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És a nossa Fé!

Andámos para trás vários anos

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«Fez esta semana um ano sobre o momento mais negro da gloriosa história do Sporting Clube de Portugal. Um ataque ignóbil às próprias instalações e jogadores do clube, com a complacência dos então órgãos sociais, seguindo-se uma inenarrável sequência de actos que puseram em causa as mais elementares regras de funcionamento de uma instituição. Dividiu-se o clube, os adeptos, foram causados incalculáveis danos patrimonais, na imagem e reputação do clube. Andámos para trás vários anos e vimos os nosos rivais distanciarem-se de novo em termos financeiros e desportivos, depois de um investimento significativo (e incomportável) na equipa de futebol profissional. Um clube mais pobre, fragilizado e dividido foi a herança recebida por estes órgãos sociais. A memória colectiva sabe-se que é efémera, mas a minha não é.»

 

Samuel Almeida, na edição de ontem do jornal O Jogo

Assalto terrorista a Alcochete

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Faz hoje um ano que fomos confrontados com um ataque cobarde à academia de futebol do clube, que a Justiça, e eu disso percebo muito pouco, tipificou como assalto terrorista. Foi o dia mais negro da historia do Sporting, dia esse que começou com o envolvimento do braço direito para o futebol do então presidente num processo de corrupção desportiva e que acabou com o treinador e jogadores num posto da GNR, e o então presidente num hotel de Lisboa a justificar-se perante os "croquetes" e "sportingados" do Grupo Stromp. 

Um ano depois, que passou bem depressa para muitos de nós mas se calhar mais devagar para quem passou o ano na cadeia, com o dito presidente, que não teve a decência de pedir de imediato a demissão, destituído, suspenso e actualmente em vias de ser expulso, e um novo presidente eleito nas eleições mais concorridas de sempre a ganhar titulos nacionais e europeus.

O rombo colossal (reputacional, financeiro e desportivo) produzido na SAD pelo assalto, que só foi possível estancar depois da destituição do então presidente, obrigou a negociações difíceis e a acordos que seriam sempre avaliados como medíocres noutro contexto. Mas felizmente que o desastre que muitos previram não se cumpriu, temos uma equipa reconstruída, incluindo estrutura técnica e de apoio, mais de 50M€ recuperados com os que rescindiram, e conseguimos fazer retornar o melhor de todos eles, aquele que pode proporcionar proximamente um encaixe superior aos tais 50M€ e fechar o ano desportivo com mais de 100M€ em vendas, pagar dívidas e encargos por satisfazer e por a SAD em terreno firme. E chegaremos ao final da época pelo menos com a Taça da Liga ganha, 3º lugar na Liga e entrada directa na Liga Europa e com lugar na final da Taça (que podemos vir a ganhar).

Mas quando relembramos as cenas daquele dia lá no local de trabalho da equipa profissional de futebol do clube (se as TV´s não estivessem presentes, se calhar muita coisa teria sido diferente, e o encobrimento e desvalorização presidencial (o tal "foi chato") teria tido sucesso, as imagens de Jorge Jesus, Manuel Fernandes, funcionários do clube e dos jogadores no meio da turba, ficam muitas coisas por esclarecer, muitas perguntas no ar, muitas derivadas da incrível promiscuidade que existia entre presidente e claques e da ligação das mesmas à candonga de bilhetes e ao tráfico de substâncias, que esperemos que a Justiça (quando conseguir ultrapassar os atrasos forçados pelos advogados) ou o tempo (por exemplo, quando alguém mais tarde quiser "por a boca no trombone" e escrever um best-seller sobre o assunto) ajude a esclarecer.

De qualquer forma, o importante hoje é valorizar tudo o que mudou para melhor, e dizer ao mundo que nunca mais o Sporting Clube de Portugal será falado por tão tristes razões. 

SL

Em jeito de telegrama

Não sou adivinho ponto não sei se clube estaria melhor ou pior ponto soubesse teria acertado euromilhões ponto dava imenso jeito ponto  massa de que são feitos sportinguistas extraordinária ponto bom caminho ponto juntos levaremos Sporting glória ponto falta campeonato para perfeição ponto próxima época ano zero ponto exigência máxima ponto

Um ano depois

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Um ano depois do desvairado atentado de Alcochete surge-me a questão: quem diria, no final desse infausto e incrível 15 de Maio de 2018, e nas semanas imediatamente subsequentes, que passado apenas um ano o clube estaria repousado, vivendo em normalidade, é certo que enfrentando as conhecidas dificuldades económico-financeiras mas fazendo-o com esperança, sem alaridos? Continuando numa senda de sucessos desportivos, com um alargadíssimo leque de actividades e vasto universo de atletas profissionais e amadores, e nisso arrecadando títulos nacionais e europeus. E tendo o futebol sénior, a força motriz do clube, a culminar um ano de total normalidade, concordante com o perfil de resultados dos últimos anos, apesar da hecatombe no plantel pretérito e das dificuldades de estruturação da época que agora vai terminar. Quem diria que a recuperação, organizativa e, acima de tudo, moral, seria conseguida de forma tão célere?

Estão de parabéns vários dos candidatos eleitorais, que se ofereceram ao clube em tão delicado momento. E que tudo têm feito, antes e depois, para a acalmia e recuperação do SCP, leais a um espírito de congregação. Está de parabéns Frederico Varandas e a sua direcção - e exemplifico-a com Miguel Albuquerque, quadro ímpar do clube. Estão de parabéns os funcionários do clube, que tantas agruras terão sofrido e que, talvez mais do que todos, mantiveram o barco no rumo. E estão de parabéns os sportinguistas: a gente gosta mesmo do clube, fê-lo sobreviver à demência de Nero e à invasão dos bárbaros. 

O futuro é agora. E é radioso.

15 de Maio, o dia da infâmia na História do Sporting Clube de Portugal

Bas Dost.jpgFaz hoje um ano que o país ficou estupefacto com o bárbaro e infame assalto à nossa academia em Alcochete, protagonizado por uma ralé de grunhos desordeiros, a pior escumalha que gravita à volta do futebol, mentalidade ultra, dirão alguns, para mim é imbecilidade levada ao extremo. Sentado na cadeira que considerava de sonho, para ele, porque nós já vínhamos a viver um pesadelo há alguns meses, desde chantagem em AG ou estados de alma delirantes nas redes sociais, o ogre que presidia ao clube limitou-se a afirmar, “é chato”, prosseguindo no seu quadro demencial qual Nero tocando harpa, contemplando Roma a arder.

Um ano decorrido da página mais negra da nossa história centenária, ainda estão por apurar grande parte das responsabilidades, mas importa aprender com os erros e impedir que se repita uma conjectura como a que então se vivia, porque foi na total ausência de valores, dignidade e sentido de responsabilidade no exercício de funções, que o grupo de bandalhos se inspirou para praticar semelhante vil e cobarde acto.

Insultos a sócios do clube, quem não está comigo é sportingado ou serve interesses terceiros, chantagem tipo, “votam massivamente ou demito-me”, facilidade no acesso de jagunços da guarda pretoriana, vulgo claques, a área reservada do estádio, local de estacionamento dos jogadores, sucessivas e ridículas publicações nas redes sociais, apoiadas por uma minoria ainda hoje activa, que funciona numa lógica de seita fundamentalista para quem aprendiz de Napoleão é um guru, eram sinais evidentes que algo não estava bem no reino do leão.

Após o triste episódio a maioria dos sócios despertou do encantamento e resgatou o clube a 23 de Junho. As feridas continuam abertas, não faltam órfãos e viúvas letais ao clube, servos saudosos do destituído que não desistem de tentar fazer o clube regressar aos tempos tenebrosos. Uma breve passagem pelas redes sociais permite perceber que vários membros da seita apoiante do lunático relativizam o episódio, justificando o injustificável com a menor prestação dos jogadores, como estando na raiz do triste e lamentável episódio. Outros chegam mesmo a avançar com delirantes teorias conspirativas, num guião capaz de fazer inveja a muito bom argumentista em Hollywood. Suspeito que se fossem agredidos no seu local de trabalho mudariam de opinião. Importa pois que a maioria dos sócios não permita que uma minoria, por muito ruidosa e frequentemente mal-educada, não passa de minoria, volte a tomar o clube de assalto. Sob pena de um dia deixar de existir clube. Por agora estamos no rumo certo, como provam os resultados, com várias conquistas europeias que irão perdurar na galeria de troféus do clube. Após o estilhaçar da equipa de futebol, muitos auguravam um futuro negro, mas a direcção conseguiu estabilizar, no mínimo realizámos uma época idêntica à anterior, existe ainda a possibilidade de conquistar a taça de Portugal, a próxima época está a ser planificada dentro da tranquilidade possível. Podem ter a certeza que há um ano o leão ficou ferido, mas recuperou, está bem vivo e continua a rugir. Força Sporting!

Faz hoje um ano

 

Era um sábado, véspera de um decisivo jogo do Sporting na Madeira, frente ao Marítimo - último encontro do campeonato 2017/2018, que ainda podia valer o segundo lugar à nossa equipa.

Foi um dia protagonizado não pelos jogadores, mas pelo presidente leonino. Um dia em que o Expresso publicou uma extensa entrevista a Bruno de Carvalho. 

Título: «O presidente do futuro é o presidente-adepto. Sou eu.»

 

Nesta entrevista publicada a 12 de Maio de 2018, Carvalho disparava contra o treinador e os jogadores, fazendo uso de uma ironia mais que duvidosa:

«Acha que um treinador permitiria que os jogadores fizessem aquilo que se escreveu ao seu presidente? Que os jogadores tinham virado as costas ao presidente, que se tinham recusado a treinar, e por aí fora. Só pode ser invenção da comunicação social, não é? Porque se fosse verdade era gravíssimo. Tem tudo de ser invenções, não é? Porque senão era mau sinal haver um líder de balneário assim. E o líder de balneário é o treinador.»

Outro pensamento de Bruno de Carvalho:

«Vou ensinar-te uma coisa: para ter sucesso, a primeira coisa a fazer é criar fama de maluco. Depois, é só mantê-la’. É essa a minha estratégia de comunicação. 100% eficaz e eficiente.»

 

Contabillizei e comentei

«Na entrevista de hoje ao Expresso, Bruno de Carvalho pronuncia 50 vezes a palavra eu e apenas três a palavra nós. É todo um programa. É toda uma filosofia de vida. É toda uma maneira de estar no desporto.»

 

Também o Luciano Amaral comentou:

«O que mais impressiona é o sentido de timing. A cada altura crítica chega outro número circense. Se não é de propósito, parece.»

 

Faltavam apenas três dias para o assalto a Alcochete.

Faz hoje um ano

 

Emoções à solta: dois dias depois iríamos jogar ao estádio dos Barreiros, no Funchal. Assim terminaria o campeonato 2017/2018, com o Sporting ainda candidato ao segundo posto, que lhe daria acesso aos milhões da Champions. Mas também poderíamos ser ultrapassados pelo Braga e relegados para o quarto lugar. 

Nos habituais prognósticos feitos aqui no blogue, nesse dia 11 de Maio de 2018, os nossos leitores oscilaram entre o declarado optimismo e uma recatada prudência, vaticinando desde o empate a zero até à goleada leonina por 4-0.

 

Eis o palpite de um dos nossos leitores mais assíduos:

«1-0, golo de Bas Dost, num jogo de muito sofrimento, e com o Sporting a jogar pouco ou nada. 
Isto depois da Juveleo bombardear com tochas o Patrício (aparentemente passou a fazer parte da coreografia), o tal que lá porque tem uma estátua, tem a mania que é gente. Depois o Bruno pode atirar a braçadeira ao chão à vontade e o paizinho pode vir às 5 da manhã para o facebook cuspir no gajo a quem o filho ficou a dever o cargo.»

E a minha réplica:

«O próximo psicodrama ainda só vai nos preliminares. As cenas dos capítulos seguintes não tardam.»

 

Faltavam só quatro dias para o assalto a Alcochete.

Alcochete blues

Mais um final de Liga, mais uma final da taça, a invasão de Alcochete está a completar um ano.
Dezenas permanecem presos, sem saberem sequer se vão ser acusados ou que acusação lhes será imposta. Uns serão barra pesada, mas haverá outros que foram apanhados no comboio das emoções e já levam quase um ano de “preventiva” na pildra, onde por certo estarão a ter tempo para pensar nos grandes temas de Portugal. Trump, Bolsonaro, a subida da extrema-direita em Espanha, o novo Star Wars lá para o Natal, o site da HBO que vai abaixo em dia de Game of Thrones, as calotes polares que derretem, as eleições europeias, o penteado do André Ventura, para que clube vai o João Felix,  o excesso de turistas, a qualidade da comida no SUD, o índice de popularidade de Marcelo, se houve marosca com as casas de Pedrógão, se Mário Centeno vai para o Chelsea, a lampreia que este ano está mais ou menos, etc.
Presos há quase um ano sem culpa formada, ninguém liga, ninguém quer saber. Podia ser uma série da Netflix, mas é aqui, em Portugal, com gente verdadeira. Fizeram mal em invadir Alcochete? Claro, mas digam-lhes quanto devem à sociedade. Um mês, um ano, 5 anos, 500 anos? O que for, mas digam-lhes. Já vai sendo tempo de a Amnistia, os partidos políticos e as mil e uma ONGs que vivem penduradas na indústria dos subsídios abrirem o bico.

Revanche

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Historicamente as purgas dão mau resultado. Às vezes vira-se o feitiço contra o feiticeiro (veja-se o linear exemplo do que acontece hoje ao associado Bruno de Carvalho). E mesmo que isso não aconteça provocam sempre um enquistamento, coisa que por vezes segue para benigno mas outras, infelizmente, degenera em malignidades.

Dito isto, expulsar dois associados sem estar provado que tenham lesado, com dolo, o clube - a gente aqui no blog resmungámos imenso, os associados derrubaram uma direcção, mas isso são outras coisas -, por mais que tenham violentado as insondáveis regras jurídicas (até porque onde há dois advogados há três interpretações), é capaz de não promover um melhor ambiente.

Finalmente, há umas dezenas de presos, acusados de terem conspirado para invadir as instalações do clube e agredirem os funcionários. Há mais dezenas ou até centenas que com eles são solidários. Tanto que até invocam "honra" - a dos tipos que foram lá bater nos trabalhadores, imagine-se. Expulsar um ex-presidente antes de expulsar os sócios que estiveram envolvidos nisto, agressões e manifestações solidárias?

Não percebo nada do que passa na cabeça dos sportinguistas ilustres. Nem do eles que querem que passe pela cabeça dos sportinguistas vulgares, nós.

2018 em balanço (10)

 

 

FRASE DO ANO: "FOI CHATO"

A frase do ano, nestes balanços anuais que vou fazendo, não tem de surgir sempre em contexto positivo. Infelizmente, a de 2018 dificilmente poderia ter sido produzida numa circunstância mais negativa. Aconteceu ao princípio da noite de 15 de Maio, escassas horas após a violenta invasão da Academia de Alcochete por cerca de quatro dezenas de membros encapuzados da Juventude Leonina.

Numa balbuciante declaração à Sporting TV, Bruno de Carvalho pronunciou-se deste modo sobre os dramáticos acontecimentos então ocorridos: «Foi chato ver os familiares dos jogadores ligarem preocupados... do staff ... os meus próprios pais, a minha mulher, as minhas filhas... as pessoas ficam preocupadas, mas felizmente as coisas estão a decorrer dentro da normalidade, amanhã é um novo dia, temos que nos habituar que o crime faz parte do dia-a-dia e o crime tem que ser punido no momento certo, no sítio certo.»

Enquanto o presidente leonino - que viria a ser destituído na histórica assembleia-geral de 23 de Junho - assim falava, vários jogadores e elementos da equipa técnica do Sporting recebiam assistência por ferimentos causados pelos invasores de Alcochete e preparavam-se para rumar à esquadra da GNR no Montijo a prestar declarações sobre o sucedido naquele que foi um dos dias mais negros da secular história do nosso clube. Sem terem com eles qualquer elemento da estrutura directiva leonina.

Um dia "chato", para esquecer. Ou antes: para lembrar. Sempre.

 

 

Frase do ano em 2013: «O Sporting é nosso outra vez»

Frase do ano em 2014: «Estamos em casa»

Frase do ano em 2015: «Temos de acordar o Leão adormecido»

Frase do ano em 2016: «Pelo teu amor eu sou doente»

Frase do ano em 2017: «Feito de Sporting»

Sete meses depois

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Há sete meses exactos, o Sporting bateu no fundo. Qualquer reflexão que possa hoje fazer-se nunca poderá escamotear este dado factual.

Parece ter sido muito mais tempo atrás, mas a verdade é que só decorreram sete meses. A 15 de Maio de 2018, ainda em estado de choque perante o que acabáramos de saber (e não tínhamos visto muitas das imagens mais chocantes, nem havia então qualquer inquérito judicial em curso), percebemos de imediato que uma linha de fronteira fora cruzada. Uma linha que tornava irrisórios todos os debates e todas as fracturas anteriores: entrava-se numa etapa diferente, que pelos piores motivos punha o Sporting nas bocas do mundo do futebol e nada nos augurava de bom. Uma linha que estabelecia um nítido contraste entre um núcleo de valores civilizacionais do qual um cidadão bem formado jamais abdica e a total ausência deles.

 

Um Verão escaldante

Superámos, em larga medida, essa dura provação.

Isto deve-se, desde logo, a um restrito conjunto de sportinguistas que vale a pena nomear. Com destaque para a Mesa da Assembleia Geral, integrada por Jaime Soares, Eduarda de Carvalho e Diogo Orvalho. Este trio suportou todos os enxovalhos, todos os insultos, todas as ameaças - tenaz na sua intransigente vontade de devolver a decisão aos sócios: até este elementar direito esteve para nos ser sonegado. Em paralelo, aos cinco elementos que aceitaram integrar a provisória Comissão de Fiscalização: João Duque, António Paulo Santos, Luís Pinto de Sousa, Henrique Monteiro e Rita Garcia Pereira. E também, claro, aos membros da Comissão de Gestão que orientou o clube e a SAD leonina naquelas precárias semanas entre a inédita assembleia geral de 23 de Junho que sufragou a destituição do Conselho Directivo e o acto eleitoral de 8 de Setembro.

Por mim, nunca deixarei de lhes estar grato.

 

Regeneração tranquila

Falta, enfim, fazer uma referência a Frederico Varandas, não o primeiro mas o principal pilar desta regeneração tranquila que o Sporting tem conhecido. Sem procurar os holofotes mediáticos, sem declarações rimbobantes, teve o mérito de se propor encabeçar um novo ciclo no clube. Enquanto outros se resguardavam e faziam cálculos, no momento mais difícil, ele deu um passo em frente e declarou-se pronto para o justo combate: havia que reerguer esta centenária instituição de utilidade pública a que nos orgulhamos de pertencer.

Escolheu o melhor dos lemas: "Unir o Sporting". Recebeu uma maioria de votos expressiva em Setembro. Viu o segundo candidato mais votado, João Benedito, endossar-lhe o apoio na própria noite eleitoral - um gesto que só engrandeceu o nosso antigo capitão de futsal, glória desportiva do clube. E nada fez nem disse desde então que traísse o feliz mote que apresentou aos eleitores. Pelo contrário, o Sporting está hoje mais mobilizado, mais coeso, mais unido. Triunfa na frente futebolística, continua a singrar nas modalidades, procura a estabilidade financeira consciente de que haverá novos cabos das tormentas a dobrar no horizonte. 

 

Um lema e um rumo

Não ouvimos de Varandas, nestes três meses, uma palavra que dividisse hostes, apenas frases cirúrgicas destinadas a congregar os sportinguistas. Sem retórica balofa, sem exposição constante, sem qualquer obsessão de arregimentar tropas nem de cavar trincheiras. Desta forma, transformou o benefício da dúvida que muitos lhe deram, tendo ou não votado nele, em apoio declarado e confiante neste último trimestre de 2018. Alguns acusam-no de falar pouco. Mas se havia coisa que sobrava, no Sporting pré-Varandas, eram palavras. No desporto, como na vida, nenhuma meta credível se alcança com incontinência verbal.

Para um clube que há sete meses bateu no fundo, este era o caminho que se impunha. "Unir o Sporting": mantenha-se o presidente leonino fiel ao lema que escolheu para a campanha no mais desolador Verão de que há memória em Alvalade e saberá sempre qual o rumo a seguir. 

Moura Guedes?

O canal de televisão SIC tem na sua programação durante o telejornal das oito de segunda-feira, o comentário de Manuela Moura Guedes. Não vem ao caso se concordo ou não com as apreciações que vai entendendo por bem fazer sobre tudo e mais um par de botas (para que conste, em regra não), o que vem ao caso é que a senhora tem naquele espaço o epíteto de "A Procuradora", onde zurze a seu bel-prazer em quem bem entende, sem o incómodo do contraditório.  Ora vem Moura Guedes e a sua rúbrica a propósito de umas imagens que por aí andam a circular sobre um interrogatório (?) feito pela Procuradora Cândida Vilar a Fernando Mendes, ex-líder da JuveLeo, na sequência do ataque à academia de Alcochete.

Quem me lê sabe o que penso das claques e por maioria de razão da JuveLeo e do seu modus operandi dos últimos largos anos, portanto dispensêmo-nos de questionar a minha condenação aos actos praticados naquele dia, nos dias anteriores e nos posteriores.

O que quero aqui trazer, mais uma vez, à discussão é a forma como é tratado um suspeito num processo, em interrogatório. Não gostei de ouvir a forma prepotente como Cândida Vilar interroga(?) Fernando Mendes, fazendo a pergunta, dando ela própria a resposta e fazendo, logo ali a acusação. Não encontrei o vídeo (encontrei, está aqui)  para o poder apresentar aqui, para poderem apreciar o estilo pidesco em que é feito o interrogatório. Não, não quero que uma procuradora da República se desfaça em salamaleques perante um suspeito de um crime, seja ele qual for, mas também quero que quem representa o Estado, garanta que um qualquer indiciado seja tratado com civilidade e respeito. A justiça não pode funcionar na base do olho por olho, ao comportarmo-nos como um criminoso (num interrogatório ou noutra qualquer situação), não estamos a aplicar a justiça, estamos, outrossim, a proceder da mesma forma que quem está do outro lado, ainda que, e sempre, presumivelmente inocente.

A seguir a prisões estuporadas, o conhecimento deste interrogatório deverá fazer que pensar aqueles que se preocupam com a justiça neste país. Não vale tudo! Cândida Vilar não pode ser a Moura Guedes da justiça. A justiça não é um espectáculo televisivo!

É curioso

No dia 24 de Maio deste ano da graça de 2018, dizia o Observador que o sistema de videovigilância da academia Sporting estava nas lonas, em baixo, tinha ido pro beleléu, não funcionava, não havia possibilidade de recorrer a imagens. Está aqui, para que não me chamem nomes menos simpáticos que brunete: https://observador.pt/2018/05/24/sistema-de-videovigilancia-da-academia-de-alcochete-e-controlado-em-alvalade/?fbclid=IwAR01hvq9qze8nWYuc3jh5_1HDZ4oiQ4Qn8nbPOJEYcBw6geAPd7bQlJ2zLU. Ora agora, hoje mesmo, o Diário de Notícias publica as imagens que não existiam, aqui: https://www.dn.pt/desportos/interior/videos-exclusivos-a-invasao-vista-pelas-camaras-no-interior-da-academia-10190701.html.

Não quero com este post desculpar quem ou o que quer que seja, os factos continuam a ter a mesma gravidade, mas que diabo, porque carga de água o MP recorre apenas ao que lhe interessa para produzir prova? Terá o visionamento destas imagens contribuído para que o juiz que se decidiu pela pena corriqueira (toda a gente que tenha sido processado, até por não ter pago uma multa de estacionamento "fica" com termo de identidade e residência, que quer dizer não mais que as autoridades têm que ter conhecimento onde poderão contactar o acusado) e para afirmar no despacho não haver prova consistente, arrasando a teoria da procuradora responsável pelo proceso? Aguardemos, com a convicção de que os culpados deverão ser castigados severamente e que os inocentes, se os houver, sejam ilibados.

 

 

Nota: provavelmente haver um implicado, alegadamente filho de um casal de juízes, terá contribuído para que o processo dê uma volta inesperada

Confiar na justiça

Para memória futura, aqui fica - na íntegra - o comunicado do juiz Carlos Delca, do Tribunal de Instrução Criminal do Barreiro, que impôs a Bruno de Carvalho, como medida cautelar provisória, a obrigação de apresentação diária nas instalações da esquadra correspondente à sua zona de residência, além do pagamento de uma caução de 70 mil euros:

 

*****

 

«O Juízo de Instrução Criminal do Barreiro do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, informa os senhores jornalistas que, devido à greve parcial dos senhores oficiais de justiça, só agora foi lido o despacho que aplicou as medidas de coação aos arguidos agora detidos na sequência do processo n.º 257/18.0 GCMTJ instaurado pelos factos ocorridos na Academia do Sporting Clube de Portugal.

Mais informa que a ambos os arguidos, BRUNO MIGUEL AZEVEDO GASPAR DE CARVALHO e NUNO MIGUEL RODRIGUES VIEIRA MENDES tendo em conta que se verificam indícios da verificação dos pressupostos objetivos e subjetivos dos tipos de crimes que lhes são imputados:

- vinte crimes de ameaça agravada, p. e p. pelo artigo 153º, n.º 1 e 155°, nº1, alínea a) do Código Penal;

- doze crimes de ofensa à integridade física qualificada, p. e p. pelo artigo 143º, n.º 1 e 145º, n.º1, alínea a), n.º 2 por referência à alínea h) do n.º 2, do artigo 132° do Código Penal de:

- vinte crimes de sequestro, p. e p. pelo artigo 158°, n.º 1 do Código Penal;

- dois crimes de dano com violência, p. e p. pelo artigo 212°, n.º 1, e 214º, n.º1, alínea a), do Código Penal;

- dois crimes de detenção de arma proibida agravado, p. e p. pelo artigo 86°, n.º1, alínea d) e 89°, por referência ao artigo 2°, n.º 5, alínea af) e q) e 91°, n.º1, alínea a) e nº 2 da Lei n.º 5/2006, de 23.02;

- um crime de terrorismo, p. e p. pelo artigo 4º, n.º 1, por referência ao artigo 2º, n.º1, alínea a) da Lei n.º 52/2003, de 22.08, com a redacção dada pela Lei n.º 60/2015, de 24/6.

E que se indicia ainda, fortemente, a prática, pelo arguido NUNO MIGUEL RODRIGUES VIEIRA MENDES, em autoria material de:

- um crime de tráfico de estupefacientes, previsto e punível pelo art.º 21 n.º 1 do DL 15/93 de 22.01

e que se verificam, ainda, em concreto, os perigos de fuga, de perturbação do decurso do inquérito, nomeadamente, para a aquisição e conservação e veracidade da prova, de continuação da atividade criminosa, bem como de grave perturbação da ordem e tranquilidade públicas, atendendo à natureza dos ilícitos em causa e à visibilidade social que a prática dos mesmos implica, considerando que a atuação dos arguidos revela um manifesto desprezo pelas consequências gravosas que provocam nas vítimas, foram aplicadas a cada um dos arguidos, uma vez que apenas em relação à prática do crime de tráfico de estupefacientes imputado ao arguido Nuno Mendes se verificam fortes, os indícios resultantes dos elementos de prova constantes dos autos (o que implica que não seja possível a aplicação das medidas de coação previstas nos artigos 200º a 202º do Código de Processo Penal (proibição ou imposição e condutas, obrigação de permanência na habitação e prisão preventiva), para além do Termo de Identidade e Residência, as medidas de coação de apresentações diárias nos Órgãos de Polícia Criminal das respetivas áreas de residência e ainda a prestação de caução, no montante de € 70.000,00.»

 

O terrorismo está na rua

Abū Bakr al-Baghdadi saiu hoje em liberdade, mediante o pagamento de uma caução e da obrigação de apresentações diárias no posto da GNR de Alcochete, depois de ser ouvido no Tribunal do Barreiro.

 

O líder do autodenominado Estado Islâmico estava detido desde a tarde de domingo, respondendo por diversos crimes, um dos quais o de terrorismo. Também saiu em liberdade, contra pagamento de caução e a obrigação de apresentações diárias, um elemento conhecido pela alcunha ‘Jihadi John’.

 

(Lamento estar a brincar com coisas muito sérias, mas só estou a seguir o péssimo exemplo do Ministério Público. Quanto a Bruno de Carvalho, não meto as mãos no fogo por ele, tal como não meto por ninguém. Espero que haja seriedade na punição dos implicados nas agressões cometidas na Academia de Alcochete. Doa a quem doer. À Justiça o que é da Justiça, ao terrorismo o que é do terrorismo.)

 

 

Valeu a pena?

Pela enésima vez: (já)Não tenho nada a ver com Bruno de Carvalho. Apoiei, segurei até ao meu limite (talvez para além do razoável, admito), deixei de apoiar. Não lhe guardo qualquer rancor, reconheço tudo o que de bom trouxe ao Sporting, mas não esqueço a desgraça que foi o seu final de mandato.

Posto isto, a pergunta que se justifica é esta: Valeu a pena o circo mediático criado no Domingo?

Pior, justificou-se o regime de excepção na captura de alguém que dias antes se tinha apresentado para prestar declarações voluntáriamente? (no caso de Mustafá, até foi ao estrangeiro acompanhar a equipa e regressou).

Terá ficado o edifício judicial (termo pomposo aplicado por algumas eminências) mais forte com esta decisão de prender um suspeito a um Domingo ao final do dia, três dias antes de poder depor?

Terá a Democracia e o Estado de Direito de que ufanamente alguns nos vangloriamos de ser, ganho alguma coisa com isto?

Na minha modesta opinião, a resposta é não para todas as perguntas.

Mais, ao decretar a medida de coação mais leve, aquela que é aplicada a um tipo suspeito de ter gamado um papo-seco na padaria da esquina, é de supor que o juíz que analisou o processo e ouviu os indiciados, não terá considerado assim tão consistentes as "provas" apresentadas pelo DIAP. Ou então, e acreditem que é com satisfação que escrevo isto, é um juíz que não concorda que se prenda para investigar e decidiu repor a legalidade Democrática. Se assim foi, a causa da Democracia e dos procedimentos concordantes com ela, ainda não estará perdida.

O ministério público, as autoridades de polícia criminal, o que seja, que investiguem, que apresentem um caso sólido em tribunal e este que decida em consciência e observados todos os trâmites, se estes dois homens são culpados. Até lá, lamento contrariar algumas alminhas, são inocentes!  

 

Comentários de putas ofendidas serão enviados para a cumua e dispensam-se, p.f.

 

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