Quente & frio
Gostei muito da vitória tranquila do Sporting, na noite passada, contra o Marítimo. Triunfo que confirma a nossa presença nos quartos-de-final da Taça da Liga, a disputar segunda-feira, contra o Braga: somos bicampeões de Inverno, temos um título a defender. A qualificação estava assegurada, após os triunfos anteriores frente ao Farense e ao Rio Ave, mas nem por isso merece menor aplauso - até voltou a registar-se uma goleada, desta vez por 5-0. Cinco vitórias seguidas, algo para nós inédito nesta temporada. Com 13 golos marcados e nenhum sofrido só nesta competição.
Gostei de Paulinho, a figura da partida por ter marcado os três primeiros golos nas três primeiras oportunidades de que dispôs - aos 40", aos 15' e aos 31''. Eficácia total, com assistências de Arthur, Porro e Jovane. Há 22 anos que um jogador do Sporting não marcava três golos na primeira parte de um jogo: aconteceu em Agosto de 2000, por Acosta, contra o V. Guimarães. Também gostei das exibições de Porro (estreia a marcar de Leão ao peito nesta temporada, assinando o quarto golo, aos 73'), de Mateus Fernandes (estreante como titular e logo com uma assistência, num belo passe de ruptura para o lateral espanhol) e de Arthur (dinâmico ala esquerdo, em vez do habitual titular Nuno Santos, assistindo Paulinho no primeiro e centrando no lance que proporcionou o quinto, autogolo do infeliz guarda-redes Miguel Silva aos 86').
Gostei pouco de uma certa falta de emoção ao longo da partida, disfarçada pela vantagem muito dilatada que se verificou em campo. Isso deveu-se à ausência de público, à certeza de que o apuramento estava garantido e sobretudo à falta de réplica do onze adversário.
Não gostei do fraquíssimo Marítimo, que vai acumulando desaires: só venceu um jogo em 16 disputados até agora nesta época 2022/2023, segue em penúltimo no campeonato e parece condenado a baixar à Liga 2 após 37 anos no primeiro escalão do futebol português. Soma oito derrotas seguidas, com o pior ataque e a segunda pior defesa. Esta goleada certamente não lhe deu qualquer saúde anímica.
Não gostei nada que este jogo tenha sido ontem disputado à porta fechada, no estádio José Alvalade. A fazer lembrar a penosa quarentena imposta pela pandemia que já parecia interminável. Desta vez aconteceu em obediência aos alertas da protecção civil a propósito das enxurradas na região de Lisboa num dia em que choveu mais do que alguma vez aconteceu desde que há registos fiáveis. Foi um mal menor: pior teria sido o adiamento do jogo. E em primeiro lugar está sempre a segurança dos cidadãos, sejam adeptos de que clube forem.
