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És a nossa Fé!

Quente & frio

Gostei muito do golo marcado por Bruno Fernandes na primeira mão da meia-final da Taça de Portugal, ontem à noite, frente ao Benfica no estádio da Luz. Foi o melhor golo do desafio, que perdemos por 1-2. Marcado de livre directo, a 30 metros das redes. Um tiraço do nosso capitão, sem defesa possível para o guarda-redes Svilar, dirigido ao canto superior mais distante da baliza. Um livre que nasceu de uma falta sobre o próprio jogador, que foi o nosso melhor em campo neste clássico em que saímos novamente derrotados: segundo desaire consecutivo perante o nosso mais velho e histórico rival.

 

Gostei de ver o Sporting em cima da baliza benfiquista no quarto de hora final, quando o treinador Marcel Keizer apostou sem complexos num 4-4-2, reforçando o ataque com a entrada de Bas Dost, que a partir dos 76' fez parceria com Luiz Phellype (e quando este saiu, aos 90', com Raphinha), completada por Diaby numa espécie de tridente. Foi nesse período que nasceu o nosso golo, marcado aos 82'. E poderia ter ocorrido outro, empatando-se a partida, se o árbitro não anulasse, mesmo à beira do fim, um lance ofensivo leonino por uma pretensa carga de Dost sobre Svilar que nunca existiu. Isto num jogo em que alinhámos sem Mathieu, Nani e Ristovski.

 

Gostei pouco da prestação do colombiano Borja, reforço de Inverno para a nossa lateral esquerda, em estreia absoluta de verde e branco no onze titular escalado por Keizer para este desafio. Naturalmente sem rotinas defensivas, teve responsabilidades directas nos dois golos encarnados: no primeiro, aos 16', foi incapaz de fechar o corredor por onde penetrou Salvio; no segundo, aos 63', estava muito mal posicionado e deixou João Félix centrar como quis. Apesar destes lapsos com indiscutível gravidade, revelou bons pormenores de ordem técnica, mostrando vocação atacante e capacidade de criar desequilíbrios. Merece o benefício da dúvida.

 

Não gostei de saber que a segunda mão desta meia-final, a disputar no nosso estádio, só vai realizar-se a 3 de Abril. Um absurdo, estes dois meses de intervalo: é uma decisão ridícula da Federação Portuguesa de Futebol, organizadora da Taça de Portugal. De qualquer modo, o Sporting mantém em aberto todas as possibilidades de passar à final da competição. Bastará vencermos o Benfica por 1-0 em Alvalade. Será que nessa altura ainda contaremos com Acuña? Actuando como médio-ala, o argentino foi um dos nossos melhores nesta primeira mão.

 

Não gostei nada da nossa primeira parte. Com desempenhos desastrosos no reduto defensivo, sobretudo de Bruno Gaspar, que voltou a ser ultrapassado várias vezes no seu flanco, nomeadamente no golo inaugural dos encarnados, em que escancarou ma avenida para o golo de Gabriel, e do regressado Ilori, que fez parceria com Coates no eixo da defesa e revelou uma arrepiante fragilidade, culminada num autogolo que ditou a nossa derrota. No meio-campo voltou a imperar a mediocridade de Gudelj na posição de médio defensivo, incapaz de travar o ímpeto encarnado e de contribuir para o início de lances ofensivos: o primeiro golo do SLB nasce de uma bola perdida por ele. Nestes primeiros 45 minutos revelámos fragilidades colectivas, concedemos demasiado espaço aos adversários nas alas, fomos incapazes de ganhar segundas bolas e sair em construção organizada, não dispusemos de um único canto e só conseguimos um remate enquadrado (por Bruno Fernandes). Também não gostei nada de um golo desperdiçado por Wendel que, isolado por Acuña e tendo apenas Svilar pela frente, rematou frouxo e muito ao lado no minuto 57. Nem da passividade do treinador, que a perder por 0-2 - frente a um adversário banal, sem Vlachodimos, Fejsa nem Jonas e um puto estreante no eixo da defesa - só aos 71' começou a mexer na equipa. Menos ainda gostei de ter perdido pela segunda vez em quatro dias com o Benfica, com um saldo muito negativo: três golos marcados e seis sofridos. E de só termos vencido, no tempo regulamentar, um jogo dos últimos oito que disputámos.

5 comentários

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    Pedro Correia 07.02.2019 09:12

    São casos diferentes.
    Jovane - lançado por Peseiro no campeonato - já demonstrou qualidade, já marcou golos, já nos valeu pontos.
    Se passa longas semanas sem jogar, é natural que esteja sem ritmo nem confiança. Ainda por cima lançado como titular num jogo destes, após o que aconteceu no domingo.
    Sobre Ilori haverá ocasião de falar mais em pormenor muito em breve. Não gosto de meter tudo no mesmo saco.
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    Plinio 07.02.2019 09:23

    Nem eu gosto de pô-los todo no mesmo saco por isso falei do W.Carvalho, Adrien, R. Patricio ,João Mário esqueci-me do Gelson, mas este foi um ingrato para nós tal como o R. Leão. Aceito que Joavane tem potencial, que Miguel Luís também e que Llori pode melhorar. Mas a formação só por si não nos vai dar títulos tal como nunca nos deu. Em 2000 tinhamos acosta, de franchesci, A. Cruz, Em 2002 Jardel, J. Pinto, Barbosa, A. Cruz, Quiroga, tudo malta de fora. Gosto da formação, mas tem que se lhe incutir ideias de vencedor. Saudações
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    Pedro Correia 07.02.2019 10:44

    Meu caro, a formação deu-nos títulos. Em 1982 e 2002 tivemos vários jogadores da formação entre os campeões nacionais.

    Relembro jogadores do Sporting campeões em 1982 que foram formados no Sporting:
    Barão, Bastos, Carlos Xavier, Mário Jorge, Inácio, Virgílio, Freire e Ademar.

    Em 2001/2002 tivemos Beto, Quaresma, Hugo Viana. Pelo menos estes, cruciais para a conquista do título.

    E no título de 2016, que nos foi roubado e ainda não reconhecido oficialmente, tínhamos como equipa-base os jogadores da formação, que aliás se sagraram campeões da Europa: Rui Patrício, Cédric, William, João Mário, Adrien...
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    Plinio 07.02.2019 13:18

    Tem razão. Mas parece-me que é muito pouco para tantos jogadores por nós formados. Cumprimentos
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