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És a nossa Fé!

Voz(es)

Enquanto saio do posto de abastecimento olho o José Alvalade, atentamente, uma última vez. Conduzo agora ao seu encontro, à saída da Rotunda mergulho em direcção a casa.

É assim que gosto de deixá-lo. De luzes acesas. Talvez por conhecê-lo apenas e só, assim. Talvez por escolher guardá-lo assim. Fonte inesgotável de vida que se renova a cada visita. Que existe, apenas e só, para nos acolher. Imponente, intransponível, cheio de luz.

O palco dos sonhos, o confessionário de todas as amarguras, o purgatório de todos os dissabores. Aquele que, não nos conhecendo de lugar algum, acolhe todas as nossas idiossincrasias, por igual.

Conhece-nos… a voz. Mistura-a com mestria, devolve-nos a acção combinada de todas. Diz-nos quão alinhados estamos. Diz-nos, uma e outra vez, quão audíveis somos, quando somos um só.

A alegria que se exponencia, a desilusão que se dilui. A comunhão plena do que nos é comum. É a certeza da força comum.

É aqui que ao somarmo-nos, somos apenas e só, um. O um que se opõe verdadeiramente a quem e ao que defrontamos, muito para além dos atletas em campo. Muito para além do um que somos.

O um que é, afinal de contas, ilusório. Não existe, não pode existir. Somos Sporting. E o Sporting não é, nem foi nunca, um só. Dizem-mo. Di-lo, até e recentemente, quem se propôs fazê-lo. Torná-lo um só.

Desconcertante somatório de partes, aparentemente, inconciliáveis.

Desconcertantes palavras, as da voz de comando. Desconcertantes momentos, aqueles em que nos vimos… sem voz de comando.

Comanda-me, contudo, uma convicção pronfunda e inabalável. A voz de comando a que respondo, é aquela que habita em mim e que procuro pôr ao serviço do todo. O todo, que é somatório de todas as - aparentemente inconciliáveis - partes.

A minha voz, não é a de quem viu acabar-se-lhe a mama. A minha voz, não se calou quando obviou a existência do que parecia ser um conjunto de hienas apontadas às jugulares. Às jugulares, da voz de comando. A minha voz, não se calou, quando pedia uma aberta à vida, quando achou que havia uma improvável sucessão de azares, a dificultar a afimação da voz de comando. A minha voz, não se calou quando sugeriu que fosse dado devido enquadramento à voz de comando. Enquadramento amigo, familiar, que permitisse que a verdadeira voz de comando pudesse fazer-se ouvir. E afirmar-se, como voz de comando.

A minha voz calou-se há dias, no meio de muitas vozes. Escolhi calar a minha voz, no meio de muitas vozes, por desejar preservá-la como aquilo que é, a minha voz, coincidente com as de uns, diferente da de outros. Não me conhecem o timbre, seria muito fácil ser tomada por voz ao serviço de outra(s), que não a minha voz.

Fiquei sem voz, quando vi que a voz de comando, deu voz, àquele a quem tentei dar voz, a 8 de Setembro de 2018.

Ouvi-lhe a voz, compreendi-lhe o timbre.

Ouvi a voz daquele a quem, agora, gostaria de dar voz. Compreendo-lhe o timbre.

Oiço a voz, da voz de todos os sócios. Suspiro de alívio por constatar que não deu voz a quem queria tê-la, sem ter discernimento.

Peço, à voz de todos os sócios, que tenha discernimento e que estude, com a voz de comando, forma de nos ouvir a voz. A de todos. A de todos que faz o todo. O somatório de todas as vozes. Não só as que são abafadas pelos décibeis, ou pelas contra- vaias, mas as que, como eu, olham para o todo.

A minha voz, não se fez ouvir em Alvalade, no dia 9 de Fevereiro de 2020. A minha voz, acha, contudo, que é tempo de se assumir que a voz de comando não consegue, nem conseguirá, pôr-nos a uma só voz. Aquela que, soma da de cada um de nós, exponencia a alegria e dilui a tristeza.

Tem sido… uma tristeza.

Gostava que a imponência e intransponibilidade, fossem apenas as do betão que dá forma ao palco de todos os sonhos, confessionário de todas as amarguras, purgatório de todos os dissabores. Interessa, sim, a luz que lá dentro existe. A vida que lá existe e que quer renovar-se a cada quinze dias. Não agastar-se e desgastar-se a cada nova visita.

Às vozes que querem ser de comando, saibam que compreendo-vos o timbre. Mas que não serei voz de quem quer ser chamado a sê-lo, em vez de convictamente apresentar-se voz, no meio de todo o sofrível ruído. De ser convictamente voz, em detrimento de ser publicamente reconhecido enquanto possível voz de comando. A convicção, terá de ser vossa e à margem de todas as vozes. A vontade de ser interruptor, que nos devolve a luz, terá de ser afirmativamente vossa.

Enquanto saio do posto de abastecimento olho o José Alvalade, atentamente, uma última vez. Conduzo agora ao seu encontro. À saída da Rotunda do Leão, mergulho em direcção a casa.

É assim que gosto de lembrá-lo. É assim que gosto de vê-lo. De luzes acesas e a uma só voz.

Matriz - parte VI

parte I

parte II

parte III

parte IV

parte V

A história que aqui vos trago?

Terá sempre um (infinito) final feliz. Por garantia conferida pela nossa matriz, que todos aceita, todos recebe, sem reserva de proveniência, ascendência ou militância. Obedece, a não outro, que ao princípio da existência. Na sua base, e espero que para sempre, Esforço. É, orgulhosamente, a base da nossa matriz.

No príncipio, foi e será sempre (espero), Esforço. Esforcemo-nos, pois, por ser ‘cal viva’ em contacto com água.

O infinito final da história que aqui vos trago? Depende não só de cada um dos que cá está, como de todos os que estarão para chegar.

O verdadeiro Sporting Clube de Portugal, é o do Johnny. O de Pedro Santana Lopes. O dos Leõezinhos EAS asiático e caucasiano. O do Senhor Felicidades. O dos sapatos Gucci, Sebago, e do chinelo de praia. O da cal. Da cal que se dilui, para absorver e assim conseguir aglomerar.

Ei-lo, na extraordinária – porque plural – A9. O verdadeiro Sporting Clube de Portugal.

Esforço, Dedicação, Devoção e Glória? Todos aceita. Todos recebe. Agrega. É a nossa argamassa.

Quiseram-nos, não circunscritos à sua realidade, económico-social e geográfica, mas mobilizados por todo o país e, sempre, com os olhos postos bem lá no alto. Ditaram, os nossos fundadores, os deveres fundamentais que se sobrepõem a qualquer direito natural, e que asseguram Glória terrena, ponte última para a eternidade.

Esforço, Dedicação, Devoção e Glória

Voltarei – sei agora – muitas vezes, à A9. Voltarei, não apenas para (tentar) estender a mão direita ao Senhor Felicidades. Voltarei de todas as vezes que precisar ou quiser sentir-me ‘cal viva’ em contacto com água. Ou, e se preferirem, arrebatada nano peça desta maravilhosa engrenagem. Desta tão grande engrenagem, que é afinal de contas, peça de uma engrenagem maior.

Interrogo-me muitas vezes como, ou por que razão, chegámos ao ponto a que chegámos. Sei que a massa de que somos feitos resiste incólume à erosão violenta de existências madrastas. Sei que o verdadeiro Amor, o nosso amor, é paciente, bondoso, tudo perdoa, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta, nunca perece. Sei que já soubemos ser ‘cal viva’, misturada com água, quando nos sentimos perigosamente reféns. Sei que no princípio, está Esforço. E Dedicação. Devoção e Glória.

Interrogo-me muitas vezes como, ou por que razão, chegámos ao ponto a que chegámos. Nada se perde, tudo se transforma. Se calhar, transformações há que requerem o contributo da peça que somos.

Se calhar, Sabe, de que massa somos feitos. Se calhar, Sabe que somos importante peça da engrenagem maior.

Porque filhos de Amor. O de um avô pelo seu neto. Porque espelhamos a Vida tal como ela é, heterógenea. E que é na complementaridade dessa heterogeneidade, que a vida se cumpre. Outono, Inverno, Primavera, Verão. Porque a nossa matriz todos recebe, todos aceita, agrega. Porque nos Sabe visceralmente comprometidos com Esforço. Com Dedicação. Com Devoção. Porque Sabe - que sabemos – que no final virá a Glória, ponte última para a eternidade. Porque Sabe – que sabemos –, que nada se perde, tudo se transforma (eterna e única condição). Porque Sabe – que sabemos –, que com Esforço, e tempo, todas as peças caem no lugar certo. Porque Sabe - que sabemos - que somos importante peça, de uma engrenagem maior. Porque Sabe, que assumimos e honramos a nossa condição de importante peça, de uma engrenagem maior. Que, necessária e inevitavelmente, se transforma. Porque nos Sabe visceralmente comprometidos com a criação de uma versão melhorada de quem somos, na nossa engrenagem, e enquanto peça de uma engrenagem ainda maior. Porque Sabe que soubemos ver, desde o primeiro momento, que a riqueza, está na diversidade que não exclui, mas que se complementa. Porque Sabe que nos forjámos na sua aceitação plena, sobreposta a qualquer direito natural. Porque Sabe, que sabemos, que ao forjarmo-nos na sua aceitação plena, garantimos a nossa perpétua renovação.

Porque Sabe que somos da raça que nunca vergará.

Não sei a que credo responderá Sabe. Não me importo de desconhecer-lhe a proveniência. Sou, afinal de contas, Sportinguista.

história que aqui vos trago? É real, acontece ainda agora e terá sempre, um final feliz. 

Fim

Matriz - parte V

parte I

parte II

parte III

parte IV

Saio da A9, enxotada pela temível (e odiosa) coluna de seguranças. Zarpam por ali acima à velocidade da luz, raios(partam). Persistem, sem esfarelar, perante os olhares mortíferos que lhes lanço. Verdadeiramente? São raios laser verdes que me saem pelos olhos. Começo por olhá-los de cima para baixo, na vertical, imaginando-os, qual fole desconchavado, a caírem às finas fatias, para os lados. Exaspero-me perante a constatação do meu falhanço, ziguezagueio o olhar, na esperança de lhes apanhar qualquer ponto nevrálgico com sucesso. Desço – invariavelmente –, as escadas, (in)conformada, olhos semicerrados, extremidade do lábio superior esquerdo ligeiramente arqueada, a deixar ver o canino brilhante. Da próxima vez? Trago o Dodi. Quero ver só se se aproximam, ó carro vassoura do meu descontentamento. 

Cruzo-me com muitas caras ao sair. Sorrio. Sorrio sempre. Desvio-me, desviam-se. Não me vêem – nunca me vêem – mas observo-vos. Carreirinhos de formigas apressadas, em todas as direcções. Não me vêem – nunca me vêem – mas vimo-nos há instantes. Somos as caras por trás das luzes de telemóvel que se acenderam e que acenámos. Cruzo-me, sem saber quem é quem. Sei, contudo, o essencial: são Sportinguistas. Sabê-lo, é quanto basta para fazer-me sorrir(-vos).

Até à Rotunda do Leão, tento ainda perceber, sem sucesso, se seriam eslovacos ou eslovenos, alguns dos Leões de Ocasião. Os que nos devolvem a (prova empírica da) Glória (também além fronteiras) que somos. Viro à esquerda, passo pelo PJR, Loja Verde de luzes acesas e aquele Olha mãe! Está aberta! que me fez estremecer e enterneceu. Desejo, em silêncio, que a Mãe possa comprar-te o bocadinho de Sporting (físico) que a alegria da tua voz transporta já, pequenino. Chegou-te à alma, estou certa. Desejo, em silêncio, que a Mãe possa comprar-te o bocadinho de Sporting físico, que dará forma visível ao que te percorre a alma.

Enquanto saio do posto de abastecimento olho o José Alvalade atentamente, uma última vez. Conduzo agora ao seu encontro, à saída da Rotunda mergulho em direcção a casa, não sem antes passar pela casinha. Recuso-lhe maiúscula e olhá-la de frente. É na minha direita, colada à casa de todos nós, que concentro atenções. Constato-a menos povoada por capacetes e bastões azuis. Com o passar do tempo, todas as peças voltam ao seu lugar. Em retrospectiva, é sempre mais fácil perceber que somos todos peças de uma, e desta, engrenagem. E que todas as peças fazem parte da engrenagem maior. Volto à tona, recupero o sorriso momentaneamente perdido.

Voltámos à tona.

Faço a viagem de regresso à minha (outra) casa, sem a mais pequena suspeita de que dali a mais ou menos 12 horas, o João Carlos, vai (também ele) entrar a pés juntos ao meu coração. Sim, se o Senhor Felicidades no final do jogo pôs a mão no meu ombro direito e, sorridente, disparou um extraordinariamente doce Felicidades! que me deixou (dolorosamente) pregada à cadeira - quase sem reacção -, o João Carlos esmaga-me, ajuda-me a cada interacção (e sem sabê-lo) a colar os cacos em que todos ficámos. João Carlos. Ou JC. Ou Johnny. Prefere Johnny.

Prefiro JC. Talvez por sentir que Cristos terrenos, serão sempre a expressão mais fiel e digna, do Divino.

Interrogo-me muitas vezes como, ou por que razão, chegámos ao ponto a que chegámos. Sei, contudo, que o verdadeiro Amor, é paciente, bondoso, tudo perdoa, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta, nunca perece. Sei, também, que a massa de que somos feitos resiste incólume à violenta erosão de existências madrastas.

A cal, também chamada cal viva, ou óxido de cálcio, em condições ambientes, é um sólido branco e alcalino.

O principal uso da cal viva é a produção de cal hidratada (hidróxido de cálcio). Para isto, dissolve-se a cal em água. A utilização da cal hidratada é difundida, principalmente em argamassas para alvenaria. Assim como o cimento, tem características aglomerantes. O endurecimento da cal ocorre pela absorção do dióxido de carbono presente no ar. Essa reação transforma a cal hidratada de volta em carbonato de cálcio (principal componente de rochas como os calcários).

[in Wikipedia]

Não sei o que diria de Carvalho (Galopim) mas creio que talvez tenhamos que ser todos – Sportinguistas –, um bocadinho ‘cal viva’ que se mistura com água. Parece que ao misturá-la com água (diluí-la?), absorve o dióxido de carbono presente no ar, o que, pasme-se, confere-lhe características aglomerantes, tais como as do cimento.

Então e… se nos diluirmos um bocadinho? E se absorvermos um bocadinho (a parte útil d) o que nos envolve? Será que nos unimos? Talvez só assim consigamos ser argamassa que liga os tijolos da nossa comum edificação.

A nossa casa, Senhor Visconde de Alvalade, será sempre, primeiro, sua.

Disse-nos, no princípio, que queria que nos esforçássemos. Que nos dedicássemos. Que vivêssemos com Devoção. Seriam os passos para, enfim, alcançarmos Glória e sermos tão grandes como os maiores da Europa.

Pôs os olhos lá no alto, o Senhor Visconde. Pôs os olhos na eternidade.

Quis-nos, quiseram-nos na verdade, não circunscritos à sua realidade económico-social e geográfica, mas mobilizados por todo o país e, sempre, com os olhos postos bem lá no alto. Ditaram, fundadores do Sporting Clube de Portugal, os seus deveres fundamentais e que se sobrepõem a qualquer direito natural: Esforço, Dedicação, Devoção e Glória. É a nossa matriz.

A história que aqui vos trago? É real, acontece ainda agora, escrita pela mão de cada um de nós.

A história que aqui vos trago?

[continua]

Matriz - parte IV

parte I

parte II

parte III

Olho uma vez mais com curiosidade para quem me rodeia. Ali, no lugar 14, fila 22, na (improvável) A9, no último jogo da época em Alvalade. Nunca tinha estado na A9. Sei agora que voltarei muitas vezes, e em breve, à A9. Voltarei em breve à A9 na (muito vã, eu sei) esperança, de (re)encontrar o Senhor Felicidades.

Senhor Felicidades, sentado à minha direita, avô de (pelo menos) dois pequeninos a quem vestiu casacos verdes no final do jogo, entrou-me a pés juntos no coração. O Senhor Felicidades, teve-me no campo de visão o jogo todo mas apanhou-me, especial e perigosamente, as aflições da primeira parte. E o golo do capitão Fernandes. De Bruno Fernandes. E o golo dos outros, que sentenciou o resultado.

Senhor Felicidades, seguramente mais de 70, ria-se, calmo, divertidíssimo, e completamente apaixonado pelo nosso grande Amor, já na segunda parte, quando falhámos golos atrás de golos. Amorosa descontração, a contrastar com minha incontida e sofrida incredulidade. Prova viva, e antiga, de como o (verdadeiro) Amor deve ser, o Senhor Felicidades. Paciente, bondoso, tudo perdoa, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta, nunca perece.

Senhor Felicidades, retirou o invólucro de plástico da caixa de pastilhas elásticas, guardou-o no bolso e distribuiu pastilhas pelos dois netinhos. O sabor? Melancia. Trident Senses, sabor melancia. Suponho que quando se aconchega e protege com casacos verdes – com tanto carinho - os netinhos (ali pelos 5 anos arrisco) e se tem um interior (visível) destes, pode-se, não se pode?

Senhor Felicidades disse-me que já tinha muitos anos disto, que já sabe como é, andamos ali, a ameaçar, a ameaçar, não marcamos, olhe, e é isto, sofremos um golo logo a seguir. Com a maior das naturalidades e sem nunca deixar esmorecer o terno sorriso que tem marcado no rosto. É Sportinguista, o Senhor Felicidades.

Mentiria, se dissesse que foi só o Senhor Felicidades que marcou indelevelmente a minha primeira presença na A9 que (também) me levou ao João Carlos.

Ali, debaixo do mesmo chapéu e à minha direita, o elevado Senhor Felicidades, têxteis modestos; à minha esquerda, a muito audível Senhora, mãe de duas adolescentes, fã incondicional – e mesmo muito vocal – do capitão Fernandes, Bruno Fernandes, sapatilha Gucci (?) e, quiçá, pulseira Cartier. Atrás de mim, outra muito vocal Senhora, cujo pé/canela/joelho/perna esquerdos quase proporcionavam um encontro imediato com o meu nariz. Depois de Petrov/c, quase CALnarizvic? Uff… Linguarejar de difícil digestão, o da referida Senhora (Alfama? Alvor? Caxinas?) e que me fez virar para trás. Não volto a virar-me para trás, estejam descansados. Até porque a Senhora (farpela que não faria prever), saiu ao intervalo, para não mais voltar. Obrigada Visconde de Alvalade, foi o Senhor que a levou dali, não foi? Desconfio que sim, sabe? Todo o aspecto de ser – compreensível – iniciativa sua. Não nos esqueçamos que a nossa casa será sempre, primeiro, sua.

À minha frente, o Leãozinho asiático, aluno EAS Aurélio Pereira. Concentradíssimo no, estou certa, também seu grande Amor. O Sporting que veste e, simultaneamente, respira e vê dentro das quatro linhas. Nos meus sonhos? Nos meus sonhos, voltarei em breve à fila 22 da A9 para vê-lo dentro das quatro linhas e aplaudi-lo. Aplaudi-lo, com especial entusiasmo e emoção. A par do Leãozinho caucasiano e português, aluno da EAS Telheiras, das pequeninas, laçarote rosa nos cabelos, projectados pelos ares por ocasião do golo que filmei, são a prova viva do que sempre intuí, pese embora a ameaça, não tão longínqua assim, de PERes.

São a prova muito viva do caminho iniciado por Estela de Carvalho e a que Maria Serrano Sancho dá novo impulso. As muitas meninas. Pequeninas, pré-adolescentes, adolescentes, crescidas. Vocais, mais contidas, griffes, zaras, boho chiques, da cidade e da serra. Ali, na A9.

O que mais ver, se não Glória, e estar entre os maiores da Europa, na presença de inúmeros cidadãos não nacionais?

O presidente Santana Lopes? Chegou atrasado, é certo, e à pressa, esgar de cansaço típico desenhado pelos lábios, para rapidamente imprimir renovado impulso ao corpo, depois de desviar o olhar dos degraus, para o alto. Tinha a garantia da (sua) eternidade, lá no alto.

Atrás de mim, lá no alto, onde os nossos olhos devem sempre estar, um outrora presidente do Sporting. Podemos estar em atraso, cansados, mas, olhamos para o alto – onde os nossos olhos devem sempre estar, onde temos, afinal, a certeza da eternidade –, e continuamos a íngreme subida. Ou, se preferirem, continuamos, Dedicados a Esforçarmo-nos.

Obrigada, senhor Presidente. Obrigada, muitas vezes. Pela presença. Pelas mensagens. Ou pela prova de que até os Deuses, descem do Olimpo. Se calhar, só lá estão por saberem  (em baixo) verdadeiramente estar. Obrigada, senhor Presidente. Obrigada, muitas vezes.

[continua]

Elementar

O Sporting joga este fim-de-semana na Choupana, num terreno difícil e ante uma boa equipa. Logo, vencerá. As dificuldades maiores são em casa, contra equipas fechadas. Voltaremos a ralar-nos na recepção ao Boavista. Mas sempre com fé.

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