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És a nossa Fé!

Porque não te calas?

 

O enorme mundial de 1982 acabou com o Itália-Alemanha. Foi o melhor mundial que me lembro, o magnífico Brasil e o "menino d'oiro" italiano acima de tudo. Mas a final ficou-me na memória também por isto, o velho (então velhíssimo para mim, nos seus 86 anos) presidente italiano, Sandro Pertini, exultante na tribuna de honra, ao lado do chanceler alemão e dos reis espanhóis, entre outros (no filme a partir de cerca do minuto e vinte segundos). E com a belíssima cena, que não se vê, de sacudir o seu cachimbo e ofertá-lo ao treinador Enzo Bearzot quando este subiu à tribuna (ou será imaginação minha?). As imagens correram mundo (num tempo de tão menos imagens), tornando-se icónicas. E com vários sentidos: o velho presidente símbolo do adepto, "tiffosi", mas também do combatente antifascista que via então a sua Itália campeã, cinco décadas depois dos títulos sob Mussolini. Ficou assim consagrado o direito ao festejo, exultante, na tribuna de honra.

Mas, como em tudo, com conta, peso e medida. Pois nem tudo é o campeonato do mundo, nem tudo é a Itália de 1982 (e tão macerada estava). E, também, nem todos são Pertini. A comemoração, o júbilo, até o festejo, se é para ser feito no local do "poder" - que tem comodidades, simbolismo e visibilidade -, faz-se com alguma gravidade (aquilo da "gravitas"), necessária ao exercício do tal poder. E é por isso que não se come courato na tribuna nem se mete o dedo no nariz tão livremente. Que o presidente comemore uma vitória na tribuna? Está bem, com a tal gravidade. Que se ponha em corridas e aos pulos, se ali ladeando os dirigentes adversários? "Não havia necessidade", como dizia o Herman, "é para a televisão", como acaba de dizer o Mourinho. Quer mostrar-se irreverente? Então tem que levar com quem acha deselegante a serôdia e descabida encenação. 

Levou com isso o nosso presidente, como era óbvio que levaria, e saíu o nosso funcionário Nuno Saraiva a justificar a patetice, a má-criação. Diz que isso do "quem não salta é lampião" é o perfil eleito pelos sportinguistas. Ok, não vem grande mal ao mundo, mas é óbvio que é uma atitude que provoca reacções - e que decerto é assumida naquele lugar com esses propósitos. E que, por isso, não justifica contra-reacções: o Bruno faz a festa, porque acha que tem que ser, e que é assim; os adversários mandam as bocas à patacoada; o assunto morre. Não é para continuar, como vem agora Saraiva teclar.

Pior ainda é a parvoíce que Saraiva faz em relação ao treinador do Porto: Jorge Jesus e Sérgio Conceição, ou porque são amigos ou porque lhes interessou estrategicamente, vêm tendo uma muito boa onda entre ambos, mais de prezar no ambiente patético que grassa no mundo da bola, uma pandemia de patetas avençados a bolçarem inanidades.  Que Saraiva venha, em absoluto contra-ciclo, mandar bocas imbecis ao treinador do Porto é inadmissível. Do treinador do Porto falará, quanto muito e se assim entender, o treinador do Sporting - excepto se aquele começar a desatinar com o clube, o que não tem sido, notoriamente, o caso. 

Dá isto para dizer, raios partam estes sub-empregados da comunicação social (jornalistas ou não). Com as suas bocas e as suas queixinhas mais os campeonatos de alarvidades. Como disse o Borbón que aparece no filme acima colocado, "Porque não se calam?".

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