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És a nossa Fé!

A mesma pergunta, duas semanas depois

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Pepe no FCP-Brugge (0-4): «noite de desastre» no Dragão, segundo O Jogo

 

Há 15 dias, precisamente, perguntei aqui aos leitores - em jeito de óbvia provocação - que jogadores do FC Porto gostariam de ter no Sporting.

Eis algumas respostas recolhidas, que agora recordo sem comentários adicionais:

 

«Todos.»

«Diogo Costa, Pepê, Otávio e Evanilson.»

«Toni Martínez no lugar do Paulinho.»

«São tantos que se tornaria exaustivo referir todos. Nesse sentido, vou referir aqueles que acho que entrariam no onze titular, ou seja, Diogo Costa, Pepe, Zaidu, Uribe, Otávio e Edmilson ou Tony Martínez.»

«Qualquer ponta-de-lança deles tinha lugar no Sporting.»

«Otávio para o lugar do Matheus Nunes, Evanilson para o lugar do Paulinho.»

«Diogo Costa, um excelente guarda-redes. Uribe para o nosso carenciado meio-campo. Toni Martínez para o ataque.»

«O Pepê é mesmo um belo jogador, o melhor do Porto. Para ser titular no SCP, só mesmo ele e o Uribe.»

«Diogo Costa, Uribe e Evanilson. (...) Creio que estes jogadores supriam lacunas no nosso plantel actual!»

«Se fizermos o exercício ao contrário, Porro, Matheus Reis e Pedro Gonçalves são os únicos que entram de caras no 11 do FCP.»

«Nenhum Sr. Pedro Correia, nenhum Sr. grande mestre do blog. Ai de quem se atreva a responder com nomes a esta inocente pergunta. Leva logo um correctivo que é para aprender. É claro que nenhum dos jogadores do Porto pode ser superior aos do nosso grande Sporting ou teria a mais mínima possibilidade de entrar no nosso melhor onze. Aquele frangueiro do Costa, aquele molinho do Uribe, aquele brinca na areia do Otávio ou aquele cabeça de pepino do Martinez que mete um golo cada vez que entra. Nunca na vida. O facto de eles nos terem enfiado 3 batatas é só porque nós deixámos. Foi para dar um pouco de animação ao campeonato. Assim, com o Sporting a 8 pontos da liderança a partir desta noite, os outros distraem-se e há grandes probabilidades de ganharmos o campeonato. Principalmente se contratarmos mais um extremo ao Estoril.»

 

Enfim, limito-me a questionar os mesmos se duas semanas depois - e após o FCP ter sido humilhado pelo Brugge no Dragão, sofrendo goleada 0-4 - continuam a pensar tão bem do plantel portista e tão mal do plantel leonino.

Crise? Que crise?

Há poucos dias, não faltava aqui gente a pôr tudo em causa. Como é costume no Sporting. O treinador não prestava e estava a querer pôr-se ao fresco. Os jogadores eram péssimos, muito inferiores aos do FCP e do SLB. Os reforços não tinham reforçado coisa nenhuma. O presidente, como sempre, era para deitar abaixo: havia que correr com ele.

Enfim, um cataclismo, uma tragédia, um horror.

Entretanto fomos ganhar ao Estoril (2-0), estádio sempre difícil. Arrancámos uma vitória histórica contra o Eintracht na Alemanha (3-0) para a Liga dos Campeões. Hoje, em Alvalade, goleámos o Portimonense (4-0), equipa nada fácil.

Resumindo e abreviando: nestes últimos três desafios, para duas competições, marcámos nove golos e não sofremos nenhum.

Crise? Que crise? 

Aguardo respostas dos profetas da desgraça que andaram aqui dia após dia a vaticinar os piores cenários e a jurar que o Sporting «já era» nesta temporada que ainda mal começou.

Não percebo esta gente

Andam há semanas a proclamar que o Sporting é o clube "com pior plantel" dos chamados três grandes. 

Depois protestam por termos ido ao Estoril vencer "só" por 2-0 mas "sem golear" nem "dar espectáculo".

Queriam, portanto, espectáculo e goleada com a "pior equipa". Como se Benfica (que só venceu o Paços de Ferreira e o Vizela à tangente, levado ao colo pelos árbitros, e derrotou mesmo à beira do fim um Casa Pia impedido de jogar em casa) e o FC Porto (derrotado há uma semana em Vila do Conde) fossem bons exemplos, com os seus "extraordinários" plantéis.

Que plantel vamos ter esta época?

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Já comecei este post há tanto tempo que algumas frases já foram por mim utilizadas no blogue entretanto, mas repito-as aqui em benefício da ideia que vou tentar expressar:

Parece que ainda foi ontem que Rúben Amorim chegou ao Sporting, numa aposta de altíssimo risco do presidente Frederico Varandas, com direito a uma manifestação à porta do estádio a "saudar" a sua vinda e com um dos ambientes mais crispados de que me lembro nas bancadas de Alvalade. 

E no entanto entrámos já na 4.ª época de Rúben Amorim como treinador do nosso clube, depois dum errático Silas e dum menosprezado Keizer, a segunda após ter sido campeão nacional, coisa de que nem Bölöni, nem Inácio, nem Malcolm Allison, nem Fernando Mendes, nem Mário Lino se puderam orgulhar. O Sporting realmente tem sido um clube marcado pela ingratidão e demonstrado uma enorme dificuldade de conviver com o próprio sucesso.

Com um título de campeão nacional, duas taças da Liga, uma Supertaça e uma passagem aos oitavos de final da Champions, e mesmo no contexto duma competição interna viciada pelo poder mafioso do norte, Rúben Amorim já ganhou mais do que qualquer outro treinador desde que comecei a frequentar as bancadas de Alvalade, e só mesmo algum ignorante ou ressabiado poderá dizer que ele não reúne condições para ganhar bastante mais.

E ganhou com um modelo de jogo assente no 3-4-3 que implantou desde o dia que chegou e do qual não abdica, e um plantel assente em princípios bem definidos, como sejam a liderança de balneário, o compromisso e a atitude em campo e fora dele, a força da juventude, a ligação à formação, mas ganhou também na potenciação da qualidade individual e colectiva dos jogadores. 

 

A época não começou da melhor forma. As lesões em elementos chave sucederam-se, são já duas derrotas e um empate em cinco jogos na Liga, o melhor médio - Matheus Nunes - saiu entretanto por uma oferta irrecusável dum clube inglês, o mercado fechou sem reforços dignos desse nome, e vamos entrar na Champions num grupo muito equilibrado e que nos pode pôr facilmente fora das competições europeias na segunda metade da época.

Tempo para fazer uma análise sucinta do nosso plantel, sempre tentando ir de encontro às ideias de Rúben Amorim e nunca tentando encontrar aquilo que ele não pretende. Porque antes de comentar o plantel teria de comentar o treinador e talvez sugerir um Jorge Jesus qualquer para pôr a equipa a jogar o triplo, pelo menos quando o vento não sopra mais forte e a chuva não resolve cair.

 

Então é assim:

Sempre ouvi dizer que a receita para um bom plantel é assegurar dois jogadores de valor idêntico por posição, complementando depois com "jokers" (jogadores que podem ser tremendamente importantes em momentos específicos) e estagiários. Dificilmente algum jogador será totalista durante a temporada, as lesões e os castigos irão forçosamente aparecer, as baixas de rendimento também, então importa que quem entre consiga igualar ou suplantar quem sai, mesmo no próprio jogo essa questão se coloca. 

Por outro lado importa que o plantel esteja bem distribuido do ponto de vista físico, com o peso e a altura a serem determinantes em certas posições, de forma a poder dispor duma forte presença física nas duas áreas de rigor.

 

Vou então analisar o plantel desse ponto de vista:

Guarda-Redes - Antonio Adán (35, 1,90m, 2,5M€) / Franco Israel (22, 1,90m, 1M€) e... André Paulo (25, 1,88m, 0,1M€), Diego Callai (18, 1,90m, -M€) 

Se é senso comum que um guarda-redes está lá é para defender, no modelo de Amorim tem de fazer algo mais, desde logo coordenar o processo de sair a jogar, sabendo onde e quando colocar a bola perto ou longe. Nem todos conseguem.

Se primeiro pensava que enquanto existisse Adán estávamos bem, depois lesionou-se e surgiu um Israel a dar óptimas indicações, depois ele regressou... muito mal, e agora já nem dá para perceber se o problema é o Adán como titular ou o Israel como suplente. 

André Paulo completa o trio base e assegura que Callai tem tempo para crescer e amadurecer jogando pela equipa B.

 

Defesas  - St Juste (25, 1,86m, 16M€) / Luís Neto (34, 1,85m, 2M€) / Sebastián Coates (31, 1,96m, 8M€) / Gonçalo Inácio (20, 1,86m, 23M€) / Matheus Reis (26, 1,83m, 4M€)...  Marsà (20, 1,85m, 0,3M€), Alcantar (19, 1,91m, -M€)

No modelo de Amorim, existe uma "troika" de defesas em linha que além das tarefas óbvias tem como linhas de orientação o controlo da profundidade a defender provocando o fora de jogo contrário e a atracção dos avançados contrários à pressão na construção libertando espaço livre no meio-campo contrário onde o processo ofensivo se pode iniciar.

Se é verdade que quaisquer 3 destes 5 jogadores nucleares podem constituir a tal "troika" , também o é que o lugar de comando está no meio, e esse é o lugar de Coates. Já por lá passaram outros, como Gonçalo Inácio e até Marsà, mas não é a mesma coisa, talvez fizesse sentido contratar mais um central com essas características e que pudesse actuar também como trinco. 

Pelo menos era isso que pensava até ver na B um Marsà muito mais assertivo relativamente ao que era na época passada e um Alcantar com uns pezinhos de encantar. Sendo assim, parece-me que não será por aqui que teremos problemas, desde que os mais velhos, Coates e Neto, estejam ao melhor nível.

St. Juste já se percebeu que se encaixa como uma luva na ideia de jogo de Amorim, precisará apenas de confiança a nível físico depois de muito tempo para estar no seu melhor.

 

Alas Direitos - Pedro Porro (22, 1,76m, 25M€) / Ricardo Esgaio (29, 1,73m, 5M€) 

Os alas são os corredores de fundo do modelo Amorim, descendo para cobrir o flanco, posicionando-se bem colados à linha para terem espaço e tempo para embalar e tabelar e cruzar. Por isso mesmo raramente o Sporting começa e acaba o jogo com os alas com que começou.

Aqui diria que poderíamos ter uma ala direita de luxo se não fosse a apetência de Porro pelas lesões e a dificuldade que Esgaio demonstra, talvez por não ter a continuidade de utilização necessária, de voltar ao nível que atingiu no Braga. Porro em forma é uma coisa, trata-se dum potencial titular da selecção espanhola, o resto é o resto.

 

Alas Esquerdos - Matheus Reis (26, 1,83m, 4M€) / Nuno Santos (26, 1,76m, 7M€) e...  Nazinho (18, 1,80m, 0,5M€)

Depois do sucesso de Nuno Mendes e do fracasso de Rúben Vinagre, quer Matheus Reis quer Nuno Santos podem assegurar o lugar, com um a defender melhor e o outro a atacar melhor, dependerá do adversário jogar um ou outro. Mas curiosamente os dois combinam muito bem, e com Matheus Reis na defesa e Nuno Santos na ala existem movimentos e trocas de posição interessantes que desequilibram os adversários.

Quanto aos "estagiários", Fatawu parece não ser aposta de Amorim para o lugar e percebe-se porquê: ele quer mesmo é entrar e partir aquilo tudo Resta Nazinho, que também vi pela B muito concentrado na posição, no fundo bastante mais jogador do que era na época passada.

 

Médios Centro - Ugarte (20, 1,82m, 8,5M€) / Sotiris Alexandropoulos (20, 1,86m, 3M€) / Daniel Bragança (22, 1,69m, 8M€) / Morita (27, 1,77m, 4M€) / Pedro Gonçalves (24, 1,73m, 30M€) e... Essugo (17,1,87m, 2M€), Mateus Fernandes (18, 1,78m, -€)

No modelo de Amorim os dois médios centros têm uma tarefa deveras exigente, estando quase sempre em desvantagem numérica na zona de terreno onde actuam. Têm como grandes preocupações desarmar sem falta o mais à frente possível, a progressão pelo centro com a bola dominada e a variação oportuna de flanco, solicitando o ala respectivo. Normalmente um deles é mais posicional, sendo o tal "6", outro mais projectado no terreno, o tal "8", mas podendo trocar de papéis durante o jogo caso as características de cada um o permitam.

Daniel Bragança, com toda a pena da nação Sportinguista, deve ter perdido a época, poderá até jogar aqui e ali, mas tem é de recuperar fisica e psicologicamente para a próxima.

Sotiris parece ser mais um projecto de jogador que um jogador feito como era Matheus Nunes. Pedro Gonçalves a médio é um desperdício. Os dois miúdos estão por demais "verdes", ficam Ugarte e Morita a aguentar o sector para toda uma época. Com isso, e com Ugarte a ver um amarelo por jogo, os problemas estão garantidos.

 

Interiores - Pedro Gonçalves (24, 1,73m, 30M€) / Trincão (22, 1,84m, 20M€) / Rochinha (27, 1,69m, 3M€) / Marcus Edwards (23, 1,68m, 13M€) / Arthur Gomes (24, 1,74m, 1,5M€) /Jovane (24,1,74m, 5,5M€)... Fatawu (18, 1,77m, 0,3M€)

O plano básico de ataque de Amorim lembra o andebol. Dois alas projectados (pontas), dois interiores (laterais) e um ponta de lança (pivot), em que o ponta de lança arrasta os defesas e cria condições para os interiores rematarem ao golo. Assim, os interiores são avançados a jogar de pé contrário ocupando posições interiores para ter facilidade de inflectir para o centro e rematar. E são eles que mais golos marcam, qualquer que seja o ponta de lança de serviço. Na primeira época foi Pedro Gonçalves, na segunda Sarabia, nesta já estão o mesmo Pedro Gonçalves e Edwards à frente da lista dos melhores marcadores do Sporting. E agora, na lesão de Paulinho, Amorim colocou em prática o plano B, sem pivot, com um tridente ofensivo de interiores em permanente troca de posições.

Então estamos a falar basicamente de sete jogadores para duas ou três posições, já sem falar em Nuno Santos. Poderá parecer um exagero, mas é preciso recordar que em cada jogo cinco ou seis destes entram em campo, é talvez a posição mais desgastante, pelo que o número não se pode considerar exagerado, especialmente quando são jogadores de características bem diferentes uns dos outros, como é o caso.

 

Pontas de lança - Paulinho (29, 1,87m, 13M€) e... Chermiti (17, 1,90m, 1M€), Rodrigo Ribeiro (17, 1,85m, 1M€)

No modelo de Amorim o ponta de lança tem de ser o tal "canivete suíço". Além de ter movimentos de ataque à bola de ponta de lança e do servço de arrasto para os interiores, tem de ser o primeiro defensor, recuando no terreno e impedindo a circulação da bola pelo trinco contrário. E ainda servir de referência no possível passe longo vindo do guarda-redes. Enfim, será tudo menos um Jardel.

Muitos jogadores Amorim já testou na posição sem sucesso, como Sporar, Jovane e Tiago Tomás. Por isso o veio Paulinho e o melhor futebol do Sporting na época passada foi com ele a fazer bem a função. Rodrigo Ribeiro está a aprender a função, mas... tem 17 anos.

Mas há jogos e momentos em que esta ideia de ponta de lança não é a mais adequada. É preciso alguém mais massacrante para os defesas e mortífero frente à baliza, forte no jogo aéreo para ser uma referência fácil para os centros dos alas e Paulinho decididamente não tem essas características, como tinha Slimani, por exemplo, ou como poderá vir a ter Chermiti. Quanto a Rodrigo, ainda não tenho ideia definida sobre o rapaz, talvez nem ele próprio saiba ainda onde poderá render mais de acordo com as suas características. Mas ponta de lança clássico não me parece.

 

Concluindo:

Na época passada, por esta altura, tínhamos perdido um titular importante, João Mário, ninguém sabia quem era Sarabia, Nuno Mendes já tinha ido também, Matheus Nunes pouco tinha jogado na época anterior, Bragança vinha duma exibição péssima na Luz, Ugarte era uma incógnita, Matheus Reis parecia uma barata tonta, Jovane e Tiago Tomás entraram muito mal na temporada. Depois foi o que se viu, o bom e o mau.

 

E agora? 

Sem Palhinha e Slimani, começa por ser um plantel com deficit acentuado de peso e altura no eixo central, pelo menos no que aos titulares diz respeito. Porque quando olhamos aos mais novos, Marsà, Alcantar, Sotiris, Essugo, Chermiti, Rodrigo Ribeiro, pelo menos essa altura está assegurada.

Depois porque depende muitissimo de alguns jogadores muito experientes que obrigatoriamente acusam o peso dos anos, como Adán e Coates, mesmo Neto e Esgaio noutro patamar, não estão a ser o que já foram.

Além disso parece existir muita qualidade mas falta a tal qualidade-extra do meio campo para a frente, um ponta de lança que só por si resolva jogos, um comandante no meio-campo. Aquilo que transforma uma boa equipa numa grande equipa, aquilo que faz a diferença.

 

Podia a equipa ter-se reforçado com esse tipo de jogadores no mercado que agora findou? Podia.

E porque não fez isso? 

Vendo de longe, e aguardando o momento de saber mais, não foi de todo pela vontade de Rúben Amorim, valores mais altos se levantaram e que como sócios temos de respeitar porque ter ao mesmo tempo sol na eira e chuva no nabal é coisa que apenas existe na mente dalguns pobres de espírito.

SL

Jogo a jogo

Passo a passo, jogo a jogo. Este deve voltar a ser o nosso lema. Como aconteceu na inesquecível época em que nos sagrámos campeões, pondo fim ao mais longo jejum de títulos da nossa história já centenária.

Sem necessidade de colinho nem embalos arbitrais, ao contrário do que acontece com o Benfica, deprimido por não ganhar nada há mais de três anos no futebol profissional. Daí até o presidente deles pisar impunemente o relvado em desespero, durante os jogos, pressionando ao máximo os apitadores e seus mandantes.

Daí festejarem em histérica euforia um 2-1 em casa frente ao Vizela como se tivessem ganho a Liga dos Campeões. Parecia uma cena dos "apanhados". Mas era bem real.

Duas metades dão mais que um


Parece-me claro que esta época são duas.

Uma até ao Mundial, que inclui primeira parte da Liga, fase de grupos de Champions, Taça da Liga (será entre 18.11 e 17.12, em simultâneo com o Mundial) e que culmina no ‘mercado’, que dura um loooooooongo mês.

Ou seja, jogos, pontos ganhos ou perdidos, convocados que brilhem no Mundial, um troféu atribuído e depois negócios,  dinheiro e redefinição de objetivos até final de Janeiro.

E depois, o resto.

Assim de repente, quem irá do nosso Sporting ao Mundial? Coates pelo Uruguai. Talvez Ugarte. Talvez Porro por Espanha, embora seja remoto. Duvido que Pote ou Inácio tenham possibilidade. Idem Trincão. Teremos um "bom" Mundial competitivo, um "mau" para as Finanças.

O Porto perderá o guarda-redes (esta contratação de Samuel é para a Taça da liga, parece-me), Pepe, David Carmo, Otávio e talvez Taremi. É muita gente do núcleo duro.
Péssimo para Conceição, bom para a administração. 

Benfica ficará sem Ramos, João Mário (?), Otamendi. Talvez Enzo.
Pode ser mau para o treinador, embora o plantel tenha muita gente.


Bem ou mal, é chegar vivo a Janeiro, parece-me. Aparentemente não será fácil para o Porto.

Para arrumar ideias

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Foto: Carlos Vidigal Jr. / Global Imagens

 

No papel, as alterações introduzidas no plantel do Sporting foram previstas a tempo e horas.

 

Palhinha queria sair para o futebol inglês, onde já está a fazer boa carreira, com Marco Silva no Fulham. Teve oportunidade de passar o testemunho a Ugarte, novo titular da posição 6. Aliás alternaram ambos nesse lugar durante a época passada. Com elogios generalizados dos adeptos.

Até se escreveu aqui uma vez e outra, com evidente exagero, que o uruguaio era superior ao português.

Está registado.

 

Morita foi contratado em Junho para ser número 8, ou seja, para fazer o lugar de Matheus Nunes. Que nem estava a ter grande desempenho desde os elogios que escutou de Pep Guardiola e desejava rumar também à Premier League, onde hoje ganha um salário seis vezes superior ao do Sporting. «Já há muito tempo que queria vir para aqui», declarou o jogador, desfazendo qualquer dúvida, mal chegou ao Wolverhampton.

Feddal saiu, mas chegou St. Juste. A tempo de ganhar rotinas para a nova época, o que só não aconteceu por súbita lesão.

Sarabia, que esteve por empréstimo, regressou ao Paris Saint-Germain. Ausência muito difícil de colmatar. Veio Trincão, o sucessor possível.

 

Paulinho viu chegar um concorrente directo, no início de Fevereiro. Era Slimani.

Sinal evidente de que a "estrutura" havia diagnosticado ali um problema.

 

Que Ugarte esteja agora sem substituto, que Morita ainda não pareça rotinado numa posição que o próprio Matheus só um ano depois de chegar ao Sporting assumiu como titular e que Slimani tenha entrado em ruptura com o treinador são questões relevantes, uma das quais imprevista, mas não retiram acerto ao planeamento leonino.

Algumas serão resolvidas com o tempo (Morita, creio, é mesmo reforço).

Outras exigem ida ao mercado. Foi o que justificou a vinda do jovem grego Sotiris Alexandropoulos, agora contratado, que preenche a ausência de Daniel Bragança, infeliz lesionado de longa duração. Pouco antes chegara Rochinha, capitão do V. Guimarães, para compensar a saída de Tabata, que rumou ao Palmeiras, onde tem um salário três vezes superior ao que recebia no Sporting.

 

Entretanto, há um dado factual que convém reter: todas as contratações continuam a ser indicadas ou avalizadas pelo treinador. Que também exerce um veto informal a possíveis jogadores sinalizados pela estrutura directiva que não sejam do seu agrado. Terá acontecido com André Almeida, que acaba de trocar o V. Guimarães pelo Valência, rendendo 7,5 milhões de euros ao clube minhoto.

Bom jogador? Sem dúvida.

Valeria a pena insistir nele sem o aval do técnico? Não.

Se Amorim não gosta deste ou daquele, ninguém deverá contrariá-lo. É algo que não faria sentido. Até porque terá recebido carta branca para escolher jogadores, dentro do tecto orçamental definido pelo administrador financeiro.

 

A excepção foi Slimani, precisamente. E correu mal.

Se o treinador prefere ter Paulinho como opção A e Coates como opção B, na posição de ponta-de-lança, aí talvez o cenário se complique. Porque esse é precisamente o lugar que mais temos urgência em preencher. Sem matador não há golos, sem golos não há vitórias, sem vitórias não há pontos, sem pontos não há títulos. E sem títulos quedamo-nos à porta da glória, impedidos de entrar.

Tenham paciência

Não admito que no plantel leonino em 2022/2023 haja menos jogadores da nossa formação do que o equivalente a isso nos plantéis dos dois principais rivais.

É tema sobre o qual escrevo aqui há mais de dez anos, sempre em defesa de quem passa pela Academia de Alcochete.

Tenham paciência, mas não irei mudar de posição. Este é um princípio de que não abdico. Seja quem for o presidente, seja quem for o treinador.

Nunca mais é sábado

Ainda não se escreveu outro livro tão divertido e certeiro sobre isto e ser adepto de um clube de futebol, mania uma bocado neurótica e absolutamente bipolar, como "Fever Pitch" de Nick Hornby, razoavelmente traduzido por "Febre no estádio."

A dado passo o autor descreve um dos momentos mais embaraçantes e recorrentes da sua (da nossa) vida de aficionado futebolístico. É Verão, está de férias e acabou de fazer amor com a namorada. Quando, a seguir, se põe a fumar o famoso "cigarro pensativo" queirosiano, a boa da moça aconchega-se a ele e pergunta-lhe ternamente em que pensa. Confessa o autor: como posso dizer que estou a pensar em qual seria o melhor ponta-de-lança para o Arsenal? Se for sincero, ela ofende-se e com razão. Se não a quiser magoar tenho que mentir.

Ó senhores, quem nunca...?

A ver mazé se o campeonato começa que a espera está insuportável.

Vai ser tramado

Seis semanas de interrupção do campeonato 2022/2023, entre as jornadas 13 e 14, por causa do Mundial do Catar. Vai ser tramado.

Teremos vários jogadores lá, podem ocorrer lesões e há quase toda uma segunda pré-temporada nesse período - a prova prolonga-se de 21 de Novembro a 18 de Dezembro. Além de que irá reflectir-se no mercado logo a seguir, mexendo com as cabeças dos jogadores.

Gerir tudo isto será uma tarefa inédita para o nosso treinador, com inevitáveis reflexos nas competições internas. Complicações que devem ser previstas desde já.

 

ADENDA. Primeiro clássico da temporada: FC Porto-Sporting, no fim-de-semana de 20-21 de Agosto.

Que reforço para a nossa baliza?

Falemos então de guarda-redes. Não para pôr em causa Adán, um dos elementos mais consensuais do plantel leonino, mas para especular um pouco sobre reforços. Já a pensar na próxima temporada.

Na vossa opinião, quem deve o Sporting contratar para secundar o experiente guardião espanhol na nossa baliza? Deve ser jovem ou veterano? Deve ser recrutado em Portugal ou vir do estrangeiro?

Sugerem algum nome?

Ou pensam que estamos bem servidos com João Virgínia e André Paulo?

O imprescindível

Nesta fase em que são avaliados mais que nunca os futebolistas, tanto aqueles que poderão estar na porta de saída como aqueles que se preparam para chegar, lanço um repto aos leitores: que jogador do Sporting consideram imprescindível para a temporada 2022/2023 que se avizinha?

Aquele que em caso desejariam ver fora do nosso clube no próximo campeonato?

Aguardo com curiosidade as vossas respostas.

Treinador de bancada - Novo sistema táctico?

Desde que Rúben Amorim chegou ao Sporting o 3-4-3 passou a ser o sistema táctico: três defesas, dois alas, dois médios e três avançados. O modelo de jogo sempre incluiu construção desde atrás, convite à pressão dos adversários para alargar o campo, circulação de bola sempre a procurar o lado contrário, mobilidade dos avançados. Depois diferentes jogadores nas posições deram coisas diferentes à equipa, umas vezes jogou-se melhor, outras pior, mas sempre mais ou mesmo da mesma forma. Excepto no final dalguns jogos que importava ganhar e em que imperou a anarquia deliberada, com melhores resultados na época passada do que nesta.

Jogos houve em que o 3-4-3 não funcionou de todo, a começar pelo Sporting-Ajax. A grande questão  deste sistema é a permamente inferioridade numérica dos dois médios que necessitam de ajuda permanente de alas e avançados para darem conta do recado e não rebentarem por exaustão.

Se o adversário consegue vantagem no marcador e parte o jogo, com extremos a prender os alas, o 3-4-3 transforma-se num 5-2-3 em que os avançados apenas atacam e os dois médios abandonados à sua sorte são presa fácil para o meio-campo contrário. O Famalicão-Sporting e o Santa Clara-Sporting também demonstraram a dificuldade da equipa quando deixa partir o jogo: quer atacar depressa sem a equipa junta, convidando ao contra-ataque adversário. Então por mais duma vez se falou da necessidade do terceiro médio, num sistema alternativo 3-5-2 onde Daniel Bragança ou Pedro Gonçalves ocupassem o vértice avançado do triângulo do meio-campo. Ao que Rúben Amorim sempre resistiu, se calhar lembrando-se das poucas vezes na época passada em que o tentou e não resultou de todo.

 

Vem agora na imprensa que Amorim está a equacionar um novo sistema táctico. Já ouvi até falar num 4-4-2, como sistema alternativo ou até principal. Ainda agora lhe foi perguntado na conferência de imprensa e ele fugiu um pouco à questão respondendo que muito tem trabalhado em variantes para o 3-4-3.

Sendo assim, há aqui alguns aspectos interessantes para comentar:

1. Se os ataques ganham jogos, e as defesas ganham campeonatos, e o Sporting tem a melhor defesa de Portugal, não estou a ver muito bem Amorim desmanchar o trio de defesas, até pelas dificuldades de Coates quando joga mais exposto. O único defesa lateral que defende e ataca bem é Matheus Reis. Porro e Esgaio atacam melhor do que defendem, quanto a Vinagre nem vale a pena comentar. E perde-se a possibilidade de ter Nuno Santos na ala em determinado tipo de jogos. Se calhar vamos apenas assistir à substituição do Feddal canhoto por um dextro. Por falar em dextros, ainda ontem vi um pouco do Paços-Tondela, com um Quaresma a fazer aquele tipo de disparates que o levaram a ser emprestado. Ainda tem muito que amadurecer para voltar.

2. Se de facto os dois "cavalões" do meio-campo saírem, Palhinha e Matheus Nunes, e vier o Morita, ficando Ugarte, Daniel Bragança, Tabata e Pedro Gonçalves como outras opções, realmente vai ser complicado jogar apenas com dois médios. É tudo mais levezinho e pé no pé.

3. Com a saída de Slimani perdeu-se a oportunidade de rotinar uma dupla de pontas de lança possantes no ataque. Sarabia está de saída também. Edwards e Pedro Gonçalves são avançados de entre-linhas, o que Tabata também sabe fazer, o único extremo do plantel é Nuno Santos. Paulinho é Paulinho, assunto já por demais aqui debatido. Jovane, Plata, Sporar e TT parecem cartas fora do baralho, quanto muito serão "jokers" para lançar pontualmente. Rodrigo Ribeiro, como Essugo, é para ir crescendo entrando aqui e ali. Faltam claramente dois ou três avançados. Resta saber em que tipo de avançados está a pensar Amorim.

 

Concluindo, deixo aqui a seguinte questão à consideração de todos:

De acordo com os objectivos para a próxima época e o plantel existente ou previsível, deve Rúben Amorim pensar seriamente em pôr a equipa do Sporting a jogar num sistema táctico diferente do actual?

SL

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