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És a nossa Fé!

Sporting-Porto 2020

Entre o nosso terrível 18, o ano que vivi no estrangeiro e os altíssimos preços dos bilhetes da bola, há mais de dois anos que não ia ao estádio. E mesmo na tv não tenho visto os jogos - não assino canais desportivos e quando acorro a casas de amigos a pretexto dos jogos grandes logo nos distraímos entre vinhos e cozinhados, pois já quase longínquos vão os tempos das destiladas e dos petiscos, e conversas várias. Aqui entre nós, cada vez tenho menos paciência para o jogo, o da bola. Não por causa da roubalheira, coisa habitual desde há décadas - eu estava no estádio naquilo do Inácio de Almeida, já nada me pode surpreender. Nem as tropelias várias das jumentudes (na bela expressão do Pedro Correia). É mesmo este futebolismo que me cansa, os jornais cheios de tralhas disto, os canais de tv apinhados de mariolas mais ou menos engravatados a debitarem imbecilidades, e o povo, nós-próprios, numa infinita e insana ladainha sobre as futebolices. De facto, enjoei, desliguei-me e nem adepto de sofá vou. Mantenho-me fiel no café, o do bairro, onde todos os dias o sô João me deixa ler o Record durante a bica ou, se atrasado, na imperial pós-matinal (nunca antes das 12 horas, mandam as regras do cavalheirismo).  E no qual vigoro em acaloradas e quási-diárias discussões sobre o(s) jogo(s), enfrentando com galhardia fanáticos lampiões e andrades e ombreando com magníficos adeptos do nosso Sporting Clube de Portugal. Todos nisto mais ou menos como eu, ainda que um ou outro ainda assine os canais de tv "da especialidade", dado o interesse nos campeonatos inglês, italiano e espanhol - e agora até no brasileiro. São diatribes que apimentam o dia-a-dia, rápidas introduções a outras coisas, num almanaque de temas bem mais relevantes ou, melhor dizendo, interessantes.

Enfim, ainda assim, ontem fui à bola. Um bom amigo recém-regressado de Moçambique tinha um par de bilhetes, desafiou-me a acompanhá-lo. Um lugar agradável, com uma televisão próxima, a permitir rever as situações mais interessantes ou polémicas. Foi simpático o convívio, ele acompanhado de gentis familiares, entre os quais um grande campeão do clube, meu ídolo de infância. Quanto ao jogo pouco a dizer, podia o Sporting ter ganho, mas perdeu. Outros farão análises mais conhecedoras. Do que percebi foi que os morcões das claques lá estavam, imundos. O jovem guarda-redes tem futuro, é óbvio. Doumbia não é, nem de perto nem de longe, tão mau como os intelectuais o dizem. Acuña pode ser, e é, um retardado emocional, mas é jogador. Vietto é uma boa contratação - mas isso já tinha percebido nos resumos que vou vendo. Bolasie é codicioso, como se dizia no meu tempo. E confirmei o que tão bem sei, que Coates é um verdadeiro substituto de Anderson Polga, mesmo sem ser brasileiro nem campeão do mundo. Há quem aprecie, que fazer?, quem sou eu para os desdizer? Quanto ao resto, também tenho uma análise táctica: a quinze minutos do fim (perspectivando o tempo extra), estando o Sporting a perder 1-2, o treinador fez duas substituições - depois ainda fez mais uma, metendo um balotteli de terceira - e esfrangalhou a equipa, que nunca mais fez nada de jeito. Não é por nada, nem para me armar em sábio, mas aquando das duas trocas logo comentei para o lado "estamos fodidos". E estávamos. Mas pronto, quem sou eu para contestar as opções de quem é profissional da poda?

O meu momento do jogo foi quando, lá na bancada, vi o lance que acima afixei. Pois logo pulei ululando "foda-se, caralho, é penalti". Um bocado constrangedor, a simpática senhora, sobrinha do meu amigo, ali mesmo ao lado. Certo que não será a primeira vez que vê reacções destas mas "não havia necessidade ...". Até porque, como logo pude comprovar, as leis do jogo do futebol actual dizem que isto não é pénalti. Já nem ninguém grita "gatuno" ao Xistra ou Sousa, ou lá como se chamava o sô árbitro.

Enfim, daqui a dois ou três anos voltarei a ir à bola. Quando me esquecer desta merda.

3 comentários

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    jpt 06.01.2020

    Anónimo, falando sério: tenho escrito pouco aqui (até pelo que escrevi, em tom risonho no postal). Mas ainda assim resmunguei face a esta gestão do plantel de futebol sénior, não me podem assacar grandes entusiasmo com o rumo. O da época passada e o da actual. E tenho resmungado (desde a candidatura) com a postura do presidente (em particular na questão dos treinadores). Dito isto fico supreendido com comentários que me associam a um "varandismo" (não é o caso do seu comentário) - ainda que o defenda na gestão que vem fazendo da questão das claques, as quais, como ontem mais uma vez se comprovou, são uma doença no clube. Mas digo isso para matizar a sua abordagem: perdeu-se com o Porto ao fim de uma década? Ok, uma pena. Mas acontece perder, em particular com os clássicos, não é um escândalo. A gestão do plantel não tem sido boa, a dos treinadores também não. Mas honestamente o jogo de ontem não foi tétrico, podia ter dado os três resultados. Isso é o que sinceramente me parece, e como tal não julgo que este jogo tenha sido sintomático de uma situação do futebol do clube - o rumo deste campeonato sim, mas isso é algo diferente.

    Mas o mais importante é o que V. diz sobre a violência no desporto, sobre o enquadramento legislativo e a (in)acção judicial. Subscrevo completamente. Escrevi há algum tempo, antes de Alcochete, e na sequência de conflitos num Braga-Benfica, e de vários outros, um postal no meu blog (que não coloquei aqui pois tem algum conteúdo político, que não me parece apropriado a um blog sportinguista, abrangente em termos político-ideológicos) a que chamei "o governo está a dormir", face a essa questão e perspectivando que coisas mais graves viriam a acontecer. O (inactivo) governo estabeleceu uma qualquer "alta autoridade" sobre a matéria mas nada de visível tem avançado. E os crimes de sangue no futebol continuam por julgar. E isso, bem mais do que o 1-2 da semana, é que nos deveria chamar a atenção.
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    Anónimo 06.01.2020

    Estou com curiosidade de ver o que sai do encontro de Varandas com políticos sobre o tema da violência no desporto, e se se lembra de referir o adepto morto. Se bem me recordo o anterior presidente apresentou uma série de medidas que caíram em saco roto.

    Para se justificar a não aplicação da anterior lei, criou-se uma nova lei em 2019?
    Mas perante novos incidentes já em 2020 como justificar desta vez a inação das autoridades? Criar outra nova lei já em 2020 porque a de 2019 afinal era incompleta? Tudo isto é patético...Leis e mais leis. Já chega de leis. É tempo de exigir justiça, ou a justiça só se mexe quando o assunto é Alcochete?
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