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És a nossa Fé!

Declaração de interesse

Ontem, inesperadamente, fui brindado com o convite do Pedro Correia para fazer parte do És a Nossa Fé e hoje acordei com um auto-imposto objectivo de escrever o primeiro texto.

Entre documentos de word com frases meio escritas, com meias frases escritas, com a Banca de Jornais do Sapo aberta na parte dos jornais desportivos, com várias outras páginas de internet sobre o Sporting abertas, quando, de repente, me ocorre ir a um dicionário consultar o significado da palavra fé. Leio no dicionário: “Adesão absoluta do espírito àquilo que se considera verdadeiro”. Adesão absoluta. É assim mesmo que me declaro em relação ao Sporting, em adesão absoluta.

 

O Sporting é um clube que sempre quis ser diferente, pioneiro, correcto, generoso e universal. E é-o de facto. Paralelamente sempre me considerei um romântico do futebol, sempre me identifiquei e preocupei com o espectáculo, com a qualidade de jogo, com as movimentações colectivas e não unicamente com a obtenção da vitória a todo o custo, ou exclusivamente. Foi precisamente esse romantismo que encontrei no Sporting e que, acompanhado de um certo misticismo (serão dissociáveis?), me consolidou a paixão pelo clube.

 

(Ainda na última edição do Jornal do Sporting, Juskowiak, quando lhe perguntaram o que faltou ao Sporting para ter sido campeão no seu tempo, respondeu: “O Sporting só se preocupava em dar espectáculo e jogar bonito…”.)

 

Um verdadeiro romântico dará sempre mais valor ao processo de conquista do que à conquista em si. No entanto, tal como no caso de um romântico, em que o objectivo da conquista só faz sentido se existir o processo, também no futebol, sem vitórias não haverá bom futebol que resista. Em todo o caso, não duvido que uma equipa de futebol terá tanto mais sucesso (vitórias) quanto melhor for a sua capacidade de pensar, movimentar, decidir e executar colectivamente. A qualidade do jogo colectivo parte destas premissas, que deverão ser potenciadas pelas qualidades individuais dos jogadores. Não basta haver duas ou três individualidades para que uma equipa seja melhor que outra, ao contrário do que é a opinião generalizada. Não são as estatísticas que definem a qualidade dos jogadores, mas antes as potencialidades dos próprios jogadores aplicadas aos processos colectivos em que estão inseridos.

 

Esta forma como analiso o jogo faz com que considere Balakov o melhor jogador que vi com a verde e branca vestida, seguido de nomes como Figo, Paulo Sousa, André Cruz, Stan Valcx, João Pinto, Pedro Barbosa e Hugo Viana. Sou daqueles para quem Postiga foi o melhor avançado que passou nos últimos anos pelo Sporting, porque era o mais inteligente nas suas acções colectivas, porque todos os movimentos que fazia advinham da sua pura inteligência de jogo. Sou daqueles que acreditam que Carriço foi o melhor trinco que passou no Sporting depois de Duscher e simultaneamente o melhor central depois de André Cruz, simplesmente porque entende o jogo de forma mais rápida que os outros e define uma abordagem aos lances quase sempre correcta, não obstante algumas características físicas limitativas, como a velocidade. Considero que o melhor lateral direito que tivemos nos últimos anos foi Pereirinha, mesmo que não tenha tido a possibilidade de jogar consistentemente nessa posição, mas a forma criteriosa como ocupa o espaço e como decide diz tudo sobre a inteligência que tem. Foi um orgulho ter tido a oportunidade de ver Romagnoli jogar de verde e branco.

Actualmente,  considero Rui Patrício, André Martins e Eric Dier os três melhores jogadores do plantel, simplesmente porque são os que melhor decidem, os mais inteligentes nas suas acções e os que melhor interpretam as necessidades colectivas.

 

Romantismos e considerações pessoais à parte, desejo que o És a Nossa Fé continue a mostrar as qualidades que tem evidenciado até aqui, nomeadamente, a pluralidade de ideias, a qualidade literária dos seus autores e, a mais importante de todas, a grande devoção e dedicação ao Sporting Clube de Portugal. A Nossa Fé.

Resta-me agradecer ao Pedro Correia o convite. Espero estar ao nível de tamanha honra.

 

Saudações Leoninas.

 

P.s. Alonguei-me um pouco neste primeiro texto porque considero importante que fiquem desde já alguns esclarecimentos sobre a forma como vejo e interpreto o jogo. Por isso quando me virem por aí a defender o André Martins em futuros textos não se admirem.

Pura alegria!

Já não me lembro do jogo, já não sei o dia, nem adversário, nem resultado. Devia ter pouco mais de três anos – ela, não eu. Foi comigo à bola. Tudo o que retenho desse dia cristalizou-se pelo meu espanto ao vê-la eufórica ao primeiro vislumbre do relvado. Quis o destino que lhe visse o rosto iluminar-se no preciso instante em que o pano verde lhe surgiu no horizonte, espreitando por uma das muitas bocas de cena que fazem de nós atores e plateia. Pulou, pulou, correu, simulou um mergulho na relva, fez todas as cabriolas que conhecia e voltou para trás puxar-me pela mão. “Anda pai, é o Sporting!”.
Ela não é fanática, hoje adora as pipocas de ir ao estádio e vai começando a querer saber os porquês da joga, mas naquele dia, naquele instante, sem que o esperasse minimamente, uma singela imagem iluminada converteu-a em plena alegria vibrante, de uma energia que me acompanhará para sempre.
Amanhã vai voltar a ser o primeiro dia. Não seremos dois mas três, acompanhados de mais uma infante.

{ Blog fundado em 2012. }

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