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És a nossa Fé!

Dez reflexões sobre o Sporting

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1

Há um grave problema estrutural neste Sporting 2022/2023. Uma vez e outra, temos de recorrer em desespero a Coates como "ponta-de-lança" improvisado. Uma vez e outra, fica demonstrado que montar uma equipa que sonha ser campeã sem avançados goleadores é um erro lapidar. Imperdoável - e há responsabilidade directa do técnico disso - foi ter-se descurado a contratação de um artilheiro.

Equipa sem golos não vence jogos, não pontua, não ganha títulos. Balanço da temporada até agora: 18 jogos, oito vitórias, dois empates, oito derrotas. Golos marcados: 29. Golos sofridos: 24. Não há coincidências.

 

2

Existe agora a mania de justificar derrotas invocando orçamentos. Se isso servisse para alguma coisa, o Sporting teria a obrigação de golear o Varzim por 8-0 na Taça de Portugal - da qual fomos eliminados pela equipa poveira.

 

3

No final de Dezembro, quando for desmontada a tenda do Mundial do Catar e retomado o campeonato nacional de futebol, estaremos fora de combate. Sem Taça de Portugal, sem possibilidade de competir para sermos campeões. A lutar (espero) pelo segundo lugar da Liga. É voar baixinho. Coisa pouca, com a glória em parte incerta.

 

4

Nunca me recordo de uma época com tantos jogadores nossos lesionados. Na última semana, mais três: Morita, Nuno Santos e Ugarte. O que suscita sérias interrogações sobre o modo como é assegurada a gestão física dos futebolistas.

Se estes jogadores não têm pedalada para jogar pontualmente de três em três dias (mas os do Benfica, do FCP e até do Braga são sujeitos a igual pressão do calendário) é sinal que existem problemas ao nível da preparação física.

Nesta temporada cumprimos 18 jogos em três meses. Será motivo para ter metade da equipa rebentada? Será motivo para estarmos num humilhante sexto lugar à 11.ª jornada?

Tenham paciência, mas não faz o menor sentido.

 

5

Questiono-me se as "bolas paradas", ofensivas e defensivas, não fazem parte dos treinos leoninos. E se o mesmo acontece com os pontapés de meia-distância.

 

6

Na opinião de alguns, o Sporting está na segunda pior época de que há memória por causa dos árbitros, das claques, do mega-empresário Mendes e do seleccionador nacional de futebol. E também dos comentadores e dos jornalistas que escrevem nos mesmos diários a que dá jeito recorrer quando se pretende validar a tese de que «o Sporting é sempre roubado».

Culpas próprias? Jamais. Ou "jamé", como dizia o outro. 

 

7

Desde a exclusão de Slimani, em Abril, nunca mais o Sporting se endireitou. Muitos falam de Palhinha e Matheus Nunes, mas o grande problema para mim sempre foi lá na frente. Perdermos o artilheiro argelino causou mais danos do que a saída dos outros dois, que aliás geraram uma receita de cerca de 67 milhões de euros.

Convém não esquecer: Palhinha e Matheus Nunes já declararam publicamente que queriam jogar na Premier League. Sem deixar lugar a dúvidas. Faria algum sentido mantê-los em Alvalade contrariados? O que lucraria o Sporting com isso?

 

8

Alguns dos que agora tentam desviar as atenções invocando a saída daqueles dois jogadores como causa fundamental dos problemas são os mesmos que há um ano diziam que Ugarte era «claramente melhor» que Palhinha e criticavam Matheus por «querer a bola só para ele» e «empastelar» o nosso jogo a meio-campo.

É sempre assim. Entoam hinos aos jogadores do Sporting... apenas quando eles deixam de ser jogadores do Sporting.

 

9

Parece sina deste clube: quando há um pequeno ciclo de vitórias, logo é engolido por um longo ciclo de não-vitórias. Foi assim com os últimos presidentes vencedores - João Rocha (por três vezes), Roquette, Dias da Cunha. Está a ser assim também com Frederico Varandas.

 

10

Rúben Amorim tem cometido vários erros. A exclusão de Slimani, a obstinação em não contratar um ponta-de-lança alternativo a Paulinho, a reacção absurda à saída de Matheus Nunes como se isso o privasse dum salvador da pátria (algo que não deve ter dado moral nenhuma aos que ficaram), contínuas indirectas à estrutura directiva, a insistência em fazer alinhar Trincão de início para um lugar em que Edwards está muito mais qualificado, a confissão de que tem jogadores "preferidos" no plantel...

Precisa de adquirir alguma humildade. E de saber conviver com a pressão e as críticas.

Ser fiel às ideias é de aplaudir. Mas se as ideias não forem adequadas às necessidades impostas pelas circunstâncias, deve ter flexibilidade suficiente para se recriar, para se reciclar, para assimilar novas ideias, novos processos de jogo, novas dinâmicas.

Se me perguntarem quem prefiro como seu sucessor, responderei sem hesitar: Amorim deve substituir o próprio Amorim. Ou seja: o treinador do Sporting tem de reinventar-se. Corrigindo teimosias, atenuando obstinações, limando casmurrices.

Está em início de carreira, tudo lhe sorriu até agora, falta experimentar o outro lado - menos feliz e sorridente. Se estes problemas o ajudarem a crescer como profissional do futebol, um dia há-de olhar para eles com alguma gratidão. Possamos nós dizer o mesmo.

Não há Plano B



Nunca imaginei que pudéssemos ser campeões há dois anos, mas também nunca imaginei que caíssemos numa daquelas épocas tão frequentes no passado. Supus que com RA, o nosso “teto para baixo” fosse o terceiro lugar mesmo a dormir e que eliminações na Taça por clubes da segunda ou terceira, jamé voltassem a acontecer.

Sobre a Champions, nunca achei nada, porque o SCP não é um clube Champions - nem será com este modelo de SAD. Ou vem um tailandês (marciano, polaco, cabo-verdiano, tanto faz) que empata meio bilião ou coisa parecida, ou seremos sempre o clube que por vezes vai, até faz umas flores, mas acaba depressa.

Quando as coisas correm bem, o auto convencimento é muito sedutor. Quando correm mal é que se vê a fibra. Nos últimos anos, o nosso líder dentro, fora, por cima, por baixo e em redor do campo tem sido RA, um casaco que ele vestiu porque gosta e onde se sente bem. É claro para mim que RA acha que no casaco só cabe uma pessoa, ele.
Vê-se agora que falta plano B, porque o espaço de liderança está todo o ocupado.

Pior do que a direção ou direção técnica, é não haver dentro de campo quem saiba mandar e meter sentido naquilo. Coates nunca foi um líder – é um jogador de grande envergadura e dedicação, mas não um daqueles que sigamos até à morte - talvez só Porro ou Nuno Santos se assemelhem ao que poderíamos ter. Paulinho não tem a confiança da bancada, da imprensa e sobretudo dele próprio, no meio campo não há ninguém. É ver como Pote, Trincão ou Edwards jogam sozinhos, porque os deixam (treinadores e colegas) ou como o novatíssismo Artur tem já essa inclinação.

Ontem, em Arouca ou com o Varzim, nunca se sentiu que pudéssemos dar a volta. Em Londres, com o Tottenham fomos salvos por um golo anulado caído do céu (a anulação); com o Casa Pia tivemos sorte durante sete ou oito minutos (até num penalti mais ou menos coiso sobre o Edwards).

Eu penso assim, que no momento estamos entregues ao sorteio da sorte. Infelizmente, pelo que vejo na expressão do nossos treinador, ele também.

Gostaria que a equipa técnica ficasse, pela competência, pela liderança e por um certa mística que RA começou a criar. Mais importante do que termos craques novos no Inverno, é termos o nosso líder de volta.

O pesadelo

Dez notas sobre o Varzim-Sporting (1-0)

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O Sporting disse ontem adeus à Taça de Portugal no próprio jogo em que se estreava nesta competição. Caiu com justiça perante o Varzim - que actuava supostamente "em casa", mas em estádio emprestado, na cidade de Barcelos. Adversário da Liga 3, uma competição dois escalões abaixo da nossa.

Foi o "momento Silas" de Rúben Amorim neste início de época que se transformou num doloroso pesadelo. Vamos em quinto no campeonato à nona jornada, disputamos o quarto posto com o Casa Pia, acabámos de ser humilhados pelo Marselha na Liga dos Campeões, sofremos seis derrotas em 14 desafios já disputados em três competições.

Agora, somos despejados da Taça. Num jogo em que nada fizemos sequer para empatar, quanto mais para vencer.

Equipa apática, desinteressada, sem chama nem alma. Treinador assistindo fora das quatro linhas, com atitude de insólita resignação. Como se uns e outros já desconfiassem desde o início que o pior poderia acontecer.

E aconteceu mesmo.

 

Algumas notas que este jogo me suscitou:

1. Os nossos futebolistas passaram o tempo a atirar bolas para a bancada. Pareciam disputar um concurso a ver quem seria o primeiro a pontapear uma para fora do estádio. Neste lamentável "campeonato" distinguiu-se Trincão (8', 12', 32', 60', 65'). Uma inutilidade.

2. Beneficiámos de 19 pontapés de canto. Nenhum foi aproveitado - nem andou perto disso. Desperdício quase chocante. Enquanto junto à baliza leonina os escassos lances de bola parada favoráveis ao Varzim faziam o nosso "bloco defensivo" tremer. O golo da equipa da casa, aos 70', surgiu na sequência de um livre em zona lateral.

3. Houve desempenhos individuais catastróficos. Mas a falha principal deste Sporting 2022/2023 é a nível colectivo. Como se o lema "para onde vai um, vão todos" funcionasse agora ao contrário. No pior sentido do termo.

4. O conjunto leonino parece entrar em campo à beira da exaustão física, actuando em câmara lenta, quase a passo. Vários jogadores continuam lesionados, outros vieram de lesões mal curadas, alguns andam presos por arames. Para cúmulo, surgiu agora um surto de "virose" que deixou outros fora de combate. Mas a principal quebra é no plano anímico. Amorim nada ajudou com a polémica declaração sobre jogadores "preferidos". Algo capaz de fracturar um balneário.

5. Paulinho, um dos jogadores preferidos do treinador, continua sem marcar. Na nossa baliza. Mas foi dele a "assistência", de cabeça, para o golo poveiro. Momento infeliz? Sem dúvida. Mais um, a somar a outros. 

6. Amorim inovou do ponto de vista táctico quando chegou a Alvalade. Mas o que era novo tornou-se velho: qualquer equipa, do Marselha ao Varzim, conhece de cor e salteado os automatismos do onze leonino e as suas notórias fragilidades, neutralizando o Sporting. Nomeadamente no capítulo defensivo, onde se sucedem arrepiantes falhas de marcação porque os três centrais estão sempre mais preocupados em definir linhas de fora-de-jogo. E acabam, várias vezes, a defender com os olhos.

7. Faz pouco ou nenhum sentido manter o modelo táctico seja qual for o adversário, seja qual for o estádio, seja qual for a competição, seja qual for o objectivo em vista. Amorim gaba-se de ser teimoso. Quando a teimosia se torna casmurrice passa a ser defeito.

8. O treinador voltou a errar ao mexer na equipa. Já em desespero, aos 85', mandou sair Nuno Santos, único dos nossos que teimava em remar contra a maré, acutilante do princípio ao fim. Quando mais precisávamos de a meter lá dentro.

9. Tombámos ao cumprirem-se os 90 minutos regulares. Mas pairou a sensação de que se tivéssemos ido a prolongamento e aos penáltis para efeito de desempate, ficaríamos também pelo caminho - de tal modo esta equipa está arrasada no plano anímico e motivacional.

10. Se há frase que detesto é «temos de levantar a cabeça». Uma espécie de lema dos derrotados. O nosso treinador pronunciou-a no final do jogo. Péssimo sinal. Como se a "síndrome Silas" voltasse a pairar no horizonte.

 

Leitura complementar:

Abalo sísmico (28 de Agosto)

A hecatombe (13 de Outubro)

Que plantel vamos ter esta época?

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Já comecei este post há tanto tempo que algumas frases já foram por mim utilizadas no blogue entretanto, mas repito-as aqui em benefício da ideia que vou tentar expressar:

Parece que ainda foi ontem que Rúben Amorim chegou ao Sporting, numa aposta de altíssimo risco do presidente Frederico Varandas, com direito a uma manifestação à porta do estádio a "saudar" a sua vinda e com um dos ambientes mais crispados de que me lembro nas bancadas de Alvalade. 

E no entanto entrámos já na 4.ª época de Rúben Amorim como treinador do nosso clube, depois dum errático Silas e dum menosprezado Keizer, a segunda após ter sido campeão nacional, coisa de que nem Bölöni, nem Inácio, nem Malcolm Allison, nem Fernando Mendes, nem Mário Lino se puderam orgulhar. O Sporting realmente tem sido um clube marcado pela ingratidão e demonstrado uma enorme dificuldade de conviver com o próprio sucesso.

Com um título de campeão nacional, duas taças da Liga, uma Supertaça e uma passagem aos oitavos de final da Champions, e mesmo no contexto duma competição interna viciada pelo poder mafioso do norte, Rúben Amorim já ganhou mais do que qualquer outro treinador desde que comecei a frequentar as bancadas de Alvalade, e só mesmo algum ignorante ou ressabiado poderá dizer que ele não reúne condições para ganhar bastante mais.

E ganhou com um modelo de jogo assente no 3-4-3 que implantou desde o dia que chegou e do qual não abdica, e um plantel assente em princípios bem definidos, como sejam a liderança de balneário, o compromisso e a atitude em campo e fora dele, a força da juventude, a ligação à formação, mas ganhou também na potenciação da qualidade individual e colectiva dos jogadores. 

 

A época não começou da melhor forma. As lesões em elementos chave sucederam-se, são já duas derrotas e um empate em cinco jogos na Liga, o melhor médio - Matheus Nunes - saiu entretanto por uma oferta irrecusável dum clube inglês, o mercado fechou sem reforços dignos desse nome, e vamos entrar na Champions num grupo muito equilibrado e que nos pode pôr facilmente fora das competições europeias na segunda metade da época.

Tempo para fazer uma análise sucinta do nosso plantel, sempre tentando ir de encontro às ideias de Rúben Amorim e nunca tentando encontrar aquilo que ele não pretende. Porque antes de comentar o plantel teria de comentar o treinador e talvez sugerir um Jorge Jesus qualquer para pôr a equipa a jogar o triplo, pelo menos quando o vento não sopra mais forte e a chuva não resolve cair.

 

Então é assim:

Sempre ouvi dizer que a receita para um bom plantel é assegurar dois jogadores de valor idêntico por posição, complementando depois com "jokers" (jogadores que podem ser tremendamente importantes em momentos específicos) e estagiários. Dificilmente algum jogador será totalista durante a temporada, as lesões e os castigos irão forçosamente aparecer, as baixas de rendimento também, então importa que quem entre consiga igualar ou suplantar quem sai, mesmo no próprio jogo essa questão se coloca. 

Por outro lado importa que o plantel esteja bem distribuido do ponto de vista físico, com o peso e a altura a serem determinantes em certas posições, de forma a poder dispor duma forte presença física nas duas áreas de rigor.

 

Vou então analisar o plantel desse ponto de vista:

Guarda-Redes - Antonio Adán (35, 1,90m, 2,5M€) / Franco Israel (22, 1,90m, 1M€) e... André Paulo (25, 1,88m, 0,1M€), Diego Callai (18, 1,90m, -M€) 

Se é senso comum que um guarda-redes está lá é para defender, no modelo de Amorim tem de fazer algo mais, desde logo coordenar o processo de sair a jogar, sabendo onde e quando colocar a bola perto ou longe. Nem todos conseguem.

Se primeiro pensava que enquanto existisse Adán estávamos bem, depois lesionou-se e surgiu um Israel a dar óptimas indicações, depois ele regressou... muito mal, e agora já nem dá para perceber se o problema é o Adán como titular ou o Israel como suplente. 

André Paulo completa o trio base e assegura que Callai tem tempo para crescer e amadurecer jogando pela equipa B.

 

Defesas  - St Juste (25, 1,86m, 16M€) / Luís Neto (34, 1,85m, 2M€) / Sebastián Coates (31, 1,96m, 8M€) / Gonçalo Inácio (20, 1,86m, 23M€) / Matheus Reis (26, 1,83m, 4M€)...  Marsà (20, 1,85m, 0,3M€), Alcantar (19, 1,91m, -M€)

No modelo de Amorim, existe uma "troika" de defesas em linha que além das tarefas óbvias tem como linhas de orientação o controlo da profundidade a defender provocando o fora de jogo contrário e a atracção dos avançados contrários à pressão na construção libertando espaço livre no meio-campo contrário onde o processo ofensivo se pode iniciar.

Se é verdade que quaisquer 3 destes 5 jogadores nucleares podem constituir a tal "troika" , também o é que o lugar de comando está no meio, e esse é o lugar de Coates. Já por lá passaram outros, como Gonçalo Inácio e até Marsà, mas não é a mesma coisa, talvez fizesse sentido contratar mais um central com essas características e que pudesse actuar também como trinco. 

Pelo menos era isso que pensava até ver na B um Marsà muito mais assertivo relativamente ao que era na época passada e um Alcantar com uns pezinhos de encantar. Sendo assim, parece-me que não será por aqui que teremos problemas, desde que os mais velhos, Coates e Neto, estejam ao melhor nível.

St. Juste já se percebeu que se encaixa como uma luva na ideia de jogo de Amorim, precisará apenas de confiança a nível físico depois de muito tempo para estar no seu melhor.

 

Alas Direitos - Pedro Porro (22, 1,76m, 25M€) / Ricardo Esgaio (29, 1,73m, 5M€) 

Os alas são os corredores de fundo do modelo Amorim, descendo para cobrir o flanco, posicionando-se bem colados à linha para terem espaço e tempo para embalar e tabelar e cruzar. Por isso mesmo raramente o Sporting começa e acaba o jogo com os alas com que começou.

Aqui diria que poderíamos ter uma ala direita de luxo se não fosse a apetência de Porro pelas lesões e a dificuldade que Esgaio demonstra, talvez por não ter a continuidade de utilização necessária, de voltar ao nível que atingiu no Braga. Porro em forma é uma coisa, trata-se dum potencial titular da selecção espanhola, o resto é o resto.

 

Alas Esquerdos - Matheus Reis (26, 1,83m, 4M€) / Nuno Santos (26, 1,76m, 7M€) e...  Nazinho (18, 1,80m, 0,5M€)

Depois do sucesso de Nuno Mendes e do fracasso de Rúben Vinagre, quer Matheus Reis quer Nuno Santos podem assegurar o lugar, com um a defender melhor e o outro a atacar melhor, dependerá do adversário jogar um ou outro. Mas curiosamente os dois combinam muito bem, e com Matheus Reis na defesa e Nuno Santos na ala existem movimentos e trocas de posição interessantes que desequilibram os adversários.

Quanto aos "estagiários", Fatawu parece não ser aposta de Amorim para o lugar e percebe-se porquê: ele quer mesmo é entrar e partir aquilo tudo Resta Nazinho, que também vi pela B muito concentrado na posição, no fundo bastante mais jogador do que era na época passada.

 

Médios Centro - Ugarte (20, 1,82m, 8,5M€) / Sotiris Alexandropoulos (20, 1,86m, 3M€) / Daniel Bragança (22, 1,69m, 8M€) / Morita (27, 1,77m, 4M€) / Pedro Gonçalves (24, 1,73m, 30M€) e... Essugo (17,1,87m, 2M€), Mateus Fernandes (18, 1,78m, -€)

No modelo de Amorim os dois médios centros têm uma tarefa deveras exigente, estando quase sempre em desvantagem numérica na zona de terreno onde actuam. Têm como grandes preocupações desarmar sem falta o mais à frente possível, a progressão pelo centro com a bola dominada e a variação oportuna de flanco, solicitando o ala respectivo. Normalmente um deles é mais posicional, sendo o tal "6", outro mais projectado no terreno, o tal "8", mas podendo trocar de papéis durante o jogo caso as características de cada um o permitam.

Daniel Bragança, com toda a pena da nação Sportinguista, deve ter perdido a época, poderá até jogar aqui e ali, mas tem é de recuperar fisica e psicologicamente para a próxima.

Sotiris parece ser mais um projecto de jogador que um jogador feito como era Matheus Nunes. Pedro Gonçalves a médio é um desperdício. Os dois miúdos estão por demais "verdes", ficam Ugarte e Morita a aguentar o sector para toda uma época. Com isso, e com Ugarte a ver um amarelo por jogo, os problemas estão garantidos.

 

Interiores - Pedro Gonçalves (24, 1,73m, 30M€) / Trincão (22, 1,84m, 20M€) / Rochinha (27, 1,69m, 3M€) / Marcus Edwards (23, 1,68m, 13M€) / Arthur Gomes (24, 1,74m, 1,5M€) /Jovane (24,1,74m, 5,5M€)... Fatawu (18, 1,77m, 0,3M€)

O plano básico de ataque de Amorim lembra o andebol. Dois alas projectados (pontas), dois interiores (laterais) e um ponta de lança (pivot), em que o ponta de lança arrasta os defesas e cria condições para os interiores rematarem ao golo. Assim, os interiores são avançados a jogar de pé contrário ocupando posições interiores para ter facilidade de inflectir para o centro e rematar. E são eles que mais golos marcam, qualquer que seja o ponta de lança de serviço. Na primeira época foi Pedro Gonçalves, na segunda Sarabia, nesta já estão o mesmo Pedro Gonçalves e Edwards à frente da lista dos melhores marcadores do Sporting. E agora, na lesão de Paulinho, Amorim colocou em prática o plano B, sem pivot, com um tridente ofensivo de interiores em permanente troca de posições.

Então estamos a falar basicamente de sete jogadores para duas ou três posições, já sem falar em Nuno Santos. Poderá parecer um exagero, mas é preciso recordar que em cada jogo cinco ou seis destes entram em campo, é talvez a posição mais desgastante, pelo que o número não se pode considerar exagerado, especialmente quando são jogadores de características bem diferentes uns dos outros, como é o caso.

 

Pontas de lança - Paulinho (29, 1,87m, 13M€) e... Chermiti (17, 1,90m, 1M€), Rodrigo Ribeiro (17, 1,85m, 1M€)

No modelo de Amorim o ponta de lança tem de ser o tal "canivete suíço". Além de ter movimentos de ataque à bola de ponta de lança e do servço de arrasto para os interiores, tem de ser o primeiro defensor, recuando no terreno e impedindo a circulação da bola pelo trinco contrário. E ainda servir de referência no possível passe longo vindo do guarda-redes. Enfim, será tudo menos um Jardel.

Muitos jogadores Amorim já testou na posição sem sucesso, como Sporar, Jovane e Tiago Tomás. Por isso o veio Paulinho e o melhor futebol do Sporting na época passada foi com ele a fazer bem a função. Rodrigo Ribeiro está a aprender a função, mas... tem 17 anos.

Mas há jogos e momentos em que esta ideia de ponta de lança não é a mais adequada. É preciso alguém mais massacrante para os defesas e mortífero frente à baliza, forte no jogo aéreo para ser uma referência fácil para os centros dos alas e Paulinho decididamente não tem essas características, como tinha Slimani, por exemplo, ou como poderá vir a ter Chermiti. Quanto a Rodrigo, ainda não tenho ideia definida sobre o rapaz, talvez nem ele próprio saiba ainda onde poderá render mais de acordo com as suas características. Mas ponta de lança clássico não me parece.

 

Concluindo:

Na época passada, por esta altura, tínhamos perdido um titular importante, João Mário, ninguém sabia quem era Sarabia, Nuno Mendes já tinha ido também, Matheus Nunes pouco tinha jogado na época anterior, Bragança vinha duma exibição péssima na Luz, Ugarte era uma incógnita, Matheus Reis parecia uma barata tonta, Jovane e Tiago Tomás entraram muito mal na temporada. Depois foi o que se viu, o bom e o mau.

 

E agora? 

Sem Palhinha e Slimani, começa por ser um plantel com deficit acentuado de peso e altura no eixo central, pelo menos no que aos titulares diz respeito. Porque quando olhamos aos mais novos, Marsà, Alcantar, Sotiris, Essugo, Chermiti, Rodrigo Ribeiro, pelo menos essa altura está assegurada.

Depois porque depende muitissimo de alguns jogadores muito experientes que obrigatoriamente acusam o peso dos anos, como Adán e Coates, mesmo Neto e Esgaio noutro patamar, não estão a ser o que já foram.

Além disso parece existir muita qualidade mas falta a tal qualidade-extra do meio campo para a frente, um ponta de lança que só por si resolva jogos, um comandante no meio-campo. Aquilo que transforma uma boa equipa numa grande equipa, aquilo que faz a diferença.

 

Podia a equipa ter-se reforçado com esse tipo de jogadores no mercado que agora findou? Podia.

E porque não fez isso? 

Vendo de longe, e aguardando o momento de saber mais, não foi de todo pela vontade de Rúben Amorim, valores mais altos se levantaram e que como sócios temos de respeitar porque ter ao mesmo tempo sol na eira e chuva no nabal é coisa que apenas existe na mente dalguns pobres de espírito.

SL

Para arrumar ideias

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Foto: Carlos Vidigal Jr. / Global Imagens

 

No papel, as alterações introduzidas no plantel do Sporting foram previstas a tempo e horas.

 

Palhinha queria sair para o futebol inglês, onde já está a fazer boa carreira, com Marco Silva no Fulham. Teve oportunidade de passar o testemunho a Ugarte, novo titular da posição 6. Aliás alternaram ambos nesse lugar durante a época passada. Com elogios generalizados dos adeptos.

Até se escreveu aqui uma vez e outra, com evidente exagero, que o uruguaio era superior ao português.

Está registado.

 

Morita foi contratado em Junho para ser número 8, ou seja, para fazer o lugar de Matheus Nunes. Que nem estava a ter grande desempenho desde os elogios que escutou de Pep Guardiola e desejava rumar também à Premier League, onde hoje ganha um salário seis vezes superior ao do Sporting. «Já há muito tempo que queria vir para aqui», declarou o jogador, desfazendo qualquer dúvida, mal chegou ao Wolverhampton.

Feddal saiu, mas chegou St. Juste. A tempo de ganhar rotinas para a nova época, o que só não aconteceu por súbita lesão.

Sarabia, que esteve por empréstimo, regressou ao Paris Saint-Germain. Ausência muito difícil de colmatar. Veio Trincão, o sucessor possível.

 

Paulinho viu chegar um concorrente directo, no início de Fevereiro. Era Slimani.

Sinal evidente de que a "estrutura" havia diagnosticado ali um problema.

 

Que Ugarte esteja agora sem substituto, que Morita ainda não pareça rotinado numa posição que o próprio Matheus só um ano depois de chegar ao Sporting assumiu como titular e que Slimani tenha entrado em ruptura com o treinador são questões relevantes, uma das quais imprevista, mas não retiram acerto ao planeamento leonino.

Algumas serão resolvidas com o tempo (Morita, creio, é mesmo reforço).

Outras exigem ida ao mercado. Foi o que justificou a vinda do jovem grego Sotiris Alexandropoulos, agora contratado, que preenche a ausência de Daniel Bragança, infeliz lesionado de longa duração. Pouco antes chegara Rochinha, capitão do V. Guimarães, para compensar a saída de Tabata, que rumou ao Palmeiras, onde tem um salário três vezes superior ao que recebia no Sporting.

 

Entretanto, há um dado factual que convém reter: todas as contratações continuam a ser indicadas ou avalizadas pelo treinador. Que também exerce um veto informal a possíveis jogadores sinalizados pela estrutura directiva que não sejam do seu agrado. Terá acontecido com André Almeida, que acaba de trocar o V. Guimarães pelo Valência, rendendo 7,5 milhões de euros ao clube minhoto.

Bom jogador? Sem dúvida.

Valeria a pena insistir nele sem o aval do técnico? Não.

Se Amorim não gosta deste ou daquele, ninguém deverá contrariá-lo. É algo que não faria sentido. Até porque terá recebido carta branca para escolher jogadores, dentro do tecto orçamental definido pelo administrador financeiro.

 

A excepção foi Slimani, precisamente. E correu mal.

Se o treinador prefere ter Paulinho como opção A e Coates como opção B, na posição de ponta-de-lança, aí talvez o cenário se complique. Porque esse é precisamente o lugar que mais temos urgência em preencher. Sem matador não há golos, sem golos não há vitórias, sem vitórias não há pontos, sem pontos não há títulos. E sem títulos quedamo-nos à porta da glória, impedidos de entrar.

O Sporting voltou, mas não é isto

Perder 2-0 com o Chaves em casa, depois de 3-0 com o FCP há uma semana, é muito mau. Um desastre. Imagine-se o que poderá acontecer na Champions, com este plantel e os 11 que temos visto, completamente desequilibrados e desajustados à realidade de um clube como o SCP. Há que repensar tudo: a estrutura do futebol, ir buscar os jogadores de que necessitamos e dar segurança a Amorim. Isto é o que tem que fazer Frederico Varandas e a direção, porque ele não estará sozinho nisto.

Ao contrário do que aconteceu no passado, não é tempo para pedir a cabeça do treinador, do presidente ou dos vários membros da direção do SCP. É tempo de união, de reflexão e de nos sentarmos todos à mesma mesa a pensar em soluções. O clube está mais forte, é solvente (ao contrário de outros da nossa liga), continua a ganhar títulos em várias modalidades e é respeitado nacional e internacionalmente. Isso é muito importante e é quase tudo. Falta o quase. É preciso rasgo, ambição, vontade de fazer cada vez melhor. Em vez disso, temos visto muito comodismo, falta de paixão e de querer.

Estamos à beira do início da fase de grupos da Champions e não é com aquela defesa, aquele meio campo e aquele ataque que vamos a algum lado. Sim, o problema não está apenas e só no facto inaudito de jogarmos sem ponta de lança (e de não termos nenhum no banco), está também na evidência de que esta defesa está a meter água por todos os lados e que a venda dos nossos dois melhores médios está a fazer estragos difíceis de reparar. O planeamento, como assumiu Amorim, foi mal feito. Saíram Palhinha, Matheus e Tabata em poucos dias, mas não entrou ninguém. Vai assinar o grego Sotiris Alexandropoulos? Muito bem. Mas é curto. 

Faltam-nos laterais de qualidade, falta mais um central, mais um médio típico 8 e faltam pontas de lança. Os jogos ganham-se com golos. Por muito que Pote tenha sido o nosso salvador em tantos jogos, a verdade é que não marca sempre, a jogar mais recuado muito menos.

A época não está perdida, apesar de já estar irremediavelmente afectada. O grupo está menos coeso, está pouco crente e, como sublinhou Adán, o balneário não está bem. Isso sente-se.
Amorim é um homem confiante, parece ter sempre resposta para tudo. Mesmo nas derrotas quer sair por cima. É a sua natureza. Mas sozinho não vai lá. O apoio ou vem de cima e com capacidade transformadora ou vamos ser tremendamente infelizes esta época. Ainda vamos a tempo. Mas é um tempo para decisões e não para tremideiras.

Cerrar fileiras

Convido-vos a verem o resumo do pequeno Brentford contra o grande Man United. 
https://youtu.be/5t9WQHcy6dE 
Se o Sporting tivesse sofrido um destes 4 golos nas Antas o que prái não ia...

Da compostura do maduro Neto à aparente "despreocupação" (nas palavras de Amorim) de Pote todos os jogadores do Sporting têm exibido jogo após jogo empenho e ânimo em campo, independentemente dos resultados. O que é uma conquista de relevo, se nos lembramos dos Elias&cia. de um passado não tão remoto quanto isso.

Os jogadores do Sporting mostram também, com melhor ou pior execução, jogo após jogo, seja quem entre ou quem saia, discernimento e organização em campo, outra grande conquista recente para quem não esqueceu os tempos recentes das debilidades dinâmicas e desorientações tácticas de Peseiro, Silas, ou mesmo Keizer.

Parafraseando as memoráveis palavras de Nelson antes de Trafalgar, o Sporting espera que cada um cumpra o seu dever. Amorim e os jogadores estão a cumprir e só por má-fé e estupidez se dirá o contrário. A equipa está curta? Sim. Falta-lhe subir um degrau na qualidade individual, tal como no ano passado se havia subido com Sarabia em relação ao ano anterior? Sim. Mas nada disto deverá ser assacado a Amorim ou a quem joga. E no dia 1 de Setembro os sócios cá estarão para pedir contas se Amorim e a equipa se mostrarem desconfortáveis com as condições que lhes foram dadas para cumprirem os objectivos que lhes foram pedidos.

Por isso, flatulências opinativas, culpabilizações irresponsáveis, indignações de sofá, insurgências no abjecto anonimato dos teclados, e outros sintomas do proverbial masoquismo auto-destrutivo que têm infestado a cultura sportinguista, só tenho a dizer: ide ter com as vossas mãezinhas lá ao sítio onde elas trabalham, que vocês sabem muito bem qual é.

E dia 27 lá estarei em Alvalade para apoiar este Sporting brioso e destemido que Amorim tem posto em campo.

Para trás e para os lados

Alguns adeptos são pragmáticos. Se a equipa teve um bom resultado, jogou bem, se não jogou mal.

Eu não concordo nada com esta forma de ver as coisas.

Outros acham que se a equipa joga rápido para a frente joga bem, quando abranda e acontecem os passes para trás e para os lados está a jogar um mau futebol.

Ainda concordo menos.

O objectivo dum jogo de futebol não é marcar muitos golos, é marcar mais golos que o adversário.

Para isso é preciso maximizar as possibilidades de marcar e minimizar as de sofrer. Saber desposicionar a defensiva adversária, atacar mantendo o posicionamento.

Atacar rápido e em força para mim quer dizer futebol de matraquilhos. Bola acima, bola abaixo, futebol inglês de há uns anos atrás, futebol dos sub23 de hoje em dia. Isso justifica-se quando a equipa esta a correr atras do prejuizo, mas é muito limitado como plano de jogo habitual.

Este Sporting em 3-4-3 de Amorim está pensado para permitir a equipa atacar mantendo uma grande segurança defensiva, desde logo protegendo a zona central da defesa, assegurando que o seu patrão  é o mais possivel resguardado.

Isso é feito saindo à jogar pelo guarda-redes, atraindo a pressão, encontrando espaço nas costas do ataque adversário, acelerando pelas laterais, ou seja, criando muito estrago com pouca gente.

A bola vai circulando para trás e para os lados para cansar o adversário e retirar os seus jogadores da zona de conforto, de forma a que quando um jogador adversário recupera a bola tem de gastar alguns segundos preciosos a perceber onde estão os colegas.

Esquecendo os jogos com os rivais e com os grandes da Champions, o Sporting perdeu pontos quando não teve paciência para circular a bola e embarcou no jogo directo do adversário, deixando partir o jogo, perdendo o controlo do mesmo, sujeitando-se ao erro.

Foi assim com o Braga no domingo, foi assim com Braga, Sta Clara e Famalicão na época passada.

Tal como a equipa tem de ter paciência no jogo, os Sportinguistas têm de ter paciência nas bancadas ou frente a TV.

Jogar como nunca e perder como sempre não interessa.

Quem tem a bola está sempre mais perto de ganhar. Sem ela o adversário não consegue jogar. E para a conservar ela tem de circular também... para trás e para os lados.

As grandes equipas, como o Man.City, conseguem combinar muito bem controlo com contundência ofensiva, sabem quando e onde acelerar, quando e onde travar.

O Sporting ainda não chegou lá. E quando acelera muitas vezes descontrola.

SL

Chutar para Kant

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A bola.

O primado da bola.

De forma formal dizemos futebol, informalmente, jogar à bola.

Da mesma forma que disse que Raul Silva foi mal expulso, primeiro jogou a bola, Adán, hoje, não comete penalty, afasta a bola e só depois ocorre o contacto. O que poderia o guarda-redes do Sporting fazer? Não defendia a bola, dentro da pequena área, pois podia magoar o jogador adversário, ficava de braços cruzados a ver o que acontecia?

No lance Alfa Semedo vs. Sarabia, o mesmo, Alfa não joga a bola, ceifa Sarabia dentro da área, penalty por assinalar (trio d' O Jogo unânime, foi penalty).

(confrontar com os penaltys a favor do Porto, os jogadores do Porto desinteressam-se da bola, entram na área e tentam provocar contacto com os defesas... muito treino).

A razão quando é pura vale por ela própria, sem pontapés de baliza nem kantos de sereia.

Não adianta iludir estes factos

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Chega a ser exasperante, por vezes, vermos a nossa equipa jogar com tão baixa intensidade. Voltou a acontecer nesta jornada, frente ao Marítimo.

Mas é lícito concluir: o Sporting não "joga lento" por opção.

Joga assim porque está nos limites da exaustão física. E porque já soma 40 jogos disputados desde o início da temporada com um plantel muito mais curto do que os dos nossos principais rivais.

As coisas são o que são, não aquilo que gostaríamos que fossem.

 

Isto parece-me o essencial da questão.

Quando acompanhamos um campeonato, não devemos olhar só para aquilo que se vai desenrolando no relvado. Há que pensar também no contexto, no enquadramento, nas condições de equidade. Existirão de facto?

 

A verdade é que o campo este ano tem estado sempre mais inclinado contra nós.

E não me refiro a questões de arbitragem. Quem me lê sabe que não costumo justificar falhas nossas apontando o dedo, em piloto automático, aos homens do apito. Que são os mesmos que já arbitravam quando fomos campeões, quando vencemos a Supertaça, quando nos sagrámos campeões de Inverno em três das últimas quatro edições da Taça da Liga.

Falo de responsabilidades próprias.

 

Reafirmo aquilo que escrevi neste blogue várias vezes desde o início da época: entrámos em 2021/2022 desfalcados em duas posições fundamentais - defesa central à direita e ponta-de-lança.

Tiago Tomás não era esse avançado, Paulinho não cumpre alguns dos requisitos fundamentais para a posição.

Sem golos não há vitórias, sem vitórias não há pontos, sem pontos os títulos tornam-se mais difíceis em provas de continuidade.

 

Adenda, a propósito: Incrível (diria até inadmissível) falhanço de Paulinho, bem servido por Slimani em zona frontal, no Marítimo-Sporting. Foi aos 85'. Como sermos campeões se durante quase toda a época só tivemos Paulinho como hipotético "goleador"?

Que plantel vamos ter para o resto da época?

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Estamos já na segunda metade da época 2021/2022. Ganhámos a Supertaça, ultrapassámos a fase de grupos da Champions, da Youth League também, vamos disputar a continuidade nessas provas com grandes equipas europeias, vamos para a fase final da Taça da Liga com Santa Clara e provavelmente Benfica, a Taça de Portugal com Porto e logo se verá o outro finalista, e no campeonato seguimos em segundo lugar, entre Porto e Benfica. 

É tempo de olharmos para o plantel existente, pontos fortes e fracos, na perspectiva dos objectivos a alcançar esta época, sem deixar de olhar para o médio prazo.

A primeira constatação é que existe uma equipa titular bem definida, com Adán, Porro, Inácio, Coates, Feddal, Matheus Reis, Palhinha, Matheus Nunes, Sarabia, Paulinho e Pedro Gonçalves. Depois os outros, que sabem bem o papel que têm de desempenhar quando são chamados, e que são tão importantes como os titulares. Isto é primeiro caminho andado para um balneário saudável.

A segunda é que com Frederico Varandas mudámos completamente de paradigma de gestão de activos no que ao futebol diz respeito. Não existem plantéis fixos em nenhum escalão competitivo, tudo funciona em função da evolução dos jogadores e dos interesses da equipa principal. Assim, não é possível dizer se Catamo ou Essugo fazem ou não parte do plantel principal. Fazem quando são precisos, quando não são jogam na B, nos sub23 ou na Youth League. Conforme se justificar.

A terceira é que se passou a preferir manter do que comprar, os contratos são sistematicamente renovados de acordo com o sucesso desportivo, as saídas acontecem apenas pelo peso dos milhões ou por questões da carreira dos atletas, tudo de acordo com a vontade do Sporting e dos jogadores. Por isso, para este mercado de Inverno, a ideia é ninguém sair mas também ninguem vir para titular, virá apenas para ajudar pontualmente no imediato ou numa perspectiva de médio prazo.

Repetindo o que desde há muito tenho vindo a dizer, Rúben Amorim instituiu no Sporting um balneário muito coeso, uma disciplina de trabalho muito forte e um modelo de jogo muito próprio alicerçado num sistema táctico 3-4-3 do qual não abdica.  Com o sistema táctico definido, podemos então reavaliar o plantel, havendo jogadores que poderão ocupar diferentes posições do mesmo.

Para cada jogador coloquei a idade, altura e valor no Transfermarkt.

 

Guarda-Redes - Antonio Adán (34, 1,90m, 3M€), João Virgínia (22, 1,92m, 1M€)  e André Paulo (25, 1,88m, 0,1M€)

Adán continua a estar a um altíssimo nível, nada deixando a dever a grandes guarda-redes estrangeiros que  tivemos no passado e que chegaram ao Sporting também na parte final das suas carreiras, como Meszaros e Schmeichel.

Mas João Virgínia não faz esquecer Luis Maximiano. E André Paulo, um guarda-redes sóbrio e tranquilo, ainda não foi testado a grande nível. Se Adán tiver algum azar, podemos ter aqui um problema, ou até um grande problema. Concluindo, valha-nos o Santo Adán.

 

Ala Direito - Pedro Porro (22 anos, 1,76m, 25M€), Ricardo Esgaio (28, 1,73m, 6M€) e Gonçalo Esteves (17, 1,71m, 3M€)

Claro que Esgaio não esteve bem na única derrota do Sporting na primeira volta, e que Porro denota alguma fragilidade física, mas entre aqueles três temos a melhor ala direita de sempre. Porro está na calha para a titularidade da selecção A espanhola, Esgaio tem escola de avançado e é habitualmente fiável, e o Gonçalo é simplesmente um portento. Não me parece que seja por aqui que não chegaremos aos objectivos da época. 

 

Defesa  - Sebastián Coates (31, 1,96m, 14M€), Luís Neto (33, 1,85m, 2M€), Gonçalo Inácio (20, 1,86m, 16M€), Zouhair Feddal (32, 1,92m, 5M€) e Matheus Reis (26, 1,83m, 4M€)

Desde logo salta à vista que falta aqui alguém, porque são cinco jogadores para três posições num sector muito marcado por castigos e lesões. Esgaio desempenhou pontualmente estas funções mas para mim francamente mal. Depois, a condição física de Feddal e Coates tem de ser gerida com pinças, Neto continua a sofrer dos nervos, o que francamente já chateia, Matheus Reis tem deficiências de posicionamento naturais, ficando apenas um Gonçalo fiel escudeiro de Coates.

Faltaria outro Gonçalo de pé direito, coisa que Quaresma não conseguiu ser e continua no banco do Tondela. Depois olhamos para a equipa B - Goulart, Chico Lamba, Marsà - e não vemos ninguém que se destaque. Nem nos sub23, não sei onde pára o Gilberto Baptista. Concluindo: temos aqui o mesmo cenário do que na baliza. Uma coisa é o trio Inácio-Coates-Feddal, outra coisa é outra coisa.

 

Ala Esquerdo - Matheus Reis (26, 1,83m, 4M€), Rúben Vinagre (22, 1,74m, 5M€) e Flávio Nazinho (17, 1,80m, 0,5M€), Nuno Santos (26, 1,76m, 7M€) e... Marsà (22, 1,85m, 0,2M€)?

Parece muita gente para um lugar, mas a verdade é que nenhum deles nem de perto nem de longe se compara a Nuno Mendes. Para mim o melhor ala que temos é Matheus Reis: empenhado, fisicamente resistente, duro a defender, versátil a atacar. Vinagre tem sido uma desilusão, sem intensidade defensiva e monocórdico a atacar. Nazinho estã muito verde, Nuno Santos tem a cabeça no ataque e descura as tarefas defensivas, e Marsà fez uma excelente exibição a defesa esquerdo pela B e algumas bem medíocres a defesa central. O futuro será Matheus Reis e Marsà?

 

Médios Centro - João Palhinha (26, 1,90m, 26M€), Matheus Nunes (23, 1,83m, 22M€), Daniel Bragança (22, 1,69m, 8M€) e Ugarte (20, 1,82m, 8,5M€)

Aqui não resisto a copiar o que escrevi em Setembro: "O Sporting está a todo o custo a tentar assegurar a continuidade de João Mário. Ele é o maestro da equipa e, depois duma época de recuperação a todos os níveis, a próxima poderá ser melhor. Palhinha e João Mário formam uma dupla eficaz e que se complementa muito bem, um mais na destruição, outro na construção. Matheus Nunes e Bragança são alternativas de qualidade, um mais "box-to-box", o outro mais "play maker". Saindo João Mário, Ryan Gauld seria muito bem-vindo, jogo mais directo e intenso. Ficando João Mário, seria melhor o Sporting apostar num jogador diferente, tipo Oceano, para servir de alternativa a Palhinha. Na equipa B, e pelo que vi, Rodrigo Fernandes - que sem dúvida muito evoluiu esta época - ainda não tem a intensidade necessária. Já Bruno Paz ainda muito "a gasóleo", precisaria dum empréstimo na 1.ª Liga para conseguir outro andamento competitivo. Concluindo, aqui tudo depende de conseguirmos manter ou não a dupla titular."

E lá saiu João Mário, lá veio um "Oceano" chamado Ugarte, um excelente jogador também na calha para titular da sua selecção, lá foram à sua vida Rodrigo Fernandes e Bruno Paz, mas a verdade é que ninguém esperaria a explosão tremenda de Matheus Nunes. Que veio resolver muita coisa.

Assim ficámos com uma linha média duma enorme qualidade, quatro belos jogadores para duas posições, aos quais em caso de necessidade se podem juntar Tabata ou Pedro Gonçalves. Um dos pontos mais fortes deste plantel.

 

Interiores - Pedro Gonçalves (23, 1,73m, 38M€), Tabata (24, 1,78m, 4M€), Jovane (23, 1,76m,7M€),  Nuno Santos (26, 1,76m, 7M€), Sarabia (29, 1,74m, 25M€),  Catamo (20, 1,74m, -) ... Marcus Edwards (23, 1,68m, 13M€)?

Esta é a posição Balakov, sempre ocupada por baixinhos com remate ao golo e uma grande capacidade quer para jogar entrelinhas quer para ir à linha de fundo. Jovane é o tal o joker que pode decidir títulos e troféus vindo do banco, não lhe peçam mais do que isso. Pedro Gonçalves e Sarabia assumem a titularidade. Nuno Santos e Tabata são suplentes fiáveis. A vinda de Marcus Edwards só se justifica em termos de prevenir a saída de Sarabia no final da temporada, porque de resto a posição está bem fornecida. Qualidade não falta a qualquer um, só precisam de estar em dia sim quando entrarem em campo.

Pontas de lança - Paulinho (29, 1,87m, 13M€), Tiago Tomás (19, 1,80m, 5M€) e ... ???

Sobre Paulinho pouco mais haverá a dizer, o muito de bom que traz à equipa e os seus pontos fracos. Tiago Tomás encontra-se numa fase de transformação física que faz com que se perca em campo e talvez justificasse o empréstimo. Faz mesmo falta um outro avançado-centro, forte a jogar de cabeça, faz mesmo falta um... Coates lá na frente, porque quando ele para lá vai o Sporting cria mesmo perigo.

Olhando para os emprestados, Sporar deve ficar por Inglaterra, os dois Pedros não estão a justificar, fica o Luiz Phellype, que pouco joga no Santa Clara e que se estiver mais parecido no físico com Matheus Reis do que quando foi para os Açores, poderá ajudar. Na B e nos sub23, temos um Chermiti ainda muito verde, um Paulo Agostinho alto e trapalhão, o Sogklund não sei onde pára. Sobre o novo menino de Amorim, o Rodrigo, não tenho opinião.

Que avançado-centro a alinhar em Portugal seria interessante para o Sporting? Só vejo um que mora do outro lado da 2.ª circular e que foi o vice-artilheiro do campeonato no ano passado. Onde é que anda o Bas Dost?

 

Resumindo:

Tem sido uma época muito intensa. Já conseguimos dois grandes feitos, muito temos ainda para ganhar, as oscilações de forma são naturais, os castigos e as lesões vão fustigar-nos. Precisamos de ter engenho, arte e muita sorte do nosso lado.

O plantel é curto e está espremido ao máximo, Conviria assegurar dois ou três reforços nas zonas críticas da defesa e do ataque. Mas o mais importante é manter este plantel e que a sorte (ou o Antero, conforme quiserem) nos ajude... 

 

#JogoAJogo

SL

Paulinho, o Fantasma

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«A anatomia de Paulinho é especial. Tanto por parecer ter um gosto peculiar por golos robustos como por ser como um jogador “fantasma” – quase invisível aos olhos de uns, assim como a essas disputas de melhores marcadores comuns entre avançados, mas imprescindível a uma equipa como o Sporting. É um homem com muito que se lhe diga.

Assenta, desde logo, que nem uma luva no sistema de Amorim, começa por notar o analista Afonso Cabral, que tem estado especialmente atento ao jogador de 28 anos. “No 3-4-3 do Sporting, o avançado tem de ter algumas características específicas. O Paulinho casou bem com as características que quis Amorim no Sp. Braga e por isso mesmo o treinador terá feito um esforço enorme para trazê-lo em janeiro. O que é que Amorim vê no Paulinho para funcionar bem neste 3-4-3? Muito. Neste modelo, sempre que quiseres pressionar, vais ter a tua linha de cinco, composta pelos dois laterais e três centrais, dois no meio-campo e os três da frente a pressionar alto para caso queiras recuperar a bola em zonas adiantadas. Os homens da frente vão ter de ser muitos fortes a pressionar porque, à partida, vais estar sempre em inferioridade no meio-campo, mesmo que um dos médios seja Palhinha, que defensivamente é um monstro, mas que não consegue fazer tudo - e vimos muitas dessas dificuldades contra o Ajax porque a pressão não estava a ser feita”, explica o especialista da ProScout.

E é aí – no “pressionar” – que Paulinho é importantíssimo na cena. “É um jogador que consegue tapar linhas de passe, consegue pressionar o portador da bola, vence vários duelos, tanto no chão como aéreos, e, tal, como ontem, ainda consegue recuperar algumas bolas durante o jogo e ganhar algumas divididas”, concretiza.

A fisionomia de Paulinho também é algo que joga a seu favor, ressalva Afonso Cabral: “É um jogador alto, com alguma capacidade física a segurar o jogo de costas, a segurar e devolver aos seus colegas e, mais do que isso, também muito visível ontem, consegue trazer muitas vezes o seu consigo nos seus movimentos de recuo. O central acompanha e abre espaço a que os extremos apareçam. Abre-se um fosso entre o central e o lateral e os extremos aproveitam. Também consegue ganhar alguns duelos aéreos. Temos visto nos cantos, quando surge ao primeiro poste para depois aparecer Coates ao segundo. Imprime algum físico à equipa.”

Mas quando um avançado não tem uma relação íntima com os golos… bem se sabe que está mais perto de ser crucificado. “Os adeptos, por prazer, pedem, golos. E é verdade que ainda não tem grandes números. Mas se acho que os golos são determinantes? Para qualquer avançado o são, porque dão confiança, alento e fazem com que tentem coisas novas. Mas neste caso específico, e olhando ao modelo em que se insere, os golos não serão de todo o mais importante. Porque se virmos no ano passado, por exemplo, quem mais marcou foi um extremo, o Pote, e a tendência é que seja outra vez um dos extremos. A função de Paulinho é mais a de movimento de arrastamento de jogadores para abrir espaços para a equipa. Parece-me que agora tem procurado muito mais do que no ano passado esses movimentos de ataque à área e zonas de finalização para receber cruzamentos tanto de Sarabia como de Pote”, nota o analista.

Perito em “movimentos contrários”

Paulinho enquadra-se na perfeição naquilo que os peritos de futebol entendem por ‘movimentos contrários’. “Fala-se muito, no futebol, dos movimentos contrários, algo que acontece muito entre extremos e avançados: por vezes, o movimento de ruptura não tem, por si só, qualquer efeito prático se o avançado não fizer em simultâneo o movimento contrário de aproximação para tirar de lá o defesa que o estava a marcar”, alerta. “Acho que este ano, os golos podem aparecer mais pela inclusão de Sarabia no onze, mas toda a importância do Paulinho é muito maior do que os golos que marca e isso tem muito a ver com a forma como o Sporting joga e se posiciona tanto a atacar como a defender. Depois, em termos colectivos, é uma equipa que não sofre muitos golos – algo que também tem a ver com a forma como os jogadores do ataque defendem, pressionam e são agressivos. Parece-me que o objetivo do Paulinho é ser um jogador ‘fantasma’ que faz brilhar os colegas de equipa e muitas vezes sem que as pessoas se apercebam”, remata Afonso Cabral.»

retirado do Record, ligação aqui

Atitude, talento, desempenho, etc...

Primeiro queria mais uma vez dizer que o jogador de que vou falar não faz o meu tipo de ponta de lança. Quem tem como ídolo o Yazalde, e depois teve a oportunidade de acompanhar nas bancadas Manuel Fernandes, Jordão, Acosta, Mário Jardel, Liedson, Slimani ou Bas Dost, obviamente que tem de ser exigente na avaliação dum ponta de lança do Sporting. Se o 3-4-3 de Rúben Amorim tem ou não ponta de lança, isso é outra questão, que abordarei noutro post.

Sobre esse jogador, o Paulinho, vamos primeiro a alguns factos, espero não me enganar em nenhum. Se for o caso, desde já agradeço o alerta para poder corrigir.

1. O estádio do Arouca tem por dimensões 106x65m. O record de Portugal dos 100m penso que será de 9,86 obtido pelo "nosso" Francis Obikwelu em 2004. O melhor Francis demoraria cerca de 10,5s a percorrer a distância entre as linhas de fundo do estádio do Arouca.

3. O Paulinho tem 28 anos, 1,87m, é pesadinho, e vinha de dois jogos na mesma semana onde alinhou quase o tempo todo dos mesmos, ou seja, cerca de 180 minutos. 

4. Depois da sequência Marítimo-Dortmund, dois pesos pesados da equipa, Feddal e Neto, não alinharam de início em Arouca, Palhinha esteve irreconhecível, e Coates esteve em regime de serviços mínimos. 

5. Aos 51minutos do 3.º jogo em oioto dias, Paulinho envolve-se numa transição defensiva onde percorre cerca de 90m em 11s e picos...

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O percurso de Paulinho no lance está assinalado com o círculo vermelho. Como referência assinalei a posição a amarelo dum dos melhores jogadores do Sporting em campo, Daniel Bragança, um talento incrível. Que tem 22 anos, é levezinho, e jogou apenas cerca de 30 minutos nesses dois jogos.

Se os frames que seleccionei esclarecem muita coisa, o vídeo esclarece muito mais:

https://www.youtube.com/watch?v=gFjWTCoHSwI

Uma coisa assim só me faz lembrar esta dum tal Cristiano Ronaldo, mas para a frente. Para trás não sei se alguma vez fez alguma...

https://www.youtube.com/watch?v=TKcd7HUfais

E não digo mais nada, fico a aguardar os vossos comentários. Que poderão incluir indicação de vídeos onde me mostrem algum jogador do Sporting em alguma época a fazer alguma coisa de parecido.

 

PS: Agradecia que trolls anónimos, lampiões e andrades se abstivessem de comentar, libertando o espaço para quem é destinado, os Sportinguistas de coração. 

 

#OndeVãoUmVãoTodos

SL

Fórmula Sporting

Esforço, dedicação, devoção e glória: é o Sporting!

Mas para que isso aconteça é preciso lá chegar, aproveitar os piores momentos para corrigir o rumo e prosseguir o caminho que honra o lema do Sporting, encontrar a fórmula certa para constuir atletas e equipas vencedoras de acordo com o ADN do clube, a Fórmula Sporting.

A fórmula Sporting não nasceu ontem. Desde há muito deu provas da sua validade, no futebol e nas modalidades, e trouxe para o museu muitas taças e troféus.

 

Que fórmula é essa?

 

1. Um treinador líder e formador. Tudo começa neste elemento, que poderia chamar-se Moniz Pereira, Malcolm Allison, Nuno Dias, Luís Magalhães ou Rúben Amorim: focalizar e aglutinar um plantel que conte com o que de melhor exista no momento: a formação. Aquele treinador que quando chega começa pelo que existe dentro de casa e não pelo que pode vir de fora.

 

2. Um plantel baseado em gente jovem mas com muitos anos de clube e complementado com reforços que fazem a diferença. A regra básica é não contratar igual ou pior ao que existe dentro de casa. Para vir para o Sporting terá de ser diferente ou melhor, trazer coisas que não existem no momento, ser um reforço efectivo a curto ou médio prazo. E dar tempo ao tempo: galinhas apressadas produzem pintos carecas, muitos nomes chamaram ao Yazalde, ao Acosta ou ao Coates para terem depois de engolir o que disseram.

 

3. Uma estrutura sóbria e eficaz na retaguarda, que resolva problemas e não que os invente, o que inclui trabalhar muito e falar pouco. Quanto menos melhor. Cão que ladra não morde.

 

4. Tranquilidade e confiança para enfrentar as derrotas com os Lasks desta vida e dar a volta por cima. A começar pelos sócios e adeptos, que têm de ser em todos os momentos o jogador extra de qualquer equipa do Sporting.

 

Se olharmos para a situação das equipas mais importantes do Sporting, do futebol masculino e feminino, das cinco modalidades de pavilhão masculinas, aquelas que atraem milhares de espectadores, e esquecendo as particularidades de cada uma, a começar pelo nível de investimento sustentável, vemos situações bem distintas. Numas a fórmula está bem consolidada, noutras alguns erros de casting vão custar tempo e dinheiro a serem corrigidos.

Depois dum final de temporada onde deitaram tudo a perder, o futebol feminino vive um fim de ciclo. Treinadora, capitã e algumas das melhores jogadoras vão sair: algumas para paragens bem distantes, outras com calos no rabo pela passagem pelo banco e com contas para saldar. Tudo tem de começar por um treinador a sério, masculino ou feminino, e uma nova estrutura de capitães no feminino. Qualidade continua existir na formação, o resto vem depois.

No andebol estávamos numa óptima fase antes da pandemia. Saiu o grande treinador Anti, saiu o capitão e estrela da companhia Frankis Carol, saiu o puto maravilha Frade, e as coisas nunca mais foram as mesmas. Pedro Valdez promovido a capitão tem sido inexcedível, a base da formação está lá, mas Ruesga chega ao final de carreira, os reforços são medianos e o ex-adjunto de Anti, Rui Silva, faz o que pode.  

Terminando com o exemplo do basquetebol, tivemos ontem uma magnífica vitória da equipa dum grande treinador tranquilo, Luís Magalhães, contra uma equipa muito forte comandada por um espanhol raivoso, com dois ou três americanos excelentes e que até contratou apenas para o play-off. E foi mais uma vez a estrela da companhia Travante Williams suportado por uma retaguarda de portugueses/angolanos que se transcenderam em campo a conquistar a vitória. Impressionante o discurso do americano no final.

Isto é o Sporting.

 

Fórmula Sporting. Como o 3-4-3 do Amorim, bem conhecida por todos, mas muito difícil de travar.

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Amorim em tempos de cólera

 

O que somos, para onde vamos, que fazemos aqui?

Também não faço ideia, mas durante os últimos dois meses consigo dizer que sou do Sporting, que somos campeões e que, para aqui chegar, sofremos juntos, no cantinho de cada um. Já acabou, somos campeões, estamos campeões.

Entre o fim do inverno e o princípio desta primavera, houve momentos em que não me apeteceu ser do Sporting, em que desejei nem sequer ligar a futebol, o disparate de passar os dias ansioso, inquieto e irritadiço, são onze homens de calções atrás de uma bola, que valor naquilo pode haver que valha a pena. Ninguém fala disso, mas ser espectador, observador, testemunha, custa e faz adoecer. Como outros, há semanas que venho dormindo mal, exausto pelo sofrimento de jogos vencidos nos últimos minutos, com a cabeça a fumegar pela aritmética de pontos e jogos que faltam e pela espionagem aos próximos adversários, nossos e deles, tudo centrifugado por otimismos, pessimismos, ilusionismos e realismos. A sportinguite, quando é aguda, toma conta de nós e não larga.

 

No princípio desta história, a ideia nem era acreditar. Não ia ser desta, naturalmente. Noutro maio, o de 2018, o clube sucumbiu à cólera e perdemos tanta coisa que ninguém justo nos exigiria mais do que sobreviver para depois sim, enrijecer. Regeneramos, mas passou tão pouco tempo que os projetos desta temporada eram projetos para o futuro. Estávamos todos de acordo que não ia ser este o maio em que seríamos campeões. É preciso ter o coração aberto à felicidade, mas não se viam nesta equipa os epígonos dos grandes jogadores que haviam de nos levar ao campeonato. Tudo bem. Estávamos preparados. Este haveria de ser mais um ano na vida do sportinguista.
Nestes anos, aconteceu-me de tudo, até coisas inimagináveis, como a tanta gente. Se isto do sportinguismo fosse de ser medido, nem sempre tive o ponteiro no máximo, em especial depois do que nos aconteceu. A única utilidade da barbárie e a violência é permitir que pensemos sobre o que andamos a fazer. Apesar da consciência da importância da pacatez, mantive-me adepto e sócio. Nunca vivi, por exemplo, a bipolaridade de ligar e desligar a Sport TV, esse termómetro de fezada, porque há mais para ver que futebol doméstico, com as suas peculiaridades, o seu caciquismo e os seus pelotões de medrosos, que obsta a modernidade e a civilidade.

Não pequei em atos e omissões, mas em pensamentos não poderei dizer o mesmo. Enquanto víamos jogos, olhei muitas vezes para o meu filho e pedi-lhe desculpa em silêncio por tê-lo feito do Sporting. Do meu sportinguismo nunca duvidei, mas queremos o melhor para os filhos e olhá-lo a sofrer, a chorar de tristeza, por vezes era demasiado. Julguei, nos momentos escuros, que eu e ele nunca seríamos, afinal, campeões juntos. Ele chegou cá em 2003, já o último campeonato ia longe. Dos pensamentos terríveis que temos sobre o futuro, este era o que mais me custava e quando me acometeu, há meia dúzia de anos, recordo ter-me sentido infinita e irremediavelmente triste.

Ganhar não é tudo, ser do Sporting chega bem e todos os anos, no verão, íamos comprar a nova camisola à loja Verde, até que deixámos de ir, porque se meteram outras coisas, novos hábitos. Aquele 2018 adubou em nós este sportinguismo não praticante e construiu a convicção de que o sofrimento de outrora jamais viria a ser sentido. Mais valia parar com isto, a vida quer-se calma, há outros desportos, outras afinidades, outras adesões, no caso dele, um mundo inteiro para viver.
Cada um tem a sua relação, a minha cinde-se entre a imensa alegria, na plenitude, no orgulho, na partilha da tradição e do legado, na memória das conquistas e a resignação enervante e prolongada, vivida como uma maldição que transformei em parte de mim. Fui adepto de posters colados no quarto, com fita cola de má qualidade, de saber o nome completo dos jogadores, de onde eram, quanto golos marcaram. Fui adepto de comprar jornais cedo no verão, para decorar o sortido de novas estrelas. Morreu há pouco tempo o Saucedo, e ainda me lembrava que vinha do Desportivo de Quito, que fora o melhor marcador no Equador. Eu era desses.

Em setembro, coisas começaram bem e continuaram bem, mas haveria de voltar a acontecer (não era?), que interesse tinha o Sporting estar à frente à quinta jornada? Ou continuar à sexta, à sétima, oitava, nona, à décima…? Ou até dobrar a primeira volta em primeiro. Não é o primeiro milho que é dos pardais? A este Sporting, com alguns veteranos e muitos miúdos e um treinador sem carta, não faltavam pardalitos. Erros nossos, má fortuna, não haveria de haver amor ardente que nos valesse. 
No princípio de março, uma vitória nas barbas do cronómetro contra o Santa Clara sucedia a um empate no campo do Porto. A seguir outra vitória escassa em Tondela, bis com o Guimarães, até que a 5 de abril, o cão morde a cauda, deixamos dois pontos em Moreira de Cónegos e mais quatro contra Belenenses e Famalicão.

O fim da ilusão está próxima, misericórdia, haveria ser como sempre tem sido.

O sportinguista aprende a ver o lado positivo, se não ganhássemos o campeonato, ao menos o sofrimento acabava. Alguns adeptos iam cantando “façam-nos acreditar”, uma das canções de apoio ao clube, tão portuguesa na sua transferência de responsabilidade, e cantavam muito bem. Caramba, o avanço ainda era grande, mas a sombra do passado era maior e, atravessando abril, terei ativado todos os mecanismos de defesa emocional conhecidos pela psiquiatria para domar o meu sportinguismo.

A 25 de abril, de noite, no fim do jogo em Braga, o Sporting marca no único remate à baliza e ameaça vencer um jogo improvável. No fim do jogo, chorei de raiva e alívio, de alegria imensa pela vitória, lágrimas e soluços de quem ou explode de vez ou sobrevive. O que nos está a acontecer é real. É justo e apropriado. Toda uma equipa a fazer-nos acreditar, liderada por Ruben Amorim, já um dos maiores heróis dos sportinguistas.

Nos tempos da cólera, para sermos campeões, era de Amorim que precisávamos.  Um homem novo, ambicioso, determinado, de ideias fixas, disposto a lutar por elas, sem tempo ou paciência para olhar para o nosso passado. Que lhe interessa a ele que o Sporting não vencesse há 19 anos? No dia em que chegou e lhe perguntaram como seria se “corresse mal”, deu a resposta que o melhor dos poetas não escreveria. “E se corre bem”, devolveu o nosso Ruben à pergunta. Meses depois, foi ele o poeta que nos ofereceu a divisa, onde vai, vão todos, só por isso merecia estátua, busto e placa. 

Se corre bem? O que sinto em mim, sem a angustiosa espera, é que se acabou a melancolia, o lamber das feridas, este ano é nosso. É dos velhos engelhados, dos que sempre acreditaram, dos moderados e excessivos, dos derrotistas e dos fanfarrões, dos céticos e dos otimistas. É dos homens e mulheres que mesmo sem acreditar sempre, nunca deixaram de ser leões, dos jovens adultos e dos adolescentes a quem o futuro pertence e dos muitos, e são tantos, miúdos que andam por aí, de camisola vestida, a gritar pelo nosso Spotingue.

Correu bem, o campeonato é nosso, Ruben, és o maior, obrigado!

 

Há muitos, muitos anos, um homem bom, numa cave, ouvia o relato de um Sporting em noite europeia. O rádio era excelente, apesar da antena entortada, um Panasonic, com botões em aço e as cidades do mundo escritas no sintonizador. Nunca se sabe se um dia não seria preciso ouvir a onda curta de Adis Abeba ou as rádios da Escandinávia. Os filhos estavam noutro país, provavelmente desinteressados do Sporting europeu, ocupados com a viagem e as maravilhas do país onde estavam.

O jogo deve ter sido emocionante, talvez um daqueles comentados pelo Alves dos Santos, dos que enchiam a capa de A Bola do dia seguinte, porque houve um tempo em que só as quartas-feiras eram europeias e só A Bola do tamanho de toalhas de banho saía no dia seguinte. Ali sozinho, com o seu Sporting, o homem lembrou-se dos filhos e gravou o relato numa cassete Sonovox que por ali havia.

Hoje, sempre que o Sporting joga, é do meu pai que me lembro e daquele relato em cassete que ele gravou. Um relato de futebol gravado numa cassete, podem imaginar uma coisa assim?

Sporting? Sporting, sempre. 

 

(Texto que publiquei na Tribuna, na quarta-feira, a seguir ao jogo com o Boavista)

Custos da oportunidade

Não sei como é convosco, mas comigo têm sido meses angustiantes.

Mal o árbitro apita, o Sporting calminho e calculista começa a fazer a teia que impede que os outros marquem, que faz por controlar as operações e procura o golito da ordem. Durante o jogo, aquela hora e meia é como a entrevista de emprego decisiva, o médico que nos vai dizer se é grave ou não é, o ponteiro da gasolina no zero enquanto estamos no meio do Alentejo, a carta registada que chegou das Finanças. Todas semanas. Quanto anos de vida foram roubados ao Fernando Mendes, que rói as unhas em direito na CMTV e que vou sempre espreitar, assim que o árbitro apita para o fim?

Isto custa muito mais do que eu me recordava, quando o João Pinto cruzava e o Jardel a metia lá dentro ou até quando Acosta se impunha jogo sim, jogo não ou o André Cruz desenhava folhas secas. Havia ali personificações de vontade. Este ano, não é assim. Os heróis são escassos, um Jovane aqui, um Pote acolá, um Coates sempre de topo, mas com aparência calma e zen. A equipa vale por todos.

O bizarro é que, custando, em momento algum se duvida que acontecerá. Confiaria a minha vida aquela defesa, aqueles técnicos, à fome que mostramos naqueles últimos dez minutos e que nos tornam numa equipa imparável.

O Sporting 2020/2021, sem vedetas nem estrelas, é mesmo a prova de que onde vai um, vamos todos. Custa, mas vamos mesmo.  

E agora, José ?

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Têm sido tantos anos de frustações, tantos anos de roubos descarados no campo e fora dele, tantos anos de escorreganços fatais em momentos críticos, que ainda me custa acreditar no que aconteceu nesta última jornada, como conseguimos ganhar um jogo que um árbitro bem cedo tinha condenado ao insucesso, como o Porto conseguiu empatar o jogo seguinte depois de não sei quantos mergulhos na grande área adversária.

Por muito que a providência divina tenha ajudado a este desfecho, não há dúvida que muito disto se deve à conjunção de alguns factores a que tenho por diversas vezes chamado a atenção:

 

1. Rúben Amorim. Por muito que se critique os "passes para trás e para os lados" e a falta de "futebol ofensivo", este Sporting de Amorim é uma equipa extraordinariamente competente e difícil de vencer. A ideia de construir toda uma gestão do plantel à volta dum sistema táctico 3-4-3 que se altera conforme os jogadores que vão assumindo cada posição, e onde cada um tem capacidade para assumir várias posições, é completamente inovadora no panorama futebolístico português e tem sido determinante na extraordinária carreira duma equipa e dum plantel bem mais fraco que os dos rivais.

A prova disso foi como a equipa soube, com um jogador a menos e sem substituições, recompor-se dentro do campo, com jogadores a assumirem papéis diferentes daqueles que tinham sido programados, e como na segunda parte cada substituição foi melhorando a equipa e tornando mais clara a luz ao fundo do túnel. E a luz veio sob a forma dum golo tirado a papel químico daquele da Taça da Liga.

Quando pensarem em criticar o Rúben pensem apenas no seguinte. Imaginem o que seria esta equipa reforçada pelos melhores que passaram por Alvalade nos últimos anos. E no que seria esta equipa comandada por algum dos outros treinadores que por aqui passaram nos últimos tempos também. 

 

2. David Elleray. Desde que este senhor apareceu por aqui, impondo a sua autoridade técnica e a sua posição importante na arbitagem europeia, a nossa arbitragem teve de arrepiar caminho e aproximar-se dos padrões europeus, onde se entende que o futebol é um jogo de contacto, onde é crucial distinguir entre jogo duro e violento, e as simulações e os mergulhos na grande área adversária não são apreciados.

Ao contrário do que foram dizendo os medíocres e nalguns casos ressabiados ex-árbitros promovidos a comentadores, esteve muito bem Hugo Miguel em Faro, como esteve em Moreira de Cónegos, e merece muito mais estar na grande roda europeia que o artista de circo Artur Soares Dias. Oxalá consiga. 

 

3. Sérgio Conceição. O Sporting tem a sorte imensa de contar com este descontrolado nosso adepto (dizem que sim) à frente da equipa adversária. Já foram duas Taças de Portugal, duas Taças da Liga e desconfio que a coisa não vai ficar por aqui. Sempre a tentar ganhar na trafulhice, na pressão sobre os árbitros, nos mergulhos na grande área e fora dela, nas emboscadas aos melhores jogadores adversários, como aconteceu com Acuña no Dragão na véspera do jogo do Jamor, pouco ganharia se não tivesse a força "negra" que ainda tem o seu presidente por detrás e os "Rubens Macedos" desta vida a facilitar-lhe a vida.

Incapaz de saber perder, está condenado a fazer figuras patéticas no final do jogo de Moreira de Cónegos. Quando têm de ser os jogadores a segurar o seu treinador, está tudo dito. 

 

Bom, mas isso foi nesta jornada. Tempo de fechar esse capítulo e passar ao seguinte.

E agora, José?

 

O Sporting segue na frente do campeonato com 6 (que na prática são 5) pontos de vantagem sobre o Porto, e 10 pontos sobre o Benfica. Estão por disputar cinco jogos, com um total de 15 pontos. Com 52 golos marcados e 15 sofridos, somos a melhor defesa e o terceiro melhor ataque, neste caso estamos apenas a seis golos do Porto, que lidera.

A próxima jornada é crucial. Nacional, Tondela e Famalicão podem ajudar a decidir muita coisa. Em caso de vitórias dos três grandes, o Porto terá de decidir se entra na Luz para lutar pelo título ou pelo 2.º lugar. Se calhar vai optar pela segunda hipótese e dar oportunidade ao Benfica para limpar a má época. Com a vitória do Benfica e a nossa em Vila do Conde...

 

E agora, José?

Vamos aproveitar esta oportunidade que de repente se abriu e acelerar para o título?

Vamos morrer ingloriamente na praia, apenas confortados pelo acesso à Champions?

Diz lá, José... 

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

O dia seguinte

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Agora que o caminho para o sucesso da época está bem mais desbravado, agora que se começa a vislumbrar alguma coisa de muito bom no fim do mesmo, muitos se interrogam como vai ser o dia seguinte.

Obviamente, desde que me lembro, com João Rocha e com outros depois, ainda há pouco com Varandas, a seguir a uma época de sucesso vieram uma ou mais de fracasso total e completo: os treinadores eram despedidos, alguns dos melhores jogadores debandavam, outros alucinavam, os aplausos depressa se transformavam em assobios, enfim, o Sporting tem convivido muito mal com o seu próprio sucesso.

Como será então desta vez? Vai haver debandada? Vamos ser competitivos na Champions? Vamos conseguir lidar com o esforço acrescido que os dois rivais irão fazer? Amorim terá capacidade para gerir um Sporting europeu?  

 

Acredito que desta vez existem condições para que as coisas sejam diferentes para melhor.

Por um lado, porque todos nos lembramos do que custaram os erros de casting no passado recente, das diversas caras que muito prometiam e pouco cumpriam, dos autocarros anuais de reforços que misturavam craques e pernas de pau, dos empréstimos de coxos no físico ou na cabeça, no descomprometimento de parte do plantel para com o clube, das claques que hostilizavam jogadores nas bancadas e invadiam Alcochete para lhes bater, no fundo do muito que penámos para aqui chegar.

Por outro, porque finalmente temos estabilidade a nível de comando, um compromisso forte entre presidente, director de futebol e treinador, que se estende a todo o futebol do clube, do pólo EUL a Alcochete, alicerçado na aposta na formação a todos os níveis, na insistência na educação comportamental e de valores e na sequenciação de equipas estruturadas e articuladas a culminar na 1.ª equipa. A próxima época está já a ser preparada, sabe-se bem o que se precisa e o que se pode dispensar.

 

A estabilidade é condição essencial para o sucesso. Chegar, ver e vencer no futebol acontece quando o "rei faz anos". Não podemos falar dos sucessos do Porto sem falar dos largos anos que Pinto da Costa leva à frente do clube, todos nos lembramos do que foram os primeiros anos de Vieira à frente do Benfica, ou do crescimento que tem o Braga com Salvador que o distanciou do vizinho Vitória de Guimarães. 

O Sporting - e aqui falo no que respeito ao futebol masculino, porque no que respeita ao resto outra avaliação será necessário fazer - atravessa um momento notável de crescimento. No que respeita ao rendimento desportivo prosseguimos bem isolados no comando da 1.ª Liga. Quanto à valorização do plantel, de acordo com o Transfermark, o mesmo subiu 11% desde a última avaliação, descolámos do Braga e aproximamo-nos dos dois rivais:

A 6/2/2021:

1º - Sporting - 45 pts - 168M€

2º - Porto - 39 pts - 262 M€

3º - Braga - 36 pts - 109 M€

4º - Benfica - 34 pts - 288 M€

 

A 25/3/2021:

1º - Sporting - 64 pts - 187M€ (+19pts, +11%)

2º - Porto - 54 pts - 263 M€ (+15pts, 0%)

3º - Benfica - 51 pts - 261 M€ (+15pts, -10%)

4º - Braga - 50 pts - 115 M€ (+16pts, +6%)

 

Os recentes compromissos das selecções vieram evidenciar o valor do plantel do Sporting. Porro a titular da selecção A de Espanha, Feddal na de Marrocos, Nuno Mendes na de Portugal com Palhinha e Neto, Plata na do Equador (que segue apenas atrás do Brasil e da Argentina no apuramento para o Mundial), Coates foi dispensado pelo Uruguai, Pedro Gonçalves, Tiago Tomás e Luis Maximiano estão nos sub-21. E pelo que vimos da nossa selecção, não faltará muito para Palhinha e Paulinho serem titulares.

Depois existe a outra face da moeda, a parte financeira, mas obviamente que essa só terá solução se a desportiva a tiver também. Obviamente que o Sporting tem dívida, mas dívidas todos os clubes têm, importa é ser uma dívida sustentável e que não existam situações de incumprimento contratual que envergonhem o nome do clube. O Sporting neste momento goza de credibilidade financeira que lhe permite reforçar-se no mercado interno, comprando ao Braga e a outros clubes, e no externo a grandes clubes como o Liverpool e o Manchester City, e consegue vender também a grandes clubes como o Manchester United. O desempenho conseguido por Bruno Fernandes ajuda também a dar visibilidade internacional neste momento ao produto Sporting. A entrada na Champions, além do encaixe financeiro directo, valorizará ainda mais o plantel e proporcionar outras vendas importantes.

Mas faltam coisas essenciais para esse dia seguinte. A primeira é acabarmos bem este, ainda falta muito para o tal final feliz, e não podemos iludir-nos com facilidades e bazófias. A segunda somos nós todos, sócios e adeptos, sem necessidade de "associações" parasitas, "enchermos" Alvalade e sermos de novo o 12.º jogador de que a equipa precisa e tanto merece. 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Mais respeito era capaz de ser boa ideia.


Se o SCP for campeão – e está em ótima posição para o conseguir – que dirão Porto, Benfica e Braga?

Num país tão estranho como o nosso, onde a mediocridade é tão magnética que puxa (quase) todos para baixo, será que o antigo jogador da Lazio, o antigo treinador do Flamengo ou o homem que sorria e oferecia pasteis de nata aos jornalistas ingleses, vão dar os parabéns a Tiago Tomás, Daniel Bragança, Gonçalo Inácio, Nuno Mendes, Eduardo Quaresma, Plata, e aos seus colegas mais velhos e experientes? Que dirão os grisalhos, batidos ex-jogadores desses três rivais, que estão a trabalhar nesses clubes? E os dirigentes que se perpetuam nas presidências desses emblemas?

O que se vê em campo, jornada a jornada, é uma escalada a ritmo seguro, realista, liderada por uma equipa técnica muitos furos acima das outras, que faz com plantel curto como uma mini saia, o que outros treinadores não conseguiram com planteis muito mais ricos em individualidades. O resto nem conversa é. 

No fundo, e fica claro se pensarmos nisso, Amorim está a fazer o que é suposto fazer-se desde sempre: não perder pontos com aquelas equipas com planteis mais fracos e menos história. Concentração, compromisso, taxa de erros minimizada, passos seguros.

A ideia é - e sempre foi - ouvir o apito final com pelo menos mais um golo que o adversário. 

Até agora, se pensarem bem, perdemos quatro pontos com o Porto, mas com o upside de o Porto os ter perdido também. Empatamos no campo do Famalicão (com um golo mal anulado, segundo muita gente). Só por uma vez, não se foi capaz dessa obviedade que é não desperdiçar pontos com equipas com menos meios que nós. Foi com o Rio Ave, em Alvalade.

Uma equipa com tanta gente inexperiente, incluindo técnicos, e com duas mãos cheias de jogadores (que no princípio da época) não teriam lugar nos planteis de Braga, Porto ou Benfica, tem até ao momento o melhor percurso da nossa história em vários indicadores.

Mais respeito era capaz de ser boa ideia.

O dia seguinte

Quando liguei a TV e vi um Pedro Gonçalves no chão a contorcer-se com dores aquando do aquecimento da equipa, fiquei com um mau pressentimento, pensei logo que as coisas não iam correr nada bem neste primeiro jogo depois da bem sucedida visita ao Dragão e da descompressão natural do plantel daí decorrente.

Começou o jogo e tudo se confirmou. Os primeiros minutos foram do Santa Clara com uma série de cantos a seu favor, e o Sporting a sair bem em construção mas sem imaginação nem soluções para criar qualquer perigo. Duma situação fortuita, um roubo de bola, um passe curto perfeito, um remate preciso, veio o golo de Pedro Gonçalves, e logo pensei que o mais difícil estava feito, seria aumentar o ritmo, marcar o segundo e fechar a loja. Mas nada disso aconteceu, a equipa continuou na mesma cadência, numa circulação de bola que cansava o adversário mas pouco mais e o intervalo chegou sem qualquer oportunidade para aumentar a vantagem.

Veio a segunda parte e nada melhorou, antes pelo contrário. Os minutos foram passando sem qualquer oportunidade de golo para ambos os lados, fui olhando para o relógio, os 90 minutos nunca mais chegavam para acabar com tão pobre jogo, mas na passagem dos 80 um contra-ataque rápido, um centro largo para o lado contrário, um centro tenso que Feddal cortou para os pés do avançado do Santa Clara e empate. Já fomos, pensei. E fizemos por isso, pensei também. E lá veio um chorrilho de asneiras em voz alta para descomprimir.

Mas o golo do adversário parece que accionou um despertador. Na equipa e em Amorim, que logo recorreu ao plano C (de Caos, de Coates, de C... vamos a eles). Com Jovane e Coates lá na frente, a equipa começou a correr, a bola a circular com critério, o adversário encostado às cordas, primeira oportunidade falhada, segunda falhada, terceira lá dentro. E lá soltei um berro que se ouviu na estação dos comboios.... Uff...

 

Mas então o que correu mal ontem para ser preciso tanto sofrimento?

Podemos falar de desgaste, da tal descompressão, da atitude, mas antes do mais existe uma questão que esta equipa continua a ter dificuldade de resolver: conjugar controlo com intensidade, é intensa quando não pensa em controlar, controla o jogo baixando de intensidade, parece que funciona a uma só velocidade. Ontem isso teve muito a ver com os dois alas que estiveram francamente mal, sem rasgarem pelo corredor nem municiarem um Tiago Tomás também ele sem sem soluções. Com esse triângulo ofensivo sem funcionar, João Mário, Tabata, Pedro Gonçalves agarravam-se à bola no meio de muitos adversários e tornavam-se inconsequentes, com excepção do primeiro golo, cozinhado entre os três. Com Matheus Reis e Nuno Santos finalmente houve flanco esquerdo, mas do lado direito Matheus Nunes foi sempre um peixe fora de água, Plata faz muitíssimo melhor o lugar.

Mas pronto, agora com a santa protectora Maria José Valério a amparar-nos, foram mais 3 pontos neste caminho das pedras para a Champions ou "algo mais".

 

Importa agora recuperar fisicamente Paulinho e Porro, E também, se calhar, mentalmente Jovane e Plata, dar descanso a alguns jovens desgastados que já muito fizeram, e ir ganhar "à minha terra", onde Coates e o Sporting já foram muito felizes também.

#OndeVaiUmVãoTodos

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