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És a nossa Fé!

O dia seguinte

Uma das verdades que existem no futebol, aquelas verdades que vem da experiência de muitos anos, e que ninguém com dois dedos de testa se atreve a negar, é que "Chegar lá acima é difícil. Manter-se lá em cima é muito mais difícil ainda". Poucos são aqueles que se atrevem a desafiar esta verdade e a reinvertar-se todos os dias, como o nosso Cristiano Ronaldo.

No final de Novembro já eu antecipava aqui que isto estava cada vez mais difícil. Na altura vários criticaram, ou porque era sinal de desconfiança na equipa ou porque era fazer de inteligente a antecipar futuro fracasso. 

Mas não era nada disso. Estou cada vez mais convencido da capacidade de Rúben Amorim, e da valia da nossa equipa, a questão é que simplesmente não podemos ir de VW Golf a competir com um Porsche (a empresa mãe é a mesma, o meu carro é doutra) numas "24 horas de Le Mans". Até podemos conseguir por um tempo, mas as peças não são as mesmas e vão cedendo e depois...  

O Sporting perdeu ontem dois pontos que claramente não devia ter perdido, mas entrou em campo sem ponta de lança de raiz, apenas com um avançado móvel de 18 anos a fazer que fazia (e no Benfica entraram Núñez e Sfererovic no Benfica e no Porto Marega e Taremi, com Tony Martinez e Evanilson no banco), com Porro, Quaresma, Plata, Pedro Gonçalves, Tiago Tomás sub-23, entraram depois Tabata e Jovane sub-23. Com quantos sub-23 é que entraram Porto e Benfica em campo? No Benfica conto dois, no Porto conto... zero.

É verdade que Pedro Gonçalves e Porro estiveram muito aquém do que tinham feito anteriormente e que lhes tinha permitido ganhar prémios de desempenho. Mas querem o quê? Sol todos os dias?

É verdade que Quaresma, Plata e Tiago Tomás jogaram muito menos do que vão jogar daqui a uns anos. Mas alguém pensaria outra coisa? Alguma vez o Ristovski ou o Bruno Gaspar em muitos jogos fizeram quatro assistências para golo como fez o Plata em dois jogos, um marcado, outro falhado em cima da linha por Sporar, dois falhados no remate?

Isto está cada vez mais difícil porque a equipa do Sporting é cada vez mais analisada e descodificada, e faltam os argumentos extra, que são a qualidade superlativa dum ou doutro. No tempo de Marinho, Yazalde e Dinis, ou de Quaresma, Jardel e João Pinto toda a gente sabia como jogavam, o problema é que faziam o mesmo de sempre e era golo ou perto disso. 

No Sporting de hoje, a equipa constrói desde trás, cria os espaços, circula pacientemente, procura a oportunidade, mas depois e muitas vezes... a referência não existe para colocar a bola, a cabeça paralisa e o passe não surge, ou o passe surge e é mal feito. A equipa contrária preenche bem os espaços críticos. E a posse e circulação de bola torna-se estéril, não resulta em oportunidades reais de golo.

O futebol de Amorim no Braga não era este. Falta o ponta de lança, falta a referência ofensiva, falta a dimensão extra do jogo aéreo (no último jogo tivemos Coates na hora da desgraça, neste até tivemos João Mário a fazer de Jardel ao segundo poste, só que em vez de acertar com a cabeça acertou com o ombro). Não acredito em futebol sem ponta de lança, como não acredito em andebol sem pivot. Quanto a futsal pouco percebo, não me pronuncio.

Além de tudo, e assim o Covid o permita, falta uma pausa para assentar ideias e lançar as bases para uma segunda metade da temporada que vá de encontro ao maior objectivo de todos, a presença na Champions no próximo ano.

A Taça da Liga neste contexto é mesmo para puxar pelos menos utilizados e poupar os mais desgastados, física e psicologicamente. Penso eu de que.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Que plantel para o resto da temporada?

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Com o Sporting destacado na liderança da Liga, tendo decorrido já mais de 1/3 da prova, e o mercado de Inverno prestes a abrir, penso que vale a pena voltar a reflectir sobre o valor do plantel actual de acordo com os objectivos ainda viáveis para esta época. Não para desvalorizar ou desmerecer o brilhante trabalho que estes jogadores e este treinador têm feito, mas para analisar os pontos de melhoria face ao que todos queremos e ansiamos.

E que objectivos são esses? Em primeiro lugar o apuramento directo para a Champions do próximo ano, ou seja, ficar à frente de Porto ou Benfica, e Braga. Depois podem acontecer coisas melhores, uma dobradinha seria óptima. No que respeita a piores, o 3.º lugar deste abre também um caminho (das pedras) para a Champions do próximo ano.

Como sabem, Rúben Amorim instituiu no Sporting um modelo de jogo muito próprio alicerçado num sistema táctico 3-4-3 do qual não abdica, e que no meu entender se baseia na segurança defensiva e na posse paciente, a toda a largura do campo, à procura dos momentos certos de ruptura atacante. Com Amorim não existem planos B e C, são os ajustamentos de posicionamento de pormenor e as alterações de protagonistas que trazem coisas diferentes ao jogo de acordo com o que o mesmo está a pedir. Amorim, como eu, acredita que é fazendo muitas vezes a mesma coisa que a fazemos melhor.

À partida pode dizer-se que esta ideia não é melhor nem pior do que as dos bons treinadores que ultimamente têm passado pelo Sporting, as de Marcel Keizer, Jorge Jesus, Marco Silva ou Leonardo Jardim, mas o que não há dúvida é que está a resultar. Essa ideia patrocinada por Frederico Varandas e Hugo Viana levou a uma selecção criteriosa do melhor que havia internamente, alguns ficaram mesmo pelo caminho, e foram procurados reforços com critério. O Covid atrapalhou a pré-temporada, perdemos o acesso à Liga Europa, mas a equipa reencontrou-se na Liga e os resultados têm sido entusiasmantes.

 

Com o sistema táctico definido, podemos então voltar a avaliar o plantel, notando que existem jogadores que poderão ocupar diferentes posições do 3-4-3.

Vamos então pontuar de 1 a 5 cada posição, sendo 3 o mínimo exigível para o pretendido, um plantel com condições plenas para alcançar os objectivos da época:

 

Guarda-Redes - Max (21 anos, 1,90m), Adán (33, 1,90m), André Paulo (24, 1,88m) - Nota 4 (mantém)

Para esta posição Amorim pretende um híbrido de Damas e Fraguito (ou Rui Patrício e William para os mais novos), o que, convenhamos, é pedir muito. Adán tem sido o titular na posição, veio com a ferrugem de ter estado demasiado tempo a aquecer o banco de grandes clubes espanhóis, mas tem estado globalmente bem, com uma ou outra falha como aquela saída contra o Famalicão, passes que vão parar fora do campo ou aos pés dos adversários, mas esteve a grande nível nestes dois últimos jogos. Max tem estado remetido a uma situação de suplente e de aprendizagem contínua, mas já demonstrou que pode muito bem fazer o lugar, e se calhar mais dia menos dia vai superar Adán. Aparentemente Renan não conta para Amorim, veio o André Paulo que ganha minutos na equipa B. Acho que estamos bem servidos na posição, e Max merece actuar nas competições menores, a começar pela Taça da Liga.

 

Ala Direito - Porro (20 anos, 1,76m), Plata (19, 1,79m) - Nota 4 (era 2,5)

Esta posição é um híbrido de extremo com lateral, o tal "carrillero" argentino. A posição de lateral direito tem sido tradicionalmente o calcanhar de Aquiles do plantel, e só com muita boa vontade e caridade cristã poderíamos considerar Ristovski, Bruno Gaspar, Thierry Correia ou Rosier à altura das necessidades. Ou porque defendem mal ou porque atacam pior. Porro tem vindo a demonstrar coisas dum lateral direito de topo, já é capitão dos sub-23 de Espanha, e candidato à selecção A. Plata está a ser adaptado para ala, e já demonstrou também que pode fazer bem o lugar, nalguns jogos pode até ser uma arma para desequilibrar a partir do banco. Matheus Nunes ou Nuno Mendes podem fazer o lugar em emergência. Estamos bem servidos nesta posição.

 

Defesa Central Direito - Eduardo Quaresma (18, 1,85m), Neto (32, 1,85m) - Nota 2,5 (mantém)

Esta é a posição Mathieu (dextro). O problema é que ele já cá não está, Neto tem muitas dificuldades na construção e Quaresma ainda está muito verde. Pelo que temos aqui um problema. Sério.

 

Defesa Central - Coates (29, 1,96m), Neto (32, 1,85m) e Inácio (18, 1,86m) - Nota 4 (mantém)

Esta é a posição tradicional de defesa central onde "El patron" Coates está como peixe na água. Por outro lado, Neto e Inácio parecem render mais nesta posição central do que nos lados. Pelo que estamos bem servidos.

 

Defesa Central Esquerdo - Inácio (18, 1,86m), Feddal (30, 1,92m)  - Nota 3  (era nota 3)

Feddal tem estado melhor que Neto, e garante uma boa saída de bola pela esquerda e uma protecção das costas de Nuno Mendes. Inácio, tal como Quaresma do outro lado, ainda está muito verde para a posição e Borja parece estar de saída. Pode vir aí Matheus Reis para consolidar a posição. De qualquer forma parece que estamos melhor do que do outro lado.

 

Ala Esquerdo - Nuno Mendes (18, 1,84m), Antunes (33, 1,76m), Nuno Santos (25, 1,76m)  - Nota 4 (era 3)

Falhando aqui ou ali, Nuno Mendes continua a demonstrar valor para ser o titular indiscutível da posição, forte a defender, centra e remata bem a atacar. Antunes continua à procura do ritmo perdido. Quando for preciso pôr a carne toda no assador Nuno Santos faz muito bem a posição. Estamos bem.

 

Médios Centro - Palhinha (25, 1,90m), Matheus Nunes (21, 1,83m), Daniel Bragança (21, 1,69m), João Mário (27, 1,79m) - Nota 4 (era 3)

Palhinha e João Mário têm sido uma dupla eficaz e que se complementa muito bem, um mais na destruição outro na construção. Matheus Nunes e Bragança são alternativas de qualidade, um mais "box-to-box", o outro mais "play maker". Na equipa B existe ainda um Bruno Paz a recuperar o tempo perdido por uma lesão grave. Estamos bem servidos.

 

Interiores Direitos / Esquerdos - Tabata (23, 1,73m), Jovane (22, 1,76m),  Nuno Santos (25, 1,76m), Pedro Gonçalves (22, 1,73m), Tiago Tomás (18, 1,80m) - Nota 4 (Era 3)

Esta é a posição Balakov. Têm sido estes jogadores o abono de família da equipa, uns mais verticais outros a render mais entre-linhas no passe e remate. No conjunto marcaram mais de 2/3 dos golos, têm sido fundamentais para a excelente carreira do Sporting na Liga. Quatro deles vieram/foram promovidos já com Amorim e correspondem à ideia dele de jogo. Obviamente nenhum aguentará estar no topo uma época inteira, existem lesões e ciclos de forma, mas estamos bem servidos nesta posição.

 

Pontas de lança - Sporar (26, 1,86m), Luiz Phellype (27, 1,88m) - Nota 1,5 (era 3)

Aqui continuamos com um problema grave. Sporar é um ponta de lança móvel de qualidade, muito bom no contra-ataque, mas a quem falta instinto de "rato de área", se calhar neste esquema de Amorim será mais um interior que um ponta de lança, e LP29 continua a recuperar de grave lesão. Pedro Mendes está num empréstimo que não está a correr bem, Pedro Marques está muito bem na equipa B. Não existe aquele ponta de lança que a equipa precisa, e se Amorim quer o Paulinho entende-se o tipo de lança que ele pretende. 

 

Mas, dentro do estilo, o Sporting já teve bem melhor que Paulinho. Um bom ponta de lança, como Slimani ou Bas Dost nos seus melhores tempos, é um verdadeiro "canivete suiço" para uma equipa de futebol. Uma referência ofensiva para guarda-redes, defesas e alas, uma presença na área que arrasta marcações e provoca faltas, um grande marcador de golos com os pés e a cabeça, mais um defesa central nas bolas paradas defensivas, e depois disso tudo aquele que resolve por si o que o conjunto não consegue, levando a equipa ao colo e desmoralizando o adversário. Precisamos de alguém assim, até porque aqueles dois deixaram saudades.

Pode-se ganhar sem ponta de lança? Claro que sim, mas tem de se jogar muito e/ou ter muita sorte...

 

Treinador : Rúben Amorim (35, Nível III) - Nota 4,5 (Era 4)

Disciplinador, inspirador, com uma ideia de jogo bem definida da qual não se afasta faça chuva ou faça sol, com relvado luzidio ou pantanal, um discurso assertivo, sem reservas em apostar nos jovens, lembra-me com as devidas distâncias os melhores treinadores ingleses que tivemos, Malcom Allison ou Bobby Robson. Aém disso, tem uma boa leitura de jogo e geralmente mexe na equipa de forma positiva, como aconteceu agora contra o Braga. E está a construir uma equipa que sofre poucos golos, porque todos reagem bem à perda de bola e também porque em vantagem circula muito e bem a mesma, desgastando o adversário e controlando as suas reacções.

A equipa parece bem fisicamente, os guarda-redes parecem bem entregues a Vital, continua apenas a faltar alguém mais experiente no banco para o proteger de intervenções desnecessárias.

 

Resumindo: Com cerca de 1/3 dos jogos realizados estamos na liderança da Liga, com Benfica e Porto à perna, os dois com plantéis com outra dimensão e um ou outro craque que faz a diferença nos grandes jogos. Conviria muito que finalmente viesse um ponta de lança de qualidade, e também, se possível, um defesa central para actuar do lado direito. No fundo encontrar os sucessores de Bas Dost e Mathieu, porque de Bruno Fernandes, Acuña ou Raphinha já encontrámos.

De onde vem o dinheiro? Não há clube nenhum no mundo que não tenha dívidas, nem nenhum que compre tudo a pronto pagamento (parece que há um clube português de grande passivo a contratar jogadores pagando a meia dúzia de anos), importa é ser sustentável, desportiva e financeiramente, e para isso o acesso aos milhões da Champions é crucial. Sistematicamente fora da Champions, o Sporting está condenado a ser o Braga do sul, e não foi para isso que o Sporting foi criado. Foi para ser "um grande clube, tão grande como os maiores da Europa".

Para isso ajudava muito libertar o plantel e as finanças da SAD dos excedentes, frutos da incompetência duns e doutros ou simplesmente da falta de sorte: Renan, Ristovski, Bruno Gaspar, Rosier, Doumbia, Battaglia, Paulista, Camacho, Ilori, Diaby, Ivanildo e não sei quantos mais. 

SL

O dia seguinte

"O Petit esteve melhor do que eu a preparar o jogo", confessou Rúben Amorim no rescaldo da sofrida vitória de ontem no Jamor. Quem fala a verdade não merece castigo. Não fez como Jorge Jesus depois da derrota na Amoreira há quase três anos.

Mas obviamente que tem atenuantes. Alcochete não dispõe dum batatal ao nível dos relvados do Estádio Nacional onde o B-SAD treina e joga, alguns jogadores essenciais estavam condicionados por cartões ou lesões, e o Sporting não é o Porto que ganha estes jogos a partir dos kgs e cms dos seus jogadores.

O Sporting ontem entrou bem, procurou jogar e marcou primeiro, um bom golo por sinal, a lembrar o segundo do Leicester contra o ManUnited: incursão pela direita, centro rasteiro para trás da linha da defesa, e Tiago Tomás a fazer de Vardy e facturar.

Mas logo começou a sofrer e muito, com um B-SAD muito melhor adaptado ao terreno, a ganhar facilmente os duelos a meio-campo, a explorar a linha de fora de jogo e com Silvestre Varela a destroçar o nosso lado esquerdo, onde Feddal fez muita falta. Gonçalo Inácio, muito marcado pelo estado do terreno, pouco apoiava Nuno Mendes, que se via sucessivamente ultrapassado.

O jogo decidiu-se logo depois no par de penáltis, o do B-SAD muito discutível, o nosso claríssimo, fruto dum pontapé longo que constitui uma das armas letais deste Sporting, que uma equipa concretizou em golo e outra não. Assim, conseguimos transformar uma possível desvantagem numa vantagem. Desconfio que, se ontem se nos apanhássemos em desvantagem no Jamor, a derrota deveria ser o resultado final.

Muito graças a Adán, lá conseguimos chegar ao intervalo em vantagem e gerir o resultado em toda a 2.ª parte, umas vezes melhor, circulando a bola com critério e desgastando o adversário, outras vezes nem por isso.

E assim encerrámos com chave de ouro este ciclo de seis jogos (5V, 1E), entramos no novo ano na liderança da Liga, e vem aí, até à Taça da Liga, outro ciclo bem mais exigente mas não transcendente, com dois jogos por semana, Braga (C), Nacional (F), Marítimo (F/TP) e Rio Ave(V). Se tudo correr bem, no final deste ciclo manteremos a liderança e teremos o Braga a descolar do pelotão da frente e remetido à luta pelo 4.º lugar.

Mas para isso há que recuperar o desgaste dum ou doutro, a começar por Pedro Gonçalves e Nuno Mendes, e voltar ao ritmo de há um mês. E finalmente vir o tal ponta de lança que possa ajudar a fazer a diferença.

Toda a confiança em Amorim e na magnífica equipa que está a construir.

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

O inverno do nosso contentamento

Socorro-me de John Steinbeck e do seu livro “O inverno do nosso descontentamento” para dar título a este post, mas com inversão da palavra final que carateriza um estado. Este é, para os Sportinguistas, sim e para já o inverno do nosso contentamento. E com bónus que dá direito a Natal verde!

No futebol, a liderança isolada, conforme quadro abaixo com comparação com 19/20. A equipa B tem tido bom desempenho, estando em 2.º lugar na série G do Campeonato de Portugal, a 2 pontos do Club Football Estrela.  Sinal menos para os sub23 que, à semelhança do Benfica, não foram apurados para a fase final. No futebol feminino, a liderança isolada do nacional zona sul (vitória 3-0 sobre Benfica) e também da equipa B na 2.ª divisão zona sul. No bom caminho, o futebol do Sporting. 

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Agora as outras modalidades. O Voleibol emite sinais contraditórios. A equipa masculina tem sido uma desilusão, com grande irregularidade no campeonato e eliminação nos oitavos da taça Challenge (2.º lugar na fase regular com duas derrotas, Benfica e Esmoriz, e na II fase para apuramento de campeão tem dois jogos e duas derrotas com Benfica e Fonte Bastardo). O desinvestimento é notório, a par de contratações duvidosas. Já a equipa feminina dá outro alento. Está mais forte e equilibrada em termos de recursos humanos. Temos que recuar no tempo para perceber a evolução que as nossas meninas têm feito. No ano de retorno do voleibol feminino foram campeãs da 3.ª divisão. Subiram e foram campeãs da 2.ª divisão. Na época passada, na estreia no escalão principal, estavam em 5.º lugar quando a prova foi dada por terminada devido à Covid19. Este ano irão, com grande probabilidade, ao play off de apuramento de campeã (a ser disputado entre os 4 primeiros classificados).

O Andebol está praticamente como na época anterior, o que não chega para ganhar campeonatos. Durante os jogos há altos e baixos, falta alguma intensidade defensiva e o problema maior, cometem-se demasiados erros que, nalguns casos, roçam a simplicidade. Os jogadores transmitem uma ideia de que algo está mal na coesão do grupo. Terá a ver com orçamento? Talvez. Mas a este estado não será alheia a troca de treinador pois deixamos de contar com um excelente Thierry Anti. Apesar disso estamos na luta, em 2.º lugar com apenas uma derrota com o líder Porto. Nas provas europeias, depois do desaire da eliminação no apuramento para a Champions, estamos na fase de grupos da European League e creio que com possibilidade de qualificação para os oitavos de final. Neste momento temos duas vitórias e duas derrotas, mas com calendário algo favorável. A ver vamos.

O Hóquei em Patins lidera isolado o campeonato, mas podia estar melhor. Facilitou em jogos com aparente menor grau de dificuldade e empatou com a Juventude de Viana e a Sanjoanense. É outra equipa em que se sente alguma dificuldade no grupo, se nos lembrarmos do rolo compressor que cilindrava em outras épocas. Pode ser explicado com a adaptação de alguns jovens jogadores que regressaram, mas tem qualidade para vencer. A surpresa é a equipa feminina que venceu a zona na 1.ª fase, depois de infligir uma saborosa derrota ao rival SLB na Luz, equipa que já não perdia um jogo há cerca de sete anos. Ainda é cedo para sonhar muito alto mas parece haver determinação e garra nas leoas sobre patins.

Futsal. Primeiro a desilusão do ano, o desinvestimento na equipa feminina que nos relega para um lugar irrelevante a meio da tabela. Quanto à equipa masculina, está a liderar a tabela, apesar de ter consentido um empate em casa com o SLB, num jogo atípico. Esta época será mais do mesmo, com o campeonato a ser discutido com os habituais rivais, em fase final que promete dado o equilíbrio existente entre as duas equipas. Mas, para já, há uma Taça de Portugal para vencer!

Finalmente o Basquetebol. O que o ano passado, no regresso da modalidade, era uma promessa, este ano é já uma certeza. Temos a melhor equipa e o melhor treinador, Luís Magalhães. Quem viu o último jogo com o SLB percebe perfeitamente a afirmação. E uma Taça de Portugal já cá canta, 40 anos depois de termos conhecido esse sabor de vitória. É obra. Há grandes esperanças para o campeonato, tão grandes como para as restantes modalidades e para o futebol, no ano de 2021...

Desejo que todos façamos das fraquezas (orçamentais e pandémicas) forças (#onde vai um vão todos), e 2021 seja um ano de grande afirmação do SPORTING CLUBE DE PORTUGAL!

Esforço, Dedicação, Devoção, Glória!  

Boas Festas

 

O dia seguinte

O Sporting conquistou ontem mais uma vitória e, mesmo com arbitragens tendenciosas, chega ao Natal muito justamente como líder destacado da 1.ª Liga. Há quantos anos isso não acontecia? Aproveitemos.

Mas o jogo de ontem deixou muito a desejar, a equipa de alguma forma regrediu relativamente ao que vinha a mostrar, mesmo com um adversário com a lição bem estudada e um árbitro que foi pactuando com o teatro constante dos jogadores do adversário.

Neste modelo de Amorim os alas estão bem adiantados e a bola tem de entrar rápido no ala oposto, de forma a dar-lhe espaço e tempo para a melhor decisão. Ontem parecia que a bola era "entregue ao domicílio", e quando lá chegava já toda a equipa adversária estava posicionada, dali nada poderia sair. O losango central - João Mário, Pedro Gonçalves, Nuno Santos, Tiago Tomás - é todo ele muito igual, baixinho e levezinho, e não pode mesmo jogar a gasóleo. Tem de acelerar para desequilibrar.

Por outro lado, jogar sem ponta de lança implica que quem vai centrar tenha de decidir no momento para quem e para onde. Ou que nem centre mesmo e jogue para trás.

Pois ontem na 1.ª parte o Sporting atacou mal e defendeu pior, podia muito bem ter saído para o intervalo em desvantagem, felizmente Ryan Gauld (porque não trazê-lo de volta ?) falhou dois golos cantados.

A 2.ª parte já foi bem diferente, o cansaço dos jogadores do Farense abriu espaços, Tabata entrou muito bem, Plata e Sporar também, e o golo foi ficando cada vez mais perto. E surgiu quando o guarda-redes do Farense saiu a murro meio na bola e meio na cara de Feddal, num lance em que também Coates sofreu falta para penálti.

E assegurámos os três pontos jogando bem pior do que jogámos em Famalicão donde saimos só com um. Se calhar é a tal estrelinha de candidato a campeão que começa timidamente a luzir.

Mas isso agora não interessa. Interessa é ganhar o próximo jogo no Jamor contra o B-SAD e chegarmos a 2021 na liderança da Liga. Depois logo se vê.

Boas Festas para todos, muito especialmente para os que como eu são sócios do Sporting Clube de Portugal.

#OndeVaiUmVaiTodos

SL

O Sporting de Rúben Amorim (parte 2)

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Quase dois meses depois do meu primeiro post (10/09/2020), já com o mercado fechado e um arranque de época deveras atribulado, muito marcado pela pandemia, e uma pré-eliminatória que resultou numa derrota humilhante em casa com austríacos que nos custou a Liga Europa e um percurso até agora quase impecável na 1.ª Liga, torna-se interessante rever a minha análise de então e perspectivar o que virá aí.

A primeira observação é que com Rúben Amorim, e dentro dos condicionalismos existentes, o Sporting teve um dos melhores mercados de verão de sempre, conseguindo vender alguns por quase 50 milhões de euros e emprestar outros com pagamento de vencimentos, ao fim e ao cabo um conjunto de jogadores, alguns com vencimentos inflacionados pelo assalto a Alcochete, que duma forma ou de outra tinham chegado ao fim do ciclo em Alvalade, não representando uma clara indispensabilidade.

E assim sairam definitamente Matheus Pereira, Acuña, Wendel, Vietto, Mané, Dala, e quase definitivamente Misic, Battaglia, Diaby e Pedro Mendes. Por cerca de metade desses 50M€, entrou um misto de jogadores, entre os experientes para consolidar o balneário e "educar" os jovens, Adán, Feddal e Antunes, e as apostas sérias na competividade do plantel, Pedro Gonçalves, Nuno Santos, Tabata, Porro e João Mário.

Ficou claramente a faltar o tal ponta de lança, tão farto estou de falar no assunto que não vou insistir. Ficou também a faltar a colocação de alguns excendentes, alguns verdadeiras "mulas" que se recusaram a sair por muito que o Sporting lhes acenasse com empréstimos, mas estão no seu pleno direito. Quem contratou por alguns milhões de euros nulidades como Bruno Gaspar ou Ilori, é que tem a culpa. Quando alguém contrata uma nulidade destas um par de dias antes de ser destituído, então devia pagá-los por inteiro.

 

Em segundo lugar vem a capacidade de liderança de Amorim, a exigência colocada no desempenho e na atitude em campo, o espírito de grupo que se pretende inculcar, que faz com que a equipa lute e acredite, e parta ao encontro do sucesso.

Em terceiro, vem a construção a partir de trás, que enfastia muitos e expõe a equipa a perigos óbvios, algo que vi a cores e ao vivo a Juventus em Turim fazer muito bem, e um Belenenses com o treinador espanhol ainda em Belém e Silas no Jamor a fazer muitíssimo mal e nos dois casos levar uma cabazada. Um destes dias, a fazer zapping de canais, deparei-me com Carlos Carvalhal, o tal que chegou ao Sporting e pôs o Miguel Veloso a extremo direito, agora treinador do Braga, a explicar a forma de jogar do Rio Ave do ano passado, a explicar a desmontagem do sistema de marcações do adversário através da circulação paciente da bola desde trás e a de saber chegar a bola com qualidade a zonas onde a aceleração para golo seria efectuada.

 

Carvalhal e Amorim têm um entendimento similar do jogo e bem diferente dos treinadores mais "clássicos", como os últimos que tivemos: Leonardo Jardim, Marco Silva, Marcel Keizer, e mesmo Jorge Jesus, este com uma ideia muito própria e intransmissível. Enquanto, por exemplo, com Keizer era um 4-3-3 "Kiss" (Keep it simple and stupid) que apenas se fugia do trivial pelos extremos de pé trocado, este sistema de Amorim não é nada fácil e requer inteligência e muito treino dos interpretes. A começar pelos defesas.

Por vezes os erros acontecem, sofrem-se golos e perdem-se pontos. Ainda agora o Rio Ave entregou o jogo ao Benfica a tentar jogar "by the book" Carvalhal. Estando o sistema bem afinado, alternando a construção com a solicitação em profundidade, e a lateralização com o passe em rotura, este 3-4-3 que está a ser trabalhado por Amorim é um sistema moderno com muito para dar ao Sporting.

 

Por último, e em quarto, vem a tão falada rigidez táctica de Amorim. Nestes dois últimos jogos, contra adversários tão diferentes como o Porto em casa e o Santa Clara fora, não falando das condições dos relvados, o Sporting alinhou com o mesmo onze e na mesma disposição táctica, um 3-4-3 com um falso ponta de lança que recua e convida à entrada em velocidade dos dois interiores na grande área, qualquer deles com apetência para atirar ao golo. Nos dois casos marcou primeiro, mas não conseguiu evitar, muito pelos tais erros defensivos evitáveis, a recuperação do adversário, indo para o intervalo a ter que pensar em correr atrás do prejuízo.

Quando as pernas já vão pesando e a equipa começa a engasgar-se, Amorim mexe na equipa de forma eficaz. Sai o defesa central direito e toda a defesa roda à esquerda,  Coates à direita, Feddal ao centro e Nuno Mendes à esquerda. Com isso, a equipa começa desde trás a ter um futebol muito mais directo, com solicitações em profundidade.

Mais à frente, sai o tal falso ponta de lança para vir um verdadeiro, e toda a equipa continua no tal 3-4-3 mas com uma dinâmica bem mais ofensiva. A troca do médio box-to-box por um médio mais organizador, de Matheus Nunes por João Mário, permitiu também ter finais de partida com futebol de qualidade e ocasiões de golo que chegaram para conseguir o empate num caso (Vietto falhou a vitória) e a vitória noutro. Por outro lado, e eu não esperava tanto, Palhinha veio efectivamente trazer uma mais-valia crucial à equipa, dando-lhe o poder de choque e a capacidade de desarme a tempo inteiro que faltavam ao meio-campo. 

 

Agora vou falar daquele que considero o calcanhar de Aquiles deste Sporting de Amorim, muito mais do que a propalada falta de qualidade do trio de defesas (claro que com 20M€ compra-se um melhor defesa central do que com 3M€):

Para mim uma grande equipa não tem de jogar sempre bem, tem é que ganhar quase sempre, mesmo a jogar mal. E para isso acontecer tem de não cometer erros na defesa, e de aproveitar muito bem todas as situações atacantes, em particular os remates de meia-distância, as situações de bola parada, cantos, livres e lançamentos de linha lateral. Para isso precisa de ter movimentos estudados, mas de ter também jogadores com essas características.

Sendo assim, pensando nos golos que se vão sofrendo e nos golos que não se vão marcando, não vejo ainda neste Sporting de Amorim essa grande equipa.

Mas está no bom caminho e, como diz aqui o Pedro Correia, o caminho faz-se... caminhando.

SL

Que plantel vamos ter este ano? (5.ª parte)

Quando terminou o estágio de pré-época do Sporting em Lagos publiquei a minha avaliação do plantel do Sporting, numa óptica de estar em condições de atingir os objectivos, que para o Sporting são e serão sempre os mesmos: ultrapassar os dois rivais nas provas internas, chegar o mais longe possível nas provas europeias e ficar apurado para a  Champions do próximo ano.

Entretanto o Covid atacou o plantel, ficámos eliminados da Liga Europa, estamos na Liga com duas vitórias e um jogo em atraso, e o mercado de verão do futebol mais ou menos fechou.

Nos dois rivais também foram acontecendo coisas, muitas entradas e saídas, e o Benfica acabou por ser relegado para a Liga Europa.

Então que avaliação fazer ao plantel de acordo com o racional atrás exposto e com o modelo táctico 3-4-3 de Rúben Amorim, pontuando de 1 a 5 cada posição, sendo 3 o mínimo exigível para o pretendido (note-se que existe repetição de jogadores, porque já se viu que podem actuar numa ou noutra)? 

 

Qualquer coisa como:

Guarda-Redes - Max (21 anos, 1,90m), Adán (33, 1,90m), Renan (30, 1,93m) - Nota 4 (mantém)

Com o confinamento de Max, Adán agarrou o lugar, tem estado globalmente bem, se calhar melhor do que Max esteve, mas a ideia que tenho é que Max pode ser bem melhor. Renan já demonstrou estar à altura, se for chamado. Pelo que estamos bem servidos na posição.

Ala Direito - Porro (20 anos, 1,76m), Plata (19, 1,79m), Nuno Mendes (18, 1,84m) - Nota 2,5 (era 1,5)

Esta posição tem sido tradicionalmente o calcanhar de Aquiles do plantel, e só com muita boa vontade e caridade cristã poderíamos considerar Ristovski, Bruno Gaspar ou Therry Correia à altura das necessidades. Porro tem sido uma boa surpresa, falhando aqui e ali mas ocupando bem a ala, e Plata já demonstrou que pode fazer bem o lugar, e nalguns jogos até ser uma arma para desequilibrar a partir do banco. Nuno Mendes também pode fazer o lugar. Pelo que já estamos bem mais próximos do necessário.

Defesa Central Direito - Eduardo Quaresma (18, 1,85m), Neto (32, 1,85m) - Nota 2,5 (mantém)

Enquanto Quaresma esteve de quarentena, Neto agarrou o lugar e tem vindo a subir de jogo. para jogo. Ainda acho que tem de melhorar, especialmente na saída de bola pela direita, para estar ao nível das necessidades.

Defesa Central - Coates (29, 1,96m), Neto (32, 1,85m) e Inácio (18, 1,86m) - Nota 4 (mantém)

Coates está como peixe na água na posição: é internacional A do Uruguai e o "presidente da junta". Na sua ausência, quer Neto quer Inácio parecem corresponder, Inácio com a vantagem de fazer lançamentos longos fenomenais.

Defesa Central Esquerdo - Inácio (18, 1,86m) e  Feddal (30, 1,92m) - Nota 2,5  (era nota 3)

Borja parece estar de saída, Feddal teve um mau arranque de temporada, Inácio ainda está muito verde, e esta posição não parece melhor do que a do outro lado.

Ala Esquerdo - Nuno Mendes (18, 1,84m), Antunes (33, 1,76m), Nuno Santos (25, 1,76m) e Gonçalo Costa (20, 1,70m) - Nota 4 (era 3)

Se Nuno Mendes está a demonstrar todo o seu valor, e até com direito a nota artística, as ideias arrumadas e um discurso assertivo, está ali o titular da Selecção A, Antunes anda ainda à procura do ritmo perdido, e quando for preciso pôr a carne toda no assador Nuno Santos faz muito bem a posição. Gonçalo Costa, dos sub-23, foi também inscrito. A saída de Acuña ficou muito bem colmatada.

Médios Centro - Palhinha (25, 1,90m), Matheus Nunes (21, 1,83m), Daniel Bragança (21, 1,69m), João Mário (27, 1,79m), Pedro Gonçalves (22, 1,73m), Rodrigo Fernandes (19, 1,84m) - Nota 3 (era 2,5)

Relativamente à ultima avaliação, saiu Wendel, entraram Palhinha e João Mário, e Matheus Nunes (só não vê quem não quer) está a caminho de ser um enorme e completo n.º 8: tem físico, intensidade, visão de jogo, passe longo e remate de meia distância, vai ser difícil roubar-lhe a titularidade. Mas depois temos Palhinha, que dá uma dimensão física extra ao meio-campo, e os levezinhos são mesmo muito bons de bola. Entre os cinco temos um belo meio-campo e dentro em pouco ninguem se vai lembrar de Wendel. Rodrigo Fernandes não deve ter qualquer hipótese, ainda precisa de crescer muito.

Interiores Direitos / Esquerdos - Vietto (26, 1,73m), Tabata (23, 1,73m), Jovane (22, 1,76m),  Nuno Santos (25, 1,76m), Pedro Gonçalves (22, 1,73m), Tiago Tomás (18, 1,80m), Joelson Fernandes (17, 1,72m) - Nota 3 (mantém)

Parecem muitos jogadores para poucos lugares, mas estas posições são as de maior desgaste, mais sujeitas a lesões e muitas vezes acabam por entrar quatro ou cinco numa partida. Jogadores de características diferentes, uns mais verticais outros a render mais entre-linhas no passe e remate, importa que marquem golos, coisa em que Jovane, Tiago Tomás e Nuno Santos se destacam relativamente aos restantes. Vietto continua a ser um irritante "pé frio". Falta o tal jogador diferente, mais carro de assalto, um "Marega", mas no conjunto, penso que temos a posição satisfatoriamente preenchida. 

Pontas de lança - Sporar (26, 1,86m), Luiz Phellype (27, 1,88m) - Nota 1,5 (era 3)

Aqui é que a porca torce o rabo. Sporar atravessa uma crise existencial e falha golos feitos, LP29 recupera de grave lesão, Pedro Mendes saiu, e continua a faltar um verdadeiro jogador de área, alto e forte, a aproveitar os centros dos alas e interiores e a facturar de cabeça com regularidade. Assim poucos penáltis vamos ter a favor, golos inesperados de cabeça, referência para o passe longo, e ajuda aos defesas nos lances de bola parada. Como quem não tem cão, caça com gato, Rúben Amorim inverteu o tridente ofensivo, pondo o falso ponta-de-lança entre linhas e libertando os dois interiores. Mas isso não vai chegar em muitas ocasiões, muito menos quando tivermos de reverter desvantagens no marcador no final das partidas. E então lá teremos Coates a ponta de lança...

 

Treinador : Rúben Amorim (35, Nível II) - Nota 4,0

Da outra vez não fiz, faço agora. Um pouco como Paulo Bento em seu tempo, um jovem treinador português de grande potencial que corresponde na perfeição ao que o Sporting precisa neste momento em que não tem argumentos financeiros para outros voos, mas antes uma guerra civil no clube descontrolada, com um bando de ressabiados apostados em desestabilizar a equipa. Disciplinador, com uma ideia de jogo bem definida da qual não se afasta faça chuva ou faça sol, um discurso assertivo, sem reservas em apostar nos jovens, lembra-me com as devidas distâncias os melhores treinadores ingleses que tivemos. Precisaria duma equipa técnica com outra experiência, a começar por um preparador físico de topo, como já aconteceu no que respeita ao treinador de guarda-redes. Por outro lado, falta um Manolo Vidal sentado ao lado dele no banco. Mas o essencial está lá e devemos lembrar-nos que Mourinho esteve para vir para o Sporting se não fossem os do costume que pensam que o Sporting são eles. Depois Mourinho fez a carreira que sabemos.

 

Resumindo: com um plantel com jovens de imenso valor, bem orientado, mas sem grandes craques nem um ponta de lança de peso, continuará a ser difícil competir com Benfica e Porto, mas para os restantes é mais que suficiente.

Quanto aos excedentários ainda por Alvalade (Camacho, Bruno Gaspar, Paulista, Ilori, Misic, Ivanildo Fernandes, Lumor e Ristovski) que tiveram obrigatoriamente de ser inscritos no dia de fecho de mercado, não acho que façam falta, e se for possível uma saída boa (no caso de Camacho era mais um empréstimo) para ambas as partes, é aproveitar. Senão, existe a equipa B, onde temos o Estrela da Amadora e o Oriental para ultrapassar na corrida para a 2.ª Liga.

 

Fico a aguardar os vossos comentários.

SL

Uma derrota humilhante

Quaisquer que sejam as razões, e já lá vamos, o Sporting inicia esta época de forma ainda pior do que iniciou a última, de novo vergado a uma derrota humilhante, mas que neste caso afasta a equipa das competições europeias, e dos encaixes financeiros e valorização dos jogadores daí decorrentes.

Tal como na Supertaça do ano passado, foi um jogo com duas partes bem distintas. O Sporting chega ao intervalo com igualdade no marcador, a jogar melhor e a criar mais oportunidades.  O perigo criado pelo Lask resumiu-se a cantos e lançamentos com a mão da lateral que contaram com intervenções desastradas de Nuno Mendes. Já o Sporting, para além do golo, o "pé-frio" Vietto desperdiçou uma ocasião flagrante e Nuno Santos não conseguiu definir duas boas incursões pela esquerda com jogadores soltos na área para encostar. Teve o Sporting nessa primeira parte capacidade para ultrapassar a primeira linha de pressão do Lask, acelerar no meio-campo e colocar em dificuldades a defesa em linha dos austríacos. O golo marcado foi uma bela jogada que envolveu Matheus Nunes, Porro e Nuno Santos, que centrou com precisão para uma bela cabeçada de Tiago Tomás.

Na segunda parte, o Lask entrou de novo a pressionar e a correr, e o Sporting... desconjuntou-se completamente. Os jogadores foram perdendo dinâmica, os duelos a meio-campo eram invariavelmente perdidos, os passes transviados, a equipa tentava sair a jogar, perdia a bola e levava com os contra-ataques do adversário. O individualismo veio ao de cima, e Wendel fazia piscinas até perder a bola num choque qualquer e deixar a equipa descompensada atrás. O segundo golo do Lask surgiu assim, o desarme de risco de Coates que levou ao terceiro também, o quarto a mesma coisa, e o quinto e o sexto não apareceram porque não calhou. Entretanto entrou um Sporar desmoralizado que, desmarcado, passou ao guarda-redes.

E foi assim, o Sporting, tal como o Rio Ave, fora da Liga Europa. Como o Benfica ficou fora da Champions. 

 

Vamos lá então às razões:

1. Além de o Lask estar numa fase mais avançada da época, o Sporting teve uma das piores pré-épocas da sua história, com um surto de Covid que afectou meia equipa, treinador e médico incluidos, e confinou os restantes, ficando dois jogos por disputar e condicionando os treinos. Não deixa de ser estranha esta questão. Vietto e Battaglia vieram de Ibiza contaminados. Algumas semanas depois fica meia equipa. Palhinha anuncia casamento e contamina-se a seguir. Pelos vistos, o médico ainda não está curado. Que se passou exactamente? 

2. Se para Jorge Jesus a prioridade máxima é sempre encontrar um grande ponta-de-lança, daqueles que se sentem como peixes na água na pequena área, para Hugo Viana parece que é mesmo a última, e depois da venda de Bas Dost por um valor irrisório só meia época depois veio Sporar, mesmo assim mais um avançado móvel do que um ponta-de-lança de área, e nesta época veio Pedro Gonçalves, veio Nuno Santos, vem agora Tabata, são 15M€ no total, mas ponta de lança, zero. E ontem nem com Sporar alinhámos no início. A verdade é que um bom e alto ponta de lança é fundamental não apenas ofensivamente mas também defensivamente no que respeita às bolas paradas. E tal como contra o Benfica e o Porto no final da época passada, o Sporting continua a ser castigado com golos nesse tipo de lances.

3. O Sporting não se pode dar ao luxo - e muito menos nesta fase de grande dificuldade que o clube e o futebol atravessam - de contratar muito e mal, de fugir ao princípio de quem vem tem de ser bem melhor do que o que existe dentro de casa, de não ter uma estrutura de scouting que descubra qualidade a baixo preço. O Sporting continua com demasiados jogadores encostados, que ninguem quer, frutos de erros de casting desta Direcção e da anterior. Por outro lado, continuam a sair jogadores que faziam coisas que os que vieram não fazem. Por exemplo, Gelson Dala teve a sua oportunidade e marcou, o Vietto também a teve e não marcou. Se para mim Nuno Santos foi o melhor em campo do lado do Sporting, Porro falhou no segundo golo mas fez um jogo aceitável, Adán idem no terceiro, Pote entrou já  com o jogo perdido mas falhou no quarto, já Feddal, que vinha para fazer esquecer Mathieu, esteve ao nível do Ilori, com sucessivos erros crassos de posicionamento e reacção ao lance. E custou 3M€. Como é possível? E onde está o ponta-de-lança?

4. Amorim é um jovem treinador de grande potencial. O que custou agora pouco importa, o que importa é ter condições para que as suas qualidades venham ao de cima, em termos de vitórias no campo e na valorização de jogadores, e ontem mais uma vez tivemos 6 sub-23 em campo, um miúdo de 18 anos marcou o golo. Enquanto houve pernas, o seu 3-4-3, erros individuais à parte, deu conta do recado. O problema foi depois. 

 

E assim voltamos à época Leonardo Jardim, depois de uma das piores temporadas de sempre, fora das competições europeias e um plantel quase sem craques, baseado na prata da casa, substancialmente inferior aos dos dois rivais. Obviamente que, com mais ou menos justificações, a responsabilidade deste estado de coisas é de Frederico Varandas e Hugo Viana, mas o Sporting tem de deixar treinador e plantel de fora da guerra civil instalada, de forma a andar para frente, recuperar os ainda contaminados, fazer os últimos ajustamentos no plantel, focalizar-se na Liga e ir a Portimão garantir os três pontos. 

SL

Uma época desastrosa

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O Sporting Clube de Portugal terminou esta época em 4.º lugar do Campeonato, atrás dum clube regional dirigido por um “trolha” mal educado, sem ganhar nenhum troféu, perdendo quase todos os desafios com os 3 primeiros, e o que se pode dizer de mais suave sobre esta época é que foi desastrosa.

Não foi a primeira e não vai ser a última do Sporting. E muitas vezes elas aconteceram depois de épocas de sucesso e de vitórias. Por exemplo, em 73/74 ganhámos Campeonato e Taça, e ficámos por muito pouco fora da final da Liga Europa de então, para logo João Rocha dar cabo daquilo tudo, despedir o grande Mário Lino e ficarmos em 3º lugar com vários treinadores pelo meio sem nada ganhar. Em 81/82 voltámos à dobradinha, para depois o mesmo presidente dar outra vez cabo daquilo tudo, despedir o grande Malcolm Allison, deixar ir Eurico e Inácio, e voltarmos ao 3º lugar. Em 01/02 voltámos à dobradinha com Dias da Cunha para acabar de novo em 3º lugar na época seguinte: dessa vez não foi preciso despedir o treinador, alguém se encarregou de destruir o Jardel. Terceiro lugar esse em que teríamos terminado esta época se o jovem e promissor Matheus Nunes se tivesse alinhado pelo Neto em vez de ter deixado a bota onde deixou, ou se o Uribe não tivesse torcido o joelho quando marcou o golo lá no Porto.

Mas se a última época não nos trouxe outra dobradinha pelo menos trouxe duas taças ganhas ao Porto, aquele mesmo clube que limpou o campeonato deste ano.

Então parece realmente que estamos num clube sem cultura de sucesso, que não sabe agradecer as vitórias e as conquistas quando acontecem, e encontrar nelas motivos para se superar e ir à procura de mais.

Acabámos a época passada a festejar no Jamor, a pôr de joelhos o Porto e reduzir o seu treinador a um imbecil mal-educado. O que fizemos a seguir? Desprezámos o treinador holandês que nos tinha levado lá, andámos a encontrar forma de vender tudo o que mexesse. a começar pela estrela da companhia, e com isso a desestabilizar um balneário que tinha mostrado união e competência. Mesmo com algumas boas ideias e boas intenções pelo meio, nomeadamente ter levado um grupo de jovens talentosos para estágio.

A factura começou na Supertaça, com uma derrota humilhante, e continuou no final do período de transferências, quando um desestabilizado Coates conseguiu cometer três penáltis. O treinador ganhador foi sumariamente despedido para vir o pobre treinador dos sub-23 fazer o seu triste número de losango, e depois vir outro pobre artista sonhador e dado ao improviso, sem unhas para o instrumento. Entretanto lá saiu a estrela da companhia, para logo fazer a diferença num dos grandes clubes do mundo. 

Finalmente o instinto de sobrevivência falou mais forte e veio enfim um treinador a sério, que logo fez a diferença em todos os aspectos - técnico/tácticos, evolução de jogadores, lançamento de jovens - mas que não chegou para limpar toda a porcaria que até então tinha sido feita. Com a ironia de ser a única razão para que o clube de Braga acabasse com os mesmos pontos e nos tivesse retirado o terceiro posto.

Chegados aqui, espera-se que a dupla Varandas-Viana consiga aprender com os erros cometidos e dar a volta ao texto. Falo numa dupla, porque ainda ninguém conseguiu perceber onde começa e acaba o protagonismo dum e doutro nas coisas boas e más que têm acontecido. E é isso mesmo que choca e preocupa. Ninguém é responsável, ninguém dá a cara. Amorim sai da Luz como eu saí de ver o jogo, completamente f...,  Beto nem vê-lo, Viana em parte incerta, Varandas por algum lado. Ficou Coates a dizer o que tinha de ser dito.

E ouvimos e lemos dum Feddal, dum Adan, dum Porro. Bom podemos dizer que serão três Netos, "carregadores de piano", importantes num plantel. Mas então onde estão os novos pianistas? Os novos Mathieus, Coates, Acuñas, Brunos Fernandes, Nanis e Bas Dosts? Estavam lá quando entraram, não estavam? Dois ainda estão, espero que não se lembrem de os despachar.

Apesar disso, a solução não está em destituir quem lá está para entrar outro palerma (ou o que lhe quisermos chamar) qualquer. Também não está com certeza na venda da SAD a algum investidor russo ou chinês, ou no regresso do alucinado ex-presidente para tentar fazer o que nunca conseguiu.

O problema está em encontrar os meios e as condições para recuperarmos o lugar que é nosso, um dos três grandes clubes de Portugal, lutarmos pelo título e voltarmos à Champions.

Soluções, precisam-se.

SL

Nunca mais

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Bruno Fernandes inconsolável, no momento da derrota em Alverca

 

Esta é uma época falhada, a vários níveis. 

Falhada a nível da gestão desportiva, com uma calamitosa pré-época, condicionada desde o primeiro instante pela iminente transferência de Bruno Fernandes, afinal não concretizada no mercado de Verão.

Para "manter" o então capitão leonino foram despachados três jogadores: Bas Dost, Raphinha e Thierry Correia. E logo a equipa que vencera dois troféus (Taça de Portugal e Taça da Liga) começou a jogar coxa: o goleador holandês cedeu palco a Luiz Phellype, Raphinha abriu terreno a Plata, Thierry foi rendido por um tal Rosier, entretanto posto fora de combate. No apeadeiro de Alvalade desembarcaram outros, sem a menor qualidade para o Sporting: Eduardo, Jesé, Bolasie, Fernando. O último era tão mau que nem chegou a calçar.

Afinal, no mercado de Inverno, perdemos também Bruno, o que invalidou toda a lógica anterior. Representou o nosso maior encaixe financeiro de sempre, escassas semanas antes da paralisação geral forçada pela pandemia, mas causou um rombo desportivo no futebol leonino até agora irreparável. 

 

Falhada também ao nível dos resultados, com dois instantes calamitosos: a goleada sofrida a 4 de Agosto frente ao nosso mais velho rival, na Supertaça, que custou o lugar a Marcel Keizer, e a humilhante eliminação, a 18 de Outubro, na Taça de Portugal perante o Alverca (equipa do terceiro escalão do futebol pátrio), que logo ditaria o fim de Silas em Alvalade. Ainda mais meteórica foi a passagem do fugaz Leonel Pontes pelo comando técnico da equipa, entre Keizer e Silas. Muito mais surpreendente (e dispendiosa) foi a chegada de Rúben Amorim, no início de Março.

Com tanta rotação no banco dos treinadores, confirmando o Sporting como uma espécie de cemitério desta classe profissional, valeu-nos apesar de tudo ter em campo dois talentos fora-de-série: Bruno (até ao fim de Janeiro) e Mathieu (prematuramente retirado por lesão, em 24 de Junho). Ambos foram disfarçando como puderam as gritantes lacunas no plantel.

 

Mais quatro momentos mancharam o percurso do Sporting nesta terrível temporada em que batemos o recorde das derrotas sofridas:

- 5 de Janeiro, com Silas: queda aos pés do FC Porto, ao perdermos por 1-2 no nosso próprio estádio para o campeonato, algo que há 11 épocas não sucedia com este adversário.

- 17 de Janeiro, com Silas: outro dia traumático, com a vitória imposta pelo Benfica em Alvalade, por 2-0. O SLB ultrapassou-nos em número de vitórias e golos marcados no reduto leonino.

- 21 de Janeiro, com Silas: derrota (e eliminação) frente ao Braga na meia-final da Taça da Liga, troféu de que éramos detentores desde a temporada 2017/2018.

- 27 de Fevereiro, ainda com Silas: eliminação na fase de grupos da Liga Europa, após goleada imposta em Istambul pelo modestíssimo Basaksehir. 

 

Para esquecer? Não: para lembrar. Só assim poderá ser evitada a repetição dos erros cometidos - e foram em quantidade inaceitável, insuportável.

Não queremos mais disto. Nunca mais.

Reforços precisam-se

O jogo de ontem, onde o Moreirense teve um desempenho muito competente, alguns jovens estiveram em noite desinspirada e o árbitro recusou ver o que estava à vista de todos, veio por a nu as debilidades deste Sporting sob o comando de Rúben Amorim.

Quando nos recordamos do desempenho do Braga contra o Sporting e vemos este Sporting jogar, no mesmo modelo táctico e com as mesmas ideias de jogo, há coisas que o Braga tinha e não vemos neste Sporting.

Desde logo um ponta de lança com capacidade de jogo aéreo, Paulinho, bem solicitado por centros teleguiados, e com médios altos a entrar para confundir marcações. 

Depois, capacidade de meia distância, com circulação de bola de lado a lado para confundir marcações e centros atrasados a solicitar o remate à entrada da área.

São dois elementos essenciais para ultrapassar defesas acantonadas e a jogar de frente para a bola, como aconteceu ontem depois da expulsão.

E assim, para mim é óbvio que precisamos de reforços, não para sentar o Plata e vir um Fernando qualquer, mas para irmos buscar o que não temos, e que muito nos faz falta.

 

Para mim as prioridades são as seguintes:

1. Ponta de lança forte no jogo aéreo, o tal "pinheiro", "poste", ou lá o que seja, um novo Bas Dost, Jardel, o que quiserem. Sporar é superior a LP29 fora da área, mas ainda inferior a ele dentro dela no jogo aéreo. Pedro Mendes, Tiago Tomás, Gelson Dala, Ruiz: nenhum deles tem essas características.

2. Um médio centro possante e com meia distância, mais de passe e controlo do que de transporte de bola, já sei que muitos não irão gostar do exemplo que vou dar, um novo Gudelj para melhor. Battaglia, Matheus Nunes, Palhinha, Wendel, Doumbia: nenhum é isso. Bragança ou Geraldes, menos ainda.

3. Um lateral direito experiente que ponha a bola onde põe os olhos. Aqui o exemplo mora no Porto, embora no caso seja esquerdino, Alex Telles. No Sporting não há bons exemplos para dar desde há décadas. Risto já não vai lá. Rosier um flop, na formação ou emprestados não há ninguém de que me lembre em condições.

4. Um novo Mathieu. Fala-se no marroquino do Betis, se calhar outro Neto. Borja não passa daquilo que é: muito pouco e muitas vezes assusta. Ontem uma novidade, Acuña a dar uma capacidade de construção desde trás nunca antes vista. Para repetir a aposta? Nuno Mendes é bom de mais para ficar no banco. Mas Acuña, mesmo na má forma actual, é de longe o melhor jogador do plantel actual e não pode ficar de fora.

 

Entretanto, e pondo de fora os mais jovens, enquanto há jogadores que muito cresceram com Rúben Amorim, Coates e Wendel à cabeça, outros não estão a conseguir. Battaglia (este para mim uma grande desilusão), Borja, Ilori, Rosier, Eduardo serão para tentar vender ao melhor preço. Renan e o LP29 deverão ir pelo mesmo caminho. No conjunto custaram quase 20M€. Que davam muito jeito ao Sporting.

Enfim, os poucos jogos que faltam e muito particularmente os embates com os rivais, vão clarificar muita coisa, mas duvido que se afastem muito destas minhas ideias.

E as vossas quais são?

SL

O barato sai caro

Não há dúvida que, depois duma aposta completamente falhada, o Sporting acertou e foi contratar um jovem treinador de grande potencial. 

Isso é visível no discurso claro e assertivo, na aposta num modelo de jogo estável e coerente, no trabalho visível nos lances de bola parada, na coragem de apostar nos jovens e de sentar os mais velhos quando acha que não estão a render, e na transformação do desempenho de um ou outro.

Quanto ao modelo de jogo, o Sporting está a transformar-se aos poucos numa equipa que conjuga mecanização com imprevisibilidade, que sabe sair a jogar acelerando o jogo pelo centro ou pelas alas, que rapidamente transforma uma recuperação defensiva numa bola em profundidade a solicitar o ponta de lança, que cria perigo nos lances de bola parada. Falta ainda traduzir isso em boas decisões no passe e no remate.

Vemos por exemplo agora um Coates "patrão" na posição central dos três defesas sem ser obrigado a dobras no limite e sem aquelas investidas suicidas pelo campo fora, um Acuña ainda à procura da melhor forma mas que joga concentrado e não vê amarelos, um Wendel a demonstrar uma inteligência de jogo nunca vista e Jovane com espaço a dinamitar a defesa contrária (embora continuando mal no último passe). 

No que respeita aos jovens, e para além de Wendel e Jovane, Max, Quaresma e Matheus Nunes já agarraram a oportunidade e está ali matéria para Fernando Santos a seu tempo se debruçar (imagino que Matheus tenha os requisitos necessários). Camacho luta ainda consigo próprio pela adaptação ao lugar e Nuno Mendes está na calha. Plata perdeu um pouco a embalagem com o confinamento e está a demorar um pouco mais.

Obviamente está tudo ainda em construção, falta ainda ali muita coisa, apostar na juventude tem custos e vamos ter um dia destes o Max, o Camacho ou outro qualquer de novo a falhar e a comprometer o resultado, mas estamos no bom caminho.

Quanto valia o plantel com Silas e quanto vai valer no final da temporada ? Realmente, o barato sai caro.

SL

Conseguimos ver e ter uma ideia de jogo

Texto de Pedro Sousa

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O esquema táctico de 3-4-2-1 é, talvez, o mais difícil de interpretar. Os princípios tácticos de Rúben Amorim assentam numa primeira fase de construção paciente e de passes verticais. Os movimentos de ruptura, dos três da frente (Vietto?), para explorar a profundidade era uma constante.

Este modelo de jogo, não tenho dúvidas, é muito mais fácil de fazer resultar no Braga. Pelo plantel diferente, mas também porque a maior parte dos adversários do Sporting se apresenta num bloco baixo. As "zonas de criação" entre a linha defensiva e do meio-campo do adversário não podem ficar exclusivas de um Sporar, que baixa para tocar e criar espaço nas costas. A chegada dos médios centrais é essencial para podermos jogar de forma mais apoiada e compacta.

De qualquer das formas, tivemos treinador antes do jogo [de quinta-feira em Guimarães]. Foi audaz e correcto na escolha do 11 inicial. No jogo não foi capaz de "inventar novas dificuldades" para apresentar ao Guimarães. Limitou-se a fazer cumprir o guião pré-estabelecido. Principalmente, quando ficámos em superioridade numérica, tinha que pedir algo diferente.

Gostei imenso do Quaresma. Não foi uma surpresa, mas a confirmação de que estamos perante o jovem de maior potencial dos sub-23, juntamente com Joelson.

Sporar esteve muito bem, apesar de ser um atleta que não me convence. Talvez a minha opinião esteja condicionada pelo seu preço (6M quando valia 2,5M) e pelas passagens falhadas pela 2.ª divisão alemã e campeonato suíço. Acho curto para um Sporting que se quer campeão.
Gostei do esforçado Jovane e do atrevido Plata.

Não gostei, nem tenho gostado, do Max. É o nosso Moreira. Precisamos de um Quim, no mínimo.

Não gostei de Camacho. Apesar de ser a posição ideal para ele, estava a fazer um frete. E quando tem a oportunidade de fazer algo, a bola é só dele. Egoísta.

Não gostei de Vietto. É um "pila mole".

Não gostei dos dois do centro do terreno. Imagino ali um Uros Racic e o Adrien Silva (Wendel).

O excelente Acuña, tinha a pilha gasta.

Pela primeira vez nesta temporada, conseguimos ver e ter uma ideia de jogo.

Não é suficiente para um Sporting campeão, mas podemos ter aqui uma base interessante.

 

Texto do nosso leitor Pedro Sousa, publicado originalmente aqui.

Primeiras impressões

A vinda de Rúben Amorim foi sem dúvida uma grande pedrada no charco que tem sido a triste realidade desta época do Sporting. Toda a gente tem opinião sobre o assunto, nos comentadeiros afectos ao clube domina a hipocrisia habitual de quem prefere ter palco com o clube a aprodrecer, do que remetido à sua insignificância com o clube a ter sucesso.

Esta aquisição pelo Sporting dum treinador ao tal clube que publicamente o desconsidera, concorrente directo pelo 3.º lugar da Liga, foi muito mal preparada e explicada por Frederico Varandas, e continua a ser muito mal explorada na Comunicação Social com mais ou menos responsabilidade do clube, falando-se em compras e vendas e alterações de estrutura que mais não fazem que complicar o trabalho do treinador ainda agora contratado.

Decisão tomada e concretizada a vinda, o que para mim me importa não é se o Rúben é do Benfica desde pequenino, se custou 5 ou 10, ou se vai custar 20 ou 30. Não se poder levantar no banco e comandar a equipa já me incomoda, mas o que me importa mais é perceber se é o treinador que o Sporting precisa para rentabilizar económica e desportivamente este plantel, que vale muito mais do que até agora tem demonstrado. Se o Rúben é o líder capaz de pôr ponto final naquilo que Bruno Fernandes, Plata e Neto denunciaram, um plantel de grupinhos com alguns que andam por ali, recusando saídas negociadas do clube e não metendo o pé nas divididas. Se o Rúben é capaz de construir uma equipa que nos volte as dar as alegrias que Keizer deu em Braga e no Jamor, e que, não falando noutros, antes dele nos deram num registo ainda bem maior: Malcom Allison, Inácio e Boloni.

Pois pelo que vi ao vivo na bancada de Alvalade e depois ouvi na conferência de imprensa, Rúben demonstrou um conjunto de atributos que significam liderança, pragmatismo e consistência. Para o Rúben quem manda é ele, o responsável é ele, quem dá a cara perante sócios e presidente é ele, os jogadores não tem de estar preocupados com classificações: só têm que pensar em treinar bem e jogar melhor.

O Francisco Geraldes jogou; vai voltar a jogar? Se demonstrar ser melhor que os outros nos treinos, sim. Para Rúben, no sistema táctico e modelo de jogo não se mexe, jogadores diferentes nas mesmas posições dão as variantes necessárias de acordo com o adversário: há que treinar, rotinar, repetir e voltar a repetir, e tudo acontecerá de bom a partir daí. Primeiro ganha-se e torna-se a ganhar e depois joga-se bem, porque só com a confiança das vitórias vêm os bons jogos.

Isto chega para o Rúben Amorim ter sucesso?  Quando o plantel, já de si desequilibrado e com um claro deficit de quantidade de qualidade, está fragilizado por uma época de derrotas e insucessos, pela saída do seu capitão e pela adaptação a quatro lideranças com orientações completamente distintas? Quando a estrutura criada por Varandas falha em toda a linha, e Beto assiste indiferente a Ristovski fugir para o balneário? Quando uma fatia do estádio enerva e insulta os jogadores do próprio clube dentro e fora de casa? Não faço ideia, vai ser mesmo complicado. 

Em Guimarães esta nova liderança vai ser posta à prova. Depois é comparar com o que aconteceu em Vila do Conde e em Famalicão e tirar conclusões.

Que Rúben tenha a sorte que teve no Braga, porque a sorte dele é a sorte de todos nós, ou pelo menos daqueles que põem o Sporting à frente de tudo.

Sporting sempre!

SL

Os rostos do fracasso

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Todos os anos, jornada após jornada, anoto aqui os jogadores que a imprensa desportiva elege como melhores em cada partida disputada pelo Sporting. Estive há pouco a lembrar a lista dos eleitos na temporada 2018/2019: Bruno Fernandes, Raphinha e Nani

 

Oito meses depois, nenhum deles está no Sporting. Nani até saíra antes, por motivos nunca explicados, quando era capitão da equipa e peça vital do plantel reconstruído durante a gestão provisória protagonizada por Sousa Cintra na SAD leonina que possibilitou a conquista da Taça de Portugal e da Taça da Liga. A 19 de Fevereiro de 2019, o Sporting anunciou a saída deste campeão europeu em simultâneo com o afastamento definitivo de um tal Castaignos, o que me levou a protestar: «Isto não é forma de tratar os nossos. Refiro-me aos que são verdadeiramente nossos, não aos que só passam por cá para fazer turismo.»

Com razão ou sem ela, circulou o rumor de que Nani fora afastado por incompatibilidade com Bruno Fernandes. Um rumor que dava jeito à Direcção liderada por Frederico Varandas, pelos vistos incapaz de gerir dois egos na mesma equipa - como se isso fosse um problema quando a qualidade impera. À época, a narrativa dominante - e que logo dois papagaios de turno se apressaram a difundir nos seus púlpitos televisivos - jurava que Varandas «faria tudo» para manter Bruno Fernandes no Sporting. Isto quando o Daily Mirror já noticiava que Bruno iria rumar ao Manchester United por 63 milhões de libras.

 

Raphinha foi, precisamente, um dos jogadores-chave na conquista da Taça de Portugal ao marcar uma das grandes penalidades ao FC Porto no Jamor. Também ele acabou por ser despachado de Alvalade, a 2 de Setembro de 2019, numa transferência para o Rennes concretizada no último dia do mercado que apanhou de surpresa o próprio atleta, dias antes fundamental para a vitória do Sporting contra o Portimonense no Algarve - jogo em que marcou dois golos e nos colocou na liderança do campeonato, à condição. 

Capitalização financeira, mas descapitalização no plano desportivo: a equipa então orientada por Marcel Keizer perdia outra peça essencial para a conquista de objectivos na época futebolística ainda mal iniciada. Mas a narrativa anterior manteve-se: Raphinha saía para que Bruno ficasse. Tal como sucedera com Nani.

 

Afinal Bruno Fernandes também não ficou, o que invalidava tudo quanto antes se dissera. Saiu a 28 de Janeiro de 2020, por 55 milhões de euros (mais objectivos fixados no acordo entre as partes), precisamente para o clube que o Mirror assinalara seis meses antes num furo jornalístico de longo alcance.

E assim, em etapas desenroladas ao longo de onze meses, perdemos os três jogadores nucleares da temporada 2019/2020. Assim passámos da liderança à condição no campeonato para o quarto posto na tabela, com Rio Ave e V. Guimarães a morderem-nos os calcanhares. Assim passámos de titulares de duas taças para a eliminação na reconquista desses troféus.

Tudo envolto numa retórica com mais buracos do que um queijo suíço: Nani saía para se manter Bruno; Raphinha saía para que Bruno ficasse; o próprio Bruno saía afinal porque nada do que se dissera antes fazia sentido.

 

O rumo errante aqui lembrado comprova que os fracassos não sucedem por acaso. Ocorrem por más escolhas, opções desastradas e incompetente gestão dos recursos disponíveis. Conduzindo o Sporting à irrelevância desportiva e aprofundando o divórcio entre equipa e adeptos, com a consequente deserção dos lugares no estádio e fatal perda de receita.

Este fracasso concreto tem rostos e nomes. Por esta ordem: Frederico Varandas, Salgado Zenha e Hugo Viana.

Competência, tempo e paciência

Mesmo não tendo sido campeão na época de estreia, era claro para os sportinguistas minimamente racionais que era uma questão de tempo até o Sporting ser campeão com o Jorge Jesus. Qualquer pessoa via que, com Jesus, o Sporting voltaria a ser campeão. Pela forma como abordava cada jogo, pela confiança e mentalidade ganhadora - que era incutida pelo treinador. Era uma questão de tempo e de paciência. Não funcionava sempre. Era natural que custasse a implementar - ainda mais no Sporting. No Benfica, Jesus numa época perdeu tudo para Vilas Boas, tendo sido eliminado em casa da taça e perdido por 5-0 no Dragão para o campeonato. Na época seguinte também não ganhou nada de jeito, e na outra perdeu tudo numa semana, incluindo a final da taça para o Guimarães. Mas havia uma avaliação da forma de jogar da equipa e houve paciência para deixar que o ciclo do adversário chegasse ao fim para começar a ganhar. E o Benfica ganhou com Jesus. No Sporting a história poderia ter sido semelhante. A confirmação veio na noite de hoje.
A qualidade da Liga Portuguesa tem vindo a baixar significativamente nos últimos anos. Têm emigrados muitos bons jogadores, têm emigrado sobretudo muitos bons treinadores, a um ritmo muito elevado, e os que ficaram não estão à altura. Esse decréscimo de qualidade não é só no Sporting. Só que no caso específico do Sporting ele é particularmente evidente, com a onda de rescisões de 2018 pelas razões que são bem conhecidas. A queda do Sporting é bem mais acentuada. E o resultado é este: o Sporting está muito pior do que os seus rivais, quando poderia estar muito melhor. Tivesse havido mais paciência com quem tinha provas dadas e estava a fazer um bom trabalho (e continuou a fazê-lo nos clubes por onde passou). Em circunstâncias normais, a equipa hoje não seria a mesma de 2018 (pelo menos Rui Patrício e William, e quase de certeza Gelson, já teriam saído), mas teria sido possível manter a mesma base e dar continuidade a um trabalho. E creio que ninguém duvida que, com a mesma estrutura de 2018, o Sporting nesta época seria melhor que este Benfica e este FC Porto e seria campeão sem dificuldade. Só que tudo começou a ir por água abaixo com uma célebre postagem no facebook após um jogo em Madrid, a que se seguiram muitas outras até tudo acabar com a consequência dessas postagens que foi a invasão à Academia.
Não venho aqui e agora defender a atual estrutura diretiva e no futebol, que cometeu muitos e enormes erros. Só estou a pensar nos erros dos outros. Também convém. Um clube como o Sporting tem que saber aproveitar os erros dos outros. E tem que ser servido por pessoas competentes. Pessoas competentes é o que eu não vejo na atual estrutura do futebol, de alto a baixo. Mas não basta ter pessoas competentes. Há que lhes dar tempo e ter paciência.

O terceiro melhor plantel da Liga

Se dúvidas existissem na cabeça de alguns, esta última sequência de jogos do Sporting depois da saída do seu capitão, melhor jogador e melhor jogador da Liga, vieram demonstrar que dispomos sem dúvida alguma do terceiro melhor plantel da Liga, porventura inferior aos dois rivais mas muito acima dos outros competidores pelo terceiro posto.

Dispomos de internacionais pela Argentina, Brasil, Uruguai, Colômbia, Equador, Eslovénia, Macedónia, França, para além de Portugal, alguns deles julgados imprescindíveis pelos respectivos seleccionadores. Quantos existem no Braga, no Guimarães ou no Rio Ave? Se calhar um ou outro de que sinceramente não me recordo. E se calhar os melhores que lá estão vieram de Alvalade...

Dispomos de um conjunto de jovens com tremendo potencial: Max, Plata, Camacho, Jovane (as lesões o permitam), Doumbia e Pedro Mendes. E outros a rever: Miguel Luís e Francisco Geraldes.

Passámos a dispor do artilheiro da Liga Europa, que já começou a facturar.

Continuam a não existir de facto muitos jogadores de classe extra, e quando faltam um ou mais (Mathieu, Coates, Acuña, Vietto) nota-se logo e às vezes paga-se caro. 

A verdade é que temos um treinador que demorou uma eternidade a fazer o óbvio: dar sequência ao trabalho de Marcel Keizer e pôr a equipa a jogar naquele 4-3-3 que facilmente permite que cada um saiba o que anda a fazer em campo. Com o trio do meio-campo estabilizado, Battaglia a 6 (a subir de jogo para jogo depois da lesão grave que teve), Wendel a 8, e Vietto a 10, temos logo bom futebol e não aquela "mastigação" inconsequente que fomos vendo, muitas vezes disfarçada pelo talento do Bruno. 

Pois esse treinador não conseguiu fazer durante demasiado tempo do terceiro melhor plantel da Liga pelo menos a terceira melhor equipa da Liga, menos ainda conseguiu ganhar taças derrotando os dois rivais como fez Marcel Keizer. 

Esperemos que agora que já interiorizou que não vai continuar finalmente demonstre que o consegue. 

SL

Entrevista de Varandas: dez reflexões

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1.

Frederico Varandas tem um problema de base que ameaça tornar-se irresolúvel: não sabe comunicar. É um problema que se vai agravando à medida que o presidente do Sporting se vê acossado de diversos lados. Após meses de silêncio, voltou a dar uma entrevista - desta vez ao jornal Record, que lhe concedeu um espaço muito generoso: quase toda a capa da edição de hoje e seis páginas interiores. Prometendo outro tanto para amanhã, quando será publicada a segunda parte deste diálogo com os jornalistas Bernardo Ribeiro, Ricardo Granada e Vítor Almeida Gonçalves.

O que direi desta entrevista? Que chega no tempo errado. Talvez fizesse sentido no início do mandato. Agora, 17 meses depois, ele equivoca-se no tom, no tema e nos propósitos. Parece quase uma entrevista de campanha eleitoral, combatendo adversários internos e ajustando contas com o passado. Como se Varandas não se tivesse apercebido que a campanha terminou a 7 de Setembro de 2018.

 

2.

Em síntese, trata-se de uma oportunidade perdida. Mais uma, somada a várias outras que o presidente do Sporting tem desperdiçado.

Varandas não estende pontes - cava trincheiras. Não procura apaziguar - mantém a via fracturante. Evita acender focos de ânimo - prefere a lamúria e o miserabilismo. Já esquecido de que, ao tomar posse, prometeu títulos. Já esquecido de que há seis meses garantiu estar «chateado mas não preocupado».

Tropeça nas próprias palavras, transmitindo a imagem de alguém que tenta aparentar segurança enquanto caminha com rota errática, em busca de um fio condutor que ninguém descortina.

 

3.

É uma entrevista em que o líder leonino não hesita em depreciar dirigentes, técnicos e jogadores. Abre uma excepção para Hugo Viana, seu braço direito para a gestão do futebol - alguém que já não devia estar em funções pois falhou em toda a linha na preparação desta catastrófica temporada 2019/2020, que promete ser a pior de sempre. Como é possível segurar quem não merece enquanto vai sacrificando quase todos em seu redor? Basta recordar que já teve cinco técnicos a trabalhar na equipa principal. E que no onze leonino que defrontou o Braga, na passada segunda-feira, só subsistiam três titulares da vitoriosa final da Taça de Portugal 2019.

 

4.

A última coisa de que o Sporting precisa é de Calimeros. Lamentavelmente, Varandas comporta-se como o Calimero-Mor nestas declarações transcritas pelo Record. Lamenta-se da herança que recebeu, alerta vezes sem conta para o panorama calamitoso das finanças leoninas (matéria que ignorou durante a campanha eleitoral) e mostra-se incapaz de acender um farol de esperança que possa iluminar a massa adepta.

Um exemplo: reconhece que foi impossível contratar Malinovsky, Robertone e Dabbur por falta de verba. Mas teve interesse em adquirir Galeno, que Pinto da Costa não queria no Dragão. «Questionei-o por SMS mas nunca obtive resposta», revela. Quis resolver o assunto por mensagem em vez de ligar ao homólogo do FCP, o que é uma confissão de inépcia. O jogador acabou no Braga.

É uma entrevista deprimente, própria de um médico que se confina ao diagnóstico sem prescrever a terapia. Ignorando que um clube em quebra psicológica é muito mais propenso a somar derrotas em campo.

 

5.

Boa parte é preenchida com a novela Bruno Fernandes. Com o presidente do Conselho Directivo e da Sociedade Anónima Desportiva a enrolar-se em contradições. Começa por declarar, em jeito de mea culpa, que «o momento de Bruno Fernandes ser vendido era no mercado de Verão». Reconhecendo que nessa altura recusou uma oferta [do Tottenham] de 45 milhões de euros fixos, mais 20 milhões por objectivos: «Olhando para trás, de forma fria, [isso] hipotecou muito a época de futebol deste ano.»

Dúvidas dissipadas? Não. Mais adiante, exprime raciocínio inverso: «Com a venda em Janeiro, por 63 milhões praticamente certos, ficou demonstrado que fizemos bem em resistir e não ter aceitado a proposta do Tottenham.» Ninguém entende.

 

6.

Outra flagrante contradição: adianta que se viu forçado a vender Bas Dost praticamente a preço de saldo - por cerca de metade do valor de mercado do artilheiro holandês - devido a prementes necessidades de tesouraria a meio do ano. Mas como explicar então as contratações de jogadores que têm alternado o banco com a bancada ou se revelaram autênticos fiascos mesmo quando actuam de verde e branco? Casos de um Rosier (5,3 milhões de euros mais a cedência do passe de Mama Baldé), um Tiago Ilori (2,4 milhões de euros por apenas 60% do passe) ou um Idrissa Doumbia (4,3 milhões de euros).

Isto já para não falar nas anedóticas aquisições por empréstimo de Jesé e Fernando. No caso deste último, aliás já devolvido à procedência, Varandas reconhece que «foi uma contratação falhada», mas matiza: «A operação no total custou 600 mil euros, em salários». Seiscentos mil euros volatilizados num clube tão carente de recursos financeiros e que, diz agora o presidente, chegou a correr «risco de falência».

 

7.

Uma entrevista deste género, nas circunstâncias em que o Sporting está, devia ser uma oportunidade para apontar um rumo e limar arestas internas. Varandas faz ao contrário. Não reserva um elogio à Comissão de Gestão do Sporting, que pegou no clube em circunstâncias tão difíceis, é incapaz de expressar uma palavra de apreço por Torres Pereira ou Sousa Cintra, omite qualquer referência a José Peseiro, alude a Marcel Keizer (treinador escolhido por ele) com gélida indiferença, menciona Leonel Pontes sem um átomo de consideração e praticamente deixar antever que se prepara para deixar cair Silas (outro treinador escolhido por ele).

 

8.

Pior ainda: critica os jogadores da formação. Parecendo invejar Bruno de Carvalho, que ao assumir funções tinha um manancial de talentos oriundos da cantera de Alcochete (Rui Patrício, Adrien, William, Cédric, Esgaio, Eric Dier, Rúben Semedo, João Mário e Bruma), dispara: «Dos 18 aos 23 anos, que jogador tenho eu preparado para ajudar a equipa? Um? Max?»

Sim, Max. Sobre quem Varandas, totalmente fora de propósito, declara: «Não sei se vai continuar a ser titular ou não.» Mas também Matheus Pereira, que a administração da SAD irresponsavelmente despachou para Inglaterra com uma cláusula de opção de 10 milhões que não deixará de ser accionada. «É um negócio bom para a realidade do Sporting», diz Varandas. Só ele parece pensar assim, olhando para o rendimento desportivo do jogador no Championship: cinco golos e dez assistências.

Mas também Francisco Geraldes, Ivanildo e Gelson Dala, que têm andado de empréstimo em empréstimo sem oportunidade de provarem o que valem no Sporting. Mama Baldé foi atirado fora, no negócio da vinda de Rosier. Pedro Mendes, melhor marcador da Liga Revelação, ficou por inscrever nas competições internas da equipa A em tempo útil. E Domingos Duarte, um dos melhores defesas formados em Alcochete, vendido ao Granada por 3 milhões de euros - quase de borla.

Assim tem cuidado o Sporting da sua formação na era Varandas. Ele queixa-se de quê?

 

9.

Falando ainda em legados: o presidente do Sporting esquece que ele próprio herdou um sobredotado como Bruno Fernandes que, não trazendo a marca da nossa Academia, se revelou mais valioso do que qualquer outro profissional leonino antes dele - incluindo Cristiano Ronaldo, Quaresma e Nani.

Cada qual deve administrar da melhor maneira as heranças que recebe, de nada adiantando lançar anátemas sobre o que ficou para trás. Mas teria ficado bem a Varandas uma palavra de agradecimento a Sousa Cintra por haver resgatado o jogador num momento muito difícil da história do clube. Não o faz. Além disso, atira-se sem qualquer propósito a José Eduardo Bettencourt, invocando águas passadas, quando declara: «É sempre uma falha quando um capitão sai com o rótulo de maçã podre».

 

10.

É uma entrevista que deixa demasiadas questões em aberto. Acuña talvez renove, mas a incógnita subsiste. Adrien talvez regresse ou talvez não. Silas pode sair só em Junho, pois «a época do futebol falhou», mas ninguém se admire que seja afastado antes. Talvez haja uma proposta de um novo nome para o Estádio José Alvalade, mas se calhar nada irá por diante. «Vamos ver se conseguimos materializar isso numa coisa boa para o Sporting»: palavra de Varandas. Puro jargão presidencial.

De positivo, retive apenas que a equipa B será recuperada (mas falta saber em que circunstâncias) e Palhinha regressará do longo empréstimo ao Braga. Pouco, muito pouco, quase nada.

Concluindo: é uma entrevista que desvaloriza a "marca" Sporting, isola Varandas no seu labirinto e deprime ainda mais os adeptos. Não havia necessidade.

 

Do céu ao inferno em meia dúzia de meses

Em Maio de 2019 era assim:

sporting2019.jpg

Em Janeiro de 2020, e com muitas derrotas no caminho, foi assim:

mathieu.png

 

O presidente é o mesmo, os seus colaboradores mais próximos também, o que se passou então:

 

1. O sucesso toldou-lhes o raciocínio? 

Enquanto um ano antes os jogadores tinham ido para férias (?) destroçados com uma derrota humilhante e insultos nas bancadas do Jamor, com o treinador a despedir-se deles quase a chorar à porta do autocarro, alguns a preparar-se para rescindir, outros para fazer o possível para esquecer e ganhar coragem para voltar a Alcochete, desta vez foi champanhe, recepção na Câmara e festa em Alvalade.

Keizer e a sua equipa tinham conquistado a segunda taça da época, e o terceiro lugar da Liga, e tínhamos uma equipa reconstruída e moralizada. Havia que fazer uma escolha entre manter Bruno Fernandes, reforçar cirurgicamente a equipa e lutar pelo título, ou tratar da sua venda rapidamente, sanear financeiramente a SAD,  reforçar mais amplamente a equipa, e passarmos a dispor duma equipa equilibrada que permitisse uma época tranquila e, nalguma conjuntura mais favorável, a chegada aos lugares de acesso à Champions.

Pois, nem uma coisa nem outra. Keizer foi sendo mais ou menos marginalizado e ficando sem as peças que julgava importantes para o seu modelo de jogo, os melhores do plantel foram vivendo na incerteza de ficarem ou não dependendo da venda do Bruno Fernandes, e a pré-época foi um desastre disfarçado pelo estágio de alguns jovens sub-18 promissores encaminhados depois para os sub-23.

Com a venda estúpida do Bas Dost e uma derrota humilhante com o Benfica pelo meio, tudo acabou no dia a seguir ao fecho do mercado, quando Keizer é confrontado com a venda de Thierry e Raphinha e a vinda de três emprestados ex-lesionados "pescados" à ultima hora. E o Sporting, a ganhar ao Rio Ave aos 80 minutos, sofre dois golos a cair o pano devido a penáltis cometidos por aquele defesa central que Hugo Viana andou a tentar vender também até ao fecho do mercado. Coates tinha tudo menos tranquilidade para jogar naquele dia. E o Sporting perdeu.

Esse teria sido o momento para Varandas parar, reflectir e agir sem contemplações. Para mim, a solução seria manter Keizer com a ajuda de Bruno Fernandes a tomar conta da situação. Keizer já tinha dado provas de saber ultrapassar situações negativas, e preparar logo a mudança para realizar no momento adequado, que teria de passar por um treinador experiente e prestigiado com apetência para lidar com jovens, tipo Jesualdo Ferreira, e um director de futebol profissional e experiente do mercado, e já agora sem passado de "comissionista" ou de peão de brega dum ou doutro empresário. Promover Hugo Viana para as relações internacionais e substituir Beto por alguma figura mais interventiva no balneário e assertiva na comunicação. Ou seja, dalguma forma replicar para o futebol o modelo que existe nas modalidades com Miguel Albuquerque.

Nada disso fez. Despediu Keizer,  promoveu o treinador que estava a dar boa conta do recado nos sub-23, que aproveitou para inventar, mudar o modelo de jogo e coleccionar mais umas tantas derrotas, e depois devolvê-lo à procedência e ir ouvindo recusas até acabar num treinador sem curriculum, sem habilitações, sem experiência, com uma ideia de jogo completamente estranha ao clube e ao plantel, mas com uma grande vontade de deixar a sua marca. Ou seja, a pior escolha possível para o momento que o Sporting atravessava.

E o Sporting lá foi andando, perdendo e ganhando e quase sempre jogando mal com equipas pequenas na sua grande maioria, até ao mês de Janeiro, onde enfrentávamos de seguida três das melhores equipas portuguesas. E foram três derrotas, sem apelo nem agravo (talvez contra o Porto a coisa pudesse ter sido diferente). 

No final da terceira derrota tivemos uma demonstração a cores e ao vivo do estado anímico da equipa, com o jogador mais experiente e um dos melhores em campo a agredir uma óptima pessoa e ainda por cima produto de Alcochete. E mais uma vez as declarações infelizes de Beto e Silas, já que de Hugo Viana nunca se ouve uma palavra.

Sendo assim, parece realmente que o sucesso (ainda agora Varandas foi eleito como dirigente do ano pelo Grupo Stromp) lhes toldou o raciocínio e destruiram em seis meses tudo o que tinha custado muito a refazer. Onde e com quem é que já vimos isto?

 

2. Temos o pior plantel de sempre? 

Desde o treinador do Gil Vicente até muitos Sportinguistas, parece que descobriram que o plantel do Sporting não vale nada, se calhar apenas para esconder o facto de gostarem de Silas, é um Sportinguista e um gajo porreiro, mas não tem capacidade para o cargo que ocupa, e não consegue potenciar os valores do plantel. Ou então simplesmente para baterem no Varandas.

O Sporting tem realmente um plantel desequilibrado, com falta de quantidade de qualidade (apenas cinco jogadores diferenciados, Bruno Fernandes, Mathieu, Coates, Acuña e Vietto), um conjunto de jovens sub-21 de grande potencial ainda muito verdes (Max, Camacho, Plata, Doumbia, Wendel, Pedro Mendes, Jovane, Miguel Luís) e depois... alguns "pernas de pau" que comprometem o resultado dos jogos e o trabalho dos outros (Ilori à cabeça, mas há mais, infelizmente). Não tem um trinco em condições que proteja os centrais e permita o avanço menos arriscado dos laterais, não tem um defesa esquerdo em condições que permita adiantar Acuña, não tem um ponta de lança que faça esquecer Bas Dost (vamos ver o que fará Sporar). O que valeria este plantel se contasse (por exemplo) com Alex Teles, Danilo e Soares? 

De qualquer forma, e à data de hoje, para mim este plantel é o terceiro melhor português, inferior aos dois outros grandes, mas claramente superior aos restantes. Qual é o jogador do Braga que seria titular de caras no Sporting? Nenhum. O que não quer dizer que Palhinha, Esgaio e Wilson Eduardo não seriam bem-vindos, mas se calhar meia dúzia de jogos depois iríamos estar a criticá-los como acontecia quando cá estavam, e já andamos a criticar o Max ou o Pedro Mendes também.

Temos o terceiro maior orçamento, temos o terceiro melhor plantel, temos obrigação de ficar em terceiro lugar da Liga. Mas para isso convinha que tivéssemos o terceiro melhor treinador. Temos???

 

3. Vamos conseguir safar a temporada?

Vamos iniciar na próxima segunda-feira a segunda volta da Liga, contra o Marítimo que nos roubou dois pontos no Funchal. Iremos defrontar fora de casa os outros sete primeiros classificados da Liga.

Continuamos sem saber se o melhor jogador da Liga sai ou não, e se não sair com que moral vai ficar. O homem não é de ferro. 

Temos um treinador que já percebeu que não vai durar muito. Já existem nomes nos jornais para o substituir, e anda cada vez mais desorientado entre as suas ilusões de modelo de jogo "inteligente", e as tácticas estranhas (os três tristes trincos) para safar o resultado.

Depois temos o resto... presidente contestado e insultado, falta imensa de comunicação franca e directa com os sócios, claques a serem mais um adversário com que a equipa tem de lidar no estádio, muitos supostos adeptos apostados em destruir o clube para que das cinzas possa brotar um novo Sporting com muita bifana e pouco croquete à moda do Belenenses, ou então vir um Glazer qualquer tomar conta disto. Até o ex-presidente já percebeu isso.

 

Concluindo, isto não está famoso...

SL

Quando chegámos a equipa estava em nono lugar...

E agora, depois de cinco derrotas em diferentes palcos, estamos em quarto lugar na Liga... e fora da Taça de Portugal. A 16 pontos do Benfica e a 12 pontos do Porto. 

Ontem contra o Porto, também ele muito pressionado pelo seu atraso na corrida ao título, tivemos talvez os melhores 25 minutos da época, com uma asa esquerda composta pelos dois argentinos, Acuña e Vietto, que no início da segunda parte fez miséria. Só com mesmo muita falta de sorte, de cinco grandes oportunidades não conseguimos os golos que nos dariam a vitória. Mas depois a habitual incompetência da equipa na defesa dum canto deitou tudo a perder. 

E assim perdemos um jogo mais importante do que os três pontos em disputa, porque serviria de conforto a todo o universo verdadeiramente Sportinguista nestes tempos complicados.

Com Silas, o Sporting é essencialmente uma equipa de meio-campo, se calhar à imagem do Silas jogador. Preocupa-se com a construção, com a posse de bola, não quer ter pressa, joga bem quando tem espaço e tempo para isso, tem Mathieu, Coates, Bruno Fernandes, Acuña e Vietto, que resolvem por si mesmos muita coisa, mas falha nas duas áreas, sofre golos mais que evitáveis e precisa de muitas oportunidades para marcá-los. 

Com Silas, o Sporting não joga para o ponta de lança. Parece preferir um esquema com avançados móveis, sem um ponta de lança declarado e muitos centros para ninguém. Ontem entrou o LP, mas o Pedro Mendes (médio esquerdo na Áustria) ficou na bancada. Quando foi preciso correr atrás do prejuízo, entraram três avançados móveis. E o Porto passou a gerir tranquilamente o jogo. No Jamor, com Keizer, entrou Bas Dost como segundo ponta de lança que logo complicou a marcação dos centrais do Porto e marcou.

No final do jogo ouvi Silas falar mais uma vez na necessidade de mais gente para ajudar, para aumentar a competitividade interna do plantel, e francamente continuo a achar que está a ver o filme errado. O Sporting não precisa de mais "Jesés" para tornar os treinos mais interessantes e irem rodando no onze. 

Sem grandes hipóteses de chegar aos lugares de acesso à Champions, o Sporting precisa é de rever em baixa os objectivos para este ano, concentrar-se na conquista do terceiro lugar da Liga, no acesso a uma fase avançada da Liga Europa, na reconquista da Taça da Liga pelo menos para moralizar tudo e todos, e, bem importante, preparar o plantel do próximo ano. Precisa de manter até ao final da época os craques existentes, apostar todas as fichas disponíveis num qualquer Acosta/Jardel/Liedson que marque mesmo muitos golos, e transforme positivamente a equipa, e dar minutos a jogadores como Camacho, Plata, Pedro Mendes, Matheus Nunes, Rodrigo, e algum outro mais dos sub-23.

Como Jesualdo Ferreira já se foi e Leonardo Jardim e Marco Silva nada têm de malucos, então que fique Silas a fazer o melhor que pode e sabe. Oxalá tenha também internamente toda a ajuda de que necessita (que Keizer não teve), mas o que aí vem não augura nada de bom, e podemos então ler que "e quando partimos a equipa estava em ... "

O que pouco ou nada interessa, se aqueles objectivos não forem cumpridos.

SL

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