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És a nossa Fé!

O que podemos nós fazer pelo Sporting?

Texto de Rui Miguel

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Infelizmente o clube deixou de ter algo que une a sua massa adepta. Há clubes que se unem em torno do seu cariz regional e deste posicionamento contra um poder central (o caso do FC Porto), outros unem-se numa certa matriz popular, das massas, como uma formiga para se sentir bem e forte tem de viver num imenso formigueiro (o exemplo do SLB).

No caso do Sporting, a união fazia-se simplesmente pelas vitórias nas diversas competições, pelos ídolos desportivos que usavam as nossas cores, pelo respeito e galhardia com que os nossos atletas competiam.

O Sporting nasceu aristocrático, elitista e foi captando uma massa adepta com base nos seus valores, a raiz do nosso lema "Esforço, Dedicação, Devoção e Glória", o querer ganhar, mas com brio e respeito.

Durante anos, o Sporting foi isso e conseguiu-se impor por esta matriz.

 

Mas depois vieram novos tempos. Ainda antes do 25 de Abril, o Benfica cresceu numa génese popular mas que interessava ao Salazar para agradar a esse povo (toda a história do Eusébio é disso exemplo, desde o rapto até ser obrigado a ficar no clube), ficando o Sporting conotado com as elites.

A seguir ao 25 de Abril surge o poder do regionalismo do Porto, as grandes forças do futebol mudam-se para o norte, e Pinto da Costa aproveita-se disso e cria o seu império, mais clubes na 1.ª divisão dentro do seu arco de poder, os dirigentes de arbitragem, os próprios árbitros, as "frutas" e os "apitos dourados".

Já em pleno século XXI surge novamente o mote antigo de agradar ao povo, com uma imensa comunicação social a desejar vitórias benfiquistas. [Lembremos] aquela célebre frase: com o SLB a ganhar, a economia cresce.

Neste contexto, o Sporting perdeu-se nos seus labirintos e definhou nas suas conquistas. Basta ver o countdown de títulos de campeão desde a década de 50 até agora: tem sido um eterno decrescente até um redondo zero nesta última década.

 

Como a base da união do clube eram as suas conquistas desportivas e o seu brio desportivo, toda esta base enraizada apodreceu e surgiram milhentas facções dentro do clube (eu digo por vezes que não há um só Sporting, mas sim três milhões de Sportings, um por cada adepto). Desde o Sporting popular ao Sporting elitista e que vê o povo com desdém. Do Sporting que quer ser ecléctico ao Sporting que deseja só ter futebol, capitalista, financeiro, detido a 100% por investidores.

Há até um Sporting que é anti-competições profissionais, que não concorda com o futebol negócio, dos empresários. Eu chamo-lhe Sporting CIF - club internacional de foot-ball, que segundo a história abandonou as competições oficiais para fazer as sua próprias porque não gostou do caminho profissionalizante do desporto.

É pois neste labirinto de diversos caminhos, muitos deles sem qualquer saída possível, que vive o nosso clube. Seria importante fazer uma reflexão séria, urgentemente.

Muitos vão dizer que isso resolve-se com vitórias. É certo. Mas andamos há 40 anos a correr atrás do prejuízo, buscando incessantemente vitórias, umas vezes através do filão da formação, outras vezes através de "unhas", outras por um milagreiro (tipo JJ), e a verdade é que só têm resultado em rotundos fracassos e um continuado maior atraso em relação aos nossos rivais.

 

Neste momento, já não basta mudar de plantel ou treinador. O mote é mesmo mudar de presidente de mês a mês, consoante a bola entra ou não entra na baliza.

Com isto, não saímos do marasmo e da tragicomédia em que está o nosso clube.

É a altura de todos os sócios e adeptos porem a mão na consciência e seguirem as conhecidas palavras que um célebre presidente dos EUA [John Kennedy], fez ao seu povo: «Não perguntem o que é que o vosso país pode fazer por vocês, perguntem o que é que vocês podem fazer pelo vosso país.»

É nisto que os sócios devem pensar: o que poderemos fazer para tornar o clube mais forte? E não esperar que o clube resolva os nossos problemas e as nossas frustrações.

É mais importante acalmar as ideias e deixar a ansiedade para trás das costas.

 

Texto do leitor Rui Miguel, publicado originalmente aqui.

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