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És a nossa Fé!

Contar a história

A página "Mentalidade Leonina" chama a atenção para a dualidade de critérios na capa do "Dia seguinte" d'A Bola.

Por acaso, até acho que estas capas estão adequadas e retratam muito bem a realidade.
 
Vejamos:
 
1. 15 de maio de 2018 foi efectivamente o dia mais negro da história do Sporting. Nunca nada semelhante se tinha verificado e nenhum Sportinguista quer ou admite a hipótese de algo tão negro voltar a ocorrer.
 
2. No outro lado da segunda circular está tudo tranquilo, preferem jogar rapidamente o lixo para debaixo do tapete e até aplaudem o novo gestor que, como diz Ricardo Araújo Pereira, faz parte da direcção que acompanhou LFV e logo, "há as hipóteses de [ser] cúmplice, conivente e a menos grave: a de totó".
 
Eu prefiro encarar a verdade. Foi mau, foi horrível, foi o dia mais negro e desejei muito que a justiça actuasse e fosse célere para podermos recomeçar. Jamais perdoarei o que fizeram ao Sporting.
Se do outro lado assobiam para o lado e batem palmas ao líder cumplice/conivente/totó, é lá com eles. Amanhem-se e boa sorte.

 

Título ou melhor título

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Enquanto Porto, Braga e Benfica estão entretidos a potenciar concentração para conseguirem os lugares na Champions, espero que o Sporting consiga conquistar aquilo a que António Oliveira designa como:  "título", assim em letra minúscula, em caixa baixa.

Fiquem lá com a Taça (a outra, a da Liga foi nossa) com os lugares da Champions e deixem-nos o título, o titulozinho se preferirem.

Defender o indefensável

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Duarte Gomes, sempre ele. Na tentativa desesperada de salvar a face dos árbitros mais incompetentes e mais impróprios para o futebol de qualidade que ambicionamos ter em Portugal, surgiu na edição de ontem do jornal A Bola elogiando em título o desempenho do seu colega Tiago Martins, que teve uma actuação péssima na final da Taça da Liga. «Tecnicamente bem» é a sentença do ex-juiz do apito.

Gomes precisa de reler o que escreve quando chega a hora de pensar num título. Sucede que, na análise de um desses lances em que Martins revelou todo o esplendor da sua incompetência, o articulista d' A Bola assinala que o lance foi «mal avaliado tecnicamente». E sem discussão: Jovane viu o amarelo aos 24' quando foi ele a sofrer a falta.

Como é que um «mal avaliado tecnicamente» se transforma no «tecnicamente bem» do título? Mistério. Talvez Duarte Gomes, um dia destes, não se importe de esclarecer.

Cartões e cartõezinhos

Há faltas e faltinhas e há cartões e e cartõezinhos.

Para os mais distraídos, para os que "tiverem que levar" com a mão de Neto e com o penalty perdoado ao Sporting (foi mão e seria penalty) vou tentar dar uma perspectiva mais geral, olhar a floresta e esquecer, por momentos, a árvore.

Nesse lance há um erro, um grande erro de arbitragem, uma entrada por trás de Joel Tagueu sobre Plata, estávamos no minuto 27, entrada por trás é vermelho, sejamos condescendentes, digamos que era só um amarelo, aos 45'+4' esse mesmo Tagueu teve mais uma entrada alaranjada e viu amarelo, o segundo amarelo, pelas leis do jogo.

Para além disso dois foras de jogo para A Bola, duvidosos, para mim, manhosos.

Fiquemos com a análise à arbitragem na pág. 3, Nuno Paralvas e na pág. 7, Duarte Gomes.

Apesar de Manuel Oliveira ter perdoado uma expulsão (cf. com vitória do Porto na Madeira, hoje. Os adversários do Porto, sim, podem levar duplo amarelo) ao tal Tagueu, Duarte Gomes acha que foi uma arbitragem razoável.

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Enfim, ninguém está isento de erros.

Nem os árbitros, nem os analistas de árbitros e, se calhar, nem os analistas dos analistas dos árbitros.

Unanimidade? Qual unanimidade?

Duas opiniões insuspeitas sobre o mais polémico lance do Famalicão-Sporting - aquele em que é anulado um golo limpo da nossa equipa, marcado pelo capitão leonino aos 90'.

Ambas publicadas na edição de ontem do jornal A Bola:

 

Bagão Félix: «O golo anulado a Coates em Famalicão é de difícil julgamento. Honestamente, acho que uma vez assinalado como válido pelo árbitro, a intervenção do VAR é duvidosa, porque seja qual for o ângulo de observação não há uma infracção categórica.»

Vítor Serpa: «É possível garantir, através de imagens paradas ou até mesmo de uma sucessão de frames, que houve irregularidade? Não me parece. Quanto muito seria possível interpretar como tal, mas nunca com absoluto rigor. O que nos remete para a possibilidade de uma invasão inapropriada do VAR no jogo.»

 

Cai definitivamente por terra a tese que alguns andam desde domingo a propagar sobre a pretensa "unanimidade", entre todos quantos não são adeptos do Sporting, relativamente à decisão assumida nesse jogo pelo árbitro Luís Godinho, sob pressão do vídeo-árbitro Artur Soares Dias.

Bagão Félix e Vítor Serpa juntam-se assim a António Oliveira, Manuel Cajuda e outros observadores isentos de devoção leonina mas dotados de honestidade intelectual.

 

ADENDA: O conceituado árbitro espanhol Eduardo Iturralde também se pronuncia: «É um golo legal e não tinha de ser revertido pelo VAR. Não há falta clara sobre o guarda-redes dentro da pequena área. Fora dela, o guardião é só mais um jogador. Ele vai disputar a bola, o jogador do Sporting também e não há nada. Há braço com braço, mas não é falta. Para mim, trata-se de um golo legal.» Desfeito de vez o mito da "unanimidade" em torno deste lance.

Palhinha do Verão ao Outono

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1

 

«Palhinha em Inglaterra»

Título d' A Bola, 31 de Julho

 

«Palhinha "paga" Pedro Gonçalves»

Título d' A Bola, 15 de Agosto

 

«CSKA para Palhinha» 

Título d' A Bola, 25 de Agosto

 

«João Palhinha aguarda CSKA»

Título d' A Bola, 26 de Agosto

 

«Palhinha olha para Inglaterra»

Título d' A Bola, 27 de Agosto

 

«Palhinha no CSKA rende 12 milhões»

Título d' A Bola, 28 de Agosto

 

«Palhinha para fechar esta semana»

Título d' A Bola, 30 de Agosto

 

«Palhinha fechado esta semana»

Título d' A Bola, 31 de Agosto

 

............................................................

 

2

 

«Tenho esse sonho [ser campeão pelo Sporting], mas não é algo com que viva completamente obcecado. Fazendo-se as coisas com calma, trabalho e responsabilidade, tem tudo para chegar a bom porto.»

 

«Se o for [capitão do Sporting], é com grande orgulho e extrema motivação, dados os anos da formação que conto. Tenho contrato com o Sporting há muitos anos. Não é para qualquer um ser capitão do Sporting, é uma grande responsabilidade. Se acontecesse, era mais um momento de felicidade que teria na minha carreira.»

 

«Temos muito bom balneário, com união. A estrutura arranjou um misto de experiência e juventude. As pessoas olhavam para a nossa equipa como miúdos, mas acabamos por ser um misto das duas coisas.»

 

«É normal todo o ruído que se tem feito porque estamos a fazer bem o nosso trabalho. Quando se ganham jogos como temos ganho, com esforço e sacrifício, é normal que as pessoas na televisão comentem e que os jornalistas façam capas a valorizar o nosso trabalho.»

 

«Quero é fazer um bom trabalho no Sporting, evoluir como jogador, fazer o máximo de jogos possível pelo clube. Quanto ao resto, é deixar as coisas acontecerem.»

 

João Palhinha em entrevista ao Record, 21 de Novembro

O alívio

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Andavam a ser dias de pesadelo na Travessa da Queimada.

Com o Benfica a perder, banido do acesso à Liga dos Campeões pelo PAOK, clube com um orçamento oito vezes inferior. Pelo menos 40 milhões de euros atirados janela fora quando a equipa agora orientada por Jorge Jesus foi ao tapete em Salónica, vergada pelo onze de Abel Ferreira, ex-treinador da equipa B do Sporting. 

Com Luís Filipe Vieira - de longe o dirigente desportivo favorito do jornal A Bola - indiciado e já acusado em dois processos-crime, enquanto continua a ser investigado noutras frentes judiciárias. De tal maneira desprestigiado que até levou o Presidente da República a «forçar» o primeiro-ministro a retirar o apoio à recandidatura do ainda líder benfiquista, como hoje revela o semanário Expresso.

Eis que, de repente, o Benfica vence em Famalicão. E logo A Bola transborda de júbilo, com uma manchete bem reveladora da linha editorial deste diário: «Agora sim!» Com ponto de exclamação pintado de vermelho, para que não restem dúvidas. 

Um verdadeiro alívio. É nestes momentos que se percebe tudo.

Cavani cavou

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17 de Agosto

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22 de Agosto

 

Durante um mês, o País andou entretido com um patético folhetim em torno de um jogador que prometia "dar brilho" ao campeonato português: o internacional uruguaio Edinson Cavani, que noutros tempos foi estrela dos relvados mas que agora, aos 33 anos, entrou na fase crepuscular da carreira, aliás reflectida nos números: na época passada, ainda ao serviço do PSG, participou apenas em 22 jogos, tendo marcado sete golos - tantos como o nosso Sporar em meia época de verde e branco.

Foram semanas de crescente descrédito dos órgão de comunicação social que deram estatuto de notícia ao rumor, tornando-se assim meros instrumentos - conscientes ou não - do aparelho benfiquista posto ao serviço da recandidatura de Luís Filipe Vieira. Acossado pela justiça, enfrentando o evidente descontentamento de uma parte significativa dos sócios, o presidente do SLB terá em Outubro a eleição mais complicada do seu longo consulado, iniciado em 2003. O instinto diz-lhe que necessita mais que nunca do "escudo protector" das funções que ainda desempenha para evitar problemas mais sérios nos tribunais.

 

É neste contexto que nasce a novela Cavani. Certos títulos jornalísticos, mandando às malvas o resto de credibilidade que lhes sobrava, fizeram deste não-assunto uma questão muito mais relevante do que a pandemia, infelizmente sem fim à vista. Capa após capa, manchete após manchete, abertura após abertura de "espaços de comentário" na televisão com opinadores travestidos de jornalistas sem possuírem título profissional para o efeito.

Deu jeito a Vieira, claro. Durante semanas ninguém falou na oposição benfiquista, feita a várias vozes: o uruguaio funcionou como trunfo eleitoral do antigo lugar-tenente de Pinto da Costa, único dirigente do futebol português que chegou a ser sócio em simultâneo dos três principais clubes. Até que Cavani decidiu cavar: deu à sola antes de chegar. Dando origem a situações caricatas, como aquela que aqui surge representada por duas capas do diário A Bola com apenas cinco dias de diferença.

Na primeira, a 17 de Agosto, gritava-se com incontido júbilo: «Cavani está a chegar.» O subtítulo tinha tons épicos: «Uruguaio deixou ontem Montevideu numa viagem que terminará na Luz.» Na segunda, a 22 de Agosto, a euforia dava lugar à decepção: «Cavani já não vem.» Só faltou o matutino da Queimada vir de luto, em vez de estar pintado com o habitual vermelho.

 

Todos os dias os jornais perdem credibilidade. Por vários motivos, mas sobretudo por este: cada vez menos gente os leva a sério.

O descrédito de uns acaba por contaminar os restantes, afectando até aqueles que evitam insultar a inteligência dos leitores, cada vez mais exigentes e capazes de separar o trigo do joio. Quem recusa pagar para consumir folhetins disfarçados de notícia faz muito bem.

Adrien: a queda de um ‘anjo’

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Confesso, estou chocado. Adrien Silva escolheu o jornal "A Bola", conhecido por ser próximo dos adeptos encarnados, para dizer que estabeleceu contactos para regressar ao Sporting Clube de Portugal e que Frederico Varandas e Rúben Amorim lhe fecharam a porta na cara. Não o quiseram. Mas diz pior e oferece-se completamente ao SLB e a Jorge Jesus. Isto vindo de um ex-capitão do clube, formado em Alcochete, internacional e campeão europeu enquanto jogava em Alvalade, é o quê? Alta traição? É a realidade. E temos que reagir e procurar que no futuro outros não repitam o que Adrien fez hoje.

 

Não encontro palavras para definir esta atitude de Adrien, mesmo sendo um profissional de futebol. E também aproveito para perguntar: este 'defeso' será para ver os nossos rivais históricos e as outras equipas fortes da liga fazerem contratações explosivas enquanto nós discutimos questões menores, laterais e olhamos para o infinito? O Sporting precisa de um rumo, de estratégia e de arregaçar as mangas!

Ai que saudades, ai ai

O jornalista (e sportinguista) Nuno Ramos de Almeida escreve no seu facebook, e eu aqui transcrevo com a devida vénia:

"Antigamente o jornalismo era a procura da verdade sobre aquilo que era notícia. Agora em muitos sítios é a procura de um efeito político."

Antigamente, "A Bola" era um jornal. Agora é uma página web que decide que a melhor forma de apurar a verdade sobre o diferendo entre o Sporting e Mihajlovic é abrir um inquérito online.

O jornal A Bola e o Benfica

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Desde a sua fundação o jornal "A Bola" seguiu relativamente ligado ao Benfica. É pacífico dizer isso. Mas a tendência benfiquista, tanto por clubismo da maioria dos seus quadros como por opção comercial, em busca de maior aceitação popular, nem sempre foi de radical seguidismo à direcção daquele clube. Mas este seguidismo veio em crescendo nas últimas década. Hoje em dia é pungente. E ultrapassa a temática do clubismo, recai mesmo nas questões da democracia, seja a associativa desportiva seja mesmo a consideração do exercício democrático como molde do exercício da comunicação social. 

O caso das ênfases noticiosas expressas no jornal de hoje é exemplar do estado a que chegou aquele jornal. Álvaro Cordeiro Dâmaso, presidente da mesa da Assembleia-Geral da SAD do clube, apresentou a sua demissão. Isto apenas três meses depois de Luís Nazaré, o presidente da mesa da Assembleia-Geral do clube, se ter demitido em ruptura com o presidente do clube. Para além desta sequência de demissões poderem indiciar algumas cisões no núcleo dirigente das instâncias do clube, uma tão importante demissão na SAD em momento coincidente com o anúncio de enormes investimentos no plantel futebolístico acontecidos em plena crise económica. Para mais, em breve acontecerão eleições no Benfica e já se alinham várias candidaturas.

Diante de tudo isto qual o relevo que o jornal "A Bola", lido maioritariamente por benfiquistas, dá a esta demissão no quadro da SAD? É ver esta primeira página de hoje, uma quase invisível nota no canto inferior esquerdo, numa capa dominada por meros rumores sobre contratações futebolísticas. Isto já nem é pungente, é mesmo a negação do jornalismo.

O "caso Rúben Amorim" e os motivos de "força maior"

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Na sequência do que escrevi ontem aqui, continuo com a suspeita - e não passa disso mesmo, de uma suspeita - de que a direção do Sporting Clube de Portugal invocou um incidente de Force Majeure ("força maior", em português) para não saldar a primeira prestação (cinco milhões de euros) da transferência de Rúben Amorim do Braga para o nosso Clube. A confirmar-se esta decisão, muito arrojada para o que conhecemos até aqui da equipa de Frederico Varandas, o SCP está a seguir os passos de muitas empresas e instituições por essa Europa fora e também nos EUA.

 

As cláusulas de "força maior" - que o contrato de Rúben Amorim deve obrigatoriamente incluir, caso contrário aplica-se a Lei geral no País onde se celebrou - prevêem justamente este tipo de situações extraordinárias, como a pandemia que estamos todos a viver, e na prática alteram as obrigações e as liabilities quando se dá esse evento ou circunstância que muda tudo.

 

Esta informação só poderia ser confirmada na carta que o SCP dirigiu ao Braga, que julgo ainda não ser pública, já que nos dados fornecidos à CMVM não consta nada sobre isto. No entanto, quer ontem as fontes da direção leonina, em off, quer hoje a análise das capas d' A Bola e do Record indiciam isso mesmo. O jornal mais próximo do SCP diz "Leão falha Amorim", em antetítulo diz que "o Sporting alega que não pagou porque não quis" e em subtítulo: "SAD assume que se trata de medida de gestão". Já o jornal mais lampião escreve em manchete "Rúben Amorim está por pagar" e diz no antetítulo, com gravidade, "Sporting falha 1.ª prestação e fica a dever de imediato €12,3 milhões" [em vez dos dez milhões, cláusula de indemnização do treinador por rescindir com o Braga].

 

O assunto é sério e deveria ter merecido uma estratégia de contenção de danos por parte da direção, tentando que estas falhas de comunicação não se fizessem sentir. Uma medida de boa gestão é cumprir com as obrigações e os contratos assinados e, caso assim não seja, por qualquer motivo, mesmo que de "força maior", o SCP deve informar a opinião pública para não acontecer o que vimos ontem em todas as televisões e serviços noticiosos. Passou a imagem de que o SCP não é cumpridor, falhou com o Braga e terá consequências inacreditáveis aos olhos de todos nós, como o aumento do seu passivo, a expulsão das competições da UEFA e outras sanções do tipo. A pior, no entanto, é a machadada na sua credibilidade e os efeitos reputacionais disso mesmo perante os diversos stakeholders: à cabeça de tudo os sócios, mas também os parceiros e patrocinadores, outros clubes, os seus profissionais, as associações do setor nacionais e estrangeiras e as entidades financeiras.

 

Se o Sporting está a tomar medidas excepcionais de gestão prudencial e resolveu, extraordinariamente, não honrar os seus compromissos com terceiros porque outras partes também não estão a cumprir com o Clube - duvido que o Manchester United, por exemplo, com a liquidez que tem, não esteja a pagar rigorosamente tudo o que é suposto pagar pela saída de Bruno Fernandes -, então isso deve ser muito bem explicado, com argumentos jurídicos e financeiros inatacáveis. Essa explicação urge ser dada aos sócios e ao País.

 

Estamos a falar do Sporting Clube de Portugal e não de uma qualquer instituição de segunda ou terceira categoria. O que levou quase 114 anos a construir não pode ruir de repente por causa de uma pandemia, como também não ruiu com a passagem de outros "vírus" pelo nosso Clube.

Não acertam uma

Andam a celebrar a data dos 75 anos da fundação e o director quase vitalício do jornal até já verteu uma lágrima em editorial, revelando ter passado a condução efectiva do funcionamento do plantel jornalístico a outra pessoa, cujo nome ainda não vem impresso no cabeçalho.

A verdade, porém, é que o diário A Bola vive uma das suas piores fases de sempre. Muito longe dos dias de glória que conheceu nas décadas de 60, 70 e 80, quando integrava uma das melhores equipas redactoriais existentes no País. Lamento que isso ocorra com Vítor Serpa - um dos sobreviventes desse tempo - ainda ao leme nominal da publicação.

 

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Esta degradação tornou-se bem visível em duas capas bem recentes.

A primeira, a 30 de Dezembro de 2019, quando A Bola garantia com letras garrafais, ao longo de quase toda a mancha gráfica da primeira página, que havia três jogadores prestes a ser excluídos do plantel leonino, claramente desvalorizados. Razão? «SAD do Sporting forçada a rever em baixa preços de alguns dos principais activos.»

E lá vinham os nomes com os respectivos preços, sob o lamentável título genérico "Saldos de Inverno": Coates por 7,5 milhões de euros, Acuña por 12,5 milhões e Wendel por 20 milhões. Justificação para tais "saldos": «Problemas financeiros obrigam administração a rever estratégia para o mercado».

Era mentira, claro. Como os factos vieram a demonstrar. Mas foi quanto bastou para muitos adeptos do Sporting replicarem a "notícia", atribuindo-lhe uma credibilidade que nunca teve.

 

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Há dias, a 7 de Fevereiro de 2020, surgiu nas bancas outra capa do referido jornal com idêntica credibilidade: nenhuma.

O mesmo destaque gráfico, a mesma atenção ao Sporting pela negativa, o mesmo grau de veracidade: zero.

A manchete pretendia ter precisão aritmética: «3 Sim, 2 Não». Garantindo aos incautos leitores: «Continuidade de Frederico Varandas à frente dos leões em perigo.» Porquê? «Maioria dos membros da MAG aceita realização da AG destituitiva.»

Ontem o país desportivo ficou a distinguir o boato da realidade: decisão unânime da Mesa da Assembleia Geral leonina contra uma reunião magna destinada a destituir os órgãos sociais. A Bola demonstrou estar mal informada. E chumbou a matemática.

Apesar disso, novamente muitos adeptos atribuíram validade à pseudo-informação, replicando-a nas redes sociais. Como se não fosse mercadoria adulterada.

O periódico da Queimada vai eclipsando assim, manchete a manchete, o pouco que ainda resta do prestígio acumulado noutras eras. Longe do brilho de outrora, dando passos cada vez mais largos a caminho da decadência que ameaça tornar-se irreversível.

75.º aniversário d'«A Bola»

Hoje o jornal «A Bola» celebra o seu 75.º aniversário.

Permitam-me que vos deixe aqui um texto de um dos seus fundadores e figura maior do futebol português: Cândido de Oliveira. Trata-se do texto que prefacia o livro «Memórias de Peyroteo».

 

«Fernando Peyroteo foi, sem dúvida, o nosso mais extraordinário avançado-centro. Não terá sido porventura o avançado-centro mais popular, por nunca ter jogado no Benfica que é, sem dúvida, o clube de maior projecção nas camadas populares, tanto por ter sido desde a sua origem um clube restritamente português, outro tanto, se não ainda mais, por adoptar a camisola vermelha, a cor que exerce mais demorada e mais agradável sensação na retina do espectador. Mas, sem ter sido tão popular como Vitor Silva e Espirito Santo (dois excelentes jogadores da mesma posição, ambos do Benfica) conseguiu ser, na opinião geral, o mais notável de todos os avançados- centro devido à sua extraordinária propensão para a tarefa Principal desse posto, e que é, como sabemos todos, o poder de remate à baliza. Bastará recordar que durante a sua carreira de jogador do Sporting e da equipa nacional, carreira que foi prematuramente interrompida, ele marcou 700 golos -uma enormidade! E se ele tem continuado a jogar, como podia e devia ter sucedido, alcançaria por certo o magnifico record de um milhar de golos!

Realmente, Peyroteo retirou cedo de mais devido a um conjunto de circunstâncias que não vem ao caso referir. Possuía apenas trinta anos e, como se diz na gíria do futebol, tinha tudo bom. Efectivamente, estava então não só na plena posse das suas excepcionais faculdades atléticas mas possuía, ao mesmo tempo, uma integridade funcional e técnica absoluta, resultante não só da experiência adquirida, mas do facto invulgar, em futebolistas e sobretudo em avançados-centro, de não ser portador de qualquer das lesões articulares ou musculares que tradicionalmente inferiorizam o jogador a partir de certa idade ou de longa permanência no jogo.

Fernando Peyroteo, deixou de jogar pouco tempo depois de termos dado por finda a nossa missão no Sporting, como orientador da equipa, que foi chamada dos cinco violinos. A saída de Peyroteo, como não podia deixar de ser, afectou notavelmente a capacidade realizadora da linha de ataque e os dirigentes sportinguistas pensando, generosamente, que o nosso regresso poderia traduzir-se por um acréscimo de poder da equipa, no decurso dum jantar oferecido pelos corpos gerentes ao malogrado Dr. Ribeiro Ferreira, solicitaram-me que regressasse à equipa. Sinceramente convencido de que não era a falta da nossa colaboração a causa dos insucessos, manifestámos a impossibilidade de anuir à solicitação, ao mesmo tempo que acentuámos: “ Vão buscar o Peyroteo, que é, afinal, o que mais está faltando à equipa - e tudo se recomporá!” Esta solução, ao que parece, não foi ou não era muito viável, Fernando Peyroteo não voltou ao jogo e, com ele, desapareceu do nosso futebol - da equipa do Sporting e do onze nacional - a peça mais influente do ponto de vista dos resultados!

Pouco tempo adiante Peyroteo realizou a “festa de despedida” e coube-nos a dura tarefa de dizer algumas palavras, nesse momento, em jeito de elogio… fúnebre! Não temos, agora, possibilidade de reler o que então dissemos, mas na nossa memória perdura, e perdurará sempre, a lembrança de havermos dito: “Muitos anos hão-de passar antes de surgir no nosso futebol um avançado-centro com as excepcionais qualidades técnico-atléticas de Fernando Peyroteo”!

Já vão decorridos quase dez anos e, sem menosprezo pelos seus sucessores no onze nacional e no onze de clube, ainda não se vislumbra um jogador à altura de preencher cabalmente o seu posto, revelando um idêntico poder de remate e uma tão portentosa propensão para marcar golos - de qualquer forma! Repetimos, esta observação não deve ser entendida como traduzindo menos apreço pelas qualidade técnico-atléticas dos raros ávançados-centro de boa qualidade que o nosso futebol tem possuído desde que Peyroteo desapareceu dos campos de futebol. Não. Por exemplo, José Águas, outro angolano como Fernando Peyroteo, tem sido sem dúvida, quando em plena forma, um excelente avançado-centro, com um poder, facilidade e precisão de remate muito apreciável, mas - eis a questão! - ainda não atingiu o conjunto de qualidades (especialmente poder de remate, poder atlético e endurance) que celebrizaram Peyroteo e o tornaram, a um tempo, o maior inimigo dos guarda-redes e o avançado mais policiado pelos jogadores de defesa.

Dez anos depois de ter “arrumado as botas de futebol” Fernando Peyroteo, à maneira dos grandes internacionais, decidiu-se a reunir em livro as suas memórias de futebolista e desejou, amavelmente, que fôssemos nós a escrever algumas palavras em jeito de prefácio.

Desejamos confessar a nossa satisfação pelo encargo e só lamentamos que este contributo em nada valorize o seu livro de memórias, que aliás está apresentado Por si próprio, dada a projecção do seu autor nas camadas desportivas nacionais, as quais não podem, decerto, deixar de aguardar com viva curiosidade uma obra recheada de sugestivas evocações da afortunada carreira futebolística do nosso mais notável avançado-centro. A nossa anuência, por isso mesmo, não possui outro significado que não seja manifestarmos de novo a nossa sincera e constante admiração pelo talento futebolístico de Peyroteo, o jogador português mais notável como avançado-centro que conhecemos até hoje - e desde os tempos já muito distantes “ das balizas às costas”!

As memórias de Peyroteo, por certo, não podem ser, acima de tudo, uma alta afirmação de pendor literário-desportivo, ò que aliás também acontece com os livros de memórias de alguns jogadores ingleses de grande nomeada, apesar de não poucas vezes, quanto a estes últimos, esses livros não terem dispensado a colaboração literária de jornalistas desportivos… E no caso de Peyroteo, foi ele próprio que delineou a obra e redigiu integralmente as páginas que vão decerto surpreender agradável mente o leitor, quanto mais não seja pelo magnífico repositório de factos, de episódios, de lembranças e de ideias originais que o enformem.

Dentro das suas caracteristicas particulares, que admiravelmente reflectem o temperamento e o espírito do autor, as memórias de Fernando Peyroteo são tão aliciantes que, não temos a menor dúvida, hão-de prender tão vivamente a atenção do leitor que o livro será lido numa verdadeira galopada. E para esse verdadeiro êxito muito há-de contribuir a circunstância de Fernando Peyroteo ter moldado o seu livro, de sorte que ele ganha aqui o aspecto de pura biografia e logo a seguir surge um aspecto novo, de evocação de factos e episódios vividos, a lembrança dum jogo, dum golo, dum pequeno incidente, duma saborosa anedota, de tudo um pouco, e sempre com uma nota atraente de cunho pessoal, sadio e jovial.

Este livro de Fernando Peyroteo resiste vitoriosamente a um confronto com os livros semelhantes publicados pelos mais notáveis jogadores de outros países. Nenhum conhecemos mais susceptivel de cativar o espírito dos afeiçoados do futebol e de o suplantar pela originalidade ou pela escolha de motivos capazes de provocar interesse, curiosidade ou, até, um bem humorado sorriso.

A figura de Peyroteo, como futebolista e, mais, como homem de desporto, não sai diminuída sob qualquer aspecto deste seu esplêndido livro que, estamos certo, constituirá o que, em síntese, costuma chamar-se um autêntico êxito de livraria.

Em resumo: a leitura deste curioso e valioso livro de memórias de Fernando Peyroteo há-de contribuir também para se perceber melhor a sua figura de avançado-centro de classe excepcional, as suas ideias pessoais sobre o jogo, os casos e os homens do futebol e, mais ainda, há-de fazer compreender que, realmente, há motivo para deplorar que ele não tivesse prolongado a sua portentosa carreira de jogador até ao limite das suas magníficas e invulgares faculdades futebolísticas!

Finalmente, há que agradecer-lhe a lembrança deste livro que permite reviver com frequência e amplidão a figura do avançado-centro n.º 1 de Portugal - até ao presente!

 

Cândido de Oliveira»

 

In: Peyroteo, Fernando - Memórias de Peyroteo. 5ª ed. Lisboa : [s.n.], 1957 ( Lisboa : - Tip. Freitas Brito). pp. 9-12

 

<< Memórias de Peyroteo (32)

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