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És a nossa Fé!

Quente & frio

Gostei muito do apoio incessante dos adeptos à equipa durante todo o tempo, ontem à noite, mesmo estando o Sporting já a perder por 0-2 logo aos 9' nesta nossa partida inaugural da fase de grupos da Liga dos Campeões, quatro anos depois da última participação na prova. Até no fim, copiosamente derrotados, os jogadores receberam aplausos que chegaram a comover o treinador. Isto sim, é apoiar. Num estádio com metade da lotação - máximo previsto segundo as regras actuais, ainda restritas devido à pandemia. 

 

Gostei da excelente exibição do Ajax em Alvalade: foi sempre superior na técnica, na táctica, na velocidade, na condição física e anímica. O extremo brasileiro Antony e o avançado franco-marfinense Haller fizeram o que quiseram da nossa equipa - sobretudo o segundo, com uma estreia de sonho na Liga dos Campeões, com quatro golos em cinco oportunidades. Do nosso lado, nota positiva para Matheus Nunes, único que tentou quase sempre remar contra a maré, destacando-se com uma assistência primorosa no nosso golo, aos 33'. Em bom plano também Porro, com um par de oportunidades soberanas para marcar, e Paulinho, que a meteu duas vezes lá dentro embora só uma tenha contado.

 

Gostei pouco de ver Sarabia ausente do onze inicial da nossa equipa. O internacional espanhol tem 33 jogos de Liga dos Campeões - experiência muito maior a este nível do que o resto do plantel leonino. Não ignoro que chegou há pouco tempo, mas estas são as partidas em que profissionais com o seu currículo mais podem fazer a diferença. Quando entrou, já na segunda parte, perdíamos por 1-3 e o descalabro colectivo era praticamente irremediável. Também gostei pouco de confirmar aquilo que já havia escrito no És a Nossa Fé: temos um plantel demasiado curto para as exigências da temporada. Com Coates ausente por castigo e Pedro Gonçalves de fora por lesão, além da saída de Nuno Mendes, entretanto transferido para o PSG, há demasiadas pedras basilares fora do caminho. Ontem tínhamos no banco três jogadores da equipa B: João Goulart, Geny Catamo e Gonçalo Esteves. 

 

Não gostei de ver o Sporting entrar em campo com o desenho táctico de sempre, incapaz de adaptá-lo às características específicas da equipa adversária, finalista da Liga Europa em 2017 e semifinalista da Liga dos Campeões em 2019. Faltou um reforço na organização defensiva, que deixasse Palhinha menos desamparado nesse sector, faltaram instruções aos alas para recuarem no terreno e aos extremos para fecharem o corredor, faltou o realismo para se perceber que não é possível este Sporting desfalcado de alguns dos seus melhores valores jogar de igual para igual com o poderoso Ajax. 

 

Não gostei nada da exibição de Vinagre, péssimo: tem culpa óbvia nos dois primeiros golos e permaneceu demasiado tempo em campo (Matheus Reis rendeu-o após o intervalo). Nem dos erros defensivos globais: Feddal atravessa um mau momento, talvez devido a problemas físicos, Gonçalo Inácio, condicionado, não devia sequer ter alinhado de início (saiu aos 21', por aparente lesão traumática). Também foi demasiado óbvio que o Ajax estudou muito melhor o Sporting na preparação para o jogo do que o inverso: os holandeses surpreenderam a nossa equipa, neutralizando-a. Rúben Amorim chumbou no teste nesta sua estreia na Liga dos Campeões como treinador: goleado em casa por 1-5, a nossa segunda pior prestação de sempre nesta prova (pior só mesmo a derrota por 0-5 frente ao Bayern em 2009). 

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