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És a nossa Fé!

Rescaldo do jogo de ontem

Não gostei

 

Da derrota. Não há volta a dar: nesta temporada somos incapazes de derrotar um dos nossos rivais. Balanço fraquíssimo: um empate com o Benfica, dois empates com o FC Porto e um par de derrotas com esta mesma equipa, que ontem voltámos a enfrentar, desta vez no Dragão, de onde saímos com novo resultado negativo: perdemos 1-2. Talvez a melhor exibição em clássicos desta época, mas o que conta são os números finais. Estes afastam-nos de vez da corrida pelo título de campeão nacional, colocando-nos a oito pontos do FCP quando faltam ainda nove jornadas. Um resultado igual ao do campeonato anterior, que nos tirou dessa corrida ainda antes, com 12 jornadas por disputar.

 

Do penálti perdoado ao Porto. Dizem que Artur Soares Dias é o melhor árbitro português: isto serve para mostrar a fraquíssima qualidade dos apitadores nacionais. Geralmente resguardado para os chamados "jogos grandes", é raro aquele em que sai com folha limpa. Desta vez prejudicou claramente - e grosseiramente - o Sporting ao perdoar uma grande penalidade cometida aos 17' pelo jovem defesa Dalot sobre Doumbia, quando o avançado leonino tinha a bola dominada e progredia dentro da área. O vídeo-árbitro, convicto da falta, alertou Soares Dias, que visionou o lance mas não deu o braço a torcer. E mesmo depois disto vão continuar a dizer que se trata do melhor árbitro português...

 

Das ausências. Se há jogo em que pesaram as ausências, foi este. Do nosso lado faltaram Bas Dost, Piccini e Podence (todos por lesão) e ainda o indispensável Gelson Martins (por castigo). Todos fizeram falta, cada qual a seu modo. É verdade que do lado do FCP Sérgio Conceição também não contou com Alex Telles (rei das assistências no campeonato), Danilo e Soares - nosso carrasco da época passada. Mas o Sporting (a)pareceu mais desfalcado neste clássico.

 

Das oportunidades perdidas. A história do jogo teria sido bem diferente se Rafael Leão, em vez de ter marcado apenas um golo, tivesse marcado dois: dispôs de oportunidade para isso, aos 89'. Antes dele aconteceu o mesmo a Doumbia (20'), Bruno Fernandes (22'), Coates (64'), Bryan Ruiz (65'), Montero (86') e novamente Coates (86'). Como noutros desafios, o Sporting tentou muito e quase conseguiu. Quase.

 

De Doumbia. Há jogadores, tal como existem alguns treinadores, que bem podem ser brindados com a alcunha de pés-frios. É o que parece ocorrer com o avançado marfinense: nem a lesão de Bas Dost o colocou como titular indiscutível do Sporting. Ele tenta bastante, mas parece ficar sempre com a tarefa por cumprir - ou por falta de jeito ou por manifesta falta de sorte. Recentemente viu dois golos limpos serem-lhe anulados, para duas competições diferentes. Agora, no Dragão, foi o chamado "melhor árbitro nacional" a negar-lhe um penálti que todo o país futebolístico viu. Aos 41', colocou mal o pé e lesionou-se sozinho, acabando substituído dois minutos depois. Alguém lhe lançou mau feitiço: Doumbia tem de ir ao bruxo.

 

De Ristovski. O jovem lateral direito não tem a mesma pedalada do ausente Piccini - isso voltou a ficar bem evidente numa exibição muito aquém daquilo que os adeptos esperavam dele. Aos 49' deixou Brahimi movimentar-se à vontade e fazer o golo da vitória portista. Nunca teve a acutilância que se impunha no apoio do ataque. Saiu aos 67', para entrar Rúben Ribeiro, ficando Battaglia no seu lugar.

 

Da estreia adiada de Wendel.  Aureolado de grande reforço, o médio que veio do Fluminense continua remetido para o banco, ainda sem um só minuto ao serviço do Sporting. O que se passará para demorar dois meses para vestir enfim de verde e branco?

 

Dos cartões amarelos. Na próxima partida teremos outra deslocação muito difícil: vamos a Chaves. Desfalcados de dois dos nossos melhores jogadores. Acuña e Bruno Fernandes viram cada qual o quinto cartão amarelo acumulado neste clássico, ficando assim impedidos de actuar em Trás-os-Montes.

 

 

Gostei

 

De Rafael Leão. Estreia de sonho do nosso jovem avançado, ainda júnior, num clássico da principal competição de futebol português. Jorge Jesus deixou-o de fora do onze inicial mas convenceu-se enfim de que ele fazia falta lá dentro após a lesão de Doumbia, mandando-o entrar aos 43'. Não podia ter começado da melhor maneira: marcou logo na primeira vez em que tocou na bola, aos 45'+1, com uma excelente mudança de velocidade, baralhando a marcação de Felipe e Dalot, e colocando muito bem a bola, que passou entre as pernas de Casillas. Fazia assim o empate, gelando o Dragão. Aos 63', noutra progressão perigosa, foi travado em falta, arrancando o amarelo a Felipe. Podia ter feito o 2-2 mesmo ao cair do pano, quando atirou por cima da baliza após bom centro de Rúben Ribeiro. Balanço muito positivo: em duas partidas, com apenas 88 minutos jogados, uma assistência e um golo. Valia a pena ter apostado nele mais cedo.

 

De Bryan Ruiz. Grande partida do costarriquenho, a melhor de verde e branco desta época. Começou como substituto de Gelson, jogando como ponta direita, mas rapidamente o treinador o remeteu para o corredor central, colocando-se atrás de Doumbia, por troca posicional com Bruno Fernandes. Foi bom na manobra ofensiva: é dele a assistência para o nosso golo. E foi bom também no momento defensivo: logo aos 12' salvou um golo quase certo do FCP, tirando a bola da linha da baliza, com Rui Patrício já batido (viria a suceder algo semelhante a Battaglia, aos 79'). Ainda ajudou a construir o lance que deu penálti (não assinalado) aos 17'. E esteve quase a marcar, num bom cabeceamento aos 65': a bola rasou o poste. Terminou o jogo novamente na ala direita, parecendo desta vez infatigável. Foi o melhor do Sporting.

 

De William Carvalho. Às vezes mal se dá por ele, mas não falha nos momentos decisivos. Voltou a ser crucial para a boa exibição leonina no Dragão, tanto na tarefa de recuperar bolas como na construção dos nossos lances ofensivos. É ele, com uma notável simulação, a iniciar o lance do golo, libertando a bola para Bryan Ruiz. Já tinha sido ele, com um passe longo, a começar a jogada que culminaria na grande penalidade (não assinalada) a Doumbia. Controlou o corredor central, sempre naquele estilo de falso lento de que alguns não gostam. Haveremos de ter saudades dele quando deixar de equipar de verde e branco.

 

De Bruno Fernandes. Começou como segundo avançado, mas por volta do minuto 10 Jesus mandou-o para a ala, com a missão de fazer incursões para o eixo do ataque. Com a transferência de Battaglia para lateral direito, aos 67', recuou para a posição 8, competindo-lhe comandar as operações ofensivas a partir daí. Jogou com a intensidade a que já nos habituou, criando linhas de passe (aos 17', numa das nossas melhores jogadas), fazendo bons centros (aos 20', para Doumbia) e tentando ele próprio o remate de meia-distância (aos 22', para defesa difícil de Casillas). Sendo um dos nossos jogadores mais utilizados, já denota algum desgaste físico. Mas nunca baixa os braços.

 

Da intensidade do jogo.  Ao contrário de outros embates entre as duas equipas já travados nesta temporada, este foi um verdadeiro clássico. Um desafio com transições rápidas, de parte a parte, quase sempre muito bem disputado, e com emoção de sobra até ao fim. Só o resultado, para nós, não esteve ao nível do resto.

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