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És a nossa Fé!

Os nossos ídolos (35): Samuel Fraguito

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Pese embora sempre ter tido compreensão pelo denodado papel dos "carregadores de piano", o meu coração sempre privilegiou os artistas e, de entre estes, os maestros, os que sob a sua batuta transformam os outros 10 jogadores numa orquestra capaz de entoar as mais belas melodias. 

 

Era ainda muito pequenino quando começou a minha ligação ao Sporting. Tudo se iniciou através das ondas da rádio. Uma onda média, tal como a minha paixão na época: de frequência semanal, sempre aos Domingos à tarde. Esse era um tempo sem filtros nem preconceitos, em que absorvia como uma esponja tudo o que dissesse respeito ao Sporting que para mim era relevante, ou seja, aquele que paradoxalmente entrava em campo no dia de descanso dos trabalhadores portugueses. Logo aí tive 3 ídolos: Hector Yazalde, Vítor Damas e Samuel Fraguito. O argentino não permaneceria muito mais tempo connosco e Damas saiu quase logo a seguir, de modo que quando comecei a ir ao estádio já só restava Fraguito. Este, para mim, acabou por ser a ponte entre o futebol ouvido (e sonhado) e o futebol vivido, entre a onda média e o tsunami Sportinguista que me invadiria o coração, e por isso tem toda esta relevância na minha vida.

 

No velho José de Alvalade idolatrei um novo terceto. Ao Fraguito juntei então o capitão Manuel Fernandes (grande ídolo da minha juventude), um homem que parecia ter um iman nos pés e possuía a finta mais curta e inebriante do futebol português, e Rui Jordão, um artista que em campo, precocemente, já descobrira a sua vocação futura, bastas vezes entretendo-se a pintar quadros de uma impressionante beleza, usando como inspiração naturezas mortas semelhantes ao impacto devastador que provocava nos adversários impotentes para o parar. 

 

Mas é sobre Fraguito que Vos falo hoje e foi à volta dele que compus este pequeno trecho que agora aqui Vos deixo. Para que não caia no esquecimento dos adeptos Sportinguistas. Fraguito está vivo, a Norte, em Vila Real, trabalhando na UTAD, e pelo calvário de lesões que teve de suportar na sua carreira, pela sua humildade, pelo seu carácter e, principalmente, pelo seu virtuosismo, merece em vida o nosso reconhecimento. Como todos os grandes jogadores, aliás. Afinal, eles são a razão primordial de toda esta paixão, é bom não esquecer. Para quem se deixar afectar por conjunturas e tiver dúvidas, proponho apenas que se relembrem dos tempos de juventude e da origem da sua paixão. Nesse sentido, entendam este Post como uma elegia não só a Fraguito, mas também aos grandes jogadores de futebol. 

 

"...E lá ia ele, cabeça levantada e olhos de falcão, sempre à procura de fazer nova presa, um passe teleguiado para golo.

 

E para economia de recursos (e descanso da canhota), o pé direito a trabalhar, parte de dentro aqui, parte de fora, acoli. Quaresma? Quaresma ainda não era nascido e já ele espantava meio-mundo como o Rei das Trivelas.

 

E a multidão ululante, animada por os Vapores do Rego, jovens estudantes brasileiros que iam a Alvalade tirar a "especialização".

 

E ele - que saíra em bebé para o Brasil, donde só voltara aos 15 anos, depois de 5 anos a jogar (e ganhar) no Fluminense - a deslumbrar no relvado, ao ritmo do samba que lhe encantava o corpo.

 

E eis que ergue a batuta e toda a equipa gira à sua volta numa mágica dança que é um pagode para os olhos.

 

E o povo reza, reza para que os seus joelhos não cedam hoje - sete operações aos joelhos são muito mais do que a conta para um homem - porque merece ver todo o sumo extraído da uva deste senhor jogador nascido no Douro Vinhateiro.

 

E todos na bancada recordam no seu subconsciente aquele jogo internacional em que, junto à linha de fundo, usou os pés como tenazes - o mexicano Cuauhtémoc Blanco ainda não era nascido - e golpeou a bola por cima de 2 adversários incrédulos com o que viam, para depois centrar com precisão de regra e esquadro para Yazalde finalizar.

 

"Ecce homo"! Samuel Fraguito, o Menino do Rio, Estrela da Abobeleira, génio e homem do futebol de rua ou de praia. De Copacabana, com amor (pelo "belo jogo")!"

 

P.S. À atenção da Comunicação do Sporting: hoje, dia 8 de Setembro, Fraguito completa 68 anos de idade. Não se esqueçam, por favor! O mesmo dia de Bruno Fernandes, a mesma classe...

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