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És a nossa Fé!

Os jarretas (22)

 

- No domingo fui ao estádio.

- Foste ao estádio? Mas desde que mudou a direcção do Sporting, há quase um ano, não te vejo por lá! E dantes cheguei a ver-te na bancada presidencial. Que te aconteceu?

- A minha vida mudou. Não costumo ter tempo para ver os jogos ao vivo por causa do blogue, que exige dedicação da minha parte a tempo inteiro.

- Não fazes mais nada senão escrever no blogue?

- Não é só escrever. Ou melhor: não é só escrever com o meu nome. Tenho também de escrever sob pseudónimo, para dar a ideia de que o meu blogue tem muita gente. Nada de original. Já o Fernando Pessoa fazia o mesmo.

- Mas esse não percebia nada de futebol e consta que nem tinha biblioteca...

- Como eu. Também não tenho biblioteca. E não percebo puto de futebol. Finjo perceber utilizando palavras da gíria futebolística e inventando um currículo de especialista em coisa nenhuma. Essa é a verdadeira arte: aparentarmos aquilo que nunca fomos e jamais seremos.

- Eheheh. Dou-te os parabéns pela habilidade. E que tal? Gostaste do jogo?

- Nem pensar. Achei péssimo, como aliás já esperava. Mas vinguei-me.

- Como?

- Assobiei a equipa. Foi um assobio arrancado cá do fundo da alma. Fez-me bem à enxaqueca e à neurastenia. Consegui estar dois dias sem tomar Lexotan.

- Assobiaste quem?

- Todos. Jogadores, Bruno, Inácio. Até assobiei o Paulinho. Com todas as ganas de que fui capaz.

- Continuas descrente da nossa equipa apesar de estarmos apenas a um ponto do FC Porto, com possibilidade de acesso automático à Liga dos Campeões, termos a melhor defesa do campeonato, a segunda melhor média de golos no campeonato deste século e a quarta melhor prestação defensiva da nossa história?

- Isso são balelas. Propaganda brunista.

- Mudaste muito. Há um ano davas-me na cabeça por ser eu a criticar. E tu foste elogiando sempre a direcção anterior, até ao limite, apesar de todas as metas terem ficado por cumprir. Na pré-época, anunciavam que seríamos campeões. No começo do campeonato, diziam-nos que iríamos à Champions. Ao fim da quinta jornada, asseguravam-nos que tínhamos a Europa garantida. Mas por alturas do Natal já lutávamos para não descer. Acabámos por ficar em sétimo, o pior lugar de sempre. E nessa altura nunca te ouvi assobiar a equipa nem os dirigentes. Pelo contrário, vi-te várias vezes irritado com os assobios, dizendo que eram injustos. E sempre disseste que tínhamos que apoiar a direcção e os jogadores, acontecesse o que acontecesse, mesmo com sucessivas derrotas.

- Era diferente.

- Diferente como?

- Ando furioso com o agravamento da meteorologia. Em 2013 havia Bruma, agora cai imensa chuva. Faz toda a diferença. Não tarda nada também te estou a assobiar. Vou mas é tomar outro Lexotan.

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