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És a nossa Fé!

Rescaldo do jogo de anteontem

Gostei

 

De ver o Sporting campeão a duas jornadas do fim. Não precisámos de chegar à última ronda: ao minuto 36 deste confronto com o Boavista em casa, um tiro certeiro de Paulinho bastou para nos devolver o título que já fugia há 19 anos. Estamos de novo no topo do futebol profissional português - lugar que é nosso por mérito próprio. Não há praticamente uma voz a contestar esta nossa subida ao primeiro lugar do pódio. Porque não nos limitámos a vencer. Também conseguimos convencer.

 

De Palhinha. Exibição monumental do nosso médio defensivo - hoje, sem qualquer dúvida, o melhor n.º 6 do futebol português. É um luxo termos um talento destes no nosso onze titular. Neste Sporting-Boavista, Palhinha dominou por completo a sua parcela de terreno que lhe estava confiada, varrendo o que havia para varrer mas também sabendo construir com passes longos e bem colocados - aos 34', 38', 54' e 57', por exemplo. Excelente nos cortes e nas recuperações. O melhor em campo.

 

De Nuno Santos. Uma das mais seguras actuações do extremo esquerdo, que se confirma como verdadeiro reforço e é peça imprescindível desta equipa campeã. Entrou de pé no acelerador, cheio de vontade de resolver a partida logo nos primeiros minutos, empurrando os colegas lá para a frente. Nasce do pé esquerdo dele, aos 5', um tiro ao poste. E é dele a assistência para o golo. Já antes se destacara em dois outros cruzamentos. Pena não haver público no estádio: ele bem merecia uma calorosa ovação ao ser substituído por Matheus Nunes, aos 76'.

 

De Nuno Mendes. Outra actuação de grande nível, contribuindo para a constante pressão da ala esquerda leonina que pôs em sentido o Boavista. Aos 24', recuperou a bola, conduziu-a bem dominada e disparou, acertando na barra. Cruzamentos irrepreensíveis aos 15', 47' e 60'. Cedeu lugar a Matheus Reis aos 83', seguramente convicto de que foi um dos grandes obreiros deste triunfo - e deste título.

 

De Adán. Sem sombra de dúvida: o espanhol é um dos baluartes do nosso onze titular. Pode passar largos minutos sem intervir, mas quando o faz transmite segurança e maturidade ao colectivo, contagiando os colegas. Salvou um golo que parecia certo, na única oportunidade de que o Boavista dispôs, impondo-se entre os postes aos 46'.

 

Do lance do golo decisivo. Vale a pena recordá-lo: Feddal faz um passe vertical lá de trás e coloca nos pés de João Mário, que consegue libertar-se da marcação simultânea de dois adversários e serve Nuno Santos, entretanto desmarcado. Do canhoto sai um centro teleguiado para a grande área: Paulinho encosta. Missão cumprida.

 

De Rúben Amorim. Este título é de todos - mas é dele, antes de mais ninguém. Acaba de tornar-se o segundo treinador campeão mais jovem de sempre ao serviço do Sporting - após Juca, que aos 33 anos liderou a nossa equipa no vitorioso campeonato 1961/1962. Craque a treinar, craque a comunicar. Legou-nos um lema que fica para sempre: "Onde vai um, vão todos." Que bem serve de legenda desta Liga 2020/2021.

 

De continuar a ver o Sporting invicto. Única equipa sem derrotas desde há vários meses, temos um registo brilhante, inédito à 32.ª jornada: 25 vitórias e sete empates. Num campeonato que lideramos isolados há 26 jornadas. 

 

Do 20.º jogo da Liga sem sofrermos golos. Melhor defesa do futebol europeu: apenas 15 golos sofridos em 32 partidas disputadas. 

 

Da aposta clara em portugueses. Anteontem bem se viu em campo: quando Porro, lesionado, se viu forçado a ceder lugar a João Pereira, passámos a jogar com oito portugueses. Contra um Boavista que só tinha um no onze inicial. Aposta evidente também na juventude: há dez jogadores sub-23 no plantel leonino. 

 

De uma estreia. Este foi o primeiro título de campeão nacional que conquistámos desde sempre no actual estádio, inaugurado em 2003.

 

Dos 82 pontos que já somámos. A fria linguagem dos números diz tudo sobre o desempenho do Sporting. Ainda podemos ultrapassar a melhor pontuação alcançada desde sempre pela nossa equipa - na Liga 2015/2016, quando somámos 86 pontos.

 

 

Não gostei

 

Do festival de golos falhados. Pressionámos do princípio ao fim, estivemos sempre por cima neste desafio. Infelizmente as oportunidades criadas não tiveram o melhor desfecho. Quer porque a bola embateu três vezes nos ferros (Nuno Santos aos 5', Nuno Mendes aos 24', Pedro Gonçalves aos 78') quer por falta de precisão no último passe (João Mário falhou golos cantados aos 5' e aos 15'; Paulinho permitiu defesa aos 47' e desperdiçou aos 52' e aos 60').

 

Da lesão de Porro. O internacional espanhol estava a ser um dos melhores em campo, conduzindo sucessivos ataques pela ala direita, quando sofreu uma lesão muscular que o forçou a abandonar o jogo. Aos 17' saiu lavado em lágrimas, o que é outra forma de demonstrar que estamos perante um campeão digno desse nome.

 

Do amarelo exibido a Feddal. Difícil entender o que provocou esta advertência, que deixa o central marroquino fora do clássico na Luz, a disputar no sábado.

 

Da ausência de público. Os adeptos, impedido de entrar no estádio por motivos cada vez mais inaceitáveis, foram-se concentrando em vagas sucessivas no exterior. O que esteve na origem dos excessos que todos os portugueses viram na televisão. Uma minoria sem qualquer civismo e a inépcia da polícia contribuíram para isso em partes iguais.

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