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És a nossa Fé!

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 

Do segundo empate consecutivo em cinco jornadas. Após perdermos dois pontos em Famalicão, ontem voltámos a tropeçar - desta vez em casa, frente ao FC Porto (1-1). Amealhamos 11 pontos em 15 possíveis. Sabe a pouco. Sobretudo porque já vemos o Benfica quatro pontos acima de nós.

 

Dos três golos falhados. Tivemos hipótese de vencer por 4-1 a equipa azul-e-branca. Aos 31' e aos 36', Nuno Santos - duas vezes isolado perante o guarda-redes, em lances de bola corrida - permitiu a defesa in extremis de Diogo Costa, melhor jogador em campo. Ficou a sensação, em qualquer dos casos, que o extremo leonino poderia ter conseguido melhor. Aos 74', foi Paulinho a ver um cabeceamento interceptado pelo jovem guardião portista, quase em cima da linha de baliza. Quatro oportunidades, só uma concretizada.

 

Das baixas para este jogo. Pedro Gonçalves, Gonçalo Inácio e Tiago Tomás ficaram fora da convocatória por estarem lesionados. Ugarte, vindo de viagem à América do Sul, ficou igualmente  impedido de actuar. E Nuno Mendes, claro, ja não está em Alvalade: agora o seu lugar, no nosso onze titular, está preenchido por Vinagre. Sensação reforçada de que o nosso plantel é curto.

 

De Feddal. Exibição para esquecer. Aos 18' e aos 22', em dois momentos cruciais da primeira fase de construção de lances ofensivos, a partir do sector que lhe está confiado, o central marroquino entregou a bola de bandeja aos adversários. gerando perigo imediato. Muito abaixo do nível a que nos habituou.

 

De Paulinho. Voltou a ficar em branco: até agora, em cinco jogos, só marcou um golo. Anda com uma relação cada vez mais complicada com a baliza, como ficou patente aos 58': em posição frontal, sem marcação, recebe uma bola que sobrou para ele e em vez de fuzilar as redes vira-lhes as costas e lateraliza para um parceiro em pior posição, desperdiçando um lance soberano. Aos 37, em jogada colectiva de ataque rápido, demorou tanto a soltar a bola que já o fez com os defensores portistas reposicionados. E ainda foi amarelado por protestos, aos 14', como se fosse um principiante. Atravessa claramente uma crise de confiança. O problema é que corre o risco de ir contagiando toda a equipa.

 

De Matheus Reis. Rúben Amorim deu-lhe outra oportunidade, fazendo-o entrar aos 70' para substituir Feddal. Falhou passes, desposicionou-se, cruzou sem nexo. Parece não ter qualidade para integrar o plantel leonino.

 

De Nuno Almeida. Para os grandes jogos deviam ser convocados os melhores árbitros. Infelizmente, não é este o entendimento da Liga Portugal, que destacou para este clássico um dos piores. Nuno Almeida ia apostado em assumir pela negativa o protagonismo nesta partida. Aos 4', já tinha exibido três cartões amarelos. Quando apitou para o intervalo, já ia em sete (quatro para jogadores do Sporting, três do FCP). O jogo terminou com 12 amarelos e um vermelho (expulsão do portista Toni Martínez, aos 87'). Provavelmente um dos jogos com mais exibições de cartões de que há memória nos últimos anos em Portugal. O senhor Almeida não deve ter acompanhado as actuações dos árbitros europeus no recente Europeu de futebol. Apitavam o menos possível, interrompiam os jogos só em situações indiscutíveis e nunca banalizavam a amostragem de cartões. Ao contrário do que sucedeu neste Sporting-FC Porto.

 

Do golo sofrido. Luis Díaz movimentou-se como quis no nosso corredor direito e rematou cruzado, em arco, sem hipótese de defesa para Adán. Golo de belo efeito que poderia ter sido evitado pelo nosso bloco defensivo. Estava decorrido o minuto 71: o FCP empatava, conquistando um ponto em Alvalade, na única oportunidade de que dispôs no clássico.

 

Do acidente ocorrido no topo sul, agora quase sem público. Um adepto caiu da bancada, ao que parece quando festejava o nosso golo. Queda aparatosa, que fez temer o pior. Prontamente assistido, e conduzido ao hospital, verificou-se que tem uma perna fracturada. Do mal, o menos.

 

Da tradição que persiste. Há cinco anos - desde a época 2016/2017 - que não conseguimos vencer o FC Porto no nosso estádio.

 

 

Gostei

 

De Porro. Melhor sportinguista em campo. Reconquistou a titularidade com todo o mérito. O domínio claro do Sporting durante quase toda a primeira parte deve-se em grande parte a ele: imperou sem discussão no seu corredor, tanto na manobra ofensiva como na segurança defensiva. Venceu sucessivos confrontos individuais, recuperou bolas e cruzou com qualidade. Um desses centros resultou em assistência para o nosso golo. 

 

De Nuno Santos. Muito dinâmico, acelerando o jogo, criando desequilíbrios, fez a diferença no último terço do campo e no primeiro terço da partida. Momento culminante: o golo que marcou aos 16', correspondendo da melhor forma a um soberbo cruzamento de Porro. Dispôs de duas outras oportunidades flagrantes, sem concretizar. Esteve a centímetros de uma exibição de sonho. Mesmo assim, foi muito positiva. Tomou conta de toda a nossa ala esquerda nos dez minutos finais.

 

De Coates. Tem andado com problemas físicos, mas ninguém diria. Outra grande actuação do nosso capitão, com cortes impecáveis aos 12', 45'+3 e 67'. Pautando o jogo e conferindo-lhe equilíbrio a partir do eixo da defesa da forma quase irrepreensível.

 

Da estreia de Sarabia. O internacional espanhol, recém-chegado por empréstimo, foi brindado com entusiástica ovação ao entrar em campo, aos 61', rendendo um apagado Jovane. Mal teve tempo para treinar com a equipa, portanto dificilmente poderia mostrar tudo quanto vale nesta sua primeira exibição de verde-e-branco. Mas revelou apontamentos que confirmam a sua classe.

 

De voltar a ver um clássico com público em Alvalade. A sociedade vai-se libertando do espartilho da pandemia - e o mesmo vai sucedendo nos estádios de futebol, medida que só peca por tardia. Ontem houve 18.727 adeptos nas bancadas.

 

De termos cumprido mais um jogo sem perder em casa. Há 27 desafios consecutivos para o campeonato que não sofremos derrotas no nosso estádio.

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