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És a nossa Fé!

Jogar sem adeptos tem libertado a equipa do Sporting

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Bom, é mesmo uma coisa que custa a ouvir, ainda por cima dum ex-capitão de equipa com uma carreira longa no clube, ainda mais para alguém como eu, com lugar cativo em Alvalade e muitas vezes fora dele. Com certeza não vou aos jogos por outro motivo que não seja para apoiar a equipa, ajudá-la a chegar à vitória e no final saudar os jogadores, ganhando ou perdendo.

Mas obviamente que Beto tem razão

 

Tempos houve em que os adeptos no estádio, organizados ou não, puxavam incondicionalmente pela equipa, faziam de Alvalade um vulcão verde e ajudavam a conquistas que se julgavam impossíveis. São tantas as grandes tardes e grandes noites que nem sei destacar alguma em particular, mas por exemplo, a noite contra o Newcastle no tempo do Peseiro foi realmente épica. Mas há menos tempo, até fora de casa ou talvez por isso mesmo, a noite em Londres contra o Arsenal ou a tarde do Jamor contra o Porto também o foram. Se calhar também porque as claques foram reduzidas nesses dois jogos à expressão mínima nas bancadas.

Mas o que se passou nos últimos tempos, em particular pelas duas claques ressabiadas, foi não um apoio incondicional à equipa, mas uma atitude de intransigência e de combate aos profissionais, à espera do primeiro deslize para descarregarem tudo o que lhes vai na alma. Chulos, palhaços, joguem à bola, suem a camisola, etc, etc... Ainda agora, nos Açores, o nosso capitão Coates foi brindado com insultos, pelo deslize que teve, por meia dúzia de adeptos que levavam faixas da Juveleo. 

 

As razões são conhecidas. Desde que o infeliz ex-presidente teve a ideia de investir pelo balneário de Chaves para berrar com os jogadores, o relacionamento dele com o plantel foi sempre a descer e cada vez mais extravasando para o domínio público. Depois houve o post sobre Madrid e os acontecimentos subsequentes que dividiram ainda mais os adeptos e as claques no que respeita aos profissionais do clube.

Com ele ficaram as duas principais claques que cada vez mais hostilizaram os jogadores. Depois sucederam-se as voltas olímpicas dos jogadores que chocaram alguns, o bombardeio das tochas, as esperas nas garagens, o confronto aos jogadores no aeroporto, o assalto a Alcochete, os insultos nas escadarias do Jamor, a destituição e expulsão do presidente, a condenação dos assaltantes, os insultos em Alverca, a hostilização do "rato" Fernandes e dos dois argentinos de pelo na venta, etc.

Depois veio a questão do protocolo e a guerra aberta com o presidente. E a principal arma que tinham e têm para o destruir é o mau desempenho da equipa de futebol. Assim, quer queiramos quer não, os futebolistas sabem que há ali gente que aproveitará todas as oportunidades para os insultarem e achincalharem.

Para esses adeptos, os do "zero ídolos", os únicos futebolistas "bons" são aqueles que não jogam ou que já foram dispensados ou vendidos. Ou o Peyroteo, que já morreu há muito.

 

Também no que respeita à chamada "bancada central", que integra os "lugares de leão" e globalmente corresponde aos sócios mais antigos em Alvalade, o clima se foi gradualmente degradando de acordo com o desempenho da equipa. Aquele período com Jorge Silas e os três tristes emprestados foi mau demais. A paciência chegou ao ponto mínimo exactamente no jogo de estreia de Amorim contra o Aves, onde também esteve bem longe de dar à equipa o apoio que merecia.

Desde esse dia, e com a excepção desta meia-dúzia de adeptos nos Açores, nunca mais a equipa teve adeptos no estádio. Isso realmente tem libertado a equipa, permitindo que os mais novos melhor se concentrem no que têm de fazer, fazendo-os ultrapassar mais facilmente eventuais erros e deslizes e melhor relativizar os sucessos. Tranquilidade, estabilidade, concentração são os ingredientes para o sucesso, já dizia o Paulo Bento.

Mas esta não é uma solução definitiva para o problema. Temos de ser nós todos, quando pudermos voltar às bancadas, organizados ou não em grupos, a demonstrar aos jogadores que podem contar connosco nas bancadas de Alvalade e fora dele, como nós contamos com eles para ganharem no campo. Porque só assim o Sporting pode ter sucesso.

SL

Sporting em todo o lado!

Não obstante as tristes figuras que o nosso clube vai fazendo, seja dentro ou fora de campo, certo é que os adeptos leoninos jamais se escondem ou olvidam o seu amor pelo clube.

Há uns dias andei, mais uma vez, por algumas ilhas açorianas. E a exemplo do que vi o ano passado quer no Faial quer em S. Jorge, também este ano tive a oportunidade de sentir o Sporting naquele arquipélago.

Primeiro na bela ilha Amarela de Santa Maria onde existe um núcleo do Sporting ali na rua principal da Vila do Porto.

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Depois e já na Ribeira Grande na inolvidável ilha verde de S. Miguel e no restaurante “Esgalha” dei também conta da paixão leonina.

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Exemplos destes precisam-se e cada vez mais!

Maioridade

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Materializou-se ontem aquilo que virtualmente já o era, o Sporting Clube de Portugal está há dezoito anos sem ser campeão.

Dezoito anos onde, por vários motivos, fomos deixando escapar o título. Aliás, foram mais os anos em que o título nos deixou escapar a nós do que o contrário. Provavelmente, nestes dezoito anos, poderíamos ter sido campeões quatro vezes. O que, sendo muito melhor que a triste realidade, não seria nada de especial para a nossa grandeza.

Dezoito anos onde vimos mais adeptos nossos serem assassinados às mãos de rivais do que títulos. Dezoito anos onde vimos o Bruno Cortez ser campeão e o Bruno Fernandes não passar de um terceiro lugar.

E nem se pode dizer "ah mas esteve perto". Não estivemos nunca perto de ser campeões porque o Sporting nunca percebeu como se jogava este jogo. Fomos enfiando cada vez mais o barrete do Calimero em vez de arregaçar as mangas e ir à luta. Aliás, as alianças estratégicas foram precisamente o nosso papel no jogo: estar de joelhos, a servir de degrau para a escalada de quem foi vencendo.

Como percepciono uma culpa tão grande como a minha azia, a travessia no deserto tem os seguintes rostos:

  • Frederico Varandas (2 épocas)
  • Artur Torres Pereira (1 época)
  • Bruno de Carvalho (6 épocas)
  • Luís Godinho Lopes (3 épocas)
  • José Eduardo Bettencourt (2 épocas)
  • Filipe Soares Franco (4 épocas)
  • António Dias da Cunha (3 épocas [desde o último título])

 

Até ontem, no final do jogo, o clube e os adeptos, em vez de ficarem com uma fome danada, frustrados e a querer mais e melhor, foram-se meter a celebrar as vitórias da sua cabeça. Uns celebraram só perder por dois no Dragão, outros celebraram a oficialização da época com mais derrotas na hossa História, outros chegaram mesmo a celebrar o título do Porto porque "pelo menos não foi o Benfica". E assim vamos nós.

Ontem também foi o dia em que os sócios do Sporting viram que o seu número reduziu. Temos, neste momento, cerca de 107k sócios. Um número que nos devia fazer corar de vergonha por dois motivos. O primeiro por termos andado a fazer de conta que éramos mais, o segundo por em três milhões de adeptos não se encontrar mais gente capaz de dedicar ao Clube pouco mais que um maço de tabaco por mês.

Ontem toda esta tragédia atingiu a maioridade. Dezoito anos. Dezoito anos de um caixa de óculos, virgem, fechado numa cave, a ser um troll na internet.

Sai à rua, Sporting! Sai com querer, sai com garra, sai com fome!

Portugal e EUA: adeptos muito diferentes

Texto de Manuel Parreira

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Estes “verdadeiros adeptos” deviam vir todos aos EUA para verem jogos com estádios cheio a rebentar pelas costuras com 50 mil e 60 mil espectadores, todos a aplaudirem sem descanso a sua equipa do princípio ao fim.

Tenho experiência do beisebol, que vejo sempre que tenho oportunidade, e fico perplexo ao comparar esta cultura desportiva com a cultura que existe em Portugal. Vejo adeptos lado a lado todos misturados sem serem controlados pela polícia. Quando acontece uma das equipas a marcar, os aplausos redobram, todos de pé, uns a aplaudirem, outros simplesmente a olharem, sem rancores nem assobios aos jogadores. E é vê-los na saída todos juntos a falarem já no próximo jogo. Tudo amigo.

Em Portugal os paineleiros de serviço levam uma semana inteira a falar num penalty mal assinalado, ou num fora de jogo mal tirado. Por cá [Califórnia, EUA] os árbitros também se enganam, o comentador mostra a imagem duas ou três vezes, mas no fim do jogo já ninguém fala nisso.

Diferentes culturas, diferentes mentalidades, e fico-me por aqui.

 

Texto do nosso leitor Manuel Parreira, publicado originalmente aqui.

Os "verdadeiros adeptos" (3)

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Gonzalo Plata, internacional equatoriano com apenas 19 anos de idade, é claramente uma das melhores contratações feitas por Frederico Varandas para o futebol leonino, como aqui assinalei há mais de três meses.

A imprensa desportiva da passada quinta-feira, analisando o confronto da véspera entre o Sporting e o Gil Vicente, não teve a menor dúvida: elegeu-o como melhor em campo. Confirmando a minha observação, publicada hora antes.

Não custa perceber porquê: ele marcou um dos golos e fez assistência para o outro: foi decisivo para os três pontos conquistados pela nossa equipa. 

 

Valeu-lhe - e valeu-nos - que este jogo fosse disputado à porta fechada em Alvalade, sem a presença de público. Se não fosse assim, este talentoso jovem que vem completando a sua formação desportiva no Sporting teria sido assobiado do princípio ao fim. Confirmando uma das piores tradições praticadas por um ruidoso núcleo da massa adepta: apupar quem veste de verde e branco, dando moral às equipas adversárias.

Plata teve sorte: assim os assobios só foram virtuais. Mas não deixaram de ser estridentes, como se comprova num dos espaços onde costumam albergar-se alguns "verdadeiros adeptos", que olham mais para o teclado do que para o relvado durante os jogos.

 

Visitei esse espaço depois do Sporting-Gil Vicente e deparei com imensos "piropos" dirigidos ao internacional equatoriano - e ao próprio treinador Rúben Amorim.

Transcrevo alguns desses dislates, já com erros ortográficos devidamente corrigidos e os substantivos próprios devolvidos à letra maiúscula imposta pelas boas regras gramaticais:

 

«O Plata e o Camacho podem ser zero jogo após jogo que têm sempre um lugar na equipa do lampião.» [antes do jogo]

«Camacho e Plata são zero. Outra vez…» [momentos antes da marcação do primeiro golo]

«Teve um pouco de sorte no drible o Plata.» [logo após a assistência de Plata para esse golo]

«O Plata toma (mais) uma decisão absurda, tem a sorte de ganhar o ressalto.»

«O Plata… ludibriou o defesa com um tropeção.»

«Tenho a impressão que só vi dois jogos completos dele mas já se tornou o meu odiozito de estimação. Muito bem estamos quando podemos dar a titularidade a quem decide tão mal.»

«Plata dá o quê?»

«Até agora deu um engano que resultou em golo…»

«Ó Plata… Manda-te ao mar e diz que eu te empurrei. F***-*e!»

«Plata coitado .. completamente perdido…»

«O Rúben Amorim está vestido de palhaço?»

«Que tem na cabeça este Plata?»

«Plata mentalmente está de rastos... Zero confiança.»

«F***-*e, e eu perdi a segunda parte do WH-Chelsea para ver isto…»

«P***a, não fizeram nada nos últimos 20 minutos. Tirando aquela cagada do Plata.»

«Não vejo como [Joelson] pode fazer pior que Plata.»

«Plata e Camacho são embaraçosamente maus.»

«Max e Wendel os melhores, Plata um desastre.»

«Plata pouco mais que isso [nulidade], com muitas decisões incorrectas.» [ao intervalo]

«O Plata toma decisões péssimas o jogo todo, mas nesta jogada só com o redes na frente teve a frieza de levantar a cabeça e colocar para golo.» [momentos após Plata ter marcado o segundo]

«Este Camacho também parece que está a aprender com o Plata. Cruzes credo!»

«Agora é que reparei. Estamos com o Peyroteo a central. Este treinador bate mal.»

«Este Plata é mesmo estúpido f***-*e.»

«Vá-se lá saber como, acaba por ser o homem do jogo. Aos tropeções e às cambalhotas mas dois golos são dois golos.» [quase no fim]

«Alguém ofereça um pé direito ao Plata…» [no fim]

«Plata com um golinho, um engano que deu outro golo e mais dois remates que podiam ter dado golo.»

«O Plata marcou um golo, mas fez tan-ta porcaria.»

«Max o melhor em campo diz muita coisa.»

«Jogo ao nível do Varandas.»

«Pós-covid a liga tuga está a bater todos os recordes de mediocridade.»

 

Os "verdadeiros adeptos" (2)

Balanço muito positivo, nos mais recentes jogos, para os estreantes Nuno Mendes, Matheus Nunes e Eduardo Quaresma. Os mesmos que alguns "verdadeiros adeptos" reclamavam ver lançados no Sporting e sobre os quais já começam a tecer críticas. Tenho-as lido por aí: dizem agora que "falta experiência no plantel" e que a equipa peca "por excesso de imaturidade", entre outros mimos.

É a história de sempre.

 

Anteontem, Rúben Amorim lançou na equipa principal Tiago Tomás (18 anos recém-cumpridos) e Joelson (17 anos). Prova de que temos um treinador que não diz uma coisa e faz outra quando garante apostar na formação.

Mas os "verdadeiros adeptos", indiferentes aos factos, não se contentam com estas novidades: já exigem outras estreias.

Reclamam pelo Bragança e pelo Inácio.

Reivindicam o regresso do Paz e exigem aos gritos que o Pedro Mendes jogue.

 

Se estes quatro integrassem o onze titular leonino, logo os tais viriam com outro "caderno reivindicativo".

Eles recorrem ao chavão da formação porque lhes dá jeito na construção de uma narrativa, mas estão-se nas tintas para os jovens jogadores.

 

Para esta gente, "ser adepto" é passar o tempo a embirrar com as opções do treinador, chame-se ele como se chamar.

Para esta gente, a palavra de ordem permanente é disparar. Sempre para dentro de portas, nunca para fora.

 

Quando questionamos por que motivo o Sporting só venceu dois títulos de campeão nacional no último quarto de século, este é um dos motivos: ter parte da massa adepta sempre contra seja quem for.

Isto ajuda a explicar por que motivo treinadores que vingaram noutras paragens não obtiveram sucesso no Sporting. Entre outros, Bobby Robson, Fernando Santos, Jesualdo Ferreira, Leonardo Jardim e Jorge Jesus.

Isto explica por que motivo José Mourinho só foi treinador do Sporting durante duas horas: saiu na mesma tarde em que entrou. Todos sabemos o que aconteceu depois.

O campeão do assobio

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Algum "pessimismo" militante - que leva o nosso leitor convidado de hoje, Rui Miguel, a aludir a esquizofrenia, num texto que está em destaque no portal Sapo - ajuda a explicar por que motivo os jogadores da nossa formação, quando ascendem à equipa principal, ouvem assobios ensurdecedores à mínima falha quando jogam no nosso estádio.

Felizmente o Eduardo Quaresma, o Matheus Nunes e o Nuno Mendes ainda não tiveram essa triste experiência. Devido à pandemia em curso.

 

Os mesmos que aplaudem freneticamente um Shikabala que aterra em Alvalade sabe-se lá como e não joga mais de dez minutos de verde e branco são implacáveis a vaiar os jovens oriundos da Academia leonina.

Esta é uma das mais tristes originalidades do Sporting. Jogadores de inegável craveira oriundos da nossa cantera que viriam a sagrar-se campeões europeus - como o Nani, o Adrien, o William e o Rui Patrício - foram implacavelmente insultados, durante anos, nas bancadas de Alvalade.

 

Não é com assobios a jogadores que conseguiremos alguma vez voltar a ganhar seja o que for no futebol.

Há muitas formas de assobiar. Não elogiar quem merece, por exemplo, é outra forma de assobiar.

Criticar desde já os jogadores agora lançados no primeiro nível do futebol profissional porque um dia, se tiverem sucesso, irão tratar da vida noutro país - eis outra forma de assobiar. Esquizofrénica, para usar a expressão do leitor.



Nisto, o Sporting é campeão todos os anos. O campeão do assobio.

Os de sempre

Rugem pela formação. Querem ver lançados os miúdos da formação na equipa principal. Muitos. Quantos mais, melhor.

Quando um treinador lhes faz enfim a vontade, como há dois dias aconteceu com Rúben Amorim ao lançar seis (cinco titulares mais um suplente utilizado) no jogo de recomeço da Liga, em Guimarães, nem assim ficam satisfeitos. E já clamam por mais da formação. Agora gritam pelo Paz, pelo Bragança, pelo Dala.

Isto às terças, quintas e sábados. Porque às segundas, quartas e sextas urram contra a formação. Porque "com ela não se ganham campeonatos".

São os mesmos. Os de sempre.

O adepto

(Dedicado ao Pedro Azevedo)

 

«Uma vez por semana, o adepto foge de casa e vai ao estádio.

Agitam-se as bandeiras, soam as matracas, os foguetes, os tambores, chovem as serpentinas e os papelinhos: a cidade desaparece, esquece-se da rotina, só o templo existe. A única religião que não tem ateus exibe as suas divindades neste espaço sagrado. Embora o adepto possa contemplar o milagre mais comodamente no ecrã da televisão, prefere fazer a peregrinação até este lugar onde pode ver os seus anjos, em carne e osso, a bater-se em duelo contra demónios de serviço.

Aqui o adepto agita o cachecol, engole em seco, glup, bebe veneno, morde o chapéu, sussurra preces e maldições e, de súbito, rasga a garganta numa ovação e salta como uma pulga, abraçando o desconhecido que grita golo ao seu lado. Enquanto dura a missa pagã, o adepto é muitos. Partilha com milhares de devotos de certeza de que somos os melhores, de que todos os árbitros estão comprados, de que todos os rivais são trafulhas.

Raras vezes o adepto diz: «Hoje joga o meu clube.» Em vez disso, diz: «Hoje jogamos.» Este jogador número doze sabe bem que é ele que sopra os ventos do fervor que empurram a bola quando ela adormece, tal como os outros onze jogadores sabem bem que jogar sem claque é como dançar sem música.

Quando termina, o adepto, que não saiu das bancadas celebra a sua vitória, que goleada, que sova lhes demos ou chora a sua derrota, roubaram-nos outra vez, o árbitro é ladrão. E então o sol e p adepto vão-se embora. Caem as sombras sobre o estádio que se esvazia. Nas bancadas ardem, aqui e ali, algumas fogueiras de fogo fugaz, enquanto as luzes e as vozes se vão extinguindo. O estádio fica só e o adepto regressa também à sua solidão, eu fui nós: o adepto afasta-se, dispersa, desaparece, e o domingo torna-se melancólico como uma Quarta-Feira de Cinzas depois da morte do Carnaval.»

 

In.: GALEANO, Eduardo - Futebol ao sol e à sombra. 1ª ed. Lisboa : Antígona, 2019. pp. 16-17

Humildade procura-se. E precisa-se com muita urgência. E acerto!

Em 1º lugar, Frederico Varandas. Está na hora de banho de realidade e, com humildade, pedir desculpa pela forma ligeira e descuidada com que tem tratado o futebol, reconhecendo que, afinal, não era tão fácil como pensava e que não basta força de vontade. E que tem cometido erros sucessivos na gestão do plantel, na política de contratações e na escolha dos treinadores. Só lhe fica bem. E talvez assim ganhe uma nova oportunidade. Muito embora, como se diz na política, nunca há uma 2ª oportunidade para causar uma boa 1ª impressão. E deve responder à pergunta: agora quais são os objetivos para a época? Depois, tomar uma iniciativa: desistir imediatamente de aumentos para os dirigentes da SAD. Nem explicito razões por desnecessidade óbvia. 

Em 2º lugar, Leonel Pontes. Que desilusão na leitura de jogo e que falta de bom senso ao justificar a substituição de Vietto para defesa do jogador, que vinha de uma lesão. Pior de tudo, não foi capaz de assumir que errou nesse fatídico momento, apenas referindo superficialmente que não funcionou. Assim não tem condições para ser treinador do Sporting, talvez nem dos sub23. Constatou amargamente o que o estádio pensou, acertadamente, da escolha profundamente errada que fez. Aqui confirma-se que não há uma 2ª oportunidade para causar uma boa 1ª impressão.

Por último, a direção. Este grupo de jovens deve refletir profundamente sobre o caminho que está a tomar este falhanço de gestão da equipa profissional, rever métodos e avaliar o somatório de erros sucessivos, de pequenos a maiores, que tem cometido a outros níveis. Exige-se mais competência nas ações. Basta estar atento às redes sociais e/ou acompanhar o quotidiano do clube para perceber que falta coordenação, mas sobretudo conhecimento aprofundado do clube. Não podem gerir com complexo de que existem fantasmas do passado a assombrar o dia a dia, senão quando se derem conta estão num filme de terror. E informem. E comuniquem. E expliquem. Só fica bem e não dá azo à especulação e à desinformação. Não passem ao lado da realidade. Após um ano de mandato, acho que todos esperávamos mais. E não esqueçam, também aqui a humildade só fará bem. 

Nota final para os milhares de sócios que, numa 2ª feira, se deslocaram às 21 horas a Alvalade para, mais uma vez, sofrer e sair num desalento profundo sem ver luz ao fundo do túnel. São magníficos, somos os melhores adeptos do mundo, sentimos o Sporting de forma inexplicável. Merecíamos mais. Muito mais. Agora e sempre!

(PS- a lampionagem não é para aqui chamada. Por isso, não percam tempo com a costumeira boçalidade de alguns que aqui se exibem)

Um Benfiquista, um Portista e um... Sportinguista

Os três amigos encontraram-se numa tasca qualquer (uma verdadeira tasca, nada que ver com sítios da net com esse nome onde convergem uns marginais das teclas), à volta dumas imperiais e tremoços, e foram falando sobre tudo e mais alguma coisa, especialmente sobre os seus ódios de estimação.

Lá foi o Benfiquista com o papo cheio recitando a sua cartilha, defendendo o Vieira contra tudo e contra todos, e chutando tudo o que não interessava para canto. Lá foi o Portista tentando ridicularizar o Benfiquista, sempre capitalizando os triunfos do seu santo Pinto da Costa. E lá foi o Sportinguista, que disparando de vez em quando para um ou outro lado, só conseguia ter alguma atenção dos amigos quando se entretia a gozar e a insultar o seu presidente.

Infelizmente, é muito do que hoje em dia temos.

SL

Bofetada de luva... verde!

Após a estrondosa derrota do Sporting na Super Taça desabafei assim. Neste texto coloquei a hipótese de não frequentar o meu lugar, recentemente adquirido.

Mas como a emoção de adepto fala sempre mais alto que a razão, acabei por ir a Alvalade ver o jogo com o Rio Ave, faltando ao do Braga por razões de agenda.

Entretanto há dias, no centro da convulsão que foi o encerramento do mercado e as vendas de passes que o Presidente assumiu, escrevi isto.

Era o culminar de uma revolta, de um desânimo, de uma frustração. Eu sei que no Sporting passamos da euforia à depressão em menos de nada, mas esta última semana foi demais.

Foi necessário um texto simples, assertivo, coerente e profundamente sportinguista para me acordar deste sono torpe e doentio que me tem assolado nas últimas semanas.

Foi, por assim dizer, uma bofetada de luva… verde que recebi!

Muito obrigado Joana por me teres acordado e saudações leoninas!

Grunhos…

…ou, recordando Sophia, os novos abutres!

«O velho abutre

 

O velho abutre é sábio e alisa as suas penas

A podridão lhe agrada e seus discursos

Têm o dom de tornar as almas mais pequenas»

Sophia de Mello Breyner Andresen | "Livro Sexto", 1962

 

Todos nós, sportinguistas, estamos desgostosos com este início de época - não faltam exemplos neste espaço -, mas não se pode pactuar com isto.

Isto não representa o adepto do Sporting!

No (triste) reino do Leão

No universo leonino é mais ou menos consensual que em Portugal há uma espécie de organização com o intuito de retirar o Sporting do grupo dos clubes ditos grandes.

Percebe-se porquê… O dinheiro arrecadado pelo futebol em vez de ser dividido por três seria eventualmente distribuído por menos partes.

Bruno de Carvalho percebeu muito bem isso e depressa colocou um travão nas intenções originando ainda mais anti-corpos contra o Sporting. Todavia deitou tudo a perder com a sua postura recente.

Não consigo provar esta minha teoria, mas percebo, eu e todos os adeptos leoninos, que jornais, televisões e rádios tudo têm feito para menorizar o Sporting. Uma derrota do clube é uma desgraça, enquanto de outros são apenas acidentes de percurso.

Obviamente que este problema não é de hoje. Nem de ontem. Muito menos do tempo de Bruno de Carvalho. Será necessário esticar a memória até aos anos oitenta para se tentar perceber o que correu mal de forma a que chegássemos aqui neste lodo em que o Sporting está actualmente mergulhado.

As (más) contas do Sporting estão novamente na ordem do dia. As redacções editoriais devem banquetear-se com cada má notícia que envolva o emblema leonino. Imagino eu!

Do lado do clube continuam-se a dar constantes tiros nos pés. Ou são as contratações falhadas ou dispensas de jogadores provavelmente de melhor qualidade dos que estão, ou simplesmente a comunicação para o exterior que não funciona. Ou uma gestão, no mínimo, de vão de escada...

Diz o povo na sua imensa sabedoria: “em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão”. Este é assim o ambiente em Alvalade. Truculento, zaragateiro e venenoso.

Basta ver as assistências nos jogos para percebermos que o futebol leonino vive momentos drásticos. Eu próprio já assumi que esta época dificilmente irei novamente ao Estádio.

Ao invés do que calculei, as últimas eleições não trouxeram nem paz nem aplacaram os espíritos mais revoltados e revoltosos. Calculo que atirar para o anterior Presidente as culpas do que se está a passar agora pode parecer fácil, mas não me parece totalmente justo.

Terá Bruno de Carvalho procedido mal? Certamente! Terá ajuizado incorrectamente algumas situações? Com toda a certeza. Falou quando não devia? Muitas vezes.

No entanto relembro o que escrevi acima. O problema do Sporting vem de longe… de muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito longe!

Isto não é sportinguismo, tenham vergonha...

 

Se eu posso ir livremente assistir um filme, peça de teatro ou concerto acompanhado por qualquer pessoa, porque razão há-de ser diferente num jogo de futebol? Tenho bons amigos que são benfiquistas e portistas, com os quais partilho momentos agradáveis, mas para muito boa gente não é possível convidar um adepto de outro clube para Alvalade. Ou então terá que permanecer mudo e nem pensar em identificar-se com símbolos do seu clube.

A Zélia já havia deixado link para estas imagens que me envergonham enquanto sportinguista e pessoa civilizada que me considero. No zoo é que os animais precisam ficar separados, precisamente porque são selvagens. Se algo me mete verdadeiramente nojo no futebol hoje em dia, é o comportamento tribal dos adeptos, não importa a cor, muitos deles só vão ao futebol com palas nos olhos e ofendem tudo e todos com cor diferente da sua. Há muita gente que leva uma vida miserável e vai aos estádios para descarregar frustrações, é lamentável. Nunca me irão ver enjaulado em caixas de segurança seja em que estádio for, antes não ir ao futebol a ser tratado como animal.

Infelizmente ontem em Alvalade um adepto do Benfica que assistia pacificamente ao jogo ao lado do familiar sportinguista, viu-se obrigado a despir a camisola.

Ficaria bem ao nosso clube pedir desculpa à pessoa em causa e convidá-lo para assistir na tribuna à segunda-mão da eliminatória da taça de Portugal, porque o futebol não é a selva que alguns selvagens gostariam, como demonstram as vergonhosas imagens. Apelo à direcção que o faça o quanto antes.

Afirmarmo-nos diferentes e depois praticarmos isto, tenham vergonha...

Estranha maneira de "apoiar" a equipa

Os adeptos, diz-se, são "o 12.º jogador". Às vezes penso: é melhor não irmos por aí. Porque, em muitos casos - demasiados - os adeptos estão na primeira linha não do apoio mas do apedrejamento aos jogadores da própria equipa. 

Até, por vezes, enquanto duram os jogos. Mesmo os jogos que podem decidir títulos.

 

Exemplos? Aqui vai um, muito recente, recolhido de um dos principais blogues sportinguistas. Foram publicados sábado passado, enquanto decorria a final da Taça da Liga, que viria a ser ganha pelo Sporting. 

Mantenho a linguagem original, pedindo desde já desculpa às almas mais sensíveis.

 

«Jefferson é uma nódoa!»

«Raphinha a dormir…»

«Ristovski a fazer merda. Passe curto e amarelo.»

«Isto são profissionais??? Todos rotos!!!»

«Já estamos todos perdidos em campo.»

«Risto é muito precipitado e burro. Entre ele e Gaspar venha o diabo e escolha.»

«Não temos jogo nenhum. Foi um azar tirar Acuña.»

«O Jefferson é mesmo mau.»

«O Brahimi pega na bola e parece que está a jogar contra uns putos dos iniciados.»

«Este jeff puta que pariu.»

«O Ristovski não joga um caracol.»

«Peruada... Ganda Renan. Das Bosta também…»

«Filho da puta de frangueiro de merda. Filho da puta meu! Frangueiro de merda.»

«Frangueiro de merda! Nem no Feirense jogava. 4 guarda-redes e meia época a jogar com este sem braços de merda. Obrigado Cintra, obrigado Fivelas!»

«Bas Dost uma nulidade neste jogo…»

«Bas Dost serve como pino.»

«Estamos completamente rotos. Este mês vai ser o descalabro anunciado.»

«Jogadores que tenho na play station como Verghuis Keseru Mansilla Balbuena o gr Ochoa dariam jeito amigos ai se dariam.»

«Ó Keizer… faz as malas.»

«Não valemos uma merda! Zerinho!!!! Banho de bola do Braga, banho do Porto… enfim. Rumo ao 4/5 lugar.»

 

Tudo isto, repito, durante a final.

Merda de apoiantes estes. Piores que lampiões.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Televisão e outras cenas

O futebol português é um negócio sui-generis, onde os estádios estão às moscas e os cafés, pastelarias, bares e tascas enchem à hora dos jogos. Neste ramo de actividade, e sem que a Liga ligue o suficiente ao que se passa, os consumidores de futebol não dão dinheiro aos clubes, mas sim ao sector de restauração e bebidas. (Às televisões também, embora mesmo assistindo do sofá contribuam indirectamente para os proveitos dos clubes via valor da venda dos direitos de transmissão televisiva.)

 

O público que aí se concentra funciona como caixa de ressonância do que se passa num campo por vezes distante em muitas centenas de quilómetros. De facto, há todo um mimetismo a acompanhar este fenómeno: uma grande penalidade a favor da nossa equipa é usualmente comemorada com um “penalty” numa taça de vinho branco - a sua concretização merece logo um golo num cálice de Brandymel (o Santo Graal do “merchandising da bola” no seu estado líquido) - e o seu grau de conformidade, que no estádio envolve a figura do VAR, pode ser atestado por uma visita de um perito da ASAE. E todo o adepto impersonifica o treinador sentado no banco e emite comentários mais ou menos doutos e elaborados sobre o que vê e o que é preciso fazer, como se o simples acto de escovar os dentes e neles passar fio dentário numa base diária lhe desse automaticamente qualificação como estomatologista. Isto não acontece por acaso: é que, de todas as ciências, o futebol é a mais intuitiva, aquela em que o conhecimento se democratizou e se estendeu ao homem comum. Por exemplo, no que concerne aos sportinguistas, toda a gente sabe que em cada um de nós há um treina-(a)-dor. Também “olheiro”, ou membro do Scouting como agora pomposamente se diz, aparentemente qualquer um pode ser. Proponho até que se passe a designar de “zarolho”, principalmente a partir do momento em que um clube do sul de Itália (Nápoles) ultrapassou os nossos e foi o primeiro a ver valor num tal de Carlos Vinícius que jogava no Real (Massamá) e agora anda por aí, emprestado ao Rio Ave, a levantar as redes adversárias, perante alguns defesas que mais valia se dedicarem à pesca, de tal maneira são infernizados em terra por esse dianteiro brasileiro.

 

Tal como nos filmes, é da ilusão de se estar lá dentro que se faz o sortilégio do futebol. Disso e de se fazer parte de algo grandioso, maior do que nós e do que as nossas vidas, razão pela qual em Portugal (Guimarães talvez seja a excepção) quase todos escolhem um “grande” como clube da sua paixão (razão?), mesmo que o estádio do clube da nossa cidade esteja ali ao virar da esquina.

Passada esta introdução, esta noite o Sporting desloca-se a Tondela, uma cidade do distrito de Viseu com cerca de 29000 habitantes e um clube na Primeira Liga. Ao contrário da época de 2016/17, em que após uma viagem acidentada de carro, que envolveu o rebentamento de um pneu a cerca de 200 km/h (os senhores da Brigada de Trânsito queiram fazer o favor de saltar esta parte) e a concomitante impossibilidade de degustação prévia de um leitãozinho, ainda assim observei os leões a vencerem ao vivo os tondelenses, em Aveiro, com um golo marcado nos últimos minutos por Adrien e, no fim, celebrei…a vida - e de uma noite longa (golo de Coates aos 98 minutos) na temporada passada em que acabei com um nó no estômago e quase agarrado ao desfibrilador - , desta vez o jogo disputar-se-á no estádio João Cardoso, em Tondela, e eu, com essas emoções fortes ainda bem presentes (e de novo sem leitão), irei optar pelo conforto do sofá cá de casa para acompanhar a partida através das imagens, que não os sons, que me chegarão por via da SportTV. Que venha a décima (vitória de Keizer)!

Cambada de imbecis

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Temos um plantel cheio de lacunas (um dos mais fracos laterais direitos da nossa última década, um lateral esquerdo adaptado à posição, só um ponta-de-lança digno desse nome, nenhum médio defensivo de raiz no onze titular). Na quinta-feira, em Alvalade, actuámos com dois jogadores vindos de lesão e sem o nosso melhor elemento, ausente por castigo.

Já jogámos esta época em três dos quatro estádios dos adversários mais fortes: falta-nos apenas ir ao Dragão.

Mesmo assim seguimos, isolados, no segundo lugar do campeonato, continuando a depender só de nós. Vencemos nove dos dez jogos disputados sob o comando do novo treinador.

 

Alegria entre os adeptos? Quase nenhuma.

Li o que se foi escrevendo por essa blogosfera leonina e pelos adeptos do Sporting nas redes sociais e fiquei com a sensação de ter visto um jogo diferente do que viram. Refiro-me ao que travámos na quinta-feira frente ao Belenenses SAD, que já venceu o Benfica, encostou o FC Porto às cordas e chegou a Alvalade com nove dos 11 jogadores titulares poupados pelo técnico no desafio anterior, para a Taça da Liga.

Renan? É frangueiro. Coates? Mais lento que William Carvalho (antigo alvo de estimação). Acuña? Tem paragens cerebrais. Gudelj? Só sabe jogar para trás. Miguel Luís? Demasiado inexperiente. Diaby? Nunca devia ter vindo.

Quem ouça ou leia estas carpideiras fica com a sensação de que o Sporting perdeu ou foi até goleado pela turma da SAD pasteleira treinada por Silas. Nada disso: vencemos, amealhámos mais três pontos, somamos 36 em 14 jornadas do campeonato.

 

Típica nota de masoquismo sportinguista: faz parte da nossa identidade, este péssimo costume de dizer mal de tudo quanto é nosso.

Mas o que eu acho mesmo imperdoável é verificar que - uma vez mais - centenas de alegados adeptos leoninos vaiaram neste jogo mais recente esse grande jogador que é o Nani. Filho da casa, formado entre nós, campeão europeu em título. Um dos mais inteligentes e experientes profissionais de futebol a actuar em Portugal.

Assobiam-no em vez de o aplaudirem por terem o privilégio de vê-lo actuar ao vivo - e ainda dizem ser do Sporting. Cambada de imbecis.

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