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És a nossa Fé!

Recordar - Paulo UCHOA

Quando meti na cabeça este projecto de recordar antigos jogadores do Sporting através da elaboração de pequenas estórias, pensei em juntar um nome a uma letra do abecedário (k,w, y, incluídos). Se nalguns casos tive excesso de oferta de nomes face a uma determinada letra - problema resolvido, em parte, com a inclusão adicional de 2 Bolas de Ouro europeus, 1 Bola de Prata europeu, 1 Bota de Ouro (para além de Yazalde), 1 "cantinho de Antuérpia" e 1 Matador (Acosta), perfazendo um total de 32 jogadores -, quando cheguei à letra "U", engoli em seco durante horas até que me lembrei de Uchoa, o misterioso e pouco preponderante Uchoa, porque as estórias que aqui escrevo são mais do que a descrição de grandes feitos, da glória eterna. Pequenas façanhas, tristes desventuras de gente que se entregou com esforço, dedicação e devoção serão também radiografadas neste espaço.

 

IMG_4087.JPG

 

"A importância de se chamar...Uchoa"

 

" 'U' què(?), perguntará o leitor. Uchoa!

 

Paulo Uchoa realizou apenas 2 jogos pelo Sporting no campeonato de 1982/83 e, inicialmente, foi a única razão pela qual dei Graças a Deus por o ter feito, caso contrário não conseguiria alocar um nome de um jogador nosso à letra "U". Mas, à medida que fui procurando informação na internet, o mistério sobre este homem foi adensando-se e a curiosidade aumentando...

 

Passo a explicar: eu tinha memória de um jogo a que assisti no velhinho Alvalade, em que Uchoa marcou o que na altura constatei ter sido um golaço, ao Rio Ave, recebendo a bola a meio do campo do adversário, fintando um oponente com um túnel efectuado com o pé esquerdo, para depois, com o pé direito, enviar uma bomba directamente ao ângulo superior esquerdo (na projecção do nosso ataque) da baliza do estupefacto guardião vila-condense. Ora, tendo agora verificado que só realizou duas partidas e sabendo que tinha tido o privilégio de assistir a um golo seu, e que golo, quis saber mais sobre o Homem, convencido de que as escassas aparições de verde-e-branco não seriam condizentes com o seu valor futebolístico.

 

Aqui chegados, devo dizer que encontrar notícias sobre Paulo Uchoa na "net" é tarefa quase tão condenada ao fracasso como a esperança de ver pinguins a banharem-se em praias algarvias...

 

Eis, no entanto, que me deparo com a sua situação actual: 62 anos e Professor de Educação Física na Universidade do Grande Rio (Unigranrio), em Duque de Caxias, estado do Rio de Janeiro. Três quartos de hora de pesquisa(?) mais tarde e com a mesma persistência com que a coelha anã que ofereci à minha filhinha insiste em roer as bancadas da nossa cozinha (será que o local a qualifica como animal "doméstico"?) fez-se finalmente luz, e um nirvana se apoderou de mim: o homem é real e tem um passado no Brasil que certifica o golaço que lhe vi marcar.

 

Em 81, um ano antes de chegar a Lisboa, Uchoa foi campeão brasileiro, jogando a maior parte dos jogos a titular, como defesa direito, num time (Grémio de Porto Alegre) que tinha o mítico Emerson Leão (mundiais de 74 e 78) entre os postes, Paulo Isidoro (Mundial de 82), no meio-campo e o ex-colega de Paulo Futre no Atlético de Madrid, Baltazar, no ataque. Como se não bastasse, relegou para suplente um jogador, Paulo Roberto, que Telé Santana levaria consigo para Espanha, suplente de Leandro no escrete.

 

Aqui fica a curiosidade: o Grémio bateu na final, jogada a duas mãos, o São Paulo, treinado por Carlos Alberto Silva (esse mesmo), vencendo por 2-1, em casa, e por 1-0, fora. Uchoa foi titular no primeiro jogo (disputado em casa) e defrontou uma equipa composta pelo recém-falecido (Mundial 82) Valdir Peres (o "careca"), na baliza, Óscar (capitão da selecção de 82), na defesa, Zé Sérgio (extremo fantástico) e Serginho - titular da Canarinha em Espanha face à ausência do lesionado Careca, não o guardião, mas sim o avançado que viria a jogar no Nápoles de Maradona e não era careca -, no ataque. E ainda, Marinho Chagas, a Bruxa, o Diabo Louro, o Canhão do Nordeste, o homem vindo de Natal, dotado de fortíssimo remate, que actuava como defesa esquerdo, subia, subia, subia no terreno e depois só voltava no Natal (o outro, o Cristão) para irritação dos seus treinadores; que na estreia como profissional, por um anterior clube, o Botafogo, deu um lençol a Pelé seguido de um túnel que deixaram o Rei à beira de um ataque de nervos. Internacional e titular no Mundial de 74 (ao lado de outro Marinho, Peres, nosso velho conhecido), jogador irreverente e playboy (gabava-se de ter tido um caso com uma princesa europeia), acabaria por sucumbir ao alcoolismo...

 

Bom, esta crónica(?) já vai longa e, para terminar, vou dizer apenas que, apesar de António Oliveira o ter utilizado pouco, Uchoa foi jogador com estatuto no Brasil, deve ter a melhor média de golos por jogo de todos os defesas direitos da história do Sporting e safou-me a letra "U". Obrigado Uchoa, Professor Uchoa!" .

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