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És a nossa Fé!

Onze magníficos valem 65 milhões

Em boa hora o Sporting voltou a apostar nos talentos da Academia de Alcochete e colocá-los ao serviço do nosso emblema na equipa principal.

É uma aposta que promete ter não apenas frutos desportivos mas também financeiros. Como já é possível concluir com a avaliação de 11 jogadores à disposição do treinador Rúben Amorim. Aposta alicerçada em sucessivas renovações de contratos com reavaliação dos salários e fixação de novas cláusulas de rescisão.

Feitas as contas, de momento, estes jovens profissionais têm no seu conjunto um potencial avaliado em 65 milhões de euros.

Vale a pena fixar este número. Para daqui a uns meses podermos compará-lo com futuros valores de mercado de todos eles. 

 

Eis os onze magníficos:

Nuno Mendes - 12 milhões de euros.

Contrato renovado em 19 de Junho de 2020. Vigora até 2025.

João Palhinha - 12 milhões de euros.

Contrato renovado em 14 de Outubro de 2020. Vigora até 2025.

Jovane Cabral - 10 milhões de euros.

Contrato renovado em 5 de Setembro de 2018. Vigora até 2023.

Eduardo Quaresma7 milhões de euros.

Contrato renovado em 16 de Junho de 2020. Vigora até 2025.

Luís Maximiano6 milhões de euros.

Contrato renovado em 4 de Novembro de 2020. Vigora até 2025.

Joelson Fernandes6 milhões de euros.

Contrato renovado em 10 de Setembro de 2020. Vigora até 2023.

Gonzalo Plata - 4 milhões de euros.

Contrato assinado em 1 de Julho de 2019. Vigora até 2024.

Matheus Nunes - 3 milhões de euros.

Contrato renovado em 27 de Outubro de 2020. Vigora até 2025.

Tiago Tomás - 2,5 milhões de euros.

Contrato renovado em 25 de Junho de 2020. Vigora até 2025.

Daniel Bragança - 1,5 milhões de euros.

Contrato renovado em 10 de Setembro de 2020. Vigora até 2024.

Gonçalo Inácio - 1 milhão de euros.

Contrato renovado em 4 de Novembro de 2020. Vigora até 2025.

 

Made in Alcochete

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Era um fim de semana solarengo de Junho de 2005, e com algum tempo livre “deu-me na cabeça” rumar a Odivelas. Aí, no relvado anexo ao velho estádio e meio empoleirado num prédio em construção, tive o prazer de ver o Sporting esmagar o Benfica por 4-1 e assegurar o título de Juniores dessa época.

Era uma equipa orientada por Paulo Bento e Leonel Pontes, comandada em campo por Miguel Veloso, e que contava com Nani e João Moutinho. Na mesma época, a equipa de Juvenis assegurava também o título da categoria, uma equipa orientada por João Couto, que contava com Rui Patrício, Adrien e Pereirinha. Cédric Soares estava nos iniciados, que falharam o triplo.

Dois anos antes Beto e José Fonte jogavam na equipa B, orientados por Jean Paul e Leonel Pontes, . Ronaldo e Quaresma por lá tinham passado pontualmente em épocas anteriores, e nessa altura já tinham rumado a outras paragens.

Onze anos depois, também rumei a Marselha para ver Portugal derrotar a Polónia e abrir caminho para a vitória final em Paris, com uma equipa que contava com todos aqueles jogadores já citados, com excepção de Miguel Veloso, que deu lugar ao também nosso William Carvalho,  fazendo com que a formação do Sporting fosse predominante na selecção e fundamental para o título alcançado.

 

Depois de 2005 muita água passou por debaixo das pontes, Alcochete foi conhecendo um lento definhamento, feito de incúria e falta de visão estratégica, com Aurélio Pereira mais ou menos desconsiderado. Ainda conseguimos ter a melhor equipa B de sempre, que contava com João Mário, Esgaio, Bruma, Dier e alguns outros, mas depois disso foi sempre a descer, para cinco anos depois batermos no fundo, com a equipa B extinta e os expoentes da formação no plantel principal (Rui Patrício, William Carvalho, Gelson Martins, Podence e Rafael Leão) em debandada, algum tempo depois de outros, como João Mário, Cédric e Adrien, terem sido vendidos.

Pelo meio surgiu em Alcochete uma cartilha na linha da frase idiota que continua mais ou menos vandalizada na estátua do leão, que parecia pretender transformar os jovens jogadores em aspirantes à bancada da Juveleo e que provocou a repulsa nos pais dos mesmos. Por onde andará essa coisa filha de pai incógnito?

Foi preciso então reconhecer o óbvio: Alcochete estava com falta de tudo, e não só de relvados e colchões em condições, mas também do capital humano que tinha fugido para alimentar o rival e duma cultura Sporting enraizada, que incluía jogadores a passear-se em Alcochete com camisolas doutros clubes. Depois disso, ainda se via assaltada por elementos da principal claque do clube, com os jogadores agredidos no seu local de trabalho.

Mais ou menos três anos depois, ou seja anteontem, e novamente em Paris, Alcochete estava reduzida ao Cristiano Ronaldo e aos dois ex-capitães fugitivos, enquanto o Seixal se podia gabar de Rúben Dias, Bernardo Silva, João Félix, Nelson Semedo e Renato Sanches. Nos suplentes estava lá apenas o Domingos Duarte, o novo José Fonte, que foi andando de empréstimo em empréstimo até à venda final.

 

Seria mesmo mau demais pensar nisto, se não soubéssemos que existe em Alcochete uma nova geração, que foi primeiro seleccionada e fidelizada, depois trabalhada na pré-época do ano anterior por Marcel Keizer e agora definitivamente lançada por Rúben Amorim, este claramente o novo Paulo Bento do Sporting.

Assim, olhando para o potencial de Luís Maximiano, Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Nuno Mendes, Tiago Tomás, Daniel Bragança, Matheus Nunes (que ainda andou pelos sub23 e um dia destes estará naturalizado), Jovane Cabral e Joelson Fernandes, mais um ou outro dos que estão a rodar na nova equipa B e nos sub23, não custa imaginar que, daqui a alguns anos, teremos uma selecção nacional mais uma vez dominada pela formação do Sporting.

E das coisas que mais me fascinam nesta nova geração de Alcochete, muito ao contrário do apregoado pelos ressabiados do costume, que falam em meninos ingratos e mimados, é ver que demonstram ter as ideias bem arrumadas, um discurso objectivo e assertivo, uma valorização da camisola que vestem e do clube que representam. No fundo, demonstram o seu ADN Sporting. Dizem que Tomaz Morais tem feito um trabalho notável em Alcochete na área da formação comportamental para o alto rendimento, que inclui valores e princípios de vida. Pode ser esse um factor essencial nesta situação.

Apenas como exemplo, disse o Nuno Mendes depois do golo genial em Portimão: “Cada lance é como se fosse o último e foi assim que o encarei. (...) É um orgulho jogar no Sporting, vou guardar este dia para sempre.(...)  O meu trabalho é jogar dentro de campo, o que se passa fora não interessa.”

É mesmo isso, Nuno. Continua assim que vais bem longe. E a Selecção Nacional aguarda por ti.

SL

Os nomes dos campos de Alcochete

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Com a maldita abrilada não só se abandonaram as colónias àqueles pretos que por lá viviam, primitivos. Veio também este vício do divórcio, a avivar o imoral nas mulheres, delas visceral. E o do esbanjo, naquilo do salário mínimo, demasiada esmola aos preguiçosos, sempre avessos aos deveres e desde então ainda mais, armados de votos, como se isso percebessem, e mesmo no desaforo de sindicatos e partidos. E tantos outros defeitos, uns mesmo de cá, telúricos, do Minho ao Caldeirão, outros importados, desse malvado mundo de repente portas adentro já sem quem, sábio certeiro, cerceasse os desvarios noticiados, assim propagandeados. O pior dos quais, talvez ou mesmo decerto, esse do desprezo pela Santa Madre Igreja, o afastamento aos ditames do Livro - e que aluno saberá hoje soletrar, ou apenas invocar, Lucas 15: 11-32? nenhum decerto, embrenhados que estão nas cidadanias e desenvolvimentos, drogas, paneleirices, fufices e tabletes ... Nisso coisa menor terá sido aquilo no futebol, mas também importante pois sinal dos desatinados tempos, quando os comunistas de Moscovo acabaram com a lei da opção, desde então tornando qualquer jogador da bola, analfabeto quase sempre, gente mal medrada nos Barreiros, Rabos de Peixe ou Famalicões, importada das Lundas Bijagós Nampulas, moles de filhos de rupestres alcoólicos, brutos ratinhos, grotescos galegos, escória alfacinha, até ciganos só isso, putas de estrada, pastores bosquímanos, netos de canibais e quejanda gente silvestre,  povoléu ingrato por natureza, livre de decidir onde trabalhar, negociar contratos e até mudar de patrão, procurar quem melhor o trate e mais lhe pague, qual escarrando no equipamento, vero Sudário, Santo, que nós doutores ou apenas Senhores lhes vestíamos como se deles fosse ... E assim tornados rebanhos sem valores, sem valia, frutos de apetites mercenários e de outros mercadorias, desabridos desrespeitosos,

mas ainda assim nestes tempos, infaustos, continuámos a nossa obra, Obra mesmo, pois fiéis, certeiros e certos, e preservámos os símbolos e castos ideais, sabendo que esta era penosa decerto terminará no em breve que vingarmos, e para isso arroteámos e lavrámos, extirpámos o daninho do futuro, calafetámos os viveiros dos vindouros, entre os quais faremos vingar a bondade, no desapego por si-próprios, na dádiva à nossa fé, no amor ao nosso prazer, e, oleiros, aos benditos fornos dessas porcelanas baptizaremos segundo os Justos, os Exemplos, mas nunca pelos dos germinados nestes entretantos do até agora, esses apenas incapazes de suspenderem a sua vida dedicando-se à nossa sonhada glória, vagueando na incúria moral desses Figos e Futres, Cristianos Quaresmas, Dani Moutinhos, e tantos outros, infiéis desobedientes, tão ávidos no demandar o mundo que nos seus tempos viçosos nos abandonaram, indo calcorrear os ímpios rumos da glória e prazer alhures, 

e por tudo isto ao nomear estas nossas novas estufas do devir exaltaremos a Virtude, desta aspergindo os petizes nosso barro que nelas iremos moldar, convocando-os ao labor e à pertença, e assim serão sagrados os bons pastores, Mestres do rumo, Luzes nestas trevas que queremos findar, pois a cada campo será atribuído o nome de um dos bloguistas do És a Nossa Fé!, louvado seja o Sporting!

Higiene que já tardava

O Sporting - através do seu Conselho Fiscal e Disciplinar - anunciou a expulsão do anterior "líder" da Juventude Leonina, Fernando Mendes, e 25 outros portadores de cartão de sócio que estiveram ligados ao assalto à Academia de Alcochete, a 15 de Maio de 2018.

É uma medida que só peca por tardia. Mas que está formalmente respaldada pelo acórdão do colectivo do Tribunal de Monsanto que a 28 de Maio condenou 41 dos 44 arguidos no chamado "processo de Alcochete" - incluindo os elementos agora expulsos, vários dos quais pertencentes à estrutura central daquela claque.

Há ainda quatro penas de suspensão aplicadas a outros envolvidos naquele vergonhoso episódio, podendo todas elas ser alvo de recurso para a Assembleia Geral leonina, nos termos dos estatutos do clube.

É um acto de elementar higiene pública. E que serve de aviso a outros putativos "heróis" que pretendam servir-se da condição de sócios do Sporting para cometerem crimes.

Alcochete e autocarro

É impressionante a analogia entre as motivações e os procedimentos dos fanáticos adeptos sportinguistas de Alcochete e dos fanáticos adeptos benfiquistas que atacaram o autocarro da sua equipa esta semana. Gente como esta tem que ser banida do futebol português, independentemente do clube.
Não vejam nisto de forma nenhuma uma defesa de Luís Filipe Vieira, que aliás tem muito que explicar sobre a relação do Benfica e da sua direção com esses (designados) "grupos organizados de adeptos". Mas onde de facto há uma diferença enorme é no contexto dos dois ataques (o do Sporting e o do Benfica, o da academia e o do autocarro), e tal diferença resulta da atitude dos presidentes. Luís Filipe Vieira falou com a equipa do Benfica no balneário e disse lá o que tinha para dizer. Não sei o que disse (nem me interessa): só sei que o disse lá. Não o disse em público, na comunicação social e muito menos nas redes sociais. Não procurou atirar os adeptos do seu clube contra os atletas. Presumo que tenha sido exigente, como um presidente tem todo o direito a ser. Presumo que tenha manifestado desagrado, como um presidente tem todo o direito a manifestar.
Ficou provado que Bruno de Carvalho nada teve a ver com a organização do ataque a Alcochete (e, por conseguinte, nem o Sporting teve). E ainda bem. Mas Bruno de Carvalho teve muito (ou tudo) a ver com a criação do contexto que tornou Alcochete possível. Episódios como este ataque ao autocarro da equipa do Benfica mostram que infelizmente o ataque a Alcochete nem é um caso único. Mas a loucura de Bruno de Carvalho, sim, essa é.

Farto dos varandistas e dos brunecos

Texto de Miguel Fernandes

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Do ponto de vista meramente jurídico acho muito bem que todos avancem com processos contra o Estado pela prisão preventiva baseada em indícios que afinal não se mostraram assim tão fortes. Cinco anos de prisão efectiva foi a pena máxima e só porque têm antecedentes criminais.

Enquanto cidadão fico preocupado com a legitimação de decisões por adaptações jurídicas (ficámos a saber que terrorismo pode ser sectário, vide invasão às instalações do Vitória de Guimarães).

No resto é deixar o Sporting avançar, sem receios, nem desculpas. Este perpetuar de guerrilha entre diferentes lados da barricada não aproveita a ninguém, descredibiliza o clube.

Farto dos varandistas e dos brunecos.

Sou do Sporting. De mais nada nem ninguém.

Já sabemos a opinião de todos. Remexer em buracos que todos conhecemos para quê?

Sinto que não há assim tanta gente a defender o nosso grande amor.

 

Texto do nosso leitor Miguel Fernandes, publicado originalmente aqui.

Populismo também contamina tribunais

Texto de JPT

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Como cidadão e como profissional da Justiça tenho o dever de respeitar as decisões soberanas dos tribunais (em particular dos colectivos, pois um juiz singular, num processo irrecorrível, na realidade, decide como quer). Mas também tenho o direito de as criticar. Não foi como "bruxo" nem como "brunista", mas como cidadão e como profissional da Justiça que qualifiquei a acusação da Dr.ª Cândida Vilar como um aborto jurídico, e que reduzi a zero as hipóteses do ex-presidente do SCP vir a ser condenado face à prova divulgada na comunicação social. Aliás, o mero recurso ao Google produzirá outras peças lamentáveis da mesma ilustre magistrada - até mais graves do que as que produziu neste processo - perante a evidente apatia do juiz de instrução e a adesão reverente (ou temerosa das reacções da opinião pública) da Relação de Lisboa, que acolheu a insólita qualificação dos crimes de Alcochete no regime excepcional da Lei de Combate ao Terrorismo (com a consequência que 33 pessoas estiveram presas um ano e só nove delas acabaram por ser condenada a prisão efectiva - e isso em resultado dos antecedentes, e não dos actos praticados em Alcochete).

A nossa fé pessoal não pode sobrepor-se à nossa fé no processo, e mesmo figuras que nos são odiosas não podem ser condenadas ou absolvidas quando a única prova é o alarido da opinião pública (neste caso, grosseiramente instrumentalizada) ou a intuição sem indícios que a sustentem.

 

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Apesar da inevitabilidade do erro, confio no conjunto do sistema judicial. Tenho mesmo de confiar, pois essa confiança é um pilar essencial da nossa sociedade. Por isso mesmo, sempre estive convicto da absolvição do ex-presidente do SCP - ou seja, não foi por fé nele, mas por fé no sistema. Um sistema que aplica as regras do direito, que, com todas as suas imperfeições e erros, é o melhor modo de se fazer justiça (terrena). Nos magistrados, individualmente considerados, confio menos, porque são seres humanos. Precisamente por isso, o meu maior temor são os processos não recorríveis, ou com insuficientes garantias de reapreciação das decisões.

Dito isto, não posso ficar contente com a prova de que o "sistema funciona", quando essa prova pressupõe a prévia existência de um evidente atropelo aos direitos de vários arguidos - incluindo dos condenados. Tarde é melhor do que nunca, mas se os órgãos de controlo tivessem funcionado - se o juiz de instrução não tivesse sido uma mera extensão da actuação (péssima) da Dr.ª Cândida Vilar, e se a Relação de Lisboa não se tivesse deixado contaminar pela populista tese do "terrorismo" (a quente, eu fiz essa qualificação - que é literal - no próprio dia do ataque, mas, depois, acalmei-me) - muitos danos teriam sido evitados.

 

Texto do nosso leitor JPT, publicado originalmente aqui e aqui.

Verdades

A propósito da decisão do tribunal, que absolveu Bruno Carvalho, convém ter em conta as diferentes percepções, todas elas correctas, que a VERDADE comporta:

 

- a verdade histórica, a realidade que verdadeiramente aconteceu;

- a verdade jornalística, aquela que os jornais descobrem;

- a verdade jurídica, a que foi apurada em tribunal;

- a verdade emocional, aquela que é construída de forma individual.

O Sporting nada deve ao ex-presidente

Texto de João Gil

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Bruno de Carvalho foi acusado pelo Ministério Público, teve direito a defesa, foi julgado por um tribunal e absolvido. É assim em democracia e num estado de direito. Bruno de Carvalho colocou-se nessa posição. Porque escolheu e agiu de forma a pôr-se numa situação de enorme fragilidade pessoal, institucional, profissional, social.

Qualquer Sportinguista que se preze ficou contente por ver Bruno de Carvalho ilibado. Por ele, que no fundo é um desgraçado, mas pelo Sporting, especialmente. Escrevo por mim, que fiquei contente por vê-lo absolvido.

 

De resto, [ele] pode queixar-se de si próprio. Provavelmente das suas incapacidades de liderança e de gestão. Mas isso não é culpa dos Sportinguistas, que “moralmente” devem zero ao ex-presidente. Este, pelo contrário, contraiu uma dívida para com o Sporting que não há como pagar.

Exigir, Bruno de Carvalho pode exigir. Estão aí os tribunais para isso mesmo, defender os direitos dos cidadãos, e ele sabe que pode confiar neles, afinal.

Bastou a entrevista desta noite [anteontem] à TVI para aconselhar e avisar os sócios e adeptos do que esperaria o Sporting se porventura BdC voltasse a ter o poder no clube.

 

Se queremos dar-nos bem com os outros e sermos respeitados e manter-nos em grupo, convém respeitar o outro. É básico. Caso contrário, a coisa não funciona e o grupo desenvolve uma rejeição e expulsa-nos.

Qualquer adolescente o sabe. Só Bruno de Carvalho ainda não percebeu que acusar gratuitamente e desrespeitar os que se lhe opõem não é propriamente caminho para que lhe seja devolvida a condição que perdeu e de que se julga credor por um qualquer direito de reparação que só na cabeça do ex-presidente o Sporting terá para com a sua pessoa.

 

Bruno de Carvalho acha-se injustiçado. Mas não devia. A justiça deu-lhe razão.

Direitos ao/ou sobre o Sporting, BdC não tem. Porque não é sócio. Os avançados das TV’s é que se estão nas tintas se abrem nova frente de guerra no Sporting. Estão a ser pagos para isso mesmo.

Juízo e discernimento, é o que se pede. E olhar em frente, que para trás mija a burra.

Mas ainda falta escrever o epílogo desta história, disso também estou convencido.

 

Texto do nosso leitor João Gil, publicado originalmente aqui.

Virar a página, retomar a ambição

(texto inicialmente publicado a 12 de Março neste Blog, a propósito do julgamento da vandalizacao da Academia por elementos ligados à claques) 

 

Coube-me em sorte (ou azar) testemunhar dois momentos de terror da História do Sporting Clube de Portugal. Momentos em que gente inocente perdeu a vida num estádio.

O primeiro, a 7 de Maio de 1995, foi a queda do Varandim do José Alvalade. Nunca esquecerei aqueles gritos, os choros e as sirenes das ambulâncias, por mais que viva. Um amigo com quem ia ao futebol ficou a 2 ou 3 metros de cair.

O segundo foi, um ano depois, o “very light” do Jamor. Durante anos, não consegui voltar a meter os pés num estádio. Confesso que ainda hoje me custa falar disso.

Talvez por virtude (ou defeito) dessas experiências, desde a primeira hora achei inapropriado chamar “terror” à vandalização da Academia de Alcochete (chamem-lhe "assalto" ou "invasão" se quiserem termos mais fortes). Sempre me pareceu, aliás, que o uso desse termo servia o propósito sobretudo de advogados, agentes de jogadores e de alguma comunicação social, mais ou menos comprometida com interesses que gravitam à volta do milionário negócio que é hoje o futebol.

Isto não retira gravidade ao que aconteceu. Mas “terror” ou “terrorismo” vemos todos os dias em muitas partes do mundo, infelizmente. E, convenhamos, são coisas diferentes.

Como seria lógico, a acusação de “terrorismo” caiu, ontem, no julgamento do caso da invasão da Academia. Outra coisa não poderia acontecer. E deveria fazer repensar todos aqueles que usaram tão irreflectidamente tal termo. 

Tem também, para mim, lógica que tenham caído as acusações contra o ex-presidente, Bruno de Carvalho. Pois nunca vi nada que o relacionasse directamente com o que aconteceu. 

Mas não me interessa - e acho, sobretudo, que não interessa ao Sporting - revisitar esse lamentável episódio na nossa história colectiva. No final deste julgamento, que se faça Justiça para com quem tão graves danos causou a uma instituição centenária e com tanto mérito. 

E que este momento seja também um virar de página para o Clube. Um recordar que o Clube está acima deste ou daquele presidente, e é muito maior do que qualquer estrago que possa ser inflingido por 20 ou 30 adeptos.

Viremos a página. Deixemo-nos de insultos e de crispações. Olhemos para a frente, que temos muito e longo caminho a percorrer. Para escrevermos novas páginas, essas sim dignas da História do Sporting. Pelo nosso Clube. E pelos adeptos que, tristemente, poucos anos depois do terror, não estavam connosco a festejar o Sporting Campeão Nacional.

Alcochete nunca mais

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Terminou ontem o julgamento do assalto a Alcochete, fecha-se assim a página mais negra da história do Sporting Clube de Portugal, um assalto perpretado não por bandos criminosos de clubes rivais mas por quem devia ter como princípio o apoio incondicional ao clube e aos atletas que o representam.

Foi um julgamento justo, com um colectivo de juízes incluindo a juíza principal e um ministério público que estiveram à altura e dignificaram a classe, e um acórdão que deverá  servir de referência em futuras situações.

Com a absolvição do ex-presidente e do ex-OLA fica assim o Sporting como instituição com o nome limpo, e só podemos estar satisfeitos com o facto.

O mesmo não podemos dizer da Juveleo, uma vergonha que a claque fundada pelos filhos de João Rocha se veja envolvida numa situação destas, com o ex-presidente da claque e  muitos elementos próximos do actual condenados a pesadas penas de prisão, nalguns casos efectivas noutros ainda o poderão ser, dado estarem indiciados noutros processos igualmente violentos.

Não se pronunciou o tribunal, nem tinha condições para tal, sobre a responsabilidade política da situação que vivemos no final da época de 2017/2018, nem sobre os atropelos aos regulamentos do clube pelo ex-presidente nos dias que se seguiram ao assalto, em devido tempo os sócios do Sporting se pronunciaram sobre o assunto, e o destituiram, suspenderam e expulsaram por uma maioria esmagadora de votos e votantes.

Importa agora fazer o mesmo a todos os condenados ainda sócios, para que nunca mais se repita uma situação assim no Sporting.

Isto sim é o Sporting Clube de Portugal:

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Alcochete nunca mais !!!

SL

Os crimes de Alcochete

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«Isto não é amor ao clube. É crime. É crime.»

Sílvia Pires, presidente do colectivo que julgou os arguidos de Alcochete

 

Confiar na justiça.

Esta é a atitude certa, em qualquer circunstância. Julgo que neste blogue, onde há pessoas que pensam de modo muito diferente em quase tudo quanto se relaciona com o Sporting, nunca houve ninguém que exprimisse opinião diferente desta: confiar na justiça.

Esta sexta-feira, dia 29, é, portanto, um dia tão bom como qualquer outro para reafirmar este princípio. O dia que se segue ao da sentença proferida, em primeira instância, pelo colectivo de juízas que determinou 41 penas condenatórias e três absolvições no chamado processo de Alcochete - investigado e concluído dentro dos prazos legais e com uma celeridade muito superior ao que estamos habituados.

 

Há dois aspectos neste acórdão - que ainda não li e, portanto, só consigo comentar a partir de notícias escritas com base na súmula lida na sessão de ontem pela juíza-presidente, Sílvia Rosa Pires - que convém salientar.

O primeiro é o facto de cerca de quatro dezenas de adeptos do Sporting - vários deles igualmente sócios, ao que presumo - terem ousado invadir e destruir as instalações da Academia leonina, até há poucos anos considerada um centro de excelência máxima em matéria de formação no futebol. Estes indivíduos protagonizaram um "ataque bárbaro" (palavras da magistrada) a um local que devia ser uma espécie de santuário para toda a massa adepta. Ali cometeram-se crimes graves - e não foram provocados pelos habituais "inimigos do Sporting", mas por sportinguistas. Com imagens que voltaram a colocar a Academia literalmente nas bocas do mundo, desta vez não por motivos de excelência mas de indecência.

A partir deste acórdão, portanto, deixaremos de falar em "alegados crimes" relacionados com Alcochete: a palavra "alegados" cai com esta sentença condenatória. Houve mesmo ilícitos penais, agora punidos com penas diversas - incluindo nove casos de prisão efectiva.

Entre os que cumprirão pena de prisão inclui-se o líder histórico da Juventude Leonina que permaneceu cerca de duas décadas à cabeça desta claque. Que, de algum modo, fica assim simbolicamente decapitada. Não por capricho de comentadores ou arbítrio de jornalistas, mas por solene decisão judicial.

 

Além dos 41 arguidos que acabaram condenados em graus diversos, o acórdão determina ainda três absolvições, considerando que nas audiências de julgamento foi impossível fazer prova da suposta "autoria moral" dos crimes de Alcochete, invalidando a controversa tese inicial do Ministério Público. Neste reduzido número de arguidos agora absolvidos incluem-se o ex-presidente Bruno de Carvalho e o actual dirigente máximo da JL, Mustafá. Também aqui, como no resto, imperou o princípio que nunca deixámos de defender: acreditar na justiça. Por ser uma das traves mestras do sistema democrático que nos rege.

Numa longa entrevista ontem concedida ao Jornal das 8 da TVI, perante um interlocutor impreparado, timorato e gaguejante, o antigo presidente leonino admitiu a possibilidade de instaurar um processo por indemnização ao Estado português que pode chegar às instâncias jurídicas internacionais. É inteiramente livre de proceder assim, no exercício de um direito de cidadania, se considerar que não lhe foi feita justiça, o que não parece muito consentâneo com a absolvição que acaba de lhe ser decretada.

Entretanto, não deixa de ser irónico ver agora vários dos seus apoiantes mais indefectíveis - com a linguagem incendiária que todos lhes conhecemos, integrada no caldo de cultura que degenerou nos crimes de Alcochete - celebrarem nas redes sociais a "vitória da justiça" depois de andarem anos a alimentar teses conspiranóicas contra o poder judicial, que seria parte integrante de uma vasta operação universal destinada a derrubar aquele que continuam a venerar com cega idolatria. 

 

Afinal não havia conspiração alguma: houve crimes, houve punições, houve absolvições, haverá recursos para outros patamares judiciais se assim for decidido por advogados e Ministério Público.

Prevaleceu a justiça. Confirmando assim que devemos acreditar nela. Não apenas quando nos é conveniente, mas em todas as circunstâncias. Antes, durante e depois.

Quem não acredita na justiça, não acredita na democracia. Já passou para o lado de lá ou nunca de lá saiu.

Nesse lado eu jamais estarei.

Decisão do Tribunal é boa para o Sporting

Desde a primeira hora que considerei uma vergonha todo o processo de rescisões. Na minha opinião, nenhum jogador pensou no clube e nos seus adeptos. Escolheram o seu dinheiro e as suas carreiras em detrimento da nossa paz, do nosso sossego, do nosso amor. Não pestanejaram quando nos desiludiram, não se importaram com milhares de crianças que os viram partir sem olhar para trás. Quem rescindiu procurou melhor, quem ficou teve medo de arriscar e quem voltou fê-lo porque não encontrou o que procurava. Para mim, foi isto. Simples e frio.

Que fique claro, quando os jogadores do Sporting decidiram rescindir o contrato, fizeram-no com o clube, não com o presidente, apesar de se terem servido de Bruno de Carvalho para o fazer.

Hoje a justiça mostrou que não tinham razão. Nem Carvalho e nem Jacinto, ambos funcionários do clube à data, foram condenados. O Sporting não teve, por isso, qualquer tipo de ligação ao acto que alguns energúmenos cometeram.

Como Sportinguista, esta absolvição ao antigo presidente é um alívio. É uma página negra que não foi escrita, apesar de muitos a ditarem.

VIVA O SPORTING

O tribunal falou!

Dois anos e quase 15 dias depois, o tribunal pronunciou-se sobre o ataque vil, soez e cobarde à Academia Sporting, em Alcochete.

Sempre aqui fui dizendo, neste como noutros casos, que confio na justiça e confio que ela continue sendo cega e que ela própria se vai regulando, expurgando-se de elementos que a possam colocar em situação delicada.

Para que fique claro, para o tribunal, as sentenças são ou "culpado", ou "inocente", por muitas voltas que algumas pessoas, desagradadas com as sentenças, umas e outras, dêem. Não há "culpado mas..." ou "inocente mas..." Assim o ex-presidente foi considerado inocente dos crimes de que ia acusado, tendo-se provado a inocência na participação interessada de Bruno de Carvalho naquele assalto.

Tal sentença não o exime do descalabro que foi o final do seu mandato, mas é justo questionarmo-nos se não tivesse aquela acusação em cima, as coisas teriam corrido daquela forma desastrosa, no mínimo. Não saberemos nunca, já passou e o tempo nunca volta.

Terminado que está este capítulo negro da história longa e a maior parte das vezes gloriosa do Sporting, será tempo de seguirmos em frente.

A justiça pronunciou-se, a justiça está feita. Já não há desculpas para continuarem a adiar o Sporting.

O fim do processo

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Foi lida hoje a sentença do processo referente à invasão à Academia do Sporting em Alcochete.

O resultado foi aquele que se vinha adivinhando: Bruno de Carvalho, Bruno Jacinto e Nuno Mendes foram absolvidos de todos os crimes. Para os restantes, houve oito penas suspensas, quatro multados, e nove penas efetivas.

Sobre a decisão

É bastante positivo que Bruno de Carvalho tenha sido considerado inocente, é o sinal inequívoco que o Sporting, enquanto instituição, está  isento de culpa dos hediondos actos. O que me preocupa, nesta situação, é a justiça portuguesa ter sido capaz de prender alguém sem as provas suficientes que levariam a uma condenação. Ainda estamos muito longe de ter a justiça que merecemos enquanto cidadãos.

A decisão tomada tem que ser vista como base para os restantes processos de violência, relacionada com desporto, que estão a decorrer. Por exemplo, não espero menos de cinco anos de prisão efectiva para Luís Pina no caso do assassinato de Marco Ficini. Também não espero menos de cinco anos para os elementos dos No Name que atacaram um adepto do Sporting nos últimos dias.

 

Sobre o Sporting

À medida que a absolvição de Bruno de Carvalho foi ganhando forma, começaram a surgir os primeiros pedidos de impugnação da AG de destituição e das últimas eleições. Acho que é legítimo que se discuta isto mas não concordo. Na minha opinião pessoal, o resultado da AG é demasiado óbvio para se poder achar que é tudo resultado de manipulação dos media. Até porque há Sportinguistas susceptíveis aos media mas achar que todos o são é achar que a massa adepta do Clube é, por defeito, estúpida e que não é capaz de tomar decisões em urna. Eu, não me vendo a mim nem aos meus consócios como inimputáveis, tenho que respeitar a vontade da maioria.

Espero que os absolvidos consigam recuperar a dignidade na sua vida pessoal e profissional, conto que processem o Estado pelo impacto nas suas vidas, mas também espero que entendam que não faz sentido arrastar o Sporting para mais uma desnecessária sessão de exposição mediática.

Para que nunca se repita

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Foi há dois anos. Um bando de jagunços, de focinho tapado, assaltava a Academia de Alcochete, partindo tudo quanto via à frente, destruindo parte das instalações, agredindo jogadores, membros da equipa técnica e funcionários do Sporting.

Entraram sem ninguém os deter e quando se fartaram de bater saíram tranquilos, sempre de fuça coberta. Como se fosse uma coisa normalíssima. 

Isto quando faltavam cinco dias para a final da Taça de Portugal, entre o Sporting e o Aves. Sabemos o triste desfecho desta partida, que nunca devia ter-se jogado na ressaca imediata daquele assalto.

 

O País parou, incrédulo e vexado, a ver as tristes imagens que não tardaram a ser exibidas em televisões e redes sociais de todo o mundo.

Falando em nome próprio e dos seus colegas, Bas Dost viria a ser um dos primeiros a quebrar o silêncio. Declarando, ainda combalido: «Ficámos todos aterrorizados, aquilo foi uma ameaça real. Sinto-me completamente vazio, foi um drama para todos.» 

A notícia destas agressões abalou todo o universo sportinguista e causou danos reputacionais quase irreparáveis ao emblema leonino. Nos dias imediatos já se falava nas rescisões unilaterais de contratos de grande parte da nossa equipa-base de futebol profissional, o que infelizmente acabou por suceder.

 

Alcochete deixou uma ferida aberta no Sporting. Uma ferida que ainda não cicatrizou por completo, tanto tempo depois.

Há que seguir em frente e construir o futuro. Mas sem esquecer o que aconteceu. Para que nunca se repita.

Divagações em tempo de quarentena (4)

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(De A Bola, "João Palhinha, 24 anos, está na mira de clubes espanhóis e ingleses para a próxima temporada e tem novo empresário, uma vez que passou a ser representado pela Traquifoot, empresa liderada por Luís Neves e Pedro Traquino.")

 

Longe vai o tempo em que Manuel Fernandes assinava de cruz o contrato que lhe estendia João Rocha, o tempo em que presidentes e jogadores se entendiam directamente na base da exigência e do incentivo, muitas vezes nos momentos mais improváveis das épocas e dos jogos.

Depois disso a profissionalização dos jogadores de futebol foi avançando em paralelo com a industrialização do próprio jogo, e foram surgindo as obrigações fiscais, as SADs e as obrigações de mercado, os agentes, os investidores, os fundos, a separação entre direitos económicos e desportivos, os acordos sobre mais-valias, os mecanismos de solidariedade, etc. Hoje em dia cada jogador transporta consigo todo um conjunto de responsabilidades que importa entender.

Apesar disso, a ideia de muitos ainda é que os jogadores continuam a ser carne para canhão, podem ser maltratados pelas claques ou enxovalhados publicamente pelos presidentes quando as coisas correm mal, e até existem aqueles presidentes que dizem que estão lá para defender os interesses do clube e os jogadores que defendam os deles. Ou seja, parece que muita gente ficou no tempo do... Manuel Fernandes.

O Sporting sofreu na pele as consequências dessa atitude com o assalto a Alcochete e o processo litigioso que se seguiu demonstrou a complexidade actual da relação entre clubes e jogadores, bem como as diferenças de entendimento entre as instâncias jurídicas chamadas a resolver os conflitos, a nacional (TAD) e a da UEFA.

Estando esse processo praticamente terminado, importa agora é que o clube consiga enfim ter uma gestão de activos eficaz e suportada pela formação, que permita extrair o máximo de cada jogador do ponto de vista financeiro e desportivo, de acordo com os condicionalismos e oportunidades do mercado. Para isso importa conjugar a defesa intransigente dos seus interesses com um espírito de parceria com os jogadores e as entidades que os representam, com vista a garantir tranquilidade, focalização e espírito de corpo no balneário, tudo isto necessário à superação do grupo e às conquistas.

Parece simples, parece óbvio, mas estamos num clube que ao longo dos anos tem sido muito incompetente nesta área, desperdiçando talento que fugiu do clube ou foi vendido ao desbarato, como Paulo Futre, Fernando Mendes, João Moutinho e muitos mais, que acabaram por ir reforçar e ajudar a ganhar títulos nos clubes rivais. E de muitos ex-jogadores que passaram ou foram formados em Alvalade, muito ao contrário do que acontece noutras paragens, apenas se ouvem mágoas e ressentimentos para com o clube.

Mas também tivemos e temos casos em que as coisas funcionaram bem para todos, e no caso Bruno Fernandes conseguimos resgatá-lo duma saída pela porta pequena, mantê-lo como capitão e melhor jogador em campo até ao momento em que conseguimos uma grande transferência e ele saiu para um grande clube e um grande contracto. Ainda por cima, ficámos com um “tiffosi” que à distância não deixa de moralizar e incentivar os ex-colegas. Parabéns a todos os envolvidos, incluindo os agentes envolvidos no negócio.

Para terminar, apenas referir que se procurarmos os agentes dos jogadores do plantel principal do Sporting no Transfermarkt chegamos à lista seguinte: alguns pais e familiares, Ultimate Sports, LeaguePro, Invictus Team, Nomi Sports, TF Tribe, CLK Foot, Teixeira Players, Positionumber, Eleven Talent Group, Juan Manuel, TFM Agency, Gines Carvalhal, Eurodata Sport, MVP Group, Leonardo Corsi, Interlex Sport, First Acess Sports, AR Sports Management e... Bruno Carvalho (outro).

Agora veio o Rúben Amorim, agenciado pela Nomi Sports, a mesma de... Idrissa Doumbia. A Gestifute não consta, Rodrigo Fernandes não faz parte ainda do plantel principal. E agora, com o regresso de Palhinha, a Traquifoot.

SL

O que eles dizem

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«O Ministério Público pediu a absolvição de Bruno de Carvalho neste tristíssimo e dramático caso - o mais vergonhoso da história do Sporting Clube de Portugal - mas ele ainda não foi absolvido. Mas os brunistas mais empedernidos - aqueles que ainda existem, e são alguns - fizeram já disto uma razão suficiente para se acharem no direito de exigir o regresso dele não apenas à condição de sócio do Sporting, da qual foi expulso, mas também à reocupação do lugar do qual foi destituído. Os brunistas sabem o que estão a fazer: é mais um embuste, mais uma batotice, mais uma vigarice. Inflamam as massas com mais uma cortina de fumo para enganar toda a gente.

A expulsão de sócio e a destituição de Bruno de Carvalho não teve nada a ver com Alcochete. Rigorosamente nada. Ele até podia ter estado à porta de Alcochete a defender a honra do clube e a integridade física dos jogadores e dos técnicos que foram agredidos por aquela gentinha. Ele foi destituído e expulso por tentar impedir a realização da assembleia geral de 23 de Junho e pela violação da suspensão preventiva a que estava sujeito; pela usurpação de funções e pela tentativa de bloqueio das contas do Sporting;  pela criação de órgãos fantasmas completamente à revelia dos estatutos do clube; e pelo uso indevido de meios do clube.»

António Macedo, Sport TV+, 13 de Março

 

 

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«Espero que perante este comportamento do Ministério Público que, provavelmente, conduzirá à sentença de absolvição do ex-presidente do Sporting Clube de Portugal, se não confunda a responsabilidade criminal com justa causa e responsabilidade disciplinar.

Os sócios do Sporting Clube de Portugal reunidos em assembleia geral fizeram justiça ao deliberarem a sua destituição com justa causa e a confirmação da pena de expulsão aplicada - deliberações com as quais [Bruno de Carvalho] se conformou. Não há que misturar absolvição de um crime público com destituição, ou expulsão e readmissão, no seio de uma associação privada. 

Uma coisa são os factos criminosos praticados em Alcochete; outra coisa são os desvarios e as infracções disciplinares praticadas em Alvalade. Aqueles foram testemunhados por menos de uma centena de pessoas; a estes assistiram milhões, estupefactos e incrédulos.»

Dias Ferreira, A Bola, 14 de Março

A responsabilidade criminal nem é o mais importante (2)

Nunca me pus a lançar palpites (coisa, aliás, que detesto) sobre este assunto, que pertence à justiça. Nunca acusei Bruno de Carvalho de ter estado diretamente envolvido com o ataque à academia de Alcochete. Conhecida a conclusão do Ministério Público, embora ainda faltando a decisão final dos juízes, digo que fico satisfeito se se confirmar que o então presidente nada teve a ver diretamente com o ataque. Se o ataque em si já constitui a página mais vergonhosa da história do Sporting Clube de Portugal, se se confirmasse o envolvimento do presidente a vergonha seria ainda maior.

O ataque a Alcochete foi um ato de loucura coletiva, para o qual houve seguramente responsáveis (alguns já assumidos) que terão que ser séria e exemplarmente punidos. E estou certo de que o serão. Agora reafirmo o que escrevi aqui: mesmo não lhe sendo imputada a responsabilidade do ataque, a Bruno de Carvalho será sempre imputada a responsabilidade de ter sido o principal criador e instigador daquele ambiente de loucura coletiva: desde posts no Facebook a entrevistas, passando pela suspensão e castigo de toda a equipa de futebol. Não é uma responsabilidade criminal, mas mesmo assim é uma responsabilidade muito grave. Que os sportinguistas nunca deverão esquecer.

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