Rescaldo do jogo de ontem
Gostei
Da nossa sexta vitória em seis jornadas. Continuamos a fazer o pleno: 18 pontos já conseguidos. Ontem, em Alvalade, derrotámos o AVS numa partida com domínio leonino do primeiro ao último minuto. Desta vez foi um triunfo por 3-0, sem que a turma adversária conseguisse uma só ocasião de golo. Superioridade total verde e branca, com inegável força colectiva. É assim que se conquistam títulos e troféus.
De Gyökeres. De novo o melhor em campo. Homem do jogo, o grande desequilibrador. Enquanto os outros vão ficando fatigados, ele exibe energia inesgotável. Voltou a bisar: fez o segundo golo, aos 45'+4, e fixou o resultado aos 70'. Antes, teve intervenção decisiva numa pré-assistência para a estreia de Harder como artilheiro de Leão ao peito. Leva dez golos marcados nesta Liga - mais do que toda a equipa do Benfica até agora. E marca há sete desafios consecutivos do campeonato português, igualando a marca de Yazalde em 1972/1973. Insiste em dar espectáculo: é uma máquina de jogar futebol.
De Harder. Estreia como titular do jovem avançado dinamarquês, com apenas 19 anos. Estreia de sonho: foi dele o golo inaugural, aos 15'. Festejou de forma surpreendente, à Cristiano Ronaldo. E é ele a assistir o sueco no segundo. Ouviu estrondosa e merecida ovação no estádio ao ser substituído, no minuto 59, com direito a "volta olímpica". Acaba de nascer nova estrela no firmamento leonino.
De Morten. O capitão vai-se tornando cada vez mais influente de jogo para jogo. Não só com bola mas também sem ela: domina o meio-campo, com atributos muito acima da média no plano técnico e sobretudo no plano táctico. Distinguiu-se com assistência no primeiro golo e uma recuperação providencial que deu início ao segundo.
De Trincão. Não marcou, mas assistiu - no terceiro. E foi sempre um dos mais combativos, um dos mais desequilibradores, pondo em sentido a defesa adversária. Está a cumprir a melhor época da sua carreira.
Do regresso de Esgaio. Foi pouco mais que simbólico, mas valeu por ilustrar a união desta equipa (que não deixa ninguém para trás), o momento em que ele entrou, substituindo Trincão (76'). Escutou fortes aplausos: deixou de ser o "patinho feio".
Da solidez defensiva. Com Israel no seu terceiro jogo seguido como titular entre os postes, acabamos de cumprir a quinta partida consecutiva sem sofrer golos. Mérito do nosso bloco mais recuado - desta vez com um inédito trio de centrais titulares: Debast, Diomande e Matheus Reis. E, naturalmente, também do guarda-redes: o jovem internacional uruguaio está a dar muito boa conta do recado.
De Ochoa. Pode parecer estranho, por ter encaixado três golos, mas incluo aqui o veterano internacional mexicano que já participou em cinco campeonatos do mundo. Só graças a ele o AVS não saiu de Lisboa goleado. Enormes defesas a remates ou cabeceamentos de Trincão (12' e 31'), Gyökeres (19') e Diomande (80').
De termos disputado 27 desafios em sequência sem perder na Liga. Marca extraordinária: a nossa última derrota (1-2) aconteceu na distante jornada 13 do campeonato anterior, em Guimarães, a 9 de Dezembro. E vamos com 16 triunfos nas últimas 17 partidas disputadas para a maior competição do futebol português.
De ver o Sporting marcar há 48 jogos seguidos. Sem falhar um, para desafios do campeonato, desde Abril de 2023, perante o Gil Vicente (0-0). Números impressionantes, próprios de um campeão em toda a linha.
Da nossa 20.ª vitória consecutiva em Alvalade. Todo o campeonato anterior, mais três rondas da Liga 2024/2025: há 70 anos que não nos acontecia algo semelhante. Saldo destas 20 partidas em golos: 65 marcados e apenas 12 sofridos.
De continuar a ver o Sporting sem perder em casa. Acontece há ano e meio, desde Fevereiro de 2023, quando o FCP nos venceu então. Não voltou a acontecer. São já 27 partidas sem derrotas para o campeonato no Estádio José Alvalade.
Da homenagem a Dona Elvira. Fervorosa sportinguista de 82 anos que perdeu a sua casa em Albergaria-a-Velha, tragicamente, no incêndio da semana passada. Convidada pela direcção sportinguista a comparecer em Alvalade, foi ovacionada antes do jogo - momento emotivo que nunca esquecerá. Depois das palmas, virá certamente a ajuda de que necessita para conseguir nova habitação. Nós, sportinguistas, sabemos ser solidários.
Do apoio do público. Mais de 43 mil espectadores compareceram ontem em Alvalade. Cifra que não engana: é fortíssima a comunhão entre equipa e adeptos. Cada vez mais sportinguistas acreditam na conquista do bicampeonato que nos foge há 70 anos.
Deste nosso início de época. Um dos melhores de sempre, sem sombra de dúvida. Os números confirmam: 22 golos marcados, apenas dois sofridos. Desde 1950/1951 que não facturávamos tanto nas primeiras seis rondas. Ainda não vencemos, até agora, por menos de dois golos de diferença. Temos a equipa mais forte do campeonato português. Quem ainda não percebeu isto deve viver noutro planeta.
Não gostei
Do resultado ao intervalo. Vitória escassa, por 2-0. Sabia a pouco, parecia insuficiente para tanto domínio.
De termos quatro titulares lesionados. Rúben Amorim não pôde contar nesta partida com Gonçalo Inácio e Pedro Gonçalves, além de Vladan e Eduardo Quaresma, que já estavam no "estaleiro". Sem esquecer St. Juste, Edwards e o jovem Diogo Pinto, também fora da convocatória por lesão. Mas cada ausência é sempre compensada por alguém pronto a saltar do banco sem que a equipa perca qualidade.
Da saída de Daniel Bragança com queixas físicas. Aconteceu aos 70'. Oxalá não esteja também ele lesionado.
Do árbitro Ricardo Baixinho. Poupou um penálti à equipa visitante num lance de evidente desvio da bola com o braço pelo defesa Fernando Fonseca em zona proibida, aos 32'. Mesmo alertado pelo VAR Rui Costa, manteve a decisão errada. Falhou neste lance crucial. E deixou em campo um sarrafeiro chamado Roux, que escapou duas vezes à expulsão. Se continuar assim, não lhe auguro grande futuro na carreira de apitador.
