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És a nossa Fé!

O "A Bola"

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A série de capas históricas do "A Bola" que o Pedro Correia vem mostrando é bastante denotativa do clubismo exarcebado que aquela empresa imprimiu ao seu negócio. É seu direito, estratégia em busca de lucros. Mas de há muito tempo  apenas uma falsidade enviesada, se pensada em termos de jornalismo.

Mas não é apenas uma coisa histórica. Um dos exemplos desse seguidismo ao Benfica e, acima de tudo, à sua direcção actual é a sucessão de manchetes sobre o jogador Jovic, contínua na página digital do jornal.

O processo deste jogador é perfeitamente normal: decerto que o Benfica o contratou por lhe reconhecer potencialidades. Chegado ao plantel, o jovem Jovic não teve espaço para se afirmar, face à concorrência que encontrou: Jonas, que é um jogador de grande classe; Seferovic, que não sendo um jogador extraordinário é muito competente (nos primeiros jogos que fez no Benfica, antes de se apagar durante a época passada, fartei-me de resmungar: "raisparta que os tipos acertaram ..."); e Mitroglou, um jogador pouco interessante mas que funcional, em particular num campeonato como o português, uma espécie daquele "pinheiro" que há anos um treinador sportinguista pretendia (imagem que sempre me faz lembrar um Peter Houtman que nunca me encantou, nem me deixa saudades). Sendo este Mitroglou um "pinheiro" até mais móvel, mais competente, concedo. Face a essa situação o Benfica emprestou o jogador, para que ele evoluísse. A um bom clube, de um excelente campeonato, e que - o que é, nestas coisas, o fundamental - realmente o pretendia, enquadrando-o e dando-lhe tempo de jogo. E visibilidade. Assim muito o valorizando. Crítica minha? Nem uma gota. 

Ainda assim é também possível argumentar que se tivesse o Benfica no início da época que ora finda uma outra perspectiva de futuro, e particularmente se tivesse um técnico mais afoito na opção por jogadores jovens, muito provavelmente Jovic teria feito uma época ainda mais sonante - a vida dos avançados dos 3 grandes é mais fácil em Portugal do que no campeonato alemão, isso é indiscutível. Digo-o como mera hipótese. Pois se calhar o peso de Jonas, a imposição até algo exuberante de Seferovic, e a explosão de João Félix (que é um belíssimo jogador, mesmo que se possa dizer que o habitual empolamento dos jovens do Benfica o poderá sobrevalorizar um pouco) poderiam ter obstado a uma afirmação de Jovic. Nunca se saberá, é mera especulação. Fica a minha conclusão: nada da condução da carreira de Jovic no plantel benfiquista transpira incompetência. Mas também poderia ter sido diferente. Com toda a franqueza - e até porque gosto muito do treinador Lage - julgo que Jovic teria sido uma grande revelação no Benfica. 

Mas tudo isto que digo é apenas para sublinhar que não estou a criticar ou a cutucar a secção de futebol sénior do Benfica. Não é essa a questão. Estou apenas a falar do "A Bola". Jovic vai ser transferido para o Real Madrid, por uma enorme quantia. O Benfica vai lucrar com essa transferência. Mas, de facto, o não ter apostado no jogador conduziu a que a parte fundamental do lucro será para o clube alemão. O Benfica perderá assim algumas dezenas de milhões de euros. Ou melhor dizendo, deixará de ganhar algumas dezenas de milhões de euros. 

Repito o que disse, não estou a criticar o Benfica. Nem a "gozar". Foi um processo normal. O que me é interessante é a sucessão de notícias do "A Bola". Sistematicamente informando os seus leitores - na maioria benfiquistas - que haverá "Encaixe significativo para os cofres da Luz com a transferência de Jovic", descurando uma hipótese de análise crítica perfeitamente sustentável. Sempre enfatizando que o clube beneficiará. Mas nunca aflorando o evidente desperdício económico que irá acontecer. Chama-se a isto moldar opiniões. Um verdadeiro condicionamento, em particular da massa adepta daquele clube. Há quem lhe chame "jornalismo". Mas não é. "A Bola" é, de facto, e já há muito tempo, um departamento de comunicação de uma empresa.

 

O Rumo Certo

Esqueçam a capa, esqueçam as lampionices de V. Serpa, Delgado e F. Guerra, "A Bola" tem hoje 9 belas páginas sobre o nosso Sporting Clube de Portugal, com destaque para Bruno Fernandes (o lado pessoal deste nosso grande jogador, grande capitão e grande homem também), Marcel Keizer (os números não mentem) e Miguel Albuquerque.

Grande entrevista deste último, 16 anos de trabalho no Sporting, entrevista essa com ênfase no futsal mas passando pelas modalidades principais, e explicitando uma política desportiva para as modalidades ganhadora e sustentável com a qual me identifico em absoluto.

Frases a reter:

" ...esta conquista tem de ser um exemplo de perseverança, o exemplo do que é perseguir um objectivo de uma forma fria e calculista, de acreditar sempre num objectivo e de ter um projecto para chegar a um objectivo e uma linha condutora para nos levar ao sucesso." (foram três finais perdidas para finalmente ganhar a 4.ª)

"... temos tido a preocupação de criar referências e ter uma mescla de jogadores experientes, estrangeiros internacionais com jogadores da nossa formação... O ADN do Sporting será sempre a formação, no futebol e nas modalidades. Mas não ganhamos nada só com a formação."

"Não vamos acrescentar modalidades. O Sporting precisa de reequilibrar as suas modalidades, reorganizar os projectos desportivos; temos de começar a olhar mais para a formação."

"O Sporting não vai conseguir ganhar sempre.... O que eu quero é ganhar muitas vezes. Fazer um projecto de cinco anos e dizer assim: em cinco anos ganhámos 3, e se ganharmos 3 é positivo porque ganhamos mais do que os outros."

"O investimento nas modalidades é para continuar....ninguem ganha se não investir. Tem é de haver equilíbrio."

É isto mesmo. O rumo certo, independentemente dos condicionalismos do momento, das fraquezas e infortúnios, o rumo que corresponde ao lema do Clube. 

Esforço, Dedicação, Devoção e Glória. Eis o Sporting.

SL

Quatro autogolos na Queimada

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Alguém devia recomendar ao director do jornal A Bola que, antes de escrever, se informasse bem sobre a grafia do nome dos jogadores do Sporting. Pelo menos nisto não devia meter tantos golos na própria baliza.

Ontem, no editorial do diário da Queimada, Vítor Serpa marcou quatro autogolos. Tantos quanto o número de vezes que escreveu "Rafinha" para designar o nosso Raphinha. Admito que não tenha sido por mal. Deve é dar-lhe bastante mais jeito escrever outros nomes, muito mais simples, graciosos e fáceis de decorar, como Seferovic ou Vlachodimos.

"... uma lamentável ideia de intocabilidade..."

«Apaguem a Luz e fechem o estádio

Vítor Serpa (Editorial)

Benfica foi condenado, pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, a quatro jogos de interdição e ainda ao pagamento de uma multa de 28 mil euros. Se tivermos em vista a proposta apresentada pela Comissão de Instrução da Liga, que previa uma interdição que poderia ir até 21 jogos, foi uma pena suave ou, se acompanharmos a época, foi uma pena de saldo.

O crime assinalado diz respeito a sete jogos, há cerca de dois anos, onde o Benfica teria sido apoiado, no Estádio da Luz, por claques organizadas e que o Benfica não reconhece como oficiais, mas a Comissão de Instrução, depois de uma fase em que propôs o arquivamento, veio a encontrar, não provas, mas «suficientes indícios».

A primeira questão que deve ser observada é que o Benfica tem vindo, há anos, a correr riscos despropositados e que só se justificam por uma lamentável ideia de intocabilidade na autodenominada instituição. E essa atitude deve ser profundamente criticada. Mesmo que pense ter a razão jurídica do seu lado, o desafio permanente e as dificuldades em que coloca o sistema disciplinar do futebol e até o sistema político é injustificado.

A segunda e também essencial questão é que nenhum sistema disciplinar desportivo pode vir a pedir uma condenação brutal em razão de jogos que se realizaram há dois anos.

A terceira e definitiva questão, que também será de óbvia importância, é que tendo por certo que, nestes últimos dois anos, nada se alterou na Luz, em relação ao apoio das claques nos jogos do Benfica, o caminho iniciado levaria ao absurdo de uma interdição definitiva. Está o CD da FPF disposto a tal?»

 

In. A Bola, n.º 16478, de 14 de Fevereiro de 2019

O russo afinal é holandês

O jornal A Bola garantia hoje, às 12.14, em tom peremptório e sem gaguejar: «O russo Leonid Slutsky é o treinador escolhido por Frederico Varandas para suceder a José Peseiro.»

Uma certeza inabalável que durou apenas oito horas. Às 20.19, outra versão no mesmíssimo jornal, nada condizente com a anterior: «O holandês Marcel Keizer «é uma forte hipótese para suceder a José Peseiro no comando técnico do Sporting.»

 

Assim se faz jornalismo, hoje em dia: às apalpadelas e aos tropeções. Um dia ainda acabam por acertar.

 

Perder a bola é "acção decisiva"

Há coisas que não compreendo. Uma delas é a devoção do jornal A Bola por Bruno Fernandes. Na edição de hoje, ao apreciar a actuação individual dos nossos jogadores no desafio frente ao Vorskla, o jornalista de turno escreve assim, naquele estilo tão característico do diário da Travessa da Queimada, que decidiu abolir os artigos definidos e indefinidos, talvez para economizar caracteres:

«Aos 40', assina [um] pormenor delicioso, mas [o] remate sai por cima, e aos 65' volta a tentar de longe, desta feita à figura do guarda-redes.» 

 

Tudo isto para tentarem incensar um jogador que se encontra claramente muito abaixo da forma revelada na época que passou. O tal "pormenor delicioso" foi uma charutada bem acima do travessão e a "tentativa" de marcar concretizou-se num passe inofensivo e açucarado ao guardião ucraniano.

Mas o melhor, na edição de hoje, foi verificar que A Bola tenta atribuir ao n.º 8 do Sporting a co-autoria do golo que ontem nos valeu três pontos em Poltava. Reparem só na prosa empolgada: «Tem acção decisiva no golo da vitória.»

 

Alguém que viu o jogo achará isto correcto?

Os sonsos

É um exemplo: são 17.30, visito o sítio do "A Bola" para ver como tratam ali esta actualidade. Tem um friso de dez destaques, encabeçado pela notícia de que "a UEFA deu nega ao Sporting no assunto dos vales" (na linguagem javarda do jornal e daquele tipo de gente diz-se "vouchers") do Benfica. Nos outros nove destaques vários se referem ao Sporting (presumíveis rescisões, as brunices). Nem uma palavra sobre o acontecido hoje nas investigações sobre o vieirismo. 

 

Sobre o "A Bola" está tudo dito, já sabemos do que aquilo gasta. Mas o que me irrita mesmo são os outros sonsos, no meio desta demência toda. Os que acham tudo bem, que BdC está todo bem, e ele que ocupe o espaço a esbracejar porque tem razão (alguém que candidata um homem a presidente da AG por duas vezes, pode dele dizer o que disse, hoje?). Que esta capacidade de queimar tudo  em sua volta, e de capear a extrema dificuldade porque passa o polvo no futebol e no clubismo, seja esquecida.  Com a enorme sonsice do "coitado, que foi apanhado em Faro...". 

E que tem razão formal, dizem - não a tem, mas ainda que a tivesse. A sonsice é asquerosa, um vício de atitude. Quando se diz uma verdade destas há sempre gente que leu mal alguns livros e que nada pensou sobre eles, que vem grasnar o que julga que aprendeu, que temos que respeitar as opiniões alheias. Grasnam desafinados: o que nós temos, os que não são holigões de claque, é de respeitar o direito a exprimir livremente as opiniões. Não temos de respeitar as opiniões. Por isso todo este meu desprezo pelos sonsos. Igualzinho ao que tenho pelos subordinados do Vitor Serpa, a aldrabarem o real para protegerem o vieirismo.

Pior que mau... Bonzinho

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Começo por me penitenciar pelas reticências do título, podia estar ali um ponto em cima duma vírgula ou um ponto em cima doutro, achei que assim ficava melhor... três pontos.

Para recordar a Bonzinho e a todos os "bonzinhos" deste mundo que o Sporting Clube de Portugal (Jesus) marcou três, três golos e que esses três golos lhe garantiram um lugar nos quartos de final da Liga Europa, já o Manchester United (Mourinho) marcou um, um golo e esse golo não é um ponto em três reticências é um ponto final, mesmo.

Escreve o artista, que na primeira imagem está fardado a preceito, com camisa e peúga branca e "pulóver" encarnado: «Jorge Jesus quase viveu na República Checa o que José Mourinho, infelizmente, sofreu em Manchester: uma surpreendente eliminação europeia».

Como?

Bonzinho é um "expert" em futebol, eu, quanto muito, serei um "desperto", desperto, acordado, para a realidade. O que a realidade me diz é que o Manchester United jogou com o Sevilha e não esteve um único minuto em vantagem na eliminatória, aliás esteve a perder dois a zero em casa; no caso do Sporting não estivemos um único minuto em desvantagem, estivemos sempre a vencer ou empatados.

Para Bonzinho a culpa de Mourinho ter sido eliminado (e a culpa de Jesus [na cabeça dele] estar quase eliminado) foi dos jogadores, vejamos:

«Claro que Jesus e Mourinho, ainda por cima dois mestres da estratégia, não são infalíveis. Mas pode um treinador resistir a tanto erro dos jogadores?»

Pode, Bonzinho.

Pode, pá; no caso do jogo do Sporting os erros que tiveram maior influência no resultado não foram nem do treinador, nem dos jogadores.

Erro nº 1 - Validação do golo dos checos em fora-de-jogo nítido.

Erro nº 2 - Não repetição da marcação do penalty (mais um bocadinho e o guarda-redes chegava à bola antes de Bas Dost). As regras dizem que o guarda-redes tem de estar com os dois pés em cima da linha de golo. Não está e o penalty não é convertido, repete-se.

Para terminar, Bonzinho, para o ano há mais, o Benfica voltará, pelo menos à Taça de Portugal e à Taça da Liga.

 

Só visto, contado ninguém acredita

Passa da uma da manhã e percorro os jornais desportivos online. A Bola consegue não ter uma única, repito, uma única referência ao caso do anteriormente designado por braço direito de Luís Filipe Vieira, depois assessor jurídico do Benfica e agora já mero colaborador do clube ( já faltou mais para não ser de cá, só ter mesmo vindo ver a bola...). Surreal, a tal cabeça na areia ou o estado de negação. Nem nos tempos da ditadura chegamos a tal silêncio ensurdecedor. Até porque nesse tempo a maioria dos jornalistas tinha honra e lutava por, em cada edição, poder relatar fragmentos da realidade então vivida. Agora, nos jornais desportivos, ou têm amos ou têm medo e calam-se. Que vergonha. Só visto, contado ninguém acredita.

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 Entretanto o Record, para que não se diga que faz fora do penico e para não ficar atrás, na versão online apenas publica uma pequena notícia para chamar à história a figura da juíza, referenciando-a como tendo tido entre mãos dois casos que, como este, nada tiveram a ver com o Benfica, o do túnel da luz e da morte de Ficini...

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 Em suma, mau jornalismo, ardiloso e mentiroso, que não merece o desperdício de um único cêntimo na sua compra. 

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