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És a nossa Fé!

2018 em balanço (10)

 

 

FRASE DO ANO: "FOI CHATO"

A frase do ano, nestes balanços anuais que vou fazendo, não tem de surgir sempre em contexto positivo. Infelizmente, a de 2018 dificilmente poderia ter sido produzida numa circunstância mais negativa. Aconteceu ao princípio da noite de 15 de Maio, escassas horas após a violenta invasão da Academia de Alcochete por cerca de quatro dezenas de membros encapuzados da Juventude Leonina.

Numa balbuciante declaração à Sporting TV, Bruno de Carvalho pronunciou-se deste modo sobre os dramáticos acontecimentos então ocorridos: «Foi chato ver os familiares dos jogadores ligarem preocupados... do staff ... os meus próprios pais, a minha mulher, as minhas filhas... as pessoas ficam preocupadas, mas felizmente as coisas estão a decorrer dentro da normalidade, amanhã é um novo dia, temos que nos habituar que o crime faz parte do dia-a-dia e o crime tem que ser punido no momento certo, no sítio certo.»

Enquanto o presidente leonino - que viria a ser destituído na histórica assembleia-geral de 23 de Junho - assim falava, vários jogadores e elementos da equipa técnica do Sporting recebiam assistência por ferimentos causados pelos invasores de Alcochete e preparavam-se para rumar à esquadra da GNR no Montijo a prestar declarações sobre o sucedido naquele que foi um dos dias mais negros da secular história do nosso clube. Sem terem com eles qualquer elemento da estrutura directiva leonina.

Um dia "chato", para esquecer. Ou antes: para lembrar. Sempre.

 

 

Frase do ano em 2013: «O Sporting é nosso outra vez»

Frase do ano em 2014: «Estamos em casa»

Frase do ano em 2015: «Temos de acordar o Leão adormecido»

Frase do ano em 2016: «Pelo teu amor eu sou doente»

Frase do ano em 2017: «Feito de Sporting»

Sete meses depois

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Há sete meses exactos, o Sporting bateu no fundo. Qualquer reflexão que possa hoje fazer-se nunca poderá escamotear este dado factual.

Parece ter sido muito mais tempo atrás, mas a verdade é que só decorreram sete meses. A 15 de Maio de 2018, ainda em estado de choque perante o que acabáramos de saber (e não tínhamos visto muitas das imagens mais chocantes, nem havia então qualquer inquérito judicial em curso), percebemos de imediato que uma linha de fronteira fora cruzada. Uma linha que tornava irrisórios todos os debates e todas as fracturas anteriores: entrava-se numa etapa diferente, que pelos piores motivos punha o Sporting nas bocas do mundo do futebol e nada nos augurava de bom. Uma linha que estabelecia um nítido contraste entre um núcleo de valores civilizacionais do qual um cidadão bem formado jamais abdica e a total ausência deles.

 

Um Verão escaldante

Superámos, em larga medida, essa dura provação.

Isto deve-se, desde logo, a um restrito conjunto de sportinguistas que vale a pena nomear. Com destaque para a Mesa da Assembleia Geral, integrada por Jaime Soares, Eduarda de Carvalho e Diogo Orvalho. Este trio suportou todos os enxovalhos, todos os insultos, todas as ameaças - tenaz na sua intransigente vontade de devolver a decisão aos sócios: até este elementar direito esteve para nos ser sonegado. Em paralelo, aos cinco elementos que aceitaram integrar a provisória Comissão de Fiscalização: João Duque, António Paulo Santos, Luís Pinto de Sousa, Henrique Monteiro e Rita Garcia Pereira. E também, claro, aos membros da Comissão de Gestão que orientou o clube e a SAD leonina naquelas precárias semanas entre a inédita assembleia geral de 23 de Junho que sufragou a destituição do Conselho Directivo e o acto eleitoral de 8 de Setembro.

Por mim, nunca deixarei de lhes estar grato.

 

Regeneração tranquila

Falta, enfim, fazer uma referência a Frederico Varandas, não o primeiro mas o principal pilar desta regeneração tranquila que o Sporting tem conhecido. Sem procurar os holofotes mediáticos, sem declarações rimbobantes, teve o mérito de se propor encabeçar um novo ciclo no clube. Enquanto outros se resguardavam e faziam cálculos, no momento mais difícil, ele deu um passo em frente e declarou-se pronto para o justo combate: havia que reerguer esta centenária instituição de utilidade pública a que nos orgulhamos de pertencer.

Escolheu o melhor dos lemas: "Unir o Sporting". Recebeu uma maioria de votos expressiva em Setembro. Viu o segundo candidato mais votado, João Benedito, endossar-lhe o apoio na própria noite eleitoral - um gesto que só engrandeceu o nosso antigo capitão de futsal, glória desportiva do clube. E nada fez nem disse desde então que traísse o feliz mote que apresentou aos eleitores. Pelo contrário, o Sporting está hoje mais mobilizado, mais coeso, mais unido. Triunfa na frente futebolística, continua a singrar nas modalidades, procura a estabilidade financeira consciente de que haverá novos cabos das tormentas a dobrar no horizonte. 

 

Um lema e um rumo

Não ouvimos de Varandas, nestes três meses, uma palavra que dividisse hostes, apenas frases cirúrgicas destinadas a congregar os sportinguistas. Sem retórica balofa, sem exposição constante, sem qualquer obsessão de arregimentar tropas nem de cavar trincheiras. Desta forma, transformou o benefício da dúvida que muitos lhe deram, tendo ou não votado nele, em apoio declarado e confiante neste último trimestre de 2018. Alguns acusam-no de falar pouco. Mas se havia coisa que sobrava, no Sporting pré-Varandas, eram palavras. No desporto, como na vida, nenhuma meta credível se alcança com incontinência verbal.

Para um clube que há sete meses bateu no fundo, este era o caminho que se impunha. "Unir o Sporting": mantenha-se o presidente leonino fiel ao lema que escolheu para a campanha no mais desolador Verão de que há memória em Alvalade e saberá sempre qual o rumo a seguir. 

Moura Guedes?

O canal de televisão SIC tem na sua programação durante o telejornal das oito de segunda-feira, o comentário de Manuela Moura Guedes. Não vem ao caso se concordo ou não com as apreciações que vai entendendo por bem fazer sobre tudo e mais um par de botas (para que conste, em regra não), o que vem ao caso é que a senhora tem naquele espaço o epíteto de "A Procuradora", onde zurze a seu bel-prazer em quem bem entende, sem o incómodo do contraditório.  Ora vem Moura Guedes e a sua rúbrica a propósito de umas imagens que por aí andam a circular sobre um interrogatório (?) feito pela Procuradora Cândida Vilar a Fernando Mendes, ex-líder da JuveLeo, na sequência do ataque à academia de Alcochete.

Quem me lê sabe o que penso das claques e por maioria de razão da JuveLeo e do seu modus operandi dos últimos largos anos, portanto dispensêmo-nos de questionar a minha condenação aos actos praticados naquele dia, nos dias anteriores e nos posteriores.

O que quero aqui trazer, mais uma vez, à discussão é a forma como é tratado um suspeito num processo, em interrogatório. Não gostei de ouvir a forma prepotente como Cândida Vilar interroga(?) Fernando Mendes, fazendo a pergunta, dando ela própria a resposta e fazendo, logo ali a acusação. Não encontrei o vídeo (encontrei, está aqui)  para o poder apresentar aqui, para poderem apreciar o estilo pidesco em que é feito o interrogatório. Não, não quero que uma procuradora da República se desfaça em salamaleques perante um suspeito de um crime, seja ele qual for, mas também quero que quem representa o Estado, garanta que um qualquer indiciado seja tratado com civilidade e respeito. A justiça não pode funcionar na base do olho por olho, ao comportarmo-nos como um criminoso (num interrogatório ou noutra qualquer situação), não estamos a aplicar a justiça, estamos, outrossim, a proceder da mesma forma que quem está do outro lado, ainda que, e sempre, presumivelmente inocente.

A seguir a prisões estuporadas, o conhecimento deste interrogatório deverá fazer que pensar aqueles que se preocupam com a justiça neste país. Não vale tudo! Cândida Vilar não pode ser a Moura Guedes da justiça. A justiça não é um espectáculo televisivo!

É curioso

No dia 24 de Maio deste ano da graça de 2018, dizia o Observador que o sistema de videovigilância da academia Sporting estava nas lonas, em baixo, tinha ido pro beleléu, não funcionava, não havia possibilidade de recorrer a imagens. Está aqui, para que não me chamem nomes menos simpáticos que brunete: https://observador.pt/2018/05/24/sistema-de-videovigilancia-da-academia-de-alcochete-e-controlado-em-alvalade/?fbclid=IwAR01hvq9qze8nWYuc3jh5_1HDZ4oiQ4Qn8nbPOJEYcBw6geAPd7bQlJ2zLU. Ora agora, hoje mesmo, o Diário de Notícias publica as imagens que não existiam, aqui: https://www.dn.pt/desportos/interior/videos-exclusivos-a-invasao-vista-pelas-camaras-no-interior-da-academia-10190701.html.

Não quero com este post desculpar quem ou o que quer que seja, os factos continuam a ter a mesma gravidade, mas que diabo, porque carga de água o MP recorre apenas ao que lhe interessa para produzir prova? Terá o visionamento destas imagens contribuído para que o juiz que se decidiu pela pena corriqueira (toda a gente que tenha sido processado, até por não ter pago uma multa de estacionamento "fica" com termo de identidade e residência, que quer dizer não mais que as autoridades têm que ter conhecimento onde poderão contactar o acusado) e para afirmar no despacho não haver prova consistente, arrasando a teoria da procuradora responsável pelo proceso? Aguardemos, com a convicção de que os culpados deverão ser castigados severamente e que os inocentes, se os houver, sejam ilibados.

 

 

Nota: provavelmente haver um implicado, alegadamente filho de um casal de juízes, terá contribuído para que o processo dê uma volta inesperada

Confiar na justiça

Para memória futura, aqui fica - na íntegra - o comunicado do juiz Carlos Delca, do Tribunal de Instrução Criminal do Barreiro, que impôs a Bruno de Carvalho, como medida cautelar provisória, a obrigação de apresentação diária nas instalações da esquadra correspondente à sua zona de residência, além do pagamento de uma caução de 70 mil euros:

 

*****

 

«O Juízo de Instrução Criminal do Barreiro do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, informa os senhores jornalistas que, devido à greve parcial dos senhores oficiais de justiça, só agora foi lido o despacho que aplicou as medidas de coação aos arguidos agora detidos na sequência do processo n.º 257/18.0 GCMTJ instaurado pelos factos ocorridos na Academia do Sporting Clube de Portugal.

Mais informa que a ambos os arguidos, BRUNO MIGUEL AZEVEDO GASPAR DE CARVALHO e NUNO MIGUEL RODRIGUES VIEIRA MENDES tendo em conta que se verificam indícios da verificação dos pressupostos objetivos e subjetivos dos tipos de crimes que lhes são imputados:

- vinte crimes de ameaça agravada, p. e p. pelo artigo 153º, n.º 1 e 155°, nº1, alínea a) do Código Penal;

- doze crimes de ofensa à integridade física qualificada, p. e p. pelo artigo 143º, n.º 1 e 145º, n.º1, alínea a), n.º 2 por referência à alínea h) do n.º 2, do artigo 132° do Código Penal de:

- vinte crimes de sequestro, p. e p. pelo artigo 158°, n.º 1 do Código Penal;

- dois crimes de dano com violência, p. e p. pelo artigo 212°, n.º 1, e 214º, n.º1, alínea a), do Código Penal;

- dois crimes de detenção de arma proibida agravado, p. e p. pelo artigo 86°, n.º1, alínea d) e 89°, por referência ao artigo 2°, n.º 5, alínea af) e q) e 91°, n.º1, alínea a) e nº 2 da Lei n.º 5/2006, de 23.02;

- um crime de terrorismo, p. e p. pelo artigo 4º, n.º 1, por referência ao artigo 2º, n.º1, alínea a) da Lei n.º 52/2003, de 22.08, com a redacção dada pela Lei n.º 60/2015, de 24/6.

E que se indicia ainda, fortemente, a prática, pelo arguido NUNO MIGUEL RODRIGUES VIEIRA MENDES, em autoria material de:

- um crime de tráfico de estupefacientes, previsto e punível pelo art.º 21 n.º 1 do DL 15/93 de 22.01

e que se verificam, ainda, em concreto, os perigos de fuga, de perturbação do decurso do inquérito, nomeadamente, para a aquisição e conservação e veracidade da prova, de continuação da atividade criminosa, bem como de grave perturbação da ordem e tranquilidade públicas, atendendo à natureza dos ilícitos em causa e à visibilidade social que a prática dos mesmos implica, considerando que a atuação dos arguidos revela um manifesto desprezo pelas consequências gravosas que provocam nas vítimas, foram aplicadas a cada um dos arguidos, uma vez que apenas em relação à prática do crime de tráfico de estupefacientes imputado ao arguido Nuno Mendes se verificam fortes, os indícios resultantes dos elementos de prova constantes dos autos (o que implica que não seja possível a aplicação das medidas de coação previstas nos artigos 200º a 202º do Código de Processo Penal (proibição ou imposição e condutas, obrigação de permanência na habitação e prisão preventiva), para além do Termo de Identidade e Residência, as medidas de coação de apresentações diárias nos Órgãos de Polícia Criminal das respetivas áreas de residência e ainda a prestação de caução, no montante de € 70.000,00.»

 

O terrorismo está na rua

Abū Bakr al-Baghdadi saiu hoje em liberdade, mediante o pagamento de uma caução e da obrigação de apresentações diárias no posto da GNR de Alcochete, depois de ser ouvido no Tribunal do Barreiro.

 

O líder do autodenominado Estado Islâmico estava detido desde a tarde de domingo, respondendo por diversos crimes, um dos quais o de terrorismo. Também saiu em liberdade, contra pagamento de caução e a obrigação de apresentações diárias, um elemento conhecido pela alcunha ‘Jihadi John’.

 

(Lamento estar a brincar com coisas muito sérias, mas só estou a seguir o péssimo exemplo do Ministério Público. Quanto a Bruno de Carvalho, não meto as mãos no fogo por ele, tal como não meto por ninguém. Espero que haja seriedade na punição dos implicados nas agressões cometidas na Academia de Alcochete. Doa a quem doer. À Justiça o que é da Justiça, ao terrorismo o que é do terrorismo.)

 

 

Valeu a pena?

Pela enésima vez: (já)Não tenho nada a ver com Bruno de Carvalho. Apoiei, segurei até ao meu limite (talvez para além do razoável, admito), deixei de apoiar. Não lhe guardo qualquer rancor, reconheço tudo o que de bom trouxe ao Sporting, mas não esqueço a desgraça que foi o seu final de mandato.

Posto isto, a pergunta que se justifica é esta: Valeu a pena o circo mediático criado no Domingo?

Pior, justificou-se o regime de excepção na captura de alguém que dias antes se tinha apresentado para prestar declarações voluntáriamente? (no caso de Mustafá, até foi ao estrangeiro acompanhar a equipa e regressou).

Terá ficado o edifício judicial (termo pomposo aplicado por algumas eminências) mais forte com esta decisão de prender um suspeito a um Domingo ao final do dia, três dias antes de poder depor?

Terá a Democracia e o Estado de Direito de que ufanamente alguns nos vangloriamos de ser, ganho alguma coisa com isto?

Na minha modesta opinião, a resposta é não para todas as perguntas.

Mais, ao decretar a medida de coação mais leve, aquela que é aplicada a um tipo suspeito de ter gamado um papo-seco na padaria da esquina, é de supor que o juíz que analisou o processo e ouviu os indiciados, não terá considerado assim tão consistentes as "provas" apresentadas pelo DIAP. Ou então, e acreditem que é com satisfação que escrevo isto, é um juíz que não concorda que se prenda para investigar e decidiu repor a legalidade Democrática. Se assim foi, a causa da Democracia e dos procedimentos concordantes com ela, ainda não estará perdida.

O ministério público, as autoridades de polícia criminal, o que seja, que investiguem, que apresentem um caso sólido em tribunal e este que decida em consciência e observados todos os trâmites, se estes dois homens são culpados. Até lá, lamento contrariar algumas alminhas, são inocentes!  

 

Comentários de putas ofendidas serão enviados para a cumua e dispensam-se, p.f.

 

Má notícia em todo o mundo

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A detenção de Bruno de Carvalho está a ser notícia em todo o mundo, causando irreparáveis danos reputacionais ao Sporting. Nada que nos surpreenda excessivamente, atendendo aos antecedentes e às circunstâncias do caso agora em fase de instrução no Tribunal do Barreiro, o que não atenua a profunda tristeza e a dolorosa consternação de quem sente simpatia, devoção e amor por este clube, paixão de todos nós. 

Faz hoje seis meses, ocorreu o ataque dos jagunços encapuçados a Alcochete. Jamais esqueceremos o que aconteceu: foi uma das páginas mais negras da história do desporto português. Ainda hoje me interrogo como terá sido possível. Há menos de um ano, nem nos piores pesadelos imaginaríamos ver o nome do Sporting associado, aquém ou além-fronteiras, à prática de actos criminosos.

O país dos minis

Não, não é qualquer tipo de propaganda à marca de automóveis.

É mesmo a constatação de algo que é muito português e provavelmente estará tão enraizado, que nem daqui a dez gerações (mais ou menos 250 anos) se verá vislumbre de mudança.

Reparem que só há poucos dias tivemos uma ameaça de tornado. Até aí, fomos tendo alguns mini-tornados; Umas mini trombas de água, já tivemos mini-fenómenos atmosféricos, tudo em pequeno, mixuruca como dizem os brasileiros. Tivemos uma coisa em grande, mas lá está, já lá vão dez gerações, em 1755, e mudou muito pouco desta mentalidade pequenina. Não fora o Marquês e...

Então como nunca tivemos qualquer fenómeno terrorista (inch'allah, graças a Deus, o que queiram conforme as religiões que professem), vá de encontrar um mini-atentado terrorista, para que lá fora nos vejam como um país actual e civilizado (sim, porque não há país civilizado que se preze que não tivesse já o seu - verdadeiro - atentado terrorista) e os espanhóis não nos gozem, que eles já tiveram aquela coisa de Atocha que foi tudo menos "chata" e viveram a braços com a ETA dezenas de anos. Terrorismo à séria, do qual alguns de nós, pelos vistos, temos alguma inveja. Podem dizer-me que nós tivemos a FLA. É pá, mas isso não passou dum grupo de rapazes que queria vir para o continente mandar alguma coisa! Então e o MIJA? Pessoal, isso foi uma algaraviada tonta, que não passou de uns encontros onde se comia polvo grelhado e muxarra. Então, pensou aí um senhor doutor juiz, excelência, "que diabo, se tivemos já tantos mini-qualquer coisa, que tal ter um mini-atentado terrorista? Seremos a partir de agora encarados com outros olhos. Já podemos vangloriar-nos de que também já tivemos o nosso atentado terrorista e isso já nos dá o estatuto de grandes e um alvo importante da jihad ou do daesh" ou carapau a sete como se chama àquela malta dos atentados verdadeiros, aqueles que matam mesmo, não apenas desmoralizam, já sou eu a dizer...

Destas detenções de Domingo, que pelo dia só podem lembrar ao Diabo, eu acho que só levaram o Mustafá porque tem uma cor assim para o escuro e no ambiente carregado do calabouço, passa muito bem por um iemenita ou um marroquino (do sul, claro!), e o Bruno por causa daquela barba ridícula que ele teima em usar para se armar em Bin Laden de Telheiras e que se veio a provar lhe prejudica muito mais que a imagem.

Realmente, não deixando de ter a opinião de que os bandalhos que actuaram de forma criminosa em Alcochete deverão ser punidos de forma exemplar pelos órgãos do clube, os que forem sócios, bem como a claque a que pertencem, devendo também ser alvo de mão pesada, dentro dos limites que a Lei prevê, os máximos se possível e não for pedir muito, pela justiça, por favor, não caia ela, a justiça portuguesa, no ridículo, no ultrage e abjecta provocação a quem realmente foi vítima de ataques terroristas em Madrid, em Londres, em Paris, em Nova Iorque, em Nice, em Munique e outros locais onde muita gente foi vítima, alguns de forma terminal (terminal é morrer mesmo, para quem tenha alguma dificuldade cognitiva), de terroristas. É que estes que pensaram, mandaram e assaltaram Alcochete serão tudo o que lhes queiram chamar:  Arruaceiros, drogados, traficantes, gatunos, aproveitadores, desocupados, delinquentes, contumazes, paneleiros, filhos da puta, lampiões, cadastrados. Terroristas? Terroristas não!

Três coisas a propósito do Bruno

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"Isto" do sentir pelo o clube não se pode (não se deve) apartar do que se sente, pensa, sobre a sociedade. Por mais que os radicais clubistas queiram separar as coisas, sacralizando o clubismo. Por isso deixo aqui três sensações:

 

1. Os prazos de prisão preventiva em Portugal são muito longos, e em muitos países parceiros, que partilham valores e modelos organizativos, eles são bem mais pequenos. Mas é a lei que temos e assim "dura lex, sed lex". Mas outra coisa, completamente diferente, é deter alguém - que nem sequer denota risco de fuga - num domingo para o interrogar numa quarta-feira. Isto não é a tal "dura lei", é uma aleivosia cometida a coberto da lei. Estamos, muitos dos sportinguistas, desiludidos e ofendidos com Bruno de Carvalho. Mas uma coisa, justa, é o desejo que haja investigação, e julgamento se necessário, outra coisa, vil, é aceitar isto, o abjecto revanchismo. 

O Estado não pode fazer isto aos cidadãos (ao Bruno, ao cadastrado dito Mustafa, a este bloguista jpt, a qualquer sportinguista ou seja a quem for). E se tem uma greve dos seus funcionários agendada não detém deste modo alguém que não vai fugir e que é suspeito num caso que se investiga há seis meses. Os funcionários públicos trabalham para nos servir. E não para nos tratar desta maneira.

É uma pena que não haja uma "dura lex" que permita despedir o responsável por esta investigação.  Porque não tem competência democrática para trabalhar naquela área.

 

2. É cada vez mais óbvio o que logo no "dia de Alcochete" para muitos óbvio foi: o ataque aos jogadores, na sequência de uma série de invectivas públicas do presidente e de actos ameaçadores da claque que dele tão íntima era, derivou das atitudes de Bruno de Carvalho. Se mandante directo, se responsável moral devido ao clima criado e à importância dada aos seus sequazes, isso já será motivo da investigação em curso. 

Na sequência disso vários jogadores rescindiram os contratos de trabalho. As ameaças públicas continuaram. Depois, alguns decidiram voltar. Outros terão contribuído para que houvesse uma negociação das suas licenças desportivas. Outros exigiram aumentos para regressar ("para vos aturar quero mais dinheiro"). Outros seguiram para novos clubes e até intentaram pedidos de indemnização, nisso sedimentando os processos admnistrativos de rescisão. A todos estes, em diferentes momentos segundo o processo de cada um, imensos sportinguistas, associados, adeptos, colaboradores de imprensa, comentadores nos blogs, bloguistas e activistas de redes sociais, chamaram "traidores", "desertores", "refractários", etc. 

Note-se bem: o presidente da associação para a qual eles trabalhavam induz uma invasão violenta e o espancamento de alguns. Esse presidente é popular entre os adeptos, (eleito com 86 por cento nas últimas e concorridas eleições; sufragado por 90 por cento na última e concorrida assembleia-geral). Ou seja, representa formal e informalmente o "universo Sporting". Os jogadores são agredidos, depois continuadamente ameaçados - lembram-se da "espera" à porta do Bruno Fernandes? lembram-se da enxurrada de insultos nos murais do Rafael Leão, por exemplos? Os jogadores decidem partir e são aviltados desta forma. Mesmo os que decidiram voltar são cutucados (leia-se a reacção até mesmo ao regresso de Bruno Fernandes, os vis clubistas reclamando por ele ser "capitão"). O azedume com Rui Patrício, etc. Veja-se o caso de Rafael Leão - segundo li ele vivia na academia, não posso afiançar: Ou seja, viu os seus colegas e o seu técnico agredidos, o "campus" onde residia invadido, tudo com conivência da estrutura do clube. Rescindiu e foi insultado de modo avassalador, perseguido na internet. O que dizem os sportinguistas? Que ele não tem razão para sair ...

Deixemo-nos de coisas, diante do acontecido e face ao gigantesco apoio que o "universo Sporting" (este modesto jpt incluído) deu ao responsável moral (e talvez mais do que isso) os jogadores tiveram e têm todo o direito (moral, jurídico dirão os tribunais) de pedir rescisão, decidir voltar, exigir mais dinheiro para voltar ou nem sequer olhar para trás. E quem continua a chamar-lhes 'desertores", "refractários", "traidores" comporta-se, após tudo isto, com a mesma imoralidade e insensibilidade dos míseros claqueiros invasores.

Tudo isto prejudica o Sporting? Sim. Mas não foram Rafael Leão ou Ruben Ribeiro que prejudicaram o Sporting. Foi o "universo Sporting". Foi este o "relapso" ao pensamento, "refractário" à razão, "desertor" da ética, "traidor" ao "Sporting", essa alma do Sporting Clube de Portugal. E a continuidade dos insultos, dos dichotes, do azedume face aos jogadores mostra bem como nem isso se assume.

 

3. Este claquismo, o viço do holigão insensível e anti-democrata que vive dentro de cada um, estuporadamente irracional e incapaz de olhar crítico, notou-se bem nos dias do Arsenal-Sporting. Esta direcção (vénia) cortou apoios às claques, que permitiam a remuneração avantajada das suas chefias, consabidamente ligadas à economia informal e, quiçá, criminal. Estas, de relações tensas (ou cortadas) com a direcção, organizaram uma surpreendente comitiva a Londres. Surpreendente pela sua dimensão (e organização cénica) e predisposição positiva, dado que se esperará tamanha adesão e fervor optimista em momentos de "cavalgadas" vitoriosas e não de relativa crise como a vivida - demissão de treinador, futebol dito medíocre, derrotas com equipas de menor dimensão e a caseira com o Arsenal. Isto não é, historicamente, o contexto habitual, indutor, de uma exaltante deslocação em massa ao estrangeiro das claques - nem sequer em Portugal o será. O que ali aconteceu foi óbvio: uma manobra estratégica, a querer realçar a importância das claques do clube, a querer salvaguardar o seu espaço, reclamar a continuidade dos apoios. 

Reacção do sportinguista comum? Mesmo depois de Alcochete e do pós-Alcochete? "Ah, que boa prestação das claques", "que bonito", "até a imprensa estrangeira saudou", etc.

 

Seis meses depois de Alcochete? Malandro do (pai do) Rafael Leão, que se lixe o Ruben Ribeiro, Rui Patrício nunca mais, como é que o Bruno Fernandes é capitão (e não está a jogar nada), sacana do Gelson, etc. E as claques estiveram muito bem em Londres ... 

A isto chama-se ser "refractário" à razão. E "desertor" da ética. 

Varandas, com seus defeitos e virtudes, irá sofrer muito com este "universo". A não ser que se ganhe na bola.

 

 

Basta

Um milhão de euros de dívidas ao clube.

Tráfico de droga, cadonga de bilhetes, actividades ilícitas de diverso tipo, em flagrante contradição com os códigos de conduta desportivos.

O líder e o ex-líder da principal claque detidos por fortes indícios de ameaça agravada, sequestro, dano com violência e ofensas à integridade física, entre outros crimes.

Basta. O Sporting de Frederico Varandas tem de traçar uma linha inflexível de separação entre o clube e as práticas criminosas cometidas por estes putativos adeptos, muitos dos quais nem sequer são sócios, que agiram durante anos com total impunidade ao constituírem-se como uma espécie de poder interno dentro do clube, manchando a imagem desta digna instituição de reconhecida e comprovada utilidade pública, com uma história grandiosa que temos o dever de honrar.

Se existe tema que não permite vacilações, é este. Há que agir sem mais demora.

Sporting Sempre!

Não vou aqui fazer qualquer avaliação de cariz jurídico sobre o que aconteceu este domingo. Os elementos que temos ao nosso dispor não são suficientes para esclarecer quem nos lê e que tem dúvidas sobre a legitimidade/legalidade das detenções nas condições que se verificavam no dia de ontem.

No entanto, existe opinião para além da legalidade e do Direito. E, sobre Bruno de Carvalho e Mustafá, sobre a Juventude Leonina e os dramáticos acontecimentos de Alcochete, não há sportinguista que não tenha já formado a sua. Apesar disso é evidente que eu - à semelhança da generalidade dos sócios do Sporting - não tenho a certeza de nada. O que temos é um processo judicial de onde, de quando em vez saem informações de deveriam estar em segredo de justiça, e actos processuais que são do conhecimento público. Não obstante, tenho, em relação a esta questão, uma convicção, por um lado, e uma esperança, por outro. A esperança é que o ex-presidente do Sporting não seja, de forma nenhuma, responsável pelo que aconteceu. A convicção é de que é. É claro que toda a minha convicção se alicerça em elementos profundamente subjectivos. No seu comportamento errante, nas suas afirmações absurdas, na expressão pública da sua personalidade. Posso estar errado e assim o espero. Mas não por Bruno de Carvalho que deixei de respeitar há muito tempo, antes pelo meu Sporting que se perpetuará nas memórias pessoal e colectiva muito para além de figuras individuais!

A derrocada de Bruno de Carvalho provocou um abalo enorme entre os sportinguistas. É bom recordar que o antigo presidente ganhou duas eleições e na segunda vez com um resultado esmagador. O seu estilo (controverso, agressivo, maniqueísta) granjeou-lhe seguidores fiéis que o colocam/colocaram acima do próprio clube. Criou uma ilusão: de que ele era o messias que nos ia guiar à glória. Há demasiada gente que perdeu o seu salvador, que se sente órfã, desprotegida, abandonada. Foi isso que colocou tantos sportinguistas uns contra os outros e que nos está, pouco a pouco a derrotar!

Que fique claro: o Sporting não pode ser um clube manso e de mansos! Não podemos ser um clube sem paixão, neutro, unidimensional. Mas o Sporting tem/pode ser uma potência sem que a sua grandeza se manifeste através de discursos de ódio. Se vacilarmos entre estas duas opções, estamos condenados! 

Outro dia muito triste

Bruno de Carvalho já tinha sido o primeiro presidente destituído da história do Sporting. Tornou-se agora também o nosso primeiro presidente detido por suspeita fundamentada de envolvimento em actos criminosos praticados no exercício de funções desportivas.

Se recorresse à linguagem dele, diria que é chato. Mas, obviamente, não recorro. E digo que é triste.

Muito triste.

A jagunçada

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Afinal quem mudou a hora do treino em Alcochete naquele fatídico dia 15 de Maio, transferindo-a de manhã para a tarde, período apropriado à invasão dos jagunços?

Bruno de Carvalho diz que foi Jorge Jesus, o treinador que ele despedira verbalmente na véspera. Acontece que Jesus garante que foi o então presidente leonino. E André Geraldes - ex-braço direito de Carvalho para o futebol - confirma ter sido Bruno. O esclarecimento das dúvidas que restam permitirá apurar, sem margem para dúvida, quem arquitectou o criminoso assalto ao centro de estágios do Sporting.

Para já, aperta-se o cerco ao sucessor de Godinho Lopes, cada vez mais isolado. Onde estão os milhares de incondicionais adeptos que diziam apoiá-lo sem vacilações e cerrar fileiras para sempre com ele? Mal o vento mudou, rumaram a parte incerta sem sequer olharem para trás.

O que os jagunços disseram

 

«Malta o melhor é academia!!! Chegar, carregar no treino e acabou... Invadimos aquilo.»

 

«Levem o esticador. Eu levo o canhão. Nunca mais se levantam.»

 

«Quem tiver tochas traga-me.»

 

«Aquilo são 2/3 seguranças na porta não nos conseguem travar... Quando a polícia chegar já nos fomos embora.»

 

«Eu quero bater neles e no Jesus também, parecia que 'tava na praia deitado.»

 

«William, essa... já nem tenho palavras para esse gajo, só me apetece espancá-lo.»

 

«Comecem já a ver com quem ficam... O JJ é meu, Mini capo com o Podence... Mathieu é para o Guerra, Bruno César é para o Paulo... Moita é o Rúben Ribeiro.»

 

«... então bate a sério no William por favor, a sério!»

 

«Levam todos, até o Paulinho. Para bater no Paulinho é preciso quantos?»

 

«F***** e quem é que fica com o Coates? E o Bas Dost?»

 

Excertos de mensagens de WhatsApp dos agressores de Alcochete interceptadas pela Polícia Judiciária e reproduzidas nos mandados de detenção. Deixando evidente a organização e premeditação do ataque que motivou nove rescisões de jogadores alegando justa causa

Assuntos internos

 

Bruno Fernandes regressa: será (re)apresentado aos adeptos hoje, ao meio-dia, em Alvalade.

 

Rogério Alves alinha com Varandas como candidato à presidência da Mesa da Assembleia Geral.

 

Equipa leonina inicia estágio na Suíça, tendo sido recebida com aplausos em Genebra.

 

Gelson Martins no Atlético de Madrid por 15 milhões e dois jogadores (Vietto e Moreira).

 

Rúben Ribeiro transita para o Nantes: pode valer um milhão de euros aos cofres leoninos.

 

Rafael Leão já terá assinado com o Dortmund um contrato para as próximas cinco temporadas.

 

Podence abandona de vez o Sporting e já foi apresentado como reforço ao serviço do Olympiacos.

 

Augusto Inácio garante que continua em plenas funções como director-geral do Sporting.

 

E vão 42: detidos mais quinze membros da quadrilha criminosa que assaltou Alcochete em Maio.

 

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