeo talvez estes jogadores se resguardem. É também por este motivo que acredito que o Porto deveria vender Maxi e o Sporting Adrien. Da mesma forma que o VD actuará em penalties, gostaria que fosse activado em simulações dos mesmos, embora não sei se isso está previsto. Interessante notar que um treinador como JJ, adepto de futebol atacante, positivo e organizado possa beneficiar do VD e um treinador mais invernoso, resultadista e focado na batalha do meio campo como Rui Vitória possa ser prejudicado. O Porto terá de ter em atenção este “novo” futebol na formação do plantel e na aquisição de novos jogadores.

O futebol é muito diferente e espectacular hoje em dia (quando comparado com quando eu era garoto, há uns 30/35 anos) por dois motivos: a lei do fora de jogo permitir que a jogada seja legal quando o avançado está em linha e os guarda-redes não poder jogar com as mãos se a bola lhe é passada pelo defesa. Acredito que o VD venha a ter impacto similar.

Agarrem-me senão eu saio

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Prometeram-nos o título.

O presidente, num daqueles exageros a que já habituou os adeptos, chegou a convidar os jornalistas a contemplar uma prateleira vazia no museu, garantindo-lhes que aquele era o espaço já reservado para a taça comemorativa da conquista da Liga 2016/17.

 

Prometeram-nos uma equipa de combate.

O plantel foi construído de raiz com as escolhas do treinador, acrescidas de duas ou três "prendas" que o presidente entendeu dar-lhe, na sequência da renovação do contrato ocorrida meses antes como prémio do segundo lugar no campeonato.

 

Prometeram-nos ser fiéis ao lema do fundador, o Visconde de Alvalade: Esforço, Dedicação, Devoção e Glória.

Anunciaram sem rodeios que estava de regresso o Sporting dos grandes feitos e das grandes proezas, com o maior investimento de sempre no futebol leonino e supostos craques aterrados em Lisboa, oriundos das mais diversas proveniências.

 

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Isto ocorreu entre Julho e Setembro.

Escassos meses depois, em Janeiro de 2017, o Sporting já estava arredado de todas as frentes da competição futebolística.

Uma derrota no Porto, mal iniciada a segunda volta, deixou-nos fora da luta pelo título e com a certeza antecipada de que a tal prateleira no museu de Alvalade permaneceria vazia.

 

Chaves atirou-nos para fora da Taça de Portugal, envergonhando a nação leonina.

O Vitória de Setubal empurrou-nos para fora da Taça da Liga, que viria a ser ganha pelo Moreirense.

Nas competições da UEFA, nem à Liga Europa chegámos. Porque nos foi travado o passo pelo poderoso Légia de Varsóvia, colosso do futebol mundial.

Fizemos exibições vergonhosas frente ao Tondela, ao Braga e ao Belenenses em casa. Chegámos a ser humilhados pelo Rio Ave em Vila do Conde.

 

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Balanço: fraco futebol para a fasquia que foi fixada. Digamos, sem limar arestas, que foi uma época perdida.

As contratações - "prendas" incluídas - revelaram-se um monumental fiasco.

Os craques afinal não o eram. Mesmo tendo sido escolhidos a dedo pelo treinador.

Concluiu-se que a equipa foi afinal mal organizada, estando servida por laterais paupérrimos nas duas alas. Laterais que vieram por designação do técnico, a quem o presidente fez questão de satisfazer com uma generosidade inédita na história do clube em geral e desta SAD em particular.

Descontente, apesar disso, o treinador termina a época queixando-se da necessidade de recorrer a "terceiras escolhas".

Esquecendo-se de que só ele foi responsável por tais escolhas.

 

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Num aparente milagre da multiplicação das fontes, começaram de imediato a circular notícias assegurando o súbito interesse do FC Porto - segundo classificado do campeonato - na aquisição do treinador da equipa situada em terceiro.

E não só do Porto: chovem as propostas de trabalho do estrangeiro, com o hipersupermegaempresário supostamente de telefone na mão, garantindo novos paradeiros para o profissional em causa. Da França, da Itália, da Espanha, da Inglaterra, da Turquia: todos o querem.

 

Já vimos esta telenovela.

É a reedição de outras, intituladas "Agarrem-me Senão Eu Saio". Que terminaram sempre com final feliz para o protagonista, contemplado com sucessivos aumentos salariais.

 

Chegou a altura de conceber outro fim para a telenovela. E de lhe atribuir novo nome. Adianto desde já uma sugestão: "Segue o Teu Rumo".

E manda um postal aos que por cá ficam.

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