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És a nossa Fé!

Rescaldo do jogo de hoje

Não gostei

 

 

De ver o Sporting perder mais dois pontos na Liga 2018/2019. Hoje viemos de Setúbal com um magro e medíocre empate: 1-1. Sofremos um golo logo aos 24' e estivemos quase uma hora em desvantagem: o nosso golo ocorreu apenas aos 80'.

 

Da nossa primeira parte. A equipa arrastou-se no terreno com movimentos lentos, previsíveis, trocando a bola sem intenção atacante, com deficiente entrosamento colectivo, demorando imenso a aproximar-se da baliza adversária. Pode dizer-se que demos 45 minutos de avanço ao onze opositor: o Vitória de Setúbal só pode agradecer.

 

Dos lances desperdiçados por Bas Dost. O holandês está muito longe da sua melhor forma física. Isto ficou bem evidente na forma como desperdiçou dois soberbos cruzamentos de Jefferson quando se mantinha o empate a zero: o primeiro aos 9', o segundo aos 12'. Centros teleguiados, dirigidos à cabeça de Dost, que num caso atirou por cima e no outro rematou à figura. Se qualquer destas bolas tivesse entrado, a história do jogo seria muito diferente.

 

Das mudanças forçadas. Marcel Keizer fez quatro alterações ao onze titular da final da Taça da Liga, três das quais por imposição das circunstâncias: André Pinto, lesionado, deu lugar a Petrovic, central improvisado que jogou com máscara após ter fracturado o nariz na partida anterior; Jefferson alinhou no lugar de Acuña, que vai deixar Alvalade; Idrissa Doumbia, reforço de Inverno, alinhou de início na posição 6 por impedimento de Gudelj, ausente por acumulação de cartões. A quarta alteração - nada feliz - foi a entrada de Diaby como titular, o que deixou Nani fora do onze inicial. O internacional português acabaria por entrar só aos 63', substituindo Raphinha, quando a equipa já estava a jogar só com dez.

 

De Diaby. Uma nulidade. Permaneceu os 90 minutos em campo sem que ninguém vislumbrasse porquê. Desgarrado da manobra colectiva, submetendo-se às marcações, sem capacidade de criar desquilíbrios nem de abrir linhas de passe, o maliano passou ao lado do jogo. Com Jovane sentado no banco, algo que ainda me intriga mais.

 

Do apitador de turno Há muito tempo que o Sporting não era tão prejudicado por uma arbitragem. Aos 10', Helder Malheiro já estava a mostrar o primeiro cartão amarelo, a Petrovic, por falta que ninguém descortinou, condicionando assim o jogador, que actuava numa posição que não costuma ser a sua. Seguiu-se a exibição de mais cinco amarelos, vários dos quais de todo incompreensíveis - a Raphinha (30'), Jefferson (45'), Bruno Fernandes (50'), Coates (86') e Luiz Phellype (89'). Mas o pior ocorreu aos 55', quando mostrou um cartão vermelho directo a Ristovski, vítima de uma falta violenta não sancionada. O macedónio, atingido no sobrolho esquerdo pelo cotovelo de um adversário impune, ficou de imediato com um impressionante hematoma, exprimindo verbalmente a sua dor. Malheiro, em vez de castigar o prevaricador, mandou o nosso para a rua, interferindo no destino da partida: actuámos durante mais de 40 minutos só com dez jogadores.

 

Do golo sofrido. Aconteceu aos 24', numa rapidíssima jogada de contra-ataque do Vítória, com Ristovski apanhado muito fora de posição e Petrovic incapaz de acompanhar a passada do setubalense Cádiz, autor de um disparo sem hipóteses de defesa para Renan. Cifra nada lisonjeira: há 21 jogos consecuticos que sofremos golos fora de casa. Alguma equipa conseguirá ser campeã assim?

 

Da má condição física. Com a chuva a cair durante grande parte do jogo e o terreno muito enlameado, aumentou o desgaste dos nossos jogadores, na sequência da extenuante final da Taça da Liga. Teremos menos 24 horas de descanso do que o Benfica, o que pode desequilibrar contra nós, logo à partida, o clássico de domingo em Alvalade frente aos encarnados. Não augura nada de bom.

 

De vermos o segundo lugar cada vez mais distante. Já tínhamos abandonado, uma vez mais, qualquer ilusão de discutirmos o título de campeão nacional. Acontece que, depois destes dois pontos perdidos no Bonfim, também o segundo posto parece mais inalcançável. Defrontaremos o Benfica, daqui a quatro dias, com menos cinco pontos do que a turma adversária - já sem dependermos de nós próprios para atingirmos um lugar que nos permita sonhar com a Liga dos Campeões. E seguimos dez pontos atrás do FC Porto.

 

 

 

Gostei

 

Da ver Dost regressar aos golos de bola corrida. Tardou mas aconteceu: na sequência de um remate de Bruno Fernandes com defesa incompleta do guarda-redes sadino, o holandês meteu a bola lá dentro, com um bom gesto técnico, praticamente de costas para a baliza. Redimiu-se assim, mas só em parte, dos dois falhanços do início do jogo.

 

De Bruno Fernandes. Foi um dos mais inconformados, um dos mais insatisfeitos, um dos mais lutadores. Bateu bem livres e cantos, fez alguns passes longos a desmarcar colegas, interveio no lance do golo. E quase marcou, com uma bomba disparada aos 90´+1. Merecia esse golo.

 

De Coates. Sem Mathieu e André Pinto (ambos lesionados), seus habituais parceiros no eixo da defesa, actuando com um improvisado central a seu lado e tendo à sua frente um médio defensivo em estreia absoluta pelo Sporting, foi um gigante neste sector. Com cortes providenciais aos 12', 45', 65', 87' e 90'+2. Ganhou ainda mais influência após a expulsão de Ristovski, o que o forçou a atenção redobrada para acudir às dobras. Nos últimos minutos, o treinador mandou-o jogar lá na frente, confiando nele para marcar o golo da vitória. Só faltou isso ao uruguaio, que para mim foi hoje o melhor da nossa equipa.

 

Da estreia de Idrissa Doumbia. Não deslumbrou, nem se esperava que o fizesse, no relvado empapado do Bonfim. Mas revelou bons pormenores, sobretudo no capítulo técnico, nesta sua estreia de verde e branco, mostrando-se confiante e desinibido. É cedo para um veredicto definitivo, mas esta primeira impressão foi positiva. Saiu aos 63', quando Keizer se viu forçado a mexer na equipa após a expulsão de Ristvoski.

5 comentários

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    Pedro Correia 30.01.2019 23:30

    Percebo a sua frustração e a sua angústia.
    Milhares de sportinguistas sentem o mesmo neste momento.

    Analisarei o tema mais em pormenor e com um pouco mais de distância deste jogo que terminou há duas horas.
    Mas, para mim, a linha fracturante ocorreu antes, com a derrota em Tondela. Em que o treinador falhou em toda a linha.
    E é um facto: ele pegou na equipa em segundo, a dois pontos, e já vamos em quarto, distanciados do pódio, a dez do comandante. E a cinco do Benfica e a quatro do Braga.

    Há dois meses havia por aqui quem passasse um cheque em branco a este treinador só por vir substituir Peseiro. Tentei alertar contra essa ilusória euforia, mas fui pouco escutado.
    Agora cabe-me um pouco estar no papel oposto, deitando alguma água na fervura, sublinhando que nem tudo está mal. Mas não me esqueço que houve há dois meses quem escrevesse por aqui que mesmo que o Sporting perdesse todos os jogos até ao fim do campeonato já teria valido a pena observar aquele "futebol de ataque" que Keizer trouxe para Alvalade.
    Dessa prenda fugaz já nada resta, ao que parece.

    Saudações Leoninas
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    J. 31.01.2019 00:16

    Obrigado por desempenhar esse papel ponderado. Eu não posso, não quero. É tudo demasiado triste.

    Acerca de "enigmas, incógnitas e perplexidades" permitir-me-á trazer aqui outras. Por que razão, findo o jogo, o Keiser resolveu elogiar a arbitragem, quando esta foi marcada por um viés significativo desfavorável ao Sporting e gerou a indignação dos "seus" jogadores? Da interpretação desse elogio poderemos dissociar a observação que fez quanto à obrigação de vencer em Setúbal, abrindo para a especulação de que os jogadores não haviam feito tudo o que era possível para alcançar esse resultado? E tudo isto tratou-se de juízos circunstanciais de análise de um jogo ou de um recado com destinatários internos?

    A minha ideia é que o Keiser não confia "humanamente" numa boa parte dos jogadores do plantel e do próprio onze que leva sistematicamente a jogo. Terá, em conjugação, utilizado este momento para "cortar" definitivamente o laço de lealdade (falhada) que o deveria unir a todos os integrantes do plantel ao mesmo tempo que exige que o Presidente tome partido. Não sendo mais possível ele - Keiser - e eles, tem de se decidir, ele ou eles. Por outras palavras, procurará o respaldo do Presidente para afirmar uma autoridade que (pelo menos) uma parte dos jogadores não reconhece.

    É outro temor que me consome, e que mais demanda a sua exoneração enquanto técnico principal do Sporting. Estaremos perante um homem fraco, que, como todos os homens fracos, faz fraca a forte gente.

    Saudações leoninas.
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    Pedro Correia 31.01.2019 09:05

    Como referi, passei de (ultra-minoritário) defensor de Peseiro a (já minoritário) defensor de Keizer.
    Por dois motivos, para mim essenciais:
    - O Sporting não pode ser um cemitério de treinadores;
    - O Sporting precisa desesperadamente de estabilidade.

    Recordo, a propósito, dois textos que aqui publiquei há três meses:
    https://sporting.blogs.sapo.pt/a-chicotada-em-curso-4476379
    https://sporting.blogs.sapo.pt/alto-risco-4479336
  • Sem imagem de perfil

    J. 31.01.2019 17:19

    Desculpe-me a "blague": acima de tudo, o Sporting não pode ser um cemitério de si mesmo (no caso, contratando treinadores tecnicamente incompetentes e/ou incapazes de gerir com inteligência, bom senso e até astúcia as complexas relações humanas que se desenvolvem num plantel futebolístico - que muito o transcendem, de resto, graças à presença nos "bastidores" de empresários, mulheres, outros familiares, amigos, alguns da onça, por aí fora).

    Não sei a quem ou onde o Senhor Presidente foi buscar a ideia de que o Keiser era um treinador que apostava na formação. Na sua (curta) passagem pelo Ajax fez exactamente o inverso, e foi despedido sem apelo nem agravo num clube que historicamente, nesta matéria, é um exemplo de estabilidade: quase não há memória de treinadores mandados à vida.

    Foi um erro de casting, que não são critérios sensatos (como os que indica) que corrigirão. A leviandade aqui é mantê-lo, como já foi contratá-lo.
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