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És a nossa Fé!

Quem joga para empatar acaba por perder

Os jogadores entraram ontem em campo, num estádio José Alvalade muito bem composto com mais de 40 mil assistentes, sabendo que se exibiam em palco europeu. Sendo muito baixas as expectativas dos espectadores, a nossa actuação durante a primeira parte merece nota positiva. Foi também o período do jogo em que o visitante Arsenal - ontem desfalcado de diversas peças importantes, com Ozil e Lacazette no banco - se apresentou quase em ritmo de treino, sem pressionar muito, poupando energias após um desgastante embate com o Leicester três dias antes.

 

Ristovski lesionou-se à beira do intervalo, forçando José Peseiro a uma substituição prematura, à revelia do plano de jogo. O nível exibicional baixou de imediato: Bruno Gaspar teima em não demonstrar qualidade para o plantel leonino. Mas não foi só por isso que o Sporting quebrou na segunda parte desta partida da Liga Europa, concedendo quase toda a iniciativa de jogo à turma inglesa: foi também por manifesto colapso físico que afectou alguns dos jogadores que mais tinham rendido durante o período inicial, designadamente Acuña e Nani. Neste contexto, a inevitável entrada de Jovane pecou por tardia.

 

Sofremos o golo a 12 minutos do fim do tempo regulamentar, numa comprovação prática da ineficácia do dispositivo táctico montado pelo treinador, que desta vez apostou num trio de médios defensivos no corredor central, forçando o Arsenal a utilizar as alas. Peseiro acreditava piamente num zero-a-zero. Os planos saíram-lhe furados, em obediência a um velho mandamento do futebol: equipa que joga para empatar acaba por perder.

 

O melhor dos nossos foi, sem discussão, o guarda-redes Renan.

 

 

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SINAL VERDE

 

RENAN. Sai deste embate como o mais sério candidato a guarda-redes titular, embora sem fazer esquecer Rui Patrício. Balanço muito positivo da exibição do brasileiro que chegou a Alvalade por empréstimo do Estoril. Sem ele, teríamos perdido por dois ou três golos. Único jogador leonino com exibição acima da média registada em desafios anteriores.

ACUÑA. Merece nota positiva sobretudo pelo trabalho desenvolvido na primeira parte, em que foi o melhor do Sporting. Todos os lances com princípio, meio e fim do nosso escasso fluxo ofensivo tiveram a marca dele, criando desequiíbrios, vencendo no confronto individual e infiltrando-se na grande área do Arsenal. Caiu fisicamente no segundo tempo.

MONTERO. Jamais será um substituto de Bas Dost: faltam-lhe características de avançado fixo. Mas teve um importante jogo posicional, arrastando a defesa adversária, no chamado trabalho sem bola a que muitos adeptos ficam indiferentes. Carregado em falta por Sokratis, o árbitro fingiu não ter visto o lance que daria expulsão ao grego: "El Avioncito" já se isolava rumo à baliza - bem ao seu jeito, correndo como quem desliza.

 

 

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SINAL AMARELO

 

RISTOVSKI. A mais recente "contratação" da concorrida enfermaria leonina.  O lateral direito "fez piscinas" durante a primeira parte, naquele seu estilo muito mais voluntarioso do que habilidoso. Queria empurrar a equipa para diante, mas esteve quase sempre muito desacompanhado. Lesionou-se antes do apito para o intervalo.

ANDRÉ PINTO. Cumpriu, dentro da mediania, com um toque muito característico: procura passar quase despercebido durante uma partida inteira. Ineficaz nos lances ofensivos de bola parada, onde nunca foi capaz de impor a sua altura. Mas atento às dobras na lateral esquerda para compensar as frequentes ausências de Acuña, sobretudo na primeira parte.

PETROVIC. Obedece aos parâmetros tácticos, revelando-se incapaz de rasgos criativos. Funcionou diversas vezes como terceiro central, de modo a conter o ímpeto inglês, cumprindo em jogo posicional mas inapto na construção ofensiva. Exigir-lhe um passe de ruptura, a mais de cinco metros, é quase pedir-lhe o impossível.

BRUNO FERNANDES. Abusou do remate para onde estava virado, chutando três vezes a bola para a bancada ao longo dos primeiros 45 minutos. Médio ofensivo em teoria, médio-ala por adaptação, na prática vimo-lo aparecer em quase todo o terreno, num estilo que fica bem na fotografia: corre imenso, gesticula, barafusta, mas só a espaços se torna útil.

NANI. A idade, no caso dele, é um posto. E o estatuto de campeão europeu também. É, com frequência, o único capaz de pensar o jogo e agir em conformidade. Com e sem bola. Das bancadas gritam-lhe que "chute", mas ele sabe a importância da temporização. Nota positiva na primeira parte. Na segunda, por evidente quebra física, perdeu muita influência. Substituído à beira do fim por Diaby.

JOVANE. Mexeu com o jogo ao substituir o inútil Gudelj quando estavam decorridos 71'. Procurou criar desequilíbrios e surpreender a defesa do Arsenal, que jogou muito subida na segunda parte. Mas faltou-lhe tempo e sabedoria para contrariar a perda de energia física e anímica do nosso colectivo, já então gritante.

 

 

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SINAL VERMELHO

 

COATES. Parece um filme em reprise. Cada vez que jogamos em competições internacionais, o uruguaio persiste em pregar-nos um susto. Cumpriu a tradição ao falhar a intercepção de um passe, colocando em jogo Welbeck, que sentenciou a partida. Desta vez nem sequer fez a habitual gracinha conduzindo um lance ofensivo. Para esquecer.

GUDELJ. Com ele ao lado, formando o chamado "duplo pivô defensivo", Battaglia perde protagonismo e torna-se um jogador banal. Efeito de contágio proporcionado por este sérvio que persiste em lançar dúvidas sobre o mérito da sua contratação. Insuficiente no processo defensivo, ineficaz na construção ofensiva. Na China, de onde veio, não jogava. Percebe-se porquê.

BATTAGLIA. Tem-se mostrado em bom nível na selecção argentina, mas não rende neste Sporting, asfixiado pelo sistema de duplo trinco. Gosta de dispor de espaço e percebe-se que fica tolhido com Gudelj a pisar o mesmo terreno, sem proveito para a equipa. Em termos de construção ofensiva, voltou a ser uma sombra da época passada.

BRUNO GASPAR. Subsiste o enigma: por que motivo terá sido contratado este lateral direito que teima em tornar evidente a sua inaptidão ao lugar e a uma equipa com as naturais ambições do Sporting? Jogou toda a segunda parte e teve o condão de nos fazer sentir saudades de Cédric, Piccini e até de Schelotto. 

DIABY. Valeu a pena adquirir um avançado por tão elevado preço, no atribulado defeso leonino, se ninguém consegue vê-lo actuar mais de cinco minutos por jogo? Foi o que ontem sucedeu, para não fugir à regra. Tarda em integrar-se no onze leonino, por motivos mais que óbvios. E assim vai atrasando a sua ligação aos adeptos. Sabe-se lá até quando.

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