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Preparador físico, precisa-se?

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Penso que não vale a pena explicar a importância da preparação física no desempenho duma equipa de futebol. O Sporting teve no passado grandes preparadores físicos. Mas se calhar o maior de todos chegou a Portugal pela mão do grande Malcolm Allison para ajudá-lo a fazer regressar o Setúbal à 1.ª divisão, com uma equipa de trintões à beira da reforma como Jordão e Manuel Fernandes. Os seus métodos deram brado na altura: pinturas na cara à moda do futebol americano, técnicas de artes marciais, de bailado, de endurance (falava-se em bofetadas nos treinos), a verdade é que o Setúbal arrasou na 2.ª divisão da altura. Algumas temporadas depois regressou a Alvalade para integrar uma das nossas melhores equipas técnicas de todos os tempos,  inglória e estupidamente despedida por Sousa Cintra, uma segunda versão do despedimento por João Rocha do mesmo Malcolm Allison. Dois presidentes que emprenharam pelos ouvidos.

Com certeza sabem de quem estou a falar e quem são as outras personagens da foto. Nesse princípio de época lembro-me de ter ido beber um café a Alvalade com o treinador a enquadrar o novo preparador físico na mesa do lado, ver um treino e ficar de boca aberta com os exercícios ministrados, e perguntar a mim mesmo se aquilo era para jogar futebol ou outra coisa qualquer. Flexibilidade, agilidade, cansava de ver. Depois do despedimento a equipa técnica, menos Manuel Fernandes, seguiu para o Porto com o êxito conhecido, depois o preparador encontrou na Grécia Fernando Santos, mais tarde encontrou o seu mercado na área da performance desportiva. Quem quiser saber mais sobre ele poderá consultar o seu site.

Esse era o tempo em que o Sporting tinha preparadores físicos com autonomia de trabalho relativamente aos treinadores. Foi assim com Radisic, que passou por vários treinadores incluindo o próprio Malcolm Allison e com outros que serviram e bem o Sporting.

Tivemos também no Sporting treinadores muito exigentes no que respeita à preparação física, como Jimmy Hagan, Malcolm Allison e Boloni. E ficaram famosas as pré-épocas de Matterazzi (aquela história de mandar parar o autocarro de regresso à base depois do treino para mandar fazer uns sprints a subir a calçada) e a de Venglos, com muitos pesos e halteres.

Mais recentemente privilegia-se um treino integrado em que a componente física é trabalhada conjuntamente com as outras componentes do treino e não duma forma isolada e específica. Os preparadores físicos passaram a ser adjuntos do treinador principal e a integrar as suas equipas técnicas, e a bola começa a rolar no primeiro treino da época. Um dos treinadores mais defensores desse modelo também aparece naquela foto, ficando famosa a sua frase que "os pianistas não se treinam a correr à volta do piano".

Do que francamente não me recordo é duma situação como a actual, em que depois duma pré-época que se pretendia exigente temos uma equipa sem capacidade para competir com os adversários na fase final dos jogos, em que os jogadores mais velhos parecem bem mais velhos do que efectivamente são. O que até pode fazer pensar que os adversários andam aditivados, como naquela cena da Volta à França duns anos atrás, em que uns pedalam e outros fazem que pedalam mas a bicicleta sobe mais depressa. 

Situação tanto mais incompreensível quando temos como presidente o antigo director clínico que privou com os métodos de várias equipas técnicas, incluindo a de Jorge Jesus, que se declara adepto da exigência a todos os níveis, e que inovou com a criação dum gabinete de performance, ou seja, os atletas são monitorados, acompanhados, recuperados e colocados à disposição da equipa técnica em condições de excelência.

Mas então que se passa? Jogadores desmotivados e sem empenho no trabalho? Funcionalismo público versão holandesa com folgas religiosamente respeitadas? 

Mas voltando à fotografia: comparar a riqueza daquela equipa técnica, com (sir) Bobby Robson, que trazia curriculum consolidado em Inglaterra e na Holanda, Manuel Fernandes, ex-capitão e treinador de diferentes equipas no futebol português, Roger Spry e... José Mourinho, à actual equipa técnica, com Marcel Keizer, muito pouco tempo treinador do Ajax e pouco mais, um treinador holandês mais ou menos desconhecido, um jovem português que andou pelas Arábias e parece que faz de tradutor, o promovido de fisioterapeuta, é como comparar... nem sei o quê.

 

PS: Continuo a estar imensamente grato a Marcel Keizer pelas duas taças conquistadas, reconheço que muitas questões não passam por ele, ainda acredito que as coisas podem muito melhorar com ele ao comando, mas também tenho de dizer que estou muito desiludido com este início de temporada. Especialmente depois da vitória no Jamor.

SL

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