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És a nossa Fé!

A importância de acertar à primeira

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As primeiras impressões contam muito. No futebol também.

Revisito as notas que aqui publiquei no rescaldo do Sporting-Vizela, jogo de abertura da Liga 2023/2024 que marcou a estreia de Viktor Gyökeres de leão ao peito, e confirmo, sublinhando-as, todas as palavras que então escrevi:

«Sim, é reforço. E que reforço! Não estavam esgotados os 14 minutos iniciais da partida inaugural do campeonato para o potente avançado sueco demonstrar ao que veio. Tem faro de baliza, quer muito marcar. Bisou, com 82 segundos de intervalo. No primeiro, a centro de Matheus Reis, tira dois defesas da frente com uma simulação de corpo e fuzila cruzado, de pé esquerdo. O segundo, aos 15', é todo inventado por ele, começando numa recuperação de bola que também protagonizou. Ainda tentou um terceiro, de cabeça, após canto, aos 27'. E tem intervenção decisiva no disparo do triunfo, com uma assistência - também de cabeça. Exibição brilhante, de longe o melhor em campo. Não podia ter começado melhor.»

Nada mais gratificante do que isto. Quando se acerta à primeira. Como Frederico Varandas, Hugo Viana e Rúben Amorim acertaram na contratação do craque sueco.

 

ADENDA: Nas habituais trocas de argumentos na caixa de comentários, retenho estas linhas algo premonitórias que então escrevi sobre Afonso Moreira: «Entrou em campo como sub-Trincão, perdendo-se em fintas, sendo facilmente desarmado, imaginando que o corredor só serve para subir e não para descer. Espero que o treinador lhe dê nova oportunidade. Mas as oportunidades devem sempre ser agarradas à primeira. Porque pode não haver segunda.» E não houve mesmo.

Esperar até ao fim para fazer a festa

Sporting, 3 - Vizela, 2

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Pé-canhão do internacional sueco a marcar o segundo golo: estreia de sonho em Alvalade

Foto: José Sena Goulão / EPA

 

Lá tiveram as aves agoirentas de fechar a matraca. Andaram dois meses a desancar o novo ponta-de-lança leonino nas redes associais, piando contra o preço «demasiado caro» do internacional sueco e gozando à brava com o facto de o ex-avançado do Coventry vir da segunda divisão inglesa. Anteontem, sábado, comprovou-se esta evidência: o Championship é mais competitivo do que a primeira liga tuga. Gyökeres teve uma estreia de sonho no magnífico tapete verde de Alvalade, perante mais de 37 mil adeptos que o vitoriaram. Quem ansiava por um fracasso teve de enfiar a sanfona na bagagem de porão.

Bastaram 14 minutos para o nosso goleador fazer o gosto ao pé. Primeiro com o esquerdo, evidenciando soberbos dotes técnicos. Oitenta segundos depois, bisou - desta vez com o direito, em lance que ele próprio inicia, numa recuperação à saída da grande área. 

Delírio em Alvalade neste regresso aos grandes dias da festa do futebol após onze penosas semanas de ausência. Com o nosso megacampeão Carlos Lopes - muito aplaudido antes do jogo - a assistir na tribuna de honra do estádio.

 

Esta era a novidade mais ansiada: Gyökeres passou com distinção no teste de fogo real, após promissora aparição nos amigáveis da pré-temporada. Uma estreia em jogos oficiais de verde e branco que ele jamais esquecerá.

Nós também não. 

Na tribuna, outro reforço assistia com interesse à partida, no próprio dia em que chegou a Lisboa: o dinamarquês Morten Hjulmand, que ontem assinou contrato. É o nosso novo titular como médio defensivo - posição em que estamos absolutamente carenciados por ausência de um profissional experiente formado de raiz para este efeito. Ugarte já cá não mora.

 

Rúben Amorim, tantas vezes acusado de ser pouco inovador, deu estreia absoluta como titular a Geny na ala direita, concedendo-lhe liberdade para se projectar com ousadia na manobra ofensiva com Diomande atento às dobras na retaguarda. No miolo, um dos melhores médios criativos saídos da Academia leonina: Daniel Bragança, após longo calvário provocado por grave lesão que o afastou 15 meses dos jogos oficiais.

Sinais transmitidos pelo treinador de que confia nos talentos da casa. 

O corredor oposto ficou a cargo de Matheus Reis, enquanto Morita assegurava os equilíbrios defensivos em parceria com Daniel. Duo inédito que funcionou até ao intervalo, quando vencíamos por 2-0. Gyökeres ainda tentou o terceiro de cabeça, na sequência de um canto, mas o guarda-redes defendeu.

O sueco não foi importante apenas por se tornar a nova referência atacante do Sporting, permitindo à equipa esticar o jogo com maior rapidez desde o momento em que recupera a bola. Também se destacou pelo que fez jogar, articulando bem com os companheiros - Pedro Gonçalves posicionado à esquerda e Trincão à direita - como se já jogasse há muito em Alvalade. E confirmou-se: é um poço de resistência física.

Sem nunca virar a cara à luta até ao instante final.

 

Infelizmente a equipa foi tirando o pé do acelerador ao perceber que a vitória acabaria por sorrir sem demasiado esforço. Convicção reiterada pelo facto de o Vizela, ao longo de toda a primeira parte, só ter feito um remate enquadrado, para defesa fácil de Adán.

O panorama mudou na etapa complementar. Daniel já não regressou, por precaução física, na sequência de um embate de cabeça com Nuno Moreira, ex-colega da formação leonina. Para o seu lugar entrou Edwards, que pareceu replicar em campo o comportamento de Trincão: desligado da manobra colectiva, parecendo mais preocupado em recrear-se com a bola do que em servir os colegas, complicando mesmo nas situações mais fáceis. Ambos também com défice na pressão da saída de bola do Vizela, facilitando a tarefa à turma visitante.

Pedro Gonçalves recuou para 8 mas não fez parceria eficaz com Morita. Manteve-se muito encostado à linha dianteira, sobrando para o internacional nipónico, sozinho, o confronto com Diogo Nascimento e Bustamante. Estes foram municiando os alas que se projectavam.

Amorim começou por retirar Geny: Esgaio prometia mais solidez defensiva ao corredor direito. Mais difícil de entender foi a troca de Matheus Reis - autor da assistência para o primeiro golo - por outro jovem da nossa formação, Afonso Moreira, este em estreia absoluta na equipa A. Também com clara vocação ofensiva, contribuindo para ampliar os espaços onde o Vizela fazia circular a bola. 

 

Ao minuto 72', um colega de blogue que assistia comigo ao jogo dizia-me: «Vem aí um duche gelado.» Parecia que adivinhava: vieram mesmo dois golos de rajada, também com minuto e meio de intervalo - aos 75' e aos 77'. O primeiro por Essende, em três toques rápidos desde o guarda-redes, apanhando todo o nosso bloco defensivo desposicionado - incluindo Adán, que saiu mal na fotografia. O segundo por Nuno Moreira após inacreditável atrapalhação de Coates na saída com a bola.

Duche de água gelada, sim. Quando já se escutavam assobios bem sonoros no estádio e a equipa dava sinais de desnorte táctico, sem saber se privilegiava o ataque ou a defesa.

Recebeu então ordem do treinador para atacar em pressão altíssima no quarto-de-hora que faltava. Aí encostámos por completo o Vizela às cordas: o vulcão verde-e-branco reacendeu-se. Os oito minutos de tempo extra incutiram-nos ainda mais ânimo.

Nesta fase o Sporting chegou a actuar com três pontas-de-lança: Gyökeres, Paulinho (que substituíra o ineficaz Trincão) e Coates, também plantado na grande área. Os três acabaram por ter protagonismo, já ao minuto 90'+9: o sueco assiste de cabeça, o capitão vai ao choque com o central e a bola sobra para Paulinho, que à boca da baliza estica o pé direito e a mete lá dentro. 

 

Delírio generalizado na nação leonina: por uma questão de segundos, assegurámos a vitória, garantimos os três pontos na jornada inicial da Liga 2023/2024 e mantivemo-nos invictos perante o Vizela, que nunca pontoou connosco. Embora nos tenha dado muito trabalho: na época anterior só os vencemos também pela margem mínima (2-1 cá e ), com o desafio de Alvalade a culminar em triunfo só aos 90'+5, de penálti, convertido por Porro.

Em comparação com esse campeonato, já levamos dois pontos de vantagem: há um ano começámos mal, empatando em Braga

Os pessimistas do costume, que já tinham abandonado o estádio, perderam o melhor da festa

 

Breve análise dos jogadores:

Adán - Grande defesa a uma bomba de Nascimento aos 63. Mas teve uma hesitação fatal ao minuto 74, ao sair muito mal da área, facilitando o primeiro golo do Vizela.

Diomande - Batido no duelo com Nuno Moreira, no segundo golo da turma visitante. Mancha numa exibição que até aí denotava segurança, não apenas no processo defensivo.

Coates - Preso de movimentos, com falta de mobilidade. Fez alguns cortes à sua maneira, mas comprometeu no lance que origina o segundo do Vizela. No fim, ajudou lá na frente como pôde.

Gonçalo Inácio - Devolvido à posição adequada, como central canhoto, foi o melhor do trio defensivo nos passes longos. Mas não está isento de culpa no descalabro daquele minuto e meio quase fatal.

Geny - Noite de estreia, como titular, do jovem moçambicano formado em Alcochete. Começou bem, com projecção ofensiva, mas abusou dos dribles e denotou falta de automatismos a defender.

Morita - Com Ugarte agora ausente, coube-lhe ser médio defensivo improvisado. Recuperou muito, lutou pela posse de bola, articulou bem com Daniel. Na segunda parte, faltou-lhe parceria.

Daniel Bragança- Voltou 15 meses depois, após lesão. Organizou jogo, distribuiu com critério, não perdeu tempo com rendilhados. Saiu ao intervalo, contundido. A equipa ressentiu-se desta ausência.

Matheus Reis - Cumpriu no essencial como ala esquerdo. Momento alto: cruzamento milimétrico para Gyökeres brilhar, no primeiro golo. Substituído aos 64', sem que se percebesse porquê.

Trincão - Regressa aos jogos do campeonato como se despediu do anterior: abusando do individualismo, com fintas e fintinhas. Faltou-lhe eficácia com bola. Devia ter saído mais cedo.

Pedro Gonçalves - Estreia infeliz nesta nova Liga. Nada lhe saiu bem: desperdiçou quatro oportunidades de golo. Rendeu pouco à frente, no primeiro tempo, e nada a meio, na segunda parte.

Gyökeres - Chegou, jogou e venceu. A massa adepta rendeu-se à mobilidade e ao poder de fogo do reforço sueco. Marcou dois golos, ajudou a construir o terceiro. Titular absolutíssimo. 

Edwards - Fez todo o segundo tempo, substituindo Daniel. A sua entrada forçou o recuo de Pedro Gonçalves. Pareceu algo displicente, quase desinteressado. Também ele a abusar das fintas.

Esgaio - Entrou aos 55' quando as pilhas de Geny já pareciam gastas. Menos desequilibrador do que o colega mas mais consistente no plano defensivo. Faltou-lhe ousadia na manobra ofensiva.

Paulinho - Rendeu Trincão (64'). Parecia mais do mesmo: segurou mal uma bola, atirou outra ao lado, deixou-se cair dentro da área. Mas, enfim, foi figura do jogo ao apontar o golo decisivo. 

Afonso Moreira - Estreia absoluta na primeira equipa após jogar no Sporting B. Entrou nervoso, com propensão atacante, mas também a abusar das fintas inócuas. Saiu a segundos do fim.

Neto - Esteve doze segundos em campo, rendendo Afonso Moreira já com o resultado feito e sem chegar a tocar na bola. Aparição algo insólita. Deu para ouvir aplausos.

Afonso Moreira merece lugar neste plantel

Everton, 1 - Sporting, 0 (jogo de preparação)

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Rúben Amorim: cada vez menos dúvidas sobre a escolha do onze titular

Foto: António Cotrim / Lusa

 

A esta hora, Rúben Amorim tem certamente cada vez menos dúvidas sobre o onze titular da sua equipa que entrará em campo na jornada inaugural da Liga 2023/2024, frente ao Vizela. Salvo questões do foro clínico, a única grande incógnita relaciona-se com esta questão: chegará ou não o novo médio defensivo a tempo de integrar os trabalhos do colectivo leonino antes do apito inicial do campeonato?

Se havia incógnitas, ontem ter-se-ão dissipado no último jogo de preparação do Sporting na temporada prestes a terminar. Testes a sério, nada de amigáveis com equipas da terceira divisão suíça. Enfrentámos o segundo classificado do campeonato belga (Genk), o quarto e quinto da exigente La Liga (Real Sociedad e Villarreal) e agora, em Liverpool, o Everton - da Premier League, o mais competitivo campeonato do planeta futebol. 

Recapitulo aqui os nossos jogadores que agora entraram de início: Adán; Eduardo Quaresma, Diomande, Gonçalo Inácio; Geny, Morita, Daniel Bragança, Matheus Reis; Pedro Gonçalves, Trincão e Gyökeres. Quase todos com exibição positiva.

Estivemos, portanto, desfalcados de três titulares habituais. Coates nem seguiu viagem, magoado. Paulinho, também com queixas musculares, ficou de fora. Nuno Santos está parado há vários dias, fazendo companhia a St. Juste nas sessões de recuperação física em Alcochete.

 

Foi a nossa primeira e única derrota desta pré-época - tangencial, em casa do adversário, debaixo de chuva copiosa e com temperatura muito abaixo da média, mais parecia fim do Outono do que auge do Verão. O golo solitário do Everton foi marcado aos 45'+2, de penálti, nesta partida sem vídeo-árbitro, num lance mais que duvidoso, em que a bola parece embater no braço de Eduardo Quaresma estendido no chão após lhe tabelar no corpo.

Em futebol corrido, ficámos empatados. Israel viu a bola arrancar tinta ao poste esquerdo da baliza à sua guarda - num tiro de Onana, o melhor da turma inglesa, aos 74'. Mas onze minutos depois Pedro Gonçalves fez o mesmo, num remate em arco, mais em jeito do que em força, já com o guardião Pickford batido. Teria sido outro golaço do nosso n.º 8.

 

Novidades? Várias.

Desde logo, um inédito trio defensivo: Quaresma à direita, Diomande (em estreia nestes jogos de preparação) ao meio, Gonçalo Inácio à esquerda. Também em estreia, o duo titular no corredor central: Morita e Daniel Bragança. Com o primeiro a disfarçar a principal lacuna da equipa, imitando o melhor possível a tarefa habitual de um médio defensivo - algo para que não tem vocação inata no plano táctico.

Ao nível das ideias de jogo, dois factos merecem registo: abdicámos aparentemente daquela "saída de bola" lenta, pastosa e previsível que nos consumia precioso tempo e dava alento aos adversários; e reforçámos em larga medida o ataque à profundidade, onde aquele que é até agora o nosso único reforço, Viktor Gyökeres, parece sentir-se como peixe na água.

 

Nas bancadas do histórico Goodison Park, onde a selecção portuguesa cilindrou a Coreia do Norte nos quartos-de-final do Mundial de 1966, talvez houvesse ainda testemunhas desse jogo mítico, em que virámos um resultado negativo de 0-3 transformando-o numa vitória por 5-3. Com um Eusébio do outro mundo, um Simões a brilhar na ala esquerda, um Coluna como inteligente médio de transição e um bloco defensivo onde avultavam três leões: Hilário da Conceição, Alexandre Baptista e João Morais.

Neste recinto, que não tardará a ser demolido, o Sporting apresentou-se sem complexos nem temores, praticando um futebol fluido embora com desequilíbrios pontuais. Matheus Reis foi muito mais contido na ala esquerda, contrastando com um exuberante Geny no lado oposto. Gyökeres parecia estar em todo o lado - e protagonizou a melhor oportunidade do primeiro tempo em lance corrido ao cabecear com intenção e força, para a defesa da noite de Pickford: só este conseguiu travar o endiabrado internacional sueco.

 

Na tarde fria de Liverpool, registava-se 1-0 ao intervalo. E assim ficou até ao fim.

Faltava ver talvez o melhor da equipa portuguesa, mesmo sem traduzir essa boa exibição em golos. Aos 69', Rúben Amorim fez quatro trocas simultâneas que aumentaram a dinâmica da equipa e foram encostando a equipa inglesa ao seu reduto e a recorrer em excesso ao jogo faltoso (cartões amarelos por faltas "alaranjadas" sobre Esgaio e Morita). 

Se a troca de Daniel Bragança por Mateus Fernandes pouco adiantou, já na ala esquerda Afonso Moreira trouxe muito mais dinâmica, na comparação com um apático Matheus Reis. Estamos perante um jovem cheio de talento que merece não apenas integrar o plantel leonino como fazer parte das apostas efectivas do treinador. Duas das nossas três oportunidades de golo neste segundo tempo tiveram a marca dele.

Quem já não esteve do nosso lado foi Chermiti: vai estrear-se dentro de dias como profissional do Everton. Desejo-lhe boa sorte, mas creio que muda para pior.

 

Breve avaliação dos nossos:

Adán. Grande exibição enquanto esteve em campo, durante todo o primeiro tempo. Salvou dois golos no mesmo lance, aos 33', com defesas aparatosas. Só lhe faltou parar o penálti aos 45'+2.

Eduardo Quaresma. Melhora de jogo para jogo. Enfrentou sem temor Onana, o melhor do conjunto inglês. No lance do penálti, já no chão, a bola embate-lhe no braço. Faltou o VAR para ver à lupa.

Diomande. Estreia nesta pré-temporada leonina, precisamente no jogo de encerramento. Logo com a responsabilidade de ocupar o posto do ausente Coates. Cumpriu, com nota positiva.

Gonçalo Inácio. Oscilou entre o menos bom, quando pareceu pecar por falta de velocidade, e aquilo que mais se espera dele, nos passes longos, a lançar o ataque. Foi capitão na segunda parte.

Geny. Cria desequilíbrios na ala direita. Não vira a cara aos duelos, vai para cima do adversário e centra com critério. Falta-lhe apurar o remate. Falhou por pouco aos 67', a rasar o poste.

Morita. Quem disse que não aguenta 90' em campo? O japonês desfez esta dúvida, numa das missões mais desgastantes, em constante vaivém entre o meio-campo e a defesa. Fundamental.

Daniel Bragança. Distribui com precisão, alterna o passe curto com o passe longo, sabe pensar o jogo. Peça importante na organização do nosso meio-campo.

Matheus Reis. Demasiado contido nas incursões pelo seu corredor, indisciplinado quando mais se lhe exigia cabeça fria, arriscando o cartão. Foi o segundo mais fraco do nosso onze titular.

Pedro Gonçalves. Esteve no pior durante o primeiro tempo (três vezes servido por Gyökeres, desperdiçou com remates à figura) e no melhor no segundo (acertou no poste aos 83').

Trincão. A chuva copiosa e o relvado empapado em nada facilitaram o seu futebol tecnicista. A verdade é que passou ao lado do encontro. Amorim confiou nele sem ser correspondido.

Gyökeres. Dispôs da melhor oportunidade da primeira parte, num forte cabeceamento para defesa apertada de Pickford (9'). Combativo, surgiu em excesso nas alas. Tem de jogar mais no centro.

Israel. Jogou toda a segunda parte, sem sofrer golos. Ainda apanhou um calafrio, quando viu Onana atirar a bola ao poste (74').

Mateus Fernandes. Rendeu Daniel Bragança aos 69'. Sem vantagem para a equipa, excepto no refrescamento físico. Arrisca-se a passar outra época na obscuridade.

Esgaio. Substituiu Geny aos 69'. Entrou com energia e vontade de mostrar serviço: faz-lhe bem ter concorrência. Melhor momento: um centro rasteiro, aos 80', oferecendo o golo a Afonso.

Edwards. Entrou para o lugar de Trincão, aos 69', e pareceu menos apático. Protagonizou bom lance individual aos 83'. Mas agarra-se demasiado à bola ou desinteressa-se dela. Tem de melhorar.

Afonso Moreira. A maior surpresa. Entrou muito bem aos 69', substituindo Quaresma. Veloz, intenso, agitou o corredor esquerdo. Atirou com perigo à malha lateral (80'). Tiro a rasar o poste (90'+2). 

Edu, Afonso, Chermiti e Dani dão nas vistas

Sporting, 1 - Genk, 1 (jogo de preparação)

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Trincão marcou logo aos 10': regresso de férias com o pé quente

Foto: Lusa

 

Primeiro jogo de preparação aberto aos adeptos do Sporting. Foi no estádio do Algarve contra o Genk, vice-campeão da Bélgica. Terminou 1-1, resultado feito na primeira parte.

Rúben Amorim pôs em campo o seguinte onze. Israel; Eduardo Quaresma, Coates, Gonçalo Inácio, Matheus Reis; Morita, Edwards, Afonso Moreira, Pedro Gonçalves; Trincão e Chermiti. Uma espécie de 4-4-2, com 5-3-2 em momento defensivo, fazendo supor que passará a actuar com dois avançados, dois extremos com pendor mais clássico e um par de médios criativos resguardados com um quarto defesa elástico, Gonçalo Inácio, como sucedâneo de "trinco" ou médio posicional.

As aparências iludem. Veremos se esta mudança do modelo táctico virá para ficar ou se visa apenas baralhar os nossos adversários a escassas semanas do início do campeonato. 

Apesar de o nosso golo ter surgido cedo (marcado por Trincão à ponta-de-lança, muito bem servido por Chermiti logo aos 10'), foi na segunda parte que estivemos em melhor nível. Com destaque para o regresso muito aplaudido de Daniel Bragança após um ano de lesão grave. Ele e três outros elementos da formação leonina (Afonso, Eduardo e o já mencionado Chermiti) foram os elementos mais em foco.

Faltou Gyökeres, a nova estrela da companhia.

 

Alterações, apenas duas. A troca de Morita por Daniel ao intervalo e a entrada de Jovane aos 80', substituindo Eduardo Quaresma, que saiu com queixas físicas.

Perante uma equipa forte e que iniciou mais cedo a preparação da época, faltou-nos o quê? Mais poder de fogo. Faltou também maior consistência defensiva - ponto fraco da época passada. O golo do Genk foi brinde nosso: erro clamoroso de Matheus Reis, aos 24', com passe lateral à queima para o guarda-redes que Israel não conseguiu interceptar. 

Até nem me importo muito que tenham erros destes nos jogos de preparação. Se nos desafios a sério nada disto acontecer.

 

Breve avaliação dos nossos:

Israel. O melhor: saiu duas vezes bem dos postes. O pior: o golo sofrido, embora o grande culpado tenha sido Matheus Reis. 

Eduardo Quaresma. O melhor: enfrentou bem Fadera, o mais acutilante do onze belga. O pior: saiu com queixas físicas, oxalá não seja nada grave.

Coates. O melhor: resolveu vários problemas com a sabedoria que só a experiência dá. O pior: algo preso de movimentos em lances pontuais.

Matheus Reis. O melhor: aguentou 90 minutos. O pior: o erro caricato que traiu Israel e permitiu aos belgas empatarem o jogo.

Gonçalo Inácio. O melhor: Amorim experimentou-o em movimentos de transição para a posição 6, confirmando a confiança nele. O pior: falhou alguns passes.

Morita. O melhor: passe longo, de 40 metros, que isolou Chermiti iniciando o nosso golo. O pior: substituído ao intervalo, pareceu longe da melhor forma física.

Edwards. O melhor: um passe de ruptura, mesmo ao findar o jogo para dentro da área que poderia ter gerado golo. O pior: pareceu apático, longe das zonas de decisão.

Afonso Moreira. O melhor: várias iniciativas individuais vistosas no flanco esquerdo, com vontade de impressionar o técnico. O pior: alguma precipitação ocasional, motivada pela ansiedade.

Pedro Gonçalves. O melhor: vê-lo agora com o número 8, que pertenceu a Bruno Fernandes. O pior: passou praticamente ao lado do jogo.

Trincão. O melhor: o golo, à ponta-de-lança. O pior: não ter aproveitado três outras oportunidades que lhe foram surgindo.

Chermiti. O melhor: soberba assistência ao recuperar uma bola junto à linha final e cruzando, em oferta de golo a Trincão. O pior: ter ficado desta vez em branco.

Daniel Bragança. O melhor: vê-lo regressar em boa forma, aparentemente sem sequelas da grave lesão. O pior: já amarelado, cometeu falta que lhe teria valido segundo amarelo num jogo a sério.

Jovane. O melhor: excelente pormenor técnico ao receber um passe longo de Coates e rodar, deixando para trás um adversário, aos 86', e "assistindo" Trincão. O pior: esteve pouco tempo em campo.

Rescaldo do jogo de anteontem

 

Gostei

 

Da boa atmosfera em Alvalade. Os 31.603 que nos deslocámos ao nosso estádio, na noite de sábado, não demos o tempo por mal empregue. Ambiente ameno, apesar de algum chuvisco que caiu durante o jogo, famílias nas bancadas, muitas adeptas leoninas, alegria generalizada do princípio ao fim. O que se explica devido ao golo ter acontecido cedo, ainda no quarto de hora inicial, e por o desfecho estar decidido ao intervalo (quando havia 2-0), ao contrário do que aconteceu em diversas outras ocasiões.

 

Do nosso domínio total. Vencemos o Santa Clara por 3-0. Com golos de Paulinho (14'), Trincão (22') e Edwards (52'). Vitória tranquila, inequívoca, categórica num embate em que atacámos com cinco unidades em simultâneo - por vezes com seis, quando Pedro Gonçalves também aparecia lá na frente. As alas funcionaram sempre como nossos corredores ofensivos. A turma visitante fez o primeiro remate aos 61'. E só teve uma oportunidade de golo aos 90+1'. Nem parecia a mesma equipa que vencemos com extrema dificuldade (1-2) na partida da primeira volta.

 

Da primeira parte. Dois golos marcados, pelo menos mais dois podiam ter sido concretizados (aos 33', por Gonçalo; e aos 41', por Paulinho). Os 45 minutos iniciais desenrolaram-se quase sempre no meio-campo defensivo do clube açoriano que usa o mesmo emblema do Benfica - e que mais parece uma "escola de samba", condenada a descer de divisão.

 

De Edwards. Melhor em campo: joga cada vez mais para o colectivo, com disciplina táctica, movimenta-se muito bem não apenas quando transporta a bola mas também quando está sem ela. Saldo positivo: um golo (o terceiro, marcado com o pé direito) e uma assistência (para o segundo). Ainda ofereceu outro, de bandeja, que Paulinho desperdiçou (18'). Esteve quase a marcar, aos 27'.

 

De Pedro Gonçalves. Jogou no meio-campo, onde funcionou como verdadeiro patrão leonino. Está com os níveis de concentração e de confiança muito elevados desde aquele golaço no estádio Emirates, contra o Arsenal - isto reflecte-se bem no desempenho colectivo da equipa. Exímio a marcar livres - de um deles nasceu o nosso primeiro golo: foi a sua nona assistência desta temporada. De outro, aos 33', ia surgindo outro - quando Gonçalo Inácio atirou à barra. 

 

De Diomande. Voltou a ser titular, como central à direita (Matheus Reis à esquerda e Gonçalo ao meio), no onze inicial. Exibiu classe em Alvalade: é o reforço de que necessitávamos para aquela posição. Espectacular recuperação logo aos 3', dando nas vistas. Seguro, sereno, concentrado: parece jogar há anos no Sporting, não apenas há poucas semanas. E polivalente também: actuou como central ao meio a partir dos 46' e como central à esquerda a partir dos 69'.

 

De Arthur. Com Bellerín ainda lesionado e Esgaio ausente por castigo, Rúben Amorim confiou-lhe a posição de ala direito titular. O brasileiro que veio do Estoril cumpriu com distinção, não apenas no plano defensivo (grande corte dentro da área aos 17'), mas sobretudo no ofensivo, com cruzamentos tensos e bem medidos. Confirma-se: é mesmo reforço, seja qual for a posição em que actua.

 

Do regresso de Luís Neto. Apesar dos três golos, foi este o instante alto da noite: quando uma calorosa ovação sublinhou o regresso do veterano Neto, aos 34 anos, após longa ausência por lesão. Aconteceu aos 69', quando substituiu Matheus Reis - e, simbolicamente, a braçadeira de capitão passou de Adán para ele, que não jogava desde 3 de Setembro. Outro momento festivo.

 

De ver Afonso Moreira no banco. O jovem extremo (18 anos) não calçou, mas é assim que se começa. Outro elemento da formação que promete ser aposta do treinador. 

 

Do árbitro André Narciso. Actuação impecável: não estragou, não propiciou momentos mortos, não passou o tempo a interromper o jogo, não alinhou com o teatro ocasional de certos jogadores. Se fossem todos como ele, o futebol português estava muito mais valorizado.

 

De Rúben Amorim. Cumpriu o jogo 120.º do campeonato nacional de futebol. Com 84 vitórias no currículo. Números extremamente positivos, que são um excelente cartão de visita. Talvez o melhor treinador do Sporting neste século.

 

De mantermos as aspirações à Champions. Com 24 pontos ainda em disputa (estamos com 53, mas com um jogo em atraso), registámos a quinta vitória seguida no campeonato e estamos há nove jogos sem perder. Atravessamos o melhor momento da época, o que ajuda muito. Precisamos de aceder à próxima Liga dos Campeões, o que nos trará enormes vantagens desportivas e financeiras.

 

 

Não gostei

 

Da ausência de Coates. Mas compreendeu-se: o nosso capitão assistiu ao jogo da tribuna. Deu para descansar após a recentíssima participação em dois jogos pela selecção do Uruguai, sendo titular absoluto e até marcando um golo (contra a Coreia do Sul). Descanso merecido, já a pensar nas partidas contra o Gil Vicente (depois de amanhã) e o Casa Pia (no domingo). Três desafios em nove dias antes do jogo em Turim contra a Juventus.

 

Do desperdício de Paulinho. Finalizou bem, concluindo com golo o impecável livre directo marcado por Pedro Gonçalves aos 14'. E é ele quem faz o passe lateral para Edwards sentenciar a partida, aos 52'. Mas falhou um golo de baliza aberta, à Bryan Ruiz (aos 41'), e desperdiçou duas outras grandes oportunidades. Apenas cinco golos à 25.ª jornada: continua a ser muito pouco para um ponta-de-lança.

 

Do Santa Clara. O que dizer de uma equipa que beneficia do primeiro canto só aos 50', faz o primeiro remate à baliza aos 61' e deixa concluir o tempo regulamentar sem uma única ocasião de golo? Que não merece integrar o primeiro escalão do futebol português. Faria bem em mudar o símbolo, antes de mais nada.

{ Blogue fundado em 2012. }

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