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És a nossa Fé!

Os trunfos da guerra psicológica

Desculpem insistir, mas, quanto mais penso na noite mágica de 10 de Julho de 2016, mais fico convencida de que muito daquele jogo se jogou fora do campo.

 

A final do Euro 2016 teve dois momentos decisivos, que Portugal, com uma perspicácia incrível, soube aproveitar em seu favor. O primeiro foi a entrada dura de Payet, que lesionou Ronaldo, um rude golpe para a equipa e para todos nós, que tanto sonhávamos com o triunfo. E, ironia do destino, foi mesmo aí que ele começou! Fernando Santos e Ronaldo souberam virar o feitiço contra o feiticeiro. A partir do momento em que o nosso capitão deixou o campo numa maca, desfeito em lágrimas, Portugal tomou conta do estádio de Saint Denis. Uma nuvem de mau agoiro passou a pairar em cima dos franceses, muitos se devem ter perguntando se tinham ido longe demais, naquela estratégia combinada de antemão (talvez com o árbitro). E tiveram mais dificuldades em superar o sentimento de culpa, do que os portugueses em compensar o golpe.

 

Quem pode imaginar o que se passou nos balneários portugueses, durante o intervalo? Não sou mosca, nem tenho qualidades de vidente, mas arrisco dizer o seguinte:

Ronaldo não estava, afinal, seriamente lesionado. Não seria lógico que ele assistisse à segunda parte do encontro no banco dos suplentes? Não o fez! Porquê? Porque, em conjunto com Fernando Santos, disse aos colegas: segurem o jogo, o mais importante é não sofrer golos, enquanto se desgastam os franceses e se força o prolongamento; nessa altura, Ronaldo aparecerá.

 

Durante a segunda parte, todos se perguntavam onde estaria Ronaldo, imaginando os cenários mais pessimistas. Sim, o comentador alemão da ARD, que nunca morreu de amores por ele, perguntava-se onde estaria, se já teria ido para o hospital… E lamentava não ter informações.

 

Quase no final dos regulamentares 90 minutos, aquela bola ao poste dos franceses dançou sobre a linha, mas não entrou - a confirmação de que, desta vez, a sorte estava do nosso lado. E, acabado o jogo, Ronaldo fez a sua entrada triunfal, de joelho ligado, mas pelo próprio pé!

 

A fénix renascia das cinzas, o segundo momento decisivo da noite! Nunca me esquecerei da surpresa que senti, quando as câmaras o mostraram. Ele e Fernando Santos davam o segundo golpe naquela guerra psicológica. E os franceses acabaram por capitular. Na segunda parte do prolongamento, foram eles que começaram a rezar pelos penáltis, não nós! Éder, o herói, teve sangue-frio, teve pontaria… Depois de ludibriar a defesa abananada de uma equipa de rastos.

 

Na sua guerra psicológica, Fernando Santos e Ronaldo correram muitos riscos. Mas o que tinham a perder?

 

Jogaram os trunfos certos, nos momentos certos. Tudo é psicologia, nesta vida.

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