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És a nossa Fé!

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 

Da nossa primeira parte. Entrámos a pressionar, mas com incompreensíveis falhas posicionais. Sobretudo na linha defensiva do meio-campo, onde se abriam crateras entre Daniel Bragança e Matheus Nunes - ontem titulares em vez de João Mário e Palhinha - e entre estes dois jogadores e o trio de centrais. O Benfica explorou inteligentemente estes espaços vazios lançando ataques demolidores que produziram estragos. À meia hora de jogo, já perdíamos 0-2. Ao intervalo, perdíamos 1-3. Com o nosso golo surgido mesmo ao cair do pano.

 

De termos perdido este clássico. Este jogo entre os mais históricos rivais do futebol português pôs fim ao nosso mais longo ciclo enquanto equipa invicta: 32 jornadas sem um só desaire em campo. Precisamente desde o anterior Benfica-Sporting, ocorrido na última ronda da época anterior. Estivemos quase uma temporada inteira sem conhecer o sabor da derrota. 

 

Do onze montado por Rúben Amorim. Incompreensíveis, tantas mudanças - salvaguardando situações internas de que nós, adeptos, não temos conhecimento. Vendo de fora, faria muito mais sentido compensar as ausências de Porro (por fadiga muscular) e Feddal (por castigo) com uma linha de centrais composta por Luís Neto, Coates e Gonçalo Inácio (este devolvido ao lado esquerdo do terreno, que é a sua posição natural) em vez de insistir em Gonçalo pela direita e iniciar a partida com Matheus Reis, lateral de raiz, como central mais à esquerda. E, claro, incluir Palhinha e João Mário no onze - como aliás viria a acontecer na segunda parte, quando o técnico rectificou o erro, quase conseguindo virar o jogo. Com 45 minutos de atraso.

 

De Daniel Bragança. Tem bom toque de bola e é exímio no passe a meio do terreno. Mas falta-lhe intensidade e arcaboiço físico para enfrentar com sucesso uma equipa em contra-ataque rápido, como ontem se viu. Foi bem substituído ao intervalo.

 

De Matheus Nunes. É um médio com características ofensivas cujo sucesso está muito dependente de uma boa articulação com um colega como Palhinha, que funciona como tampão no meio-campo defensivo. Chamado ontem a exercer essa função, sem rotinas de jogo com Daniel, não foi bem-sucedido, tendo perdido várias bolas. E cometeu um erro grave, actuando já como ala direito, ao provocar um penálti totalmente desnecessário que acabou por permitir o golo da vitória encarnada aos 50' e ao suíço Seferovic marcar o 20.º nesta Liga, dando-lhe vantagem sobre Pedro Gonçalves (também com 20 golos mas com mais minutos jogados, o que o desfavorece para efeitos de desempate).

 

De Paulinho. É verdade que foi dele a assistência para o segundo golo. Mas ele está lá para os marcar, não para assistir. Sujeito à apertada vigilância de Otamendi, voltou a ficar mais um jogo em branco. Começam a ser de mais para o avançado mais caro da história do Sporting - embora não tão caro como o inútil Darwin que ainda equipou uns minutos de encarnado.

 

De sofrer quatro golos num jogo do campeonato. Nem três tínhamos sofrido numa só partida desta Liga 2020/2021, agora a uma jornada do fim.

 

De estarmos há quase seis anos sem vencer na Luz. O nosso último triunfo lá ocorreu no início da temporada 2015/2016, quando o actual treinador do Benfica orientava a equipa do Sporting. 

 

 

Gostei

 

Da nossa segunda parte. Se só esta valesse, teríamos vencido por 2-1 em vez de termos perdido por 3-4. Amorim rectificou os erros cometidos: trocou João Pereira e Daniel Bragança por Palhinha e João Mário, mais tarde mandou sair Matheus Reis para a entrada de Jovane. O Sporting foi a melhor equipa em campo neste segundo tempo: o jogo terminou com o Benfica a despachar bolas, acantonado no seu reduto defensivo, perante a pressão contínua da nossa equipa. Fica a lição para todos os adeptos que tanto gostam de denegrir João Mário: ele é um elemento indispensável como titular deste Sporting que acaba de se sagrar campeão nacional.

 

De Pedro Gonçalves. Melhor sportinguista em campo - e aquele que mais lutou para inverter a dinâmica ofensiva benfiquista, dando luta aos nossos velhos rivais ao movimentar-se muito bem entre linhas. Se todos tivessem estado ao nível dele, teríamos saído vencedores. Mais dois golos para o seu pecúlio: o primeiro aos 45'+1, após slalom que rompeu a defensiva adversária, disparando com sucesso de pé esquerdo na cara de Helton Leite; o segundo aos 78', convertendo uma grande penalidade que havia sido cometida sobre ele. Esteve a centímetros de marcar um terceiro golo - aos 52', quando rematou com força, fazendo a bola embater no poste.

 

De Nuno Santos. Deu importante contributo para inverter a maré do jogo fazendo canalizar pela sua ala grande parte do nosso caudal ofensivo. Exibição coroada por um golo de difícil execução técnica aos 63', em posição frontal, com assistência de Paulinho. Era o nosso segundo, reduzindo para 2-4 e permitindo discutir o resultado até ao fim.

 

De Nuno Mendes. Fundamental tanto na construção ofensiva, articulando bem com Nuno Santos no seu flanco, como na manobra defensiva. Pena não ter conseguido evitar o primeiro golo do Benfica: bem se esforçou, logo aos 12', já com Adán ausente da baliza, mas sem conseguir. Se há jogador que não merecia a derrota, é ele. 

 

Do cumprimento inicial entre Rúben Amorim e Jorge Jesus. Não houve a tal "guarda de honra" de que tanto se falou, mas houve desportivismo. 

 

De termos visitado a Luz já como campeões nacionais. Não me lembro se alguma vez tinha acontecido. Por mim, voltaria a trocar a vitória num jogo como este pela conquista antecipada do campeonato. Todos os anos, se pudesse ser.

 

Da qualidade do jogo. Sete golos, intenso combate em todo o terreno, resultado incerto e emoção até ao fim. Um verdadeiro clássico - mesmo quando lhe chamam "dérbi" - é mesmo isto. Um verdadeiro hino à modalidade, um cartaz à promoção do futebol. 

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