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És a nossa Fé!

O velhinho Amorim

 

O pior Sporting que alguma vez vi, pior até do que aquele em que ficamos em sétimo, foi o de Paulo Bento. Resultadista, monótono, Liedson-dependente e sobretudo liderado por um homem que nunca parecia em paz consigo e com o mundo. Ainda me lembro de defendermos um 2-1 em casa, contra uma equipa pequena, aos 60 minutos de jogo.
Talvez algum jogador de então leia isto, quem sabe o próprio PB, e por isso quero acrescentar que o adepto (eu) é cruel, injusto e míope. Devemos a Paulo Bento troféus, vários “segundos lugares-Champions”, transferências, jogadores lançados. Mesmo assim, não consigo aplaudir, ainda que consiga dizer com todas as letras que o Sporting deve bastante à serenidade teimosa e agressiva de PB. Conseguimos muita coisa com uma equipa de tostões.

Mas houve coisas... Por exemplo, a aposta em Rui Patrício foi apenas e só teimosia contra a imprensa, comentadores e até o público, que nos fez levar golos evitáveis durante década a fio. Portugal deve-lhe o campeonato da Europa (para mim, foi o melhor em França), mas o Sporting (e na prática) beneficiou muito menos.

Há dois anos, vencemos dois troféus sem saber ler nem escrever. Equipas com grandes jogadores (Bruno F, Bas Dost, Mathieu), mas sem ligação, como uma feijoada mal apurada, apesar das carnes incríveis. Essas conquistas encadearam Frederico Varandas que quase foi apeado nos entretantos seguintes. Era uma equipa sem liderança, o que permitia a ascensão de Bruno Fernandes (não é por acaso que quanto melhor está o MU, menos influente é BF, um jogador que brilha muito mais no meio da falta de liderança do treinador), mas pouco mais.

O que o Sporting de Amorim nos trouxe é uma mistura da versão boa de Paulo Bento (“jogam os melhores, apesar da idade”) com inteligência emocional e a maturidade de um líder que, tendo 35 anos, parece ter uns 80. É teimoso e determinado, mas não se deixa engolir pelo seu ego ou abafar pelas suas inseguranças. Não agarra numa tocha e obriga a que todos os sigam.

Aproveita o melhor que a vida lhe dá. Talvez tivesse aproveitado Caicedo ou Stojkovic.

Por isso, e por exemplo, pediu um guarda-redes habituado a outras cavalgadas e um central de uma liga melhor que a nossa. Adán e Feddal não são os melhores do mundo, mas defrontaram habitualmente Messi, Benzema, Griezmann e essa malta toda, incluindo as claques e a imprensa. São duas ilustrações que atestam a inteligência do nosso treinador e um caminho que (digo eu) Paulo Bento não teria escolhido, porque teria apostado em Patrício e talvez em Ivanilson ou Quaresma.

O que a idade nos traz é isto: temos um caminho, uma rota, uma direção e também a noção muito nítida de que não vamos mudar o mundo apenas com as nossas teimosias.

Liderar não é dar murros na mesa. Liderar é lutar pelos objetivos, com os meus, os teus e os nossos.  

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