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És a nossa Fé!

2021 em balanço (7)

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DERROTA DO ANO: 1-5 CONTRA O AJAX EM CASA

O impensável aconteceu: fomos cilindrados em Alvalade pelo Ajax. Por números humilhantes: 1-5. Acabou por ser a derrota que mais nos custou ao longo de 2021, ano em que apenas perdemos dois jogos nas competições internas.

É verdade que o adversário impunha respeito, tem um longo historial europeu e se transformou numa máquina de fazer golos, como ninguém ignora. Mas também é um facto que este Sporting comandado por Rúben Amorim nos habituou a elevadíssimos padrões de exigência. Daí a decepção ter sido maior. 

 

Se há jogos que correm mal desde o início, este foi um deles. O primeiro golo foi sofrido logo aos 2'. Aos dez, já perdíamos 0-2. Com o corredor direito do campeão holandês a actuar num ritmo alucinante, desorganizando a nossa linha defensiva, onde Rúben Vinagre, em estreia absoluta numa partida da Liga dos Campeões, teve exibição para esquecer. De tal maneira que foi substituído ao intervalo. 

Mas o problema não foi só dele. Se aos 33' tínhamos conseguido reduzir para 1-2, com Paulinho a marcar, ainda na primeira parte sofremos o terceiro. Na segunda, outros dois fixaram o resultado, com Haller e Antony exibindo todo o seu talento em campo.

Era também a estreia do nosso treinador numa partida da Champions: as recordações que conservou dela não são nada agradáveis, com toda a certeza. Tornou-se a nossa segunda pior prestação de sempre na Liga dos Campeões, onde não actuávamos desde 2017/2018. Pior só a derrota frente ao Bayern por 0-5 em 2009.

 

Valha a verdade que houve atenuantes. Desde logo, jogámos desfalcados. Com Coates ausente por castigo, Pedro Gonçalves de fora por lesão, Sarabia excluído por opção técnica. Nuno Mendes, titular absoluto do Sporting 2020/2021, saíra duas semanas antes para o PSG, deixando o nosso flanco esquerdo desguarnecido nessa noite de 15 de Setembro.

No banco de suplentes sentavam-se três futebolistas da equipa B: Geny, João Goulart e Gonçalo Esteves. O plantel parecia curto para tantas frentes competitivas.

Ainda por cima Gonçalo Inácio viu-se forçado a sair aos 21', lesionado.

 

Mas convém sublinhar que apesar da goleada não se escutaram assobios nas bancadas do nosso estádio - com apenas metade da lotação devido às restrições impostas pela pandemia. Pelo contrário, o apoio foi constante. Como há muito não se via. Prova inequívoca da confiança que os adeptos depositam na equipa.

Outro aspecto positivo: os jogadores cresceram com esta derrota. De tal modo que acabámos por superar com sucesso a fase de grupos da Liga dos Campeões, algo que não nos sucedia desde 2008/2009. Conclusão: a experiência adquirida, mesmo numa derrota pesada, acabou por ser um lado menos mau deste Sporting-Ajax. O caminho faz-se caminhando.

 

 

Derrota do ano em 2012: final da Taça de Portugal (20 de Maio)

Derrota do ano em 2013: 0-1 em casa contra o Paços de Ferreira (5 de Janeiro)

Derrota do ano em 2014: 3-4 contra o Schalke 04 em Gelsenkirchen (21 de Outubro)

Derrota do ano em 2015: 1-3 contra o CSKA em Moscovo (26 de Agosto)

Derrota do ano em 2016: 0-1 contra o Benfica em casa (5 de Março)

Derrota do ano em 2017: 1-3 contra o Belenenses em casa (7 de Maio)

Derrota do ano em 2018: final da Taça de Portugal (20 de Maio)

           Derrota do ano em 2019: Supertaça (4 de Agosto)

Derrota do ano em 2020: 1-4 contra o Lask Linz em casa (1 de Outubro)

Quente & frio

Gostei muito que o Sporting transitasse para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, o que aliás já era garantido antes do desafio desta noite contra o Ajax. O que nos situa entre as 16 melhores equipas do futebol europeu nesta temporada 2021/2022, ao contrário do que sucedeu com o FC Porto, eliminado em casa pelo Atlético de Madrid.

 

Gostei que tivéssemos marcado dois golos: o primeiro aos 22' por Nuno Santos, o segundo aos 78' por Tabata. Este, que selou o resultado em 4-2, resultou de um vistoso disparo do pé canhoto do brasileiro, que elejo como melhor Leão em campo: já tinha sido dele a assistência para o nosso golo inaugural. Por ironia, mesmo derrotado, o Sporting consegue ser a única equipa a bisar até agora contra o Ajax numa época imparável para o campeão da Holanda, que em 15 jogos do campeonato ainda só sofreu dois golos. Gostei também que nos tivéssemos apresentado em campo com a nossa mais jovem equipa de sempre na principal prova organizada pela UEFA a nível de clubes. Quatro estreantes na Liga dos Campeões: João Virgínia (22 anos), Ugarte (20 anos), Gonçalo Esteves (17 anos) e Dário (16 anos). Nenhum deles esquecerá o dia de ontem. Para os jogadores, é importante ganhar experiência. Para o clube, é fundamental apostar no futuro.

 

Gostei pouco de ver tantas alterações à equipa titular promovidas pelo nosso treinador. Entrámos em campo com apenas dois dos habituais onze: Gonçalo Inácio e Matheus Reis. João Virgínia, Neto, Gonçalo Esteves, Esgaio, Bragança, Ugarte, Tabata, Nuno Santos e Tiago Tomás têm sido suplentes em grande parte dos jogos. Algumas poupanças foram forçadas, por lesão (Feddal, Palhinha) ou covid-19 (Coates). Outras para prevenir acumulação de amarelos (Matheus Nunes e Porro), o que também se justifica. Menos compreensíveis as ausências iniciais de Adán, Paulinho, Pedro Gonçalves e Sarabia - aliás os três últimos acabaram por saltar do banco entre os minutos 60 e 73, quando a pressão do Ajax ameaçava tolher por completo a nossa equipa. As mudanças produziram efeito: marcámos o segundo golo e podíamos até ter marcado um terceiro, por Bragança, a passe de Tabata (76').

 

Não gostei dos excessivos erros individuais contra o Ajax. Aos 8', Daniel Bragança falha a intercepção na grande área e comete penálti infantil sobre Haller, logo convertido no primeiro golo contra nós. Aos 42', Gonçalo Inácio entrega literalmente a bola a Antony em zona proibidíssima, quando a partida estava empatada 1-1, ditando assim o destino do Sporting em Amesterdão. Aos 58', Nuno Santos culmina uma noite de desacerto (apesar do golo que marcou) perdendo a bola no meio-campo defensivo, o que abriu uma avenida para o terceiro da turma holandesa, marcado por Neres. Tiago Tomás mostrou-se perdulário, desligado do conjunto e com fraquíssima pontaria. Tudo isto tem um preço elevado quando se disputa um desafio da Champions. Enfim, terminou um notável ciclo de 12 vitórias consecutivas da nossa equipa em diversas competições.

 

Não gostei nada das bancadas vazias e do deprimente silêncio no estádio Johan Cruyff que até parecem ter contagiado quem narrava e comentava o jogo na TVI. Picou-se o ponto mas a festa esteve ausente, confirmando que o pesadelo da Covid-19 continua a marcar o quotidiano europeu em geral e o futebol em particular. Andamos há quase dois anos nisto.

O dia seguinte

O Sporting carimbou hoje em Amsterdão a passagem aos oitavos de final da Champions, alinhando com uma equipa de habituais suplentes tirando um ou outro, e complicando moderadamente a vida a um Ajax que é uma equipa doutro patamar.

Se virmos bem, o Sporting entrou com mais ou menos a equipa que entrou no Restelo para derrotar uma equipa da 4.ª Liga Portuguesa. Obviamente que o resultado esperado seria sempre a derrota, como acabou por acontecer.

Foi um jogo cuja vitória o Sporting nunca conseguiu disputar por ter oferecido três golos de mão beijada. No primeiro Neto escorrega e Bragança demonstra porque não pode jogar a trinco, no segundo o mesmo Neto oferece a Inácio um presente envenenado, no terceiro Nuno Santos escorrega e a equipa fica decompensada. Além disso, a intenção de sair a jogar desde trás nem sempre funcionou, a equipa respirou sempre melhor quando a bola chegava a terrenos mais avançados.

Com a entrada do trio atacante titular, mas Tabata à frente e Pedro Gonçalves nas costas do trio, logo o jogo ficou diferente e o Sporting deu um cheirinho do que poderia ter feito, a começar pelo belo golo do mesmo Tabata.

 

Deste jogo tem mesmo de ficar o palco dado aos menos utilizados do plantel. Virgínia demonstrou ser um guarda-redes com qualidade, nada parecendo dever a Max. Gonçalo Esteves fez uma bela primeira parte. Tabata demonstrou que pode ser de grande utilidade no que resta da temporada.  Gonçalo Esteves, Nazinho e Essugo tiveram uma noite que vai ficar para o resto das suas vidas, são exemplo para todos os miúdos da B e sub23. Com Amorim, quem trabalha e merece é recompensado.

Melhores em campo? Matheus Reis e Tabata. Muito bem em todo o tempo.

Grande aplauso para Rúben Amorim. Fez o que devia fazer em Amsterdão: criou valor ao plantel. Vamos receber o Boavista com disponibilidade física e psíquica para o efeito e, ganhando, ficar com um resto de Dezembro confortável.

 

Uma palavra para o Porto. Teve azar no jogo, merecia talvez ter passado, temos sempre de desejar o melhor para todas as equipas portuguesas nas competições europeias, mas quem brinca com o fogo com aquelas confusões junto ao banco às vezes fica queimado. Recordo-me da cena com Acuña nas Antas, no jogo imediatamente anterior à final da Taça que lhes ganhámos no Jamor. Felizmente o argentino nesse dia teve o maior sangue-frio do mundo, e assim o tivemos no Jamor a centrar para Bas Dost facturar. E o Sérgio Conceição a estrebuchar na tribuna.

Parece que o Taremi também é bem melhor em arrancar penáltis nas competições caseiras do que em atirar ao golo quando tem oportunidades flagrantes, ou em ajudar a defesa nos pontapés de canto. Imaginem só o que seria nalguns sectores do Sporting se o mesmo tivesse acontecido com Paulinho em casa contra o Dortmund.

 

Voltando ao Sporting, possíveis adversários para já nos oitavos de final da Champions:  Manchester City, Liverpool, Bayern Munique, Manchester United e Real Madrid.

Não está mal.

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Pensar positivo

Deixando de lado o discurso miserabilista do tipo que perde, mas perde por poucos e que até foi o único que marcou dois golos ao Ajax, o jogo de hoje custou-nos caro em Euros (se porventura tivéssemos ganho ou empatado, o encaixe seria substancial), mas tenho p'ra mim que foi um excelente investimento para o futuro.

À parte algumas paragens cerebrais de Neto, Inácio e Nuno Santos, que nos custaram o encaixe de três golos, numa boa parte do tempo de jogo até nos batemos de igual para igual com os holandeses (eu sou antigo), que jogaram quase na força máxima, ao invés de nós, que abrimos o jogo com um rol de malta que ainda usa cueiros.

A pergunta a fazer é tão simples quanto esta: Valeria a pena jogar na máxima força tentando ganhar o jogo e com isso amealhar, como disse Amorim, o capital que nos permitiria segurar uma pérola - uma aposta incerta - ou dar minutos de jogo a bebés que estão a crescer e que tiveram aqui uma oportunidade de se mostrar no maior palco do Mundo e mais do que isso, de viverem de moto proprio a experiência e com ela evoluirem?

Eu, com Amorim, tendo a pensar positivo e a retirar ilações do que correu bem e do que correu menos bem. E mal, vá... E parece-me que apesar do resultado negativo, não há que escondê-lo, estes "putos" aprenderam mais hoje do que num campeonato da equipa B, ou sub-23 em dois anos.

É também por aqui que se semeia. Para colher.

Amanhã à noite em Amsterdão

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O Sporting volta a defrontar amanhã na casa dela aquela equipa, o Ajax, que lhe infligiu a pior derrota da temporada. Com imensa pena minha, que estive em Alvalade e andei a conter-me para não comprar a passagem aérea antes da garantia de bilhetes, não vou poder lá estar. A ironia da questão é que, com tudo isto, a família que tenho naquele país que mudou de nome está a chegar à Portela à hora a que o Sporting entra em campo lá no sítio. Enfim.

Mas vamos ao essencial. Muito ao contrário do esperado, o jogo serve apenas para disputar o prémio do mesmo e festejar o sucesso das duas equipas na fase de grupos. Dum lado e doutro vão existir ajustamentos, poupando-se jogadores que estão à beira da exclusão por amarelos, e dando-se oportunidade a outros para demonstrarem do que são capazes.

Amorim já veio dizer que Virgínia e Gonçalo Esteves (ou Nazinho) entrarão de início, Porro e Matheus Nunes ficarão de fora, mas isso não quer dizer que o jogo seja para perder e muito menos pelo score registado em Alvalade.

 

Sendo assim, o onze inicial será qualquer coisa como:

Virgínia; Neto, Inácio e Matheus Reis; Gonçalo Esteves, Ugarte, Daniel Bragança e Esgaio; Pedro Gonçalves, Paulinho e Sarabia.

Quanto vale este onze? O futebol é o momento. No princípio da época poderia dizer-se que não servia para ganhar sequer ao Braga, pior ainda depois da derrocada em Alvalade com este Ajax. Na altura Sarabia rimava com Jesé, Ugarte com Doumbia, Matheus Reis com Bruno Gaspar. Agora as coisas são bem diferentes. Em suma, não se confunde ouro com pirite. Nem tudo o que luz é ouro.

Depois dos ultimos êxitos, da vitória contra o Dormund e da vitória na Luz, alguns já imaginam que estes e os outros que agora não podem alinhar servem para ganhar a Champions.

Algures no meio estará a verdade. E este Ajax pode muito bem pôr a verdade a nu. Vai ser uma prova de fogo para todos quantos alinharem mostrarem do que são feitos e a categoria que têm para estar no plantel.

 

Mais que perguntar que onze vai jogar, perguntava que jogadores vão aproveitar a oportunidade sob os holofotes da Champions para, entrando no início ou mais tarde, se destacarem em campo e até, se calhar, darem um salto substancial na carreira, qualquer que seja o estado actual da mesma.

Quais são os vossos palpites? Quem se vai destacar?

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Quem deve defrontar o Borussia?

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Amanhã teremos um segundo teste - este mais decisivo ainda do que o anterior - na Liga dos Campeões. Iremos aproveitá-lo para ultrapassar o desaire do jogo inicial, contra o Ajax, em Alvalade? Muitos de nós acreditamos que sim. E vamos torcer por isso. E é com essa crença que a partir das 20 horas de terça-feira estaremos no estádio (poucos, mas bons) ou assistindo à transmissão televisiva deste Borussia Dortmund-Sporting. Partida da qual o astro da equipa adversária, Haaland, poderá estar ausente.

Venho questionar-vos sobre qual deve ser o nosso onze titular. E se entendem que Rúben Amorim deve fazer alterações ao seu sistema táctico favorito. 

Fica o repto aos caros leitores que entendam deixar as suas ideias a propósito desta partida, crucial para a reputação leonina na Europa do futebol. 

Quente & frio

Gostei muito do apoio incessante dos adeptos à equipa durante todo o tempo, ontem à noite, mesmo estando o Sporting já a perder por 0-2 logo aos 9' nesta nossa partida inaugural da fase de grupos da Liga dos Campeões, quatro anos depois da última participação na prova. Até no fim, copiosamente derrotados, os jogadores receberam aplausos que chegaram a comover o treinador. Isto sim, é apoiar. Num estádio com metade da lotação - máximo previsto segundo as regras actuais, ainda restritas devido à pandemia. 

 

Gostei da excelente exibição do Ajax em Alvalade: foi sempre superior na técnica, na táctica, na velocidade, na condição física e anímica. O extremo brasileiro Antony e o avançado franco-marfinense Haller fizeram o que quiseram da nossa equipa - sobretudo o segundo, com uma estreia de sonho na Liga dos Campeões, com quatro golos em cinco oportunidades. Do nosso lado, nota positiva para Matheus Nunes, único que tentou quase sempre remar contra a maré, destacando-se com uma assistência primorosa no nosso golo, aos 33'. Em bom plano também Porro, com um par de oportunidades soberanas para marcar, e Paulinho, que a meteu duas vezes lá dentro embora só uma tenha contado.

 

Gostei pouco de ver Sarabia ausente do onze inicial da nossa equipa. O internacional espanhol tem 33 jogos de Liga dos Campeões - experiência muito maior a este nível do que o resto do plantel leonino. Não ignoro que chegou há pouco tempo, mas estas são as partidas em que profissionais com o seu currículo mais podem fazer a diferença. Quando entrou, já na segunda parte, perdíamos por 1-3 e o descalabro colectivo era praticamente irremediável. Também gostei pouco de confirmar aquilo que já havia escrito no És a Nossa Fé: temos um plantel demasiado curto para as exigências da temporada. Com Coates ausente por castigo e Pedro Gonçalves de fora por lesão, além da saída de Nuno Mendes, entretanto transferido para o PSG, há demasiadas pedras basilares fora do caminho. Ontem tínhamos no banco três jogadores da equipa B: João Goulart, Geny Catamo e Gonçalo Esteves. 

 

Não gostei de ver o Sporting entrar em campo com o desenho táctico de sempre, incapaz de adaptá-lo às características específicas da equipa adversária, finalista da Liga Europa em 2017 e semifinalista da Liga dos Campeões em 2019. Faltou um reforço na organização defensiva, que deixasse Palhinha menos desamparado nesse sector, faltaram instruções aos alas para recuarem no terreno e aos extremos para fecharem o corredor, faltou o realismo para se perceber que não é possível este Sporting desfalcado de alguns dos seus melhores valores jogar de igual para igual com o poderoso Ajax. 

 

Não gostei nada da exibição de Vinagre, péssimo: tem culpa óbvia nos dois primeiros golos e permaneceu demasiado tempo em campo (Matheus Reis rendeu-o após o intervalo). Nem dos erros defensivos globais: Feddal atravessa um mau momento, talvez devido a problemas físicos, Gonçalo Inácio, condicionado, não devia sequer ter alinhado de início (saiu aos 21', por aparente lesão traumática). Também foi demasiado óbvio que o Ajax estudou muito melhor o Sporting na preparação para o jogo do que o inverso: os holandeses surpreenderam a nossa equipa, neutralizando-a. Rúben Amorim chumbou no teste nesta sua estreia na Liga dos Campeões como treinador: goleado em casa por 1-5, a nossa segunda pior prestação de sempre nesta prova (pior só mesmo a derrota por 0-5 frente ao Bayern em 2009). 

Choque com a realidade

Entre o picado e o empapado inclino-me para o segundo. Sem dúvida.

Era feito em papa que estava o meu ego sportinguista quando ontem deixei a Alvalade. Afinal, com a mesma consistência da nossa equipa perante o bulldozer vindo das Terras Baixas que jogou sempre em cima de nós, com altivez e superioridade.

Não quero crucificar ninguém, claro que não. No entanto, perante aquela coça vergonhosa que sofremos em casa na estreia da maior prova de futebol do mundo, fui incapaz de aplaudir os nossos jogadores no fim daqueles 90 minutos infernais.

Também não os vaiei. Nunca o faço. Mas bater palmas à equipa pareceu-me o mesmo que espancar o meu amor próprio. E um tipo tem de se dar ao respeito para memória futura. 

O caminho faz-se caminhando (e, sim, tropeçando e caindo)

Caímos ontem. Caímos com estrondo. Em casa, ainda por cima. Ninguém me contou - eu estava lá.

E lá vão os rapazes de bestiais e bestas. Mas melhor seria que caíssemos na real - para não voltarmos realmente a cair. 

Não foi o FC Porto, de longe a equipa portuguesa com mais sucesso nas competições europeias, goleado em Liverpool há pouco tempo? E o SLB, que tem o pior registo de sempre na Champions, em derrotas e golos?  A grande verdade é que o nível da nossa Liga é baixo. E em vez de falarmos de futebol, temos de gramar com comentadores a branquear arbitragens e a lamber botas a dirigentes.

Levar um banho de bola de um finalista da Champions (em 2019) não é grave. Grave é não saber aprender com os erros. Por isso, aqui deixo algumas lições que me parecem importantes:

1. A Equipas como o Ajax, que têm ambições na Champions, estudam os adversários ao pormenor. Ontem, viu-se que estudaram o Sporting minuciosamente e exploraram as suas fragilidades, desde o primeiro minuto - falta de intensidade, lentidão de alguns jogadores a recuperar, alas desguarnecidas a defender. O Sporting, se estudou o Ajax, estudou pessimamente.  

2. A medicina desportiva é fundamental. A lesão de Gonçalo Inácio no início do jogo é um azar enorme, de que a equipa nunca recuperou (nem Amorim parecia preparado para gerir). Mas também levanta sérias questões, porque indica que o jogador não estava em condições de entrar em campo. E agora corremos o risco de o perder para o Estoril - e quem sabe outros jogos depois.

3. Perdeu-se algum tempo em encontrar alternativas aos jogadores mais influentes do plantel - ontem percebemos (já suspeitavamos) que a defesa se desmorona sem Coates. Encontraram-se boas alternativas a Porro e Palhinha, mas continuamos sem alternativas ao nível de Coates e Feddal, nem nada que se pareça. 

3. Os erros na gestão de activos pagam-se caros. Que falta fez ontem Domingos Duarte - um jogador de seleção literalmente despachado em desconto para o Granada - ou Merih Demiral - que de vendido ao desbarato passou a jogador da Juventus. E porque não aproveitar jogos como o de ontem para lançar jovens com potencial das camadas jovens como Goulart, em vez de "queimar"  Neto e Esgaio?

4. O scouting é fundamental. Antony, o jovem brasileiro que na estreia na Champions ontem desfez o lado esquerdo da nossa defesa, custou ao Ajax mais ou menos o mesmo que Paulinho. É preciso identificar talento mais cedo (e mais barato), em vez de ir comprá-lo (caro) ao Famalicão, que é um clube que tem muito bom scouting. O nosso próximo jogo é contra a equipa da Europa que melhor scouting faz (comprou Halland por 20ME, mais ou menos o mesmo que gastamos em Paulinho e Ugarte, e valorizou-o 5 ou 6 vezes).

5. Alguma coisa está a ser bem feita: Porro, Mateus, Paulinho, estiveram a um nível Champions, individualmente.

Não achava que éramos bestiais antes de ontem. Não acho que somos umas bestas agora. Caímos na realidade de que continuamos a cometer erros a muitos níveis - algo que os fanáticos deste ou daquele presidente se recusam admitir. Erros que urge corrigir. Como ontem ficou evidente, temos um longo - longuíssimo - caminho a percorrer até estarmos ao nível de um finalista da Champions.

Com trabalho e competência, chega-se lá. E alguma humildade, sem discursos de "isto antes tinha uma gestão de roulotte, agora é que é". Boa vontade não basta.

skin in the game

Ontem o Sporting perdeu por quatro golos no seu estádio, com uma equipa melhor, mais arguta, mais capaz, mais rápida. Dias antes, o mesmo Sporting tinha vulgarizado o Porto, que por sua vez se bateu olhos nos olhos no estádio de um dos grandes favoritos da Campeões.

Como dizia Hemingway, ou talvez tenha sido um antigo baixista dos Pink Floyd, not so close to the ocean, not so close to the land. Aceitamos que uma cadeira não estrela um ovo ou que um tigre não serve de candeeiro, mas gostamos de acreditar que os humanos podem tudo. Porque haveria de Amorim montar uma equipa para ganhar a Champions com dois pedaços de cordel, um isqueiro e meio pacote de bolachas Oreo? Não pode ele verificar na pele que isto e aquilo não é bem assim e que talvez seja frito e cozido?  Até porque, como ele dizia, o jogo do campeonato a seguir é que é importante.

No ano passado, este grupo, esta malta e esta equipa técnica, devolveu o título de campeão nacional ao Sporting, dezanove anos depois do anterior. Pela minha parte, não me esqueço.

O dia seguinte

Pois eu continuo a acreditar em Amorim, e depois da sua conferência de imprensa ainda mais fiquei convencido disso. Quem quiser rasgar o cartão que rasgue, quem não quiser pagar quotas que não pague, quem não quiser ir à Amoreira que não vá, quem não quiser pagar o canal que dá os jogos da Liga ou da Champions que não pague (por acaso eu não pago os da Champions, porque a conta da NOS já é grande de mais, tenho que descobrir um tasco com aquilo), pois eu na Amoreira vou estar e em Dortmund só se não puder.  Cada um que faça o que quiser, apenas se lembre do que um Leão significa. 

No meu último post, eu dizia que "Vamos começar amanhã a campanha da Champions. Estou muito curioso para ver como é que o 3-4-3 do Sporting se vai comportar no confronto com equipas de futebóis que contam com jogadores fisicamente poderosos e estão habituados a esse modelo de jogo, se vai conseguir dominar os adversários como domina a nível nacional, reduzindo o Porto a dois remates enquadrados, ou se vai implodir como a selecção portuguesa no Euro contra a Alemanha."

E... implodimos mesmo...

 

Como nos grandes desastres de avião (ver a série Mayday) as causas acabam por ser sempre um conjunto de factores que confluem num resultado catastrófico.

Para mim foram as seguintes:

1. Patrão fora, dia santo na loja. Sem Coates ao comando, com Gonçalo Inácio e Feddal fragilizados fisicamente, a zona central da defesa foi sempre um passador para um Ajax de "tracção à frente".

2. Fantasma Ilori. Vinagre e Jovane primeiro, todos os outros que entraram depois estavam naqueles dias difíceis em que nada ou coisa nenhuma saía bem.

3. Modelo Amorim. O 3-4-3 não conseguiu de forma nenhuma aguentar o modelo Ajax, que ainda agora estou a tentar perceber se era um 3-2-5 ou outra coisa qualquer, alicerçado por meia dúzia de matulões que jogam imenso à bola, e que sempre conseguia reduzir o Palhinha à expressão mais simples que um 6 pode ter, a de polícia sinaleiro.

4. O eclipse da estrelinha. Por uns centímetros o golo de Paulinho foi anulado, um remate ao poste dum lado dá golo do outro coisa nenhuma. E um 2-3 depressa se transformou em 1-4.

 

Sendo assim, fica uma grande noite do Matheus Nunes sempre a cavalgar para a área contrária, grande jogo do Paulinho sempre a cavar faltas e a distribuir jogo e ainda com dois golos, um deles anulado, algumas arrancadas do Porro e... pouco mais.

Agora é mesmo dormir bem, treinar melhor e ir ganhar à Amoreira. E depois ganhar o jogo seguinte. E depois o outro também. E assim sucessivamente.

As grandes equipas não são as que passam ao largo das grandes derrotas, como os grandes barcos não são aqueles que não sofrem com as grandes ondas, são aquelas que dão a volta por cima e atingem os objectivos da época. Quem ganhou o campeonato no ano dos 7-1 infelizmente não foi o Sporting...

 

Já agora uma breve nota sobre o Sporting-Ajax da Youth League em Alcochete onde estive presente até quase ao fim, tive de sair após o penálti infantilmente falhado, um remate "à País de Gales" para o estacionamento depois do "Paulinho" da B ter permitido uma converseta para distrair dum tipo do Ajax.

Não conhecendo a média de idades das duas formações, o misto sub23-B apresentado pelo Sporting dominou do princípio ao fim (pelo menos até à minha saída), conseguiu articular bons lances de ataque aqui e ali, ganhou muitas das divididas, desperdiçou golos em série, desde o tal penálti a uma situação de contra-ataque 2:1, frente a um Ajax muito "levezinho", e transformou num empate a um golo o que podia ter sido uma vitória confortável. Ficou um belo projecto de defesa central de pé direito: Gilberto Batista, 17 anos, 1,87m, da Guiné-Bissau, no Sporting desde 2018. Rápido, raçudo, excelente saída a jogar, sempre de cabeça no ar para o passe curto ou longo, um jovem a rever.

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Isto anda tudo ligado - Capítulo segundo

Publicar as contas da SAD, com um prejuízo de mais de 30 Milhões de Euros, num dia de estreia na Liga dos Campeões não lembraria ao diabo, mas lembrou a Zenha.

A gente fica sem saber se era incentivo para os rapazes ganharem o jogo e fazerem mais uns cobres, ou se foi apenas mais da mesma capacidade intuitiva de que o senhor já deu mostras em ocasiões anteriores.

O subtítulo deste post poderia ser "Amorim, bem vindo ao teu primeiro banho de realidade", o que tem a ver com a forma displicente como o treinador "estudou" o adversário, ao contrário do seu colega, que nos conhecia de olhos fechados e virado para o camarote presidencial, a piscar o olho ao Zenha, a modos que a dizer-lhe "já te gamei um milhão, ó pateta!" nem precisava de orientar os seus que sabiam de cor as nossas fragilidades. Ou melhor, sabiam das deles e fizeram por não nos deixar explorá-las. Percebeste Ruben? Não sei se sabes, deves saber, que fizémos a primeira falta aos... 28 minutos, já perdias por dois.

Ah, mas os nossos são verdes nisto da Liga dos Campeões. Verdade, mas eles tiveram lá um que parece que jogou pela primeira vez nesta competição e em cinco remates fez quatro golos.

Ah, mas o orçamento deles... Pois, o ano passado fomos campeões com um orçamento de brincadeira comparado com os directos competidores e jogador por jogador não somos inferiores a eles, aos holan...neerlandeses.

Houve portanto uma gritante falha do treinador. Não lembra ao diabo não ter um ferrolho na centro esquerda para ajudar o Vinagre, que azedou um pouco mais logo no primeiro minuto, mas se Amorim diz que mandou a maltinha jogar num 5x4x1 mas eles não quiseram, a coisa é muito mais complicada e grave do que a copiosa derrota por 5-1.

Mandará ele na equipa, ou os jogadores? Ou Zenha? Eu acho que o Zenha queria o milhãozito da vitória, para dar um reforço a Amorim, mas como não há graveto, diz ele que não há pão para malucos. Diz o gajo que publica as contas de caca no dia da estreia da equipa na Liga milionária, onde poderia fazer mais uns cobrezitos e ter uma montra para o mercado de Inverno.

Percebem como isto está tudo ligado?

Holandeses em Alvalade

Daqui a nada, o Sporting regressa ao convívio dos maiores, jogando a Liga dos Campeões. Para começar, recebe o Ajax, num embate entre duas das melhores escolas do mundo. Teremos Inácio, Esgaio, Vinagre, Palhinha, Nunes e Tomás versus Timber, Schuurs, Blind, Klaassen ou Gravenberch. É uma boa oportunidade para lembrar os holandeses (perdão, neerlandeses) que jogaram por cá e os portugueses que vestiram a camisola do Ajax.

A presença lusa na ArenA cinge-se a um nome: Dani. O extremo formado no Sporting chegou a Amsterdão, com escala em Londre, em 1996, para quatro boas épocas, as melhores da sua carreira. Ajudou a vencer um campeonato e duas taças e marcou 17 golos em quase 100 jogos (98). Conviveu com Van der Sar, irmãos De Boer, Litmanen, Babangida ou Kluivert. Foi treinado por Van Gaal, Morten Olsen, Jan Wouters e Hans Westerhof.

Em 1987 chegaria a Lisboa Frank Rijkaard mas o génio holandês não chegou a jogar pelo Sporting. Em 1986-1987, Peter Houtman, avançado vindo do FC Groningen, viria para Alvalade para 36 jogos e 8 golos. Nada mau. Em 1992-1993 chegaria a classe defensiva de Stan Valckx, contemporâneo de Figo, Peixe ou Balakov. Faria 90 jogos e marcaria 6 golos. Em 2011-2012, regressaram os holandeses ao Sporting. Para liderar o meio-campo, Stijn Schaars e para ser goleador, Ricky Van Wolfswinkel. Tiveram ambos sucesso. Schaars fez 66 jogos em duas épocas, marcou 6 golos e fez 7 assistências. Já o avançado, fez 45 golos em 88 jogos. No ano seguinte, chegou Labyad, de origem marroquina e hoje internacional por Marrocos. Prodígio no PSV, teve pouco sucesso por cá, acabando por renascer no Utrecht e chegar ao… Ajax, onde está na quarta temporada, mesmo jogando pouco. Em todos os sentidos.

Em janeiro de 2016, chegou Marvin Zeegelaar, das escolas do…Ajax, mas então a atuar no Rio Ave. Fez 39 jogos e marcou 1 golo, não deixando grandes saudades. No verão de 2016 chegou a Alvalade, Bas Dost, a meu ver, o melhor holandês a jogar pelo Sporting. Mesmo com as sequelas físicas e psicológicas do ataque a Alcochete (de que foi a figura simbólica), fez 127 jogos e sobretudo marcou 93 golos, oferecendo, ainda, 14. Deixa saudades até hoje, sobretudo numa altura em que não há um 9 no plantel e ele é suplente do Club Brugge. Consigo chegou Luc Castaignos, o pior holandês a jogar pelo Sporting e um dos piores avançados que vestiram de verde e branco. Castaignos, antigo miúdo maravilha do Feyennord e com passagem pelo Inter, participou em 17 jogos e não marcou nem um golo. No ano passado, Mees De Wit ainda treinou com a equipa A, mas nunca se estreou. Esqueci-me de alguém?

Adenda: falhou-me o defesa Khalid Boulahrouz. De origem marroquina, o central trocou o Estugarda pelo Sporting em 2012, depois de uma carreira com passagens por Hamburgo, Chelsea ou Sevilha. Nunca convenceu e só fez 19 partidas. Partiu para a Dinamarca antes de acabar no Feyennord, dois anos depois da estadia por cá. 

Vamos ver um Sporting lutador

Texto de Daniel Borges

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Sarabia necessita mais treinos com a equipa. Só há pouquíssimos jogadores que podem entrar numa equipa e jogarem logo. Um deles chama-se Cristiano Ronaldo.

Mas o nosso sistema táctico necessita de muito entrosamento e por isso acho que se devia confiar nos que já estavam há mais tempo com a equipa. Viu-se no jogo contra o Porto: não nos ajudou muito e a culpa nem é dele, mas da falta de treinos, como já referi.

 

A minha maior dor de cabeça é a questão do Gonçalo. Na minha opinião, o eixo defensivo é onde temos os maiores problemas.

Matheus Reis já provou mais que uma vez que não é jogador para vestir a gloriosa Verde-e-Branca, muito menos naquela posição. Se Gonçalo não puder jogar, até preferia outras soluções, como Esgaio. No meu ver, até Palhinha podia passar para central, só que não sei se Ugarte já está pronto para ser titular num jogo desta importância [hoje, contra o Ajax].

Daniel Bragança não é 6, por isso, se entrar, só no lugar de Matheus, caso este não recupere. Bragança ou Tabata a 8. Fica aí mais uma dúvida. Se Matheus recuperar, até pode fazer ele de 6, Palhinha recuar para central e um dos dois referidos jogar na posição 8.

 

Portanto, o Míster disse que queria o plantel curto e que se corresse mal, que a culpa seria dele. Agora que arranje soluções adequadas.

Em todo caso, os nossos jogadores vão ter de comer relva, já que a atitude dentro de campo pode ultrapassar muitas adversidades. No que toca a isto, não tenho dúvidas de que vamos ver um Sporting lutador à procura da vitória.

 

Texto do leitor Daniel Borges, publicado originalmente aqui.

In Amorim we trust

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Obviamente que Amorim não é Deus, nem sequer é Sportinguista de coração. Algum dia partirá rumo a novos desafios, mas não há dúvida que, no que a projecto desportivo de sucesso diz respeito, depois de Boloni há quase 20 anos, da sua dobradinha e do lançamento de jovens como Quaresma, Ronaldo e Hugo Viana, existe um Antes de Amorim e um Depois de Amorim.

Não é que não tenham passado bons treinadores pelo Sporting, não é que alguns deles não tenham feito um trabalho notável, mas nenhum conseguiu o que Amorim conseguiu em termos de títulos e de aproveitamento da Academia.

Amorim chega ao Sporting para substituir, no meu entender, uma das piores equipas técnicas de sempre que passou pelo Sporting, tendo que enfrentar um balneário fragmentado (vide "leak" de Bruno Fernandes) com muitos sem valor para ali estar, outros com valor mas com vontade ir para outro lado, e mais algumas eternas promessas que não passavam disso.

Amorim teve de ir à procura do seu plantel e da sua equipa. Encontrou um grupo de elite de jovens que tinha começado a pré-época com Keizer mas que nunca tinha sido testado ao mais alto nível, pegou neles e foi ao que interessava, deu oportunidades a todos, aprovou uns e riscou definitivamente outros. Arriscou ficar, como ficou, em 4.º lugar da Liga mas lançou os alicerces para o que viria depois.

O plantel foi reestruturado a seu jeito, a época seguinte começa sob o signo do Covid, ficámos fora das competições europeias mas depois foi jogo a jogo rumo à conquista da Taça da Liga, do Campeonato Nacional e (já nesta época) da Supertaça. Os "backstages" são testemunho do excelente ambiente que se vive naquele balneário.

 

Amorim é um campeão. Mas é um campeão pensando pela sua cabeça e não pela dos outros. Apostou num sistema táctico estranho à nossa Liga, o 3-4-3 de que não abdica e que os adversários têm muita dificuldade em desmontar. Como mais uma vez foi demonstrado no último clássico: o Porto só na base do jogo rasteiro, da arbitragem comprometida e da inspiração dum seu jogador conseguiu sair de Alvalade sem sofrer a derrota.

Algumas das suas decisões são discutíveis. O plantel desta temporada pode ser exageradamente curto: dispensou um ou outro de que gostamos, ficou com um ou outro mais controverso, se calhar exagera na versatilidade deste ou daquele, mas os jogadores acreditam nele e se não fazem mais é porque não podem. Obviamente que se o Sporting tivesse a capacidade de gastar o que gastam os dois rivais se calhar Nuno Mendes não tinha saído e havia mais meia dúzia de jogadores de qualidade ao gosto dele no plantel, entre defesas centrais e pontas de lanças. E tudo seria mais fácil aquando das lesões e dos castigos.

 

Vamos começar amanhã a campanha da Champions. Estou muito curioso para ver como é que o 3-4-3 do Sporting se vai comportar no confronto com equipas de futebóis que contam com jogadores fisicamente poderosos e estão habituados a esse modelo de jogo, se vai conseguir dominar os adversários como domina a nível nacional, reduzindo o Porto a dois remates enquadrados, ou se vai implodir como a selecção portuguesa no Euro contra a Alemanha.

Não vamos começar na máxima força pelos motivos conhecidos. Dois dos jogadores mais influentes estarão de fora contra o Ajax, o craque espanhol acabou de chegar e ainda está a conhecer os cantos à casa.

Mas acredito em Amorim, acredito neste Sporting. Amanhã lá estarei em Alvalade e em Dortmund só mesmo se não puder.

Chegámos à Champions com imenso esforço, não temos de ter medo de nada. Vamos agora desfrutar, vamos ser dignos da mensagem do fundador. E com a sorte dos audazes, sempre necessária nestas coisas, vamos conseguir. Vamos a eles!

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

Quem pode defrontar o Ajax?

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Matheus Nunes preocupa também

 

Alguns sportinguistas andam muito preocupados com outros clubes. Quase não lhes sobra tempo para reflectirem sobre o Sporting.

Lamento, mas comigo acontece ao contrário.

Só o Sporting me importa, só o Sporting me interessa, só o Sporting me preocupa.

E confesso: estou preocupado. 

 

Dizem hoje as notícias que Matheus Nunes está em risco de não poder defrontar amanhã o Ajax, no nosso desafio de estreia para a Liga dos Campeões. Por se queixar de dores persistentes na perna direita.

Recordo que não poderemos contar com Coates, castigado.

Provavelmente também não com Gonçalo Inácio, Tiago Tomás e Pedro Gonçalves, magoados. Embora os dois primeiros apresentem sinais positivos na respectiva recuperação.

 

Como há-de Rúben Amorim resolver esta sucessão de problemas?

Que onze faríamos entrar amanhã em campo, em Alvalade, se estivéssemos no lugar dele?

 

Perguntas que deixo à consideração dos leitores.

Mesmo àqueles que costumam andar mais preocupados com outros clubes do que com o nosso Sporting.

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