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És a nossa Fé!

Armas e viscondes assinalados: Três pontos em depressão frontal

Sporting 1 - Santa Clara 0

Liga NOS - 26.ª Jornada

15 de Março de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Esteve sempre no sítio certo nos raros remates do Santa Clara, segurando tudo menos o mais perigoso, ainda com o marcador a zeros, que foi desviado para canto pelas costas de Ristovski. Menos solicitado a fazer lançamentos longos que tende a ser habitual, visto que o adversário não é dado a pressões, tentou não fazer asneiras com a bola nos pés.

 

Ristovski (3,0)

Além de ter impedido o golo do Santa Clara com as suas costas largas, mesmo sem combinar às mil maravilhas com Raphinha, claramente influenciado pelo individualismo reaganiano dos pais, o lateral-direito macedónio foi um dos aceleradores da equipa, executou cruzamentos que poderiam ter surtido melhor efeito se alguém tivesse ido resgatar o Bas Dost do passado recente e vigiou quase sempre de forma muito competente alguns dos elementos mais competentes do plantel açoriano.

 

Coates (3,0)

Teve uma noite mais normal do que tem sido comum, concentrando-se na missão de cortar lances de perigo do Santa Clara. Assim fez, com o zelo que lhe é habitual, tendo o golo de Raphinha evitava aquele registo em que começa por construir jogadas de contra-ataque e quando se dá por isso passou a ser o segundo ponta de lança leonino.

 

Mathieu (2,5)

Uma perda de bola à entrada da grande área poderia ter estragado de vez uma exibição menos bem conseguido do central francês, ainda que também tenha ficado perto de marcar num livre directo em posição frontal.

 

Borja (2,0)

Durante a primeira parte foi o pior jogador do Sporting, parecendo diversas vezes perdido no relvado e sem saber o que fazer com a bola. Quando parecia fixar-se como terceiro central, prometendo mais do que o lateral-esquerdo, Keizer abdicou da sua permanência.

 

Idrissa Doumbia (3,5)

Recebeu a titularidade apenas devido à suspensão de Gudelj, e desde o apito inicial vincou as diferenças em relação ao sérvio. Nomeadamente naqueles detalhes de ganhar a posse aos adversários, acelerar o meio-campo e avançar para a grande área do adversário com a bola controlada. Capaz de melhorar a equipa do Sporting com a sua presença, Idrissa Doumbia viu-se mesmo assim substituído a meio da segunda parte, fazendo adivinhar que na deslocação a Chaves poderá voltar a ficar sentado no banco.

 

Wendel (2,5)

Muito rendilhou no meio-campo, suprindo incapacidades alheias (sobretudo as de Borja) e procurando posicionar-se para o que desse e viesse. Numa dessas ocasiões, servido por Raphinha em posição frontal, fez um remate fraco à baliza. Na segunda parte continuou a trabalhar muito, sem conseguir disfarçar o cansaço para todos os presentes no estádio tirando Marcel Keizer, que preferiu tirar Idrissa Doumbia na hora de refrescar a equipa.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Tal como os romanos nada fizeram pelos judeus de “A Vida de Brian” tirando o aqueduto, as estradas, a numeração ou os tribunais, também o jovem capitão nada fez pelo Sporting tirando a assistência para o golo de Raphinha ou outra assistência com que o brasileiro ficara perto de inaugurar o marcador. Numa noite menos bem conseguida, na qual os remates de longe saíram sempre à figura, quando não para as bancadas, Bruno Fernandes viu-se muitas vezes manietado pelas pernas dos adversários. Aqueles que, no apurado critério do árbitro Manuel Oliveira, terminaram o jogo com metade dos cartões amarelos exibidos aos futebolistas da casa.

 

Raphinha (3,5)

Marcou o golo que valeu três pontos praticamente caídos do céu, impedindo o guarda-redes Marco de lhe voltar a roubar os festejos, num dos remates com que procurou concretizar a sua missão de agitador do ataque do Sporting. Logo na primeira parte ficou na retina de todos uma jogada em que entrou na grande área do Santa Clara, rodeado de adversários, servindo Wendel para o que poderia ter sido mais do que uma ocasião de golo.

 

Acuña (3,5)

Facto: o Sporting conseguiu a vitória miserável que lhe valeu três pontos indistintos de outros eventuais três pontos conquistados através de uma ainda mais eventual grande exibição porque o argentino executou um lançamento de linha lateral, no limite da força dos braços e aproveitando o posicionamento de Bruno Fernandes, muito adiantado em relação à defesa do Santa Clara. Por essa altura do cronómetro já voltara a ser lateral-esquerdo, sem abrandar minimamente o ritmo e o ímpeto, pois aparentar ser algo que lhe está no sangue. Talvez pudesse fazer umas quantas transfusões aos colegas...

 

Bas Dost (1,5)

Começou trapalhão e desinspirado, travando jogadas de contra-ataque e fazendo remates inofensivos, mas com o passar do tempo deixou cair os braços até ao ponto de fazer figura de corpo presente no relvado. Mas ainda assim continuou até ao apito final, numa demonstração de solidariedade do compatriota que é pago para escolher os melhores jogadores do Sporting. 

 

Diaby (1,5)

Entrou para trazer velocidade ao ataque, à medida que o nulo no marcador começava a eternizar-se, mas nada de bom trouxe à equipa. Nem as arrancadas nem o toque de bola justificaram a sua presença no relvado. Quiçá mesmo no estádio.

 

Miguel Luís (2,0)

Voltou a ser aposta, muito tempo após marcar um belíssimo golo e emocionar o avô, mas também não conseguiu melhorar o desempenho do Sporting.

 

Marcel Keizer (2,5)

É impossível que não tenha visto que Idrissa Doumbia é melhor solução do que Gudelj? Veremos no próximo jogo, mas ninguém deverá apostar muito dinheiro na presença do sérvio no banco. Também o regresso de Bas Dost ao onze titular só não merece maiores reparos devido à horrível exibição de Luiz Phellype no jogo com o Boavista, tornando claro que se o Sporting conseguir melhor do que o quarto lugar praticamente assegurado será apenas graças a uma conjugação feliz dos astros e ao valor de algumas das suas peças, com Bruno Fernandes, Acuña, Raphinha e Coates à cabeça. Muito pouco para o orçamento e, sobretudo, para a dimensão da equipa treinada por um homem que, semana após semana, reconhece ser necessário jogar melhor. Mas demora a consegui-lo, tal como voltou a nem sequer conseguir fazer a terceira substituição (Jovane Cabral chegou a tirar o fato de treino...) antes do apito final.

Armas e viscondes assinalados: Três pontos certos por linhas tortas

Boavista - Sporting

Liga NOS - 25.ª Jornada

9 de Março de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

Sofrer o golo do costume logo ao terceiro minuto, da primeira vez em que o Boavista se acercou da sua baliza e sem responsabilidade no funesto acontecimento, retirou ao guarda-redes brasileiro a habitual pressão da inevitabilidade dessa ocorrência. Mais solto e mais seguro, fez frente aos adversários no resto do jogo, concedendo-lhes escassas veleidades, ao ponto de na segunda parte pouco mais fazer além de umas saídas a cruzamentos.

 

Ristovski (2,5)

Responsável moral em primeiro grau da desvantagem madrugadora, sendo tragicamente incapaz de afastar a bola semeada pelo abominável Luiz Phellype, nunca mais teve influência preponderante no relvado. Até porque Raphinha tende a ser um “one man show” na ala direita.

 

Coates (3,5)

Começou a celebrar o jogo 150 de verde e branco na Liga NOS, meta que dificilmente tão cedo será atingida por um futebolista do Sporting, da pior forma: uma escorregadela impediu-o de chegar a tempo à bola oferecida por Luiz Phellype ao jogador do Boavista que assistiu o colega para o 1-0. Em vez de correr atrás do prejuízo, o uruguaio fez com que outros corressem, apostando em passes longos tão bem calibrados quanto desaproveitados. Também mostrou ser o melhor cabeceador do actual Sporting, fazendo a bola passar a centímetros do poste direito - na segunda parte, para desenjoar, fez a bola passar a centímetros do poste esquerdo -, antes de perceber que teria de ser ele a salvar a equipa. Tantas e tão boas foram as incursões pelo meio-campo adversário que Coates liderou o ranking de dribles (seis), sucedendo-se slalons como aquele em que serviu Raphinha para um remate contra um adversário que permitiu a Bruno Fernandes tentar marcar de bicicleta. Ninguém mais do que Coates, um capitão sem braçadeira que já voltou a ser o ponta de lança de recurso em que se tornara no ocaso de Jorge Jesus, merecia os três pontos literalmente caídos do céu.

 

Mathieu (3,0)

É muito possível que esteja de saída, regressando à terra natal para terminar a carreira, mas enquanto não chega essa funesto dia o francês tratou de recordar os sportinguistas que ainda ali está. Tanto a cortar o pouco perigo que o Boavista causou depois do golo como a lançar colegas no ataque.

 

Borja (2,5)

Muitas vezes cruzou para a grande área do Boavista, sem particulares consequências, pois Luiz Phellype foi quase tão ausente quanto Bas Dost, demonstrando uma capacidade de desmarcação ainda assim menos impressionante do que as suas deficiências no jogo de cabeça, pelo que qualquer tentativa de alívio tanto pode ir parar à linha lateral como aos pés de um adversário. Saiu de campo quando Marcel Keizer acordou e percebeu que os três pontos nunca mais apareciam.

 

Gudelj (2,5)

Os adeptos mais cínicos esfregaram as mãos quando o sérvio chocou de cabeça com um adversário, mas o rápido regresso ao relvado só permitiu um suspiro quando João Pinheiro foi buscar ao bolso o cartão amarelo muitas vezes esquecido nas “entradas viris” dos jogadores do Boavista, afastando Gudelj da recepção ao Santa Clara. Ao longo de noventa e tal minutos pouco fez de muito grave, ainda que uma rara tentativa de acelerar o jogo o tenha motivado a executar uma trivela directa para a linha lateral.

 

Wendel (2,5)

Ninguém consegue convencer o treinador de que o jovem brasileiro está cansado e necessita de alguma gestão de esforço. Mas não se pode culpar Wendel disso, pois não disfarçou as dificuldades em manter um ritmo elevado, para alegria dos boavisteiros que tão cedo se viram em vantagem. Não por acaso, o meio-campo leonino ficou a carburar melhor após a sua saída.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Começou por dar menos nas vistas do que é habitual, vendo-se obrigado a compensar a falta de fulgor dos colegas de meio-campo. Mesmo assim fez alguns passes longos extraordinários e mostrou-se disposto a ajudar tanto a defesa quanto o ataque. Depois do intervalo assumiu a responsabilidade que lhe pesa nos ombros, rematando sempre que teve oportunidades e preparando o guarda-redes do Boavista para o que lhe estava reservado. Bem tentou Bracalli evitar que o Sporting saísse dali com três pontos, defendendo mesmo o notável pontapé de bicicleta com que Bruno Fernandes quase fez o 13.° golo nesta edição da Liga NOS. Para o capitão dos leões, cujo rosto inquieto espelha o momento da equipa, coube a responsabilidade de cobrar o pénalti assaz duvidoso que valeu a vitória, três pontos e a manutenção da luta pelo terceiro lugar.

 

Raphinha (3,0)

Melhor jogador leonino no um contra um, o extremo brasileiro fez o que quis dos adversários no lance do 1-1, terminado com um cruzamento que Edu Machado desviou para o fundo das redes. Velocidade e capacidade de drible para dar e vender poderiam ser compensadas com maior frieza na hora de alvejar a baliza e critério nos cruzamentos. Mas o certo é que, por motivos que só João Pinheiro e o VAR podem explicar, foi-lhe concedida a grande penalidade fora do tempo regulamentar que permitiu ao Sporting conquistar três pontos merecidos.

 

Acuña (3,5)

Edu Machado roubou-lhe o “golo de m...” com que se aprestava a empatar o jogo, aparecendo à ponta de lança na pequena área. Seria um prémio adequado para o argentino, desta vez posicionado como extremo-esquerdo, mais uma vez um oásis de engenho e empenho entre a rapaziada ouçam lá o que eu vos digo. Não só urdiu inúmeras jogadas na esquerda, mesmo depois de recuar para lateral, na sequência da saída de Borja, como demonstrou várias vezes que é quase impossível tirar-lhe a posse de bola sem recurso a falta. E nesses casos provou que mudou o “chip”, sofrendo múltiplos atentados à sua integridade física sem responder na mesma letra aos perpetradores ou invectivar o árbitro que a tudo dizia “siga”.

 

Luiz Phellype (1,5)

O festival começou bem cedo, com um desvio de cabeça destrambelhado que só é menos responsável pelo golo do Boavista do que o seu posicionamento ainda mais destrambelhado no interior da pequena área, permitindo que o autor do tento ficasse em posição legal. Pior do que isso só mesmo a prestação ofensiva do substituto de Bas Dost, oscilando entre o alheamento e o escandaloso. Assim foi o cabeceamento ao poste, a dois metros da baliza e com Bracalli batido, acorrendo ao desvio de Raphinha. Na segunda parte esteve mais discreto, sendo sobretudo autor de faltas atacantes que só João Pinheiro conseguiu percepcionar, recorrendo ao mesmo sexto sentido que lhe permitiu marcar aquela grande penalidade. Se Luiz Phellype não consegue fazer melhor do que isto quando substitui Bas Dost será melhor o Sporting começar a entrar em campo com dez jogadores.

 

Idrissa Doumbia (2,5)

Entrou para acelerar o meio-campo e só não cumpriu melhor o objectivo porque Diaby se recusou terminantemente a combinar com ele. Na sexta-feira receberá a titularidade, a não ser que Keizer leve a sua predilecção por Gudelj ao extremo e prefira perder na secretaria a prescindir do seu fetiche balcânico.

 

Diaby (1,5)

Conseguiu ser tão trapalhão em 15 minutos quanto Luiz Phellype no jogo inteiro. Mas ainda poderia ser sido o herói do jogo num universo em que a sua execução não fosse lenta o suficiente para que dois - atente-se no detalhe de ter sido mais do que um - adversários desviassem para canto uma oportunidade de golo.

 

Marcel Keizer (2,5)

Fez um “mind game” a si próprio, convocando quatro centrais sem aparente intenção de adoptar o sistema de três centrais. Cometida a surpresa do 4-3-3, desfeita pela desvantagem logo aos três minutos, tendo apenas um português no onze inicial e nenhum da formação que supostamente chegou para estimular, o holandês observou placidamente como os seus jogadores ganharam natural ascendente e desperdiçaram uma quantidade de oportunidades que também começa a ser natural. Deixando as substituições para o último quarto de hora, apesar de Gudelj e Wendel parecerem substituíveis desde o início do jogo, Keizer recebeu o brinde de uma grande penalidade para lá de questionável, mantendo-se a três pontos do terceiro lugar e ampliando para dez a vantagem para o quinto. Quase desfez a mancha de não ter nenhum “made in Alcochete” em campo, mas João Pinheiro apitou para os balneários antes de Jovane Cabral poder tirar proveito do meio minuto que lhe estava reservado.

ADN de Campeão

Já dizia Jorge Jesus que esta coisa do ADN de Campeão não surge do nada, constrói-se, é preciso muito tempo e muito esforço para ele surgir e demostrar o que vale. Já dizia também alguém que construir demora muito, destruir quase nada, e o destituido encarregou-se do assunto no que ao futebol diz respeito a partir do sofá.

Vem isto a propósito de ter ido ao Pavilhão João Rocha ver a nossa brilhante equipa de andebol estar quase todo o tempo a perder e acabar a ganhar ao concorrente directo ao título, o Porto, e chegar a casa e ver o mesmo Porto a ganhar a 3 minutos do fim ao Roma e ganhar quase tantos milhões quantos nós vamos ter com um fundo qualquer, é a triste situação em que nos deixou o dito cujo. E nessa magnífica jornada de andebol até estava um jogador de futebol na bancada, o Acuña, lá com o seu chazinho de mate e acompanhado daquela senhora que indispôs a mana do tal destituído, suspenso e em breve expulso.

E fiquei a pensar se haveria algum ponto comum ou semelhança entre esta nossa brilhante/fantástica, o que quiserem, equipa de andebol, a equipa do Porto que conseguiu a passagem à eliminatória seguinte no prolongamento e a nossa actual tristonha e deprimente equipa de futebol profissional. 

Se calhar existe. Renan, Coates, Mathieu, Acuña, Bruno Fernandes, Bas Dost e o lesionado Battaglia têm aquela coisa que falta para dar "a extra mile" e conquistar. Já o demonstraram. Outros havia, mas o destituído correu com eles. Adrien e Patrício à cabeça. 

Por muito que aposte na formação, olho para todas as promessas actuais e parece que lhes falta muita coisa. Um tal Mama Baldé é a excepção.

Não será possível manter estes, pagando o que for preciso, ir buscar mais uns iguais a estes, já temos outros que não são estes mas que fazem umas flores de vez em quando, e ter um treinador que consiga extrair o melhor de todos eles, e fazer do todo uma coisa maior do que a soma das partes, como consegue um tal Canela no andebol ?

E mandar embora os emplastros que abundam no plantel? E não trazer mais porque sim?

Ou é pedir muito?

E ainda há quem fique incomodado com 1,6M€ para o Bruno Fernandes ficar? Ou o que custou a permanência de Acuña e Battaglia? Comparado com o que custaram Viviano e B. Gaspar, dois emplastros de todo o tamanho?

SL

Armas e viscondes assinalados: Novas oportunidades mesmo no final do jogo

Benfica 2 - Sporting 1

Taça de Portugal - 1.ª mão da Meia-Final

6 de Fevereiro de 2019

 

Renan Ribeiro (2,5)

Voltou a quase defender um golo do Benfica, pois ainda tocou na bola rematada por Gabriel, mas não evitou ser vítima de fogo amigo, sofrendo um segundo tento por inteira culpa de Tiago Ilori. Curiosamente, depois da tempestade que o assolou em Alvalade, teve um jogo de (relativa) bonança na Luz, pois as suas principais defesas foram facilitadas pela pontaria dos adversários e uma saída da baliza assaz disparatada, logo após o 1-0, não teve consequências graves.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Desta vez não foi o pior em campo, algo que já é digno de nota. Denotando as limitações técnicas que lhe servem de marca de água, concentrou-se o bastante para não afundar a equipa. Mesmo ajudando pouco ou nada no ataque, tem mais razões de queixa de Jovane Cabral do que o jovem extremo terá razões de queixa dele.

 

Coates (3,0)

A inteligência do uruguaio salvou a equipa de um pénalti ao cair do pano, quando agarrou um adversário que escapava para a baliza mesmo antes de este chegar à grande área. Numa noite de muito trabalho, com mais um novo colega de eixo defensivo ao lado, evitou um 2-0 madrugador ao substituir-se ao despassarado Renan Ribeiro. E mais uma vez não lhe faltou força e vontade para pegar na bola e avançar pelo terreno quando mais ninguém o fazia. Resta saber quem o fará no domingo, em Santa Maria da Feira, pois estará a cumprir um jogo de castigo.

 

Tiago Ilori (1,5)

Foi quem teve de pagar pelas incendiárias palavras proferidas pelo comentador Jorge Andrade na RTP3, vendo um cartão amarelo ao segundo minuto por fazer uma falta sobre João Félix em que a nova coqueluche do Benfica demonstrou que se isto do futebol não correr assim tão bem pode matricular-se na Escola Superior de Teatro e Cinema. Tão mau arranque não desanimou o central regressado ao Sporting, e Ilori até fez um ou outro corte assinalável, mas na segunda parte foi o descalabro. Pouco depois de permitir um cabeceamento de Ruben Dias no coração da área, ao melhor estilo de André Pinto, aproveitou a assistência de João Félix para fazer um autogolo que lhe fez cair o queixo e poderia ter sido o início de uma goleada não fosse o esforço final dos colegas.

 

Borja (2,5)

Estreou-se em circunstâncias difíceis, e durante longos e penosos minutos parecia um violinista talentoso contratado para a orquestra do Titanic. O colombiano demonstrou possuir técnica e velocidade, mas o verdadeiro teste será nos jogos vindouros, sobretudo se um dos melhores jogadores do plantel tiver mesmo de roer a rolha da garrafa do rei da Rússia.

 

Gudelj (2,0)

É difícil aceitar que não tenha confiança e rasgo para sequer fingir que sabe sair com a bola. Na vigilância aos adversários esteve ligeiramente melhor, mas parece cada vez mais o principal (ainda que não único) responsável pelo baixo desempenho do meio-campo do Sporting.

 

Wendel (2,0)

Não deixa de ser estranho, mas é a mais pura verdade: tivesse o jovem brasileiro demonstrado o mesmo discernimento a rematar que teve nas movimentações e o Sporting teria saído do Estádio da Luz com um empate ou mesmo uma vitória mais contra a corrente do jogo do que a desova dos salmões. Desaparecido numa primeira parte de intenso domínio encarnado, Wendel correspondeu a um passe brilhante de Acuña, tendo pela frente apenas Svilar, mas nem na baliza logrou acertar, tal como alguns minutos mais tarde rematou ao lado do poste, servido por Luiz Phellype em posição frontal. Acabou por sair mais cedo, numa altura em que Marcel Keizer optou pelo 4-4-2.

 

Bruno Fernandes (3,5)

Forçado a jogar mais recuado, não só para conter o adversário mas porque alguém tem de sair com a bola e a ausência de Mathieu torna gritante a falta de apetência de Gudelj para tais afazeres, foi dos menos maus na primeira parte, rematando forte mas à figura de Svilar. Quando o Sporting começou a procurar dar a volta ao jogo, já com dois golos de desvantagem, contribuiu de forma decisiva para que o regresso dos leões ao Jamor seja mais do que uma miragem. Nem o facto de Svilar ser um dos exemplos acabados da fábrica de fazer sobrevalorizados que existe no Benfica desvaloriza a magia de um livre directo que só está ao alcance dos enormes jogadores. Sobretudo dos enormes jogadores que são mesmo enormes e não caem ao chão, exigindo faltas e amarelos, de cada vez que uma rajada de vento sopra por perto.

 

Jovane Cabral (2,0)

Recuperou a titularidade e pouco fez com ela. Muito lento a reagir no lance do primeiro golo, deixou Bruno Gaspar sozinho na direita e estendeu a passadeira para que Gabriel rematasse. Incapaz de ultrapassar os adversários em drible, nomeadamente Grimaldo, não conseguiu fazer melhor do que um passe atrasado para Bruno Fernandes encher o pé. Mantido no relvado mais tempo do que merecia, saiu sem glória nem proveito.

 

Acuña (3,5)

É um dos grandes jogadores do plantel, seja em que posição for. Após lutar contra o marasmo generalizado da primeira parte leonina, na qual não se esqueceu de sublinhar em altos decibéis a dualidade de critérios do árbitro (que, por uma vez, se esqueceu do argentino ao distribuir cartões), fez uma bela segunda parte. Na retina ficou o passe assombroso a que Wendel se encarregou de retirar o valor acrescentado de um 1-1 ou um lance em que apareceu junto à baliza contrária, como se tivesse sido adaptado a ponta de lança, e terá sido carregado por um adversário quando se preparava para cabecear - ou pelo menos assim foi numa realidade paralela em que um lance desses pode dar direito a pénalti contra o Benfica em pleno Estádio da Luz. Se este tiver sido o seu último jogo deixará (muitas) saudades.

 

Luiz Phellype (2,5)

Esteve a um passo de roubar a bola a Svilar num lance em que a encarnação de uma célebre personagem da televisão nos anos 70 - só que com luvas e um género diferente nos documentos de identificação  – teve mais um daqueles excessos de confiança que animam os adversários do Benfica. Sempre muito sozinho, fez o que pôde e a forma como ofereceu posição de remate a Wendel merecia melhor aproveitamento. Tal como a breve aposta no 4-4-2 merece ser testada noutro tipo de jogo.

 

Diaby (2,5)

Entrou com a missão de agitar o ataque leonino e, sem ser minimamente brilhante, conseguiu fazê-lo bem melhor do que o mais lento Jovane Cabral.

 

Bas Dost (2,0)

Ainda meteu a bola no fundo das redes, mas o árbitro assinalara antes uma daquelas faltas ofensivas fora da pequena área que constam da apólice de seguros da equipa da casa.

 

Raphinha (-)

Sem tempo para mostrar nada.

 

Marcel Keizer (2,5)

Arriscou nos reforços de Inverno, acabando por ser traído pela confiança em Ilori, e depois de um período inicial de domínio sufocante viu os seus jogadores equilibrarem minimamente o jogo. Ainda que não raras vezes aparente estar desnorteado no banco de suplentes acertou nas substituições, como sempre tardias, e fica a dever a Bruno Fernandes mais meia garrafa de oxigénio, essencial para preparar a visita de um grupo descrente e pouco organizado de jogadores ao Feirense e a recepção a um Villarreal que ainda está em piores lençóis do que o Sporting. Para Abril fica a segunda mão que lhe pode dar acesso à segunda final de uma taça.

Reforços ou nem tanto (parte 3)

A poucos dias de fecho do mercado, e com a grande dúvida ou não de Acuña (passou muito ao lado da festa, os colegas bem puxaram por ele, mas parece estar mesmo de saida), vai-se conhecendo a esperada arrumação de casa no plantel do Sporting:

Saem: Viviano (GR), Marcelo (DC), Lumor (DE), Misic (M), Bruno César (M), Mané (E),  possivelmente Castaignos (PL) e (que pena) Acuña (DE/E).

Entram: Ilori (DC), Borja (DE), Doumbia (M), Francisco Geraldes (M), Luiz Phellype (PL)

Plantel emagrecido, mais jovem, menos despesa, mais peso da formação, tudo coisas boas, mas... plantel reforçado?  Tenho dúvidas...

Entretanto os milhões das rescisões continuam em parte incerta, Patrício e William ajudaram o presidente na resolução do problema no que respeita a cada um deles, mas os restantes continuam bem complicados. A falta de rendimento do Gelson Martins no Atlético Madrid tambem em nada ajudou.

Vamos ver o que acontece ainda até ao fecho do mercado.

SL

Pódio: Acuña, Bruno, Coates, Mathieu

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Sporting-Moreirense pelos três diários desportivos:

 

Acuña: 17

Bruno Fernandes: 16

Coates: 16

Mathieu: 16

Nani: 15

Ristovski: 15

Gudelj: 13

Renan: 13

Raphinha: 12

Wendel: 12

Diaby: 11

Bas Dost: 10

Petrovic: 6

 

O Jogo e A Bola elegeram  Acuña  como melhor em campo. O Record optou por  Bruno Fernandes.

Armas e viscondes assinalados: Provavelmente a pior vitória da temporada

Sporting 2 - Moreirense 1

Liga NOS - 18.ª Jornada

19 de Janeiro de 2019

 

Renan Ribeiro (3,0)

O desvio atabalhoado para canto de um cruzamento-remate, quando o jogo caminhava para o seu triste fim, foi a principal intervenção do brasileiro, quase sempre limitado a reposições de bola. Também sofreu um golo, sem grande culpa, restando-lhe a compensação de que os três jogadores leoninos que estiveram melhor (Coates, Mathieu e Acuña) do que os marcadores dos dois golos que valeram esta tristonha vitória tiveram maiores responsabilidades nesse lance.

 

Ristovski (3,0)

Atrapalhou-se com a bola duas vezes quando poderia ter entrado com perigo na grande área do Moreirense, mas deve-se-lhe o remate que ajudou Bruno Fernandes a fazer o 2-0, bem como um excelente cruzamento que demonstrou a presente propensão de Bas Dost para encaminhar para fora da baliza qualquer bola que receba frente à baliza.

 

Coates (3,0)

Fez uma assistência de longa distância para o golo de Raphinha no universo alternativo em que Rui Costa e João Capela não foram escolhidos para serem o árbitro e videoaárbitro de um jogo em que o Sporting se arriscou a perder pontos para os três primeiros classificados. Também fez os cortes do costume, ainda que por vezes assaz aquém de perfeitos nas bolas altas, e contribuiu para que o desnorte da segunda parte não tivesse piores consequências.

 

Mathieu (3,5)

Desta vez não alvejou a baliza adversária, até porque Rui Costa só marcou (e ainda assim raramente) faltas contra Moreirense a uma distância segura da baliza dos visitantes. Dedicou-se a desarmes arriscados na grande área e a tentar suprir as insuficiências de colegas do meio-campo na construção de jogadas.

 

Acuña (4,0)

Teve um ataque de fúria quando o colega Petrovic o desarmou no instante em que se preparava para fazer o 3-1, mesmo na última jogada, e esse momento insólito serve de metáfora perfeita para um jogo em que o argentino pareceu estar num plano diferente do que a esmagadora maioria dos colegas. Além de marcar o canto que resultou no primeiro golo e de fazer o cruzamento para Diaby cabecear, o guarda-redes defender para a barra e o 2-0 aparecer dentro de momentos, manteve um ritmo alucinante ao longo de noventa e tal minutos, mostrando-se impecável na abordagem a todos os lances à excepção de um corte na grande área que só não deu pénalti porque João Capela deveria estar a ver o que se dizia na CMTV acerca do destino do “hacker do Benfica”. Se o Zenit contratar o internacional argentino no fecho do mercado de Inverno será a pior afronta que russos fazem ao Sporting desde que o CSKA Moscovo venceu a final da Taça UEFA em Alvalade.

 

Gudelj (1,5)

O melhor momento da sua exibição foi o amarelo que o exclui da visita a Setúbal, próximo compromisso após o jogo ou jogos para a ‘final four’ da Taça da Liga. Desfasado do jogo, incapaz de colaborar na construção de jogadas e com frequentes atrasos nas movimentações, pecou pelo tipo de falta de agressividade na disputa de bolas que certamente será motivo para perda de nacionalidade se a constituição da Sérvia for como deverá ser. Voltou a subir no terreno quando Petrovic voltou a saltar do banco de suplentes, sem bons resultados.

 

Wendel (2,0)

Falhou na missão de acelerar o meio-campo leonino e limitou-se a lutar, raramente com muito critério, não obstante uma ou outra arrancada para contra-ataques que não resultavam em nada. Saiu muito cansado e talvez seja melhor alguém recordar ao treinador que Miguel Luís e Francisco Geraldes podem ser utilizados ao longo do ciclo infernal de jogos que vem a caminho.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Marcou um golo que deverá ser mostrado a Bas Dost e outros colegas para que aprendam como se faz uma recarga quando o guarda-redes teve que se atirar ao relvado. E fez por servir os colegas em diversas ocasiões, sem que os passes lhe saíssem tão bem quanto é costume. Embora a má forma de alguns desses colegas também possa explicar o baixo aproveitamento.

 

Nani (2,5)

Começou com um prenúncio de exibição de gala, inaugurando o marcador aos três minutos, num raro golo de cabeça. Pena que tenha começado a perder gás minutos mais tarde, abusando da lentidão responsável pela morte de mais jogadas do que os japoneses matam baleias. Foi substituído a meio da primeira parte e o melhor elogio que se lhe pode fazer é que não estava a ser o pior do Sporting.

 

Diaby (2,0)

Um cabeceamento para defesa incompleta que deu origem ao 2-0 foi o melhor que o maliano fez num jogo em que a sua titularidade em detrimento de Raphinha é um mistério comparável ao que seria a sua presença no banco em detrimento de Jovane Cabral. As insuficiências técnicas voltaram a ser gritantes - o melhor exemplo foi o modo como (des)controlou a bola ao receber uma abertura extraordinária do recém-entrado Raphinha -, e a quantidade de dinheiro paga pelo seu passe só não é o pior acto da gestão de Sousa Cintra porque se lembrou de incluir uma cláusula de venda escandalosa no empréstimo do jovem central turco Demiral, afastado do plantel principal para que Marcelo pudesse ficar.

 

Bas Dost (2,0)

Mais uma demonstração de que o melhor avançado de Dezembro ainda não entrou em 2019. A única ocasião de golo que teve foi transformada num desvio para longe da baliza, na melhor triangulação que fez estava (mesmo) em fora de jogo, e foi numerosas vezes displicente nas disputas aéreas, as quais têm sido o seu título de Miss Simpatia quando não cumpre nos desfiles de finalização. Ficou muito irritado quando os irmãos Arbitralha ignoraram o empurrão nas costas que sofreu à entrada da grande área no instante em que ia receber isolado o cruzamento de Diaby, mas seria mais pedagógico e construtivo ficar irritado com o cidadão holandês que lhe aparece no espelho.

 

Raphinha (3,0)

Poderia ter esmorecido ao ver-se relegado para o banco, o que não se verificou. Procurou dinamizar a ala direita, fez uma abertura notável para Diaby desperdiçar e até marcou um golo extraordinário, recebendo um passe longo de Coates e desviando-se do guarda-redes antes de rematar de ângulo complicado para o fundo das redes. A divulgação pública das comunicações entre Rui Costa e João Capela, discernindo o seu “tronco adiantado” em relação à linha de fora de jogo, poderá resultar num Prémio Gazeta. Quiçá um Pulitzer.

 

Petrovic (1,5)

Entrou nos últimos minutos, como entra sempre que o treinador enterra um pouco mais fundo a sua filosofia de futebol-espectáculo para garantir o resultado possível. Tentou impor a presença física para afastar o fantasma do empate, mas a segundos do apito final optou por roubar a bola a Acuña, evitando o 3-1 de uma forma tão eficaz que, havendo justiça, o sérvio deveria ser integrado na folha de vencimentos da equipa de arbitragem.

 

Marcel Keizer (2,0)

Manteve a distância de oito, três e dois pontos em relação a FC Porto, Benfica e Braga. Termina aqui a parte positiva do desempenho do holandês num jogo em que insistiu em Diaby, ignorou a má forma de Gudelj e Bas Dost, nem sequer esgotou as três substituições (esclarecendo Francisco Geraldes e Luiz Phellype quanto às expectativas que neles deposita) e demonstrou uma clareza de análise quanto à fraca qualidade do Sporting na segunda parte só comparável com a incapacidade de melhorar a dita qualidade. Seguem-se embates com Braga, Benfica, talvez com FC Porto, e ainda Villarreal, pelo que se alguém encontrar o Marcel Keizer que chegou a Portugal é favor devolvê-lo a Alvalade.

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

 

Da vitória. Esta tarde, em casa, frente ao Moreirense. Triunfo difícil, por 2-1, contra uma equipa muito bem orientada e que tem mantido um bom desempenho na Liga 2018/2019, onde figura no sexto posto.

 

Dos golos marcados cedo. Aproveitamento em larga percentagem das escassas oportunidades que tivemos: aos 26', tinham sido três, duas das quais concretizadas em golo - por Nani, logo aos 3', na sequência de um canto apontado por Acuña, e por Bruno Fernandes, aos 26', na recarga após um remate fortíssimo de Ristovski com defesa incompleta do guarda-redes Jhonatan. Na terceira oportunidade, também aos 26', Diaby cabeceou à trave.

 

De Mathieu. Outra exibição de grande nível do central francês, comandante indiscutível da sua zona. Num lance muito difícil, em que ameaçava ser batido em velocidade, fez um corte impecável, com noção exacta do seu tempo de intervenção, no minuto 40. Outros cortes oportuníssimos aos 41', 54' e 86'. Sempre muito concentrado, com inegável capacidade de intervenção e notável leitura de jogo.

 

De Acuña. Grande exibição do internacional argentino, para mim o melhor em campo. Foi dele a assistência para o nosso golo inicial, ao cobrar muito bem um canto. Grandes cruzamentos aos 26' e 47'. Lutou sempre muito, disputou bolas, causou desequilíbrios na sua ala, nunca desistiu de um lance.

 

De Bruno Fernandes. Foi um dos nossos jogadores com exibição mais positiva - e dos raros que fizeram questão de não baixar os braços até ao fim. Valeu dois pontos à equipa ao apontar o golo da vitória tangencial. Leva já 16 marcados nesta temporada - sete dos quais no campeonato. Tantos como conseguiu ao longo de toda a época anterior.

 

Do balanço do Sporting em casa. Continuamos invictos em Alvalade nesta Liga 2018/2019. Com nove vitórias e um empate (com o FC Porto, na jornada anterior).

 

 

 

Não gostei

 

 

Da medíocre exibição da nossa equipa no segundo tempo. Neste período complementar, estivemos sempre dependentes de um rasgo esporádico de um dos nossos jogadores com maior qualidade - algo que raras vezes sucedeu. Regressando do intervalo a vencer por 2-1, abdicámos do ataque continuado, passando a defender a magra vantagem até ao fim, com inócuas trocas de bola muito longe da zona de tiro. A troca de Wendel por Petrovic aos 85' coroou esta ideia de jogo, própria de equipa pequena: Marcel Keizer reeditou a táctica do detestado José Peseiro, trancando o meio-campo com duplo pivô (Gudelj+Petrovic).

 

Da falta de energia anímica. A partir da meia hora de jogo, a equipa já pareceu jogar cansada. Movimentos desenvolvidos com extrema lentidão, sem acelerar nem criar situações de perigo, revelando automatismos muito previsíveis, com posse de bola passiva. O golo sofrido aos 34' castigou esta displicência, nada adequada aos pergaminhos leoninos - ainda por cima actuando em Alvalade. O treinador não ajudou, ao manter demasiado tempo a equipa inalterada: a primeira substituição, trocando Nani por Raphinha, ocorreu só aos 68'.

 

Da anulação de um golo limpo a Raphinha. Iam decorridos 80' quando o extremo entrado 12 minutos antes, aproveitando muito bem um passe longo de Coates, se isolou na grande área do Moreirense e introduziu a bola na baliza. A equipa de arbitragem dirigida por Rui Costa, mesmo alertada pelo vídeo-árbitro, manteve a decisão errada. Na sequência de outro erro grave, ainda na primeira parte, quando pouparam um cartão vermelho e um livre directo ao Moreirense por derrube de Bas Dost quase em cima da linha da grande área.

 

De Diaby. Marcel Keizer continua a apostar nele para o onze titular sem que o maliano justifique esta aposta. Hoje voltou a passar quase ao lado do jogo. Nos momentos de decisão, falhou: aos 5', cabeceou por cima, aos 26' acertou na barra. Revela dificuldades técnicas na recepção de bola e falta de entrosamento com a equipa. Inexplicável, a decisão de mantê-lo em campo durante os 90 minutos.

 

De Bas Dost. O que se passa com o internacional holandês, que não marca há quatro jogos? Hoje voltou a ter uma exibição apagadíssima, totalmente ineficaz na linha de tiro. Aos 17', muito bem servido por Bruno Fernandes, não conseguiu melhor do que um remate frouxo. Aos 31', protagonizou um inacreditável falhanço à boca da baliza. Apanhado em sucessivas situações de fora-de-jogo, nada acrescentou à equipa. Apetece perguntar se Luiz Phellype não merecia ter entrado, ao menos para acumular mais uns minutos.

 

Do afastamento de Jovane e Miguel Luís. Nenhum dos dois voltou a ser convocado - e, tanto quanto se sabe, em ambos os casos não terá sido por lesão. É assim que se aposta nos valores da formação neste Sporting 2018/2019?

 

Da ausência do "reforço" Francisco Geraldes. Desta vez foi convocado, mas não calçou. O treinador mandou-o aquecer durante cerca de 40 minutos, na segunda parte. Em vão: o nosso médio criativo formado na Academia de Alcochete continua sem merecer a confiança do técnico holandês - apesar de termos acabado com diversos jogadores à beira da exaustão e Keizer não ter sequer esgotado as substituições. Pelos vistos Geraldes só serve para fazer publicidade às gameboxes.

 

Dos assobios no estádio. Iam decorridos 22 minutos quando começaram a ser escutadas as primeiras vaias. Dirigidas, sobretudo, à nossa linha defensiva - precisamente a que menos mereceu escutá-las. Não consigo entender por que motivo os sócios e simpatizantes do Sporting se deslocam a Alvalade, numa tarde invernosa de chuva, para protestarem com os jogadores que deviam merecer incentivos da massa adepta. A própria visão das bancadas já era desoladora: só 30 mil adeptos no estádio - muito abaixo dos 45 mil que compareceram ao Sporting-FC Porto.

 

De continuarmos em quarto lugar no campeonato. Com 38 pontos, seguimos a oito do FCP, a três do Benfica e a dois do Braga. Treze, no total. Pontuação pouco animadora para atacarmos o principal objectivo da época: o segundo lugar na Liga, que pode garantir o acesso à milionária Liga dos Campeões.

Armas e viscondes assinalados: Nem com um a menos se repetiu o Jamor

Sporting 4 - Desportivo das Aves 1

Liga NOS - 12.ª Jornada

9 de Dezembro de 2018

 

Renan Ribeiro (3,5)

Sabia que o último guarda-redes do Sporting a sofrer dois golos do Desportivo das Aves num só jogo é agora titular de um clube da Premier League, mas nem assim o brasileiro consentiu que a bola voltasse a transpor a linha de golo após o tento que abriu o marcador em Alvalade. Sem nada poder fazer para desviar o cabeceamento de Defendi, Renan Ribeiro cobriu bem o ângulo para evitar que Amilton fizesse o 0-2 num contra-ataque muito rápido, e voltou a dificultar a missão de Elhouini, servido por um péssimo atraso de Coates, mesmo antes de o intervalo chegar e de Nani selar a reviravolta. Manteve-se atento na segunda parte, encaixando remates perigosos e controlando o tráfego aéreo na sua grande área de jurisdição.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Ficou a dever o 5-1 a Bas Dost, sendo incompreensível como conseguiu cruzar mal ao ponto de os metros de avanço do holandês em relação à linha defensiva de nada servirem. Por essa altura já era evidente que o lateral-direito assumira o papel de coveiro de jogadas prometedoras, tão manifesta a sua incapacidade de conseguir desequilíbrios ou de sequer fazer chegar a bola aos colegas de equipa. Melhor defensivamente, distinguiu-se por um alívio milagroso que evitou um segundo golo capaz de levar a que também Renan Ribeiro fosse para o Wolverhampton. Muito pouco, ainda assim, para justificar titularidade (até a presença) numa equipa que luta para ser campeã.

 

Coates (2,5)

Dizer que não foi a melhor noite da carreira do central uruguaio é pouco. O golo do Desportivo das Aves teve o seu aval, tamanha a liberdade que permitiu a Defendi, mas também abusou da sorte em contactos com adversários na grande área e fez um passe disparatado a Renan que poderia ter levado a um pesadelo semelhante àquele que viveu na final da Taça de Portugal. Claro que a isto pode contrapor uma sucessão de cortes providenciais e de outras resoluções de problemas, bem como uma incursão pelo meio-campo adversário (em trocas de bola com Bas Dost) menos  fútil do que é habitual, ainda que tão pouco frutífera quanto as anteriores. Mas a ele exige-se sempre mais. 

 

Mathieu (3,0)

Forçado a trabalhar muito na fase inicial de construção de jogadas, devido à apertada vigilância que os adversários impuseram ao meio-campo leonino, o francês deu o que tinha. E ainda lhe sobrou muito para fazer cortes e antecipações que evitaram maiores dissabores ao Sporting.

 

Acuña (2,0)

Viu dois amarelos, o segundo dos quais por derrubar um adversário que se iria isolar, e deixou os colegas com menos um em campo durante quase 40 minutos. Já não seria grande cartão de visitas, mas a parte pior é que a sua exibição ficou mais marcada pelos conflitos com a equipa de arbitragem (sobretudo o fiscal de linha a quem terá declamado alguns dos mais belos versos da poesia em língua castelhana), e pelas picardias que lhe valeram o primeiro amarelo, do que pelo futebol praticado. Tendo recolhido mais cedo ao balneário, talvez tenha podido assistir ao prolongamento da final da Taça Libertadores da América.

 

Gudelj (3,0)

Começou o jogo totalmente manietado pela táctica do Desportivo das Aves, demorando a ganhar espaço. Conseguiu-o sobretudo na segunda parte e revelou-se útil na missão de não se reparar tanto na inferioridade numérica dos jogadores verdes e brancos.

 

Wendel (3,0)

Vítima de uma entrada a puxar para o assassino, mesmo que nem sequer sancionada com falta, o jovem brasileiro regressou ao relvado com uma ligadura e com prioridade na ordem de substituições, sendo descansado por Marcel Keizer quando se tornou evidente que estaria tocado. Até então fizera o possível para assegurar circulação de bola no meio-campo. Mas não tão bem quanto nos jogos anteriores.

 

Bruno Fernandes (4,0)

Chamar assistência ao passe que fez para Nani antes do 2-1 poderá ser uma tecnicalidade, mas o cruzamento perfeito, tirado da cartola mesmo junto à bandeirola de canto para Bas Dost cabecear para o 3-1, tal como o passe rápido e cheio de efeito que serviu Diaby no 4-1, são obras de arte só ao alcance de um grande jogador. Tão eficaz a construir como solidário a defender, voltou a provar que o melhor jogador da última temporada não se encontra num retiro espiritual tendo deixado um sósia no seu lugar.

 

Nani (3,0)

Marcou um golo magnífico, num remate de fora da área que não perde mérito por ter beneficiado do toque num adversário, daqueles golos que dá valor ao preço que se paga para ver um jogo. Foi o ponto mais alto de uma noite em que andou muitas vezes desaparecido, foi pouco influente na equipa e poderia ter saído mais cedo para permitir a entrada de Jovane Cabral.

 

Diaby (4,0)

Podia ter entrado na história do jogo mais cedo, pois dominou bem a bola dentro da grande área do Aves e rematou com muita força, só que a bola tentou furar as redes pela parte de fora. Precisou de esperar pelo lance em que foi abalroado quando procurava servir Bas Dost de cabeça, valendo o pénalti que permitiu o empate. E mais tarde selou o resultado final, pouco depois da expulsão de Acuña reavivar fantasmas de jogos passados, controlando muito bem a bola oferecida por Bruno Fernandes, flectindo rapidamente em direcção à baliza e fazendo um remate indefensável. Saiu do relvado com a sensação do dever cumprido.

 

Bas Dost (4,0)

O grau de confiança de Bas Dost ficou patente na firmeza com que agarrou a bola quando o árbitro ainda se dirigia para os monitores nos quais reviu várias vezes a falta sobre Diaby. A mesma confiança que lhe permitiu cobrar a grande penalidade de forma simples e eficaz, ou que serviu para cabecear como mandam as regras o cruzamento inesperado que Bruno Fernandes lhe endereçou. Sendo certo que talvez abuse do tempo que passa longe da baliza, nomeadamente em combinações com os colegas, não ficou longe de somar uma assistência para golo à contabilidade, descobrindo o recém-entrado Bruno César em boa posição para marcar.

 

Jefferson (2,5)

Foi chamado ao jogo na sequência da expulsão de Acuña, e foi útil sem deslumbrar, numa eficácia desprovida de brilhantismo que ajudou a assegurar tranquilidade à noite dos mais de 35 mil que foram a Alvalade. Chegou para ser o melhor lateral da equipa.

 

Bruno César (2,5)

Entrou para o lugar de Diaby, mas com a verdadeira missão de substituir Wendel, por sua vez sacrificado para a entrada de Jefferson. Devolveu critério na posse de bola e ficou a centímetros de fazer o 5-1, num remate à entrada da grande área, após uma assistência de Bas Dost.

 

Marcel Keizer (3,5)

Estreou-se no Estádio de Alvalade com uma exibição que não foi isenta dos sustos a que os sportinguistas se devem ir habituando. Desta vez não obteve resultados tão positivos do meio-campo, mas os violinos da orquestra estiveram afinados quanto baste para assegurar bons momentos de futebol e um caudal de golos que coloca o Sporting à beira de ter o melhor ataque da Liga. Bem a reagir à expulsão de Acuña, ainda que a dois tempos, só pecou por não refrescar a equipa com a terceira substituição. Tanto Jovane Cabral como Montero poderiam aproveitar o balanceamento dos adversários para o ataque nos últimos minutos de jogo.

Armas e viscondes assinalados: Chaves para as portas da vice-liderança

Sporting 2 - Desp. Chaves 1

Liga NOS - 10.ª Jornada

11 de Novembro de 2018

 

Renan Ribeiro (2,5)

Muito pouco teve para fazer ao longo de quase todo o jogo e muito pouco fez nas raras ocasiões em que era preciso. Além do lance do golo do Chaves, no qual foi impotente perante o arco do triunfo de Niltinho, o guarda-redes brasileiro distinguiu-se por algumas reposições de bola muito abaixo dos mínimos.

 

Bruno Gaspar (3,0)

Despertou para alguns dos melhores e mais intensos minutos que os sportinguistas lhe viram (não muitos ao vivo, pois pouco mais de 20 mil foram ao estádio) na segunda parte, depois de ficar estendido na grande área adversária ao fazer aquilo que se pede a um lateral de um clube grande: diagonais que aumentem as hipóteses de golo. Já na primeira parte tivera uma ocasião para marcar, permitindo o desvio para canto, mas na maioria parte do tempo parecera tão detido nas movimentações quanto o homónimo que o foi contratar à Fiorentina.

 

Coates (3,5)

Nem o golo do Chaves, longe da sua área de influência, retira brilho a mais uma grande exibição do uruguaio, impondo extremas restrições ao espaço aéreo como só ele sabe. No que toca às tradicionais incursões ofensivas destaca-se uma tentativa de triangulação prejudicada pela interpretação de Bruno Gaspar do que representa ser um vértice.

 

Mathieu (3,5)

Começou o jogo com um susto, pois um atraso levou a bola a deslizar demasiado na relva molhada. Teve muito tempo para se redimir e assim fez, não só nos cortes e na pressão sobre os adversários, mas também na capacidade de esticar o jogo ofensivo dos leões.

 

Acuña (3,5)

Foi o último a tocar na bola antes do apito final, o que constituiu uma certa justiça cósmica para o argentino, novamente posicionado como lateral-esquerdo de grande vocação atacante. Deve-se-lhe o cruzamento perfeito que permitiu a Bas Dost inaugurar o marcador, outros centros que ficaram por aproveitar, uma atitude de carraça que deve causar calafrios aos adversários e a disponibilidade para disputar a bola mesmo que lhe estejam a agarrar a camisola ou a fazerem entradas de sola que são punidas com vermelho directo. A destoar em mais uma grande exibição só mesmo a liberdade que concedeu a Niltinho no lance do golo do Chaves.

 

Gudelj (3,0)

Viu um cartão amarelo por uma obstrução que provavelmente seria considerada um cumprimento cordial na Sérvia. Novamente colocado na posição mais recuada do meio-campo leonino, onde parece ter encontrado o seu nicho, voltou a servir-se do físico e da experiência acumulada para levar a água ao seu moinho.

 

Miguel Luís (3,0)

Manteve a titularidade que lhe fora entregue perante o Arsenal pelo seu antigo treinador dos tempos de júnior. Distinguiu-se pelo muito que lutou no miolo do terreno, ainda que sem nunca deslumbrar tanto quanto deverá precisar para continuar a ser aposta do novo treinador.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Teve em omnipresença o que lhe faltou em omnipotência e omnisciência, pois o seu mapa de acção cobre todo o relvado. O pior foram os resultados práticos, pois a sua tentativa de míssil teleguiado saiu directa para as bancadas esvaziadas pelo boicote da Juve Leo, uma desmarcação feita por Jovane Cabral foi desperdiçada e um passe longo que isolaria Nani não chegou ao destino. Pode ser que a pausa na Liga e a mudança de treinador ilumine o melhor futebolista da última edição da Liga NOS.

 

Nani (3,0)

Passou o tempo a construir jogadas e à procura de oportunidades para se reaproximar da liderança da lista de melhores marcadores. Valeu a pena? Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena... Teve direito a aplausos das bancadas ao ser substituído, já em tempo de descontos.

 

Jovane Cabral (3,0)

Desta vez foi titular, o que não costuma combinar assim tão bem com ele. Mesmo assim, um cruzamento para Bas Dost cabecear à figura e um remate rasteiro desviado pelo guarda-redes compensam um pontapé sem qualquer nexo junto da linha de fundo.

 

Bas Dost (3,5)

Passou dois minutos com a bola nas mãos, enquanto à sua volta os jogadores do Chaves protestavam, o videoárbitro revia as imagens e o guarda-redes era assistido. Foi autorizado a marcar o pénalti, fez o resultado final. Logo no início da primeira parte inaugurara o marcador com um cabeceamento irrepreensível, demonstrando que quem sabe nunca esquece.

 

Montero (2,0)

Preparava-se para entrar com o jogo empatado, entrou com o 2-1 e a missão de agitar o ataque, mas ficou demasiado só e lutou mais do que conseguiu obter.

 

Diaby (2,0)

Entrou para o lugar de Jovane e também oscilou de ala, logrando um bom cruzamento da direita para Bas Dost, que não andou longe de ser a única coisa digna de registo que o maliano tem para oferecer.

 

Misic (-)

Voltou a pisar o relvado em tempo de descontos. Pode ser que o Keiser engrace com ele.

 

Tiago Fernandes (3,0)

Deixa o Sporting na segunda posição, a apenas dois pontos do FC Porto, e bem posicionado para a qualificação na Liga Europa. Não só isso como aqui e acolá surgem uns vislumbres do que é construir jogadas com pés e cabeça. O interino emocionou-se no final do jogo, mas não se deve esquecer que os leões voltaram a terminar um jogo com vontade de queimar tempo para assegurar os três pontos. Estando a jogar contra dez. 

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Notas do Professor Marcel

Mal o jogo se iniciou, ambas as equipas mostrarem tendências suicidas: um flaviense confundiu um colega com uma bola de futebol e Mathieu atrasou uma bola venenosa para o seu guarda-redes. O Sporting apresentou-se com 3 médios de perfil, em bloco médio-alto, procurando o "campo pequeno", a fim de chegar mais facilmente em defensores de Chaves. 

 

A meio da primeira parte, quando se sucediam os passes falhados, na intersecção entre a linhas lateral e divisória do meio-campo Bruno Fernandes encontrou Acuña isolado pela esquerda. O argentino fez uma recepção orientada, centrou com régua e esquadro para a cabeça de Bas Dost e o holandês voador não perdoou. O Sporting poderia ter resolvido o jogo ainda no primeiro tempo mas, tal como a bola, o último passe nunca entrou.

 

O segundo tempo seguia numa toada morna até que Daniel Ramos lançou Niltinho na partida. Com a entrada do brasileiro, os flavienses encontraram as Chaves do Areeiro que lhes permitiram arrombar a trave (fechadura) da baliza leonina. O jogo aproximava-se do fim, não sem que antes o árbitro marcasse um penalty favorável ao Sporting. Na conversão, o suspeito do costume dostou, garantindo assim uma vitória e a ultrapassagem ao Braga para o segundo lugar do campeonato nacional.

 

No Sporting, Bas Dost e Acuña foram os melhores. Miguel Luís voltou a ser titular e mostrou consistência no passe, embora não tenha arriscado passes de ruptura. Gudelj continua a crescer defensivamente, mas dá pouco ao jogo a nível ofensivo. Nani e Bruno Fernandes alternaram boas cantorias com momentos dignos de ópera bufa e Jovane mostrou bons pormenores, no que terá sido um dos seus melhores jogos partindo de títular. Diaby, entrado em "modo morto de sono" a substituir o cabo-verdiano, foi a nulidade a que já nos habituou.

 

Marcel Keizer assistiu de camarote a esta partida cinzenta e algumas notas terá tirado. Em noite de Tiagos, um despediu-se a chorar e o outro deve estar a chorar a esta hora para não ser despedido. É que, sem que o (Bruno) Gallo já pudesse cantar, Tiago Martins (e o VAR), hoje muito infeliz nas decisões, renegou a (boa) arbitragem por duas vezes. Mais uma e o homem do apito ainda teria de mudar o nome para Pedro... Enfim, alguma vez haveria de "tocar" a nós...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bas Dost (lapidar no fim do jogo: "agora mais futebol, depois o título")

 

P.S. Diálogo mantido com um amigo benfiquista que me telefonou após o jogo:

- "Então o que `passou-se`?" -, perguntou-me ele como quem não quer a coisa, esboçando umas lágrimas de crocodilo.

- "Não sei, vocês é que estão (mal) habituados a isto..." -, retorqui-lhe eu, sem ponta de emoção (já chegava de choradeira por uma noite...).

 

bas dost chaves.jpg

 

Pódio: Acuña, Jovane, Nani

Por curiosidade, aqui fica a soma das classificações atribuídas à actuação dos nossos jogadores no Santa Clara-Sporting pelos três diários desportivos:

 

Acuña: 18

Jovane: 17

Nani: 16

Gudelj: 15

Bas Dost: 15

Bruno Gaspar: 15

Mathieu: 15

Coates: 14

Renan: 14

Bruno Fernandes: 13

Lumor: 12

Battaglia: 11

Diaby: 10

Miguel Luís: 1

 

A Bola  e o Record elegeram Acuña como melhor em campo. O Jogo optou por Jovane.

Armas e viscondes assinalados: Penálti duplo derrotou ciclone dos Açores no adeus ao duplo pivot defensivo

Renan Ribeiro (2,5) 

Ainda foi o menos culpado de todos no lance do golo do Santa Clara. Nada pôde fazer, tal como nada pôde fazer noutras ocasiões que puseram em causa três pontos que tanto trabalho deram a amealhar. Sucede que a pontaria de um dos melhores ataques da Liga não esteve nada calibrada e a defesa mais vistosa do brasileiro terá sido encaixar um livre desviado pela cabeça de Nani.

 

Bruno Gaspar (2,0)

Conseguiu ser o elo mais fraco de uma defesa leonina em que outro elemento fez o primeiro jogo do princípio ao fim nesta temporada. Capaz de fazer arrancadas em que nem ele acredita, e úteis sobretudo para apressar os pontapés de baliza do Santa Clara, só não esteve pior porque teve muito boa companhia na maior parte do jogo. Thierry Correia, que foi aos Açores e viu o jogo da bancada, perdeu uma oportunidade para se candidatar ao lugar.

 

Coates (3,0)

Viu o amarelo aos 14 minutos, na primeira falta que fez, perto da linha de meio-campo. Talvez por ter a espada de Damocles (nome que não destoaria no onze multinacional do Santa Clara) suspensa sobre a cabeça mostrou alguma contenção, patente na ausência de dois dos seus traços habituais - mais precisamente, a ofensiva inconsequente no meio-campo contrário e o remate de cabeça ligeiramente acima ou ao lado. Mas nem assim deixou de fazer cortes decisivos e zelar pela superioridade aérea.

 

Mathieu (3,0)

Divide responsabilidades pelo golo do Santa Clara com Lumor, pois Zé Manuel recebeu a desmarcação perfeita de Osama Rachid no meio dos dois. Tirando esse pequeno detalhe fez um jogo à sua imagem, juntando à segurança defensiva o critério no passe longo. Quase todas as jogadas do Sporting começaram nele na segunda parte, até porque os fortes ventos contrários que fazem daquele estádio um fenómeno meteorológico exigiam a potência das pernas do francês.

 

Lumor (3,5)

Só as culpas no golo da equipa da casa impedem que concorra com Acuña pelo título de homem do jogo. Aproveitou a oportunidade que lhe foi dada pelo interino Tiago Fernandes, que fez da sua titularidade uma espécie de ‘signature dish’, demonstrando ter um pulmão inesgotável e vontade de fazer a diferença. Poderia tê-la feito logo na primeira parte, ao desferir um remate poucos passos à frente da meia-lua, mas a bola saiu ligeiramente ao lado. Teve participação directa nos dois golos do Sporting, combinando bem com Jovane Cabral.

 

Battaglia (2,5)

Tinha a responsabilidade de protagonizar a morte do duplo pivot defensivo perante um dos melhores ataques da Liga e não se estava a dar nada mal. Mas saiu lesionado ainda na primeira parte e quando um duro como o argentino exibe a dor que deveras sente há que temer uma longa ausência.

 

Bruno Fernandes (3,0)

Aproveitou o vento ciclónico que foi o 23.° jogador em campo (passou a 22.° quando o Santa Clara passou a jogar com dez) para lançar um dos seus mísseis de longa distância. Estava em posição frontal, conseguiu que a bola subisse e descesse no momento certo, mas o guarda-redes dos açorianos não lhe permitiu ser herói. Num jogo em que lhe foram pedidos maiores cuidados defensivos, sobretudo após a entrada de Gudelj para o lugar de Battaglia, nunca deixou de ser muito rematador e de procurar servir os colegas, embora uma das suas tentativas de marcar pudesse ser convertida com grande benefício em assistência para o desmarcado Bas Dost.

 

Nani (3,0)

Bem pode agradecer aos sportinguistas minhotos que costumam partir as montras dos talhos do árbitro Manuel Mota, pois a sua entrada às pernas de Candé, vingando-se de uma falta não assinalada do lateral, dificilmente mereceria menos do que aquela cor mais rubra do que laranja. Nani viu apenas o cartão amarelo e, mesmo assim, pareceu-lhe boa ideia empurrar um defesa do Santa Clara pelas costas minutos depois. Afastado para a ala esquerda, onde evitou encontros imediatos com o seu nemesis, muito correu, literalmente atrás do prejuízo, devendo-se-lhe o cruzamento para Bas Dost que esteve na origem da grande penalidade capaz de virar o Totobola de 1 para 2.

 

Acuña (4,0)

Poupado à catástrofe da Taça da Liga que foi o canto do cisne do homem dos touros, o lateral-esquerdo da selecção argentina foi o homem do jogo. E como extremo-direito, naquela posição 7 que em tempos foi de Luís Figo e de Cristiano Ronaldo. Antes de fazer o 1-2 - e de ca-be-ça, meus amigos - esteve sempre um passo à frente do resto da equipa e mereceu os aplausos que recebeu ao sair minutos antes do apito final. Tivesse mais pontaria nos vários remates de média e longa-distância e até receberia as chaves do estádio.

 

Diaby (1,5)

Quem acredita que o comunismo é um belíssimo modelo político, social e económico que foi mal executado vezes sem conta retirará conforto da ideia de que o 4-4-2 é um belíssimo modelo táctico que apenas teve o azar de ser executado por Diaby. O maliano repetiu as más indicações do jogo anterior, as quais contrariavam a exibição frente ao Boavista, mas desta vez esteve ainda mais perdido no relvado. Foi outro dos co-autores do golo do Santa Clara, preferindo cobrir Osama Rashid com os olhos enquanto o iraquiano fazia o passe de morte para Zé Manuel. Já não voltou após o intervalo e ficou a leve impressão de que tinha ido tarde.

 

Bas Dost (3,5)

Voltou aos golos, e fez balançar as redes duas vezes, mas na ficha de jogo só se encontra uma referência. Sucede que o holandês não esperou por Manuel Mota e marcou uma primeira vez o pénalti que castigava uma falta cometida sobre ele próprio. Repetiu, depois de ouvir o apito, e rematou para o mesmo lado, iniciando uma reviravolta facilitada pela expulsão de Patrick Vieira, o qual resolveu aplaudir o árbitro minhoto. Para trás ficou uma bola cabeceada ao lado, mesmo antes do intervalo, e uma assistência desaproveitada por Nani. E, claro está, a capacidade de atrair atenções de defesas que facilitou o golo de Acuña.

 

Gudelj (3,0)

Entrou no jogo a frio, devido à lesão de Battaglia, conseguindo uma exibição uns bons furos acima das anteriores. Manteve o adversário em sentido na sua zona de acção, valendo-se do físico e da técnica, mas não foi desta que aproveitou as segundas bolas para marcar.

 

Jovane Cabral (3,5)

Entrou ao intervalo com o mesmo fulgor de quem tem 10 ou 15 minutos para dar a volta aos acontecimentos. Forte no drible e nas combinações com Lumor, o jovem esqueceu-se dos dois jogos sem sair do banco que encerraram o consulado de José Peseiro e cruzou para o golo de Acuña, que minutos antes lhe oferecera igual oportunidade de marcar, desperdiçada pelos fracos dotes de cabeceador de Jovane. Ficou mais perto do golo num remate à entrada da área, ao qual só faltou uma rajada de vento que o desviasse das mãos do guarda-redes.

 

Miguel Luís (-)

Teve direito a uma segunda oportunidade envenenada de jogar pela equipa principal depois do minuto 90. Entrou quando o Santa Clara pressionava com garra e desespero, sendo-lhe impossível fazer seja o que for.

 

Tiago Fernandes (3,0)

O treinador interino enterrou o duplo pivot defensivo de José Peseiro e correu riscos ao apostar na titularidade de Lumor (bem) e de Diaby (mal, pois a qualidade de Montero teria sido melhor complemento a Bas Dost). Salvou Nani de si próprio ao desviá-la para a esquerda e fez bem ao não perder tempo a pôr Jovane Cabral no relvado. Viu os seus escolhidos darem a volta ao resultado e somarem três pontos preciosos, mas o sufoco dos últimos minutos é a prova cabal de que os problemas do Sporting não desaparecem à primeira chicotada psicológica, por muita ambição e talento que Tiago Fernandes tenha. Se ainda estiver à frente da equipa na difícil deslocação a Londres será interessante perceber o que aprendeu nos Açores e como o aplicará frente ao Arsenal.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Sarilhos pequenos (os leões, um a um)

Renan Ribeiro - Vendo Santa Clara a debater-se com o vento, usou de caridade cristã e ofereceu uma esmola aos açorianos. Na etapa complementar, manteve-se recluso no seu Mosteiro, dada a pobreza franciscana das ofensivas insulares. 

Nota: Mi

 

Bruno Gaspar - Tem nome de Rei Mago (Gaspar, não Bruno), mas continua muito contido, meio envergonhado e ansioso, como um miúdo antes de um primeiro exame. E que exame! É que o peso da listada verde-e-branca não é para qualquer um, facto que é do "incenso" comum para Gaspar. 

Nota:

 

Coates - Cumpriu sem brilhantismo, mas teve uma preocupação com a segurança digna de um Ministro da Defesa, solenidade que o fez aventurar-se menos em terrenos inimigos.

Nota: Sol

 

Mathieu - No lance do golo açoriano, procurou o "pas de deux" com Coates e deixou entrar Zé Manuel nas suas costas. Inconformado, realizou algumas investidas ao último reduto adversário e distribuiu jogo essencialmente pela esquerda, fixando o ala insular e procurando a posição mais avançada de Lumor em relação à restante defesa leonina. 

Nota:

 

Lumor - Enganado pelo vento ou confiante de que Renan far-se-ia à bola, deixou Zé Manuel entrar pela sua frente no lance do golo do Santa Clara. Insuperável nos duelos individuais pelo chão (10 em 10), procurou sempre municiar o ataque. Mostrou velocidade e remate potente. Tem g(h)ana de vencer, o miúdo.

Nota:

 

Battaglia - "Gone with the wind". Uma lástima para a equipa. Que volte depressa e bem!

Nota:

 

Bruno Fernandes - Anda com a transmissão avariada. Patina, quando põe a mudança e as suas desmultiplicações não saem. Não está a ficar bem no retrato ou, no caso, no PASSE-partout...

Nota: Mi

 

Acuña - Cresceu muito no segundo tempo. Com o argentino em campo, o Rei Leão entoou "Acuña" (no original, Hakuna) Matata, que em dialecto suaíle significa "sem problemas".

Nota: Lá (Melhor em campo)

 

Nani - Procurou o espaço entrelinhas e deixou a sua marca no jogo (e não, não me refiro só às pernas de Mamadu). Foi um verdadeiro capitão e nunca se rendeu.

Nota:

 

Diaby - No "Convento" de Santa Clara não há lugar para o Diaby...

Nota: (u)

 

Bas Dost - Procurou a bola em toda a primeira parte e, quando ela finalmente lhe chegou, deslumbrou-se e falhou um golo fácil. Dostou exemplarmente de (re)paradinha, após "(re)falta" (foram dois insulares...) cometida sobre ele. 

Nota: Sol

 

Gudelj - Entrou ainda na primeira parte para render Batman e o mínimo que se pode dizer é que fez jus à condição de novo Vigilante dos de Alvalade. Necessita de maior tracção à frente.

Nota: Sol

 

Jovane - Já se sabia que Cabral era nome de navegador intrépido e Jovane não foge à regra. Mudou por completo o cariz do jogo, descobrindo novos caminhos para a nau leonina, entre ventos e marés adversos. 

Nota:

 

Miguel Luís - Tempo apenas para se estrear pelo Sporting em jogos a contar para o campeonato nacional.

Nota:

 

(notas de Dó Menor a Dó Maior)

 

acuña2 santa clara.jpg

 

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Contra o vento marcar, marcar!

Estreando Tiago Fernandes ao leme, o Sporting viu-se em sarilhos grandes para navegar com o vento pelas costas. O treinador interino leonino alterou o habitual sistema de 4-2-3-1, para um 4-4-2 que na realidade acabou por ser um 4-4-1, dado que Diaby foi uma unidade a menos durante toda a primeira parte, uma gentileza que o Santa Clara viria a retribuir na etapa complementar, com Patrick a fazer-se expulsar aos 64 minutos de jogo.

 

No primeiro tempo, o Sporting não soube aproveitar as condições atmosféricas, destacando-se apenas os tiros de canhão de Bruno Fernandes e de Lumor que causaram sensação de golo. Acrescente-se um desvio de Bas Dost, sozinho na pequena área, que quase dava à costa e pouco mais a equipa leonina fez nesse período. Em compensação, a Delegação do Benfica na Ilha de São Miguel marcou um golo, beneficiando de uma série de equívocos dos leões: Rashid colocou a bola por cima dos nossos defesas, Mathieu preocupou-se em marcar um ponta-de-lança que já estava controlado por Coates, Lumor não acompanhou a movimentação de Zé Manuel e Renan ficou, entre os postes, a filmar tudo para a posteridade. Diga-se desde já que Lumor - a grande surpresa no elenco de Tiago Fernandes - foi uma das figuras da partida, pese esse erro partilhado. Contabilizei um total de 10 duelos disputados com quem lhe apareceu pelo flanco e todos foram ganhos pelo ganês, que ainda teve ganas para ir lá à frente e provocar desequilíbrios como no lance do primeiro golo do Sporting, provando que de um ódiozinho de estimação (Jefferson) para um Lumor de Perdição basta um pequeno passo. Um pequeno passo para o homem (treinador interino), um grande passo para a Humanidade (leonina).

 

Tudo o vento levou na primeira parte, incluindo Battaglia, lesionado com gravidade num joelho, e Diaby que já não voltaria do balneário. Saiu o homem que joga mal(iano), pelo menos quando colocado como segundo avançado, e entrou o jovem Cabral, o qual teve um impacto imediato no jogo. Jogando inteligentemente contra o vento, de forma rasa (exceptuando Renan e, a espaços, Bruno Fernandes) mas sem "baixar a bolinha", e procurando trocá-la de pé para pé, os leões foram aproveitando a disponibilidade física de Lumor e de Jovane para ganharem metros dentro do meio-campo micaelense. Numa dessas jogadas, Lumor viu Nani desmarcado na face lateral esquerda da área açoriana e colocou-lhe lá a bola. O capitão olhou e procurou a entrada de rompante de Bas Dost, o qual viria a ser desequilibrado por dois adversários. Manuel Mota apitou para grande penalidade e Bas Dost marcou à primeira...e à segunda, esta finalmente sancionada pelo árbitro. Pouco tempo depois, mais uma incursão de Lumor e lançamento para o Sporting. O ganês deu a Jovane e este centrou maravilhosamente para o segundo poste, onde Marcus Acuña apareceu surpreendentemente a marcar de cabeça. 

 

O Sporting ainda poderia ter dilatado o marcador, mas para não variar ficou à mercê de um capricho da sorte ou do vento. Assim, num último estertor, o Santa Clara esteve à beira de marcar por duas vezes, com pontapés que fizeram a bola passar muito perto do poste direito da baliza à guarda de Renan Ribeiro.

 

Nos leões, destaques para Acuña, Lumor, Jovane e Nani, este último um capitão que sempre procurou lutar contra ventos e marés, devendo apenas refrear algumas abordagens mais próprias de piratas. Gostei da entrada de Gudelj, hoje mais intenso defensivamente, embora continue a faltar-lhe participação ofensiva. Vitória justa do Sporting e estreia auspiciosa de Tiago Fernandes, para quem a viagem aos Açores acabou por se revestir de sarilhos pequenos. Nada como ser fiél às origens, portanto.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Marcus Acuña 

acuña santa clara.jpg

 

Rescaldo do jogo de hoje

Gostei

 

Da nossa vitória contra o Santa Clara, por 2-1. Triunfo indiscutível da nossa equipa num campo muito difícil e contra uma equipa que vinha de quatro vitórias consecutivas (três para a Liga). Ao intervalo, perdíamos 0-1 em Ponta Delgada. Mas soubemos dar a volta ao marcador, beneficiando também da expulsão de um jogador da turma açoriana, aos 62', logo após o nosso primeiro golo, de grande penalidade.

 

Do dispositivo táctico. Tiago Fernandes, treinador interino, arriscou colocar a equipa num 4-2-3-1 mais aberto e dinâmico, apenas com dois médios no corredor central e fazendo regressar Acuña às alas, entregando a lateral esquerda a Lumor, que só tinha 28' de jogo até agora nesta época. Os jogadores, naturalmente, estão pouco rodados neste sistema, o que facilitou algum predomínio inicial dos açorianos, mas sobretudo a partir da segunda parte - com clara supremacia leonina - foram-se adaptando e dando boa resposta.

 

De Acuña. É um desperdício ter o internacional argentino recuado na lateral. Quando surge à frente, com a sua dinâmica e a sua combatividade, rende muito mais à equipa. Hoje foi o melhor em campo, protagonista de bons cruzamentos e sobretudo do nosso golo da vitória, marcado de cabeça, a partir da ala direita. Estavam decorridos 75', consumava-se a reviravolta e ficavam garantidos os três pontos que trazemos hoje dos Açores.

 

De Jovane. A subida de rendimento do Sporting no segundo tempo deve-se em boa parte à acção do jovem extremo, que entrou após o intervalo, substituindo um apático e desconcentrado Diaby. O caboverdiano acelerou o jogo, deu-lhe acutilância e profundidade. E é dele a assistência para o golo da vitória, confirmando ser um dos elementos mais influentes de verde e branco nesta Liga 2018/2019.

 

De Bas Dost. Totalmente recuperado da lesão, ei-lo regressado à titularidade e também aos golos, confirmando a sua importância neste plantel leonino. Foi ele a marcar o nosso primeiro, de grande penalidade: chamado a convertê-la, não vacilou, abrindo o marcador aos 62'. Não se limitou a isto: trabalhou para a equipa, participou no processo defensivo e soube trabalhar sem bola, baralhando as marcações.

 

Da rotação na equipa. Entrámos hoje em campo com sete titulares diferentes daqueles que alinharam há dias, contra o Estoril, para a Taça da Liga. Subida evidente de rendimento global: este Sporting, naturalmente, tem pouco a ver com a turma composta quase só por "segundas linhas" naquele encontro que marcou a despedida de José Peseiro numa prova que serve sobretudo para isso: para rodar jogadores.

 

Da entrada de Miguel Luís. O jovem médio da nossa formação teve hoje mais uns minutos, entrando já no tempo extra, para o lugar de Acuña. Um prémio para o seu empenho nos treinos e para o seu talento muito promissor. Ele merece.

 

Da nossa recuperação na tabela classificativa. Beneficiámos da derrota caseira do Benfica frente ao Moreirense e levamos dois pontos de vantagem sobre a turma encarnada, que agora ultrapassámos. Por outro lado, mantemos dois pontos de distância em relação ao líder da Liga, FC Porto. Isto significa que continuamos a depender só de nós. Já era assim antes, continua a ser assim agora.

 

 

Não gostei

 

Da lesão de Battaglia. Estavam decorridos 27' quando o internacional argentino - hoje isolado na posição de médio defensivo - se lesionou com aparente gravidade, sendo forçado a abandonar o campo transportado de maca. Para o seu lugar entrou Gudelj, hoje inicialmente relegado para o banco. O sérvio, que parece mais 8 do que 6 no seu posicionamento natural, acabou por dar boa conta do recado. Mas é intrigante o elevado número de lesionados desta época no Sporting.

 

Da ausência de Montero. É um dos nossos melhores: gostaria que tivesse jogado.

 

De chegar ao intervalo a perder. Um contra-ataque rápido do Santa Clara, potenciado por uma falha de marcação de Lumor, permitiu a José Manuel rematar para o fundo das nossas redes. Esta desvantagem, registada aos 32', condicionou a nossa equipa até ao intervalo apesar de jogarmos a favor do vento. Felizmente as coisas mudaram no segundo tempo. A entrada de Jovane ajudou bastante. E a expulsão de Patrick, que nos pôs em vantagem numérica, também.

 

De mais um golo sofrido. Há 25 jogos consecutivos - 17 no campeonato - que vemos as nossas redes violadas em jogos disputados fora de casa. Números preocupantes para uma equipa que sonha com títulos e troféus. O último desafio em que evitámos sofrer pelo menos um golo remonta a 27 de Outubro de 2017.

 

Das más condições atmosféricas. Chuva, rajadas de vento e um terreno enlameado condicionaram a qualidade do espectáculo - quase deplorável, sobretudo na primeira parte. Faz parte das contingências de um desporto de Inverno, como dizem ser o futebol.

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Arsenal do Alfeite

Desde que o Cova fez a Folha, sem Piedade, ao Super-Portimonense do nosso descontentamento que já não sei onde enterrar o meu desgosto. Nesse sentido, tinha a ideia fisgada de que o jogo de ontem oferecia-se como uma oportunidade de dar a volta por cima. Ao fim de uma série de jogos a tratar Davids como Golias, nada como medir forças com um verdadeiro gigante do futebol europeu. 

 

De um lado tínhamos o poderoso Arsenal de Londres, do outro o Arsenal do Alfeite, a nova identidade da equipa de futebol do nosso Sporting. Que até poderia ser coisa boa, caso tal reflectisse a reparação e reconstrução de uma grande equipa, mas afinal é tão só um estaleiro. De jogadores. Ontem, Ristovski foi a nova baixa, a juntar a Mathieu, Bas Dost, Wendel, Battaglia e Raphinha, tudo jogadores que já pararam por lesão desde que a época começou.

 

O Sporting iniciou o jogo com três tristes trincos(*), dispostos sob a forma de um triângulo de área mínima. Petrovic era o elemento mais recuado, Battaglia e Gudelj jogavam a par. Na frente, Montero no meio, Nani e o armador Bruno Fernandes, desterrado, a revezarem-se nas alas. A defesa foi a habitual, com Acuña no lado canhoto, e na baliza a novidade Renan. (É verdade, o futebol evoluiu muito desde os meus tempos de juventude. Nas "peladas", que fazia com os amigos, o gordo ia sempre à baliza(*), agora não deixam o Viviano jogar.) 

 

O Arsenal, que tinha tido um jogo na segunda-feira (Leicester) e terá outro no Domingo (West Ham) parecia disposto a cumprir os serviços mínimos, isto é, a jogar para o pontinho. Deste modo, a primeira parte arrastou-se sem grandes oportunidades de golo e com o Sporting a conseguir dar réplica e dividir a posse de bola. A melhor oportunidade até terá sido um remate muito bem executado por Nani, com força e colocação, que passou muito perto da barra da baliza defendida por Leno. O pior viria depois. Desde logo porque Gudelj, que já não estivera famoso, não voltou do balneário, fazendo-se substituir por um holograma, projecção de um jogador cheio de estilo mas com intensidade nula. Assim, a equipa partia-se constantemente em duas, com 3 elementos praticamente inofensivos no ataque e os restantes barricados uns bons 20 metros atrás. Exceptuando Montero, que conseguiu variadas vezes segurar a bola e (des)esperar por uma linha de passe, toda a equipa parecia amorfa. Mesmo a melhor unidade do primeiro tempo, o argentino Acuña, parecia reclamar por uma botija de oxigénio, tal o cansaço que começou a aparentar. Peseiro demorou, mas acabou por fazer o óbvio: retirou Gudelj e colocou Jovane em campo. A ideia parecia boa, mas a forma como o treinador mexeu na disposição da equipa no terreno estragou o resto: Petrovic, outra das melhores unidades, passou a jogar a par com Battaglia e Bruno Fernandes assumiu o meio, só que foi jogar muito perto de Montero, cavando um fosso ainda maior no meio campo. Assim, embora ganhando com a agitação que Jovane trouxe ao jogo, as perdas foram superiores, dado que deixou de haver qualquer tipo de ligação entre sectores. Aproveitando este desnorte táctico, o Arsenal, que entrou no segundo tempo a todo o gás e já vira Renan negar-lhe duas ou três ocasiões e o árbitro outra, acabou por marcar, num lance em que, primeiramente, Aubameyang beneficiou do duplo-pivot leonino para com um subtil toque de calcanhar colocar a bola entrelinhas e, seguidamente, aproveitou uma fífia de Coates (um clássico a este nível) para marcar, por Welbeck, ocasião não desperdiçada por Peseiro para dar os 5 minutos da praxe a Diaby, o tal jogador que Cintra escolheu com o "Dr Pedro Pires que é uma enciclopédia de futebol" e afirma que encanta o treinador, mas que cheira a "flop" por todos os poros.

 

No Sporting, Montero foi o melhor. Renan esteve bem, mas a sua colocação de pés, no lance do golo inglês, não pareceu pacífica (bola entre as pernas). Petrovic e Acuña desceram muito de produção no tempo complementar. Os piores terão sido mesmo a equipa - nenhuma desmultiplicação na transição ofensiva - e o árbitro, que deixou passar em claro, ainda na primeira parte, uma falta de um "gunner" sobre Montero, quando este corria isolado para a baliza, lance que, na minha opinião, mereceria a amostragem do cartão encarnado e poderia ter mudado o jogo.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Fredy Montero

 

(*) Agradecimento aos Leitores JG e Rute Rockabilly pela inspiração

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Armas e viscondes assinalados: Só fez falta quem lá esteve

Sporting 2 - Marítimo 0

Liga NOS 6.ª Jornada

29 de Setembro de 2018

 

Salin (3,0)

Perdeu uma excelente oportunidade para reler clássicos da literatura gaulesa, ou para aliviar a caixa de correio electrónico, tão pouco foi o trabalho que o ataque do Marítimo lhe deu. Ainda assim poderia ter sofrido um golo mesmo antes do intervalo, mas teve a felicidade de um certo argentino ter sido adaptado a lateral-esquerdo.

 

Ristovski (2,5)

Diga-se, em sua justiça, que qualquer um se arrisca a parecer um Robin se tiver um Batman ao lado. Muito solicitado por Raphinha, que criou espaço à direita suficiente para mais três novos partidos como o de Santana Lopes, o macedónio executou todo o género de cruzamentos para a grande área adversária tirando os cruzamentos eficazes. A defender também esteve algo permeável, devendo-se-lhe a melhor ocasião do Marítimo em toda a noite, mas foi salvo pelo colega da esquerda. Na segunda parte, enquanto o colectivo colapsava, melhorou na travagem das ofensivas madeirenses e ainda  tentou o golo com um remate forte o suficiente para criar aflições.

 

Coates (3,0)

Voltou a perder a bola para um adversário na zona de perigo, tendo o mérito de resolver a sua malfeitoria com um corte arriscado. Mas no resto do jogo foi o muro que ajuda a manter a equipa na corrida, sendo que a habitual arrancada pelo meio-campo contrário teve desta vez consequências de somenos: um contra-ataque facilmente resolvido pelos colegas da linha defensiva menos obcecados em subir na vida.

 

André Pinto (3,0)

Tal como sucede com os árbitros, acaba por ser meritório que não se dê muito pela presença do substituto de Mathieu. Tanto assim foi que se fez notar pela primeira vez ao ser-lhe mostrado o cartão amarelo, pois agarrou um adversário que o deixara mal ao fazer passar a bola por cima de si. Desse momento em diante regressou para um estado de invisível eficiência que é a sua imagem de marca.

 

Acuña (3,5)

O corte providencial que impediu o Marítimo de reduzir para 2-1 foi a cereja no topo do bolo constituído por mais uma exibição repleta de raça nas bolas divididas (e nas bolas confiscadas), de clarividência no lançamento do contra-ataque e de brilho no posicionamento.    Talvez fosse boa ideia fazer um clone para precaver lesões ou castigos internos por insultar o treinador.

 

Petrovic (3,0)

Recebeu audíveis aplausos das bancadas ao fazer a versão adriática da roleta marselhesa para salvaguardar a posse de bola perante a cobiça de dois fulanos vindos da pérola do Atlântico. Titular devido à gripe de Battaglia, superou as baixas expectativas dos adeptos, sem nunca comprometer a segurança da baliza leonina. Ainda se aventurou em lances de ataque, mas a sua técnica muito particular de ganhar lances (avançar a bola e atirar-se para cima do adversário) ainda carece de ser aprimorada.

 

Gudelj (2,5)

Viu o cartão amarelo muito cedo, o que poderá muito bem explicar que tenha estado ligeiramente mais calmo. Na segunda parte foi parte integrante da perda gradual do meio-campo, chegando-se ao paradoxo de o Sporting ter menos posse de bola num jogo que pareceu controlar desde o início.

 

Raphinha (3,5)

Sofreu a falta para grande penalidade tirando partido da velocidade com que se desmarca e marcou o livre que permitiu a Montero fazer o resultado final. No resto do jogo combinou (bem) com Bruno Fernandes e (nem por isso) com Ristovski, quase conseguiu oferecer o 3-0 ao capitão e reforçou a ideia de que aqueles 6,5 milhões de euros irão multiplicar-se mais tarde ou mais cedo.

 

Jovane Cabral (3,0)

Eis os factos: o ainda apenas cabo-verdiano fez o passe de ruptura para Raphinha que originou o pénalti do 1-0 e sofreu a falta junto à linha lateral que abriu caminho para o 2-0. Mas tal como Narciso se deixou enfeitiçar pela sua imagem reflectida na água, também Jovane está demasiado apaixonado pela capacidade de driblar, sucedendo-se jogadas em que enfrentou um trio de adversários, perdendo invariavelmente a bola para o terceiro. Se o olhar de Acuña pudesse matar estariam os sportinguistas de luto pela funesta consequência da segunda tentativa de penetração na grande área que o habitual suplente culminou deixando sair o esférico pela linha de fundo...

 

Bruno Fernandes (3,5)

Capitão de equipa devido ao castigo imposto a Nani, poupou-se às discussões com homens do apito que lhe têm valido a maioria dos recorrentes cartões amarelos que recebe. Preferiu gastar energias na construção de jogadas e mesmo que os remates de longe insistam em não sair, o certo é que voltou a marcar, de pénalti, sem apelo nem agravo. Eleito homem do jogo, teve atitude de capitão e ofereceu o troféu ao regressado Carlos Mané.

 

Montero (3,5)

Pôs termo ao seu pequeno jejum (desde a aziaga final da Taça de Portugal) com um toque pleno de oportunidade, a mesma que demonstrou ao roubar uma bola logo no início do jogo, forçando o espoliado do esférico a agarrá-lo antes que fugisse para a baliza. Lutador incansável, rematou muito e só não teve grande taxa de sucesso nos duelos aéreos com os defesas.

 

Misic (2,0)

Entrou aos 77 minutos para o lugar de Jovane, numa substituição que colocou três médios defensivos oriundos de países balcânicos no relvado em simultâneo - e isto sem contar com o macedónio Ristovski ou com o argentino Acuña, que facilmente obteria cidadania honorária de um desses países. E o certo é que o Marítimo não marcou.

 

Diaby (=)

Mais cinco minutos em campo. Mas a acreditar nos jornais a culpa é da selecção do Mali, cuja convocatória atrasou a integração no grupo.

 

Carlos Mané (-)

Um dos raros representantes da Academia de Alcochete no actual plantel regressou a Alvalade e aos relvados após prolongada ausência por lesão e empréstimos decididos por Jorge Jesus. Merecia mais do que um mísero minuto.

 

José Peseiro (2,5)

Tinha tudo para ser uma noite relaxada. Mesmo com Nani na bancada, e apenas três titulares da época passada no onze titular, viu-se a vencer cedo, recebeu o golo da tranquilidade antes do intervalo e... deixou-se adormecer. O Marítimo ganhou espaço e bola, vários jogadores estavam esgotados (Jovane ficou a dever uns bons 20 minutos ao banco de suplentes) e mesmo assim esperou aos 77 minutos para mexer na equipa, acrescentando mais um médio defensivo aos dois já existentes. Será que o treinador do Sporting protelou as substituições com medo de que mais algum substituído o mandasse para um lugar desagradável?

Tudo ao molho e FÉ em Deus - Cara baga?

O jogo iniciou-se à hora do jantar e o primeiro prato não deixou grandes recordações. O Sporting apresentou-se em campo com Gudelj a formar com Battaglia o tão odiado (não estão em causa os jogadores) duplo-pivô de meio campo - Bruno Fernandes adianta-se para pressionar a saída de bola e fica um buraco no centro do terreno, onde os adversários jogam à vontade - e Acuña no lugar habitualmente ocupado por Jefferson, este último facto saudado pelos adeptos presentes no estádio como se o referendo popular tivesse finalmente vencido. De regresso esteve Ristovski, o qual continua a entrecortar grande voluntarismo com uma recepção orientada de bola digna dos distritais. Apesar do controlo das operações por parte dos leões, os azeris foram conseguindo neutralizar o perigo junto da sua área, inclusivamente quase marcando após uma desatenção de Coates, o nosso Ministro da Defesa, que em cada edição da Liga Europa vai demonstrando propensão para o hara-kiri. Do nosso lado, de real perigo, apenas de destacar uma brilhante incursão de Mathieu, que investido de ala esquerdo picou a bola sobre um defesa e foi buscá-la à frente, concluída com um habilidoso toque de calcanhar de Montero que quase surpreendia o nosso velho conhecido Vagner (ex-Boavista e Estoril). Depois de muita parra e pouca uva, foi preciso esperar pela sobremesa para que a equipa leonina pudesse saborear uma primeira baga azeri. Um fruto pequeno para tanta lavoura, mas ainda assim suficiente para deixar um travo doce na boca de jogadores e espectadores: Bruno Fernandes caminhou frontalmente à baliza, abriu na direita para Nani e este tirou um centro rasteiro, com uma curva geométrica tão perfeita (para o segundo poste) que Gauss teria usado para enunciar o seu teorema da curvatura das superfícies. Raphinha empurrou para as redes. 

 

Com o golo, o Sporting tomou definitivamente o controlo das operações, algo só fugazmente colocado em causa quando Gudelj tentou imitar Coates e ofereceu um golo de bandeja aos azeris. Valeu, nesta e na outra ocasião, o guarda-redes Salin. À medida que o sérvio ia declinando fisicamente, mais aparecia Battaglia. Batman, o vigilante de Alvalade City, foi enorme nesta fase, recuperando inúmeras bolas e logo avançando para o ataque. Pena que o seu tempo de passe tenha um fuso horário diferente do resto da equipa... Começando na direita, Raphinha acabou por ser decisivo pela esquerda. Após ter marcado o primeiro golo, assistiu primorosamente o talismã Jovane para o segundo e último da noite. Destaque para a recuperação de bola e o túnel de calcanhar que Montero aplicou ao defesa azeri, no início da jogada. 

 

No Sporting, Raphinha - o seu "ph" causa tanta acidez nos adversários que se recomenda uma ida à pharmácia - e "Muttley" Acuña estiveram muito bem. O argentino foi imperial em terrenos mais recuados e mostrou a garra habitual que o fez subir amiúde no terreno. Além disso, variou muito mais do que Jefferson as acções pelo flanco esquerdo, nomeadamente procurando combinações e jogo interior, em detrimento de centros à toa para uma grande área habitualmente muito pouco povoada de jogadores leoninos. Bem, estiveram Battaglia (um Exterminador Implacável, mesmo com o tal "passe com jet lag"), Bruno Fernandes - aquele túnel que sofreu foi algo tão anti-natura que fez lembrar aquele antigo anúncio do Restaurador Olex - e Nani, embora este, esgotado fisicamente, devesse ter saído mais cedo, à semelhança de Gudelj (fez os 90 minutos). O sérvio impôs-se nos primeiros 15 minutos, mas depois foi caindo. Montero, pelas movimentações e participação no segundo golo, Jovane por ter protagonizado mais um momento decisivo (dois minutos após ter entrado em campo) - leva dois golos, uma assistência, dois penáltis sofridos e uma outra participação em golo em apenas 149 minutos jogados(!!) - e Mathieu também merecem realce. Pena que o gaulês tenha abandonado o terreno de jogo por lesão, o que presumivelmente o afastará do jogo em Braga. Saiu cara a baga extraída da equipa (Qarabag) que vinha do Azerbeijão...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Raphinha (sempre entre os melhores nos últimos 3 jogos)

 

sportingqarabag.jpg

 

Balanço (19)

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O que escrevemos aqui, durante a temporada, sobre ACUÑA:

 

Eu: «O recém-chegado argentino Marcos Acuña, em estreia absoluta de verde e branco, merece elogio. As primeiras impressões contam muito - e neste caso foram muito positivas. Pela forma acutilante como entrou em jogo, na ala esquerda da nossa linha avançada.» (22 de Julho)

- Edmundo Gonçalves: «Parece-me que vai pegar de estaca.» (23 de Julho)

- Pedro Boucherie Mendes: «É reforço e finalmente temos um sul-americano que come a relva e não é obcecado por fintinhas e adornos.» (31 de Julho)

- Pedro Azevedo: «Faz lembrar aqueles bonecos com que brincávamos em pequenos, os sempre-em-pé. O homem cansa só de o ver jogar. (...) Parece ter uma mudança a mais, corre, centra, remata, desarma e faz diagonais para o meio do campo.» (6 de Agosto)

- João Távora: «Exibe uma generosidade excepcional a defender, umas ganas bestiais a atacar e um faro de golo raro.» (6 de Agosto)

- José da Xã: «Do que já vi, e de todos os jogadores que chegaram este ano, há três que se destacam de todos os outros: falo de Mathieu, Acuña e, como não podia deixar de ser, Bruno Fernandes.» (2 de Setembro)

- Francisco Melo: «Estou rendido a Marcos Acuña. Espalha classe pelo campo, enverga a camisola a 200% e pauta-se por uma grande disciplina e rigor durante os 90 minutos. Parece que já joga no nosso campeonato há uma boa série de anos, mas a verdade é que só chegou há pouco.» (24 de Outubro)

- JPT: «Grande jogo de Acuña, a desdizer-se cansado e precisado de férias, ontem o melhor em campo.» (1 de Fevereiro)

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