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Sustentabilidade - As contas da Sporting SAD (1ºTrimestre 18/19)

Está desde ontem disponível aqui o Relatório&Contas da Sporting SAD referente ao 1ºTrimestre da temporada 2018/2019 (no pretérito dia 26, a Sociedade havia emitido um breve Comunicado contendo a Demonstração de Resultados para o período). 

 

A primeira nota vai para a não menção, no referido R&C, de qualquer informação relacionada com a entrada em vigor do contrato de DireitosTV celebrado com a NOS. Sendo um dado muito relevante na actividade da Sociedade, como o demonstra o enfoque que nele foi feito na campanha eleitoral, é de certo modo insólito o facto de não ser feita qualquer referência. Recordo aqui o Comunicado que a SAD, em 29 de Dezembro de 2015, fez sobre o acordo alcançado:

 

"A SPORTING CLUBE DE PORTUGAL, Futebol SAD informa, nos termos do art. 248.º, n.º 1 do Código de Valores Mobiliários, que chegou hoje aos seguintes acordos:

1) com NOS LUSOMUNDO AUDIOVISUAIS, S.A. um contrato para a cessão dos seguintes direitos:

(i) direito de transmissão televisiva e multimédia dos jogos em casa da Equipa A de Futebol Sénior da Sporting SAD e direito de exploração da publicidade estática e virtual do estádio José Alvalade pelo período de 10 épocas desportivas com início em 1 de Julho de 2018;

(ii) direito de transmissão e distribuição do Canal Sporting TV, pelo período de 12 Épocas desportivas, com início em 1 de Julho de 2017;

(iii) direito a ser o seu Principal Patrocinador, pelo período de 12 épocas e meia, com início a 1 de Janeiro de 2016.

2) com a PPTV – Publicidade de Portugal e televisão, S.A. um aditamento ao contrato atual pelo qual foram revistos os valores a pagar pelos direitos de transmissão televisiva e multimédia dos jogos em casa da Equipa A de Futebol Sénior da Sporting SAD e direito de exploração da publicidade estática e virtual do estádio José Alvalade para as épocas 2015-2016, 2016-2017 e 2017-2018.

As contrapartidas financeiras globais resultantes do valor dos contratos, incluindo as épocas 2015-2016, 2016-2017 e 2017-2018, o referido no ponto 1 e o aditamento referido no ponto 2 ascendem ao montante de €515.000.000.

Lisboa, 29 de dezembro de 2015"

 

José Maria Ricciardi e outros candidatos haviam dito que o Sporting já teria antecipado (já lá iremos) 60 dos 68 milhões de proveitos referentes aos 2 primeiros anos, o que daria um valor de 34 milhões de DireitosTV por ano. Ora, ao analisarmos a rúbrica de DireitosTV neste R&C, verificamos que há uma redução de 191 mil euros face a período homólogo (Setembro) de 2017, fixando-se o valor em 5,6M€, contrariando a ideia que muitos sócios do clube teriam de que teríamos um crescimento desta rúbrica. Tentando encontrar uma explicação, fiz umas contas, baseando-me para tal em informação dispersa. Há poucos meses atrás, foi referido que o Sporting Clube de Portugal teria orçamentado 5M€ de proveitos/ano referentes aos contrato da NOS. Assumindo que tal se referirá  aos "Direitos de Transmissão e Distribuição" do canal Sporting, então, teríamos, ao fim de 12 anos, um valor total de 60 milhões de euros. Em relação a Patrocínios e Publicidade, pegando no valor trimestral de 3,4 milhões e considerando que o prazo de contrato é de 12 anos e meio, então produzir-se-ia um valor acumulado para esta rúbrica de 170M€. Em termos da PPTV, creio lembrar-me que houve uma melhoria em cada uma das épocas desportivas de cerca de 6 milhões, totalizando 18M€. Ora, somando estas 3 rúbricas, apurar-se-ia um valor de 248M€, pelo que os DireitosTV deveriam representar 267M€ (26,7M€/ano) para que a contrapartida financeira global enunciado no supracitado Comunicado batesse certo (515M€). Julgo que seria importante um esclarecimento nesta matéria. 

 

Em relação ao R&C propriamente dito, a primeira dúvida que assaltará alguns é como um resultado positivo de 16,1M€ só passa os Capitais Próprios para 549 mil euros, quando anteriormente estavam negativos em cerca de 13,3M€. Tal está explicado e refere-se a uma alteração de norma contabilistica, nomeadamente a adopção da IFRS15, que implica que se actualizem os rendimentos a reconhecer, o que produziu um impacto negativo nas contas de 2,2M€.

 

Olhando para a Demonstração de Resultados, verificamos que os Proveitos Ordinários desceram 10,5 milhões em Setembro 18, face a período homólogo (Setembro 17), consequência da não participação na Champions. Apesar disso, ficamos a saber que o prémio pela participação na Liga Europa foi de 5,6 milhões e que uma vitória (frente ao Qarabag, o triunfo em Poltava já foi após o fecho deste exercício) rendeu 570 mil euros. A título de curiosidade, é possível ver que a bilheteira do jogo contra o Qarabag rendeu 42 mil euros, quando o(s) jogo(s) da Champions realizados no mesmo período do ano passado renderam 880 mil euros, uma diferença abissal. Nos Proveitos, só a rúbrica Patrocínios e Publicidade apresenta uma subida face a período homólogo, Loja Verde, DireitosTV, Bilheteira&Bilhetes de Época (menos Gamebox vendidas, redução de 270 mil euros de proveitos no período) todos descem.

 

Preocupante é o não ajustamento dos Custos face à redução dos Proveitos Ordinários. Assim, embora haja uma redução de 2,4M€ nos Gastos com o Plantel no trimestre, verificamos que 1,1M€ se devem à atribuição de menos prémios, pelo que a diferença real é de apenas 1,3M€. Anualisando, se na temporada passada esta rúbrica apresentava um valor de 73,8M€, é de crer que o valor no final da época fique nos 68,6M€ (considerando variação nula nos prémios por objectivos). Também os Fornecimentos e Serviços Externos (FSE) se mantém muito elevados (aumentaram 820 mil euros), com um valor trimestral de 5,8M€, bem como as Amortizações, que se situam nos 5,35M€.

 

No que respeita a Transacções com Jogadores, na rúbrica Rendimentos aparece um valor de 23,515M€ mas no mapa de suporte é possível ver um montante de 25,981M€, referentes a William (16M, recebidos a pronto), Piccini (8M), Santiago Arias (15% passe=1,181M€) e Pedro Delgado (0,8M€). Ainda na mesma rúbrica está expresso um valor a nossa favor proveniente do Mecanismo de Solidariedade, referente à venda de Cristiano Ronaldo à Juventus (2,237M€ de um total de 2,441M€). Nos Custos com Transacção de Jogadores, ficamos a saber que a comissão e mecanismo de solidariedade inerentes à venda de Piccini foram de 1,145M€. Igualmente detalhado é o valor pago ao Bétis de Sevilha pela percentagem dos direitos desportivos que ainda lhe pertenciam (15%), de 1,159M€.

 

A contratação de Diaby custou um total de 5,5M€ e a de Raphinha um valor de 6,5M€. Os outros gastos foram com Bruno Gaspar (4,736M€), Viviano (2M€), Marco Túlio (1M€) e Marcelo (500mil). Há ainda um valor não detalhado de 1,935M€, que em futuros relatórios recomendo que deva ser discriminado. 

 

Surgiu-me uma dúvida no que diz respeito aos empréstimos de Gudelj e de Renan: no Relatório, é indicado que há uns Gastos a Reconhecer que dizem respeito aos empréstimos desses dois jogadores, no valor de 2,7M€. No entanto, olhando para a rúbrica de Fornecedores, verificamos que está lá plasmado uma dívida de 3M€ ao Guangzhou Evergrande e um valor de 1M€ ao Estoril, clubes da proveniência destes 2 jogadores, pelo que 4M€ terá sido o custo destes empréstimos.

 

Em relação ao que já foi usado do contrato com a NOS, vemos que houve um Factoring de DireitosTv desta época, no valor de 13,485M€, e de épocas seguintes, no valor de 16,135M€. Existem ainda dois valores, um referente a "Outros Passivos não correntes" (3,467M€) e outro relativo a "Outros Passivos correntes" (11,05M€), que se devem à antecipação de receitas sem recurso por via de cedência de créditos futuros inerentes ao contrato com a NOS. Existe também contabilizada uma cedência de créditos contratuais de 12,8M€, que terá por base a hipoteca do(s) passe(s) de algum(uns) jogador(es).

 

Em termos de Balanço, o Passivo global desceu 1,302M€ e o Activo global cresceu 12,571M€. A Dívida Financeira mantém-se nos níveis registados em Junho de 2018, isto é, à volta dos 112M€. 

 

Última nota para a indicação de que em 26/10, foi eleito o Conselho de Administração da SAD, composto por Frederico Varandas, Francisco Salgado Zenha, João Sampaio (todos do Conselho Directivo) e Miguel Cal e Nuno Correia da Silva (Holdimo), não sendo evidente quem tenha sido o elemento (talvez Miguel Cal, sendo certo que Salgado Zenha é o financeiro) indicado ou aceite pela banca, de acordo com a Reestruturação.

 

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