Rescaldo do jogo de anteontem
Não gostei
De perder dois pontos fora de casa. Em Vila das Aves, frente ao antepenúltimo da classificação - uma "coisa" que nem é clube: é uma SAD, praticamente condenada à descida. Deixámos seis pontos a voar nas últimas três partidas. Inadmissível.
De nos deixarmos empatar a minuto e meio do fim. Repetiu-se quase ao segundo o que já sucedera no nosso empate (1-1) no Dragão. Equipa incapaz de segurar a bola em linhas avançadas, perdendo-a em zona proibida, acometida por tremideira geral. Cada lance de bola parada defensiva parece semear o pânico nos nossos jogadores, algo incompreensível.
Da segunda parte. O onze leonino veio irreconhecível do intervalo. Com vantagem confortável mas sempre arriscada (vencíamos 2-0 nos primeiros 45 minutos), deixámos deliberadamente a turma anfitriã assumir a iniciativa do jogo, recuámos a linha média em cerca de 30 metros e apenas mantivemos um solitário Gyökeres lá na frente, na vã esperança de que alguma bola lhe fosse despejada de chutão. Comportamento de equipa que luta para não descer - nada a ver com uma equipa que sonha conquistar o bicampeonato nacional de futebol. Neste período fomos incapazes de fazer um só remate à baliza adversária.
De Diomande. Comportamento calamitoso do nosso defesa, que até foi um dos heróis da primeira parte ao inaugurar o marcador, de cabeça, na sequência de um canto. Infelizmente, descarrilou no segundo tempo. Aos 67', agride à chapada um adversário dentro da área - o que nos custou um penálti e o primeiro golo do AVS, aos 71'. Abusando da sorte (o marfinense devia ter visto o vermelho, e não apenas o amarelo), Rui Borges manteve o central em campo. Deu asneira: aos 77', junto à linha do meio-campo, Diomande volta a cometer falta absolutamente desnecessária: um pisão que lhe valeu o segundo cartão - e consequente expulsão. Volta a ficar de fora: outra baixa importante na nossa equipa. Actuámos só com dez durante meia hora.
Da ausência de Morten. Ausente por castigo, pela primeira vez neste campeonato, fez-nos falta. Sem ele, o nosso meio-campo não tem, nem de longe, a mesma eficácia. Aliás toda a nossa linha média interior era adaptada, com Debast e Alexandre Brito nos lugares habitualmente ocupados pelo internacional dinamarquês ou pelos lesionados Morita e Daniel Bragança.
Da ausência de Biel. Sentou-se no banco, mas não calçou. Estranhamente, parece que o treinador não conta com ele. Como se não tivesse sido o mais propalado "reforço de Inverno" do Sporting.
De outro lesionado. Não há jogo do Sporting sem vermos sair um futebolista mais cedo, rumo à enfermaria de Alvalade. Desta vez foi Eduardo Quaresma, que só durou 45 minutos. Já não regressou para a segunda parte, sendo substituído por Matheus Reis. Novo período de lesão, ainda incerto, para o jovem central, tão combativo quanto azarado.
Da infeliz estreia de Felicíssimo. O jovem médio defensivo, presença habitual na Liga 3 como titular do Sporting B, foi promovido por mérito (e devido à extensa onda de lesões) à equipa principal. Mas não lhe correu bem este "baptismo de fogo". Nervosíssimo, perdeu a bola no início da construção, dando origem ao golo do empate do AFS. Assim deixámos fugir mais dois pontos.
De Rui Borges. Quinto jogo seguido sem ganhar. Muito passivo no banco, incapaz de dar resposta aos problemas em tempo útil e até de antecipá-los. Assistiu impávido ao recuo das linhas, pairando a sensação de que os jogadores obedeciam a insólitas instruções suas. Fez quatro alterações no onze: nenhuma melhorou a equipa. Esperou até aos 90'+2 para mandar Harder saltar do banco, talvez esquecido de que o dinamarquês tinha sido o melhor em campo no desafio anterior, contra o Arouca. E não esgotou as substituições no longo tempo extra (9 minutos da etapa final), nem sequer para queimar tempo. Algo também incompreensível.
De termos perdido a liderança isolada. Após este terceiro empate (2-2), vimos o Benfica igualar-nos na pontuação da Liga 2024/2025. A onze jornadas do fim.
Gostei
Do primeiro tempo. Bom futebol, dinâmico, veloz, com os flancos a funcionarem e a bola a sair dominada ao primeiro toque. Pressão alta sobre a saída da equipa da casa, que raras vezes se libertou para a manobra de construção e dispôs apenas de uma oportunidade de golo neste período - grande defesa de Rui Silva, aos 14', a remate de Zé Luís.
De Gyökeres. Recuperou a boa forma e voltou a exibir os dotes de goleador, que não demonstrava há cerca de um mês. Protagonizou duas arrancadas, aos 18' e aos 21', desposicionando por completo a defesa, na segunda culminando em remate com selo de golo que só uma enorme defesa do internacional mexicano Ochoa impediu. Meteu-a mesmo lá dentro aos 33', coroando brilhante jogada colectiva. Na segunda parte ninguém o serviu: não teve culpa. Cada vez mais isolado na lista dos artilheiros deste campeonato: são já 23 golos a seu crédito. Melhor em campo.
De Trincão. Jogador mais utilizado do plantel, continua a ser útil. Esteve nos dois golos. No primeiro, aos 8', é dele o passe certeiro para a cabeça de Diomande. O segundo começa a ser construído por ele: soberba variação de flanco para Maxi assistir o sueco. E ainda foi ele a isolar Gyökeres no lance que quase deu golo aos 21'. Líder das assistências na Liga: são já 12.
De Maxi Araújo. Cada vez mais útil, cada vez mais acutilante, cada vez mais imprescindível na ala esquerda. É dele o passe para o segundo golo. Foi dos poucos que não naufragaram no segundo tempo.
De continuarmos no comando. O Benfica conseguiu igualar-nos, dois meses depois, mas mantemos a liderança da Liga devido ao critério de desempate. E o FC Porto - que ainda não ganhou em casa neste ano de 2025 - mantém-se seis pontos atrás de nós após ter empatado no Dragão (1-1) com o V. Guimarães.
