Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

És a nossa Fé!

Porque hoje é quarta-feira (5)

«Um SPORTING à europeia

Crónica de Rui Tovar

 

MINUTO 36.

Da meia-esquerda do seu ataque, Jordão e Oliveira arrancaram em excelente combinação, flectindo para o corredor central. O jogador-treinador, que é também goleador e é espectáculo, furtou-se, em intervenção de génio, à marcação de dois adversários, evitou superiormente o guarda-redes e, sempre em movimento, atirou, para as malhas. Um golo de antologia!

 

Alvalade ergueu-se em peso e milhares de bandeiras saudaram esfusiantes o «volte-face» da eliminatória. O Sporting vingava, assim, ao cabo de 27 anos, o desaire de Belgrado, quando a Taça dos Campeões dava ainda os seus primeiros passos.

 

Espectáculo de luxo

Foi, na verdade, um espectáculo de luxo aquele que o Sporting proporcionou aos cerca de 50 mil pagantes que demandaram Alvalade. Um espectáculo mesmo inesquecível.

Se, em Zagreb, os «leões» fizeram recair, muito naturalmente, as suas atenções sobre o seu sector defensivo (recorde-se a «promessa» do treinador jugoslavo, Blazevic, em decidir a questão a seu favor só num jogo), em Lisboa, os interesses de Oliveira e seus pupilos foram obviamente de todo opostos.

Na verdade, só um Sporting decididamente virado para o ataque poderia alimentar veleidades quanto à recuperação do 0-1 da primeira «mão» e, consequentemente, a continuar na prova. E foi exactamente nesse figurino que Oliveira apostou.

Recuperado Jordão e quase totalmente refeito Manuel Fernandes da operação a que foi sujeito, ainda antes do início das provas oficiais, pôde o Sporting contar, pela primeira vez, esta temporada, com a contribuição desta desconcertante dupla que, noutras alturas, permitiu já ao clube adregar muitos e inesquecíveis êxitos.

 

Um meio-campo sensacional

Se àqueles juntarmos um meio-campo verdadeiramente sensacional, onde pontifica o génio de Oliveira, teremos encontrado o porquê deste Sporting endiabrado que nem o mais pintado Liverpool conseguiria - estamos certos - evitar o descalabro.

E isto porque, além do «mestre», outros valores se levantam naquele «miolo»-ataque de Alvalade. Com efeito, Lito surge, esta época, numa forma extraordinária, num «new style» que lhe permite revelar ignoradas potencialidades. Lito actua, agora, mais colado à linha e em posição mais recuada que habitualmente. Contudo, tem a arte de saber vir de lá de trás com a propósito, cotando-se como um elemento imprescindível na manobra atacante.

A completar o «naipe», dois homens-força, Nogueira e Festas, a consolidarem ainda mais o já de si quase irredutível meio-campo «leonino».

Não terá surpreendido que, perante tamanha fogosidade, o Dínamo haja sentido tremendas dificuldades, praticamente, desde o início da partida. Logo aos 2 minutos, Jordão atira sobre a barra o que poderia ter sido o primeiro golo. De qualquer forma, o aviso estava dado: o Sporting estava mesmo embalado para uma noite de grande gala e a defesa jugoslava, mau grado ter demonstrado trata-se do melhor sector da equipa, denunciava francas dificuldades em anular os seus opositores.

E de tal sorte que, apenas com 20 minutos de jogo, dois jogadores visitantes haviam já visto o cartão amarelo, prova irrefutável da incapacidade jugoslava em se opor, dentro da legalidade, a todo aquele vendaval «leonino».

O primeiro golo seria o corolário do ascendente «verde e branco». Ademar (um defesa que também se integra no ataque) lançou Oliveira e este, num raide de categoria, tem a frieza para tudo: fugir à marcação, driblar o defesa e marcar o golo. Tudo muito simples!

 

Hesitações comprometedoras

Foi o pânico nas hostes jugoslavas de que o Sporting se aproveitaria para, num «pressing» inteligente, ampliar a marca, no tal lance de antologia já descrito. Só que, antes e depois, um «frisson» percorreria a assistência, face a duas hesitações da defesa do Sporting, em jogadas que estiveram quase a estragar a festa. Afinal, riscos que se correm quando uma defesa em linha, excessivamente animada em apoiar o ataque, é apanhada em contra-pé...

Daqui não se infira que, individualmente, o «quatro» recuado do Sporting haja desiludido ou sequer se aproximado de uma modesta bitola exibicional. Nada disso. Os laterais, Ademar e Virgílio, encheram o campo em deambulações ao bom estilo que hoje é norma. E no eixo da defesa, Venâncio e Zezinho não deram quaisquer tréguas ao incrivelmente atabalhoado e pouco ambicioso ataque de Zagreb.

Mas que aquela defesa em linha, vamos lá, na primeira meia hora de jogo, causou amargos de boca (poucos, é verdade, mas alguns. E um golo do Dínamo que fosse era muito...), disso também não restam dúvidas.

Mas foram apenas dois sobressaltos. Na metade complementar nem isso os jugoslavos conseguiriam originar, por força, então sim, de uma marcação verdadeiramente impecável a que foram sujeitos. Ataques do Dínamo, pode dizer-se, não houve na segunda parte, já que a colocação dos seus dianteiros em fora de jogo, por banda da defesa «leonina», foi, sem sombra de dúvidas, exemplar.

Multo mais perigoso e, pelos vistos, produtivo, parecia ser o ataque do Sporting. A confirmação não demoraria muito, quando Oliveira, em noite de franca inspiração, teve aquela simulação a longa distância, obrigando o guarda-redes a esboçar a defesa para um lado, ao mesmo tempo que enfiava, suave e calmamente, a bola pelo outro. Era o golo do descanso.

 

Ambição até ao fim

E se o avanço no marcador era de molde a convidar o Sporting a um abrandar de movimentos e consequente empertigar dos jugoslavos, assistir-se-ia, até final, a um recital sim, mas ainda do conjunto de Oliveira, que alardeava força, frescura e... muita ambição. A barra evitaria, a escassos cinco minutos do final, o 4-0, em excelente «cabeça» de Jordão, numa prova da muito salutar insatisfação «leonina».

O Sporting está mesmo à conquista da Europa!

 

 

Com 3-1 nos dois jogos

Eliminatória decidida em 6 minutos

Bastaram apenas seis minutos para o Sporting decidir a eliminatória a seu favor, recuperando da desvantagem de um golo que trouxera do primeiro jogo. Com efeito, o portentoso momento de forma por que passa Oliveira bastou para arrumar as pretensões jugoslavas, com dois tentos aos 30 e 36 minutos. Depois, aos 65, foi o fim de festa.

Aqui deixamos a síntese da eliminatória:

 

Em Zagreb

Árbitro: Aloyzi Jargus (Polónia)

DÍNAMO DE ZAGREB – lnkovic [sic]; Bracun; Zajec, «cap.» Bogdan e Z. Cvetkovic; Cerin, Muastedanagic e Hdzic; Deverin, Kranjcar e B Cvethovic.

SPORTING - Mészaros; Zezinho, Virgílio, Venâncio e Barão, (cap.», Ademar, Festas Bastos, 86m e Nogueira; Oliveira, Freire (Mário Jorge, 66m e Lito.

Golo; Gerin (71 m).

Cartão amarelo e, depois, vermelho para Barão.

 

Em Alvalade

Árbitro: Alain Delmer (França).

SPORTING - Mészaros; Zezinho, Ademar, Venâncio e Virgílio; Festas, Nogueira, Oliveira (Freire 89m) e Lito (Xavier 72m); Jordão e Manuel Fernandes.

DÍNAMO DE ZAGREB –Jukovic [sic]; Zajec; Bracun, Bogaan e C. Vetkovic; Haazic B. Cvetovic (Arsnalovic 43 m) Kranjacar e Cerin; Deverik e Bosniak (Dubovic 72 m).

Golos: Oliveira (30, 36 e 65m).

Cartões: Cartões amarelos para Zajec, B. Cvetkovic e Bosniak.»

 

In.: Off-side magazine: o desporto à sexta feira. prop. COOPEJOR- Cooperativa Editora de Jornais e Revistas ; dir. Alexandre Pais. n.º1, 1 de Outubro de 1982. p. 11

 

 

Leituras complementares:

Os melhores golos do Sporting (39) de Pedro Boucherie Mendes

Os melhores golos do Sporting (42) de Luciano Amaral

 

Porque hoje é quarta-feira (1), (2), (3) e (4)

3 comentários

Comentar post

{ Blog fundado em 2012. }

Siga o blog por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D