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És a nossa Fé!

Reflexões sobre o Sporting (4)

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Autor convidado: Luís Cunha Miranda

 

Aposta inequívoca na formação

 

A formação do Sporting sempre foi para os sócios a última reserva moral que permitia dizer que apesar dos campeonatos nacionais perdidos o Sporting formava os melhores jogadores e os êxitos desses jogadores reflectiam a qualidade e grandeza do nosso clube. Mas, realmente, uma aposta na formação nunca existiu: apenas serve para ser utilizada em período eleitoral ou em tempos de crise.

Quem não se lembra da terrível época de 2012/13 que apenas de bom serviu para que Eric Dier, Tiago Ilori, Bruma e Esgaio aparecessem e que Cedric e Adrien se cimentassem na equipa após o empréstimo à Académica?

Destes, quantos permanecem no clube seis anos depois?

 

Aquilo que todos sabemos e calamos é que nos últimos três anos contrataram-se 42 jogadores, nos quais se gastaram 107 milhões de euros (in Record, Agosto 2018), e com isso houve X% para o empresário, para o pai, para o amigo e também X% para dirigentes (?) ou treinadores (?). Portanto, a formação é apenas um slogan ou soundbite para toda a gente que dirige o Sporting e fumo para os olhos dos sócios.
Porque quando há dinheiro - ou verbas a receber da TV - ficamos como um clube novo-rico?
O que aproveitámos verdadeiramente das compras, em três anos, de quase quatro equipas de jogadores?
Obtivemos mais-valias económicas e desportivas de quantos?
Para agudizar o caso, os rivais melhoraram muito a sua formação e em certos casos ultrapassaram-nos, nomeadamente no marketing e na visibilidade dada aos seus jogadores e às vendas pelo patamar mínimo de 15 milhões.
 
A culpa da não aposta verdadeira na formação é também nossa. Não só maltratamos e cobramos mais aos jogadores saídos da Academia como não exigimos às direcções que, para comprarem o que se compra, mais vale termos profissionais a custo quase zero vindos de Alcochete.
Permitimos esta suspeição de negociatas que não beneficiam o clube com a rotação de dezenas de jogadores de qualidade duvidosa. É algo que criticamos nos outros clubes e que não devíamos aceitar no Sporting, até por nos afirmarmos diferentes.
 
A solução está em escolher bem a próxima direcção e que esta aposte sem reservas e inequivocamente na formação.
Inovando conceitos e recrutamento.
Passando novamente e definitivamente para a frente dos rivais.
Criando, mais que jogadores, pessoas íntegras que gostem do clube: que sejam acompanhados pelos melhores técnicos e que a estrutura toda respire Sporting.
Tendo lá os nossos ícones do passado a transmitir o amor à camisola, para que cada vez que beijarem o símbolo o sintam genuinamente e que isso não seja apenas para a foto da rede social de escolha.
 
O objectivo é ter uma visão estratégica a longo prazo, tal como existe em alguns clubes. Comprar duas ou três verdadeiras mais-valias mas ter os outros todos feitos no Sporting. Saber quem vai ser a aposta seguinte da formação para cada posição e não ter medo de apostar em miúdos de 17 ou 18 anos.
Se Messi ou Mbappé fossem da academia, só jogavam depois de três empréstimos ou saíam sem nunca renderem desportivamente para o clube, por uma verba diminuta para o seu valor.
 
Temos de mudar ou melhorar três etapas: saber recrutar, saber formar e integrar (futebolisticamente mas também socialmente) e por fim saber valorizar (na equipa ou numa venda).
Ou há honestidade e transparência transversal a todo o Sporting - e assim a aposta na formação é crucial - ou isso é apenas retórica para enganar tolos e levar uns milhões para casa via Panamá ou similar. Temos que incutir aos jogadores que ser da equipa sénior do Sporting não é um ponto de passagem, o mais rápido possível, para o estrangeiro, mas um ponto de chegada, o mais desejado possível.
A mística e o amor à camisola num mundo como o de hoje são difíceis, especialmente numa indústria hiper mediática e que gera milhões, mas ainda possíveis quando se trabalha pensando na excelência e com foco no clube, nos seus sócios e adeptos.

 

LUÍS CUNHA MIRANDA

Sócio n.º 10.710

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