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És a nossa Fé!

Qual dos jejuns custou menos?

É uma pergunta com que eu me debatia com frequência, à medida que o jejum de campeonatos que agora acabou ia avançando, e ano após ano parecia inevitável que acabássemos a igualar o jejum anterior ou mesmo a aumentá-lo em um ano, como acabou por suceder: qual destes dois jejuns custou mais? Qual foi mais difícil de ultrapassar?

Se olharmos para os dados (como está na moda), parece fácil concluir que o primeiro jejum foi mais difícil do que este. Agora foram 19 anos, é verdade, quando anteriormente tinham sido 18. Mas nesses 18 anos tudo o que o Sporting ganhou foi uma taça e duas supertaças. Nestes 19 anos mais recentes o Sporting ganhou quatro taças, três supertaças e três taças da liga (que no jejum anterior não existiam). Tirando aquela supertaça de 1988 (um troféu que conta muito pouco, e a que o Sporting chegou como finalista derrotado da taça de Portugal), foram 13 anos sem ganhar nada: entre 1982 e 1995. A taça de 1995 foi o primeiro troféu importante de que eu me lembro o Sporting ganhar. No jejum de campeonatos mais recente, os jejuns efetivos de títulos mais longos foram, primeiro, de cinco anos (até à taça de 2007) e depois de sete (entre 2008 e 2015). Mesmo assim, creio que o Sporting nunca verdadeiramente se desabituou de ganhar alguma coisa ao longo deste jejum. No primeiro jejum, ganhar um troféu era uma miragem.

Acresce que durante o jejum mais recente o Sporting foi seis vezes segundo classificado, enquanto no jejum anterior havia sido somente três vezes segundo.

Visto assim, parece óbvio que o primeiro jejum custou mais do que o segundo, e talvez tenha custado. Mas de outro ponto de vista este jejum mais recente custou mais: durante estes 19 anos, o Sporting bateu no fundo. Muito mais fundo do que havia batido no jejum anterior. No jejum anterior o Sporting foi por diversas vezes quarto classificado (seis), mas classificou-se sempre para as competições europeias (mesmo por vezes só por um ponto: em 1988 e 1998). Neste jejum, o Sporting foi por três vezes quarto, mas a isso acresceu aquele miserável sétimo lugar, pior classificação de sempre, um recorde (nunca ter ficado abaixo de 5º) perdido, e não qualificação para as competições europeias.

O outro ponto em que o Sporting bateu no fundo neste jejum, bastante debatido e evocado, foi evidentemente a invasão da Academia de Alcochete e tudo o que se lhe seguiu.

Postas assim as coisas, eu já não sei dizer qual dos jejuns terá sido pior. No primeiro a sensação de fracasso era mais permanente. No segundo houve mais momentos de felicidade, mas os momentos de infelicidade foram bem mais dolorosos que no primeiro.

Há uma razão para o segundo custar mais, e provavelmente decisiva. O primeiro grande jejum era o primeiro. O segundo já não era o primeiro. Quando o primeiro jejum acabou esperávamos nunca mais passar por outro igual. Infelizmente passámos logo a seguir por outro, em certos aspetos pior. O que o segundo jejum nos trouxe de pior é que faz-nos temer que talvez este jejum de campeonatos seja o nosso destino habitual, e que os campeonatos ganhos talvez sejam exceções. Não podemos deixar que esta sensação se instale. Para isso não podemos cometer os mesmos erros.

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