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És a nossa Fé!

O Sporting da Maria Alexandra

Agora descobriram a "Maria Alexandra", essa sim uma verdadeira sportinguista. Sabendo eu como são feitos estes programas em que a opinião pública expressa "espontaneamente" as suas ideias, a Maria Alexandra é uma sportinguista tão espontânea quanto o famoso Pedro "Fernando Santos" Guerra é um espontâneo benfiquista. De resto, os argumentos estão lá todos muito certinhos: a culpa é dos jogadores, o presidente é que dá o corpo às balas.

Esta coisa da culpa dos jogadores realmente cansa e é trágico: os jogadores são a mesma coisa aqui ou no Porto e no Benfica. Se não rendem o mesmo do que lá, o problema não é deles, é da organização. E o responsável principal pela organização é o treinador, seguindo-se a ele o presidente. Não venham com a história dos "mercenários": "mercenários" são o Ronaldo, o Messi, o Salah, mas não é isso que leva ninguém a deitá-los abaixo. Mudem os jogadores todos e ponham lá uns novos, se a organização não muda, o resultado é o mesmo.

Quanto ao presidente que dá o corpo às balas, importa saber que balas são essas e quais as balas que ele próprio atira. Para mim, já seria suficiente vê-lo a dar o corpo às balas na véspera da Taça de Portugal a dizer que a culpa de os jogadores terem levado porrada em Alcochete tinha sido deles próprios; assim como seria suficiente vê-lo na mesma ocasião a dizer mal do Rui Patrício. Do Rui Patrício? A sério? Mas a isto soma-se a entrevista ao Expresso uma semana antes do jogo da Madeira e uma série de intervenções do mesmo género, ao longo dos anos, que sempre deram imenso jeito aos rivais do Sporting. O ano passado, por exemplo, lembrou-se de atacar os adeptos. Este ano, lembrou-se de suspender os jogadores uns dias antes do jogo com o Atlético de Madrid. Um clássico sportinguista é dizer que a Comunicação Social é benfiquista e só dá destaque positivo ao Benfica e negativo ao Sporting. Pois esta época o presidente do Sporting conseguiu sempre retirar o Benfica da luz negativa da Comunicação Social e pôr lá o Sporting. Até chegarmos a esta semana horrível. Na crise (mais uma) de Janeiro-Fevereiro de 2017, ainda acreditei que tanto o treinador como o presidente corrigissem estes aspectos que poderiam ser fatais. Um pouco mais tarde, nas eleições, ainda esperei uma mudança. Nada mudou. Já dei para o peditório.

Acabar com isto

Estava decidido a não abrir a boca até à final da Taça. Não é que a minha partícula sub-atómica de influência tenha alguma importância, mas sempre era menos um a fazer barulho. Perante tudo o que está a acontecer, só resta uma coisa: mandar embora esta direcção. Fez tudo para que o jogo da Madeira fosse perdido, está a fazer tudo para que a final da Taça seja perdida. Já não se trata de saber de quem é a culpa e do quê. Os capangas em Alcochete? Admito que não sejam enviados especiais. Mas estão fora de controlo (como já tinham estado quando atiraram tochas para cima do Rui Patrício: ainda queriam que ele fosse lá agradecer na Madeira). Esta direcção deixou que o caos se instalasse no clube e tem de ser substituída. Mais ainda se tiver alguma responsabilidade na corrupção do andebol (espero mesmo que seja só fake news). Qual é o treinador de jeito que vem para o Sporting depois do que se passou hoje? Quais os jogadores? Passámos para o nível da gestão danosa.

Um problema qualquer

Vi-me, no início de cada jogo do Sporting, a dizer a mim próprio: é hoje que o Sporting vai jogar bem, já não se estão a poupar para outro jogo daqui a três dias, já não estão cansados, já não isto, já não aquilo. Mas afinal foi sempre a mesma coisa, agora como no resto do campeonato (faça-se excepção aos jogos europeus). Há aqui um problema qualquer. Ontem não foi diferente. O Benfica não joga um caracol e o Sporting conseguiu jogar ainda pior. Ora, isto preocupa. Preocupa para o jogo da próxima semana e, sobretudo, preocupa para a final da Taça. Contra este Sporting, não é impossível o Aves ganhar.

Um homem para as ocasiões

A única coisa que peço aos jogadores do Sporting até ao fim do campeonato é que não desistam. Devem recordar-se que do outro lado está o Sérgio Conceição, um verdadeiro especialista em dar alegrias ao Sporting. Na meia-final da Taça de Portugal, o Porto veio com a passagem quase garantida: bastava-lhes marcar um golo em Alvalade e tudo se tornava praticamente impossível. Foi o que se viu. Na meia-final da Taça da Liga, o Porto jogou melhor, mas no fim foi o que se viu. E há a inolvidável final da Taça de Portugal de 2015, em que, a 15 minutos do fim do jogo, o Braga ganhava por 2-0 a jogar contra 10 (desde o minuto 14) e depois foi o que se viu. Parece vocação. De cada vez, dava a impressão de que seria muito difícil o Sporting ganhar, senão mesmo impossível (como na final da Taça). Quem sabe, agora, não lhes caiu mal o churrasco, atrapalham-se e perdem com o Feirense. Ficam todos baralhados e, depois, é só contar com o Peseiro (sim, eu sei, é o Peseiro...) para dar ao Sporting aquilo que não soube dar quando treinou o clube. Parece que é pedir demais e é mesmo capaz de ser. No sábado, pode já estar tudo acabado. Mas imaginem que não... É isso, não desistam.

Chama-lhe burnout...

Continuo aqui à distância. Acompanho tudo de forma muito intermitente, cada vez mais estarrecido com a sucessão de eventos. De qualquer modo, ocorre-me dizer o seguinte:

1) Bruno de Carvalho lembrou-se de voltar a abandonar o facebook, anunciando-o enfastiadamente como um favor que fazia aos sócios e adeptos (pronto, já que tanto insistem, largo o facebook, mas depois não se queixem). Voltou a não perceber nada. O problema não é o facebook, o problema é aquilo que o conteúdo das mensagens do facebook revela. Se o mesmo estilo de gestão continuar a ser seguido e a política de comunicação continuar a ser a mesma embora usando outros meios (Sporting TV, televisões, rádios e jornais), então tanto faz estar como não estar no facebook.

2) Esta coisa de estarem todos por interesse no Sporting excepto ele, revela uma falha fundamental. Numa organização tão grande como o Sporting e nos tempos de hoje, aquilo com que tem de se contar não é com grandes amores à camisola mas com o profissionalismo das pessoas que colaboram com a organização. Por isso, o que se tem de dar a essas pessoas é as condições necessárias para elas gostarem de ser profissionais na organização. Haverá quem queira sair, quem queira entrar, quem queira ficar (na mesma ou pedindo mais dinheiro). O que o gestor tem de fazer é gerir cada uma destas situações sem estar sempre a atirar à cara de profissionais que eles são uns interesseiros e que só querem destruir o Sporting. Eles são profissionais que olham friamente para as suas hipóteses profissionais. Por aquilo que temos visto ultimamente, a pessoa que mais parece querer destruir o Sporting é o incondicionalmente sportinguista Bruno de Carvalho (vê-lo praticamente a torcer para que perdêssemos o último jogo é demais).

3) Os famosos "croquetes" estão a levantar a cabecita. A alternativa não pode ser entre eles e esta alucinação.

Calma

Razões para optimismo:

1. Vejo os meus confrades sportinguistas muito torturados com o que se tem passado. Até parece que nem ganhámos o jogo ontem. Eu cá continuo na minha: do que eles têm medo não é de equipas todas espectaculares e tal, têm medo é de equipas que ganham, mesmo que não se perceba bem como. Mais medo têm ainda de equipas que ganham mesmo tendo tudo contra elas, como o Sporting nos dois últimos jogos. Ganhar com tapetinhos estendidos, como o Porto no Estoril ou em Portimão, é uma coisa. Ganhar como o Sporting ganhou os dois últimos jogos é outra. Logo veremos na sexta-feira o que acontece.

2. É capaz de ter sido desta vez que os idiotas do assobio aprenderam a lição: esteve bem o Jorge Jesus a mandá-los calar. Cito: "esta equipa murece carinho".

Saímos vivos (mais ou menos)

Lá terminou o ciclo terrível iniciado no fim de Setembro (incluindo um jogo com o Barcelona, dois com a Juventus, um com o Porto e outro com o Braga) e terminou como começou: com um empate merdoso.

Mas não foi tudo mau: fizemos a tal "gracinha" frente à Juventus, "despachámos" o Rio Ave e o Chaves (quer dizer, no caso do Rio Ave não foi bem despachar) e aguentámo-nos sem perder com o Porto, quatro dias depois de jogar com o Barcelona. As coisas melhoraram, mas o padrão do Jorge Jesus não se alterou: "bater o pé" aos grandes da Europa, mostrar dificuldades com os pequenos, chegar para os grandes de cá e mostrar dificuldades com os semi-grandes de cá.

No final, saímos vivos das três competições que interessam: campeonato, Liga dos Campeões/Liga Europa e Taça de Portugal. Vivos, mais ou menos: dos titulares, qualquer dia só sobra o Rui Patrício sem lesões musculares. Felizmente, a coisa pára agora duas semanas. Esperemos que chegue para limpar o estaleiro.

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce

Anda muita gente incomodada com o apagão do VAR no jogo Aves-Benfica, facto que permitu à equipa de futebol do Benfica fazer coisas lindas, como um empurrão sobre um jogador adversário e uma simulação de penálti, de que resultou o seu terceiro golo. Não percebo: em Alvalade, o VAR estava a funcionar em pleno e o árbitro não marcou um penálti existente e deu um cartão amarelo a uma simulação inexistente. Deus quis, o homem sonhou, a obra nasceu. Donde se conclui que tanto faz haver como não haver VAR. Estamos em Portugal, o país onde as boas ideias tendem a desfazer-se em cinzas. Se fosse para a Liga portuguesa, com VAR e tudo, dá-me a impressão de que até aquele golo do Manchester United no estádio da Luz era anulado.

Desta vez é diferente?

Os dois anos e tal que já leva o Sporting de Jorge Jesus deixam-me sempre um pouco desconfortável: joga suficientemente bem para "bater o pé" aos grandes da Europa (Real, Borussia, Barcelona) mas perdeu sempre; revela com demasiada frequência dificuldades incríveis com os pequenos da nossa liga e às vezes fraqueja com os semi-grandes (Braga, Guimarães...); o único nível em que parece à vontade é contra os grandes da nossa liga: em todos os jogos contra Benfica e Porto, só no último contra o Porto pareceu inferior. Acresce uma aparente dificuldade em equilibrar o esforço entre competições europeias e nacionais. Não é um padrão que descanse.

Será que é hoje que tudo vai começar a mudar? Ganhar à Juventus (ou pelo menos empatar), depois limpar o Chaves e o Rio Ave, pronto para voltar a fazer uma graça à Juventus e acabar a ganhar ao Braga?

Acarditemos

Entusiasmos

Acho que tenho de discordar do grande entusiasmo da nação sportinguista com a exibição frente ao Barcelona. Não que não tenha sido uma bela exibição, mas esse é o problema dos jogos contra o Barcelona ou o Real Madrid ou outra equipa do género: a exibição das nossas vidas quase nunca basta diante delas; elas têm recursos que nós não temos e, quase invariavelmente, conseguem arranjar maneira de ganhar (se não é pelos jogadores, que são melhores, é pelo complexo de inferioridade, que aparece sempre num ou noutro momento, ou então é pelos árbitros, que gostam de lhes estender o tapete). O jogo do Barcelona está dentro de um ciclo, que começou de maneira horrorosa contra o Moreirense e só termina no domingo, contra o Porto. Ora, por ter "batido o pé" ao Barcelona, por ter jogado "olhos nos olhos", a equipa vai chegar a domingo mais cansada (porque o jogo do Porto com o Mónaco não foi tão cansativo) e com menos um dia de descanso. Esse jogo é que era para tentar ganhar com todas as nossas forças, e não as vamos ter. Assim como era para ganhar mesmo contra o Moreirense. Até agora, isto está muito parecido com o ano passado, quando"batemos o pé" ao Real, jogámos "olhos nos olhos", e depois fomos perder escandalosamente com o Rio Ave por 3-1. A redenção deste ciclo está, portanto, no jogo com o Porto. Lembro-me bem quando, há três anos, "batemos o pé" ao Wolfsburgo (então uma das melhores equipas da Europa) e, no jogo imediatamente a seguir, fomos perder 3-0 às Antas, visivelmente por exaustão da equipa. Só espero que desta vez sobrem as forças. Felizmente para o meu coração, não vou poder ir ao estádio, por ter sido convocado para uma mesa de voto: durante o tempo em que decorre o jogo, devo estar a contar votos. Acho que vou ter uma boa surpresa no fim.

A maldição da Champions volta a atacar

Já estava a estranhar: ainda não tínhamos ido do oitchenta e otcho ao otcho, com jogos da Champions de permeio. Este ano, aconteceu antes e, vá lá, não perdemos 1-3. Só espero agora não estarmos na 4ª à noite a dizer que "pusemos o Barcelona em sentido" com uma derrota "honrosa" no bucho. Por muito que goste do William, o seu adversário directo na 4ª vai ser o Messi. Os centrais vão ter que parar o Suárez e o Piccini vai ter pela frente o Iniesta. Vai ser preciso lidar com estes gajos e ainda sobrarem forças para o Porto no domingo. In Jesus we (have to) trust.

É hoje, é hoje!

Inicia-se hoje a época 17/18 com o jogo particular com Os Belenenses, logo mais, às 20.00 horas no Estádio do Algarve.

Hoje de manhã enviei um e-mail a um bruxo bem cotado na praça, para saber como iriam correr as coisas.

Respondeu-me há pouco, dizendo que fui descuidado, que o posso comprometer...

 

Efectivamente, o negócio dos bruxos anda pelas ruas da amargura.

A reabilitação de Jorge Jesus

Jorge Jesus, ao colo dos seus êxitos benfiquistas, chegou ao Sporting com aquele ar de quem vinha explicar aos bárbaros como se ganha: a "cultura de campeão que eu trouxe", o "Ferrari que montei no outro lado", "o Sporting está muito atrasado", etc. Sempre me fez impressão que imensos sportinguistas engolissem esta conversa: é como aqueles cães vadios que, à força de levarem tanto pontapé, já têm medo de toda a gente e acabam acoitados junto do primeiro sem-abrigo que lhes faz uma festa e os protege. Se isto é mau no sportinguista comum, pior é no presidente. E o presidente passou os últimos dois anos deslumbrado, com o "Jorge" na boca: o "Jorge" está apaixonado pelo Sporting, a "cultura de exigência do Jorge", o "Jorge" isto, o "Jorge" aquilo. O ano passado até pareceu que estava a correr bem.

Este ano é que foi pior. O Sporting do Jorge falhou em todos os momentos decisivos. Em todos, não em alguns:

1) Admitamos que o Real Madrid é uma super-equipa (que é) e que estar a ganhar 1-0 próximo dos 90 minutos não é suficiente para garantir a vitória. A derrota por 2-1 foi o primeiro momento decisivo falhado, embora explicável, para sermos simpáticos.

2) Menos explicável é a barracada da derrota por 3-1 com o Rio Ave: o segundo momento decisivo, logo a seguir à desilusão de Madrid. Ou a barracada dos 3-3 em Guimarães, pouco depois.

3) Admitamos também que era difícil sacar um empate ao Dortmund, mas como explicar a incapacidade para, pelo menos, empatar com o Legia? Outro momento decisivo, pelo qual não continuámos na Liga Europa.

4) Depois, foi o falhanço na Luz. Decisivo.

5) Depois, com o Braga em Alvalade. Decisivo.

6) Com o Chaves, para a Taça. Decisivo.

7) Com o Setúbal, para a Taça da Liga. Decisivo.

8) Com o Porto, nas Antas. Decisivo.

E quando havia o vislumbre de chegar ao segundo lugar, mais uma derrota decisiva e especialmente humilhante em casa com o Belenenses, num estádio cheio de famílias à espera de uma grande festa.

O Sporting do Jorge podia ter falhado algumas destas coisas. Mas todas, sem excepção? Repare-se que isto acontecia ao mesmo tempo que o Sporting do Jorge ia apresentando um futebol deprimente, que toda a gente via. Toda a gente, menos o Jorge, a avaliar pelas conferências de imprensa.

Dito isto, acho que o Jorge Jesus deve continuar a ser o treinador do Sporting. Sempre fui contra saídas precoces de bons treinadores, como Leonardo Jardim ou Marco Silva. O mesmo acontece com Jesus. E provavelmente até se terão criado condições para tudo correr melhor: o Jorge com a crista mais baixinha, o Sporting menos deslumbrado. Com uma relação mais igual entre si, um pode potenciar o outro. É preciso é chegar lá.

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