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És a nossa Fé!

Alcochete: o que diz Bruno

 

«Se a Polícia não me parasse à saída da Academia, eu tinha-me ido embora e não tinha voltado mais, nem sequer tinha jogado a final da Taça de Portugal.»

 

«O que eu lhe disse [a Bruno de Carvalho] foi que, se era para aquilo, preferia não jogar à bola e que ia fazer outra coisa qualquer. Disse-lhe que tinha uma filha, uma família, e que não estava disposto a correr aquele tipo de riscos.»

 

«O que você [Carvalho] conseguiu foi que o grupo se unisse, mas contra si [após o Atlético de Madrid-Sporting.»

 

Nós e os outros

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O contrato entre Bas Dost e o Sporting foi assinado livremente pelas duas partes.

Não há a menor hipótese de qualquer das partes recusar cumpri-lo alegando reponderação de prioridades, estado de necessidade, contingências financeiras ou outro motivo respeitável mas irrelevante neste contexto.

Para o ponta-de-lança leonino deixar Alvalade dois anos antes do fim do vínculo que o liga ao Sporting tem de haver convergência inequívoca entre os signatários do contrato, seguindo as normas do Estado de Direito em que felizmente vivemos.

São estas regras que nos servem de bússola. A nós, que desde o primeiro minuto nos insurgimos sem reservas mentais nem meias palavras contra o assalto dos jagunços a Alcochete. Em que Dost foi a principal vítima.

Tenham paciência, mais há mais autoridade moral do nosso lado do que em qualquer outro. E muito menos da parte daqueles que, chorando agora lágrimas de crocodilo, foram cúmplices morais daquele assalto e brindaram o holandês com epítetos como "traidor" e "mercenário" quando souberam do seu regresso.

Autoridade moral, desde logo, para dizermos que Dost não está a ser tratado como merece pelo clube que há um ano lhe implorou que voltasse e lhe pôs à frente, para o efeito, o contrato que ele de boa fé e bom grado assinou.

Alcochete blues

Enquanto o Sporting Clube de Portugal se tenta recompor das consequências do assalto terrorista a Alcochete, resolvendo todo um conjunto de questões dali decorrentes e encerrando o processo de expulsão do ex-presidente na AG do próximo sábado, decorre no Campus da Justiça o debate instrutório do processo judicial respectivo.

Pelo que se vai sabendo, parece que não nos podemos queixar da forma como as nossas AGs funcionam, os horários não são respeitados, alguns intervenientes enganaram-se na morada e tardaram em chegar, a procuradora já foi mais vergastada do que o Rogério Alves, o juiz já foi repetidamente contestado e objecto de processos disciplinares. Só faltaram mesmo os Letais ao Sporting na sala de audiências, nem sei porque não estiveram presentes a berrar, insultar e aplaudir. Letal mesmo para o próprio Bruno de Carvalho parece ser o seu novo advogado. Gasolina na caldeira.

E no Campus da Justiça o nosso ex-presidente vai deixando frases para a história, bem mais interessantes do que aquela frase pindérica na base da estátua do leão que teima em não ser apagada:

1. Tenho o direito de ser livre e não sou por sua causa.

Um pensamento deveras profundo. Se calhar mesmo Socrático. Ser ou não ser,  e ter um (...) ou uma  (...)  que não deixa ser, eis a questão.

2. O funcionário Jorge Jesus não cumpria a sua postura de zelo.

Também muito profundo. No fundo um treinador pode ser o lider da estrutura, ser o melhor do mundo, ganhar o que o clube não pode pagar, ser uma loucura do presidente, ir ao casamento, fazer parte da comissão de honra, mas não deixa de ser um funcionário. Pelo menos quando desafina com o presidente.

3. Ninguém me comunicou absolutamente nada sobre o que se tinha passado no aeroporto.

Nada. Zero. Era dia de episódio novo da Guerra dos Tronos. E havia as modalidades. E o tabaco tinha acabado. Tudo tem o seu tempo. Do not disturb.

4. Nunca houve proximidade entre mim e a Juve Leo.

Obviamente que não. Nem reuniões na casinha, nem conta corrente de (1 ou 2 ?) milhões de euros em dívida, nem telefonemas altas horas da noite, nem corridinhas no estádio para o sector da claque antes do bombardeio das tochas. Nada. Zero. Nem houve nenhum elemento da Juve Leo que logo no dia dissesse às TVs que o responsável por tudo aquilo se chamava Bruno de Carvalho.

5. Os posts foram por querer melhorar a performance da equipa de futebol e de todas as modalidades: Só houve um capitão que não percebeu isso: Rui Patrício.

O homem tem uma estátua lá na terra dele, pode ser campeão da europa, mas é mesmo burro. Não percebe que gerir uma equipa de 75M€/ano e uma equipa de 2M€/Ano é a mesma coisa. Chicote e cenoura. Liderança 2.0.

E é assim...

SL

A história não se reescreve

A história não se reescreve. Só há uma verdade histórica, independentemente das versões que se possam ir publicando ao sabor de interesses de países, de grupos económicos, de organizações ou até de pessoas.

A história recente da nossa organização conta-nos sobre um episódio violento, traumático, de consequências ainda imprevisíveis, perpretado por um grupo de pessoas onde, sabe-se, estavam alguns dos dirigentes, ex-dirigentes e elementos da claque JuveLeo.

A nossa história recente conta-nos do desvario de um presidente que tinha tudo para ser, de longe, o melhor presidente que a organização alguma vez teve, mas que desbaratou um apoio incondicional quase absoluto, com claro prejuízo para a mesma organização e para os resultados obtidos e provavelmente a obter.

Esta é uma versão da história que nos oferece, à maioria, muito poucas reticências. Há até quem seja mais severo e queira escrever uma versão em que o referido presidente foi o mandante da acção criminosa daquele violento episódio.

Soube-se agora que o responsável pela segurança de Alcochete foi avisado com 14 minutos de antecedência (um quarto de hora) que iria haver uma invasão. Divulga o insuspeito "Expresso" que o oficial de ligação com os GOA, Bruno Jacinto, avisou o responsável pela segurança da academia, Ricardo Gonçalves, 14 minutos antes da invasão. Consta dos autos da GNR, diz aquele semanário. Deixo apenas uma simples pergunta para, perdoem a imodéstia, ajudar a contribuir para encontrar a versão correcta da história: 14 minutos não foram suficientes para encerrar os portões e para pôr em prática o plano de segurança?

Peça a peça, pedaço a pedaço, detalhe a detalhe, responsável a responsável, espero que a verdadeira história deste episódio seja revelada a todos, que a investigação policial revele a verdade dos factos e os responsáveis por eles e que estes, sejam quem sejam e estejam a que nível estiverem, ou estiveram, na organização, sejam por eles devidamente condenados.

Como nota de rodapé, pergunto apenas a quem interessa a morosidade do apuramento das responsabilidades. Posso até dizer-vos quem é prejudicado diariamente e até ao final do processo ou quiçá até para além dele, como bónus: O Sporting!

 

Nota post publicação: Alguém me chamou a atenção para a data de publicação desta notícia (já tem um ano, é de 24/MAI/18). Estando ela desactualizada, não belisca em nada o conteúdo deste post.

Como devem ter-se apercebido, não foram libertados comentários. Por minha exclusiva vontade.

 

Criar uma política de formação

Durante anos o Sporting vangloriou-se de ter a melhor escola portuguesa de formação de jogadores, frequentemente comparada ao Ajax. Paulo Futre, Luís Figo, Dani, Simão Sabrosa, Cristiano Ronaldo, Ricardo Quaresma, João Moutinho, Luís Nani, Rui Patrício ou William Carvalho entre vários outros que me dispenso de enumerar, sob pena de tornar a lista demasiado extensa, projectaram internacionalmente o jogador português e com eles, a selecção nacional cresceu exponencialmente, passando de esporádicas presenças nos grandes eventos a cliente habitual e até potencial favorito à conquista dos troféus.

Outros clubes, os rivais não andam propriamente a dormir, apostaram de forma séria na formação, ao passo que nós a descurámos, o resultado está à vista, nenhum jogador formado em Alcochete abaixo dos 23 anos tem hoje a mínima hipótese de aspirar a envergar a camisola da selecção nacional portuguesa. É um facto e se quisermos perceber como chegámos aqui, há que ser sérios, enquanto o principal rival prescindiu do treinador que não conseguiu ver em Bernardo Silva, João Cancelo ou Gonçalo Guedes, talento suficiente para evoluir na equipa principal, substituindo-o por treinadores que lançaram Renato Sanches, Ruben Dias ou João Félix entre outros, nem todos com igual sucesso, o que seria obviamente impossível, mas a aposta está lá, só não vê ou desdenha quem não quer ver ou estiver de má-fé. E nós que fizemos? Fomos buscar o iluminado mestre da táctica de que o rival em boa hora, para eles, se livrou e com ele um camião de entulho. Gelson Martins e também Ruben Semedo foram excepções, direi que as últimas apostas sérias da formação, ambos já com idade superior a 23 anos. Abaixo desse patamar havia Rafael Leão, que saiu do clube nas circunstâncias que conhecemos, em rota de colisão com o alienado que dirigia o clube de forma errática, do qual em boa hora nos livrámos.

Não adianta exigir a Marcel Keizer que coloque em campo jogadores da formação sem qualidade para ombrear com os rivais e exigirmos simultaneamente vitórias e títulos. Existe novamente talento na formação, mas abaixo dos 18 anos, pelo que será expectável que dentro de 1 a 2 anos possamos novamente ver a evoluir no relvado jogadores formados em Alcochete. Um clube como o Sporting precisa receitas, o que implica vender jogadores. Não é possível esperar que um jogador acabe de se formar aos 24 ou 25 anos, para depois valorizar 2 ou 3 anos na equipa principal e vendê-lo aos 28 anos. É tarde! O mercado não funciona assim.

Os melhores jogadores aos 20 anos já têm que merecer uma oportunidade na equipa principal. Outros, com elevado potencial, mas sem lugar na equipa, precisam rodar emprestados ou na equipa B, que foi extinta por uma má decisão do ogre. Eventualmente alguns poderão despontar de forma tardia, também acontece, pelo que deveria ser política do clube incluir cláusulas de recompra na cedência de jogadores, que por regra não serão accionadas, mas por vezes acontecem surpresas e não gostamos de ver os rivais abonados pelas pérolas que formámos. Confio na actual direcção, uma estratégia pode ser rapidamente delineada, mas coloca-la em prática requer sempre tempo, por isso defendo que as avaliações devem ser feitas no final dos mandatos. Para já, os sinais são positivos, a restruturação em Alcochete, o scouting, vamos confiar que a médio prazo estaremos de novo no lugar que nos pertence, mas até lá, não basta engrossar a voz, teclar, berrar ou insultar, é mesmo preciso trabalhar...

Andámos para trás vários anos

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«Fez esta semana um ano sobre o momento mais negro da gloriosa história do Sporting Clube de Portugal. Um ataque ignóbil às próprias instalações e jogadores do clube, com a complacência dos então órgãos sociais, seguindo-se uma inenarrável sequência de actos que puseram em causa as mais elementares regras de funcionamento de uma instituição. Dividiu-se o clube, os adeptos, foram causados incalculáveis danos patrimonais, na imagem e reputação do clube. Andámos para trás vários anos e vimos os nosos rivais distanciarem-se de novo em termos financeiros e desportivos, depois de um investimento significativo (e incomportável) na equipa de futebol profissional. Um clube mais pobre, fragilizado e dividido foi a herança recebida por estes órgãos sociais. A memória colectiva sabe-se que é efémera, mas a minha não é.»

 

Samuel Almeida, na edição de ontem do jornal O Jogo

Assalto terrorista a Alcochete

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Faz hoje um ano que fomos confrontados com um ataque cobarde à academia de futebol do clube, que a Justiça, e eu disso percebo muito pouco, tipificou como assalto terrorista. Foi o dia mais negro da historia do Sporting, dia esse que começou com o envolvimento do braço direito para o futebol do então presidente num processo de corrupção desportiva e que acabou com o treinador e jogadores num posto da GNR, e o então presidente num hotel de Lisboa a justificar-se perante os "croquetes" e "sportingados" do Grupo Stromp. 

Um ano depois, que passou bem depressa para muitos de nós mas se calhar mais devagar para quem passou o ano na cadeia, com o dito presidente, que não teve a decência de pedir de imediato a demissão, destituído, suspenso e actualmente em vias de ser expulso, e um novo presidente eleito nas eleições mais concorridas de sempre a ganhar titulos nacionais e europeus.

O rombo colossal (reputacional, financeiro e desportivo) produzido na SAD pelo assalto, que só foi possível estancar depois da destituição do então presidente, obrigou a negociações difíceis e a acordos que seriam sempre avaliados como medíocres noutro contexto. Mas felizmente que o desastre que muitos previram não se cumpriu, temos uma equipa reconstruída, incluindo estrutura técnica e de apoio, mais de 50M€ recuperados com os que rescindiram, e conseguimos fazer retornar o melhor de todos eles, aquele que pode proporcionar proximamente um encaixe superior aos tais 50M€ e fechar o ano desportivo com mais de 100M€ em vendas, pagar dívidas e encargos por satisfazer e por a SAD em terreno firme. E chegaremos ao final da época pelo menos com a Taça da Liga ganha, 3º lugar na Liga e entrada directa na Liga Europa e com lugar na final da Taça (que podemos vir a ganhar).

Mas quando relembramos as cenas daquele dia lá no local de trabalho da equipa profissional de futebol do clube (se as TV´s não estivessem presentes, se calhar muita coisa teria sido diferente, e o encobrimento e desvalorização presidencial (o tal "foi chato") teria tido sucesso, as imagens de Jorge Jesus, Manuel Fernandes, funcionários do clube e dos jogadores no meio da turba, ficam muitas coisas por esclarecer, muitas perguntas no ar, muitas derivadas da incrível promiscuidade que existia entre presidente e claques e da ligação das mesmas à candonga de bilhetes e ao tráfico de substâncias, que esperemos que a Justiça (quando conseguir ultrapassar os atrasos forçados pelos advogados) ou o tempo (por exemplo, quando alguém mais tarde quiser "por a boca no trombone" e escrever um best-seller sobre o assunto) ajude a esclarecer.

De qualquer forma, o importante hoje é valorizar tudo o que mudou para melhor, e dizer ao mundo que nunca mais o Sporting Clube de Portugal será falado por tão tristes razões. 

SL

Em jeito de telegrama

Não sou adivinho ponto não sei se clube estaria melhor ou pior ponto soubesse teria acertado euromilhões ponto dava imenso jeito ponto  massa de que são feitos sportinguistas extraordinária ponto bom caminho ponto juntos levaremos Sporting glória ponto falta campeonato para perfeição ponto próxima época ano zero ponto exigência máxima ponto

Um ano depois

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Um ano depois do desvairado atentado de Alcochete surge-me a questão: quem diria, no final desse infausto e incrível 15 de Maio de 2018, e nas semanas imediatamente subsequentes, que passado apenas um ano o clube estaria repousado, vivendo em normalidade, é certo que enfrentando as conhecidas dificuldades económico-financeiras mas fazendo-o com esperança, sem alaridos? Continuando numa senda de sucessos desportivos, com um alargadíssimo leque de actividades e vasto universo de atletas profissionais e amadores, e nisso arrecadando títulos nacionais e europeus. E tendo o futebol sénior, a força motriz do clube, a culminar um ano de total normalidade, concordante com o perfil de resultados dos últimos anos, apesar da hecatombe no plantel pretérito e das dificuldades de estruturação da época que agora vai terminar. Quem diria que a recuperação, organizativa e, acima de tudo, moral, seria conseguida de forma tão célere?

Estão de parabéns vários dos candidatos eleitorais, que se ofereceram ao clube em tão delicado momento. E que tudo têm feito, antes e depois, para a acalmia e recuperação do SCP, leais a um espírito de congregação. Está de parabéns Frederico Varandas e a sua direcção - e exemplifico-a com Miguel Albuquerque, quadro ímpar do clube. Estão de parabéns os funcionários do clube, que tantas agruras terão sofrido e que, talvez mais do que todos, mantiveram o barco no rumo. E estão de parabéns os sportinguistas: a gente gosta mesmo do clube, fê-lo sobreviver à demência de Nero e à invasão dos bárbaros. 

O futuro é agora. E é radioso.

15 de Maio, o dia da infâmia na História do Sporting Clube de Portugal

Bas Dost.jpgFaz hoje um ano que o país ficou estupefacto com o bárbaro e infame assalto à nossa academia em Alcochete, protagonizado por uma ralé de grunhos desordeiros, a pior escumalha que gravita à volta do futebol, mentalidade ultra, dirão alguns, para mim é imbecilidade levada ao extremo. Sentado na cadeira que considerava de sonho, para ele, porque nós já vínhamos a viver um pesadelo há alguns meses, desde chantagem em AG ou estados de alma delirantes nas redes sociais, o ogre que presidia ao clube limitou-se a afirmar, “é chato”, prosseguindo no seu quadro demencial qual Nero tocando harpa, contemplando Roma a arder.

Um ano decorrido da página mais negra da nossa história centenária, ainda estão por apurar grande parte das responsabilidades, mas importa aprender com os erros e impedir que se repita uma conjectura como a que então se vivia, porque foi na total ausência de valores, dignidade e sentido de responsabilidade no exercício de funções, que o grupo de bandalhos se inspirou para praticar semelhante vil e cobarde acto.

Insultos a sócios do clube, quem não está comigo é sportingado ou serve interesses terceiros, chantagem tipo, “votam massivamente ou demito-me”, facilidade no acesso de jagunços da guarda pretoriana, vulgo claques, a área reservada do estádio, local de estacionamento dos jogadores, sucessivas e ridículas publicações nas redes sociais, apoiadas por uma minoria ainda hoje activa, que funciona numa lógica de seita fundamentalista para quem aprendiz de Napoleão é um guru, eram sinais evidentes que algo não estava bem no reino do leão.

Após o triste episódio a maioria dos sócios despertou do encantamento e resgatou o clube a 23 de Junho. As feridas continuam abertas, não faltam órfãos e viúvas letais ao clube, servos saudosos do destituído que não desistem de tentar fazer o clube regressar aos tempos tenebrosos. Uma breve passagem pelas redes sociais permite perceber que vários membros da seita apoiante do lunático relativizam o episódio, justificando o injustificável com a menor prestação dos jogadores, como estando na raiz do triste e lamentável episódio. Outros chegam mesmo a avançar com delirantes teorias conspirativas, num guião capaz de fazer inveja a muito bom argumentista em Hollywood. Suspeito que se fossem agredidos no seu local de trabalho mudariam de opinião. Importa pois que a maioria dos sócios não permita que uma minoria, por muito ruidosa e frequentemente mal-educada, não passa de minoria, volte a tomar o clube de assalto. Sob pena de um dia deixar de existir clube. Por agora estamos no rumo certo, como provam os resultados, com várias conquistas europeias que irão perdurar na galeria de troféus do clube. Após o estilhaçar da equipa de futebol, muitos auguravam um futuro negro, mas a direcção conseguiu estabilizar, no mínimo realizámos uma época idêntica à anterior, existe ainda a possibilidade de conquistar a taça de Portugal, a próxima época está a ser planificada dentro da tranquilidade possível. Podem ter a certeza que há um ano o leão ficou ferido, mas recuperou, está bem vivo e continua a rugir. Força Sporting!

Faz hoje um ano

 

Era um sábado, véspera de um decisivo jogo do Sporting na Madeira, frente ao Marítimo - último encontro do campeonato 2017/2018, que ainda podia valer o segundo lugar à nossa equipa.

Foi um dia protagonizado não pelos jogadores, mas pelo presidente leonino. Um dia em que o Expresso publicou uma extensa entrevista a Bruno de Carvalho. 

Título: «O presidente do futuro é o presidente-adepto. Sou eu.»

 

Nesta entrevista publicada a 12 de Maio de 2018, Carvalho disparava contra o treinador e os jogadores, fazendo uso de uma ironia mais que duvidosa:

«Acha que um treinador permitiria que os jogadores fizessem aquilo que se escreveu ao seu presidente? Que os jogadores tinham virado as costas ao presidente, que se tinham recusado a treinar, e por aí fora. Só pode ser invenção da comunicação social, não é? Porque se fosse verdade era gravíssimo. Tem tudo de ser invenções, não é? Porque senão era mau sinal haver um líder de balneário assim. E o líder de balneário é o treinador.»

Outro pensamento de Bruno de Carvalho:

«Vou ensinar-te uma coisa: para ter sucesso, a primeira coisa a fazer é criar fama de maluco. Depois, é só mantê-la’. É essa a minha estratégia de comunicação. 100% eficaz e eficiente.»

 

Contabillizei e comentei

«Na entrevista de hoje ao Expresso, Bruno de Carvalho pronuncia 50 vezes a palavra eu e apenas três a palavra nós. É todo um programa. É toda uma filosofia de vida. É toda uma maneira de estar no desporto.»

 

Também o Luciano Amaral comentou:

«O que mais impressiona é o sentido de timing. A cada altura crítica chega outro número circense. Se não é de propósito, parece.»

 

Faltavam apenas três dias para o assalto a Alcochete.

Faz hoje um ano

 

Emoções à solta: dois dias depois iríamos jogar ao estádio dos Barreiros, no Funchal. Assim terminaria o campeonato 2017/2018, com o Sporting ainda candidato ao segundo posto, que lhe daria acesso aos milhões da Champions. Mas também poderíamos ser ultrapassados pelo Braga e relegados para o quarto lugar. 

Nos habituais prognósticos feitos aqui no blogue, nesse dia 11 de Maio de 2018, os nossos leitores oscilaram entre o declarado optimismo e uma recatada prudência, vaticinando desde o empate a zero até à goleada leonina por 4-0.

 

Eis o palpite de um dos nossos leitores mais assíduos:

«1-0, golo de Bas Dost, num jogo de muito sofrimento, e com o Sporting a jogar pouco ou nada. 
Isto depois da Juveleo bombardear com tochas o Patrício (aparentemente passou a fazer parte da coreografia), o tal que lá porque tem uma estátua, tem a mania que é gente. Depois o Bruno pode atirar a braçadeira ao chão à vontade e o paizinho pode vir às 5 da manhã para o facebook cuspir no gajo a quem o filho ficou a dever o cargo.»

E a minha réplica:

«O próximo psicodrama ainda só vai nos preliminares. As cenas dos capítulos seguintes não tardam.»

 

Faltavam só quatro dias para o assalto a Alcochete.

Alcochete blues

Mais um final de Liga, mais uma final da taça, a invasão de Alcochete está a completar um ano.
Dezenas permanecem presos, sem saberem sequer se vão ser acusados ou que acusação lhes será imposta. Uns serão barra pesada, mas haverá outros que foram apanhados no comboio das emoções e já levam quase um ano de “preventiva” na pildra, onde por certo estarão a ter tempo para pensar nos grandes temas de Portugal. Trump, Bolsonaro, a subida da extrema-direita em Espanha, o novo Star Wars lá para o Natal, o site da HBO que vai abaixo em dia de Game of Thrones, as calotes polares que derretem, as eleições europeias, o penteado do André Ventura, para que clube vai o João Felix,  o excesso de turistas, a qualidade da comida no SUD, o índice de popularidade de Marcelo, se houve marosca com as casas de Pedrógão, se Mário Centeno vai para o Chelsea, a lampreia que este ano está mais ou menos, etc.
Presos há quase um ano sem culpa formada, ninguém liga, ninguém quer saber. Podia ser uma série da Netflix, mas é aqui, em Portugal, com gente verdadeira. Fizeram mal em invadir Alcochete? Claro, mas digam-lhes quanto devem à sociedade. Um mês, um ano, 5 anos, 500 anos? O que for, mas digam-lhes. Já vai sendo tempo de a Amnistia, os partidos políticos e as mil e uma ONGs que vivem penduradas na indústria dos subsídios abrirem o bico.

Revanche

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Historicamente as purgas dão mau resultado. Às vezes vira-se o feitiço contra o feiticeiro (veja-se o linear exemplo do que acontece hoje ao associado Bruno de Carvalho). E mesmo que isso não aconteça provocam sempre um enquistamento, coisa que por vezes segue para benigno mas outras, infelizmente, degenera em malignidades.

Dito isto, expulsar dois associados sem estar provado que tenham lesado, com dolo, o clube - a gente aqui no blog resmungámos imenso, os associados derrubaram uma direcção, mas isso são outras coisas -, por mais que tenham violentado as insondáveis regras jurídicas (até porque onde há dois advogados há três interpretações), é capaz de não promover um melhor ambiente.

Finalmente, há umas dezenas de presos, acusados de terem conspirado para invadir as instalações do clube e agredirem os funcionários. Há mais dezenas ou até centenas que com eles são solidários. Tanto que até invocam "honra" - a dos tipos que foram lá bater nos trabalhadores, imagine-se. Expulsar um ex-presidente antes de expulsar os sócios que estiveram envolvidos nisto, agressões e manifestações solidárias?

Não percebo nada do que passa na cabeça dos sportinguistas ilustres. Nem do eles que querem que passe pela cabeça dos sportinguistas vulgares, nós.

2018 em balanço (10)

 

 

FRASE DO ANO: "FOI CHATO"

A frase do ano, nestes balanços anuais que vou fazendo, não tem de surgir sempre em contexto positivo. Infelizmente, a de 2018 dificilmente poderia ter sido produzida numa circunstância mais negativa. Aconteceu ao princípio da noite de 15 de Maio, escassas horas após a violenta invasão da Academia de Alcochete por cerca de quatro dezenas de membros encapuzados da Juventude Leonina.

Numa balbuciante declaração à Sporting TV, Bruno de Carvalho pronunciou-se deste modo sobre os dramáticos acontecimentos então ocorridos: «Foi chato ver os familiares dos jogadores ligarem preocupados... do staff ... os meus próprios pais, a minha mulher, as minhas filhas... as pessoas ficam preocupadas, mas felizmente as coisas estão a decorrer dentro da normalidade, amanhã é um novo dia, temos que nos habituar que o crime faz parte do dia-a-dia e o crime tem que ser punido no momento certo, no sítio certo.»

Enquanto o presidente leonino - que viria a ser destituído na histórica assembleia-geral de 23 de Junho - assim falava, vários jogadores e elementos da equipa técnica do Sporting recebiam assistência por ferimentos causados pelos invasores de Alcochete e preparavam-se para rumar à esquadra da GNR no Montijo a prestar declarações sobre o sucedido naquele que foi um dos dias mais negros da secular história do nosso clube. Sem terem com eles qualquer elemento da estrutura directiva leonina.

Um dia "chato", para esquecer. Ou antes: para lembrar. Sempre.

 

 

Frase do ano em 2013: «O Sporting é nosso outra vez»

Frase do ano em 2014: «Estamos em casa»

Frase do ano em 2015: «Temos de acordar o Leão adormecido»

Frase do ano em 2016: «Pelo teu amor eu sou doente»

Frase do ano em 2017: «Feito de Sporting»

Sete meses depois

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Há sete meses exactos, o Sporting bateu no fundo. Qualquer reflexão que possa hoje fazer-se nunca poderá escamotear este dado factual.

Parece ter sido muito mais tempo atrás, mas a verdade é que só decorreram sete meses. A 15 de Maio de 2018, ainda em estado de choque perante o que acabáramos de saber (e não tínhamos visto muitas das imagens mais chocantes, nem havia então qualquer inquérito judicial em curso), percebemos de imediato que uma linha de fronteira fora cruzada. Uma linha que tornava irrisórios todos os debates e todas as fracturas anteriores: entrava-se numa etapa diferente, que pelos piores motivos punha o Sporting nas bocas do mundo do futebol e nada nos augurava de bom. Uma linha que estabelecia um nítido contraste entre um núcleo de valores civilizacionais do qual um cidadão bem formado jamais abdica e a total ausência deles.

 

Um Verão escaldante

Superámos, em larga medida, essa dura provação.

Isto deve-se, desde logo, a um restrito conjunto de sportinguistas que vale a pena nomear. Com destaque para a Mesa da Assembleia Geral, integrada por Jaime Soares, Eduarda de Carvalho e Diogo Orvalho. Este trio suportou todos os enxovalhos, todos os insultos, todas as ameaças - tenaz na sua intransigente vontade de devolver a decisão aos sócios: até este elementar direito esteve para nos ser sonegado. Em paralelo, aos cinco elementos que aceitaram integrar a provisória Comissão de Fiscalização: João Duque, António Paulo Santos, Luís Pinto de Sousa, Henrique Monteiro e Rita Garcia Pereira. E também, claro, aos membros da Comissão de Gestão que orientou o clube e a SAD leonina naquelas precárias semanas entre a inédita assembleia geral de 23 de Junho que sufragou a destituição do Conselho Directivo e o acto eleitoral de 8 de Setembro.

Por mim, nunca deixarei de lhes estar grato.

 

Regeneração tranquila

Falta, enfim, fazer uma referência a Frederico Varandas, não o primeiro mas o principal pilar desta regeneração tranquila que o Sporting tem conhecido. Sem procurar os holofotes mediáticos, sem declarações rimbobantes, teve o mérito de se propor encabeçar um novo ciclo no clube. Enquanto outros se resguardavam e faziam cálculos, no momento mais difícil, ele deu um passo em frente e declarou-se pronto para o justo combate: havia que reerguer esta centenária instituição de utilidade pública a que nos orgulhamos de pertencer.

Escolheu o melhor dos lemas: "Unir o Sporting". Recebeu uma maioria de votos expressiva em Setembro. Viu o segundo candidato mais votado, João Benedito, endossar-lhe o apoio na própria noite eleitoral - um gesto que só engrandeceu o nosso antigo capitão de futsal, glória desportiva do clube. E nada fez nem disse desde então que traísse o feliz mote que apresentou aos eleitores. Pelo contrário, o Sporting está hoje mais mobilizado, mais coeso, mais unido. Triunfa na frente futebolística, continua a singrar nas modalidades, procura a estabilidade financeira consciente de que haverá novos cabos das tormentas a dobrar no horizonte. 

 

Um lema e um rumo

Não ouvimos de Varandas, nestes três meses, uma palavra que dividisse hostes, apenas frases cirúrgicas destinadas a congregar os sportinguistas. Sem retórica balofa, sem exposição constante, sem qualquer obsessão de arregimentar tropas nem de cavar trincheiras. Desta forma, transformou o benefício da dúvida que muitos lhe deram, tendo ou não votado nele, em apoio declarado e confiante neste último trimestre de 2018. Alguns acusam-no de falar pouco. Mas se havia coisa que sobrava, no Sporting pré-Varandas, eram palavras. No desporto, como na vida, nenhuma meta credível se alcança com incontinência verbal.

Para um clube que há sete meses bateu no fundo, este era o caminho que se impunha. "Unir o Sporting": mantenha-se o presidente leonino fiel ao lema que escolheu para a campanha no mais desolador Verão de que há memória em Alvalade e saberá sempre qual o rumo a seguir. 

{ Blog fundado em 2012. }

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