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És a nossa Fé!

O futuro foi ontem!

Vi ontem, com atenção, o debate entre os candidatos à presidência do nosso clube. Não vou sintetizá-lo, escrever o que penso sobre cada um, ou sequer afirmar publicamente o meu apoio a qualquer um deles. O objectivo, hoje, é ligeiramente diferente.

Para mim ficou ontem claro (talvez já o tivesse percebido, mas não daquela forma tão límpida) qual a grande justificação para o fenómeno de balcanização do nosso futebol. E parece-me também evidente que a generalidade dos candidatos também o percebeu.

O futebol mudou muito nas últimas duas décadas. É evidente, o futebol sempre foi um desporto de massas e apaixonante, capaz de arrastar multidões e de movimentar muito dinheiro. No entanto, a Lei Bosman (de 1995), a substituição da Taça dos Clubes Campeões Europeus pela Liga dos Campeões, a compra de clubes europeus por multimilionários, a trasmissão mundial de todas as competições, a aceleração da globalização, o desenvolvimento da Internet e das redes sociais amplificou de forma exponencial o negócio futebol. Hoje o futebol é uma das maiores indústrias do mundo e os seus intervenientes são figuras globais, geradores de fluxos de capital extraordinários. No entanto, apenas alguns, muito poucos, fazem parte dessa elite. Uma elite que está espalhada (principalmente) nos principais campeonatos europeus (Inglaterra, Espanha, Alemanha, França e Itália). Quando observamos a lista dos vencedores da Liga dos Campeões, o último que não pertenceu a um destes cinco campeonatos foi o F.C. Porto quando ganhou em 2003/2004. Mesmo no que ao campeonato francês diz respeito, o último campeão que produziu foi o Marselha em 1992/1993. A ideia de que pode haver um vencedor da Liga dos Campeões fora de um destes campeonatos é, hoje, quase um absurdo.

Estes cinco campeonatos são de países muito populosos (o menos populoso é a Espanha, mas ainda assim tem dois super clubes que extravasam a realidade espanhola) e extraordinariamente ricos. E por isso, os seus clubes têm orçamentos multimilionários, na ordem nas muitas centenas de milhões de euros por ano. Por conseguinte, conseguem contratar os melhores jogadores (Lei Bosman) e os melhores treinadores. A moderna Liga dos Campeões (devido à quantidade de dinheiro que gera e movimenta) veio amplificar esta realidade. Não há espaço para cento e cinquenta grandes clubes na Europa, apenas para uns dez ou quinze. Um pouco à semelhança do que acontece nos Estados Unidos da América com a NBA, a NFL ou a NHL.

Porque é que isto é importante para Portugal e para aquilo que se passa com o nosso futebol? Neste momento, no início de Agosto, Portugal tem apenas três equipas a participar nas competições europeias de clubes: Porto e Benfica na Liga dos Campeões e Sporting na Liga Europa. Braga e Rio Ave foram já eliminados. Ora, todos sabemos que a Liga Europa é a segunda divisão das competições europeias de clubes e que a diferença de dinheiro envolvido em comparação com a Liga dos Campeões é abissal. Daí a importância de participar na Liga dos Campeões. Não participar significa cavar um fosso cada vez maior em relação aos grandes clubes europeus.

Este é, estou em crer, um dos grandes motivos para a balcanização do nosso futebol. Ganhar, nos dias de hoje, não representa apenas a soma de mais um troféu para os museus. Representa a sobrevivência dos clubes (que estão brutalmente endividados). E para ganhar - pelo que temos visto nos últimos anos - vale tudo! 

É por tudo isto que, ao contrário do que tenho visto nos últimos dias a propósito da discussão sobre a acusação ao nosso maior rival no caso e-toupeira, que não considero absurdo (isto, sem conhecer, de forma rigorosa o teor da acusação e sem ignorar que o Benfica tem agora direito a apresentar a sua defesa e que o Ministério Público tem o ónus de fazer a prova) que o Benfica possa vir a condenado ao nível desportivo. A ser demonstrado que a SAD tinha conhecimento do conteúdo de processos judiciais que envolvem o próprio Benfica e os seus rivais, bem como informações sobre a vida de árbitros de futebol e que corrompeu funcionários judiciais para obter essa informação, não acho impossível que daí decorram sanções desportivas.

Mas, e finalmente, outro dos motivos para que valha tudo é a ausência de sanções. Todos conhecemos o conteúdo do processo Apito Dourado. Basta procurarmos no Youtube e podemos ouvir as escutas do processo. Não houve qualquer consequência. A ideia que transparece é a de total impunidade. Muitos pensarão: se não há penalização, porque não prevaricar?

Os candidatos à presidência perceberam o problema. Não sei é se têm uma solução para ele. Aliás, nem sequer sei se este problema tem solução. É que o futuro foi ontem! E nós ficámos fora dele!

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