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És a nossa Fé!

Ética - A Tonga da Mironga do Kabuletê

"Eu caio de bossa, eu sou quem eu sou.

Eu saio da fossa, xingando em nagô.

Você que ouve e não fala, você que olha e não vê.

Eu vou lhe dar uma pala, você vai ter que aprender.

A tonga da mironga do kabuletê.

Você que lê e não sabe, você que reza e não crê.

Você que entra e não cabe, você vai ter que viver,

na tonga da mironga do kabuletê."

 

Com esta canção, Vinícius de Moraes e Toquinho, em plena ditadura (lá no Brasil como cá), afrontavam os militares sem que eles tivessem consciência. Estávamos em 1970...

 

Agora em democracia, quebrando o politicamente correcto e reportando-me ao panorama futebolistico, pisco o olho aos nossos Leitores. Está aqui tudo, ou não? Em 2017...

É necessário dizer mais alguma coisa?

Saravá, Vinícius, poeta imortal!

 

 

A panela de pressão

Já lá vão muitos anos, trabalhei na indústria naval.

A caldeira é um dos muitos mecanismos que fazem funcionar um navio. Através do aquecimento da água a temperaturas sobre-elevadas, transforma-a em vapor e produz parte da energia necessária ao seu funcionamento.

Para prevenir acidentes, há neste equipamento várias válvulas de segurança, que têm por missão "abrir" automaticamente quando a pressão do vapor é demasiada. Em nossas casas há algo semelhante: O "pipo" da panela de pressão, que vai rodando e deixando libertar o vapor/pressão em excesso.

Ora, vamos lá ao Sporting e a nós, sócios e adeptos:

Aquela exibição miserável e o resultado negativo contra Os Belenenses, fez "abrir" a válvula que grande parte de nós já tinha no limite desde final de Dezembro. Ou seja, saltou-nos o "pipo", tal a pressão que vínhamos acumulando.

Quero eu dizer que não foi este jogo a causa desta agitação toda, antes foi neste jogo que a paciência atingiu o seu limite. Tivesse este jogo sido em Setembro/Outubro e nada disto a que se está a assistir agora, aconteceria. 

E aconteceu neste jogo, porque este jogo era especial, era, mais que nenhum, um jogo das famílias, das mães, das mulheres, das crianças. E nós, que lá vamos religiosamente, ao longo de muitos anos fomos criando forma de ir aliviando a pressão de forma regular permitindo que o navio fosse(vá) navegando. Ainda que a maior parte das vezes fosse uma navegação à deriva e não chegando quase nunca a bom porto. Grande parte de nós temos já uma couraça de tal forma rija, que não seria este resultado e exibição que nos faria reagir de forma muito diferente da habitual: Abrir um pouco, deixar sair um quilo ou dois de pressão, e manter o navio, na esperança de que amainasse a tempestade.

O que nos fez saltar o "pipo" foi naquele dia estarem connosco aqueles que mais amamos e a quem não queremos ver sofrer.

Lá em baixo estiveram catorze em campo e mais alguns na casota dos suplentes, que para além de brincarem com os sentimentos dos nossos mais chegados, nos deixaram mal perante aqueles a quem queríamos mostrar o nosso outro (grande) amor. E o nosso grande amor falhou-nos quando era importante que brilhasse.

E foi por isto que a pressão desta vez foi libertada de forma tão brusca. De tal forma que houve muito boa gente que saiu queimada, e alguns com a pele empolada, desta "brincadeira".

Agora, eu acho que até se atingir o ponto de ebulição novamente, vai ser muito complicado.

A caldeira resfriou. Esperemos que não de forma irreversível deixando o navio à deriva.

Está nas mãos do comandante traçar o rumo, com o mesmo ou com outro engenheiro de máquinas.

Para mim pode ser com o mesmo, desde que de uma vez por todas se atinja a tão desejada velocidade de cruzeiro.

Bombeiro voluntário?

Não sei se a grande maioria dos leitores do blog sabem como funciona grande parte das corporações de bombeiros, nomeadamente os voluntários; É mais ou menos assim: Há uma direcção, eleita pelos sócios das associações e um corpo de bombeiros, com uma cadeia de comando perfeitamente definida e hierarquizada. As direcções têm um presidente e em regra vários vices e vogais e a sua missão é fazer funcionar ambas as vertentes das associações, digamos que a parte "civil" e a parte "militar", sendo que civil está para tudo o que não tenha a ver com o corpo de bombeiros. Às direcções das associações compete propôr a nomeação do comandante e as várias promoções e nomeações dentro do corpo de bombeiros (segundo comandante, adjuntos de comando, chefes, etc.). Há no entanto nesta engrenagem uma relação que desde sempre me causou muita confusão e que é a de que numa associação de bombeiros voluntários, os bombeiros, desde o comandante ao mascote, não têm qualquer relação de hierarquia com a direcção das associações a que pertencem. Ou seja, uma associação de bombeiros voluntários é um corpo bicéfalo, mas onde apenas uma cabeça se preocupa com as contas, a direcção e por maioria de razão, os associados. Os bombeiros respondem apenas ao comandante e este ao comando distrital. Ou seja, a direcção não mete "prego nem estopa" no assunto. Haverá outras realidades, mas as que conheço funcionam mais ou menos nestes moldes (havendo até "guerras" entre corpo e direcção).

Vai longo o intróito que poderia ser desnecessário, mas vem a propósito de uma visita ao "quartel" do "presidente da associação" Sporting Clube de Portugal, ao que parece, para dar uma reprimenda ao "corpo de bombeiros". Com queixas várias sobre o desempenho dos operacionais, o presidente entendeu falar com o grupo, a quem todos sabemos são dadas todas as condições para o exercício da sua função; Carros de incêndio de último modelo, ambulâncias topo de gama, agulhetas do último grito, fardamento de excelência e até a nomeação de um comandante conhecedor da técnica do contra-fogo.

Ao que consta, o comandante não terá estado nessa reunião, onde se diz que o presidente levantou a voz (há quem diga que foi apenas quando a sirene tocou o meio-dia e para se fazer ouvir).

Esta ausência do comandante causa-me algum espanto. É que ao contrário das associações de bombeiros voluntários, aqui o comandante é hierarquicamente dependente do presidente e o primeiro responsável pela má prestação do grupo. Deveria ter lá estado!

Se querem que vos diga, fez muito bem o presidente. Não tendo conhecimento de outras ocasiões em que tivesse esta atitude, até acho que pecou por tardia. Descontando o exagero normal dos jornais que têm a sua agenda perfeitamente definida, uns berros na altura certa serão muito mais eficazes que palmadinhas nas costas e "vamos continuar a trabalhar e lavantar a cabeça".

Hoje os jogadores têm capacidade de entender que são parte da engrenagem e que se lhes obriga que criem riqueza, porque os seus ordenados dependem disso; Até uma possível transferência ou aumento de vencimento, está dependente do seu desempenho. O mesmo vale para os treinadores. E ao que temos assistido nos últimos meses, é a uma atitude de perfeito desleixo por parte da equipa. Meias partes de avanço são já incontáveis e situações de termos que correr atrás do prejuízo são recorrentes. Praticamos um tiki-taka ranhoso de "para trás e para o lado" que pensávamos já eliminado do clube, comprámos muito e mau e pior, o que temos usamos mal e nos lugares errados. Somos previsíveis e como diz uma amigo do peito e mais doente que eu, "uns passarinhos", qualquer treinador de média qualidade sabe ler e contrariar o nosso "sistema" de jogo.

Fez muito bem o presidente em chamar os jogadores à razão e exigir-lhes empenho, sim senhor! O futebol não é uma ciência exacta, há sempre três resultados possíveis, mas se lá dentro houver querer, empenho, entrega, profissionalismo, estaremos sempre mais perto de vencer. Gostem as virgens ofendidas ou não da atitude. Presidente castrado, não!

 

Por isso é que, com todo o respeito que me merecem todos os "bombeiros", aqui quem manda é o presidente da direcção. É que para além de ter que arranjar o dinheiro para a máquina funcionar, ainda tem que correr a apagar fogos.

{ Blog fundado em 2012. }

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