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És a nossa Fé!

O meu Sporting...

Recebi um amável convite do Pedro para participar neste espaço. Confesso que fiquei relutante, pois falar em público - assim vejo estes espaços - nunca foi o meu forte. A formalidade do tal acto inibe-me, imagino-me como no poema “Na praça pública” de José Régio:

 

“Subi ao púlpito negro

Por minhas mãos levantado;

Levantado

Por minhas mãos esgarçadas...

E, da tribuna mais alta,

Arrepelando os cabelos,

Gritei à malta:

 

- «Camaradas...!

 

«Eh, camaradas...! ouvi,

«Que vou dizer-vos quem sois,

«Pois vou dizer-vos quem sou.»”

 

(Adivinhando o que vem no final)

 

“Então,

Parei, sentindo risadas

Entre aqueles que me ouviam.

 

E as suas caras diziam:

- «Que charlatão!»”

(in: Poemas de Deus e do Diabo. 2002. pp. 61, 65)

 

Correndo esse risco, aceitei.

Sendo este um espaço de sportinguistas, claro que se fala deste clube com dedicação, com devoção, da glória e... naturalmente, porque somos um clube de homens (politicamente, nos dias que correm, convém acrescentar) e mulheres, fala-se também dos defeitos.

Mas agora não!

 

Sendo este o meu texto inicial, falo-vos, em homenagem ao maior sportinguista que eu jamais conheci - o meu pai, da primeira vez que vi o Sporting jogar.

Tinha eu sete anitos, foi o jogo de final de época e de consagração do Sporting como campeão nacional na época de 1979-1980.

Nesse dia, finais de Maio ou início de Junho, recordo a minha mãe acordar-me às 5 e pouco da manhã e perguntar-me, como sempre, preocupada: - Tó, tu não queres ir, pois não?

- Claro que vou. Respondi.

Era a única criança dessa viagem, os outros eram, para além do meu pai, os seus sócios e o contabilista. A viagem de Coimbra a Lisboa foi feita na carrinha que a pequena empresa tinha: uma Mini de cor branca.

Desse dia, para além do jogo, recordo o almoço que um dos sócios do meu pai quis que fosse em Cacilhas, uma caldeirada para eles e para mim, não me lembro, talvez algo mais do apetite de uma criança de sete anos. Para azar desse sócio do meu pai no prato da sua caldeirada tinha (desculpem) alguns cabelos. É claro que isso originou uma outra... caldeirada, como não podia deixar de ser.

O jogo.

O jogo foi visto no peão Estádio de Alvalade, espaço que antecedeu a Bancada Nova. Confesso que não tenho memória do resultado, o google diz que foi 3-0. Recordo-me sim da invasão de campo que houve no final, de ver muitos jogadores com os seus equipamentos assaltados: o Eurico... e de o meu pai me dizer que eu tinha pisado o relvado do Estádio de Alvalade: a única vez que o fiz.

Dessa equipa recordo o Manuel Fernandes, o eterno Manuel Fernandes, o meu ídolo de criança, de sempre...; o Jordão, sim o magnifico Jordão; o Manoel, pela estranheza do nome; o Ademar; o Vaz; o Meneses; o Inácio; o Lito, não o Litos, esse aparecerá mais tarde, fui vê-lo ainda júnior jogar, juntamente com o Futre na Figueira da Foz.

 

Depois, claro, na medida das possibilidades, houve mais jogos...

Bons tempos, tempos de meninice, em que muitas vezes, como diz a canção, andava de camisola verde.

 

 

Obrigado Pedro!

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