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És a nossa Fé!

Sporting B

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Na foto em cima: Hevertton, Marsá, Eduardo Pinheiro, Tiago Rodrigues, Chico Lamba, Goulart e André Paulo. Em baixo: Diogo Brás, Fábio Názinho, Vando Felix e Geny Catamo.

 

Este é um post que já tinha prometido fazer sobre um tema que deve interessar todos os Sportinguistas, sempre com o objectivo de questionar para melhorar.

Noutro post abordei o tema da política de formação do Sporting introduzida por Frederico Varandas, rompendo com o modelo do contratar para ser campeão no escalão, e onde, visto de fora, Tomaz Morais me parece ser o grande motor do projecto, recuperando ideias caras a Aurélio Pereira mas introduzindo uma transversalidade orientada à produção de jogadores para a primeira equipa. Trata-se duma política que necessita à frente dessa equipa alguém que consiga conjugar a luta pelos títulos com o lançamento de jovens. Keizer e Silas muito deixavam a desejar nesse aspecto, pelo que apenas com Rúben Amorim conseguiu produzir resultados.

E esses resultados traduzem-se nos cerca de 50% de jovens de Alcochete no plantel duma equipa principal ganhadora, e pela grande venda dum deles, Nuno Mendes, ao PSG.

Mas, como em tudo, essa política de formação tem pontos fracos. Um deles é a equipa B,  de todas as equipas dos escalões de formação aquela talvez mais obrigada a objectivos. Porque não se trata só de ganhar o título respectivo entre equipas semelhantes: aqui descer ou subir de divisão tem consequências enormes para o futuro da mesma equipa. E trata-se duma competição onde os adversários são bem mais velhos e experientes, que obrigam os nossos jogadores a crescer e os preparam para o profissionalismo ao mais alto nível.

 

Um pouco de história para começar.

A equipa B do Sporting foi criada em 2000/2001, na sequência duma experiência de clube satélite com o Lourinhanense, da qual a única coisa boa que resultou foi a venda de Boa Morte para Inglaterra, com o objectivo de fazer evoluir dentro de casa os ex-juniores que não conseguiam dar o salto imediato para a primeira equipa, evitando empréstimos com baixa taxa de sucesso.

Durante quatro épocas essa equipa competiu na 3.ª divisão da altura (2.ª B), primeiro em casa emprestada, no caso o Municipal de Rio Maior, depois já em Alcochete, com classificações distintas (14º, 2º, 15º e 18º) e a descida de divisão ditou a sua extinção.

Renasceu em 2012/2013, já na 2.ª Liga, resistiu outros seis anos com classificações também diversas (4º, 6º, 5º, 10º, 14º e 18º) e foi mais uma vez extinta com o argumento de se apostar numa nova competição, os sub23.

Na primeira época desta nova fase, com Oceano e Dominguez como treinadores e Manuel Fernandes como director, tivemos mesmo a melhor equipa B de sempre, com Arias, João Mário, Esgaio, Dier e vários outros, alguns a serem lançados no final da época por Jesualdo Ferreira na A.

Na época seguinte, e com um autocarro de "Inácios", cada um pior que o outro, foi Abel Ferreira o treinador promovido dos juniores o escolhido, que fez por se articular com o então treinador principal, Leonardo Jardim. Demitido sem explicações aos sócios no arranque de mais uma época, Abel Ferreira, se calhar a vomitar "Inácios", deu lugar a João de Deus, actual adjunto de Jorge Jesus, também ele demitido na época seguinte para dar lugar a Luís Martins. 

Posso dizer que acompanhei todas aquelas fases. Visitei muitos campos e estádios de que só conhecia o nome: Lourinhã, Rio Maior, Mafra, Amora, Seixal, Barreirense, Oriental, Olivais e Moscavide, entre outros, pelo que tenho alguma competência para falar sobre o assunto. Pude apreciar jogadores como estes onze que aqui indico, todos com largas dezenas de jogos pela equipa B:

Beto; Miguel Garcia, José Fonte, Rúben Semedo e Eric Dier; Esgaio, Carlos Martins, Custódio e João Mário; Ricardo Quaresma e Gelson Martins.

 

Vamos agora para a situação actual. Como sabem, em 2020/2021 a equipa B renasceu mais uma vez, agora sob o comando de Filipe Çelikkaya, para competir numa série do Campeonato de Portugal que a apurou (ficou em 2.º lugar, logo atrás do E. Amadora, que conseguiu o apuramento para a 2.ª Liga) para a nova 3.ª Liga, onde compete este ano na série F.

O não-apuramento para a 2.ª Liga provocou uma revolução no plantel com a saída definitiva ou por empréstimo de alguns jogadores que poderiam ser importantes nesse contexto mas já com uma idade que não antevia grande futuro no Sporting. Poucas contratações foram feitas, e as que foram demoraram e demoram a mostrar argumentos que justifiquem as apostas.

Assim está a ser tudo menos conseguida esta nova temporada da equipa B. Depois dum início razoável, com um empate fora e uma vitória caseira, as derrotas sucederam-se. O último jogo foi heróico, empatado a dois com dois jogadores a menos ao intervalo: conseguimos marcar mais dois no segundo tempo e conquistar a vitória.

O Sporting B segue na 9.ª posição de 12 com menos um jogo e 12 pontos: 3V, 3E e 5D, 12GM, 15GS. Corre o risco de descer de divisão.

  1. Real Massamá (F) - 0-0
  2. Caldas (C) 1-0
  3. Torreense (F) 3-4
  4. V.Setubal (C) 0-1
  5. Cova da Piedade (F) 2-0
  6. Alverca (C) 1-2
  7. Amora (F) 0-3
  8. U.Leiria (C) 0-2
  9. O.Hospital (F) 1-1
  10. Oriental Dragons (F) 0-0
  11. Real Massamá (C) 4-2

 

Então a que se deve este fraco desempenho, em que os resultados apenas ilustram a falta de qualidade do futebol apresentado e as debilidades estruturais da equipa ?

Se calhar existem várias causas para esta situação:

1. Qualidade dos competidores

Quando se fala numa série da 3.ª Liga pode ficar-se com uma ideia completamente errada da valia das equipas em questão. Esta série conta com dois clubes com pretensões a voltar rapidamente ao escalão principal, casos do V. Setúbal e Alverca, outros que querem voltar à 2.ª Liga, como o Real Massamá e o Cova da Piedade, e dispõem de treinadores como Luís Loureiro (Real Massamá), Bino (U. Leiria) e Argel (Alverca), este penso que até já foi treinador principal no Brasileirão. Não é fácil jogar com equipas bem orientadas, muito experientes e sem preconceitos em enveredar pelo jogo sujo, como simulação de faltas, perdas constantes de tempo quando em vantagem, faltas constantes para interromper o jogo e simulação de lesões para os jogadores descansarem em momentos críticos. Essas equipas jogam com a ansiedade de quem quer jogar bem e ganhar.

2. Arbitragens deploráveis

Se no último jogo foram duas expulsões e um penálti, nos outros cartões e penáltis têm sido constantes contra o Sporting por mais duvidoso que seja o lance. Depois disso todo um fechar de olhos ao jogo sujo, simulação de lesões e queima de tempo por parte de alguns adversários. Quando marcam o primeiro golo, e muitos deles pelo tal penálti duvidoso, o jogo parece que terminou ali com o árbitro a gozar a situação e a castigar os nossos cada vez mais enervados jogadores.

3. Falta de matéria-prima de qualidade

Os melhores jovens já jogam ou treinam na A. Eduardo Pinheiro e o resto da fornada de 20-21 anos que por ali ficou, jogadores como Goulart e Bernardo Sousa, não parecem ter a capacidade necessária para segurar a equipa e ajudar os jovens que ali surgem em rotação constante. Essugo, Gonçalo Esteves, Nazinho e Catamo tanto jogam como não, e Hevertton já merece estar num patamar de titular indiscutível, e não andar às sobras do Gonçalo e do Marsà. 

Depois, e isto é uma crítica transversal a toda a formação do Sporting, faz-me uma certa confusão a falta de padrão físico por posição: muitos baixinhos bons de bola mas falhos de capacidade de choque misturados com matulões de "pé de chumbo".

4. Modelo de jogo / sistema táctico.

Mas afinal se a B é a antecâmara da A, porque não joga a B como a A, não joga em 3-4-3 e no modelo de jogo já aqui explicado da A? Não serve para a 3.ª Liga? Mas como não, se Amorim tirou grandes resultados do mesmo no Casa Pia? Entendo perfeitamente que a formação até aos sub23 funcione em 4-3-3, que dá outra liberdade e evolução aos jogadores, e permite formar centrais, laterais, médios, extremos e pontas de lança. Mas na B não seria para lhes transmitir outra cultura táctica e capacidade competitiva perante adversários fechados, com intensidade física e a jogar no erro adversário? Ou a questão é que Amorim algum dia sairá e quem vier a seguir pode ter outro modelo qualquer? Assim, o que fica é que a única coisa em comum entre as equipas A e B são os equipamentos.

5. Liderança técnica

É um facto inegável que Filipe Çelikkaya não tem um curriculum que entusiasme ninguém, basta lembrarmo-nos dos treinadores que atrás mencionei, e daqueles que estão nos rivais, Veríssimo e Folha. Obviamente que o curriculum só por si não é decisivo, Amorim veio com pouco ou nenhum, mas não se vê prova que esteja ali alguém com potencial, porque o futebol da equipa não entusiasma ninguém. 

 

Soluções?

Bom, esperemos que a última vitória seja o click que faltava a esta equipa para fazer uma grande segunda volta e colar-se aos da frente. Noutras circunstâncias poderiam vir da A reforços para resolver o problema, mas nas actuais é a A que vai deitar mão de tudo o que precisar das restantes equipas. Contratar para a B não é solução, contrata-se apenas para a A, actual ou futura. Trocar de treinador neste momento e neste contexto em que não sabe quem vai dispor na semana seguinte também não me parece minimamente justo.

Então que fazer?

Deixo aqui a pergunta.

 

PS: Enquanto isso, nos sub23 já estamos fora da corrida ao título de campeão (4.º em 8 na zona Sul), na Youth League vamos disputar a passagem à fase seguinte com o Ajax, em Juniores vamos em 2.º na zona Sul.

 

#OndeVaiUmVãoTodos

SL

 

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